Três jornadas decorridas, marcámos ao todo nove golos, sendo que dois deles foram na própria. Estamos em sintonia com o golo, mas convém alertar os jogadores de que tem de ser SEMPRE na baliza adversária. A nossa equipa tem ainda algum trabalho pela frente. Não pensemos que este penta vai ser fácil. Aliás, prevejo que o avanço para o segundo não será superior a dez pontos. E sem Hulk também sabemos ganhar.
Debaixo do sol da Andaluzia tento seguir dentro do possível o que se vai passando no futebol português
(e nenhum título me ocorreu de melhor do que a cançao do grande Dino Meira). Uma consulta a um ou dois jornais desportivos espanhois leva-me a concluir que nao existimos no mapa. Consoante a "cor" do periódico, temos ou o "Floren Team", que acabou de esmagar o Dortmund por 5-0 na Alemanha (e o pós-engripado Ronaldo nao esteve bem, antes preferindo disparar na direcçao de Madaíl e de Queiroz), ou o "ainda a meio gás" Barcelona, que perdeu o Gamper com o Man City e cujo treinador clama por reforços. Para além destas realidades, escreve-se, como é óbvio, sobre os mundiais de atletismo, mais precisamente sobre o jamaicano Bolt.
Sobre o jogo da primeira jornada, apenas soube o resultado através de um telefonema do amigo poncio, que teve ainda o prazer de me informar sobre esse empate "galáctico" do terceiro classificado. Nao vi o jogo do FCP em Paços, portanto, mas contava com uma vitória lógica e sem ondas. Um motivo de alegria: o golo de Falcao (que vi através da RTPi). Um motivo de tristeza: a expulsao de Hulk, o homem que se farta de levar nas canetas sem que os adversários sejam admoestados, mas que é imediatamente expulso quando pisa o risco. É assim que se protegem os artistas (atençao, nao estou a dizer que foi bem ou mal expulso - nao vi o lance - apenas que se exige o mesmo tratamento para os adversários por parte dos árbitros). Curioso foi o destaque dado pela negativa a Hulk pelo jornal Marca, incluindo-o nos "menos" da jornada. Os espanhois acham que o Hulk tem tanto de bom jogador como de violento. Será que já o viram jogar ou terao acesso a informaçao "privilegiada" de um qualquer correspondente tuga, tipo Nuno Luz?
A segunda jornada vem aí e "apenas" se exige a vitória no Dragao, frente a um Nacional que marcou 4 aos ex-vencedores da Uefa (foi pena terem encaixado 3). E é uma boa ocasiao para mostrarmos que nao estamos dependentes de ninguém. Como prevejo um novo tropeçao do terceiro classificado, agora frente aos amigos-da-Champions-NOT, a coisa vai correr bem neste fim-de-semana. Agora, vou dar ali um mergulhinho no Mediterrâneo.
"Era neste clube que queria jogar." 04/07/2002
"Este foi o clube que sempre quis representar." 05/07/2002
Atenção, este post nada tem de lamentoso. Acho que César Peixoto, por várias razões, vai ser uma versão 2.0 de Marco Ferreira. E, para quem entrou na curva descendente, está no clube certo.
Há quem bata na mesma tecla e acredite que Farías pode ser o nosso goleador para esta época. O argentino, aparentemente imune a comparações com este e com aquele (Lisandro à cabeça...), vai marcando e dando conta do recado. Na segunda parte do jogo que nos deu a décima-sexta supertaça, El Tecla fez tudo o que um ponta-de-lança deve fazer. Rematou de cabeça entre dois defesas para um golo quase feito. Marcou outro bem invalidado, mas que mostrou o "rato de área" que é. E marcou um golo válido, facto que passou despercebido à comunicação social uma vez que o lance parece ter tido apenas um interveniente: Cássio. Escreveram-se adjectivos como "monumental", "incrível" e "inacreditável" para qualificar a finta mal executada pelo guarda-redes pacence, afinal um gesto muito comum entre os guarda-redes mais corajosos. Só que ninguém se lembrou de elogiar a pressão feita por Farías nem a calma demonstrada ao rodar sobre si mesmo, aguentar a pressão de Cássio e rematar. Estávamos com dificuldades em marcar e este golo acabou por cair do céu, daí se compreenda tanta azia.
Recordação do dia: http://futebolar.portugalmail.pt/artigo/20090810/video-grande-defesa-de-cassio-do-pacos-de-ferreira
Sim, somos modernos e também tuitamos. Quem quiser (per)seguir-nos, faça o fabor: http://twitter.com/Pobonews.
É assim que vamos recordar Bobby Robson, nos braços dos seus jogadores, a comemorar mais um título de azul-e-branco. E com ele a liderar a equipa foram dois campeonatos, uma taça de Portugal e duas supertaças. O melhor treinador estrangeiro que passou pelo FC Porto, na opinião de muitos, marcou o clube e os seus adeptos. Foram dele os dois primeiros campeonatos do penta da década de 90 (que bonito seria dedicar-lhe um segundo penta...) e dele guardamos a recordação de um futebol que, do primeiro ao último minuto, tinha os olhos na baliza adversária. Nunca mais me esqueci de um FC Porto-Braga, no Estádio das Antas, cuja primeira meia-hora foi de autêntico vendaval futebolístico, com os bracarenses a não saberem o que se passava para lá deo meio-campo.
Em 1996, A Bola atribuiu-lhe o Prémio Vítor Santos, reconhecendo toda uma carreira de mérito indiscutível (parte 1 e parte 2). Talvez tenha sido o único treinador do FC Porto com "boa" imprensa (se é que isso é possível), o que atesta das qualidades que este senhor possuía. As suas respostas cheias de um humor acutilante desarmavam qualquer jornalista de meia-tigela armado aos cucos. E todos nós recordamos com saudade a terminologia por si utilizada, meio portuguesa, meio inglesa, com que comentava os jogos.
Deixo-vos algumas imagens/documentos alusivas à passagem de Bobby Robson pelo FC Porto.
Plantel 94-95
Jogadores, da esquerda para a direita e de cima para baixo: Baroni, André, Rui Jorge, Jorge Couto, Semedo, Vítor Baía, Paulinho Santos, Jorge Costa, Aloísio, Cândido, Secretário, Folha, Domingos, Latapy, Walter Paz, Bandeirinha, Emerson, José Carlos, João Pinto, Jaime Magalhães, Rui Barros, Yuran, Drulovic e Kulkov.
Um onze nos Cadernos de A Bola de 94/95
Um onze nos Cadernos de A Bola de 95/96
Suplemento do Record "Treinadores Campeões" (parte 1 / parte 2)
Suplemento JN Desporto "Penta Campeões" (1º título / 2º título)
Artigo no site da ESPN
"Porto cannot offer the wages that other major European clubs can, but are an attractive prospect for South American players as they get Champions League football, regularly win silverware and, perhaps most importantly, provide a stepping stone for them to gain an EU passport. Such a move grants players the chance to move to other European clubs, without the problems of gaining work permits and visas - making them vastly more appealing to potential suitors further down the line.
While Porto continue to gain critics for their approach, it is hard to argue against what they are doing. A club with ambition, but not an overinflated sense of where they should be in European football, the Portuguese side will continue to make a profit on their star players, while they bring new ones through to replace them at bargain prices.
A model of how mid-ranging European clubs should be run, the Dragons might initially cringe at the prospect of another season of rebuilding but, if they continue to win trophies, then another summer of upheaval will quickly be forgotten."
Mais palavras para quê? A notícia pode ser lida na íntegra em:
http://soccernet.espn.go.com/columns/story?id=662123&sec=europe&root=europe&cc=5739)

1. Emotiva a despedida de Pedro Emanuel. Sentido o abraço de Raul Meireles. Todo o estádio de pé a aplaudir um campeão que nos fez campeões. Obrigado, Pedro.
2. Por favor, não queiramos fazer de Bellushi um Lucho. O rapaz em todas as condições para vingar, como se viu hoje, a espaços, mas não se lhe peça o mundo. Pelo menos nesta altura.
3. Raul Meireles e Fernando já estão a carburar muito bem tendo em conta que apenas estamos no início de época. Varela também. Hulk é Hulk. Quem destoou na exibição globalmente positiva foi Fucile, ainda muito preso de movimentos. Guarin marcou um golo improvável. Álvaro Pereira não fez nada que me fizesse esquecer Cissokho. Glbalmente, já apresentamos um fio de jogo, principalmente na primeira parte, de qualidade. Acho que vamos fazer fazer boa figura na Peace Cup.
A vitória sobre o Leixões deixou bem claro que o FC Porto 2009/2010 vai ser um verdadeiro tratado de Hulkologia. O incrível vai ser o ponto nevrálgico de toda a nossa acção ofensiva. Não vou ao ponto de afirmar que "será hulk e mais dez", porque isso, no FC Porto, nunca funcionou, mas, pelo que observei hoje, o brasileiro que fomos descobrir à 2ª divisão japonesa parte bem à frente dos restantes jogadores em campo, revelando já ritmo de jogo impressionante.
Quanto aos reforços, ainda é cedo para fazer afirmações definitivas, mas Bellushi pareceu-me um jogador inteligente na forma como aparece na área para finalizar. Varela tem ainda algum caminho a percorrer, até porque como concorrente está um homem chamado Rodriguez. Os centrais Nuno André Coelho e Maicon não tiveram grande oportunidade de se mostrarem, principalmente na primeira parte, em que o Leixões quase não chegou à nossa área. De Álvaro "assinei em 4 minutos" Pereira não me ficou uma ideia muito definida, para além de um ou outro cruzamento bem tirado. Beto fez uma defesa evitando golo, mas nada podia fazer no penalti. Por falar em penalti, se isto é uma amostra do que nos espera no campeonato, então vai ser muito mais difícil lutar pelo penta...
Em relação aos outros jogadores, uma palavra para Cissokho e Mariano Gonzalez. Do primeiro, vai ser uma pena vê-lo sair. Será um esteio da equipa se ficar. Quanto a Mariano, vai ser muito difícil tirarem-lhe o lugar. A não ser que Falcao se revele um goleador e Hulk encoste à linha, ou que Valeri seja alguém que faça a diferença e seja preciso sacrificar alguém...
Pior do que "roubar" um jogador a outro clube (sendo que o conceito de "roubar" pode ter muitas interpretações e pode esconder debilidades próprias...) é recusar um jogador que era tido como o mais valioso do outro clube. Eu se fosse adepto do terceiro classificado metia baixa psiquiátrica. O FC Porto não está interessado em Reyes, aquele que é visto por muitos como o melhor jogador benfiquista do ano passado. Mais uma vez se vê a distância de qualidade que existiu entre os dois plantéis apesar de alguns insistirem na teoria quixotesca das arbitragens.
O aprendiz de administrador veio dizer que nunca se interessaria por um jogador apalavrado com outro clube, o que também tem a sua piada. Eu também nunca me interessaria por um lugar na Champions League se não tivesse ganho em campo o direito natural de a ela aceder. Mas alguém acredita que uma estrutura profissional como a do FC Porto perderia tempo a contratar jogadores só para estragar negócios aos outros?
Confesso: sou um sentimentalão que não suporta ver partir para outros clubes os melhores jogadores da nossa equipa, seja qual for a quantia em causa. Mais: estou "mal habituado", porque nasci pouco antes do 25 de Abril e ver o meu clube ganhar o campeonato nacional tornou-se uma rotina - já não chega para me contentar. Ainda pior: acho que as vendas que o FCP fez nos últimos 7 anos deveriam ter permitido outro desafogo financeiro. Afinal, para onde vão todos estes milhões quando o clube investiu sempre significativamente menos nos jogadores que adquiriu?
Estou a ficar farto desta sensação de "reset" permanente. Porque sempre que o Porto aparenta ter construído uma equipa sólida, à qual bastaria acrescentar meros pormenores para poder ambicionar bem mais do que passar a fase de grupos da Champions, a SAD vende as nossas peças principais e força a reconstrução. Mais de 40 milhões facturados é, de facto, muito dinheiro, mas quanto nos custará o novo ciclo de aquisições e de falhanços?
À data em que escrevo isto, não sei se o Bruno Alves fica ou vai, mas acredito que será um jogador mais "substituível" do que os dois argentinos que vendemos para França. O Lucho fez o contrato da vida dele, tanto quanto foi possível perceber e seria cruel inviabilizar a transferência. Além do mais, 18 milhões (+ uns pozinhos) por um jogador a entrar na fase derradeira da sua vida desportiva de alto nível é muito dinheiro. Quanto ao Lisandro, o "erro" foi lhe terem dado o que ele queria (e merecia) na devida altura. Poderíamos retê-lo mais um ano e eu acredito que ele sairia para um clube mais poderoso, por uma quantia maior e com um contrato certamente melhor. Licha foi para mim o jogador mais "à Porto" de todos aqueles bons jogadores que vendemos nos últimos anos. Um lutador com classe, um virtuoso que defende, em suma, um profissional exemplar.
Bem sei que os jogadores chegam e partem, mas o que é relevante é o clube. Mas custa-me a perceber duas coisas: como é que o SLB investe tanto sem vender quase nada e como é que o Porto vende tanto, acede à Champions e aos seus milhões, mas o passivo cresce continuamente não obstante se continue a vender os melhores por valores adequados. Se não é má gestão (do tipo ter cerca de 50 jogadores com contrato... metade dos quais nunca jogarão pelo clube), afinal, para onde vai o dinheiro? Boa gestão não é só comprar barato e vender caro. Se fosse, o FCP teria uma situação económica invejável e não precisaria de fazer RESET de 3 em 3 anos.
Confesso: sou um sentimentalão que não suporta ver partir para outros clubes os melhores jogadores da nossa equipa, seja qual for a quantia em causa. Mais: estou "mal habituado", porque nasci pouco antes do 25 de Abril e ver o meu clube ganhar o campeonato nacional tornou-se uma rotina - já não chega para me contentar. Ainda pior: acho que as vendas que o FCP fez nos últimos 7 anos deveriam ter permitido outro desafogo financeiro. Afinal, para onde vão todos estes milhões quando o clube investiu sempre significativamente menos nos jogadores que adquiriu?
Estou a ficar farto desta sensação de "reset" permanente. Porque sempre que o Porto aparenta ter construído uma equipa sólida, à qual bastaria acrescentar meros pormenores para poder ambicionar bem mais do que passar a fase de grupos da Champions, a SAD vende as nossas peças principais e força a reconstrução. Mais de 40 milhões facturados é, de facto, muito dinheiro, mas quanto nos custará o novo ciclo de aquisições e de falhanços?
À data em que escrevo isto, não sei se o Bruno Alves fica ou vai, mas acredito que será um jogador mais "substituível" do que os dois argentinos que vendemos para França. O Lucho fez o contrato da vida dele, tanto quanto foi possível perceber e seria cruel inviabilizar a transferência. Além do mais, 18 milhões (+ uns pozinhos) por um jogador a entrar na fase derradeira da sua vida desportiva de alto nível é muito dinheiro. Quanto ao Lisandro, o "erro" foi lhe terem dado o que ele queria (e merecia) na devida altura. Poderíamos retê-lo mais um ano e eu acredito que ele sairia para um clube mais poderoso, por uma quantia maior e com um contrato certamente melhor. Licha foi para mim o jogador mais "à Porto" de todos aqueles bons jogadores que vendemos nos últimos anos. Um lutador com classe, um virtuoso que defende, em suma, um profissional exemplar.
Bem sei que os jogadores chegam e partem, mas o que é relevante é o clube. Mas custa-me a perceber duas coisas: como é que o SLB investe tanto sem vender quase nada e como é que o Porto vende tanto, acede à Champions e aos seus milhões, mas o passivo cresce continuamente não obstante se continue a vender os melhores por valores adequados. Se não é má gestão (do tipo ter cerca de 50 jogadores com contrato... metade dos quais nunca jogarão pelo clube), afinal, para onde vai o dinheiro? Boa gestão não é só comprar barato e vender caro. Se fosse, o FCP teria uma situação económica invejável e não precisaria de fazer RESET de 3 em 3 anos.
Desde já apoio a contratação de Fernando Belluschi, um homem que sabe o que é aviar o clube "mais grande do mundo" por 5-1. Sugiro até que se dê a camisola númemo 51 ao rapaz, em homenagem àquele jogo da Taça Uefa, tal com, um dia, Benni McCarthy fez ao escolher a mítica camisola 77.
O outro nome de que se fala é o de Diego Valeri, um jogadorzaço, a avaliar pelos vídeos do You Tube. Como diria Bobby Robson, "pass precis", "boa dinamics" e "muy talent" são os atributos deste rapaz que nos preparamos para contratar.
A propósito de Bruno Alves, e nos intervalos das declarações ameaçadoras de Washington Alves, o papá, surgem os nomes de Henrique, central, e Keirrison, avançado, jogadores que pertencem aos quadros do Barça e que são dados como eventualmente envolvidos no negócio. Não conheço nenhum dos dois. Do central, dizem-me que se afirmou plenamente na Bundesliga. Do avançado, apenas sei que, com este nome, pode assustar qualquer defesa. Imagino uma dupla demolidora: Hulk e Keirrison. Ui!

Esta é a primeira grande contrariedade da época 2009/2010. Da nossa, claro. Não há jogadores insubstituíveis, mas há jogadores que ficam para sempre na história de um clube. Lucho será um deles. Obrigado, campeón!
As silly-seasons costumam ser mais ou menos parecidas (há sempre um clube que as ganha, mas depois é outro que levanta os troféus), mas a deste ano está a ser especialmente louca. A coisa assume características bélicas com jogadores a serem referenciados quase diariamente pelos mesmos clubes, desmentidos categóricos, confirmações que contradizem os desmentidos, confissões inesperadas de jogadores, declarações bombásticas de familiares, enfim. É claro que todo este frenesim tem como pontos nevrálgicos o tetra-campeão e o terceiro classificado, estando o Sporting à parte, fazendo o seu caminho, calmamente alheio a estas guerras de jogadores e empresários.
O Sporting consegue, ao que pude apurar, um reforço de grande qualidade, o chileno Matias Fernandez. Estranhamente, na imprensa portuguesa, refere-se o rapaz como "Matigol", ainda que nenhum golo tenha marcado em Portugal. É sempre perigoso criar este tipo de expectativas. Fala-se ainda de um tal Caicedo, avançado com um nome bastante apropriado tendo em conta que pode ter como colega de equipa um tal de João Moutinho.
No terceiro classificado, voltam os tempos de euforia pela reedição da dupla maravilha do River Plate: Aimar e Saviola. Convém informar os adeptos deste clube que a maravilha desta dupla tem aí uns dez anos, quando eram jovens e grandes promessas. Hoje, não sei não. Aimar foi o flop que se viu na época passada e Saviola jogou aí uns 20 jogos nos últimos dois anos em Madrid. Todos sabemos que Saviola é um bom jogador, e até não me importava de o ter no FCP, mas também é mais ou menos do conhecimento geral que, no terceiro classificado, qualquer jogador se arrisca a ser... desvalorizado. Veremos como é que El Conejo se dará entre as galinhas. Por essa blogosfera fora, questiona-se onde é que o clube vai buscar dinheiro, depois do humilhante falhanço europeu (na secretaria e no campo). Eu continuo a dizer que há ali alguém que não quer dar a cara a financiar a coisa. Um Joe Berardo qualquer com amor a causas perdidas...
Do FC Porto sobram notícias de saídas. De Lucho a Lisandro, passando por Bruno Alves, Cissohko, Helton, Raul Meireles e até Hulk. Todos os dias o nosso coração portista sofre com a saída anunciada deste ou daquele. De entradas, fala-se menos, basicamente tendo como espaço privilegiado o mercado sul-americano. De Falcão a Buonanotte, passando por Pastore, entre outros, vamos assistindo a um desfilar de nomes interminável. Hoje, para quebrar a monotonia, falou-se de um guarda-redes belga que ninguém conhece. Mas a notícia que nos deixa a todos com o credo na boca é a da iminente saída do nosso comandante, Lucho González, para o Marselha. Eu não deixo de considerar tudo isto muito estranho, depois das declarações do jogador dando quase como certa a permanência. Não sei se houve estratégia para não levantar demasiadas ondas e agora apanhar-nos a todos desprevenidos... Uma coisa é certa: arranjar substituto para o jogador mais importante do FCP do século XXI (a seguir a Deco) vai ser quase impossível, dentro da realidade orçamental a que estamos habituados...

No FC Porto pensamos sempre em ter os melhores jogadores. Mas pensamos também em ter jogadores que se entreguem de alma e coração ao clube, que se apaixonem pelo clube e pela cidade, que sejam tão importantes fora de campo como dentro dele. É neste perfil que se enquadra Tarik Sektioui, que agora nos deixa. Não é fácil encontrarmos jogadores deste calibre, jogadores capazes de se levantarem quando já ninguém dava nada por eles, capazes de renascerem das cinzas e conquistarem a pulso um lugar no plantel. Estou a falar daquele momento, há dois anos, em que o davam como dispensado, e o homem arrancou uma pré-época fulgurante, culminada com uma soberba exibição no Bessa. A 1 de Agosto de 2007, eu escrevia que "Se as pré-épocas servem para decidir quem fica e quem vai, esta encarregou-se de provar que o marroquino merece um lugar no plantel." No mesmo dia, era o meu amigo poncio que reconhecia que "este marroquino, a quem eu não dei o benefício da dúvida, teria sido muito melhor alternativa para as alas do que (não) foram o Vieirinha e o Alan. Pelo que fez na pré-temporada, merece uma 2ª oportunidade". Jesualdo deu-lhe essa segunda oportunidade e ele aproveitou-a, sendo um dos jogadores mais importantes do tricampeonato. Tarik teve oportunidade, como outros o fizeram, de protestar pela fraca utilização em determinados momentos, mas não o fez. Teve oportunidade de amuar e não o fez (também não sei se teria um papá para o apoiar). Mesmo na época que agora termina, Tarik poderia ter reivindicado algo mais, podia ter levantado ondas, e não o fez. Tarik sempre foi um profissional digno e um jogador de equipa de eleição. E quando digo jogador de equipa refiro-me à sua postura sempre apaixonada no banco, sempre a incentivar os colegas. Um tipo de atitude que ficará para sempre na memória dos portistas. No meio disto tudo, tenho muita pena que Tarik Sektioui tenha andado tanto tempo "perdido" por essa Europa e tenha chegado tão tarde ao FC Porto. Agora, desejamos-lhe as maiores felicidades. Obrigado, Tarik!
Há três momentos de interesse nesta final. Vamos a eles:
1. O golo de Lisandro, pleno de classe. Raul Meireles aproveita uma sobra, abre de primeira para Licha, num passe fantástico, e o argentino, de primeira, à saída de Cássio, mete-lhe a bola para o poste mais longe. Lisandro pode ter feito o último jogo e o último jogo pelo FC Porto. Gracias, campeon. É assim que te recordaremos para sempre.
2. A bolada na cabeça de Paulo Costa foi um momento quase-Exorcista pois a cabeça do árbitro quase rodou 180 graus. Então aquela repetição junto ao relvado foi de uma beleza rara. O balázio de Rodriguez, a cabeça de Paulo Costa a rodar em câmara lenta, mas, hélas, a permanecer agarrada ao pescoço. Lindo.
3. O sururu quase no final do jogo, metendo empurrões e insultos. Um clássico em finais que estava a ver que não ia acontecer. Aquele Filipe Anunciação é um troglodita. Merecia ir para o terceiro classificado. Outro troglodita, mas de fato e gravata, é o Paulo Sérgio, treinador do Paços, que veio queixar-se da arbitragem no final. E sabe-se como este tipo de discurso "pega bem" em Portugal quando o visado é o FC Porto.
Estou convencido. Este gajo é jogador. Reparem na excelência do lançamento, só ao alcance dos predestinados. E ainda a forma como recebe o passe e coloca atrás, sempre em souplesse. Temos craque.

E pronto, acabou. Somos tetra-campeões. Somos os maiores de Portugal. Não é que isso alguma vez tenha estado em dúvida na minha mente, mas dá sempre gosto repetir estas palavras. Tetra-campeões. Os maiores de Portugal. Começa a saber a pouco, eu sei. Queremos mais. Vamos ganhar mais.
Aí está o TETRA, a apenas três pontinhos, ou, para quem fala espanhol no nosso plantel - e são muitos - "EL TETRA". O próximo fim-de-semana promete ser de emoções fortes no Dragão, se bem que, para ser sincero, a vitória num campeonato como o de Portugal começa a saber a pouco. Podemos tentar o espanhol? Muito provavelmente não seríamos campeões, mas daria para sofrer um bocadinho, que é o que a malta portista está desabituada de fazer.
Ontem, nos Barreiros, demonstrámos, mais uma vez, que, sem Lucho e sem Hulk, também é possível. E dá prazer ver a mentalidade e a dinâmica que esta equipa coloca em campo, duas características de que Jesualdo, há que reconhecê-lo, conseguiu dotar o FC Porto 2008/2009, principalmente na segunda metade da época.
Chegamos a esta fase final do campeonato e é bonito ver Mariano a correr quilómetros com uma qualidade que não lhe tínhamos visto na época passada. É reconfortante vermos uma consistência ao nível de laterais que já não tínhamos há muito - Fucile é uma certeza e Cissohko é uma revelação fantástica (Sapunaru evoluiu muito esta época). É entusiasmante ver um Rodriguez ou um Lisandro e galgar terreno, sempre com os olhos postos na baliza, nunca virando a cara, dando tudo o que têm. É quase inacreditável a forma como um miúdo de 21 anos, na primeira época de titular, se assume em campo com tanta personalidade e qualidade. Estou a falar, obviamente, desse rapaz chamado Fernando, que não trocaria por mil Paulo Assunções cobertos de ouro. E que dizer de Raul Meireles, o melhor médio português da actualidade e jogar em Portugal? Podia estar aqui a falar de outros casos felizes (Rolando, Farías, Tomás Costa...) que existem na nossa equipa, mas essa análise será feita no final do campeonato...
PS - A Bola traz hoje uma entrevista com Léo, que diz: "Quique não percebe o futebol português". Creio que, antes de se chegar a esta conclusão tão dramática, os adeptos do terceiro classificado (com a ajuda do FCP na próxima jornada) devem pensar, mas quem é que percebe o futebol português naquele clube? Ou melhor: "Quem percebe DE FUTEBOL naquele clube?".
O jogo não foi brilhante, mas o Lisandro iluminou o Dragão. Continuo a não perceber o porquê do T. Costa ser encostado à lateral direita quando, na minha opinião, é o único que poderia assumir a posição de liderança do Lucho. Porque, afinal, o Fucile estava no banco.
Mais do que a falta do Hulk, nota-se que esta equipa está órfã. Lucho vale mais em campo do que os seus passes, os seus remates ou as suas recuperações de bola - o argentino é quem mantém a serenidade quando tudo corre mal, é quem permanece lúcido quando a equipa está ansiosa, é quem, mesmo lentamente, define a postura do colectivo em campo.
É verdade que o Porto deu mais um passo e faltam apenas 4 jogos (Marítimo fora, Nacional em casa, ida à Trofa e recepção ao Braga), mas, nestas condições, nenhum se afigura fácil. E se é óbvio que o Sporting vive essencialmente da qualidade finalizadora do Liedson, sem o Lucho nós passamos igualmente a depender daqueles que desequilibram, daqueles que são capazes de tirar "coelhos da cartola" e não, como até aqui, da consistência global de uma equipa.
Estamos sem Hulk. Já estivemos sem Diego. Já estivemos sem Lisandro. Já estivemos sem Anderson. E sempre demos a volta por cima. Acredito que agora não vai ser diferente. A única diferença é que, desta vez, não foi um jogador do terceiro classificado a mandar um dos nossos melhores jogadores para o estaleiro. De resto, a complacência do árbitro é a de sempre: carta verde para massacrar os nossos craques. Depois, lembro-me do cartão amarelo ao Fucile em Belém. Apesar da perda de Hulk ser muito importante, preocupa-me mais a ausência de Lucho, para mim, o melhor jogador do FC Porto da era pós-Deco. Uma trave mestra, mesmo quando outros o criticam por isto ou por aquilo.
É fundamental que a equipa se una como nunca nesta recta final do campeonato. O jogo de ontem - que não vi - não deve originar previsões catastróficas sobre o que aí vem. Pelo que narram as crónicas, até entrámos bem, marcámos cedo e depois quisemos passear. Acho natural esta atitude, apenas não podem ocorrer as falhas defensivas que se viram, principalmente dentro da grande-área. Aquele meio-campo jamais será repetido, Madrid e Guarín mostram que não têm lugar neste avião. E Stepanov também não.
PS - O poncio e eu estamos de boa saúde. Não fomos raptados pela Jihad bermelha. Estamos aqui, mas com pouco tempo para escrever. Sim, somos humanos, trabalhamos, temos família e essas coisas todas.
Neste momento de profunda tristeza, sou obrigado a concordar com este escocês que fotografei há cerca de duas semanas, perto da Dam Square, em Amesterdão. "Fuck England", apesar de de inglesa a equipa do Manchester United que jogou hoje no Dragão ter muito pouco...
Quero dizer que a tristeza que sinto pela nossa eliminação não apaga o orgulho que sinto - e, creio, todos os portistas também - pelo caminho que fizemos nesta Liga dos Campeões, demonstrando não só que somos demasiado grandes para o nosso futebolzinho de benfiquinhas amestrados e lagartixas histéricas, mas também, ao jogarmos a competição de clubes mais importante do mundo, estamos no nosso elemento natural. É aqui que pertencemos e isso ficou bem demonstrado nesta eliminatória.
Não valerá a pena estar a analisar exaustivamente um jogo cujo resultado, caísse para que lado caísse, não surpreenderia. Ganhou o Manchester, com um golo soberbo de um predestinado e com um menino brasileiro de quem temos muitas saudades a mandar no jogo na primeira parte. Perdeu o FC Porto com, mais uma vez, pouco acerto na hora de finalizar, com um Hulk a menos e com dois laterais de eleição. A diferença fez-se no pormenor e no génio, por isso não vale a pena falar em injustiça. Parabéns, dragões. Para o ano, lá estaremos outra vez.
Amanhã jogar-se-á o mais importante jogo da época para a nossa equipa. Sobretudo porque cada eliminatória que o Porto passe é uma bofetada na arrogância dos que vivem do passado e mais um passo para cimentar o nosso clube como um dos maiores e melhores da Europa.
Atrevo-me a dizer que, à escala europeia, a realidade económica do futebol actual agravou as diferenças entre os mais ricos e os mais pobres e que por isso é hoje mais difícil ver um clube português, turco, grego ou até francês nesta fase da competição do que era há 4 ou 5 anos atrás. A distância entre os orçamentos do futebol inglês, italiano e espanhol face aos do futebol dos países de 2ª e 3ª linha, em especial, é hoje muito maior.
Por tudo isto, a vitória de amanhã (não só na eliminatória, mas também no jogo) seria a melhor resposta para todos os que nos tentaram sacar na secretaria aquilo que o FCP ganhou em campo, para os que nos deram como vencidos assim que o sorteio colocou no nosso caminho Ronaldo e Cia, e arrumaria de vez com as tretas de que o nosso grupo era fácil e o Atlético era um adversário fraco.
Se, como confio, formos capazes de bater o Manchester United, nem com muita imaginação esta gente pequenina e invejososa vai poder menosprezar o nosso sucesso. Aconteça o que acontecer, para quem gosta de futebol e vive o FCP como nós vivemos, o jogo de amanhã vai ser um momento quase tão especial como foram as finais de 2003 e 2004. Força Porto!
Bruno "emendou" a borrada de Old Traford da maneira mais rápida que foi possível - um livre similar ao de Alvalade. Gostaria é de o ver repetir a façanha na quarta-feira! Depois disso, Farias mostrou que é um valor a ter em conta e que, muito provavelmente, sendo o 3º melhor avançado-centro do FCP, até teria lugar cativo nos outros supostos candidatos ao título.
Entretanto, o SLB deu mais um tiro no pé e perdeu em casa, coisa que sendo relativamente indiferente para esta caminhada para novo tetra, é algo que abrilhanta o fim-de-semana de qualquer portista que se preze. Muito obrigado Domingos, muito obrigado azelhas do Benfica. Desta vez, ao contrário da passada semana, faltou-vos a sorte e, sobretudo, o favorzinho da família Luciliana. Deve ser por isso que o Malheiro Jr. aproveitou a oportunidade para aparecer no resumo da jornada.
Cumprido o TPC da Liga Sagres, em ritmo de passeio e com muita gente a descansar, dentro e fora das 4 linhas, vamos concentrar-nos na tarefa de quarta, vencer o Manchester e seguir em frente. Ao contrário do que alguns dos nossos amigos comentadores referiram a propósito do meu anterior post, não me contentaria com a vitória moral de termos feito um jogo fantástico em Old Traford. Mas tenho presente que será um dos jogos mais difíceis da época, contra a equipa mais poderosa que o FCP 2008/2009 enfrentou, pelo que é preciso não entrar em euforias. Para já, temos a nosso favor o facto de termos invertido as probabilidades de seguir em frente. Se antes da 1ª mão eram na ordem dos 25%, hoje são, no mínimo, 51%.. E este 1% pode fazer toda a diferença.
A eliminatória ainda vai a meio, mas ter feito o jogão que o FCP fez em Old Traford (com o contributo de um enorme Hélton, para variar...) já deveria ser motivo de orgulho aconteça o que acontecer no Dragão, no jogo da 2ª mão. Mas ainda melhor do que passar esta eliminatória é ver a forma como esta equipa cresceu, depois de momentos muito maus (derrotas caseiras sucessivas e o naufrágio em Londres), em que eu fui um dos que advogou que talvez estive na hora da direcção fazer cair o Jesualdo. O tempo encarregou-se de provar que estava errado (e, neste caso, ainda bem). O Porto bateu-se desesperadamente e sobreviveu com vitórias felizes , como as de Kiev e de Instanbul, mantendo-se à tona na Liga Sagres, não obstante ter falhado nos dois jogos do Dragão com os rivais de Lisboa (se os tivesse vencido já estaríamos a comemorar novo título).
Esse crescimento é, sem dúvida, atribuível ao trabalho e à perseverança de Jesualdo Ferreira, que pegou num conjunto de jogadores sem rotinas e, em apenas 6 meses, transformou-o na actual máquina de jogar futebol que vimos em actuação em Madrid e em Manchester. Claro está, nem todos os jogos vão correr de feição (aliás, estes deveriam ter terminado com duas vitórias nossas, sobretudo o primeiro), mas nota-se que existe lógica naquele futebol, que o 4-3-3 se tranforma num 4-4-2 com a ajuda desse incansável "Cebola", que os médios protegem os laterais, que Lisandro marca menos mas continua a ser um jogador absolutamente determinante, que Meireles enche o campo até lhe faltar o folgo e que Rolando parece jogar nesta equipa desde sempre.
E por entre este crescimento colectivo revelam-se também talentos que ninguém conhecia ou que, pelo menos, não eram evidentes, sendo de realçar aqui os casos de Fernando e Cissokho. O primeiro já fez esquecer o Paulo Assunção porque, em apenas meia época justificou o porquê da vedeta que veio do Inter ser emprestada enquanto que o modesto brasileiro era a escolha insistente de Jesualdo. O francês foi um caso ainda mais feliz e atrevo-me a dizer que desde que dispensamos o Nuno Valente que o Porto não tinha um lateral com tanta qualidade e tanto potencial. Depois de múltiplas tentativas (nomeadamente, um brasileiro, um eslovaco, dois argentinos e algumas adaptações mais ou menos conseguidas), fomos descobrir debaixo dos nossos narizes um jogador barato, capaz de saltar da luta pela manutenção para os grandes palcos da Europa, sem fraquejar. Isto deveria ser motivo de reflexão por parte de quem contratou jogadores banais (como o Benitez e o Lucas Mareque) por valores demasiado altos, para que não fiquemos todos com a impressão de que contratar jogadores fraquinhos na Argentina é apenas um expediente para fazer circular dinheiro.
Por último, os mal-amados: Farias, Mariano e Sapunaru. Na realidade, no actual enquadramento, eles têm não só lucrado com o momento colectivo (uma boa equipa ajuda a mostrar trabalho) mas também sido essenciais para o sucesso - Mariano tem feito golos determinantes e exibições convincentes (sem se atrapalhar com a bola) , Farias tem marcado com regularidade e Sapunaru deixou de ser aquele "passador" que nos assustava. Aliás, o romeno é aquele que mais me tem surpreendido pela positiva - fez um jogo soberbo em Manchester, depois de exibições muito consistentes em Guimarães e em Madrid. Guarin continua "esquecido" graças a uma lesão que evitou a insistência neste colombiano que, quanto a mim, não merece um lugar neste plantel.
Para que este quadro fosse perfeito bastaria que aquele que eu elegi como a melhor contratação deste ano tivesse a oportunidade de mostrar que pode ser uma alternativa credível ao Lucho. Infelizmente, nas poucas vezes em que teve essa chance, T. Costa não aproveitou. Nota-se que é um jogador que pode levar a equipa "às costas", mas ainda não encontrou o seu espaço neste FCP.
O tempo, porém, não é de euforias. Para além de estarmos perante uma equipa capaz de vencer qualquer 11, em qualquer parte do mundo (é bom não esquecer que quem tem Ronaldo, Rooney, Tevez, Berbatov, Ferdinand, Anderson, Nani e muitos outros grandes jogadores pode aspirar a resolver qualquer partida a seu favor), temos ainda uma missão mais espinhosa na frente interna, que é enfrentar as decisões dos Lucílios e das Comissões de Disciplina. Por isso, convirá que toda a equipa e, especialmente, o Hulk e o Bruno Alves, continue a ter presente que nada está garantido, que nada será fácil de obter, quer ao nível pessoal, quer ao nível colectivo.
O meu clube deu-me hoje uma das maiores alegrias de sempre. E não consigo escrever mais nada. Talvez amanhã.
As declarações do Ilusão - o central mais vezes vendido pela imprensa, afinal, vai acabar a carreira no SLB
A frase do Luisão que o Rcord refere, «Lance de Lisandro está a valer o campeonato», faz parte de um discurso que tem uma única finalidade - pressionar a arbitragem e menorizar o mérito do FCP. Para além do óbvio, que é o facto de existir presentemente uma diferença de 5 pontos e num jogo estarem em causa apenas 3 (e mais o penalty não assinalado sobre o Lucho...), o central benfiquista esquece todas as grandes esclandaleiras que envolveram a sua equipa esta época e, em especial, a final da Taça da Liga e arbitragem mais vermelhusca da temporada, que foi a do jogo com o Braga. Aliás, nem era preciso recuar muito para descobrirem que venceram na Reboleira com um golo decorrente de um penalty que não existiu (o senhor da Liga que trata das suspensões por simulação está de férias?...).
O melhor seria começar a tratar seriamente do "plano B" de todas as épocas: fazer sair umas notícias sobre eventuais reforços sonantes, mencionar que "para o ano é que vai ser" e, claro, manter o discurso da "transparência" e da "moral no futebol", porque ainda existem não sei quantos millhões de otários que acreditam nisso.
A Champions é para campeões (a UEFA, ou melhor, a sua fase de grupos, é para Lampiões)
Quanto a nós, concentremo-nos no que interessa - Champions e o jogo em Manchester. Excepto pelo facto do Fucile estar lesionado, creio que o momento é o ideal para um jogo desta envergadura. A equipa está bem, confiante e até as segundas linhas já contribuem em qualidade (especialmente, oMariano, o Farias e o T. Costa). Porém, fala-se da titularidade do Guarin - espero que seja engano.
Na minha opinião, se entrarmos encolhidos (para alinhar o Guarin só poderá sair um dos 3 da frente, não é?) transmitiremos a mensagem errada ao nosso adversário e, sobretudo, à nossa equipa. Contra uma equipa com tantas soluções, defender o resultado inicial só poderia acabar em tragédia.
Espero sinceramente que o Jesualdo não se acagasse e que equipa se transcenda. É este o momento ideal para a Europa do futebol fixar os nomes dos nossos melhores jogadores. É a grande oportunidade de gente como o Bruno Alves, o Lisandro, o Lucho, o Meireles e, obviamente, o Hulk fazer a diferença. Força Porto!
O mesmo António Tadeia que disse aquela alarvidade no final da primeira parte, afirmou no final do jogo que "o Porto foi mais equipa, na primeira parte, antes do golo do Vitória e em toda a 2ª parte" - isto é o que se chama "comentário ao sabor da maré". Em suma, a tristeza do costume.
Quanto aos nossos, fizeram o que o Jesualdo lhes deve ter pedido ao intervalo, isto é, para entrarem a todo o vapor, pressionando, fazendo o mesmo que haviam conseguido no início do jogo - encostar o Vitória lá atrás. A única diferença é que desta vez marcaram golos. Para encerrar, o Rolando teve uma entrada de cabeça à Bruno Alves e acabou com as dúvidas.
O Vitória limitou-se a atirar a redondinha para a nossa área, quer em bola corrida, quer nas muitas faltas cavadas no nosso meio campo (olhando pelo critério que suspendeu o Lisandro, as simulações davam para o Vitória ficar sem meia equipa...). Numa delas, o Fernando salta com o ponta de lança do Vitória, que se queixou de uma cotovelada que não é visível nas imagens (apenas o braço no ar do médio do FCP - foi o suficiente para os comentadores se porem a especular...). Até ao 3ª golo, o Nuno Assis bem se esforçou mas aquele pessoal não dá mais e o Porto foi mais forte.
Resta-me acrescentar que o Moreno aproveitou os segundos 45 minutos para dar mais umas trancadas no Hulk e acabou o jogo sem levar sequer um amarelo. Se a camisola do super-herói portista fosse vermelha já há muito tempo teríamos capas de jornais dizendo coisas ao jeito do "Deixem jogar o Mantorras". Mas o gajo é dos nossos e vai ter que aguentar.
Comentário no intervalo do VSC-FCP:
O Porto entrou bem, teve 2 ou 3 hipóteses de marcar, mas quem marcou foi o Vitória. Um ressalto no Sapunaru, o Rolando a ficar fora do lance e o Bruno Alves a chegar tarde.
O jogo está a ser um festival de sarrafada no Hulk e eu atrever-me-ia a dizer que nem metade das faltas que o brasileiro sofreu foram assinaladas. Apesar disso, o amarelo só surgiu quase à meia hora de jogo. A defesa do Vitória não olha a meios e, em especial, o Moreno, tem distribuído fruta para toda a gente do FCP que pega na bola.
Mas o Porto está a precisar de mais agressividade na frente: o Mariano só aparece de vez em quando, o Farias fez um óptimo remate e cavou duas faltas, nada mais, e o T. Costa está a perder uma grande oportunidade de se mostrar como um possível sucessor do Lucho.
O comentário mais parvo da noite foi o que encerrou a 1ª parte: questionado sobre a justiça do 1-0, o comentador da RTP disse que sim, que o Guimarães merecia a vantagem, apesar de ter referido que o Porto dominou até ao golo, com várias oportunidades, e que até tinha tido mais bola depois da desvantagem. Enfim, a tendência do costume...
Acho que o Rodriguez não vai poder ficar mais tempo no banco - é preciso marcar já no início da 2ª parte.
Força Porto!
PdC fez o pleno: o 3º caso ressuscitado pela sanha vermelhusca da nossa justiça deu o mesmo resultado dos anteriores - uma absolvição. Falta agora saber o que fará a justiça dita desportiva: como é que se mantém uma condenação que os tribunais civis negaram? Enterrando a cabeça na areia, aguardando que o tempo passe e a memória não subsista, suspendendo jogadores do Porto com habilidades regulamentares e, claro, esperando que os Lucílios deste campeonato continuem a inclinar o campo a favor da nação benfiquista, na esperança de, mais do que chegar ao 1º lugar, tentar assegurar o 2º posto e a redenção do eventual acesso à Liga dos Campeões.
Quanto ao que verdadeiramente importa: a minha convicção é que o jogo de amanhã pode ser decisivo. Uma derrota ou um empate não nos farão perder a liderança mas uma vitória, acredito, selará o nosso triunfo no campeonato (mesmo com Lucílios, Ricardos Costas e outros artistas similares). Vejamos o que falta:
23ª - o Porto joga em Guimarães, o Sporting em Matosinhos e o SLB na Amadora
24ª - o Porto recebe o Estrela, o Sporting recebe a Naval e o SLB a Académica
25ª - o Porto vai a Coimbra, o Sporting a Guimarães e o SLB a Setúbal
26ª - o Porto joga em casa com o Setúbal, o Sporting faz o mesmo com o Estrela e o Benfica com o Marítimo
27ª - o Porto desloca-se ao Estádio dos Barreiros, o Sporting ao Municipal de Coimbra e o SLB à Choupana
28ª - o Porto recebe o Nacional, o Sporting recebe o Setúbal e o SLB o Trofense
29ª - o Porto vai à Trofa, o Sporting vai ao Funchal (Barreiros) e o SLB viaja até Braga
30ª - o Porto encerra o campeonato em casa, com o Braga, o SCP recebe o Nacional e o SLB o Belenenses
8 jornadas em que, pelo menos no plano do que é mais provável acontecer, o Porto dificilmente perderá pontos relativamente a terceiros, excepto na jornada que começou esta noite. Em todas as outras jornadas, as possibilidades do Porto perder ou empatar são iguais ou até menores do que as de isso acontecer com o SCP e/ou o SLB. Em suma, amanhã tem que ser para ganhar e para, pelo menos, manter a vantagem que já temos.
Alguém consegue explicar esta foto?
Não estou a ver o Estrela da Amadora a marcar-nos dois golos sem receber nenhum em troca. É claro que se nos marcar três, a coisa muda de figura, mas essa hipótese é tão remota quanto a de Miguel Veloso voltar a pôr os pés num relvado que não seja o da casa dele.
Ainda sobre a vergonha que foi a final da taça da bejeca, no Algarve, estou curioso para saber quantos jogos vai apanhar o Pedro Silva, depois daquela peitada ao Lucílio Baptista (nada que qualquer portista decente não tivesse já tido vontade de fazer, mas com a cabeça), que, se tivesse sido do Rochemback, teria sido bem mais fofinha.
Quem também não volta a colocar o pé num relvado português, pelo menos é assim que A Bola hoje atira com a dramática notícia, é Suazo. Os adeptos do clube do Alto dos Moinhos não têm grande razão de queixa. Afinal, o Hondurenho regista a apenas quatro golitos neste campeonato, coisa pouca para quem veio rotulado de pantera negra.
Hoje, 22 de Março de 2009, passam 50 anos sobre uma das páginas mais negras do futebol português. Nem de propósito, depois do que se passou ontem no Estádio do Algarve. Deixo o documento publicado aqui no ano passado. O já por todos conhecido CSI: Calabote Scene Investigation. Não deixemos morrer a memória.
O primeiro pensamento que me ocorre depois do sorteio da Liga dos Campeões é a oportunidade, caso Alex Ferguson queira, de voltar a ver Anderson no Dragão. Que saudades temos daquele "minino" cujo futebol nos seduziu por tão pouco tempo! Depois, a memória de 2004, daquela eliminatória que se dizia "impossível". Os dois grandes golos de McCarthy, no Dragão, o golo de Costinha a gelar Old Trafford, Mourinho a correr pela linha lateral. Até me arrepio ao recordar estes momentos. Temos noção das diferenças, mas não nos peçam que entremos derrotados à partida. Como diria Quique Flores, o nosso ADN não nos deixa fazer isso (apesar dos "esforços" de Jesualdo em algumas ocasiões).
E vocês, quem é que NÃO querem?
Espera lá... O Dínamo não foi o que jogou com o tricampeão de Portugal? E o Metalist não-sei-quê não foi o que jogou com os coisinhos?
Em Alvalade pede-se, com urgência, um salvador. Há quem chame o 112, mas 12 e 1 são números dolorosos por aqueles lados. O estádio está vazio. Há vassouras à porta da SAD do Sporting. Os muros estão preenchidos com insultos. Ameaças de morte chegam através de cartas anónimas. Rochemback trai o balneário. Veloso queixa-se de perseguição. Paulo Bento ignora a pressão. Soares Franco esbraceja para tentar dar sentido a um clube sem rumo. Camões diria "um fraco rei faz fraca a forte gente".
Na Luz, Quique não ouve, nem vê, mas, pelos vistos, vai controlando as gajas. Cada vez sobe mais na minha consideração, este espanhol. Quando não se perde nas ruas de Lisboa, Quique vai dando uma broncas aqui e ali aos seus rapazes. Já foi Reyes, depois Carlos Martins, agora é Balboa. Luis Filipe Vieira vomita a cassete da justiça no dia seguinte ao possível adeus ao campeonato. Começa um novo ciclo, mais um. Rui Costa empurra Quique para dentro, mas Quique quer é ser empurrado para fora. No Trio de Ataque, o realizador de cinema embirra com mais um espanhol, depois de Camacho. Oliveira e Costa ri. Rui Moreira ri. Todos riem, menos o realizador de cinema.
O FC Porto comanda o campeonato e está nos quartos-de-final da Liga dos Campeões. Metade dos convocados para a selecção de sub-21 têm ligação ao FC Porto.
Para onde vais, futebol português?
Saí do Dragão com a alma cheia e com a certeza de que vamos ser campeões. Já tinha escrito que o tetra nasceu em Belém, mas a exibição de hoje deu-me a certeza absoluta que temos um conjunto de grandes jogadores, que são os melhores deste campeonato. E nem mesmo as operações de COSMEtica a tentar desvirtuar a nossa superioridade nos farão soçobrar.
Hoje todos jogaram bem. Até Sapunaru, que consegue fazer dois jogos bons seguidos. Toda a equipa esteve bem, mas eu gostei especialmente de ver Lucho, Rodriguez, Mariano González, Lisandro e Cissokho. Madrid esteve certinho, sem querer arriscar muito, mas nota-se qualidade naqueles pés argentinos. O problema esteve mais uma vez na finalização, mas com tanta jogada bonita que se viu hoje, por uma vez, perdoamos esse problema que este ano nos persegue.
Esteve uma noite de futebol fantástica, um ambiente entusiasta, motivado pela possibilidade de aumentarmos a distância para o segundo classificado (seja ele qual fôr). Conseguimos o objectivo. Cheira bem, cheira a campeão.
As aves de rapina do costume já começavam a fazer contas à vida: frases como "os 7-1 do Sporting são a imagem do futebol português" e relações das goleadas sofridas pelas equipas portuguesas esta época (onde se misturava 3 derrotas esmagadoras do SCP frente a adversários de respeito, a derrota do FCP contra o Arsenal e o banho de bola que uma banal equipa grega deu ao SLB) eram a preparação para títulos mais negros. Porque, afinal, o Atlético de Madrid havia empatado com o Real e batido o Barcelona. Em suma, o Porto jogava em casa, tinha demonstrado ser a melhor equipa no jogo da 1ª mão e estava em vantagem, mas nada disso interessava para uma comunicação social sedenta de sangue.
Mas ao contrário dos desejos destes profetas da desgraça, os poderosos espanhóis vieram ao Dragão jogar no erro alheio. E correu-lhes mal. Ou antes, poderia ter corrido pior se o guarda-redes argentino do Atlético não tivesse voltado a fazer uma grande exibição. Assim, este empate, ainda que suficiente para nos fazer seguir em frente na Champions, soube a pouco. O treinador contrário entrou no jogo encolhidinho, à espera de uma jogada de génio do Aguero, de um salto para a piscina do Simão, de mais uma oferta do Hélton ou de outro milagre qualquer. Por isso é que esta eliminação de Forlan e companhia é a vitória, não só da melhor equipa mas, sobretudo, de quem quis ganhar, do futebol positivo.
O Porto sofreu demasiado e a eliminatória esteve sempre à mercê de um golpe de sorte ou azar. Mas não foi por culpa do treinador e é justo que se diga que esta é, antes de tudo, uma vitória do Jesualdo. Claro está, a maioria dos jogadores do FCP fez exibições acima da média: Fernando foi um gigante, Sapunaru não comprometeu e até atacou com perigo, os centrais quase não deram hipóteses a avançados que são do melhor que há, Lucho e Meireles meteram o meio-campo contrário no bolso e os nossos atacantes fizeram do Leo Franco o "quase-herói" destes dois confrontos.
Seguem em frente 4 clubes ingleses, 2 espanhóis, 1 alemão e o Futebol Clube do Porto. Esta "lista" reflecte o peso dos campeonatos e a competitividade dos respectivos "futebóis". Ou melhor, de quase todos. Nem o "futebol português" merece aquilo que o Porto tem feito por Portugal, nem o Porto pode ser confundido com esta feira de vaidades, calúnias, má consciência e tentativas de vencer na secretaria o que se perdeu em campo que caracteriza o nosso campeonato, a generalidade da imprensa e das TVs que temos e, muito especialmente, os acéfalos que continuam a viver de glórias europeias dos anos 60.
Esta eliminatória é dedicada ao Guimarães, ao SLB e, com especial carinho, ao Platini, que viu sair da competição o Lyon e a sua bem-amada Juventos. Contra ventos e marés, estamos nos quartos de final da Champions League: são estas coisas que nos fazem sentir mais fortes, mais verdadeiros e capazes de vencer seja quem for.
O oleoso das noites de domingo na SIC inaugurou ontem um novo estilo de ataque (ou, no mínimo, menos usual) à credibilidade e legitimidade das vitórias do FCP. Sim, porque como não existiu nenhum caso de arbitragem no Leixões-Porto (ou melhor, existiram dois, mas em nosso desfavor...), só restava colocar em causa os profissionais do clube de Matosinhos.
Lamentavelmente, este tipo de abordagem nojenta já tem seguidores e o programa O Dia Seguinte está a ser um triste exemplo disso mesmo. O Dias Ferreira deve estar esquecido do frango monumental de que resultou o 1º golo do Sporting. E o Cervan também teve um ataque de amnésia e já nem se lembra do facto do golo da vitória do SLB sobre a Naval ter tido origem numa mão na bola que não existiu.
Como alguém já referiu nos comentários do post anterior, o facto de um central do Leixões marcar um golo na própria baliza no jogo com o Benfica não é motivo para levantar suspeitas. Mas fazer um penalty igual a muitos (que eu me lembre, aquele comum movimento de impulsão com os braços já resultou em dezenas de situações similares), falhar um atraso de cabeça ou sofrer um golo em que o avançado contrário surge isolado é algo de muito suspeito.
Pela mesma ordem de ideias, sugiro que investiguem já o Helton, que largou a bola propositadamente para que um jogador (emprestado pelo FCP!!!!) diminuísse a desvantagem e, já agora, o central do Atlético de Madrid, Pablo Ibanez, que saltou em falso e permitiu que o Lisandro se isolasse para fazer o 1º golo do Porto. Afinal, o PdC tudo compra - quem sabe, talvez chova nos dias mais convenientes porque alguém pagou para que isso acontecesse.
Em suma, se o Porto ganha é por causa dos árbitros. Se não dá para acusar os Srs. de preto, lança-se a suspeita sobre os jogadores dos nossos adversários. Confesso que já tinha visto muita coisa, muita má língua, muita má consciência, muito sectarismo, mas isto ultrapassa todos os limites da decência.
Quem hoje também cuspiu muito para o ar foi Miguel Veloso, que acusou o Sporting de não defender "o Miguel" (sim, ele falou na terceira pessoa do singular), porque "o Miguel" não é mau profissional, porque "o Miguel" está a ser vítima de uma campanha do Rascord (imagine-se, o Rascord, o jornal que mais faz pela carreira dos jogadores do Sporting!), porque "o Miguel" não matou ninguém. Segundo ele, "o Miguel" está feliz no Sporting, no clube que lhe deu tudo, no entanto "o Miguel" quer sair do Sporting. Enfim, vá-se lá entender estes meninos mimados que ciclicamente teimam em aparecer lá para os lados da segunda circular.
Quem viu hoje o cuspe cair-lhe bem em cima do penteado milimetricamente encaracolado pelo sebo de oito dias foi Rui Santos que vai ter três jogadores do Leixões à perna por causa das frases que aqui transcrevi ontem. É muito bem feito.
"O FC Porto jogou com onze jogadores e mais três do Leixões: Hugo Morais, Laranjeiro e Beto - que não fizeram o que deveriam fazer pelo Leixões."
"O FC Porto beneficiou de um Leixões atípico."
"Não consigo compreender o motivo daquela mão na bola do Hugo Morais. Não consigo! Até gostava que ele viesse a público justificar-se."
Estas frases foram proferidas por Rui Santos, na SIC Notícias, há cerca de 5 minutos. Ó Rui, depois queixa-te que te tiram o gel num qualquer parque de estacionamento.
PS - Acabei de ver a forma como o João-pode-ser-Ferreira levou o clube do Alto dos Moínhos à vitória num jogo em que o segundo classificado fez mais uma exibição soporífera. Se não fosse pelos homens de preto e a nossa aversão aos jogos em casa, eu diria que já podíamos encomendar as faixas. A diferença de qualidade é enorme.
Este FC Porto que ganha fora, marca golos e atinge o brilhantismo não se tem visto no Dragão. Se na Liga de Clubes ainda lá estivesse uma pessoa que eu cá sei, metíamos uma cunha para jogarmos sempre na casa de adversário.
Neste jogo em Matosinhos, chegámos a ter períodos brilhantes de futebol. E foi bom verificar que, apesar da ausência de titulares como Fucile, Lisandro e Rodriguez, demos uma resposta categórica contra uma equipa, é bom lembrar, que está em quarto lugar no campeonato. O Leixões só criou verdadeiro perigo quando já tínhamos a vitória assegurada e relaxámos um pouco. Até deu para Helton nos presentear com o momento cómico da noite.
Individualmente mais uma vez gostaria de destacar Hulk, um vendaval que agitou o mar de Matosinhos. Laranjeiro ainda deve estar a tentar perceber o que lhe aconteceu. Vale a pena ir ao futebol para o ver jogar "o incrível", mais um exemplo da péssima gestão desportiva que tem caracterizado o reinado de Pinto da Costa ao longo das últimas duas décadas.
PS - Só para que fique registado, houve um golo mal anulado ao FC Porto (Bruno Alves não está fora-de-jogo) e um possível penalti não assinalado sobre Raul Meireles.
E quase uma semana depois, a notícia do dia é os comentários de Paulo Bento sobre o lance entre Lucho e Derlei. Paulo Bento, do alto da sua ironia de sarjeta, diz que aquele árbitro-assistente vê mal ao perto, e vai buscar outros lances em que o Sporting terá sido prejudicado por aquele átbitro. Paulo Bento nunca viu um jogador seu agredir à cotovelada um adversário sem ser punido, como Rochemback já fez por mais de uma vez desde que joga em Portugal. Nem nunca viu um jogador seu dar uma joelhada na cabeça de um adversário que está por terra, como foi o caso do Caneira em Hulk. Nem nunca viu um jogador seu entrar de pitons em riste ao tornozelo de um guarda-redes adversário, como Liedson fez a Helton, no ano passado. Provavelmente Paulo Bento vê mal ao longe. Entretanto, a pisadela de Derlei e o penalti sobre Rodriguez já passaram à história.
O tema é assunto de discussão no programa MaisFutebol, da TVI24, que neste momento estou a ver. Nele, o sempre correcto e leal, enquanto jogador, Mozer mostra-se indignado pela entrada do Lucho. Engraçado, não é?
Depois de vermos esta manchete e de lermos este texto, podemos tirar várias conclusões. Mas eu fico-me por uma: agora que o campeonato entra na sua recta final, e que a realidade do tetra está cada vez mais próxima, o FC Porto é mesmo o alvo a abater. Dê por onde der.
Uma oportunidade para cada lado foi o que de mais emotivo se viu hoje no Dragão, num jogo paupérrimo, sem pingo de talento, jogado com muito atabalhoamento e pouca cabecinha. Penso que o Sporting terá tido mais tempo de posse de bola, pois o seu meio-campo esteve mais pressionante do que o nosso, correu mais e, claro, contou com mais uma unidade. Nenhuma das duas equipas se pode orgulhar do jogo que fez, mas o Sporting sai mais satisfeito. Primeiro, porque não perdeu no Dragão, depois da catástrofe de quarta-feira. O empate pareceu satisfazer as pretensões dos leões, que acabaram o jogo a demorar lançamentos e cobranças de faltas. Depois, porque, com menos um dia de recuperação, aguentou-se bem do ponto de vista físico.
Jesualdo teve azar na lesão de Cissokho, o que obrigou à permanência em jogo de Pedro Emanuel até ao fim. O que Jesualdo fez mal, na minha opinião, foi ter incluído Pedro Emanuel na equipa inicial. O central já tinha dados sinais preocupantes quando entrou em Madrid. Hoje, confirmou-os, porque nunca pôde subir pelo lado direito. E o Sporting até poderia ter aproveitado mais aquele lado para atacar.
O melhor do FC Porto em campo foi Rodriguez, mas teve pouca ou nenhuma concorrência dos seus colegas. Hulk esteve, estranhamento, muito macio. Lisandro lutou muito, mas sem clarividêcia. O nosso meio-campo praticamente não existiu. Fernando terá feito mesmo o seu pior jogo pelo FC Porto.
Relativamente à arbitragem, não houve lances de capital importância. Aquela queda do Rodriguez na área, tocado no pé do Pedro Silva seria penalti em Alvalade, se fosse ao contrário, com o Moutinho e o Tomás Costa como protagonistas, mas O-João-Ferreira-pode-ser-diz-Filipe-Vieira esteve cirúrgico nalgumas decisões, em nosso prejuízo. Derlei talez não devesse acabar o jogo, algumas faltas perigosas por marcar contra o Sporting, uma barreira demasiado perto da bola num livre do FC Porto e as habituais fitas do Moutinho. Para não falar nos poucos minutos de compensação dados no final. Enfim, mas não por aí que não ganhámos. Aliás, seria injusto se o conseguíssemos.
Elvis vive! E conta com mais seis milhões de fãs a partir do dia de hoje. O clube do Alto dos Moínhos ganhou ao Leixões e respirou de alívio após uns 20 minutos finais de puro anti-jogo, com os jogadores a experimentarem o conforto da relva da Luz. José Mota ficou tão indignado que armou giga no túnel. Nada que aquele túnel já não conheça. Aquilo é uma espécie de Faixa de Gaza com Rui Costa a comandar as tropas. Lucílio Baptista ajudou à festa benfiquista concedendo apenas 3 minutos de descontos (o SLBufos jogava com 10...). José Mota tem razão em indignar-se, mas quando o ouvi, durante a semana, a pavonear-se que "ah e tal, podemos ser a única equipa da história a ganhar no campo dos três grandes", pensei logo "vais perder". E o Nuno Gomes acusou o toque. È só ouvir as suas declarações no flash-interbiu.
Nós só temos de ganhar amanhã ao Sporting e vingar a incrível oportunidade perdida de termos goleado o Atlético de Madrid. Por seu lado, ao Sporting só interessa a vitória, dizem eles, para vingar a humilhação com o Bayern. Estes que, por sua vez, vingaram em Alvalade, os 5-0 do FC Porto a outros alemães, o Werder Bremen, na década de 90.
Com uma manchete destas, A Bola vai vender pouco, hoje. Como se não bastasse a ausência da competição de clubes mais importante da Europa, os 6 milhões (entretanto transformados em 2,2 milhões) devem ter tido um final de dia de Carnaval algo cinzento com a exibição do FC Porto em Madrid. Ainda por cima, quando o Atlético contou com a preciosa ajuda de Quique Flores como informador privilegiado. Já li algumas sábias opiniões sobre o jogo, dentre as quais destaco a de que o Atlético de Madrid foi uma presa fácil que facilitou a vida ao FC Porto. Já se sabe que, fosse o Benfiquinha de trazer por casa o adversário dos colchoneros, a perspectiva seria outra. Teríamos assistido a uma sábia demonstração de não deixar jogar o adversário.
É certo que não ganhámos nada. Até acho que pusemos em perigo a eliminatória, porque, a avaliar pelo nosso desempenho no Dragão, nesta época, as perspectivas não são muito animadoras. Por outro lado, o facto de o Atlético precisar de ganhar o jogo, fá-lo-á tomar a iniciativa do jogo, o que pode abrir espaço para o tipo de jogo que a nossa equipa gosta de fazer, o contra-ataque.
"Quem ganhar fica em segundo lugar no campeonato. O FC Porto será campeão, porque tem o melhor plantel. Se fizermos uma avaliação aos plantéis dos três, o FC Porto é o melhor."
Laszlo Boloni, à LUSA, via MaisFutebol, em 17/02/09
É por coisas destas que vale a pena gostar de futebol. Mesmo que bata na trave. E, se calhar, também por isso...
Ernesto Farías é um jogador pouco querido dos adeptos do FC Porto. Compreende-se. O termo de comparação está no clube e chama-se Lisandro Lopez. Farías é mais lento, menos imaginativo e menos explosivo do que Licha. Mas Farías é um ponta-de-lança de características únicas no nosso plantel: é um "empurra-bolas", um rato de área, um ponta-de-lança fixo na área, que exige que a equipa o sirva em condições, que ele faz o resto. Os dois golos de ontem definem-no assim. Por isso é que acho injusta certa aversão que os portistas sentem por "el tecla". Ele nunca será um Lisandro, mas só precisamos que seja Farías, o goleador que veio da Argentina.
Pinto da Costa não vai a julgamento pela situação que ficou conhecida como "caso da fruta". Este desfecho não surpreende ninguém. Pelo menos quem tenha dois dedos de testa. A argumentação é lógica, o resultado só poderia ser este. Só espero que agora A Bola e demais pasquins dêem mais destaque a este não deferimento do recurso do Ministério Público do que aquele que deram à notícia do arquivamento pelo TIC do Porto, em Junho de 2008. Já nessa altura, escrevi o seguinte:
E agora? Como justificar a punição da Comissão Disciplinar da Liga? Quem vai ressarcir Pinto da Costa desta alarvidade que contra ele foi cometida? Quem nos vai devolver os pontos que nos roubaram? Estamos conversados quanto à credibilidade de Carolina Salgado pelo que que as suas declarações sobre o famoso envelope do jogo com o Beira-Mar - jogo em que, mais uma vez, não se provou a actuação do árbitro a favor do FC Porto - devem ter o mesmo tratamento que as referentes ao "caso da fruta" tiveram.
Quanto à não validade das escutas telefónicas, se há alguém de quem dela beneficia, esse alguém chama-se Luis Filipe Vieira, que confessou, como todo um país viu, num programa com Judite de Sousa, ter escolhido o árbitro para um jogo da Taça de Portugal. Esse, sim, rejeitou e escolheu os árbitros que quis sem que, até hoje, alguém pusesse em causa esta conduta corrupta e anti-desportiva.
Obviamente que haverá quem ache que "de outra coisa não se estava à espera" porque o sistema judicial é todo ele corrupto e porque Pinto da Costa controla tudo (Sócrates e Cavaco não escapam) e porque a vida é injusta e o mundo em geral é cruel. São os mesmos que acharam a UEFA fantástica quando proibiu o FC Porto de jogar a Champions League e agora acham que Pinto da Costa controla também o TAS. Para além de controlar o Pedro Proença, claro.
O resultado do jogo de ontem foi justo pois espelhou o que as duas equipas fizeram durante os 90 minutos. O FC Porto foi mais forte durante os primeiros 35 minutos, durante os quais criou o número suficiente de oportunidades - Lisandro (2), Lucho e Rolando -, todas de cabeça, para arrumar a questão. Sem cabeça para as meter lá dentro, foi o Benfica, superior nos últimos 10 minutos da segunda parte, quem a usou melhor, para marcar o golo, poucos segundos antes do árbitro apitar para o intervalo. O Benfica teve uns 5 ou 6 cantos durante a primeira parte e, à medida que se iam sucedendo, ia comentando com o poncio o perigo que essas situações constituiam para a nossa baliza, com Luisão, Sidnei, Yebda e David Luiz acima do metro e oitenta.
A segunda parte mostrou um FC Porto sempre mais sôfrego na forma como saía para o ataque e um Benfica estranhamente mais calmo, mais pausado, organizado e sem grande oposição para chegar à nossa grande-área. Suazo e Ruben Amorim poderiam ter acabado com o jogo nos primeiro 15 minutos, mas à saída para a última meia hora fomos nós quem imprimiu maior fernesim ao jogo - sim, sempre mais com o coração do que com a cabeça. O Benfica "acabou" na última meia-hora, após a saída de Suazo - que pouco fez - e a entrada de Di María, que nada fez.
E depois veio o penalti. Sobre este lance quero dizer duas coisas sobre o que Yebda e Cruz dos Santos (perito em arbitragem que falou ontem no Domingo Desportivo) disseram. Yebda disse que não tocou em Lisandro. Falso: o francês deu uma pancada com a mão no abdómen de Lisandro. Se isso foi o suficiente para o fazer cair, não sei (provavelmente não), mas que houve contacto físico não permitido pela lei, houve. Cruz dos Santos, num tom de voz bastante indignado para quem tem de analisar as questões com imparcialidade e ponderação, veio com a velha história de que, se tivesse havido falta com o braço, o Lisandro nunca cairia para a frente, mas sim para trás. Ridículo este argumento. A não ser que o Yebda seja o The Thing do Quarteto Fantástico. Era preciso uma força descomunal para projectar o Lisandro na direcção oposta à do seu movimento em corrida. Um pancada com o braço pode ou não provocar dor. E a dor pode fazer-nos cair. Não estou a tentar arranjar uma teoria para a existência do penalti - acho que em câmara lenta é muito fácil dizer-se que não foi, mas, em tempo real, toda a gente foi enganada, até a TSF que afirmou peremptoriamente que tinha sido falta, até alguém nos estúdios ter visto a repetição em câmara lenta. Apenas estou a tentar desmistificar esse argumento de Cruz dos Santos que vejo tantas vezes utilizado e que me parece completamente descabido.
Quanto ao facto de este lance motivar a fúria de muita gente, a mim é-me completamente indiferente. Eu, que tinha desejado, antes do jogo, uma vitória por 1-0, com golo de Rolando "à David Luiz - ou seja, em fora-de-jogo - dou-me por satisfeito com este penalti.
Uma última palavra para Quique Flores. As suas declarações, no final, fazem dele, para já o treinador benfiquista mais decente dos últimos 20 anos (exceptuando o grande Artur Jorge, cujo contributo para a causa benfiquista foi inestimável). Gostei da forma como ignorou o lance que todos os jornalistas queriam que comentasse. Gostei da forma como respeitou o FC Porto, dizendo que o Benfica "jogou de igual para igual", implicitamente admitindo que, se calhar nem ele esperava que o seu underdog se portasse tão bem.
Taça da Liga ou campeonato das reservas?
A Taça da Liga foi, desde cedo, tanto esta época como na época passada, a competição que o Porto decidiu menosprezar. As prioridades foram e são claras: vencer o campeonato (assegurando a presença na edição subsequente da Champions), passar a fase de Grupos para garantir um excaixe financeiro que permita sustentar uma equipa acima da média portuguesa e, em terceiro lugar, vencer a Taça de Portugal, porque é a 2ª competição mais importante cá da terra
Todavia, quando se chega a uma meia final e se defronta um dos grandes da 2ª circular, talvez se deva reavaliar a situação. Afinal, o nosso adversário desta noite também está na Champions e a bater-se pela liderança do campeonato, mas não facilitou (para os mais distraídos, informo que alinharam muitos dos jogadores mais assiduamente utilizados no Sporting: Polga, Tonel, Grimi, Moutinho, Izmailov, Vuckcevic, Postiga, bem como Rochemback e Derlei). E se é verdade que o Porto quis poupar todos os seus titulares para o jogo com o SLB e, mais a prazo, para o encontro com o SCP, que podem ser absolutamente determinantes para o desenrolar do campeonato, o SCP defrontará o Braga e o SLB nas próximas semanas para essa mesma competição.
Aliás, o Porto jogou fora (e esteve com um pé fora das meias finais da Taça da Liga) exactamente porque nunca levou a sério esta competição - venceu o Setúbal com um golo de um quase adolescente (Rabiola), perdeu no nevoeiro da Madeira e venceu a Académica de uma forma muito sofrida. Foi o pior 1º classificado.
Numa noite chuvosa, um golo que caiu do céu
Porém, mesmo com uma equipa de "segundas linhas", o Porto apanhou-se a ganhar logo aos 10 minutos, fruto de um golo do Tarik, no único lance em que o marroquino esteve bem. E depois disso foi, com maior ou menor dificuldade, sustendo as investidas do Sporting e contra-atacando com algum perigo. Nuno esteve sempre lá quando foi preciso, o colombiano foi protegendo o incapaz Benitez, enquanto que o Mariano e o T. Costa tentavam esticar o jogo até à área contrária. Pelo meio, o Postiga marcou um golo com a mão que o absolutamente desprezível Nuno Luz tentou validar, interpretando como uma intervenção sem intencionalidade - porque, afinal, é normal que um jogador em queda, em lugar de colocar a mão no chão para se apoiar, atire o braço para a frente... O Sporting estava num impasse, criando muito pouco perigo.
Xistra vira o resultado e Derlei confirma a presença na final
A primeira parte aproximava-se do seu final quando uma entrada impetuosa do Pedro Emanuel permitiu uma grande fita do Polga, premiada com o 1º penalty da noite. Convirá dizer que o dito penalty é mais do que duvidoso, porque o jogador do Porto entra nas costas do central do Sporting mas toca-o de raspão; mas para os comentadores da SIC foi "inequívoco"... Aliás, pouco antes, os mesmos comentadores aludiram a uma reclamação do Sporting quanto a um alegado penalty (por mão na bola depois de um remate do Izmailov) e quando foi mostrada a repetição lá tiveram que admitir que foi uma bolada nas costas do Madrid. Mas, em tempo real, uma vez mais, sancionaram a infração.
O início da segunda parte foi o final da reviravolta. O infeliz e inocente Sapunaru tentou chegar a uma bola que estava em poder do Postiga, mesmo depois de estar no chão, e a ex-esperança do Porto fez o que já tinha tentado 2 ou 3 vezes - atirou-se para o chão. Uma vez mais, Xistra fez a assistência e Romagnoli marcou. E se é verdade que aquela equipa do Porto conseguira suster o SCP, também era claro que seria incapaz de tomar a iniciativa. E no banco não estava ninguém para "fazer a diferença" - estavam Rabiola, Ivo Pinto, Diogo Viana, Josué, Ricardo Dias e Sérgio Oliveira. Resumindo: em campo estava a "equipa B" e o banco era um infantário. O jogo estava decidido. O 3º e 4º golos nascem da maior dinâmica e qualidade dos jogadores que o SCP colocou em campo e das deficiências do Stepanov (no 1º golo o do Derlei foi o seu atraso em sair que colocou em jogo o avançado do SCP; no 2º golo do brasileiro, foi lento a reagir ao centro e permitiu o remate vitorioso).
Conclusão: perder 4-1, mesmo que tivesse sido com PdC no meio-campo e o Reinaldo Teles na baliza, é desprestigiante. Sobretudo na 2ª circular. Mas tudo isto será um mero pormenor se o "plano" de Jesualdo se cumprir e o Porto arrumar os dois clubes lisboetas no Dragão (algo que nos daria vantagens confortáveis sobre um e outro porque a somar à diferença pontual directa haveria ainda um SCP-SLB em que um deles perderá pontos (se não forem os dois) sobrando ainda a vantagem directa em caso de empate pontual. Ou seja, as duas planificadas vitórias são mesmo determinantes. E, claro, se nada de anormal ocorrer, a Taça está igualmente ao nosso alcance (quem sobrevive é o Paços, o Nacional e o vencedor do Guimarães-Amadora). Com as duas maiores competições lusas "bem encaminhadas" e com uma eventual passagem aos quartos da Champions, Jesualdo e PdC poderão sorrir quando relembrarem esta derrota em Alvalade.
As transmissões dos jogos dos clubes da 2ª circular são um vómito
O Nuno Luz é o imbecíl que todos conhecemos, mas o pessoal da SIC até enoja. Mesmo no final, o comentador de serviço tentou desesperadamente valorizar a vitória do SCP dizendo que 4 ou 5 dos jogadores que o Porto fez alinhar jogaram igualmente o encontro de atribuição da Supertaça. Sim, até é capaz de ser verdade. Mas nenhum dos que jogaram esta noite tem lugar no actual 11 do Porto e a maioria, excepção feita ao Pedro Emanuel, ao Mariano, ao T. Costa e ao Gaurin, nem costuma estar no banco. Um bocadinho de isenção não ficava mal.
Nuno Luz teve um orgasmo quando Derlei veio até à câmara de filmar dizer "Te amo". Este foi o momento alto de uma transmissão televisiva que contou com mais uma demonstração nojenta de anti-portismo primário por parte de jornalistas profissionais. Desde tentar vislumbrar penaltis a favor do Sporting a todo o custo até mostrar antipatia para com jogadores do FC Porto, passando pelo já clássico desejar da expulsão de um jogador do FC Porto, houve de tudo. Muda o canal, a merda é a mesma.
Os adeptos do Sporting ganharam o dia com "olés" à equipa B do FC Porto, que só foi ao tapete com dois penaltis, o segundo, na minha opinião, falso como Judas. Já sabemos com o que contar quando jogamos em Alvalade. Estes adeptos nem sequer pensaram na triste figura que fizeram quando gritaram olés ao Barcelona B, quando estes lhes ganhavam.
Foi um bom treino para os nossos jogadores menos utilizados, principalmente aqueles juniores, o Diogo Viana, o Josué e o Ivo Pinto, que se estrearam no campo do terceiro classificado que jogou com a sua equipa principal. Para ganhar estaleca não está mal.
O resultado foi péssimo, mas não preocupante. Sabemos que, com a nossa equipa principal, venceríamos facilmente este jogo. O importante mesmo é no próximo domingo.
Pode ter nascido em Belém, hoje, o tetracampeonato para o FC Porto. Depois de ter visto jogar (?) o segundo classificado, ontem, contra o último da liga, e hoje, o FC Porto, vi uma distância enorme que separa as duas equipas. Se tudo correr pela normalidade, isto é, sem ajudas calabotianas, o SLB será derrotado no Dragão, no próximo fim-de-semana. E nem S. Pedro (Mantorras) lhes valerá.
PS - O primeiro amarelo ao Fucile foi anedótico. A ser falta, por que não foi marcada a de ontem, na grande-área benfiquista?
Andres Madrid fez uma grande época em 2005/2006. A partir daí, e com a contribuição de uma grave lesão, entrou em desaparecimento progressivo. Na época passada, fez 6 jogos completos. Na época actual actuou apenas uma vez durante noventa minutos. Aos 27 anos, poderia estar no auge da sua forma futebolística. Mas não está. Agora, chega ao FC Porto para trabalhar com o treinador que dele tirou o máximo rendimento. Para mim é uma "contratação" de risco, pois, neste momento, não sabemos o que vale (ainda) este jogador. Fernando precisa de uma alternativa credível (que Bolatti não é) e o empréstimo de Pelé veio abrir espaço para essa alternativa. Para já, estou céptico.
Digam o que disserem da "magnífica exibição do Trofense", aquilo foi apenas uma mistura de trenguice, azar, falta de coragem do árbitro (que não quis ver um penalty sobre o Lisandro) e, claro, o triunfo da táctica do autocarro: 10 gajos no seu meio-campo e toca a despachar a bola para a frente. Seja como for, temos futebol para ganhar ao Trofense, mesmo com arbitragens e autocarros, mas quando até um golo inevitável é defendido por um jogador nosso (Guarín), não há muito a fazer..
No jogo do SLB também existiu um pénalti (inventado) a favor das gaivotas e, melhor do que isso, dois pénaltis (o 2º é mais do que evidente) a favor do Braga que o senhor de preto deixou passar. Pelo meio, marcaram o golo da vitória com um lance irregular, um fora-de-jogo de um metro na sequência de um livre - quero ver o que dizem os justiceiros dos jornais depois desta pouca vergonha.
Assim se faz a "limpeza" do futebol em Portugal.
Olhar para o penalti perdoado ao segundo classificado, ontem, em Guimarães, e para o primeiro que, hoje, foi marcado contra o FC Porto só dá para rir. Ontem, o maxi-encontrão que projectou o jogador do Vitória não deu nada. Hoje, um braço esticado que nada mais faz que ganhar posição - Sapunaru por certo não terá culpa de Leandro Lima lhe dar pelos ombros - foi transformado em castigo máximo pelo árbitro. Deixem-nos ganhar em campo, diz o outro.
As segundas escolhas de Jesualdo deram o litro. Alguns não deram mais porque não se lhes pode pedir mais. Outros deixaram boas indicações. O segundo golo mostrou que há qualidade nos putos. Rabiola marcou "à Jardel" e Diogo Viana foi para cima dos adversários sem medo. Pelo meio tivemos um Benitez que mostrou por foi Lino a sair e não ele. Ainda dou o benefício da dúvida a este argentino.
Tinha jurado a mim mesmo que só voltaria a escrever no Pobo do Norte quando chegássemos ao primeiro lugar(*). E assim foi.
Eu nem sei por onde começar. O FC Porto está, pela segunda vez nesta época, no seu lugar natural, o primeiro. Apesar de evidentes debilidades defensivas - que, espero, sejam corrigidas nesta abertura de mercado -, é a equipa que apresenta maior qualidade competitiva, maior ritmo e consistência de jogo. É uma equipa com estofo europeu, como já nos habituou. E, meus amigos, aquele tridente ofensivo já carbura a todos o gás, com uma particularidade: a de oferecer-nos dos golos mais bonitos que este campeonato já viu. Hulk esmaga... e o entendimento com Lisandro é cada vez maior. E o Cebola continua a fazer chorar...
Hoje vi o ataque de riso que Quique Flores teve na conferência de imprensa de ontem e achei que o título de campeão de inverno lhe subiu à cabeça. Ou então foi o tintol que lhe subiu à cabeça. O homem está a chegar àquela fase em que, ou mostra argumentos - e as humilhações na Taça Uefa foram um péssimo cartão de visita - ou nem mesmo a querida imprensa lisboeta o salvará. Num fim-de-semana apimentado pela gaffe Di María, esta derrota na Trofa vem colocar a nu a mediocridade que existe naquela equipa, só desmentida por essa excepção estranha, digo eu, que foi o jogo com o Marítimo...
(*) Não tinha nada. Apenas tenho andado muito ocupado a fazer uns biscates relacionados com cobranças difíceis que tomam muito do meu tempo.

Na época de 1977/1978, o FC Porto chegou finalmente ao título de campeão nacional, após 19 anos de espera. O Quadrante Norte - todo o portista com mais de 30 anos tem a obrigação de saber do que estou a falar - editou um LP, no final da época, com a história do título. Registos de golos relatados por Gomes Amaro, entrevistas aos protagonistas, desde o Presidente Américo de Sá, até ao Director do Departamento de Futebol, um tal de Jorge Nuno Pinto da Costa, passando pelo treinador, José Maria Pedroto, e vários jogadores (Gomes, Oliveira, Ademir, Seninho,...), tudo se pode ouvir neste registo histórico que comprei na Feira da Vandoma por 10 euros (pouco tempo depois de o ter visto por 75 euros numa loja de artigos usados do Porto).
É esta a prenda que Pobo do Norte tem, hoje, dia 25, para oferecer aos seus visitantes portistas. Quem não é portista também pode ouvir e ficar na conhecer o primeiro campeonato ganho pelo FC Porto depois do fim da ditadura. O primeiro campeonato portista da era moderna do nosso futebol. Feliz Natal.
Para ouvir:
Lado A (23m29s):
Lado B (26m02s):
Nota final: gostaria muito de colocar aqui o álbum para download, mas os direitos de autor impedem-me de o fazer. Não faço a mínima ideia de quem detem esses direitos, nem que empresa contactar para obter essa autorização. Se alguém ligado ao Quadrante Norte tiver a gentileza de me contactar e dar o seu aval à colocação do LP aqui no Pobo do Norte, fá-lo-ei imediatamente. Até lá, desculpem-me, mas não atenderei pedidos de download do álbum.

No dia 25, passem por cá. Temos uma prenda para vocês.
O empate com o Marítimo doeu como uma derrota. Isto porque vínhamos de um ciclo de vitórias e tínhamos a possibilidade de alcançar o primeiro lugar, ainda que à condição. Apesar deste passo atrás, é bom lembrar que trabalhamos para sermos tetra-campeões - e não campeões de inverno.
Os nossos maiores pecados de ontem verificaram-se fundamentalmente na vertente da finalização. Rematámos muito, mas falhámos na pontaria e por vezes na potência. Também houve Marcos. A equipa da Madeira esteve sempre mais interessada em quebrar o ritmo de jogo. O Marítimo poderia ter marcado, sim, com duas bolas na trave, mas tal foi resultado de lances de bola parada e nunca de uma postura de ataque continuado. Em suma, tivemos poucos momentos muito bons, em que poderíamos facilmente ter marcado - e nestas coisas costuma-se dizer que o mais difícil é o primeiro - , e alguns momentos de uma letargia competitiva assustadora. Nem sempre aparecem golos de canto pelo Bruno Alves para resolver as situações complicadas!
Falta mais ou menos uma hora para conhecermos o nosso adversário nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Os leitores de Pobo do Norte já expressaram a sua preferência e ela vai para... Villarreal e Chelsea. Creio que, no primeiro caso, estará subjacente a ideia de que será o adversário mais "acessível" de todos. No segundo caso, a ideia de provocar umas noites mal dormidas ao sargentão passa pela cabeça de todos os portistas (e demais gente de bem). Mas, para mim, se há motivo pelo qual gostaria de defrontar o Chelsea é voltar a ver ao vivo o nosso mágico Deco e prestar-lhe mais uma vez homenagem por tudo o que fez pelo nosso clube. Só por isso. E já não é pouco.
Após 305 votos, assim ficou a botação:
1. Villarreal - 76 (25%)
2. Chelsea - 74 (24%)
3. Lyon - 63 (21%)
4. Atletico de Madrid - 42 (14%)
5. Inter de Milao - 31 (10%)
6. Real Madrid - 19 (6%)
Eu gostei muito deste nosso jogo na Amadora. Para além do facto de uma vitória na mouraria me encher a alma, achei que a nossa equipa jogou já muito próximo daquilo que lhe vimos no ano passado. Sim, sofremos dois golos, ainda que um estranho e outro consentido, mas fomos brilhantes na forma como construímos várias oportunidades de golo.
Começámos a todo o gás e marcámos com naturalidade, depois de uma jogada de um dos melhores em campo: Fucile. O jogo adormeceu e o Estrela ressuscitou através de um milagre (não é por acaso que o treinador se chama Lázaro). Fucile conseguiu a sua segunda assistência para golo no jogo, ainda que involuntária, mas o mais bizarro é a possibilidade de alguém atribuir culpas naquele lance. As hipóteses de um golo destes acontecer são ínfimas. É mais provável o Bush levar com um sapato na cabeça (e olhem que ele se esquiva bem) ou o Benfica ser acusado de coacção aos árbitros através do seu administrador-maestro (bem, esta possibilidade é também muitíssimo remota...).
Alguém reparou neste pormenor? O Helder Conduto disse que iam repetir o golo do Estrela no intervalo (depois lembrou-se que o FCP também marcou) e o jornalista de campo disse qualquer coisa como isto "mas o golo já deve estar no YouTube"... O Conduto referiu logo que o golo podia ser visto no site da RTP.... Que gaffe deliciosa!
Quanto ao golo do Hulk, que se posso dizer? Não há palavras. Apenas me ocorre isto, ainda que possa causar polémica: NÃO TROCAVA ESTE GOLO POR UMA NOITE COM A SORAIA CHAVES. Alguém ainda porá em causa os valores envolvidos nesta contratação? E o Valdemar Duarte, que terá a dizer sobre o individualismo de Hulk?
Depois de ter havido choradeira no Estádio do Mar no passado fim-de-semana, hoje o Cebola fez chorar por duas vezes alguns adeptos que nós todos sabemos quem são.
Agora no domingo é imperioso ganhar ao Marítimo e assumir a liderança (ainda que à condição).
... quando chegamos à vila e a vemos atolada em automóveis como nunca tínhamos visto.
... quando estacionamos o carro numa rua sem saída e atravessamos um monte enlameado para chegar ao estádio.
... quando comemos um cachorro muito mal amanhado numa roulotte qualquer por três euros.
... quando os golos de FC Porto e Cinfães são festejados igualmente por quase todo o estádio.
... quando somos obrigados a ver jogadores como Stepanov, Lino ou Mariano.
... quando apanhamos com um frio de rachar e dez minutos de chuva intensa com a serra esplendorosa em pano de fundo.
Tudo isto existe, tudo isto é bonito, tudo isto é taça!
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Amanhã há festa na vila. O maior clube do mundo visita a bela localidade de Cinfães do Douro. Pobo do Norte estará presente com uma larga comitiva (50% do seu staff técnico, ou seja, eu próprio) para vos trazer todas as incidências da festa do futebol. A lotação está esgotada, por isso não vale a pena tentar ir na esperança de arranjar bilhete. A não ser que queira alimentar a candonga benfiquista que por lá andará a fazer uns trocos a mais.
Como chegar lá? Não somos o via michelin, mas quase. Damos-lhe duas opções: a mais bonita e a mais rápida (que também é bonita, mas menos que a primeira). Assim, quem, a partir do Porto, pretender ir cedo e almoçar por lá, pode fazer um passeio calmo e belo. Começa por tomar a marginal do Douro até Entre-os-Rios. Depois é só seguir a indicação para Cinfães e desfrutar do percurso com vista privilegiada sobre o rio Douro. A certa altura, apanha este quadro. Páre, tire uma foto ou duas, dê um beijo na namorada, grite "Puuuuuuuuoooooooorto", volte a entrar no carro e prossiga. Este percurso, feito nas calmas e sem encontrar benfiquistas a atrapalhar caminho, faz-se numa hora e 30 ou 40 minutos. Para almoçar, calmamente, e aviar umas papas de perdiz de chorar por mais e uma posta arouquesa de superior qualidade, aconselho o Solar do Montemuro, um restaurante cerca de 8 quilómetros depois de Cinfães, na freguesia de Tendais. Terá de atravessar o centro da vila e prosseguir na estrada em direcção a Castro Daire. Desde já quero aqui alertar que a exploração dessa estrada proporciona um dos passeios mais belos que há em Portugal, Montemuro acima, o que pode, em casos extremos, provocar o esquecimento de que há jogo de futebol na vila. Cuidado, não se esqueça, o FC Porto joga à 15h, por isso não se estique.
Quem optar pela alternativa mais rápida, pode apanhar a A4 (Porto-Amarante) e sair para o Marco de Canaveses. Depois entra numa via rápida, passa a ponte sobre o Tâmega e 100 metros à frente vira à direita, subindo uma estrada muito íngreme. As indicações para Cinfães começam a surgir. Este percurso demora cerca de uma hora e dez minutos e implica a passagem pela bonita barragem do Carrapatelo. Aí, pode parar, gritar "Puuuuuuuuuoooooortoooooo" e ouvir o seu eco na parte baixa do rio.
Encontrar o estádio é muito fácil ou não fosse Cinfães uma vila pequena. Se não souber onde é, pergunte. Há muitos portistas desejosos de o receber da melhor maneira. Se, por um infeliz acaso, der de caras com um benfiquista de face ruborescida e com um discurso lento e desarticulado, deixe-o estar, não o ajude a levantar-se, nem lhe mexa na garrafa. Quem for com tempo, pode aproveitar para visitar a Casa do FC Porto de Cinfães. Fica junto aos bombeiros.
Algumas fotos:
1. Vista da igreja, por cima do antigo recinto da "Feira das Vacas". Vale a pena dar um passeio a pé pela vila.
2. Foto tirada no interior do estádio, em 2004, durante um jogo-treino do clube contra o Freamunde. O pessoal que mora naquelas casas, vai ver o jogo de borla.
3. Outra foto do mesmo jogo, com o pormenor das árvores dentro do próprio estádio.
PS - Para o dia ser perfeito, é conveniente regressar com uma vitória.
Passar aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões começa a ser tão normal como escovar os dentes. Perdoem-me esta falta de originalidade, mas não encontrei melhor imagem para ilustrar uma situação como esta. Obrigado, Jesualdo, por esta comparação tão higiénica (uma comparação que, por exemplo, nunca se poderá aplicar a galinhas ou a milhafres que, como se sabe, não têm dentes).
Já sabemos que o Arsenal jogou com a equipa B (ou "reservas", ou "juniores", ou "infantis" - a escolha é variada) e que deixou de fora as suas principais estrelas (por opção ou lesão), mas o FC Porto não tem culpa disso. O FC Porto fez o que lhe competia que era tentar ganhar o jogo, e estou certo que o faria fossem os adversários de ontem as tais estrelas. Os nossos adversários internos aproveitam o facto para desvalorizar a nossa vitória. É normal. Mas este não é caso virgem em jogos com equipas portuguesas. Todos nos lembramos de Rafa Benitez ter vindo à Luz há uns anos e deixar de fora alguns titulares, entre os quais Gerrard. O resultado foi a derrota do Liverpool e Benitez pagou caro essa arrogãncia (ou desleixo). Ou mais recentemente, o Getafe ou o Galatasaray terem defrontado o clube do bairro do Alto dos Moinhos muito desfalcados devido a lesões e castigos (nestes casos nem isso os impediu de ganharem os jogos). No caso específico do Arsenal, Wenger achou que se safava com os miúdos e correu-lhe mal. Agora é segundo e perdeu 600 mil euros. Estes são os factos e nós estamos muito contentes com estes factos.
O jogo de ontem teve semelhanças com o de Setúbal. Tal como para o campeonato, estivemos bem melhor na segunda parte do que na primeira e o golo que soltou a equipa foi, nos dois casos, marcado por Bruno Alves na sequência de um canto. Bruno Alves começa a assumir-se como um verdadeiro líder de campo e alguém que não tem medo de assumir responsabilidades seja nos bons seja nos maus momentos. O legado do "bicho" está bem entregue.
Estas duas partes distintas coincidem também com as duas faces que a exibição de Fernando mostrou. Na primeira parte, inseguro e infeliz no passe, na segunda magistral no corte e na construção de jogo. Ficaram-me na retina a abertura para o golaço de Lisandro e as "coxinhas" a um jogador do Arsenal que a realização fez questão de repetir.
Agora pensamos no sorteio (atenção à sondagem na barra lateral) e todos temos um adversário predilecto. Em princípio somos tentados a escolher imediatamente o Atlético, o Villarreal ou o Lyon. Na minha opinião, qualquer uma destas três equipas lutaria pelo título em Portugal, pelo que é como diz o outro: "benha quem bier". Jogar com o Inter ou o Chelsea seria especial e faria as delícias da nossa comunicação social. Defrontar o Real Madrid é aquilo que se sabe, um trauma com anos de existência.
O Arsenal vem ao Dragão sem Sagna, Clichy, Adebayor, Van Persie (estes quatro por opção), Walcott, Nasri e Fabregas (estes por lesão). Boa notícia? Sim, claro, são todos grandes jogadores. No entanto, desenganem-se os menos avisados: o Arsenal tem um conjunto de alternativas jovens e talentosas que fariam as delícias de qualquer plantel dos três grandes portugueses. Por isso, eu nem sei o que será melhor. Se defrontar um conjunto de consagrados que sabem de antemão ter a passagem garantida, se um conjunto de "putos" sedentos de vitórias na equipa principal e apostados a convencer Wenger do seu potencial.
Ganhar o grupo é nossa obrigação. Seja ele o grupo de qualificação, seja ele o grupo como sinónimo de equipa que por vezes parecemos estar longe de constituir. A mesma EQUIPA que no ano passado passeou classe no nosso campeonato e foi com infelicidade afastada dos quartos-de-final da Champions.
Alguém faça o favor de explicar a este senhor, suposto jornalista do auto-proclamado maior diário desportivo português e ex-guarda-redes de segunda, que o FC Porto está na corrida para o TETRA, que é o mesmo que dizer quatro campeonatos seguidos. Ou então que o senhor Delgado explique qual dos três campeonatos anteriores não contou. Terá sido o de Co Adriaanse? Ou o primeiro de Jesualdo? Ou o do ano passado, o tal dos vinte e tal pontos de diferença?
Este senhor vai ainda mais longe quando diz que a Hulk falta-lhe "a técnica dos eleitos". A técnica do Yebda ou do Bynia, digo eu. Para terminar, a cereja no topo do bolo, considerando que a arbitragem prejudicou o Setúbal...
Quanto ao jogo propriamente dito, os jogadores do FC Porto devem ter estado a ver o jogo de 1994 que a RTP Memória transmitiu, no qual, depois de estarmos a ganhar por 3-0 permitimos o 3-3... Desta vez, decidiram tudo na segunda parte para não dar tempo de reacção aos sadinos. A primeira metade foi pobrezinha com o Setúbal a ter maior qualidade de jogo. O meio-campo foi muito macio, Tomás Costa desiludiu, Lisandro falhou um golo à Nuno Gomes e fomos para o intervalo precupados. Na segunda parte aplicou-se a velha máxima "O mais difícil é entrar o primeiro". Bruno Alves liderou o ataque às redes adversárias e, com um Hulk endiabrado, a coisa entrou nos eixos. Aquele passe para o segundo golo foi uma bofetada de luva branca nos Valdemares Duartes deste país.
Este TAS deve ser controlado pelo Pinto da Costa. Depois de ter dado um chuto no traseiro de dois clubes que pretendiam à força toda jogar com os mais crescidos, ficamos hoje a saber que, por decisão do tribunal, Co Adriaanse terá de pagar um milhão ao FC Porto. E o adjunto também terá de desembolsar uns trocos. Caro mister Co, a malta perdoa-te a dívida se nos arranjares na Holanda outro Tarik, de preferência mais novo e de borla.
Por falar em TAS, amanhã direi a um meu amigo benfiquista "TAS quase fora da UEFA". Sim, é verdade. O clube de bufos que queria ocupar o nosso lugar na Champions League, o tal clube que foi goleado por uma equipa grega, está prestes a dizer adeus à Europa do futebol. A não ser que consiga ganhar 8-0 ao Metalist (que é o primeiro do grupo) e que o Hertha e Olympiacos empatem. Fácil! Força, benfiquinhas, acreditem! Nada é impossível para o "mais grande do mundo"!
Termino com a notícia mais importante do dia: somos campeões de inverno na Liga Intercalar, depois de uma vitória por 2-1 frente ao Paços de Ferreira. Isto pode não ter significado especial nenhum, mas é assim que se cria e mantém o espírito ganhador no clube. O puto que veio do Sporting marcou. Ele que se vá habituando a escovar os dentes.
Depois de uma semana em que a Segunda Circular foi metodicamente sodomizada perante o panorama futebolístico europeu e nós marcámos lugar nos oitavos da CL, nada melhor que começar a presente semana com uma vitória, ainda por cima reduzindo para seis pontos a diferença para o Leixões, que é, para quem ainda não se apercebeu, o líder do campeonato. Dependemos, portanto, só de nós para alcançarmos o tetra.
Do nosso jogo não guardo grandes recordações. A equipa pareceu querer alinhar com o frio e serviu aos adeptos uma exibição gélida, aqui e ali aquecida com fogachos de Hulk, Lisandro e Meireles. Fez-me alguma espécie a forma como nos retraímos após a expulsão do Sougou. Valeu talvez o facto de esta Académica ser das equipas mais frágeis do nosso campeonato (pobre Domingos...).
Quem está nos oitavos-de-final da Champions League, quem está? Esta passagem é dedicada a todos os que rejubilaram com a derrota do tricampeão nacional em Londres. Depois de uma grande primeira parte, sofremos desnecessariamente na segunda, mas nunca mereceríamos um hipotético empate. Mais uma vez, os oitavos. Comme d'habitude, M. Platini.
Devagarinho, as coisas vão-se compondo. Vi o resumo na RTP e, na realidade, a 1ª parte foi de bom nível. O Lucho continua uma sombra do jogador que é mas o resto do pessoal está melhorar. O Guimarães foi uma desilusão - quase não criou perigo.
Uma nota importante: eu até sou (era?!) um defensor da entrada do Pelé para a posição 6 mas o verdinho Fernando mostrou hoje pormenores deliciosos, fez passes "a rasgar", em suma, confirmando que é mais do que um jogador mediano empenhado. Gostei muito e o equilíbrio da equipa começa certamente aqui. E, claro, acaba num Lisandro mais eficaz e que, para além de marcar golos, faz assistências primorosas.
Antes, vi Sbordem, com o seu estádio cheio, a perder com o Leixões. Foi bonito. Mas mesmo lindo foi a vitória do Leixões tornado ainda mais ridículas as capas do Record e d'A Bola: no 1º caso aparece Miguel Veloso a querer o "1º lugar" e no segundo antecipava-se o suposto "assalto" à liderança por parte do SLB. Um conselho: vão festejando o 2º lugar enquanto podem...
P.S. - O comentador da SIC Notícias, o inacreditável Jorge Batista, estava com uma azia...
A comunidade portista encontra-se, afinal, dividida. É esta a conclusão que se pode tirar do resultado da botação que hoje terminou. Após 336 votos, eis os resultados.
Precisamos de novo treinador?
Não, Jesualdo deve ficar até ao final - 131 votos
Sim, o mais rapidamente possível - 129 votos
Provavelmente, mas esperemos até ao Natal - 76 votos
Obrigado pela participação!
A Bola e o Record teimam em não nos surpreender.
Começo este texto agradecendo a Paulo Bento, que, mostrando que a tranquilidade é coisa do passado, emitiu sábias palavras no final do jogo: "A arbitragem portuguesa é um nojo". Obrigado, Paulo Bento. Quatro penaltis por assinalar (3 a favor do FCP, 1 a favor do Sporting), expulsões perdoadas a Rochemback e Rui Patrício, uma expulsão injusta de Pedro Emanuel depois de mais um número circense de João Mortinho-por-cair, uma série de amarelos mal mostrados a jogadores do tricampeão e outros ridiculamente perdoados a jogadores do Sporting, um incrível tendenciosismo para os verdes com a complacência habitual face à pressão e protestos dos jogadores, que tudo fizeram para influenciar as decisões dos três árbitros (Postiga, muito nervoso, esteve em destaque neste aspecto) - sim, Paulo Bento, A ARBITRAGEM PORTUGUESA É UM NOJO!
Em parte compreendo a atitude de Paulo Bento: a sua equipa jogou melhor durante a maior parte do tempo, mas foi eliminada nos penaltis. A isso eu chamo frustração. Acontece a todos. Também já lá estivemos. Agora, não se pode cair na completa demência e atirar contra o árbitro, quando todas as evidências mostram quem foi, na realidade, a equipa prejudicada. A certa altura lembrei-me de Campo Maior, quando vi a agressão do Rochemback ao Rolando (transformada pelo árbitro em falta do defesa do FCP) na pequena-área - José Soares/Jardel revisited.
Sobre o jogo propriamente dito, achei que, mais uma vez, não mostrámos grande evolução em relação às mais recentes derrotas para o campeonato. Numa coisa estamos a melhor - na sorte. De resto, Jesualdo continua sem conseguir pôr a equipa a jogar o futebol que sabe e faz oções muito discutíveis no onze inicial. Lucho e Raul Meireles mantêm um nível de exibições baixo, o que leva o nosso jogo a passar directamente dos defesas para os avançados, exigindo o dobro do trabalho destes. Vemos Lisandro a vir buscar a bola ao meio-campo, como se fosse a ele que cabe a tarefa de construir. A defesa vê-se em apuros quando dá de caras com uma série de jogadores adversários com liberdade a mais para chegarem à nossa área. Aparte tudo isto, foi inegável que nos batemos como se este fosse o último jogo das nossas vidas e é esse carácter que queremos ver nos nossos jogadores, mesmo que a bola vá ao poste ou que o treinador invente.
Os heróis da nossa equipa foram, ironicamente, dois brasileiros: Hélton e Hulk. O guarda-redes fez, provavelmente, a melhor exibição desde que defende a baliza do FC Porto, capaz de fazer corar de vergonha os Miguéis Sousas Tavares deste mundo. E a serenidade com que falou no final jogou a seu favor. Hulk foi incrível no golão que marcou e na forma como abanou com a defesa do Sporting, lutando, arriscando, rematando. Hulk é um grande jogador, mas ainda em bruto, que deve ser "domesticado", e a quem deve ser ensinado que, sendo jogador do FC Porto, será sempre mais castigado pelos árbitros, por isso não vale a pena envolver-se em discussões estéreis e em protestos inúteis. Para além disso, deve perceber que as simulações são tradição de outros clubes, não do FC Porto. Estou confiante de que este jogador ainda nos vai dar muitas alegrias e vai calar muita gentinha.
Por falar em gentinha, uma palavra final para os comentadores Valdemar Duarte e Luis Sobral. Execrável é o adjectivo que me ocorre para caracterizar estes jornalistas de sarjeta. A mim já só dá vontade de rir. Não iria tão longe quanto um amigo meu que pergunta se não haverá por aí ninguém disponível para, gratuitamente, aplicar uma bigorna na zona frontal da caixa craniana deste senhores com, vá lá, alguma violência. Custa-me desperdiçar assim uma bigorna numa actividade tão suja e pouco edificante, daí que me contente em imaginar as dimensões que as cabeças destes senhores atingem sempre que são confrontados ao vivo com uma vitória do FC Porto. Não há nada melhor que isso.
PS - E agora, era muito bonito irmos jogar à bonita vila de Cinfães do Douro!
Hoje apetece-me brincar aos blogues a sério e fazer a antebisão do clássico de amanhã.
1. Fucile entrou nos convocados para o lugar de Sapunaru. À partida será titular, uma vez que Sapunaru entrou em retiro espiritual para reflectir na questão de nos últimos tempos ter sido visto em zonas potencialmente perigosas para a nossa baliza (e que normalmente resultam em golo). Do uruguaio já vimos o melhor e o pior pelo que este regresso é uma incógnita. Talvez Jesualdo invente outra vez e desperdice o posto de lateral-direito em Tomás Costa. Se é para desperdiçar, mais vale pôr lá o Mariano.
2. Paulo Bento chamou Tiuí, o tal jogador de quem já nem mesmo os sportinguistas se lembravam. Depois de ter decidido a Taça do ano passado (em renhida competição com Olegário Benquerença), nunca mais fez nada de relevante. Em abono da verdade, nem antes desse dia fatídico no Estádio de Oeiras, o brasileiro tinha feito alguma coisa de relevante em Portugal. É aquilo que eu considero ser um caso exemplar do chamado "efeito Laurent Robert".
3. Postiga já disse que se marcar um golo (não disse em que baliza) vai festejar normalmente. Eu acho muito bem. Isto de se marcar golos contra o clube anterior e desfazer-se em lágimas em pleno campo é para meninas. O antigo avançado-promessa do FC Porto diz também que Bruno Alves não é um jogador maldoso. Cuidado com o que dizes, Postiga. Em Alvalade a ordem é para rolar no chão e berrar contra o árbitro.
4. Do discurso dos treinadores não vem qualquer ponta de originalidade. Jesualdo passa a habitual mensagem das dificuldades que nos esperam (até hoje nunca vi um treinador dizer que o próximo jogo ia ser fácil), assegurando que o Sporting é melhor que o Dínamo. Depois acrescenta aquilo que nunca ouvimos dizer a qualquer treinador: "Não há favoritos em jogos destes." Já Paulo Bento avança com uma revelação que poucos ousariam sequer imaginar: "Se não sofrermos golos, no mínimo, decidiremos o jogo nas grandes penalidades e isso é meio caminho andado para o que queremos fazer." Temos mesmo que aturar estas conferências de imprensa que nada trazem de novo?
5. A Bola apresenta hoje uma manchete estranha. Estranha porque, em primeiro lugar, se adequaria muito melhor ao dia de amanhã, o dia do jogo. Em segundo lugar, porque, tendo em conta os critérios editoriais do costume e urgente necessidade de animar as hostes, seria natural dar o destaque principal às palavras sábias de Simão - "Acredito neste Benfica". Muito estranho. Algo terá acontecido hoje na redacção do jornal oficioso do clube do bairro do Alto dos Moinhos.
Lisandro é um jogador à parte neste plantel. A jogada do segundo golo, a tabela com Hulk, a pressão que sofreu dos defesas ucranianos, o cruzamento que conseguiu fazer, fazem dele um jogador imprescindível. Mesmo que não encontre o caminho da baliza como acontece este ano.
Esta pode ser a vitória da viragem. Assim todos desejamos. Não que tenhamos melhorado a olhos vistos a qualidade de jogo, mas, acima de tudo, porque mostrámos grande carácter. Pode ser um lugar-comum, mas esta foi a vitória da fé e da raça. Estamos vivos.
Se calhar precisávamos deste banho de humildade e sentir o que sentem os que por norma andam lá por baixo. Se calhar isto é tudo uma estratégia para tornar o campeonato mais competitivo e interessante, já que o do ano passado foi uma chatice. Uma coisa é certa: os jornais desportivos nunca venderam tanto.
As administradores da SAD portista - Presidente incluído - fazem contas à vida para ver se ao menos este ano chegamos ao 3º lugar. Se assim for, nem tudo será mau (para eles, evidentemente). Enquanto isso, Jesualdo tem a cabeça no cepo para ver se saímos da cepa torta. Kiev e Alvalade são já ali, e a margem de erro do professor é mínima.
Se jogarmos como um bloco, como o fizemos na Luz e em Alvalade, teremos hipóteses de conseguir bons resultados. Creio que, independentemente das opções estranhas (para não dizer estúpidas) que o treinador tem tido, é mesmo isso que nos tem faltado: voltarmos a ser aquele conjunto de jogadores solidários, agressivos e talentosos que foram tricampeões. O talento obtem-se com bons jogadores e nesse aspecto, estamos todos a chegar à conclusão que as saídas de Bosingwa, Paulo Assunção e Quaresma não foram bem colmatadas. Os rostos da crise, na minha opinião (e treinador à parte), são os guarda-redes (estará na hora de lançar Ventura?) os laterais (os novos e os antigos), Lucho e Lisandro.
Helton sempre foi, para mim, a melhor opção. Não é o ideal, mas até Ventura ser decisivamente lançado "às feras", é o melhor que temos. Reconheço qualidade em Nuno, mas não para exigência de um clube como o nosso.
Nas laterais, a pior coisa que se pode dizer de Sapunaru é que até Maxi Pereira ou Abel são melhores do que ele. Do lado esquerdo, Lino nunca foi o defesa-esquerdo de que precisamos e não é por marcar uns livres de vez em quando que pode ter lugar garantido. Quanto a Benitez, quando estava a começar a jogar com regularidade e a mostrar qualidade defensiva (é isso que um defesa, em primeiro lugar, deve ter), Jesualdo retirou-o da equipa. O seu regresso, frente à Naval, foi um acumular de disparates pelo que voltámos à estaca zero . Nesta altura, todos esparamos por Fucile, ele próprio, esta época, uma sombra do que já foi. A dúvida é se será para a direita ou para a esquerda. Talvez para a direita, uma vez que Mariano pode fazer perfeitamente de defesa- esquerdo... (atenção, é favor ler esta última frase com uma dose grande de ironia)
Lucho González e Lisandro Lopez estão no âmago desta falta de capacidade que a equipa vem desmonstrando. Um pelo que não constrói (e encostado à linha, como contra o Leixões, é muito mais difícil...), o outro pelo que falha. Não sou daqueles que atiram logo com negociações de contrato ou insatisfações salariais. Sinceramente, serão Lucho e Lisandro capazes disso? Não acredito. Acredito que se trata de uma fase má por que passam todos os jogadores.
Já agora, não acho que Fernando ou Rodriguez possam ser responsabilizados pelo mau momento. Com apenas 19 anos, Fernando está até a exceder as minhas expectativas. Rodriguez ainda não é o jogador que vimos no ano passado (há que descontar o facto de, naquela equipa, não ser muito difícil alguém destacar-se...) mas não o podemos acusar de não dar tudo em campo. E Tomás Costa é demasiado importante no meio-campo para servir de tapa-buracos na defesa. Este é um dos vários erros que Jesualdo tem acumulado, o que me leva a concordar com o poncio, quando diz que o tempo do professor no FC Porto se esgotou. O pior, mesmo, repito, é a forma desconexa como a equipa joga em campo.
Quanto tempo falta para que a SAD dê por encerrado o "ciclo Jesualdo"? Quantas derrotas como a de hoje serão precisas para que alguém assuma que assim não atingiremos sequer o patamar mínimo anual do FCP que é vencer a Liga portuguesa?
E, já agora, quando é que algum dos responsáveis explica aos portistas que pagam para ver o seu clube jogar como é possível que um terceiro lugar dê direito a "prémio" para a administração?
São muitas questões sem resposta e o tempo para fazer algma coisa escasseia. Por mais que tentem chamar a atenção para a alegada falta de qualidade do plantel, o que salta à vista é a ausência de liderança no banco e no campo, bem como um silêncio ensurdecedor da SAD face aos péssimos resultados desportivos e financeiros (sim, a SAD apresentou lucro mas o passivo continua a aumentar).
Quanto ao jogo, foi parecido com o do Leixões. Enfrentamos uma equipa arrumadinha, que troca bem a bola e que foi feliz na obtenção do seu golito. O Porto falhou as suas (poucas) oportunidades e, sobretudo, foi incapaz de empurrar a Naval para a sua área após o golo (no qual, uma vez mais, me parece existir uma falha do Nuno, mas que nasce uma infantilidade do Sapunaru). Falta um líder no campo e Lucho parece não querer assumir esse papel - voltou a estar ausente do jogo por largos períodos. O único que parece ter fibra, vontade e qualidade para tal, curiosamente, é um novato chamado Tomás Costa. Mas, reincidentemente, o Jesualdo não tardou em amarrá-lo à esquerda em substituição de um incompetente Benitez, diminuindo a sua potencial intervenção no jogo.
No meio do naufrágio, o Tarik e o Pelé tiveram direito à sua estreia na Liga e não se sairam mal: como é que foi possível mantê-los de fora tanto tempo quando o Rodriguez nada produz em campo e o Fernando se limita a defender? O plantel pode ser mais inexperiente ou ter até gente menos dotada do que os precedentes, mas qualquer Jorge Jesus faria melhor do que isto com o material disponível.
Nota: se a pior combinação de resultados possível desta jornada acontecer, acabaremos a semana a 5 pontos do líder e em... 10º lugar?...
Alguns jornais davam hoje destaque a alegadas agressões verbais (e não só) a jogadores do FCP, depois da derrota com o Leixões. Os relatos tanto se limitam referir injúrias como vão até ao apedrejamento de viaturas (no caso, supostamente, a de Cristián "Cebola" Rodríguez). Infelizmente, sendo verdade, este comportamento dos adeptos não me surpreende: já vimos este filme noutras paragens (Madrid, Barcelona, Turim e, claro, no Olival, quando a vítima foi Adrianse).
Porém, se isto não é novidade, não deixa de ser lamentável. É coisa típica de gente sem noção da realidade, sem educação e sem respeito por pessoas que, independentemente do seu desempenho desportivo, são profissionais e como tal devem ser julgados. Provavelmente, estes grunhos são os mesmos que num dia em que as coisas corram bem lhes beijam a camisola e os levam às costas como heróis.
Sei que existe gente assim em todas as paragens desportivas, em todos os conjuntos de adeptos - envergonha-me que existam no FCP. Não ajudam, dão uma péssima imagem do clube e só contribuem para aumentar o mau estar. Isto é pior do que perder um jogo ou uma dúzia - é o grau zero da civilização.
Quem acompanha o que escrevo neste blog, sabe por certo que sempre fui muito tolerante com as asneiradas do Jesualdo, com o seu habitual cagaço e com as invenções em jogos potencialmente difíceis. Talvez por isso aquilo que vos direi em seguida tenha maior legitimidade.
O tempo de Jesualdo Ferreira como treinador do FCP esgotou-se. A única coisa que sempre lhe reconheci, nos bons e maus momentos, foi organização, coerência nas escolhas (mesmo nas más escolhas) e controlo sobre a equipa. O Jesualdo deste ano, para além das fragilidades que se conhecem, é um estratega sem rumo e sem tropa. Será só culpa dele? Certamente que não. Afinal, quem terá insistido na "compra" do jovem Pelé se ele nunca terá agradado ao treinador? Será que foi o Jesualdo que validou todas as compras deste ano? Onde está o PC? Conviria que dissesse algo.
Pois bem, hoje a minha paciência esgotou-se. Se é verdade que o Leixões foi feliz na forma e no momento como chegou à vantagem, ela começa nas hesitações da equipa e acaba num erro do Lino. De facto, para um grupo de jogadores a precisar de ganhar confiança, nada pior poderia acontecer.
Mas vamos ao princípio: colocar a jogar o Hulk pareceu-me uma afirmação de força. Na realidade, apesar do seu egoísmo e das más opções que frequentemente faz, o brasileiro é um daqueles que puxa a equipa para a frente, que luta e que provoca desequilíbrios. Mas porque é que o Lucho foi encostado à direita (e longe do jogo) enquanto que o T. Costa passava para o miolo? E o Rodriguez tem lugar activo no 11? O Tarik nem convocado foi, porquê? Demasiadas perguntas para nulas respostas.
Jesualdo improvisa onzes e esquemas tácticos como se estivesse isolado, como se não sentisse que a equipa está com ele. E quanto a mim não está. O único que deve gostar muito dele é o Mariano Gonzalez, que com uma ou outra excepção, acaba sempre por jogar.
Voltando ao jogo: que eu me lembre, para além de um remate fraco, à meia volta, do Lisandro, a primeira verdadeira oportunidade de golo do Porto surgiu aos 27 minutos. Incrível , não é? E para piorar as coisas, um jogador que já havia dado nas vistas contra o SLB, fez o 0-2 num lance muito semelhante ao do 0-1 - a bola andou pelo ar nas imediações da área do FCP e, do lado do Lino, lá surgiu um remate vitorioso. A reacção do nosso treinador foi imediata: tirou o defesa esquerdo (que, além das asneiras na defesa, já tinha marcado dois cantos para fora) e colocou em campo o Candeias. A mudança surtiu efeito, mais pelo facto do T. Costa ter ido para a posição de falso defesa esquerdo e o Lucho regressado ao sítio onde faz a diferença - no miolo. Mesmo assim, o nosso 1º golo caiu do céu.
A melhor fase da equipa foi então o início da 2ª parte, em que pareceu capaz de encostar o Leixões e a bola começou a rondar perigosamente a baliza de Beto. Ainda que as saídas do Leixões em contra-ataque lançassem o pânico na nossa retaguarda, aconteceu o que se previa: o Porto chegou à igualdade num daqueles momentos que ajudam a justificar o facto de eu considerar o Lisandro o melhor avançado a jogar em Portugal. Faltavam cerca de 30 minutos para o final do jogo, tínhamos conseguido o mais complicado e estávamos por cima.
Puro engano. O Jesualdo resolveu inventar e meter o seu protegido a defesa esquerdo: tira o Sapunaru (que nem esteve bem nem mal - esteve sofrível como a maioria), coloca o T. Costa na sua terceira função neste jogo (o homem tem que ter uma paciência...) e escangalha a equipa toda. Coincidência ou não, logo de seguida, o Braga arranca um pontapé fantástico à entrada da área e faz o 2-3. O moral da equipa caiu no esgoto. Numa onda de total desvario, o nosso treinador tinha ainda substituído um inconsequente Rodriguez pelo proscrito Farias que, em 15 minutos, não me lembro de ter tocado na bola. Hulk passou para a extrema esquerda e, enfim, aquilo já não era uma equipa, era um bando de gajos sem fé e sem nexo. Mesmo com toda a desorganização reinante, ainda deu para enviar um bola ao poste. Mas mesmo isso não ajuda a justificar a derrota porque, tal como me pareceu no estádio, o Leixões teve um golo (mal) anulado por fora-de-jogo inexistente.
Há muita coisa mal no Porto para além da notória inexperiência destas andanças de alguns (Sapunaru, T. Costa, Candeias, Rolando e Hulk, que, com tempo e trabalho poderão transformar-se em jogadores de qualidade indiscutível), da má forma do Lucho e do Rodriguez ou da incapacidade de ter um rendimento ao nível do que é exigido no nosso clube (como é o caso do Mariano e do Lino). Nota-se que o Lisandro se esforça mas não joga com a alegria de outros tempos e hoje até o Meireles e o Bruno Alves estiveram apáticos. Chegou ao fim uma era - é melhor iniciar um novo ciclo, com outro treinador, enquanto ainda estamos na luta pelo campeonato (se a pior combinação de resultados possíveis acontecer terminaremos esta jornada em 6º lugar - não me lembro de nada semelhante). Nestas condições, pensar em seguir em frente na Champions é puro delírio ou obra do acaso. A jogar assim, qualquer equipa arrumadinha e com um rasgo de sorte nos coloca em apuros.
Uma nota final: o Hélton foi afastado da equipa como se os 4-0 de Londres fossem culpa dele. O Nuno esteve bem contra o SCP mas tanto contra os ucranianos como, sobretudo, neste jogo, não o vi fazer nada de assinalável. Ficou entre os postes enquanto a bola andou pelo ar na área nos dois primeiros golos e, apesar do brilhantismo do remate que deu a vitória, ficou a ideia de que, tal como contra o Kiev, reagiu tarde. Pior ainda: que eu me lembre, todos os remates dos matosinhenses dignos desse nome resultaram em golo.
A justiça do futebol é meter a bola lá dentro da baliza. Hoje quem o fez foram os ucranianos e, claro, o pessoal começa todo a dizer mal deste e daquele, "que não tem nível para o FCP", etc. e tal. De facto, existe quem não tenha classe para andar por aqui, mas convirá não generalizar.
Pois bem, esta é a equipa com que teremos de enfrentar as competições todas, pelo menos, até ao natal (e espero que não entrem em compras por atacado nessa altura porque, regra geral, dá asneira). Temos que os apoiar, deixar "crescer" e dar tempo ao tempo. Quem viu a aflição do SLB para vencer uma equipa do equivalente à 3ª divisão nacional é capaz de perceber ao que me refiro - e por aqui, com a excepção do Rodriguez, não se investiu em "nomes", em gente com experiência. Temos gente nova, "verdinha", tanto ao nível individual como colectivo. O que nos salva de maiores tormentas é termos o melhor médio ofensivo e o melhor ponta de lança do futebol nacional. E, claro, termos gente como o Bruno Alves e o Meireles que não gostam de perder nem a feijões (o que, infelizmente, não foi o caso).
A história do jogo tem um antes e um depois do golo que deu a vitória ao Kiev. Antes mandamos nós, tivemos oportunidades para marcar (incluindo uma bola no poste depois de uma jogada brilhante do Lisandro) e dominamos o jogo. O depois é uma história de falta de ideias, de falta de pernas e de falta de noção do colectivo. De permeio, a saída do Rodriguez antes do Mariano foi a única coisa discutível nas opções do treinador, mas é provável que o uruguaio não estivesse bem fisicamente. Aliás, este ex-benfiquista, que fez uma temporada muito boa no SLB (e não é fácil naquela freguesia...) e uma pré-temporada prometedora tem vindo a falhar nos momentos chave e ainda não teve um momento de génio consequente. O Mariano é um caso perdido, falta-lhe um nadinha muito grande para ser um jogador de classe.
Agora resta-nos vencer na Ucrânia pois, caso contrário, não chegaremos aos oitavos. O Arsenal tratou de mostrar na Turquia que é de outra galáxia futebolística (e que para além do naufrágio portista, existiu muito mérito naquele 4-0 em Londres) e "ajudou" arrumar o Grupo, que será cada vez mais uma competição pelo 2º lugar (entre os de leste e os portugueses, se fizermos a nossa parte). Pode ser que cheguemos ao final desta fase com um Arsenal em poupança, que apresente uma equipa menos boa no Dragão. Ou pode ser que esse jogo não conte para coisa nenhuma...
Esta pode ter sido uma derrota fatal nas nossas aspirações para a LC deste ano, porque não acredito que consigamos ganhar na Ucrânia. Este Dínamo de Kiev, uma versão bem melhorada daquela equipa que levou 3 em Alvalade no ano passado, surpreendeu pela coesão e qualidade dos seus jogadores, nomeadamente o cérebro, Aliyev, um jogador que me encheu as medidas, não só pelo livre que marcou (apesar da "bomba", fiquei com a sensação de que o Nuno podia ter feito mais...), mas pelo modo como fez jogar a equipa.
Nós nunca conseguimos atacar com consistência de modo e prender o Dínamo lá atrás. Ao invés, fomos uma equipa de fogachos e de tentativas individuais frustradas. Lucho "apagou" a meio da segunda parte e Jesualdo foi metendo gente para a frente de ataque, e foi precisamente aí que a nossa equipa se desmoronou. Fiquei com a sensação que, do meio campo para a frente, o FC Porto era, nos últimos 20 minutos, um molho de jogadores à deriva, sem orientação, que tentavam, cada um por si, resolver a questão. Depois há a já falada falta de qualidade do plantel, mas a isso voltarei noutra ocasião.
A nossa justiça é uma merda. Pinto da Costa não vai a julgamento por causa do jogo Nacional-Benfica. Aquilo que toda a gente com dois dedos de testa já sabia, mas que aqueles que em campo nada conseguem ganhar ainda não tinham percebido, foi bem explicadinho pelo senhor doutor juíz: nada há nas escutas "que pudesse fazer presumir num julgamento que Pinto da Costa fosse condenado", especialmente porque as escutas "não dizem respeito nenhuma delas à sua pessoa, nem directa nem indirectamente", existindo apenas uma referência do empresário António Araújo no sentido de pedir a Pinto da Costa para falar de um assunto importante. "Como os dois clubes estavam a negociar jogadores, havia sempre esta possibilidade para o entendimento dessa conversa", referiu o juiz, para quem mais importante é o facto de o telefonema que desencadeia o processo ser iniciativa de Rui Alves, tendo como destinatário António Araújo (ver aqui). Agora, tratem mas é de encontrar ligações sinistras deste juíz ao FC Porto para garantirem mais umas manchetes fantásticas aos pasquins do costume. E não se esqueçam de enviar tudo ao Platini.
- Ganhámos aos Sertanense pelo mesmo resultado do ano passado e com Farías e repetir o bis e Sektioui também a molhar a sopa, também tal como no ano passado. Isto é que é controlar o sistema! Este jogo serviu ainda para mostrar que Sektioui está recuperado e é grande candidato à titularidade. Para além de detentor de um talento como há poucos no plantel, o marroquino é um jogador que deixa tudo em campo e sofre pelo clube. Precisamos de jogadores assim. Nuno também se arrisca a tirar a titularidade a Helton, depois das últimas exibições. Não sei o que Jesualdo vai fazer amanhã, mas eu apostaria no português e mandava Helton para a terapia.
- O Sporting passou em Leiria com um golo tão estranho quanto excelente de Liedson. O brasileiro caiu, mas desta vez não ficou a pedir falta, levantando-se logo de seguida, e num gesto magistral, enganando os defesas rumo ao golo. Não vi o jogo, mas rezam as crónicas que o Sporting foi igual a si mesmo: chato, lento, lento e chato. Paulo Bento não é médico, nem espião, mas há sportinguistas que começam a duvidar de que seja treinador. E prova disso é o ritmo alucinante com que o clube perde espectadores no seu estádio.
- No Benfica, apesar de empates com Leixões e... Penafiel (em casa!), está tudo a correr à mil maravilhas. Eu admiro estes jogadores e estes adeptos do 5º classificado. Não jogam um caracol, empatam os dois últimos jogos, mas é vê-los por esses pasquins lisboetas a jurar a conquista do campeonato, a exaltarem as próprias qualidades, a fazerem declarações de amor ao treinador. Ontem, aquele abraço, no final, entre Quique Flores e Sheu foi sintomático do alívio que sentiram ao ultrapassarem esse colosso da 2ª Liga. O que vale é que não jogaram os craques Di María, Luisão, Balboa, Rubem Amorim, Reyes ou Suazo (estão-me agora a dizer que eles efectivamenbte jogaram...). Quem não jogou mesmo foi Fernando Yebda Aguiar, que foi eleito o jogador do mês de Setembro (o que vale um cruzamento para golo frente ao tricampeão!) e tratou logo de agradecer o prémio, em Outubro, ao permitir o cabeceamento de Wesley no golo do empate do Leixões. Apesar de idolatrados pelos jornaleiros do costume, estes craques insistem em contrariar todas as previsões. É aquilo a que eu chamo o "Efeito-Kariaka" e que, no 5º classificado, se manifesta todas as épocas em quantidades industriais.
O Serpa e os jornalistas benfiquistas independentes vão ter que guardar as bandeiras e deixar de tecer comentários ao "fim do ciclo portista" porque mesmo com o arranque de campeonato mais fraquinho dos últimos tempos, a nossa equipa chega e sobra para os sobre-valorizados clubes da capital. Contentem-se com o ridículo das "grandes noites europeias" da taça UEFA e com as vitórias arrancadas a ferros a clubes de 1ª linha como o Basileia.
Quanto ao jogo de ontem, a história é simples: logo nos primeiros minutos, a melhor aquisição do Porto para esta temporada mostrou que estava lá - arrancada em velocidade e remate em zona frontal. O Sbordem?! Chuto para a frente e, sempre que um jogador do Porto fazia corrente de ar o Moutinho caia ao chão. Se lhe tocassem, parecia que ia morrer logo ali. Este tipo é, de caras, o maior fiteiro do futebol nacional, mas o crime compensa. No caso do Grimi, ele bem berrou, mas a bola já ia a caminho da baliza. Precisa de voltar ao ginásio, estudar e fazer de novo o curso JVP.
O triste do Lucílio: este tipo é o rei das "compensações" e não estou a falar de descontos. Como validou o roubo de bola do 1º golo quando todos os calimeros gritavam indevidamente "falta", resolveu assinalar um penalty mais do que duvidoso (fita do Moutinho, está claro) e, ainda melhor, dar um amarelo ao Lucho por causa da sua primeira falta, um derrube em zona afastada da área e sem qualquer violência. E como é um gajo coerente, o Abel ficou sem amarelo depois de uma sarrafada por detrás (sobre o Rodriguez). Acabaria por dar o amarelo ao lateral direito dos lagartos por causa de uma faltinha sem relevo. Mais do que tendencioso, o L. Batista é a maior fraude da arbitragem nacional, um tipo sem carácter para grandes jogos, hiper-influenciável pelos ambientes.
Os nossos: um Lisandro que mesmo quando não marca é um pesadelo para os defesas (mas desta vez não falhou), um Tomás Costa em crescente afirmação, um Nuno que pode justificar a titularidade e um enorme, mesmo muito grande, Bruno Alves. Pela negativa, a debilidade do Lucho, um Meireles anónimo e um Sapunaru ingénuo. Parabéns ao Jesualdo, porque desta vez não inventou e nós voltamos ao nosso lugar.
Nota sobre o jogo das gaivotas: quando a histeria de duas vitórias seguidas já alimentava as manchetes do Record e d'A Bola, o SLB mostrou em Matosinhos aquilo que vale neste campeonato: um golo caído do nada na 1ª parte (precedido de um penalty não assinalado a favor do Benfica) e uma segunda metade remetido ao seu meio-campo, chutando a bola para a frente à moda do Boavista. De permeio o Yebda fez muito mais do que tocar um jogador do Leixões em queda, na sua área, e... Olegário mandou seguir. Eis mais um exemplo de qualidade na arbitragem.
Esta vitória em Alvalade gerou algumas análises curiosas. Vítor Serpa, em A Bola, arranca uma crónica cujos sub-títulos são: "A indesejável e surpreendente experiência de Yannick a 10"; "Um FC Porto inseguro que ganhou ânimo com a prenda de Grimi"; "Um autocarro azul que arranca como um fórmula 1".
A opção por Yannick foi uma opção de risco. Foi o contrário daquilo de que se costuma acusar Jesualdo: falta de vontade de arriscar. Por certo que muitos sportinguistas, antes do jogo, a aplaudiram. Terá Paulo Bento ficado convencido de que estávamos assim tão fragilizados, depois de Londres, que era uma questão de colocar três avançados em campo e despovoar o meio-campo?
O segundo sub-título dá a entnder, para quem não viu o jogo, que ao FC Porto caiu do céu o primeiro golo. O texto fala, mais adiante, no "golo oferecido por Grimi", como se toda a jogada do golo tivesse dependido apenas desse erro. Parece que Tomás Costa não esteve lá, parece que não acreditou, parece que não fez um belo cruzamanto para Raul Meireles. Tudo se resume, para Vítor Serpa, ao erro de Grimi. E assim se tira o mérito a quem o merece. Acrescente-se que, antes do golo, já o FC Porto era a equipa mais sólida e compacta em campo, tendo mesmo começado com uma jogada muito perigosa de Tomás Costa.
No terceiro sub-título, Vítor Serpa vai ainda mais longe, insultando toda a equipa do FC Porto ao associar a forma como geriu a segunda parte a uma qualquer equipa das distritais que vai jogar a casa do adversário, optando única e exclusivamente por defender e abdicando do ataque. E nem mesmo a comparação ao arranque "como um fórmula 1" serve de atenuante àquela expressão infeliz do "autocarro azul". Se fosse com o seu clube do coração, certamente teríamos o elogio à "arte de segurar o adversário" ou "tenacidade defenseiva sempre com os olhos postos na baliza adversária". Mas, infelizmente para o Vítor Serpa, o seu benficazinho é ainda uma equipa em construção e não comanda o campeonato. Ontem, o FC Porto entrou em campo com 5 jogadores "novos". Isto também não é construção?
faz parte também da estratégia, dizer mal do jogo. Comos e não tivesse havido emoção que chegue, com bolas na traves, oportunidades de golo, polémicas e afins. O início do texto diz o seguinte: "Chamaram-lhe o clássico da crise. Talvez, por isso, tivesse sido um jogo frio e calculista. Pouco frenético, ainda menos vibrante". Eu sei que os jogos frenéticos e vibrantes são aquele em que o seu clube participa. Esse são jogos de outro quilate, de outro gabarito. Mas esta foi a forma que Vítor Serpa encontrou de diminuir a vitória do FC Porto. Já conhecemos este tipo de análises. E também sabemos da azia que toma conta destes escribas quando estão a contar com o ovo no cu da galinha (leia-se: derrota do FC Porto) e lhes sai o tiro pela culatra.
PS - E Jesualdo ganhou em Alvalade. Ou terão sido os jogadores? Depois de uma semana em que fomos autênticos bombos da festa da imprensa especializada, em que até o riso de Wenger serviu para diminuir o nome do FC Porto, depois de uma semana em que os comentadores pseudo-imparciais dedicaram os mais sentidos elogios fúnebres à nossa equipa, eis que conseguimos dar a volta por cima, e, surpresa das surpresas, vamos em primeiro no campeonato (pelo menos até ver se o Leixões nos ultrapassa).
O jovem jogador que foi moeda de troca no negócio do Quaresma foi finalmente alvo de uma convocatória. Se vai jogar ou não isso já é outra história. Quanto a mim, este jogo seria uma excelente oportunidade de avaliar quem é o melhor jogador do plantel para a a posição 6. Já por lá passou o Guarin (simplesmente lamentável), o Raul Meireles (muito bom desempenho, mas fará mais falta uns metros adiante?) e o Fernando (muito tenrinho e assustadinho sempre que tem a bola nos pés).
Sem Hélton, mas com Pelé. Força Porto!
Todos estamos de acordo quanto ao facto de Jesualdo Ferreira ser um treinador conservador (para utilizar um eufemismo), um pouco à imagem de Fernando Santos, por exemplo, e muito longe de um António Oliveira ou Bobby Robson (para não citar Mourinho, que é um caso à parte). Podemos acusá-lo de não saber incutir nos jogadores um espírito guerreiro e de conquista europeia, característica de outros "Portos". Concordo. Podemos acusá-lo de não ter a agilidade mental (ou emocional) suficiente para mexer na equipa cedo, quando as coisas correm mal. Também concordo. Podemos ainda acusá-lo de não saber construir o melhor onze. No caso do jogo de ontem, há muitos portistas a focar este aspecto, por isso gostaria de convidar esses portistas a fazerem um pouco de treinadores e dizerem, de sua justiça, qual o onze e táctica que teriam usado em Londres (tendo bem presente que é sempre mais confortável falar a posteriori, depois das coisas terem corrido mal).
Por exemplo, começando pela baliza. Colocariam outro guarda-redes? Seriam Nuno ou Ventura capazes de evitar os golos que Helton sofreu? E as defesas que o brasileiro efectuou, teriam sido efectuadas por qualquer um dos portugueses? Acham que qualquer uma das duas alternativas daria maior confiança à nossa defesa, ontem, em Londres?
Na defesa, colocariam a jogar Fucile e/ou Lino? Qual o defesa do nosso plantel capaz de segurar Walcott, por exemplo? Pedro Emanuel seria de colocar no onze inicial, da a sua maior experiência, ou perderíamos no confronto por alto com o gigante Adebayor? E Stepanov, estaria preparado para entrar? E quem defenderia uma defesa com 3 centrais?
No meio-campo e ataque, teria sido mais ambicioso começar com um 3-3, com Hulk-Lisandro-Rodríguez de início e com menos um elemento, supostamente Guarín, no meio-campo? Sim, seria uma hipótese a considerar para quem acha que um meio-campo com apenas 3 homens daria conta do recado contra o carrossel do Arsenal. Ponho as minhas dúvidas. Se perdêssemos à mesma, não faltariam as vozes dissonantes a criticarem a escolha de um onze demasiado arrojado. Aliás, é mais ou menos geral entre os portistas a opinião de que, este ano, a saída de Quaresma e a contratação de mais opções para o meio-campo permitiria, finalmente, a utilização de um 4-4-2. Foi o que tivemos em Londres, mas com pouca capacidade de reacção ao "turbo" arsenalista, uma falta de andamento preocupante. Haveria alternativas àquele meio-campo, tendo presente que Lucho González está diminuído fisicamente? Colocariam Mariano González? Bolatti? Recuariam Rodríguez para o meio-campo? Avançariam Lino para aquela zona? Seria o jogo ideal para estrear Pelé?
E no ataque? Seria ocasião para dar a primeira oportunidade a Sektioui? Colocariam Lisandro no banco, dada a sua saga perdulária nesta época? Entraria Hulk de início? Para o lugar de quem?
Espero as vossas respostas. Estou curioso (sem ironia...)!
Custaram-me mais os 0-4 do Nacional no Dragão, no tempo de José Couceiro. Hoje, perder foi mau. Perder por 2, 4 ou 6, sinceramente, não me aquece nem me arrefece. Lamento, sim, a forma como o nosso futebol - e quando digo "nosso", falo do futebol português - continua a mostrar uma confrangedora falta de andamento para estes vôos. E quando falo em "vôos", quase que o digo literalmente, pois o Arsenal, na minha opinião, apresenta o futebol mais rápido da Europa. A diferença é enorme. E quando vemos Walcott a correr daquela forma, percebemos a diferença.
A questão do valor desta equipa do FC Porto suscita opiniões variadas. De um período de alguma euforia exagerada, vivida na pré-época, até ao presente, marcado pelo empate em Vila do Conde, por exibições medianas e esta derrota em Londres, muito mudou. Nas laterais reside o maior problema, mas depois, no meio-campo, não sei se Guarín é o jogador de que precisamos (principalmente quando temos um Paulo Machado emprestado...). Continuo a acreditar neste plantel para consumo interno, e em Alvalade acredito que mostraremos estofo de campeões.
Em termos de Liga dos Campeões, apesar da derrota pesada de hoje e do efeito psicológico que ela traz para os jogadores e para os adeptos, mantemos intacto o objectivo de passar aos oitavos. Estamos em segundo lugar, e uma vitória com o Dínamo de Kiev, no Dragão, pode lançar-nos definitivamente para a próxima fase.
PS - Pedir a cabeça de Jesualdo Ferreira no início da época, fazer abaixo-assinados ou entrar pelo insulto barato ao treinador não é digno do nosso clube.
Acho injusto para Raul Meireles o que a generalidade da imprensa disse sobre a sua grande exibição contra o Paços de Ferreira. Que tinha sido um "Meireles à Lucho" ou um "Lucho de Meireles". Para mim foi antes um "Luxo de Meireles" ou um "Meireles à Meireles". Este é um jogador que sempre admirei, pelo toque de bola, pelo remate fácil de longa distância. Ainda hoje estou para perceber o que muitos portistas vêem em Ibson que os faz preferir o brasileiro ao português. Ibson, por exemplo, nunca marcaria o golo que Meireles marcou na sexta-feira porque simplesmente não sabe rematar. Contra o Paços, Meireles estendeu-se mais no campo e fez aquilo que é capaz de fazer, dar um apoio de qualidade ao ataque.
PS - Tinha dito a amigos meus, antes da jornada se iniciar, que daqui a duas jornadas "estaremos à frente do Sporting um ponto". A vitória do Benfica ontem sobre o Sporting deitou por terra a minha profecia: não estaremos um ponto à frente, mas sim dois.
Acabei de ver a nossa equipa atirar 2 pontos para o lixo. Ao contrário do que aconteceu com o SLB, desta vez o Rio Ave não teve grandes chances de marcar, pelo que não são dois jogos comparáveis. A única coisa parecida, e que nos envergonha, foi a atitude de engonhanço permanente durante os 60 minutos iniciais. Pior do que isso, só mesmo o nosso treinador, que eu não costumo criticar, a deixar correr o tempo.
A primeira parte foi uma porcaria de jogo, sem que eu tivesse conseguido ver mais do que um Mariano trapalhão, um Lucho sem folgo, um Rodriguez que continua irreconhecível e um Fernando que não me convence (a única coisa que faz melhor do que a opção colombiana é deixar-se estar quietinho lá atrás). Do resto da malta não se evidenciou ninguém.
A 2ª parte começou igualzinha - alguém terá dito que estava tudo bem no balneário? E foi preciso mais um quarto de hora do mesmo nível da 1ª parte para que o Jesualdo resolvesse fazer alguma coisa: saiu o Fucile (amarelado) e entrou o Lino para atacar pelo flanco esquerdo; saiu o trengo do Mariano (que quase nada fez e já nem sequer defendia) e entrou o Hulk para uma posição que ninguém percebeu, tal era a confusão no nosso ataque. O Fernando ficou em campo para fazer companhia aos centrais (3 gajos permanentemente lá atrás para um só avançado do Rio Ave...).
Apesar disso, as coisas melhoraram um bocadinho (mais rapidez, alguma pressão sobre o jogador do Rio Ave que circunstancialmente retinha a bola), mas também não era preciso muito para fazer melhor do que nos 60 minutos iniciais. Duas bolas nos postes, duas outras jogadas de iminente perigo, o Candeias lá para a confusão (pelo Meireles? que raio estava o Fernando a fazer em campo naquela altura que o Raul não fizesse melhor?!) e o jogo acabava num contra-ataque (resultante de um canto do Rio Ave) que o árbitro se encarregou de "matar" - passavam 9 segundos dos 4 de descontos, mas convirá lembrar que o primeiro minuto de descontos foi passado com um jogador de Vila do Conde a ser assistido em campo. Mas não foi por isso que perdemos 2 pontos. A responsabilidade deste empate comprometedor é, em primeiro lugar, dos jogadores do 11 inicial e, porque foi ele quem os escolheu e manteve em campo durante tanto tempo, do Jesualdo Ferreira.
Como alguém já referiu numa conferência de imprensa, é nestes jogos que se ganham e se perdem os campeonatos. Ainda falta muito tempo para o fim, mas este foi notoriamente um passo no sentido do abismo.
Alguém referiu no post anterior o facto de não existir nenhum comentário sobre o nosso jogo da Champions. Eu diria que é difícil dizer algo sobre uma coisa tão natural como o FCP ganhar e os 2 supostos grandes perderem. Mas já que pediram, aqui vai.
O Porto venceu um clube turco cheio de massa (ou com a suficiente para contratar o seleccionador campeão da Europa e o melhor marcador da Liga Espanhola), com bons jogadores e que será por certo, apesar desta derrota, um candidato ao apuramento. Venceu porque, apesar da notória falta de rodagem europeia de alguns dos que iniciaram o encontro e de estarmos ainda a remodelar a equipa (na defesa estava apenas um dos elementos chave da época passada), existe qualidade (Lucho, Lisandro e Meireles) e mesmo quando as coisas não correm sempre bem, existe garra e empenho (Rodriguez, Fernando e T. Costa).
A equipa lutou, tremeu e matou o jogo mesmo no seu limite - mas assobiar para quê? Os que assobiam devem ser os mesmos que criticaram a equipa depois da eliminação face aos alemães; desta vez fomos nós que "concretizamos" - não é isso que costuma faltar ao futebol português? Uma nota especial para o Sapunaru: o romeno começa a ser, tal como o Benitez, um dos bodes expiatórios favoritos para os resultados menos bons da equipa. Ouvi os comentários radiofónicos e parecia que estavam a falar de um cepo: pois bem, fiquei muito feliz com o nosso terceiro golo - 95% dele decorreu do esforço e do talento do nosso defesa direito. Para a próxima estejam caladinhos.
Quanto ao resto do pessoal, estou a adorar a carreira do Guimarães (não há crime sem castigo, nem Platini que os salve... quem quis obter por meios extra-jogo o que não merece, está agora quase a perder tudo) , a coerência do hiper-mega-fixe SLB do Quique (que perde com uma regularidade impressionante) e a normalidade de um SCP que decidiu começar a jogar quando já estava a perder. O Braga ganhou aos morcões do Artemedia que involuntariamente ajudamos a celebrizar e o Setúbal esteve quase para sair vitorioso do seu embate - com aqueles meios humanos, isso já foi um milagre.
Resta-me ainda referir que, independentemente deste Belenenses não valer nada e de merecer a derrota, ontem o Sporting beneficiou de um golo irregular para abrir o marcador - o Bento é, até à data, o maior beneficiado das borradas da arbitragem... e o que mais se queixa! Um bocadinho de vergonha na cara não ia mal.
Prémio jornalismo independente: Luís Sobral diz, no Mais Futebol, que Suazo é "um avançado ao nível de Lisandro e Liedson". para tal, bastou um golo marcado numa derrota do SLB face a um clube italiano de 2º plano. Se o hondurenho marcar dois golos a qualquer clube do fundo da tabela da Superliga, nem sei que comparações poderá este "jornaleiro" fazer.
Ontem, o Tribunal da Relação do Porto determinou: Pinto da Costa vai receber 20 mil euros do Estado por ter sido detido ilegalmente. Hoje, o Tribunal Arbitral do Desporto determinou: o Benfica e o Guimarães terão de indemnizar o FC Porto em 10 mil euros por causa dos custos do processo que tinha por objectivo recorrer sobre a decisão de manter o FC Porto na Liga dos Campeões. O nosso clube e o nosso Presidente continuam assim a ganhar em várias frentes, contra os miseráveis que tentaram arrastar o nome do clube para a lama, contra os hipócritas do fair-play e do desportivismo (que até, vai-se a ver, nem queriam entrar na Champions...), contra estes abutres que em campo nada conseguem. Todo o mal que possa acontecer a um clube, eu desejo-o ao Benfica e ao Guimarães. Que caiam na sarjeta e de lá tão cedo não sejam resgatados, porque quem tentou orquestrar a campanha que se viu e nela alinhou merece tudo isto e muito mais. Quanto ao nosso Presidente, esse continua a dar-lhes baile!
Pode dizer-se que a propensão para a sarrafada, que os jogadores do 11º classificado demonstraram, no sábado, para com os jogadores do FC Porto é uma tradição que vem de longe. Todos nos lembramos de Tahar ou Bermudez, dois exemplos da arte de bem acertar nas pernas dos adversários, que, nos anos 90, espalharam o terror pelos campos de futebol, constantemente encobertos pela imprensa vermelhusca do costume. A fama era de Paulinho Santos. Ele era o mau de serviço, tal como agora é Bruno Alves.
A mudança de século não trouxe novidades. Senão, vejamos estes três exemplos:
- A 20 de Agosto de 2004, no jogo da Supertaça, realizado em Coimbra, Diego sai aos 21 minutos de jogo. Um tal de Paulo Almeida tinha-se encarregado de mandar o miúdo para o estaleiro, obrigando o FC Porto a uma substituição de recurso. Acabaríamos por vencer por 1-0 com um golaço de Quaresma, após trocar os olhos a Argel. De referir que Diego ficaria lesionado durante bastante tempo, prejudicando a sua integração na equipa e adaptação ao futebol português.
- A 15 de Outubro de 2005, jogava-se, no Estádio do Dragão, o FC Porto-Benfica da jornada 7. Aos 24 minutos, Lisandro Lopez é substituído devido a uma entrada, mais uma, de Karagounis. O FC Porto ficava sem o seu melhor jogador em campo naquele jogo.
- Praticamente um ano depois, a história repete-se. A 20 de Outubro de 2006, no Dragão, é outro grego, desta vez, Katsouranis, quem "arruma" de vez com Anderson, quando o resultado mostrava 2-0 e o puto brasileiro se preparava para guiar a equipa até uma mais que certa goleada. Acabámos por ganhar 3-2, a muito custo, mas Anderson ficaria meses sem jogar, apenas voltando no final da época para se despedir do futebol português (onde os artistas e os génios não têm lugar porque não há quem os proteja).
No jogo do passado sábado, só por um milagre, por exemplo, Sapunaru não ficou incapacitado durante meses para o futebol, primeiro através de Carlos Martins, depois de Nuno Gomes, sem contar com o cotovelo do Luisão (lances ue podem ver nos vídeos do post anterior). A imprensa continua a assobiar para o lado e a promover o debate nacional em torno da questão: será Bruno Alves um jogador violento ou simplesmente duro? Nós, portistas, vamos assistindo a esta palhaçada e só nos resta utilizarmos os meios que estão ao nosso alcance para a denunciar.
Este vídeo é mais completo que o anterior. Um agradecimento ao Pentadragão.
Um agradecimento ao blogue bicampeoesdomundo.blogspot.com
Segundo o site da Gestifute, o acordo com o Inter já foi atingido e Ricardo Quaresma viajará amanhã para Itália para efectuar os testes físicos habituais e assinar o contrato. No sentido inverso viajará, a título definitivo, o potencial substituto do Paulo Assunção, o jovem internacional sub-21 Pelé.
Por todas as alegrias que o Quaresma nos deu, pelas montanhas de trivelas, pelos dois fantásticos golos ao SLB (o do Dragão, em que trocou os olhos ao Nélson, e o da Luz, em que tirou o hiper-fantástico central David Luiz da frente com uma facilidade atroz) e por todas as assistências para golo, um muito obrigado. Quanto aos maus humores, aos excessos de individualismo e coisas afins, a malta já nem se lembra disso - afinal, rendeste golos, assistências, espectáculo e, por fim, dinheiro fresco; que mais poderias dar ao clube? Aceita os votos de boa sorte e felicidades deste adepto grato.
O jogo de ontem deixou-me mais chateado do que a derrota com os lagartos. Perder é mau, mas desperdiçar uma oportunidade de humilhar a hiper-super-mega-fixe equipa do SLB no seu próprio estádio é muito triste. E devo já dizer-vos que, ao contrário do que muitos já escreveram, eu não considero que o Jesualdo tenha estado mal.
Em 1º lugar, a equipa: fiquei surpreendido por ver o Rolando e o Fernando em campo e, sobretudo, por não ver o Benitez na esquerda. O argentino tem estado bem mas, felizmente, o Fucile também não esteve mal. Quanto ao Rolando, gostei muito da calma e da velocidade. O Fernando esteve apagado e muito encostado aos centrais, mas eu prefiro este brasileiro ao Guarin que, pelo que vejo, vai ser o Bolatti deste ano (com a agravante de que tem tido mais oportunidades).
O jogo
A história do jogo começa praticamente no penalty descarado do grego sobre o Lucho - dizer, como o comentador William disse, que "o argentino foi matreiro e se deixou cair" é querer torcer a realidade. Seja como for, o golo dali resultante alterou as características do jogo e, curiosamente, beneficiava a táctica do Jesualdo: meio campo muito povoado (Fernando, Meireles, Costa e Lucho no apoio aos 2 atacantes) e homens rápidos na frente (Rodriguez e Lisandro), pura lógica de contra-ataque. Ou seja, com a vantagem no marcador, o Porto tinha tudo para matar o jogo, porque se sabia que nem Di Maria, nem Reyes, nem Aimar estão lá para grandes esforços defensivos e o resto da malta não chegava para o excelente jogo que o Lucho fez (essencialmente até à expulsão do Katsouranis).
As gaivotas responderam como se esperava, aliás, tal como o árbitro. Depois do penalty foi um fartar de amarelos aos jogadores do Porto (aos 17, 21 e 27 minutos), sendo que nenhum deles era minimamente justificável. No primeiro, o Sapunaru abre os braços para impedir a progressão do Leo, que fez uma grande fita, protestou veementemente e conseguiu sair dali com o que queria. Convirá lembrar que, na 2ª parte, o Fucile sofreu uma falta igual (não assinalada) e quem levou o amarelo foi o Lisandro (por protestos que nem de longe nem de perto foram tão exagerados como os do Leo). No segundo, o Fernando nem toca no Aimar. Quanto ao terceiro, que em tempo real me pareceu justo, foi outra fraude: o Rodriguez encolhe-se todo para não atingir o Quim e a repetição da linha de fundo calou os comentadores da SportTV (estavam a dizer que era uma entrada violenta e escusada quando as imagens indiciam que nem terá existido contacto). Resumindo, com a arbitragem a "compensar" a audácia de ter assinalado um penalty indiscutível, as muitas quedas espalhafatosas do Reyes, do Aimar e sobretudo do Di Maria, achei que não iríamos sair dali com 11 jogadores. Sim, empurram-nos lá para trás e o Lisandro salvou um golo iminente em cima da linha de baliza. Ainda assim, o Porto iria dispor de duas oportunidades para fazer o 0-2: primeiro pelo Rodriguez e depois naquele fantástico lance entre o Lucho e o Licha que terminou com a bola no poste.
A história da segunda parte começa com a substituição do Tomás Costa (porquê?!) pelo Guarin - o Porto perdeu velocidade e discernimento. Eu estava à espera da substituição do Fernando, porque é muito novo e poderia facilmente cair numa jogada que lhe desse o segundo amarelo. O SLB entrou com cada uma das suas vedetas a tentarem fazer os respectivos números artísticos, ou seja, nada de novo. E quem teria uma soberana oportunidade de "matar" o jogo seria novamente o Lisandro, depois de uma boa jogada do colombiano. Quem não "mata morre", mas foi preciso uma asneirada entre o Bruno Alves e o Hélton para as gaivotas marcarem (foi aos 56 minutos). Entretanto, o Aimar já tinha dado o seu lugar ao Nuno Gomes. Com aquele ambiente e um árbitro acagaçado, o jogo poderia ter-se complicado para o FCP. Porém, o grego que atirou o Anderson para a enfermaria durante uns meses sem sequer levar um amarelo, deve ter pensado que tudo lhe era permitido e resolveu fazer uma daquelas suas entradas parvas sobre o Rodriguez - foi expulso por acumulação de amarelos (minuto 59).
E aqui começa a terceira parte do jogo: a jogar com 10 e tendo vários jogadores em perda física (Léo, Di Maria, Reyes, Yebda, etc.) o SLB encolheu-se no seu meio-campo já satisfeito com o mal menor que seria o empate. O Jesualdo fez a opção certa, tirando o Fernando e colocando em campo o Hulk, enquanto que o Quique das Flores fez entrar o Sidney para o lugar do avançado paraguaio. Isto era revelador dos diferentes estados de espírito das duas equipas. Mas, infelizmente, foi mais ou menos nesta altura que o Lucho deu o estouro e, sem alguém que desse uma orientação clara aos ataques do Porto, tudo se resumiu a jogadas individuais, nomeadamente do Hulk (que foi repreendido pelo treinador) e do Quaresma Wanna-Be Candeias. Conviria dizer ao moço que não é Quaresma quem quer e que se a táctica da equipa fosse cada um jogar sozinho nós não estaríamos em vias de vender o Mustang. Foi meia-hora disto: os nossos suplentes a quererem resolver o jogo para mostrar serviço, o resto da malta sem saber o que fazer à bola, as gaivotas a chutarem para a frente sem nexo, com os seus jogadores sempre no chão sempre que possível e, claro, depois de tantas paragens, uns meros 4 minutos de desconto, não fosse o Porto marcar mesmo e estragar a festa.
Resumindo: um desperdício que nos pode sair caro. O SLB de hoje não é uma equipa, é um bando de gaivotas vaidosas e sobre-valorizadas jogando ao sabor dos ventos. Se o Quique conseguir colocar aquelas flores a produzir algo para a equipa, estou certo de que os vermelhuscos vão estar na luta até ao fim - descontando a fragilidade defensiva que se conhece e o bruta-montes francês, o resto da malta vai forçosamente produzir mais. O que significa que o Porto deveria ter ganho este jogo. Resta-me então agradecer ao grego ter-nos dado um golo de avanço e 30 minutos em vantagem numérica. Lamentavelmente, com o Lucho esgotado, não soubemos fazer a nossa parte.
Assim a quente, sinto uma frustração enorme pela oportunidade que tivemos de golear o 4º classificado em sua própria casa. Estou mesmo revoltado. Depois de esfriar a cabeça, escreverei sobre o jogo. Pode ser que o poncio se adiante a mim, mas, pelo que conheço dele, também não lhe deve apetecer muito escrever o que quer que seja hoje...
PS - Então o Reyes? E o Di Maria? E o Aimar? Era, não era?
1. O sorteio da Liga dos Campeões colocou-nos num grupo difícil, daqueles que exigem às equipas o necessário estofo de campeões para seguirem em frente. Não é o grupo que todos queriam, mas também não é um grupo aterrorizador. O Arsenal está ligado a um dos traumas de Jesualdo Ferreira. Agora que não há nem Ricardo Costa nem Marek Cech, espero que o nosso treinador vá a Inglaterra jogar olhos nos olhos com a equipa de Wenger, que continua a ser uma grande equipa, mas não é nenhum papão. O Fenerbahce é melhor que o Besiktas, que nos calhou no ano passado. Li uma estatística que diz que, nos últimos 10 jogos em casa para a CL, ganharam 9 e empatarm 1, tendo passado por lá equipas como o Chelsea e o Inter (que perderam, já agora). A nossa maior estratégia passará por uma atitude mental fortíssima na Turquia. Quanto ao Dínamo de Kiev, se for aquela pálida equipa que defrontou o Sporting no ano passado, então digo que temos obrigação de fazer 6 pontos com eles. A ver vamos. O primeiro jogo será de extrema importância, e aí teremos de dar uma primeira estocada no Fenerbahce.
2. A notícia da renovação de Lucho Gonzalez é uma grande notícia com um "timing" nada inocente. No dia em que se avança para a venda de Quaresma por 26 milhões (+ Pelé), esta notícia sobre Lucho poderá amenizar um pouco as hostes, algo desiludidas pelo valor "baixo" por que o cigano é vendido. Não sei quanto valerá Pelé, nesta altura. Nunca o vi jogar praticamente. A única vez que o fiz foi para ver uma entrada sobre um checo e ser expulso com vermelho directo, o que não é, para mim, o melhor cartão de de visitas. Para ter feito tantos jogos no Inter da época passada, deverá valer alguma coisa como jogador. A ver vamos... Quanto a Quaresma, compreendo a recessão que atravessa o mercado europeu, mas os 30 milhoões, no mínimo, seriam o preço justo a pagar pelo jogador (nunca os 40 milhões que o nosso Presidente referiu, com muito bluff à mistura, digo eu...).
3. Suazo chegou para o quarto classificado (ou deverei dizer oitavo?). Espero um dia vir a saber de onde vem tanto dinheiro. Espero também que haja alguém na comunicação social que decida investigar ou tão somente fazer as perguntas básicas. De qualquer maneira, não podem jogar todos, mas têm a possibilidade de ficar, em teoria, com um banco mais forte. Por outro lado, não têm defesa-direito de raíz no plantel... As declarações do Suazo já as ouvimos antes a uma imensa lista de jogadores: o Benfica é grande, enorme, grandíssimo, estratosférico. Muda a cara, mas a cassete é a mesma. Os resultados os mesmos, também. Já agora, a avaliar pela "bela" montagem do Record, o Suazo tem um braço direito que mede cerca de 2 metros! Será para andar à chapada no balneário?
1. Entrámos neste campeonato com uma vitória, podíamos ter goleado, mas acabámos por sofrer muito. Contámos também com uma arbitragem estranha que, inclusivamente, levou A Bola a escrever isto sobre o árbitro: "Foi permissivo com alguns jogadores do Belém e esteve muito mal acompanhado pelos assistentes, em prejuízo do FC Porto.".
2. Se Lisandro tivesse chegado ao Dragão na presente época, o que de mal já não se teria dito dele? É assim a vida de um jogador de futebol. Desejo que Licha suba os seus índices de eficácia o que, traduzido de manuelmachadês quer dizer, que desate a marcar golos como tão bem sabe fazer.
3. Ao invés, Mariano Gonzalez parece outro. Nunca vai ser um Quaresma, mas tem atributos que faltam ao cigano. Desejo que mantenha este nível. E que falta fez na supertaça.
4. Hulk espetou uma bofetada de luva branca naqueles comentadorzecos das Tvs que decidiram implicar com ele desde o momento em que pisou solo português. E foi apenas a primeira. Preparem-se que vai haver mais.
5. Em Alvalade, o Trofense mostrou que não está familiarizado com a palavra "defender", nem com o conceito "marcar o jogador adversário". Muito fraco. Pior só o árbitro-assistente que assinalou aquele penalti. Agora vamos ter que levar com os calimeros do costume durante todo o campeonato. "Ah, e tal, se não fosse aquele penalti..." Estão a ver?
6. Em Vila do Conde, duas constatações: primeira, afinal Aimar ainda não chegou. Estou a falar, claro, daquele Aimar que A Bola seguiu diariamente e rotulou do maior craque jamais visto em Portugal e que só Rui Costa seria capaz de trazer para cá; segunda, Yebda lesionou Carlos Martins com uma cabeçada. E sumaríssimo? Cuidado com o "Fernando-Aguiar-francês". Espero que no próximo sábado, o Lucho saiba como fugir deste gajo.
Aproxima-se o início do campeonato, mas já se fala do jogo que vai opor o 4º classificado ao tricampeão nacional. Parece que o clube da gaivota se prepara para homenagear os seus atlestas olímpicos no jogo da 2ª jornada contra o FC Porto. Um desses atletas é o grande Nélson Èvora (sabiam que foi atleta do FC Porto?), brilhante campeão olímpico de Pequim. Nada mais adequado: prestar homenagem ao vencedor do TRIPLO salto no jogo contra o vencedor do TRIPLO campeonato. Pobo do Norte sabe de fonte segura que correm rumores que confirmam boatos que adiantam uns zuns-zuns de que Nélson Èvora se prepara para oferecer a medalha de ouro a Luis Filipe Vieira. A confirmar-se, ficará claro que nunca a expressão "entregar o ouro ao bandido" fez tanto sentido.
À medida que o FC Porto vai ganhando campeonatos e o Sporting supertaças e taças de Portugal, o futebol português arrisca-se a entrar numa monotonia capaz de levar ao desespero o quarto classificado e a respectiva imprensa que precisa de grandes feitos do seu clube de coração para conseguir vendas de jeito.
Sinceramente, este tipo de "monotonia" não me desagrada, exceptuando o facto de que as ditas vitórias lagartianas estarem, ultimamente, a serem obtidas à nossa custa. É claro que, quando festejarmos o TETRA, daqui a alguns meses, já toda a gente se esqueceu desta supertaça, mas quem lá esteve não. São esses quem mais sofre, aqueles que têm acompanhado a equipa nestas finais. Sofrem porque lhes é negado o direito de festejarem uma vitória numa final. Todos sabemos como é diferente festejar numa final e festejar ao longo de um campeonato, contextos completamente distintos. E os nossos adeptos já merecem festejar uma vitória numa final.
De resto, já digeri esta derrota de sábado, aliás, como digiro qualquer derrota do FC Porto (felizmente, raras). No dia seguinte, acordo com a chamada "neura", ainda a pensar como foi possível aquilo acontecer. A fúria instala-se quando observo as primeiras páginas dos jornais desportivos e leio alguns comentários dos jornaleiros anti-FCP (nós sabemos quem são). Dois dias depois, analiso racionalmente a derrota, leio o fórum portista e alguns blogues. Três dias depois, já passou à história e já estou a salivar pelo próximo jogo, que, neste caso, é contra o Belenenses.
Paralelamente, a novela Quaresma vai ocupando as mentes portistas durante todo este mês. Acredito que até ao final desta semana a coisa se resolva e que a saída do mustang seja confirmada. Seria catastrófico ficarmos com um jogador contrariado no plantel, por muitas alegrias que ele nos tenha dado.
Perder três taças seguidas para o Sporting não é normal numa equipa como a do FC Porto. Se nas duas anteriores tivemos a infelicidade dos árbitros contra nós, em lances capitais, agora não podemos dizer o mesmo (ainda que a complacência de Xistra para com a violência de Rochemback e Caneira seja digna de resgisto). Até acho que o lance do penalti a nosso favor deixa muitas dúvidas, pois parece-me que Caneira cabeceia para o braço.
Ao contrário dos jogos anteriores com o Sporting, não entrámos apáticos nem a medo. Fomos pressionantes e dividimos o jogo com o adversário. Este optou por fazer muitas faltas na zona do meio-campo, cortando desde aí a construção equilibrada do jogo portista. Para além disso, foi notória a intenção, por parte de Derlei e Djaló (principalmente o primeiro), desde o início, de fabricar livres à medida de Rochemback. Qualquer marcação em cima, qualquer contacto perfeitamente normal era aproveitado para cair em busca da falta.
O remate de Lucho ao poste foi a primeira e única ocasião de golo dos primeiros 44 minutos. Depois, veio ao de cima aquilo que já se evidenciou por diversas vezes: a incrível sorte que o Sporting tem tido nos jogos contra nós e a incapacidade de termos um médio-defensivo que faça esquecer Paulo Assunção. O golo do Sporting, marcado em tempo de compensação, é o resultado desses dois factores. Primeiro, Guarín tem uma deficiente abordagem a Romagnoli, sendo muito macio na forma como deixa o argentino ganhar o lance. Segundo, aquele passe, encontra a perna de Benitez, que, sem querer, a coloca nos pés de Djaló. Este e outro jogador do Sporting estão sozinhos perante um defesa do FCP, mas é preciso não esquecer que o passe de Romagnoli não ia para ali e a defesa portista acompanhava um jogador do Sporting que, não fosse o ressalto em Benitez, iria receber a bola.
Era claramente injusta a vitória do Sporting ao intervalo, mas ela passou a ser justa, na minha opinião, quando fazem o 2-0, fruto de erros que eu pensava já não serem possíveis no FCP. Sapunaru é o nome do "réu" e eu espero que tenha sido apenas um dia muito mau do romeno. É óbvio que a partir do momento em que oferecemos assim um golo e eles têm defesas que não têm a "gentileza" de o fazer a nós, o Sporting passa a justo vencedor.
Falar de Jesualdo é também necessário, porque a colocação de Farías no meio e de Lisandro na linha foi um tiro no pé. Falar a posteriori é fácil, mas este filme já foi visto anteriormente. Creio que Hulk reunirá, neste momento, melhores condições de ser primeira opção, em vez de Farías. O brasileiro entrou numa fase de descrença geral da nossa equipa (Lucho, por exemplo, "desapareceu" depois do penalti falhado) e foi ele (a par de Candeias), com algum individualismo à mistura (mas tinha de ser!), e manter-nos à tona da água. À sua conta lembro-me de pelo menos três remates perigosos para defesas de Rui Patrício (grande exibição).
Voltando à posição de médio-defensivo, acho que Guarín não reune condições para a desempenhar, pois, apesar de correr muito, parece que nunca está no sítio necessário para cortar os lances adversários. Por vezes a bola parece-lhe um corpor estranho e erra passes muito fáceis. Começo a perceber por que jogou tão pouco no St. Étienne. Fernando pode ser hipótese para aquele lugar, ou até Raul Meireles, com a entrada de Tomás Costa, um jogador de qualidade e com um pulmão inesgotável. Nas laterais, talvez fosse altura de entrar Fucile, um jogador rotinado com a equipa, a questão é saber para que lado. Crucificar Sapunaru já, retirando-o da equipa seria demasiado cruel. Tirar Benitez, que tem estado bem, na minha opinião, também soa a injustiça...
Tenho fé que já contra o Belenenses a equipa vai dar uma resposta positiva a começar a caminhada para o TETRA. É bom não esquecer que Sektioui ainda está de fora e que - nunca pensei dizer isto - temos de contar Mariano Gonzalez.
Os jogos "a sério" estão quase a começar e, em função do que vi este fim de semana, tanto o FCP como os seus rivais lisboetas estão a melhorar (no caso do clube da gaivota era difícil fazer pior).
O nosso Porto
Tem o 11 quase "fechado", sobrando apenas a incógnita Quaresma.
Na baliza estará o Hélton (e, quanto a mim, sem discussão).
Na defesa, os centrais serão os do ano precedente, Bruno Alves e Pedro Emanuel, embora me encha de satisfação saber que a primeira opção do banco é o Rolando e não o desastrado do Stepanov.
Nas laterais temos surpresas: na direita o romeno Sapunaru ganhou o lugar porque é discreto, sólido a defender e joga bem de cabeça; na esquerda, o argentino que não parecia grande coisa cresceu muito com os jogos amigáveis - este lugar é do Benitez. O Fucile vai ter que aguardar e o Lino passará mais um ano entre o banco e a bancada porque é um defesa que ataca melhor do que defende.
Sem surpresas, a única coisa que faltava saber era quem ocuparia o lugar do Assunção. O Jesualdo parece certo na sua aposta no Guarin - eu, devo confessar-vos, apesar do seu poder físico, da capacidade de aparecer no ataque e das semelhanças com o saudoso Emerson (um luso-brasileiro que veio do Belenenses para brilhar no nosso clube), considero que o colombiano ainda não mostrou merecer a distinção. O resto das vagas, claro, são do Meireles e do intocável Lucho Gonzalez. No que respeita à posição 6, descartando o Bolatti (a maior desilusão dos últimos 2 anos), eu apostaria na adaptação daquela espécie de Maniche com ar de refugiado da Etiópia - o Tomás Costa - ou no jovem Fernando.
O ataque é um sector que conta agora com mais e melhores soluções: o Lisandro é indiscutível e, pelo que já mostrou tanto no SLB (otários...) como nos jogos de preparação, o Rodriguez também. A outra vaga será do Quaresma ou, na eventual saída deste, do Mariano (que tem melhorado mas não me convence). Restam ainda soluções como o Farias (um homem a precisar de jogos) e o Hulk, que mostrou capacidade técnica, força e vontade de marcar a sua posição, ainda que a ansiedade esteja a transformar o seu jogo num monólogo. Nas alas teremos ainda o marroquino Tarik e o jovem Candeias (que não me parece ser melhor do que Hélder Barbosa, que foi mais uma vez emprestado...). Não sei quando volta o Rabiola mas duvido que seja homem para jogar mais do que uns minutos na Taça de Portugal ou na Taça da Liga.
Os outros
O Sporting
Está quase igual ao ano precendente. Voltou o Rochemback e com ele voltaram os livres directos, o excesso de peso e as birras. Se não sair ninguém do meio-campo (Moutinho ou Veloso) mais tarde ou mais cedo o verniz vai estalar. A adição do Postiga é, a meu ver, mais uma oportunidade para um jogador talentoso mas indolente. E as suas exibições da pré-temporada têm confirmado isso: entre ele e o Tiui nem dá para distinguir. Em compensação, o Djaló parece estar com a corda toda.
Resumindo: com a adição do Rochemback terão ganho a oportunidade de marcar golos de livres directos e o Caneira é um faz-tudo útil para quem tem dois laterais medianos e um GR que não dá segurança a ninguém. Têm mais opções no meio campo e no ataque, mas é mais em quantidade do que em qualidade. E deixar o Vukcevic de lado é algo que só faz sentido naquela cabeça de risco ao meio.
O Benfica
A limpeza de balneário do espanhol vai certamente criar uma nova onda de entusiasmo, mas convirá dizer que o SLB investiu mais este ano do que nas últimas 3 ou 4 épocas juntas. De onde veio o pilim, dado que as vendas deste ano são quase nulas, ninguém sabe. E não é com kits que se vai buscar dinheiro para pagar Aimares e Reyes... Cheira-me a fuga para frente.
Seja como for, descontando a desgraçada defesa, que continua entregue à liderança desse embuste chamado Luisão, mesmo perdendo 2 dos 3 melhores jogadores da época 2007/2008 (o Rui Costa, o Rodriguez e o Cardozo), o benfas melhorou.
No meio campo, a posição 6 vai ser um problema: entre o armário francês e o imprudente Bynia, as escolhas não são muitas - na verdade, o melhor deles todos é o "central" grego. Bom mesmo foi livrarem-se do pagamento dos salários do Petit.
Mais para a frente, o Carlos Martins e o Ruben Amorim disputarão a vaga (no 4-4-1-1 jogarão os dois). O lugar de "10" organizador é do Aimar, quando o Quique perceber que é um desperdício ter um jogador daqueles perdido nas costas do ponta-de-lança.
No ataque, já deu para ver que o Balboa é um Taument mais jovem, que o Reyes vai preencher o lugar esquerdo (ou o lugar de "falso" avançado sempre que jogarem em 4-4-1-1) e que o lugar da frente é do Cardozo. Na hipótese de 4-3-3, não sei se espanhol apostará no Balboa ou no Di Maria.
Conclusões
Seja como for, a ideia com fiquei é que estão todos mais fortes do que em 2007/2008 e que o Guimarães estará mais fraco (e sem o "factor surpresa" a seu favor). Mas, com mais soluções e mais equipa, como de costume, estamos nós, a caminho de mais uma vitória.
Luís García está quase. Miccoli e Smolarek podem ressuscitar. Luís Garcia já esteve mais perto. Veloso quer pôr-se ao fresco. Carlos Martins gosta de sumir do jogo, desculpem, de assumir o jogo. Luís Garcia, será desta? Moutinho quer dar de frosques. Aimar continua a encher de água a boca dos benfiquistas (não se afoguem). Quique Flores dá exemplo de Valência (também ficou em quarto, parece-me bem). Já disse que Luís Garcia pode ser hoje? Ou não?
Entretanto, houve um clube vestido de azul-e-branco e campeão por três vezes nos últimos três anos que ganhou o Torneio Internacional de Braga de forma categórica, ainda fazendo experiências (como outros...), mas demonstrando já solidez e capacidade para vencer adversários medianos (que outros não conseguem vencer...).
Chegados a esta fase, e após ter visualizado a maior parte dos jogos de pré-época, deixo aqui algumas linhas sobre os reforços, correndo o risco de me contradizer em relação a análises prévias. Mas "isto é mesmo assim", as opiniões vão evoluindo, assim como os jogadores também o fazem, para o bem e para o mal. Então, é assim:
Sapunaru - Não é um Bosingwa (quem consegue ser?), mas tem a vantagem de ter mais massa encefálica do que o grande José. Pode ser o titular da equipa. Alto, forte no choque, parece-me um jogador que interpreta bem o dois-contar-um. Deve ganhar velocidade.
Rolando - Não ainda não o vi dar barraca como outros jovens promissores contratados por 4ºs classificados a peso de ouro. Rolando está a ganhar confiança e, para já, revela saber sair a jogar sem recorrer ao pontapé "à Ramaldense". Será a primeira opção para entrar quando Pedro Emanuel não puder, já que Stepanov não serve.
Benitez - Tem mostrado um crescendo exibicional que me agrada. O seu último jogo, contra o Leixões, foi o melhor (apesar de os comentadores da SporTV terem o texto decorado para uma opinião diferente), revelando capacidade de marcação em cima (com recurso exagerado à falta, é certo, mas esse é um aspecto que saberá melhorar) e boa utilização do pé esquerdo ao nível do passe e do remate. Para já, prefiro-o a um Lino que simplesmente... não sabe defender.
Fernando - Continuo a achá-lo o candidato mais sério à substituição de Paulo Assunção. Ainda vai evoluir muito, mas já demonstra capacidade de preencher defensivamente os espaços (coisa que Bolatti, por exemplo, não sabe fazer) e sair com a bola bem jogável. A questão é que com tantas soluções ao nível do meio-campo, haverá espaço para fazer evoluir Fernando? Ou será melhor emprestá-lo mais um ano para que possa definitivamente impor-se para o ano, mais experiente?
Guarín - Fez um péssimo jogo contra o Leixões e deitou por terra tudo o que se tinha dito de bom deste colombiano. Não o vou julgar apenas por este jogo, mas já deu para perceber que parece o reforço menos enquadrado com o jogo europeu, no qual pensar e executar rápido são atributos essenciais.
Tomás Costa - Ora aqui temos, provavelmente, uma versão argentina do "Maniche" dos bons velhos tempos. Disponibilidade física, rapidez, entrega, capacidade de passe (longo, inclusive), bom remate de fora da área. Tomas Costa leva a dianteira sobre Guarín, neste momento, e se quisermos pensar num jogador "à Porto", podemos olhar para este argentino.
Rodriguez - É preciso dizer alguma coisa?
Hulk - Duas meias partes é muito pouco para se fazerem juízos definitivos, mas o que de positivo parece ressaltar deste jogador é a capacidade de drible com o pé esquerdo (não há muitos que façam o que ele fez ao GR do Cagliari), velocidade em explosão, remate potente. De negativo, até agora, um exagerado apego à bola, típico de quem tenta provar imediatamente que é grande e que mereceu o investimento nele feito. Calma, incrível Hulk, sabemos o que vales.
Tengarrinha - Vi pouco dele, mas pelo menos não se atrapalhou com a bola.
Candeias - Faz da rapidez a sua principal arma, mas tem que meter na cabeça que os adeptos do FC Porto não querem um Quaresma-wannabe, mas um Candeias que ponha em campo todas as suas qualidades. E parecem-me ser muitas.
Quaresma é provavelmente o primeiro jogador do FC Porto que me suscita opiniões completamente antagónicas. Por um lado, o grande jogador de futebol que é, um marcador de golos impossíveis, um assistente para golos mais que possíveis, um mágico ao nível de outros que passaram pelo clube. Por outro, o homem arrogante, pouco receptivo a críticas, pouco solidário, indisciplinado. Não sei se o próprio Quaresma já reparou, e isto é fácil de perceber percorrendo a blogosfera e os fóruns portistas, mas os portistas em geral estão neste momento mais preocupados com uma eventual saída de Lucho Gonzalez do que com a sua. Isto devia fazê-lo pensar um bocadinho, e chegar à conclusão que não é tão indispensável como se calhar pensa que é. A memória dos jogadores por vezes é curta, mas os portistas lembram-se bem de quem era Quaresma quando foi resgatado ao Barcelona. Quaresma fazia já parte da extensa lista de falhanços que o futebol português produziu por essa Europa fora e preparava-se para entrar no extenso rol dos esquecidos. O FC Porto tirou-o da penumbra e deu-lhe as condições para que o seu futebol voltasse a brilhar. Eu espero sinceramente que Quaresma encontre um clube que lhe permita fazer o que de bom ele fez no FC Porto, um clube que o acolheu, mimou e aturou. Duvido muito que encontre esse clube na Europa, principalmente ao mais alto nível, como é o caso do FC Porto. Deixo-vos com três momentos sublimes do Quaresma que todos gostamos (uma produção de DRubio992, no You Tube):

Clique na imagem e bisualize melhor!
1. Os juniores do FCP e do Valência já jogavam quando entrei no estádio, que ainda mostrava pouco público nas bancadas. Gostei do número 10 e do 11, Josué e Diogo Viana, respectivamente. O primeiro é um tradicional distribuidor, com pé esquerdo, talentoso, e com visão de jogo. O segundo, o tal que veio do Sporting, incluído no negócio Postiga, é muito rápido, tem boa finta em progressão e mostra capacidade nos livres directos. Do novo ponta-de-lança checo, Jakubov, pouco vi, já que lhe chegou pouco jogo. O Valência evidenciou uma capacidade física muito superior à nossa e aí esteve grande parte do mérito da sua vitória.
2. A apresentação do plantel ocorreu já depois da tradicional "Dança do Dragão" e de um ritual efectuado por Jesualdo Ferreira junto do bicho. Não sei se aquilo vai dar sorte, mas é sempre melhor do que ter uma ave de rapina esfomeada a pousar sobre um naco de carne.
3. Gostei da forma como os jogadores foram apresentados, por sectores, saindo dos acessos das bancadas e descendo pelas escadas em direcção ao relvado. Assim, poupou-se tempo e deu-se oportunidade aos adeptos de mandar uns cachaços aos jogadores. O relvado estava bem decorado, com bandeiras e um globo terrestre simbolizando a universalidade deste FC Porto, com adeptos nos quatro cantos do mundo.
4. Havia quem esperasse uma surpresa, um jogador contratado à última hora, uma estrela capaz de incendiar as bancadas, mas tal não aconteceu. O que não quer dizer que não vá acontecer, uma vez que Quaresma ainda cá está (e não acredito que fique) e o fecho das inscrições para a próxima época ainda vem longe.
5. O jogo, para início de época, foi agradável. A equipa confirmou aquilo que já escrevi sobre ela, mostra muita qualidade individual, mas ainda pouco entrosamento. Dominámos o jogo, criámos oportunidades, falhámos na hora da finalização. Em suma, estamos a aquecer os motores. O Celtic foi um excelente adversário em termos competitivos pois exigiu o máximo dos nossos jogadores. Os destaques positivos, neste jogo, na minha opinião: Sapunaru, Rodriguez, Lucho e Bruno Alves. Os menos positivos: Bolatti e Farías.
6. Apesar da derrota, o jogo acabou com os aplausos dos mais de 40 mil que se deslocaram ao Dragão. Os adeptos percebem que perder na pré-época não é alarmante, quando a equipa mostra saúde e qualidade. Agora que vêm aí os primeiros troféus (Torneio Internacional de Braga e Supertaça), Jesualdo deverá começar a formatar o 11 titular.
7. Esse onze, numa perspectiva de 4-3-3 e com todos os jogadores de perfeita saúde, deveria ser o seguinte, na minha opinião: Helton, Sapunaru, Bruno Alves, Pedro Emanuel e Fucile; Guarín, Raul Meireles e Lucho; Tarik, Lisandro e Rodriguez. Num cenário de 4-4-2, a entrada de Fernando e o adiantamento de Guarín poderia ser uma hipótese, bem como a entrada de Tomás Costa para médio-direito e a manutenção de Guarín na posição 6. A extrema disponibilidade física de Rodriguez também possibilita o seu recuo para a linha de 4 médios e a inclusão de Farias ao lado de Lisandro. Acima de tudo, parece ser uma evidência que este plantel é mais versátil do que o do ano passado, mostrando que é possível termos um banco de qualidade.
PS - A Bola de sábado informou-nos, na primeira página, que Pablo Aimar deixou água na boca (dos benfiquistas, suponho eu). Ontem, naquele jogo de solteiros contra casados, fiquei sem perceber a razão de tal deslumbramento. Os comentadores da SIC, esses estavam muito preocupados em despachar o Edcarlos, que, lembre-se, foi mais uma das contratações estrondosas da época passada. Mas voltarei ao quarto classificado oportunamente. Porque é divertido.
Independentemente das exibições individuais, umas mais conseguidas do que outras, aquilo que mais me agradou nos dois jogos e meio que vi do FC Porto foi a subida gradual de dinâmica e rotinas de jogo, acompanhada de uma crescente evolução ao nível físico. Então, do jogo com o PAOK (de que vi apenas a segunda parte) para este último, com o Bochum, essa diferença foi notória.
A primeira coisa a observar neste FC Porto 2008/2009 é a variedade de soluções existentes no meio-campo, vertente em que tínhamos alguns problemas na época passada. Não só temos jogadores de qualidade, como jogadores capazes de desempenhar mais do que uma função no meio-campo. Tomás Costa e Guarín são exemplos disso mesmo. Depois, há Fernando, para mim, o futuro médio-defensivo da equipa. Se o vai ou deve ser já esta próxima época é uma questão a debater, até porque Guarín parece ser um candidato muito sério à posição, e ter Fernando "encostado" pode ser um desperdício de que não nos podemos dar ao luxo.
Na defesa, a inclusão de Sapunaru e Rolando trazem qualidade, mas exige-se ainda uma adaptação a um clube com a dimensão do FC Porto. Benitez é visto com alguma reserva pois não se mostrou muito profícuo em termos atacantes. Eu lembro que um defesa é para... defender, e nem todos podem ser "Bosingwas". Demos o necessário espaço a este argentino. Lino é que parece ter acordado e, com o livre directo ao Bochum, marcou pontos importantes para assumir a titularidade. O problema é que Lino não provou ainda ser um defesa seguro, e nesse aspecto, Fucile leva vantagem. Voltando ao centro da defesa, continuo a não acreditar em Stepanov. Parece-me um claro erro de casting. Numa altura em que Pedro Emanuel começa a aproximar-se do ocaso da sua carreira, esta pode ser a oportunidade de Rolando se afirmar.
No ataque, Lisandro e Rodriguez parecem-me titulares indiscutíveis, e Farías uma boa opção para jogar na área. Sektioui vem aí e, apesar de esquecido por muitos portistas, para mim, é um jogador com que temos de contar pela qualidade e capacidade de sacrifício. Com Quaresma de abalada, Candeias pode encontrar o seu espaço no plantel, e tendo em conta o que pouco que vi nele, acho-o com qualidade para fazer parte do grupo. Mariano Gonzalez também espreita um lugar no onze, mas continuo a dizer que falta algo a este argentino, que no mesmo lance mostra qualidade e logo a seguir deita tudo a perder. Um caso estranho. Entretanto, espera-se a tal surpresa de que falou Pinto da Costa. Será Miccoli?
O jogo de hoje foi, pelo menos para mim, a primeira oportunidade de ver em acção a equipa que estamos a preparar para 2008/2009. Foram 90 minutos jogados por muita gente, o que raramente permite que o encontro se desenvolva com na perspectiva do melhor resultado, mas deu para ficar com uma ideia do que nos espera. O adversário era bisonho, também fez muitas mudanças, mas acabou por ser feliz. De qualquer forma, o que constava do placard final não era por certo aquilo que preocupava o Jesualdo.
Antes de avançar, gostaria de chamar a atenção para o facto de, a nível interno, nem sequer ser preciso fazer grandes aquisições para fazer frente às exigências do SLB e do SCP. Afinal, para já, o Porto perdeu apenas 2 elementos do 11 inicial de 2007/2008 - Bosingwa e Assunção. E, se é verdade que a posição de médio defensivo é crucial para o equilíbrio da equipa, ficaria muito mais preocupado se saísse o Lucho ou o Lisandro. Quanto ao Quaresma, se for por "bom dinheiro" (mais de 25 milhões de euros) acho que o Porto o deve deixar sair. Afinal, deve ter sido para isso que o Rodriguez foi contratado.
Quero com isto dizer que, para vencer a Liga, bastaria o que tínhamos, com as limitações/perdas que todos conhecem. O Benfica perdeu o Rodriguez e, sobretudo, o Rui Costa - falta saber se o Aimar valerá o que pagaram por ele, porque os outros, exceptuando o Rubem Amorim, são gente que não acrescenta nada. O Sporting recuperou o Rochemback mas o brasileiro só é opção se o Veloso saltar fora do 11. O Caneira é uma contratação assim-assim (dá para tapar furos à esquerda ou ao centro), o novo GR deve ser para encostar e o Postiga vai continuar a ser aquilo que sempre foi - um desperdício de talento.
As minhas primeiras impressões, em função do jogo de hoje e das entradas/saídas:
A defesa
À direita, o Bosingwa deixará saudades, mas o Fucile não compromete e tenho fé no que poderá fazer o reforço romeno. Na esquerda, trocamos o frágil Cech por um Benitez que é uma incógnita a cheirar a Mareque - se se confirmar que o Lino não tem nível para o FCP teremos um problema sério. Na baliza está tudo pacífico: o Hélton nunca será um Vítor Baía mas é um GR de qualidade. O Nuno não dá barraca quando é chamado, nem arma confusão no balneário e o jovem que ocupa a terceira vaga dificilmente jogará. No centro, acredito que o Rolando será uma opção com futuro (imediato?), mas com o Pedro Emanuel a aproximar-se do fim e o Stepanov a demonstrar permanentemente que é um "enterra" só sobra como certeza o Bruno Alves. Seria boa ideia recrutar mais alguém para esta posição.
O meio-campo
A "fuga" do Assunção foi uma grande perda e, talvez, uma das grandes falhas da gestão do Porto nos últimos anos. Mas, por outro lado, abrirá a oportunidade para afirmação (?!) do Bolatti ou até do Fernando, um jogador por quem nutro alguma simpatia dada a sua forma empenhada mas discreta de actuar. Parece-me que a experiência de hoje, com o Guarin naquela posição, foi um flop total para a equipa e para o jogador, que só mostrou alguma coisa quando, na 2ª parte, começou a actuar em terrenos mais avançados.
Se nada acontecer no mercado de transferências, o Lucho tem lugar cativo, independentemente do sistema adoptado, mas parece-me que o Meireles, um dos meus preferidos, pode ter a vaga em causa. E o primeiro candidato chama-se Tomás Costa, um médio igualmente franzino mas com muita rotação e garra. Quem referiu que este gajo era lento deve estar equivocado. O que acontecerá ao resto da malta do meio campo já é mais difícil de antever: Guarin e Mariano serão suplentes no 4-3-3 mas Rodriguez será sempre opção no mesmo 4-3-3 (com Quaresma ou sem Quaresma) e uma certeza absoluta no 4-4-2. Quanto ao Tengarrinha, nunca vi jogar.
O ataque
Aqui só existe uma certeza embora seja uma benção continuar a contar com um jogador assim: o Lisandro é o melhor avançado do campeonato português e um dos melhores a actuar na Europa. Por outro lado, se o Quaresma ficar, as possibilidades do 4-4-2 falhar são maiores. Aliás, a aplicação do 4-4-2 prejudica ainda mais o outro extremo que temos, o Tarik - com este arranjo táctico e a opção "Cebola" o banco é o destino mais certo do marroquino. Por seu turno, Farias ganhará por certo um lugar no 11 inicial caso seja adoptado o sistema 4-4-2. Quanto aos restantes: não sei o que valem o Candeias nem o Rabiola e o Alan não é jogador para o Porto. Se ninguém sair, a surpresa prometida pelo PC terá que ser alguém para este sector.
Quanto aos que saíram, discordo do empréstimo do Hélder Barbosa e da reincidente cedência do Paulo Machado. Nenhum dos dois teve ainda o número de oportunidades que merece. Os outros serão certamente mais felizes noutro lugar (Kaz, Vieirinha, João Paulo, Bruno Gama, Postiga e Cech) ou terão a oportunidade de ganhar experiência competitiva e mostrar que poderão ser opções no futuro (Leandro Lima, Rui Pedro, Castro e Edson). O Bosingwa, claro, contribuiu, uma vez mais, para demonstrar algo que é uma verdade inegável: o Porto valoriza os seus activos melhor do que o SLB e o SCP. O Benfica não tem presentemente ninguém que valha dinheiro a sério (o Aimar tem quase 29 anos e acabou de chegar; pode ser que o Cardozo venha a render, mas para já ninguém lhe pega). Quanto ao Sporting, afinal, tanta gente queria o Moutinho e o Veloso... mas ninguém se chega à frente.
Ontem, toda a imprensa digital dava conta da satisfação dos advogados do Benfica e do Guimarães à saída da reunião no TAS. No entanto, nos textos que desenvolviam a notícia liam-se críticas à UEFA. Paulo Gonçalves, do Benfica, dizia mesmo "UEFA navega contra os seus próprios estatutos", numa demonstração de prepotência e arrogância tão típica do clube que representa, como se se achasse no direito de dar lições ao organismo que gere o futebol na Europa. Não foi preciso muita perspicácia para notar o ar amuado com que o mesmo Paulo Gonçalves fez declarações à TVI, à saída do TAS. A mesma TVI, que fez directos importantíssimos, mostrando-nos, em exclusivo nacional, as janelas do edifício, como se alguma novidade transpirasse para fora através de uma das frinchas. Curiosamente, do representante do FC Porto, nem uma palavra.
Perante aquele cenário, adivinhava-se algo que se veio a confirmar hoje. Os recursos foram rejeitados e o FC Porto continua, justamente, na Liga dos Campeões. Ainda assim, A Bola online diz que estamos "provisoriamente" na Liga dos Campeões, fazendo crer que a coisa ainda não está resolvida. José Manuel Delgado é um homem de fé, há que admitir. Esta barata tonta tem alimentado a sua sanha persecutória ao FC Porto, desdobrando-se em artigos sucessivos dedicados ao seu ódio de estimação. A desilusão deve ser grande, nesta altura. Não bastava terem chamado o 112 para irem a Espanha, agora isto. Não se faz.
(Actualização 1: UEFA ratifica FCP na Champions, diz A Bola)
(Actualização 2: afinal A Bola ainda tem esperança)
Rui Costa tem sido, no tempo que sucedeu à eliminação de Portugal no Euro, o verdadeiro "Dono d'A Bola". O jornal oficioso do quarto classificado tem construído uma campanha de promoção nunca antes vista a uma figura do desporto português. O próprio Rui Costa tem-se posto a jeito deste favorzinho e até já diz umas piadas nas conferências de imprensa. A vantagem que o Benfica tira desta situação é óbvia: o treinador passa quase despercebido, vê a sua imagem protegida e quando a equipa começar a perder o choque entre as expectativas iniciais e a dura realidade será mais atenuado. Quanto ao presidente, esse desaparece do mapa, o que é sempre positivo para qualquer benfiquista que tenha vergonha daquela figurinha deprimente.
N'A Bola de 2ª-feira, faz-se manchete com "Ataque final a Aimar", mas, como ante-título, revela-se que "Rui Costa toma hoje posse como administrador da SAD do Benfica". Num noticiário qualquer de uma das TVs mostra-se a conferência de imprensa do homem, mas a legenda já não diz "Director-Geral" ou "Desportivo", mas "Administrador da SAD". Nas páginas interiores de A Bola, o texto introdutório da notícia diz assim: "Maestro é hoje cooptado, acumulando cargo na SAD com o de director desportivo". Vou tentar fazer uma contabilização de quantas vezes uma e a outra designação são usadas para ver qual delas é da preferência dos jornalistas. O jornal acrescenta à notícia a opinião de Mourinho, que "acredita que ex-jogador vai entender-se bem com Quique." E quando Mourinho fala, a coisa pia mais fino...
Na mesma edição de A Bola, a notícia do arquivamento do "caso da fruta" é quase ficção, atirada para a última página. A diferença entre o destaque dado às notícias da acusação e da condenação pela justiça desportiva, há umas semanas atrás, e a este arquivamento é abissal. Apesar disso, vão-se escrevendo umas verdades: o juiz "entendeu não haver nexo de causalidade entre os factos, uma vez que as perícias não detectaram qualquer atropelo à verdade desportiva." Pois, já sabiamos disso. Aliás, toda a gente sabia disso, mesmo o mais empedernido e acéfalo benfiquista. Chega-se agora também à conclusão de que o depoimento de Carolina Salgado é falso, tendo o tribunal apurado que, por exemplo, a senhora não estava presente quando e onde disse que estava. Espero que alguém se lembre de traduzir esta notícia ao Platini.
N'A Bola de terça-feira, o destaque é dado a Carlos Martins, o por agora apelidado de "ex-prodígio leonino". Digo, "por agora" porque basta-lhe apontar um golo às três tabelas num jogo treino de pré-época contra uns amadores quaisquer para passar a "novo maestro". O próprio "Maestro-Administrador-da-SAD-Director-Geral-Homem-Forte-do-Futebol-Encarnado" diz, em frase atirada para a primeira página: "Pode ser o meu sucessor". A propósito do Tricampeão, há um títulozinho pequenino, no canto inferior direito, sobre o regresso ao trabalho: "Dragão de volta com demasiadas indefinições". Pelos vistos, começamos mal. Ainda bem, mais uma vez, digo eu.
Ninguém bate uma foto de Carlos Martins a segurar uma águia (ou será uma gaivota?*). Diz ele que se sente desejado na Luz e que volta "pela porta grande". Não sei em que é que entrar no quarto classificado, que vai assistir à Liga dos Campeões sentadinho no sofá é entrar "pela porta grande". Mas, se calhar, os dois, jogador e clube, estão bem um para o outro. Carlos Martins é a mais famosa e duradoura promessa adiada do futebol português. O Benfica é o clube que oferece as melhores reformas antecipadas do nosso futebol. Faz sentido.
(*Não sei se perceberam esta da "gaivota", mas eu explico. Ontem, num noticiário qualquer de uma TV qualquer, deu uma reportagem sobre um milionário português radicado no Canadá que cumpriu o sonho de se tornar sócio do quarto classificado. Teve direito a entrar no relvado do cesto do pão e tudo. E teve também direito a fazer-me soltar umas boas gargalhadas. Ao passar pelo túnel de acesso ao relvado, o cicerone benfiquista de serviço pergunta-lhe que símbolo era aquele (era suposto ele dizer "a águia"), ao que o homem, todo orgulhoso responde "É a gaivota!". Já antes tinha brilhado, na conferência de imprensa (sim, ele teve direito a uma conferência de imprensa), quando lhe perguntaram se ainda chorava quando o Benfica perdia, como acontecia quando era criança. Ele respondeu: "Bem, agora, já não choro, porque senão não fazia outra coisa na vida." Divinal!)
A contratação de Cristian Rodriguez é uma grande contratação. Até posso vir a enganar-me, como já aconteceu no passado, mas prefiro falar antes e não vir com o discurso "ah, eu já desconfiava, mas nunca disse". Rodriguez foi um bom jogador que o quarto classificado contratou, o que, por si só, já é notícia. Mas o quarto classificado recusou investir dinheiro neste jogador e garanti-lo a título definitivo, e preferiu utilizá-lo (o dinheiro) na aquisição de Makukula. Agora, aguentem-se à bronca. Se querem incendiar algum meio de transporte para atenuar a vossa fúria escolham o carro do vosso presidentezinho da treta. Ele esbanjou, provavelmente, a melhor contratação dos últimos anos. Repito: aguentem-se à bronca. E, já agora, digam lá que Pinto da Costa está acabado.
A Bola não deu a notícia no próprio dia, preferindo, no dia seguinte, revelar que Rodriguez já tinha acordo com o FC Porto há cinco meses. Eu acho que ele já tinha acordo com o tricampeão nacional mesmo antes de vir rodar, para ganhar ritmo, para o quarto classificado. Haja pachorra para estes jornaleiros! (por falar em jornaleiros, um deles, de uma das TVs, que fez a reportagem sobre o incêndio no autocarro dos adeptos do hepta-campeão, conseguiu orientar a entrevista ao condutor do autocarro para o facto de ele ter estacionado mal o veículo, porque deveria ter ido para o parque de autocarros, e não foi! Enfim...)
Voltando a Rodriguez, ele foi criticado por toda a gente quando fez o primeiro jogo pelo quarto classificado. Eu lembro-me. A imprensa e os próprios adeptos vermelho-garrafão chamaram-lhe gordo e lento. Portistas e sportinguistas gozaram. Por uma vez, estávamos todos enganados. O uruguaio revelou-se ser um jogador rápido, agressivo e talentoso com a bola nos pés e solidário a defender. Em suma, um jogador à Porto. Era óbvio que estava deslocado. Era óbvio que lhe faltava um clube ganhador. E aí está ele, no único clube em Portugal que lhe pode dar condições de se orgulhar ser futebolista, daqueles que ganham títulos.
Esta contratação é também a resposta à saga demente e saloia de um clube que, tendo-se classificado em quarto lugar, quis um lugar na Champions através da secretaria. Curiosamente, esta resposta é dada em campo, através da contratação de um jogador que o quarto classificado não quis. E vai continuar a ser assim, em campo, com os melhores jogadores, o melhor treinador, a melhor organização. Por muito que doa aos gloriosos decadentes.
A nível interno, pode esta contratação significar o adeus a Quaresma, facto para o qual a maioria dos portistas, julgo, já estão preparados. Perderemos um jogador que deu muito ao clube, sim, mas cuja atitude já não se coaduna com os valores do FC Porto. Ganharemos um reforço para o regresso do 4-4-2 que tantas saudades deixou. Bem-vindo, Cebola!
O FC Porto está na Champions League da próxima época, no lugar que lhe pertence por mérito próprio. Ainda hoje o quarto classificado enviou para a UEFA uma missiva a queixar-se de João Leal. Pode agora o quarto classificado continuar a sua cruzada de "queixinhas" na UEFA. Pode o seu advogado, João Correia, continuar a dizer que a decisão anterior (de voltar tudo à 1ª instância) foi uma vitória do quarto classificado. Podem mandar o Chalana fazer greve de fome à porta da UEFA. Podem pedir a Carolina que escreva mais um livro. Estrebuchem, berrem, cubram-se de ridículo, que nós cá estamos para nos divertirmos. Uma coisa é certa: a Champions League livrou-se do quarto classificado do campeonato português.
A desorientação vermelhusca é evidente. Com blogues a anunciar "em primeira mão" a confirmação do afastamento do FC Proto da Liga dos Campeões, com jornais a opinar sobre a tarefa quase impossível que se colocava ao TriCampeão Nacional, é natural o desespero. Agora, é João Leal que mudou a opinião (a anterior estava certa, suponho), agora é a UEFA que deve ter lá alguém corrupto. Enfim...
Ao contrário do que essas galinhas sem cabeça dizem, que "hoje nada ficou decidido", hoje, na realidade, ficou decidido que a primeira decisão foi revogada, ou seja, foi anulada. Esta foi a decisão. A guerra continua dentro de momentos...
Não tenho por hábito fazer posts quase exclusivamente compostos por textos de outro sites, mas este justifica-se porque era precisamente o que aquilo que tinha em mente escrever. Cá vai:
Comunicado da F.C. Porto – Futebol, SAD
A F.C. Porto – Futebol, SAD emitiu esta sexta-feira um comunicado, no qual comenta as declarações de ontem do presidente do SLB e que foram difundidas na respectiva página oficial.
COMUNICADO
Face ao elenco de afirmações supostamente proferidas pelo sr. Luis Filipe Vieira e reproduzidas no site oficial do SLB, o F.C. Porto vem, por este meio, promover os seguintes comentários:
1- Na sequência do que tem sido repetidamente denunciado pelo Presidente do Futebol Clube do Porto, o SLB pretende obter na secretaria, e longe dos palcos do jogo, aquilo que não conseguiu em campo e que constituiu mais um fracasso rotundo na sua deprimente história recente. Depois de ter anunciado com espavento ter reunido a melhor equipa dos últimos dez anos e assumido candidatura firme a todas as vitórias, o sr. Luis Filipe Vieira assistiu à espiral negativa da sua super-equipa, que se fixou no quarto lugar final, a mais de duas dezenas de pontos do campeão, e com o acesso vedado à UEFA Champions League;
2 – Esta é a verdade desportiva da Liga 2007/08. O sr. Luis Filipe Vieira não será capaz de a alterar ou branquear. Ainda menos quem lhe escreve discursos, sopra declarações ou alinhava entrevistas;
3 – O conteúdo publicado na página oficial do SLB pretende exercer uma pressão inadmissível junto do Presidente da Federação Portuguesa de Futebol e junto do Conselho de Justiça da mesma entidade. Esta, de resto, é mais uma demonstração do poder subterrâneo, encafuado e ilegítimo que o SLB tão bem tem tentado utilizar, felizmente que, para quem gosta do futebol no relvado, sem êxitos desportivos dignos de registo;
4 – Ao F.C. Porto compete unicamente continuar a ser melhor, no caso do SLB, muito melhor, que os seus adversários e lamentar que esta pressão, perfeitamente dirigida, contribua em exclusivo para denegrir a imagem internacional do nosso futebol e para enfraquecer o seu impacto. Esta atitude, de resto, surge na linha de mediocridade que caracteriza a acção dos dirigentes daquele clube.
Porto, 06 de Junho de 2008
http://www.fcporto.pt/Info/Futebol/Noticias/infofut_futcomunicadosad_060608_35916.asp
Entre a convicção de que a guerra será ganha, agora que a questão se vai finalmente debater em termos jurídicos (e com gente séria envolvida), ficou a frase que mais me agradou:
"Continuaremos a ter os melhores jogadores, a melhor equipa, a melhor
organização, para continuarmos a ganhar."
Pinto da Costa, SIC, 04/06/08
Sinceramente, estou tranquilo. Se a UEFA nos der um pontapé no butt, o mundo não acabará. Haverá consequências a vários níveis, sim, mas daí ao cenário apocalíptico que alguns querem fazer passar (muitos deles adeptos de um certo clube que ficou recentemente dois anos seguidos fora das competições europeias) vai uma grande distância. Independentemente da decisão da UEFA, estou com muitas expectativas em relação à entrevista do nosso Presidente, amanhã, na SIC. Espero que seja claro e exaustivo em relação a todas as questões que têm rodeado o nosso clube recentemente. Entretanto, soube hoje de fonte bem credível que amanhã o sol continuará a brilhar na cidade do Porto.
PS - O fórum do Portal dos Dragões, o espaço de maior e de melhor partilha sobre os assuntos do FC Porto, foi desactivado. "Oportunamente serão facultadas informações adicionais", diz-se no portal. Temos pena.
Hélder Postiga foi provavelmente, depois de Domingos, o avançado vindo das camadas jovens em quem o mundo portista depositou maiores esperanças. Para quem o viu, como eu, num já longínquo FCP-SLB em juniores (6-0), fazer gato-sapato da defesa benfiquista, Hélder Postiga era uma promessa de futuro craque na equipa principal. Apesar de se ter imposto nas duas primeiras épocas, o que fica presentemente de Hélder Postiga é a ideia de uma espécie de Nuno Gomes, mais refinado tecnicamente, é certo, mas com a mesma vocação para… falhar.
Postiga vai para o Sporting e, sinceramente, acho que foi um bom negócio para o FC Porto. Só não digo que foi um GRANDE negócio porque não sabemos aquilo que poderá dar o Diogo Viana. Para já, uma coisa é certa: 2,5 milhões por 50% do passe de um jogador a quem já foram dadas todas a oportunidades (apesar de, nesta época, ele se ter queixado precisamente do contrário (!!!)) é muito bom. Ainda para mais quando se conhece o alto salário de que o jogador auferia no FC Porto (fala-se de uns pornográficos 120 mil…).
Não estou preocupado com o facto de o destino dele ser um dos nossos rivais. Sinceramente, até acho pouco provável que, com um Derlei em forma, Paulo Bento dê a titularidade a Postiga. E depois ainda há o Djaló, que é bem mais rápido e voluntarioso que o ex-portista. Se ele triunfar no Sporting, há que encarar isso com naturalidade. O futebol é um mundo de motivações e riscos. O Sporting arrisca e Postiga pode sentir-se mais motivado a correr em campo.Tudo pode acontecer.
Quanto ao FC Porto, e falando unicamente do ponto de vista desportivo, a saída de Postiga alivia um pouco o contingente de avançados-centro (ou pontas-de-lança, se quiserem) que lá temos, mas ainda é preciso definir mais algumas coisas. Quem poderá acompanhar Lisandro e Farias no FC Porto 2008/2009? Adriano, Rentería, Bruno Moraes, Edgar e Rui Pedro esperam decisões…

A rescisão de Paulo Assunção é uma má noticia. Perdemos um dos esteios deste TRI-campeonato, um "low-profile" que muito contribuiu para os êxitos mais recentes da equipa. Um jogador que fez esquecer Costinha e que Lucho e Licha, por exemplo, qualificaram como "o melhor jogador do campeonato".
Está instalada a discussão por essa blogosfera e foruns portistas. Por um lado, defende-se o jogador, apelidando de incauta, no mínimo, a SAD portista, que foi incapaz de lhe dar a mesmas condições salariais de outros jogadores do clube (porventura até menos utilizados...). Acusa-se o clube de um erro crasso ao mesmo tempo que se compreende que um jogador, prestes a fazer 28 anos, queira fazer o contrato da sua vida. Por outro lado, apelida-se o jogador de Judas, um traidor ao clube que lhe deu uma segunda oportunidade e fez dele o que ele é hoje, ainda para mais depois de declarações recentes do seu agente, que adivinhavam que tudo iria ser resolvido a bem da duas partes. Sinceramente, sem uma posição oficial por parte da SAD (que apenas publicou no site oficial uma declaração objectiva sobre a questão), acho que não vale a pena entrar, para já, em cenários extremos, quer de condenação do jogador quer da SAD do FCP. Esperemos para ver. Uma coisa é certa: perdemos Paulo Assunção, tal como um dia perdemos André, Emerson, Paulinho Santos, Doriva, Paredes, Costinha,... e sempre soubemos dar a volta por cima e substituir este grandes jogadores.
Uma boa parte da discussão sobre este caso prende-se também com a possibilidade, segundo alguns, de o jogador ter um compromisso já antigo com o quarto classificado. À luz da famosa "lei Webster", o jogador terá de iniciar a próxima época no estrangeiro, mas mesmo neste ponto as opiniões divergem.
Eu estou mais preocupado com a saída do Paulo Assunção do FCP do que com a ida do Paulo Assunção para o benfiquinha, clube cujas experiências passadas com jogadores do FCP foram um verdadeiro fracasso. Mas, pondo esta mera hipótese em cima da mesa (na qual eu não acredito), o que passaria pela cabeça de um jogador, na plena posse das suas capacidades mentais, ao fazer semelhante troca? Para não falar no facto de que não acredito que o quarto classificado estivesse em condições de dar ao jogador aquilo que o FC Porto se recusou a dar...
[Actualização: o Estilhaço, do Bibó Porto, Carago, tomou a iniciativa e converteu o post num documento .pdf para todos guardarmos e divulgarmos. Um obrigadão do tamanho do TRI ao Estilhaço. O documento está aqui: CSI_Calabote]
Todos nós já ouvimos falar do caso Calabote. Conhecem-se alguns factos, emitem-se algumas opiniões e fazem-se juízos de valor, muitas vezes baseados em pressupostos falsos. Poucas pessoas sabem, com precisão, o que envolveu este caso que resistiu à passagem do tempo e ainda hoje é referido em várias discussões de futebol. É preciso não esquecer que tudo isto aconteceu há 49 anos, daí ser natural que muita informação se tenha perdido no tempo, muitos dados tenham sido alterados e outros mesmo omitidos, de acordo com algumas conveniências.
Este foi apenas um exemplo do que os benfiquistas querem a todo o custo negar. As evidências estão aqui, é só ter a coragem de as assumir. E no meio de tudo o que vão ter a oportunidade de ler, o árbitro era a questão menor. Não inocente, mas efectivamente menor. O Benfica tinha um ascendente sobre os clubes mais pequenos, controlando-os, fazendo o que bem entendesse, tanto a nível de treinadores como de jogadores. Este ascendente estendia-se aos jornalistas, sempre prontos a defender o seu clube de coração e a criar mitos (como ainda hoje se verifica). Há muitos blogues benfiquistas que se têm dedicado a, segundo eles, repôr a verdade (deles), atribuindo a Calabote o estatuto de história quase ficcionada. O que esses textos que abundam na net (e um célebre *.pdf que o Benfica colocou no seu site) não contam é a história “para além” de Calabote. A história que aqui poderão ler, na íntegra.
O título desta rubrica é CSI – Calabote Scene Investigation, aludindo ao nome de Inocêncio Calabote, um árbitro de futebol. Mas o âmbito deste trabalho vai muito para além deste homem. De facto, como já disse antes, a questão do árbitro que esteve no Benfica-CUF de 1959 é apenas um pormenor, como terão oportunidade de constatar. O conjunto de textos que a partir de hoje se publicam no Pobo do Norte resultam de uma leitura atenta de jornais da época. Quem não acreditar no que aqui se escreve, tem onde comprovar.
CSI – Calabote Scene Investigation (I) - Contextualização
Estamos na época de 1958/1959. Na 25ª jornada do Campeonato Nacional da 1ª Divisão, o Sporting vence o Benfica por 2-1, deixando o FC Porto à frente da classificação a uma jornada do fim. No entanto, Benfica e Belenenses ainda têm um jogo para disputar entre si. Eis a classificação:
1º FCP – 25 jogos – 39 pts. (78-22)
2º SLB – 24 jogos – 38 pts. (70-18)
3º Belensenses – 24 jogos – 35 pts. (62-25)
4º SCP – 25 jogos – 31 pts. (49-26)
A 19 de Março de 1959, Belenenses e Benfica repetem o jogo que tinha sido anulado por ordem da Federação devido a erros técnicos do árbitro em prejuízo do Belenenses. Na altura do jogo anulado (1 de Fevereiro de 1959), o SLB comandava o campeonato com mais 3 pontos que o Belenenses e mais 4 que o FCP. O Belenenses protestou o jogo. Sendo contrariado pelo Conselho Técnico da Federação, recorreu para o Conselho Juridiscional, que considerou procedente o protesto e anulou o jogo. Recorde-se que a grande rivalidade da época era entre o Benfica e o Belenenses.
Ironia do destino: O Belenenses, que, na altura do primeiro jogo, poderia aspirar seriamente ao título se tivesse ganho (o que não aconteceu, pois ficou 0-0), agora, na repetição, já sabe que nem com a vitória poderá lá chegar, nem sequer melhorar o 3º lugar que ocupa. Quanto ao Benfica, se ganhar este jogo em Belém, pode passar para primeiro lugar, com um ponto de vantagem sobre o FCP, a uma jornada do fim. No entanto, o resultado verificado é... 1-1! E FCP e SLB entram para a última jornada empatados em pontos, mas com o FCP a superiorizar-se no desempate por goal-average geral, com 4 golos de vantagem: mais 7 marcados que o SLB, mas mais 3 sofridos do que a equipa da Luz. Isto porque no confronto directo entre as duas equipas, a questão está igualada, pois nas Antas registou-se um 0-0 e na Luz 1-1... Conclusão: na última jornada o SLB tem de ganhar sempre por mais de 4 golos de diferença em relação aos números da possível vitória do FCP sobre o Torriense.
1º FCP – 25 jogos – 39 pts. (78-22)
2º SLB – 25 jogos – 39 pts. (71-19)
Note-se que o FC Porto foi considerado arredado do título, tendo estado a 5 pontos do Benfica (numa altura em que a vitória vale 2 pontos...). Mudou de treinador durante a competição, e com Bella Gutman chega à última jornada com uma série de 15 jogos consecutivos sem conhecer a derrota.
De Bela Guttman conhece-se a frase "Se a bola não é nossa, marca. Se é nossa, desmarca”, mas não será esta que ficará para a história. É ele que vai levar o FC Porto à vitória no campeonato, depois de ter chegado a meio da época (1958/1959). É húngaro e antes de vir para o FC Porto, treinou em Itália (AC Milan, entre outros) e no Brasil (São Paulo FC). Foi neste país que implementou o seu sistema revolucionário de 4-2-4 que foi adoptado pelo Brasil na primeira vitória num campeonato do mundo (1958, Suécia). Depois do FCP, seguir-se-á a selecção nacional e o Benfica, ao serviço do qual treinará Eusébio e companhia. Será dele, quando sai do Benfica, a tal frase que o imortalizará: "Sem mim, o Benfica nunca mais ganhará uma Taça dos Campeões Europeus". E nunca mais ganhou.
Voltemos à 26ª e última jornada do campeonato naciona de 58/59. O Benfica recebe a CUF (8º lugar e em risco de ir jogar o torneio de mudança de divisão) e o FC Porto vai ao terreno do Torriense (14º lugar e último, em riscos de descer). Portanto, ambos os adversários dos dois grandes têm muito a perder, jogando uma cartada decisiva para a manutenção na 1ª Divisão.
CSI – Calabote Scene Investigation (II) – A arbitragem
1. Penaltis
No jogo Benfica-CUF, Inocêncio Calabote assinala três penaltis a favor do Benfica. Todos os jornais são unânimes em considerar os penaltis como tendo realmente existido, à excepção do primeiro, que origina o 2-0.
O Mundo Desportivo (23/03/59) diz que "...foi à custa de uma grande penalidade inexistente que os lisboetas conseguiram marcar o segundo tento. Cavem foi de facto obstruído (...) e a falta só exigia livre indirecto." E acrescenta: "Talvez por isso o sr. Inocêncio Calabote tenha tido tanto cuidado na apreciação das faltas dos cufistas evidenciando o propósito de, a ter que se enganar, o fizesse em relação à equipa que nada sofresse com a derrota. Assim podem anotar-se-lhe frequentes erros de julgamento, benefícios do infractor e, para culminar, aquele exorbitante "penalty" que deu o segundo golo dos encarnados."
2. Minutos de compensação
Numa altura do nosso futebol em que apenas se pode fazer uma substituição, Calabote dá alguns minutos de compensação. Há jornais que falam em 3 outros em 4. O Presidente da Comissão Central de Árbitros falará, mais tarde, em 5 ou 6 minutos. Note-se que o jogo já começou oito minutos depois da hora marcada, o que leva a que os jogadores do FC Porto fiquem em campo cerca de um quarto de hora depois do seu jogo terminar ouvindo o relato pelos rádios dos adeptos que acompanharam a equipa a Torres Vedras. O entrar em campo propositadamente atrasado é, portanto, um hábito que vem de longe.
O Mundo Desportivo (23/03/59) considera “exagerado (...) o período de três minutos regulamentar para contrabalançar os momentos gastos em propositada demora pelos cufistas". Este jornal fala de três minutos e na crónica do jogo não há referência a qualquer tipo de anti-jogo ou jogo violento da CUF. No Jornal de Notícias, fala-se em 4 minutos de descontos numa “partida que foi jogada a grande velocidade e sem perdas de tempo”. Só A Bola, na voz de Alfredo Farinha, diz que a CUF “queimou muito tempo”. Alfredo Farinha, sim, esse mesmo...
Estes minutos de compensação estarão na base da irradiação do árbitro. No Jornal de Notícias (26/03/59) pode ler-se uma notícia com o título "BENFICA-CUF e o relatório do sr. Inocêncio". O texto é o seguinte: "A Comissão Central de Árbitros decidiu pedir esclarecimentos ao árbitro sr. Inocêncio Calabote sobre certos passos do relatório do jogo Benfica-CUF (...). Naquele seu documento, o sr. Inocêncio teria declarado que o jogo principiou às 15h, terminado a primeira parte às 15:45h. No que respeita à segunda parte, concedeu dois minutos como compensação de tempo perdido, registando o fim do encontro às 16:42.
Atendendo a que o jogo foi minuciosamente relatado pela rádio e seguido com extrema atenção por milhares e milhares de pessoas, estas declarações oficiais do sr. Inocêncio não deixam de reflectir com despudor (para se não ir mais longe...) a todos os títulos lamentável – já pela sujeição voluntária à desconfiança pública, já pelo desprestígio daí decorrente para a função.
E estamos certos de que a CCA, já com obra notabilizada em todos os aspectos da arbitragem (...) não deixará de corrigir esta ofensa à... evidência pública."
O Norte Desportivo (26/03/59) escreve o seguinte título: “Inocêncio Calabote em “maus lençóis”! E acrescenta que “No boletim do jogo SLB-CUF, o árbitro eborense faltou à verdade.” O texto acusa o árbitro de “falsear a verdade num boletim” e revela que “Antes de ser irradiado, esse indivíduo apressou-se em pedir a demissão...”. Mais adiante acrescenta: “Na verdade, o senhor Calabote deu-se ao luxo de redigir o mais falso de todos os boletins de todos os jogos de futebol”, pois, segundo o relatório do árbitro “O jogo principiou às 15h e a 1ª parte terminou às 15:45. A 2ª parte começou às 15:55 e terminou às 16:42 (dei 2 minutos de compensação)”. O Norte Desportivo qualifica este relatório como “...a mais sensacional mentira do ano, com a gravante de ter sido num documento oficial...”. Segundo os dados do jornal, “O jogo SLB-CUF começou às 15:07, isto, 7 minutos depois do das Covas” (nr: Covas era o nome do campo do Torriense, onde jogava o FCP). “O encontro Torriense-FCP terminou às 16:48”. “Se fosse assim, não se teria passado nas Covas o que milhares de pessoas viram, isto é, toda a gente aguardando o termo do embate entre o Benfica e a CUF.”
Nesta mesma edição de o Norte Desportivo, publica-se este curioso texto: “UM RELÓGIO PARA O SR. INOCÊNCIO CALABOTE
Um leitor escreveu-nos a fazer a sugestão que não podemos perfilhar. Pretendia que nas nossas colunas abríssemos uma subscrição para se adquirir um relógio que seria oferecido ao sr. Inocêncio Calabote, de Évora. Dizia o nosso correspondente: “Se o seu relógio se atrasa 5 em 45 minutos, o sr. Calabote corre o risco de chegar ao campo numa 2ª feira para arbitrar um desafio marcado para o domingo anterior” A sugestão tem graça – e não ofende!”
O Norte Desportivo de 9/04 publica o seguinte texto, com muita ironia à mistura:
“O árbitro Calabote respondeu e foi imediatamente suspenso!
Vai ser levantado um inquérito às declarações do juiz eborense que deve ser considerado como o inventor do "relógio-elástico".
Finalmente o sr. Inocêncio Calabote respondeu ao questionário que a Comissão Central de Árbitros lhe enviou, solicitando esclarecimentos sobre a cronometragem do jogo Benfica-CUF, no qual o referido indivíduo interveio como juiz da partida.
O sr. Calabote limitou-se a dar uma resposta ultra-sintéctica, afirmando que no seu relógio eram precisamente 15 horas quando deu o início ao jogo. Isto é, confirmou as declarações que redigiu no boletim. Em face da firme atitude do enérgico árbitro, a Comissão Central que – honra lhe seja feita – pugna pela manutenção do prestígio da causa que orienta, resolveu suspender preventivamente o sr. Inocêncio Calabote até à conclusão de um inquérito a que mandou proceder. A suspensão é admissível, porquanto o regulamento a tal permite.
Assim, para já, o sr. Calabote corre o risco de deixar de apitar, visto que será fácil ao inquiridor colher os elementos indispensáveis para comprometer irremediàvelmente o árbitro.
Não será exagero aifrmar-se que cerca de 500 mil pessoas, pelo menos, tomaram conhecimento da irregularidade da cronometragem no referido jogo. A Imprensa e a Rádio (as excepções confirmam a regra), em coro, apontaram a deficiência. Por conseguinte, não é de crer que um homem só, malèvolamente, fique a coberto de qualquer sanção disciplinar severa.
O sr. Inocêncio Calabote ao reafirmar o que escreveu no boletim fez admitir que inventou um relógio elástico, visto que só concedeu, segundo disse, dois minutos por tempo perdido quando, na verdade, esse prazo atingiu os 5 minutos.”
Sete meses mais tarde, o Mundo Desportivo (12/10/59), numa pequena caixa, num cantinho da página, refere que "O árbitro Inocêncio Calabote, da Comissão Distrital de Évora, foi irradiado após conclusão do respectivo processo disciplinar".
A Bola, do mesmo dia, dá a mesma notícia num cantinho da primeira página e, em 7 de Novembro, publica uma entrevista ao do Dr. Coelho da Fonseca, Presidente da Comissão Central, que justifica a irradiação do árbitro: "O sr. Inocêncio Calabote foi demitido de árbitro por motivos ligados ao prolongamento do jogo Benfica-CUF (...) Como é do conhecimento público, esse jogo principiou cerca de dez minutos depois da hora marcada e teve um prolongamento de cinco ou seis minutos. Tanto o atraso como o prolongamento não constituem, em si mesmos, ínfima matéria de culpa. O erro do sr. Calabote consistiu em pretender convencer-nos, contra as evidêncidas dos factos, de que principiara o encontro às 15h precisas e de que o prolongara por dois minutos apenas. É aqui, nesta atitude escudada e incompreensível, que o antigo árbitro eborense deixa de merecer a confiança do público e da CCA".
Ao Norte Desportivo (15/10/59), o Dr. Coelho da Fonseca diz que Calabote “é (...) um caso de ordem moral. Inocêncio Calabote fez uma coisa em campo, aliás controlada por toda a gente, e escreveu, precisamente, o contrário no boletim de jogo. Isto somado a uns tantos casos já passados com o referido árbitro levou-nos à decisão tomada.”
Agora eu pergunto, por que razão se manteve Calabote fiel à sua versão, se lhe era tão fácil admitir que tinha começado o jogo mais tarde e prolongado o mesmo para além dos limites do razoável? A quem serviria esta teimosia do sr. Calabote? Por quem se sacrificou o sr. Calabote? A resposta está boa de ver...
CSI – Calabote Scene Investigation (III) – Os jogadores
1. Gama e António Manuel
No Estádio da Luz, o guarda-redes da CUF, de nome Gama, foi substituído quando a equipa perdia por 5-1. Os jornais dão conta de que terão sido os próprios jogadores da CUF a pedirem ao treinador que substituísse Gama. De facto, havia algo de errado com aquele guarda-redes.
No Mundo Desportivo (23/03/59) pode ler-se: “Gama, o guardião da turma que a determinada altura foi substituído aparentemente cansado do trabalho aturado que teve de suportar, respondeu-nos quando o interpelámos: "Faz pena, depois de tamanho esforço e tenacidade desenvolvidas verificar que o Benfica não conseguiu o número de golos suficiente para chegar a campeão! E a verdade é que ocasiões não lhe faltaram." Ora, um homem que tinha encaixado 5 golos e via o seu clube ter de disputar um torneio para conseguir a permanência, lamentava o facto de o Benfica não conseguido “o número de golos suficiente para chegar a campeão”. Que pensarão os adeptos benfiquistas donos da moral e da verdade sobre estas declarações?
Uns dias mais tarde, Gama, por se saber alvo de "malévolas insinuações" pediria para ser ouvido pela direcção do clube... O que é certo é que as suas declarações não ajudaram em nada e contribuíram, digo eu, para concluir sobre o ascendente psicológico (para não lhe chamar outra coisa...) que o Benfica tinha sobre os adversários.
José Maria, o guarda-redes substituto, diria: "Os benfiquistas obrigaram-me a trabalho intenso, e confesso que tive de realizar várias defesas em condições difíceis. Quanto ao resultado, considero-o expressivo em demasia, visto que nele interferiu o desacerto da arbitragem." Repare-se na diferença entre as declarações de um e de outro.
Ao Norte Desportivo, o treinador da CUF, Cândido Tavares, declara: “Não posso acreditar no que se diz a respeito de Gama e, embora não seja seu costume falhar tantas jogadas, creio na sua honestidade!” “Simplesmente ele esteve, no domingo, demasiado infeliz.” “Vendo isso, e ainda porque dois dos seus próprios companheiros me solicitaram que alterasse o desempenho posto, mandei-o sair do terreno. Estava muito nervoso, e manifestava sintomas de total desorientação. Todavia daí a aventarem-se torpes insinuações terá de percorrer-se larga distância.” Bem, algo vai mal quando são os próprios colegas a solicitarem a substituição do seu guarda-redes...
2. Torres Vedras
A equipa do FCP no jogo contra o Torreense era composta por Acúrsio; Virgílio, Miguel Arcanjo e Barbosa; Luis Roberto e Monteiro da Costa (cap.); Carlos Duarte, Hernâni, Noé, Teixeira e Perdigão. O presidente do clube era o Dr. Paulo Pombo.
Dias antes do jogo, Monteiro da Costa, capitão do FC Porto, declarava: "Calcule que nesta semana não pudemos realizar um treino de conjunto com todos os nossos jogadores. Faltaram-nos o Hernâni, o Arcanjo e o Barbosa, os três em Lisboa por causa da selecção militar. Eu compreendo os interesses da selecção, mas numa altura destas de campeonato, com um jogo decisivo para a tribuição do título, é, evidentemente, uma dificuldade que nos foi criada". O regime funcionava a favor do clube da capital.
A força psicológica dos jogadores do FC Porto via-se nestas declarações de Pinho: "Para nós o jogo de Torres Vedras inicia-se com 4 golos do Torriense. Ou, começando com 0-4, o FCP tem de ganhar o jogo. Ao ataque – será a palavra de ordem. E se conseguirmos superar aquela margem, seremos campeões."
O Mundo Desportivo refere, na análise ao jogo, a "Dupla tristeza (dos jogadores do Torriense) porque, na maioria, os jogadores além da fuga ao último lugar também desejariam que o campeão se chamasse Benfica..."
A crónica fala de um penalty sobre Carlos Duarte, aos 18 minutos da 2ª parte, cuja "nitidez da falta tornou bizarra a decisão do árbitro, mandando prosseguir o jogo e ignorando a grande penalidade que se impunha assinalar". O Jornal de Notícias também se refere a esse penalti.
Na apreciação ao árbitro Francisco Guiomar, o Mundo Desportivo diz que "...foi muito "caseiro" (aquele penalty negado aos portuenses é inaceitável), contemporizou com a rudeza em excesso por demasiado tempo e regra geral acompanhou o jogo de muito longe..."
Na crónica do jogo fala-se em duas grandes penalidades por marcar a favor do FC Porto e da justa expulsão de Manuel Carlos, do Torreeense, por jogo violento.
Noticia o Jornal de Notícias que, dizia-se em Torres Vedras, "e os jogadores locais sorriam quando em tal lhes falava, que havia um prémio de cinco mil escudos para cada um no caso de conseguirem empatar ou pelo menos sofrer poucos golos." Esse prémio existiu mesmo, como vamos ver mais adiante.
Faltavam 2 minutos para acabar o Torriense-FC Porto, com o resultado em 0-1. Na Luz, verificava-se 6-1.
Nesta altura, as equipas estavam empatadíssimas na atribuição do título. Se assim tudo permanecesse até ao final jorgar-se-ia uma finalíssima entre os dois clubes. O FC Porto marcou o 0-2 e logo a seguir o SLB fazia o 7-1. Tudo na mesma. Um jogador do Torriense de nome Saldanha queimava tempo, chutando a bola para longe antes do recomeço. Por que razão queimava ele tempo, a perder por 0-2 a um minuto do fim? O árbitro, que já o tinha advertido várias vezes durante o jogo pelo mesmo tipo de conduta (atenção que o Torriense também precisava deste jogo para uma eventual, mas difícil, permanência na 1ª Divisão), considerou anti-jogo grosseiro e expulsou-o. No último minuto do jogo, Teixeira faz o 0-3, decidindo o campeonato para o FC Porto. Na Luz, o jogo acabava com 7-1. O FC Porto era campeão nacional por 1 golo:
Ambas as equipas com 17 vitórias, 7 empates e 2 derrotas.
1º FCP – 41 pts. – 81 golos marcados, 22 sofridos
2º SLB – 41 pts. – 78 golos marcados, 20 sofridos
Em declarações ao jornal A Bola, António Manuel, jogador do Torriense, dizia no final: "No meu último jogo ia dando uma vitória ao Benfica e não o consegui, o que lamento como benfiquista. O Porto talvez seja a equipa que pratica melhor futebol mas nós podíamos ter dado o campeonato ao Benfica. Paciência. Como homem do Benfica, sinto muito que assim não fosse." Note-se que o Torriense acabava de descer de divisão e a preocupação deste jogador foi a derrota do SLB no campeonato. Para o Mundo Desportivo, o jogador dizia "O Porto venceu mal. A arbitragem foi nitidamente favorável aos nortenhos." Claro que foi. E tu cheio de pena de descer de divisão.
Como final do campeonato, as competições oficiais iriam para durante 1 mês e meio, antes de se iniciar a Taça de Portugal (naqueles tempos a Taça jogava-se depois de o campeonato ter acabdo). Durante esse período, os clubes fizeram vários jogos particulares para não perderem a forma, tendo o Torriense feito dois jogos "de amizade" com o Benfica, um em
cada campo...
Virgílio, o Leão de Génova, jogador do FC Porto, com “os olhos humedecidos”, dizia ao Jornal de Notícias: "Pensava em ganhar, mas nunca julguei que custasse tanto. E já agora, um segredo: quando soube que o Benfica entrara em campo mais tarde 10 minutos para saber do nosso resultado, confesso que desanimei e julguei tudo perdido! Sabe o que nos valeu? Termos marcado muito tarde o segundo e terceiro golos! Lamento a maneira como os torreenses se portaram connosco. Mas tiveram o pago! Os jogadores e o público acenando-nos com lenços a 10 minutos do fim!... Lamentável!"
CSI – Calabote Scene Investigation (IV) – O treinador-adjunto do Benfica
Quem é Valdivielso?, perguntam vocês. Ora bem, este senhor era o treinador-adjunto do Benfica e surgiu, para surpresa e espanto de todos, no jogo Torriense-FC Porto, sentado no banco de suplentes do Torriense. Sim, leram bem. Não sei o que os adeptos benfiquistas que pugnam pela verdade desportiva pensam deste facto, nem sei se conseguem ter o discernimento para pensar nas implicações desta situação. Será que conseguem? Não vou fazer mais comentários, apenas deixar uma pergunta no ar: que tipo de ascendente tinha o Benfica, naquele tempo, sobre os clubes de menor dimensão, que lhe permitia ter atitudes destas? Passo a transcrever o que os vários jornais disseram sobre o caso. Note-se o tratamento dado à questão pelos jornais lisboetas.
O jornal A Bola, dá conta desta situação numa caixinha pequena na última página. O texto diz o seguinte: "Surpreendeu toda a gente a presença de Valdivielso, treinador-adjunto do Benfica, nos bancos dos técnicos do Torriense. Na verdade, o técnico benfiquista "viveu", longe da Luz, os "assaltos" finais deste emocionante campeonato.
Findo o jogo fomos encontrar Valdivielso, chorando na cabina do Torriense. Quisemos saber a razão da sua presença e acabámos por ser esclarecidos por Fernando Santos, orientador técnico da equipa de Torres Vedras, que nos afirmou: - Vldivielso não teve qualquer interferência na orientação da equipa, nem nós a aceitaríamos sequer. Veio a Torres como espectador e só por deferência esteve sentado junto a mim."
O Mundo Desportivo (23/03/59) apresenta um desmentido, através do qual Valdivielso diz que chegou à porta do campo e o fiscal negou-lhe a entrada porque o cartão não tinha validade. Os bilhetes estavam esgotados e dificilmente conseguiria lugar na geral. Foi saudar os treinadores do Torreense e contou-lhes o sucedido. Estes, "como cavalheiros", convidaram-no a sentar-se no banco, o que aceitou. Disse ainda que foi ver o jogo para observar um jogador do Torreense num jogo de responsabilidade com vista a futura contratação.
O Jornal de Notícias diz que Valdivielso orientou o Torriense no jogo com o FCP, tendo feito "uma longa prelecção antes de iniciado o encotro e deu novamente as suas instruções no intervalo do encontro".
O Norte Desportivo(26/03/59) publica uma imagem de Valdivielso no banco do Torriense. Com o título: “O treinador Valdivielso sujeitou-se a uma comédia imprópria dos desportistas”, o jornal denuncia “outras armas utilizadas e que transcendem a rotina para merecerem a classificação (lisonjeiro, acentue-se) de comédias...”. E adianta que “Antes do encontro, o treinador-adjunto dos encarnados esteve nos vestiários da equipa local e ali ministrou uma prelecção de ordem técnico-táctica. Depois acompanhou a equipa aé ao terreno e, com o mais espantoso à-vontade, sentou-se no chamado banco dos técnicos...”. E acrescenta: “Durante o jogo (...) deu instruções para o campo, fez gestos teatrais, refilou com o juiz-de-linha e até interferiu num ligeiro episódio com Hernâni”. E conclui: “Fernando Santos (nr: treinador do Torriense) é um indefectível benfiquista que reside há uma dezena de anos em Torres Vedras. Ambos prestaram um péssimo serviço à ética desportiva.”
O mesmo jornal, em 29/03, escreve: “Muitos leitores escreveram-nos e telefonaram-nos para aplaudir a censura que mereceu a atitude de Valdivielso (...) Alguns salientam a coragem que nos caracterizou. Coragem? Há exagero no emprego da palavra. Coragem teve-a o senhor Valdivielso ao desafiar, ostensivamente, o senso crítico de quem viu adoptar o comportamento que mihares de pessoas verificaram. Como estrangeiro, que presta serviço num clube português, o sr. Vladivielso devia ter estudado atentamente as consequências da sua atitude”.
E em 02/04, publica uma entrevista António Costa, defesa do Torriense, na qual ele diz: "Bem, ele não nos treinou. Esteve na cabina a conversar connosco e, depois, foi sentar-se no banco dos nossos técnicos. Mas não nos deu indicações algumas." "A verdade é esta: receberíamos, por intermédio dele, um prémio se vencêssemos ou perdêssemos com o Porto por margem escassa." "Cinco contos a cada jogador". "... quero esclarecer um ponto: Valdivielso não chorou na cabina, por termos perdido. Limitou-se a regressar a Lisboa com o dinheiro..."
O jornal Record resolve ignorar o assunto, mas vai mais longe. Pouco tempo depois, publica uma foto de Valdivielso sentado no banco do Casa Pia, num jogo particular desta equipa. Em tom de gozo, o jornal “alerta” para mais esta situação, como se fosse assunto para brincadeiras. A intenção é atingir aqueles que criticaram o comportamento do argentino. O Norte Desportivo foi um dele e não deixa o assunto cair no esquecimento. A 16/04, o jornal publica o seguinte artigo:
“VALDIVIELSO disfarça e um jornal aplaude
Causou a mais viva impressão a atitude de o Norte Desportivo ao censurar, sem evasivas, o prodecimento de José Valdivleilso, treinador-adjunto do Benfica, que por ocasião do jogo das Covas, disputado entre o Torriense e o FC Porto, se sentou no "banco dos técnicos" do clube de Torres Vedras e, com o mais espantoso descaramento, desatou a dar instruções aos jogadores do Torriense, manifestando o propósito declarado de ser hóstil ao FC Porto, numa partida cujo resultado interessava sobremaneira aos encarnados.
Um dos jornais que nada disse sobre a estranha como condenável atitude do treinador estrangeiro, que presta serviços num clube português, entendeu "colaborar" na sinistra manobra do sr. Valdivielso, publicando fotografias, decerto prèviamente estudadas, com o evidente intuito de diluir a gravidade da situação.
Trata-se do Record que não se sabe bem porquê decidiu, capciosamente, destruir a argumentação e as provas apresentadas pelo nosso jornal, conferindo a Valdivielso uma auréola de ingenuidade, admitindo como natural e defensável (!) o rosário de tristezas de que ele foi o principal intérprete.
Tendenciosamente, o Record procura estabelecer a confusão, comungando ostensivamente com o estilo do sr. Valdivielso. Este disfarça (desta vez surgiu sem óculos) enquanto um jornal aplaude.
Foi pena, realmente, que Record não tivesse iniciado a sua excelente campanha com a publicação da célebre fotografia do campo das Covas (nr. Campo do Torriense).
A provocação do sr. Valdivielso, ao sentar-se agora no banco do Casa Pia, representa um desafio à autoridade da Federação Portuguesa de Futebol. Indevidamente, embora os intuitos sejam claros, o treinador-adjunto do Benfica tomou lugar num banco de uma equipa estranha, com a agravante de se tratar de um jogo oficial.
Esperamos que a FPF se decida a zelar pela defesa da moral desportiva – punindo severamente um treinador que tão deploráveis exemplos dá aos jogadores que orienta.
A "mistificação-Valdivielso", lamentàvelmente estimulada por quem devia censurá-la, só representa um péssimo serviço prestado ao Desporto Nacional.”
José Valdivielso não seria punido e tornar-se-ia mesmo o treinador-principal do Benfica.
CSI – Calabote Scene Investigation (V) – Os jornalistas
1. Aurélio Márcio
O jornalismo afecto ao Benfica lamentava, com alguma subtileza, a perda do campeonato. Veja-se, a título de exemplo, o artigo de Aurélio Márcio, em A Bola:
"O Benfica seria campeão em França e Inglaterra
O FCP conquistou o título por um golo, que tanto pode ser o de Teixeira como o da CUF. Em França e Inglaterra, porém, o SLB seria campeão, pois o seu quociente (3,9) é superior em relação ao do FCP (3,6) (Nota: o quociente calculava-se dividindo o total de golos marcados pelo total de golos sofridos).
Fazemos votos para que numa próxima reforma do regulamento geral da FPF se recorra todos os meios de desempate, menos aos jogos extra, que não condizem com o espírito da competição."
O Norte Desportivo faz uma notícia bem corrosiva como resposta ao texto de Aurélio Márcio:
“O Benfica ficaria campeão em Inglaterra e em França, mas...
... em Portugal o campeão é o FCP.
Alguns colegas nossos do sul têm descoberto muitas coisas. São, realmente, uns verdadeiros sábios e, os seus devaneios, caprichosos, saem da vulgaridade. Agora descobriram que o SLB, se fosse na França e na Inglaterra, teria ficado campeão, pois seria utilizado o coeficiente de golos de golos. E foram tão”perfeitos” que até fizeram contas a demonstrarem que são excelentes aritméticos...
Mas a despeito dessas obrigações, ao simpático e popularíssimo Benfica o que interessava era ficar campeão de Portugal. Ora esse intuito é que não se corporizou, pois o campeão é o FCP.
Foi pena que os nossos ilustres colegas não informassem a multidão de quem ficaria campeão da Indochina, nas Filipinas ou na Patagónia.”
Excelente!
2. Alfredo Farinha
Talvez o mais nítido exemplo de jornalismo vermelho esteja na edição do jornal A Bola que fez a cobertura do jogo Benfica-CUF. Leia-se com atenção:
Título de primeira página: “JOGO EMPOLGANTE E DRAMÁTICO DE UM CAMPEÃO MALOGRADO”
Título no interior: "A EQUIPA CUFISTA QUEIMOU MUITO TEMPO!"
Excertos do texto, assinado por Alfredo Farinha:
"Estava escrito! Estava escrito que o Benfica perderia o campeonato! Eram estas, no final do empolgante e dramático jogo da Luz, as duas frases que britavam dos lábios de uma grande parte dos adeptos benfiquistas. Nem um grito de revolta, nem uma recriminação, nem um queixume. Apenas esta frase, dorida, magoada, empregnada de resignação e conformismo: "Estava escrito!".
Ela bastava, porém, para dizer tudo: para fazer justiça á grande e desafortunada exibição dos jogadores "encarnados"; para evocar as muitas oportunidades de golo perdidas por alguns dos seus avançados; para lastimar as atitudes de exacerbada hostilidade dos jogadores cufistas; para gritar o seu protesto contra a fatalidade de um campeonato perdido nos derradeiros instantes.
Mereceria o Benfica ter perdido este campeonato?
A pergunta talvez não tenha cabimento nas linhas desta crónica, que tem de cingir-se, apenas, aos acontecimentos do encontro da Luz. Calma e imparcialmente, porém, hemos de convir que na medida em que a questão do título estava dependente do número de golos que o Benfica marcasse na Luz, os seus jogadores e adeptos têm razão para se sentirem injustamente despojados do triunfo final. É que, independentemente das circunstâncias em que decorreram os últimos minutos deste histórico domingo de futebol; indepentemente mesmo do grande nível da exibição produzida pela equipa "encarnada", o Benfica poderia, deveria e merecia ter vencido a CUF por diferença superior a 6 golos"
(...)
"...a CUF não jogou, exclusivamente para si, mas também para uma outra equipa (a do FC Porto) que estava á margem da luta travada na Luz. Se assim foi – e por legítima temos a presunção – cremos existir aqui um problema de ética, digno de, em melhor oportunidade, ser devidamente apreciado e analizado"
(...)
Até que ponto é lícito a uma equipa defender, contra outra, de maneira ostensiva e contrária ás leis e espírito de jogo, os interesses de uma terceira? Não será esse procedimento tão incorrecto e antidesportivo como o inverso, isto é, o de facilitar, propositadamente, com o fim de prejudicar os interesses doutrem, a vitória do adversário? As perguntas aqui ficam, por ora sem resposta. Mas talvez valha a pena, em próxima oportunidade, tomá-las para tema de um artigo.”
Esta prosa quase nem merece descodificação. Está lá tudo, para quem tinha dúvidas. Lamentavelmente, o senhor Alfredo Farinha não se pronunciou em termos críticos, nos tempos seguintes, sobre a demora propositada em começar o jogo na Luz, ou sobre as declarações dos jogadores do Torriense, do próprio guarda-redes da CUF, ou sobre o caso do treinador-adjunto do Benfica, sentado no banco de suplentes do Torriense. Confirma-se, afinal, que, tal como hoje, a verdade desportiva só tinha uma cor: o vermelho.
Mais excertos, desta vez do texto sobre "O ambiente... fora do jogo"
"O Benfica entrou em campo com mais de 5 minutos de atraso. Alguém, perto de nós, alvitrou tratar-se de um estratagema, com o fim de manter o público e os jogadores ao corrente do que se passava em Torres Vedras.
Por essa ou outra razão, o certo é que, ainda o jogo não tinha começado e já um longo sussurro de sofrimento percorria as bancadas.
- O Porto já está a ganhar por 1-0!...
Mas não era verdade. Os portadores de aparelhos de rádio apressaram-se a desfazer o descoroaçante boato. E, desfeito o acabrunhamento do terrível pesadelo, as turbas tornaram a erguer-se, frenéticas, clamando:
- Benfica! Benfica! Benfica!
E foi como se a equipa encarnada tivesse marcado o seu primeiro golo antes de se dar o primeiro pontapé na bola...
(...)
E quem poderá contar os dramas íntimos de cada um? As lágrimas que não puderam chorar-se? Os gritos de dor que ficaram represados nos peitos?
Quem poderá apreciar, medir, descrever, a tristeza daquele lento, arrastado, quase lúgubre, debandar do Estádio da Luz?..."
Texto bastante riquíssimo do ponto de vista literário, sem dúvida. Mas estamos a falar de um jornalista. Imparcialidade? Não, isso era coisa estranha para os lados do jornalismo de Lisboa. Com este tipo de prosa, estou certo que se fabricou muito mito benfiquista. E, claro, omitiu-se muita matéria passível de censura.
Como curiosidade, o título de primeira página de A Bola sobre a vitória do FC Porto em Torres Vedras é um seco “OS PORTUENSES VENCERAM A SUA PRÓRIA ANSIEDADE” (da autoria de Aurélio Márcio).
CSI – Calabote Scene Investigation (VI) – Conclusões
TORRIENSE-FC PORTO:
- O treinador-adjunto do Benfica sentado no banco do Torriense, numa demonstração de domínio sobre os clubes mais fracos e subservientes ao Benfica.
- Os jogadores do Torriense a queimarem tempo, mesmo estando a perder e precisando do jogo para não descer de divisão.
- No final, um jogador do Torriense lamenta-se por... não ter conseguido dar o campeonato ao Benfica. Sintomático.
BENFICA-CUF:
- O jogo começa com muitos minutos de atraso.
- O árbitro, que era de Évora, marca 3 penaltis a favor do Benfica. O primeiro, curiosamente, falso como Judas.
- O guarda-redes da CUF é substituído depois do 5º golo do Benfica, a pedido dos seus colegas de campo. No final, lamenta que o Benfica não tenha conseguido os seus objectivos.
- O árbitro dá mais 4 minutos de descontos, mente no relatório e permanece fiel à sua versão. A soldo de quem?
Pela primeira vez no Pobo do Norte. Não perca, segunda-feira (26).
1. Começámos a perder esta final da Taça quando, por qualquer motivo que eu ainda gostava de ver explicado, não utilizámos o nosso defesa-extremo-direito. A ausência de Bosingwa foi decisiva no sentido em que, face ao cansaço do meio-campo, teríamos ali uma forma de pôr velocidade no nosso jogo, que foi o que nunca tivemos no Jamor. E depois não teriamos de suportar a invenção "João Paulo" a defesa-esquerdo. Como portista, exijo uma explicação oficial. Se se confirmar a teoria da "obediência" ao Chelsea e aos 20 milhões, considero um escândalo que nos subjuguemos a um clube estrangeiro desta forma e desde já culpo a SAD e o nosso presidente por este erro crasso de má gestão desportiva. Não tenho memória de ver um nosso jogador vendido antes da época terminar e proibido de jogar o resto dos jogos e ainda com contrato até 30 de Junho.
2. Perdemos também esta final porque a nossa primeira equipa, a tal equipa poupada nos últimos jogos do campeonato (excepto no jogo com o Nacional), surgiu em campo como que para fazer um frete, como se a época já estivesse ganha, os contratos com clubes estrangeiros assinados e o sol da Caraíbas à espera. Muito triste. E o pior é que já tinhamos tido contra o Nacional um exemplo desta postura, levando o treinador a fazer mais uma das suas famosas promessas, de que aquilo não se repetiria. Pois viu-se. Depois de uma entrada à "Gelsenkirchen", sem alma, sem união, sem velocidade, só um super Nuno evitou a vantagem do Sporting, que, na primeira parte, seria justa e natural. Quando equilibrámos o jogo, apenas conseguimos evitar que o Sporting conseguisse criar oportunidades, mas em termos de ataque, faltou-nos sempre aquele bocadinho assim...
3. Perdemos, finalmente, pelo árbitro, claro está. Não vou aqui dissecar lance por lance (o poncio já se referiu aos mais evidentes), apenas destaco a goleada que temos levado do Sporting, este ano, em termos de arbitragem. Tudo começou com uma supertaça falsa como Judas, em que o Sporting nada fez para ganhar, marcou um golo caído do céu e viu o árbitro ignorar uma jogada de vólei do Tonel dentro da grande-área. Depois, em Alvalade, com um banho de bola do FCP durante todo o jogo, mais uma vez, contaram com a ajuda, desta vez do fiscal-de-linha, não assinalando o fora-de-jogo que esteve na base do 2-0 e que tornou a tarefa impossível. Ontem, foi o que se viu. Palavras para quê? Viva a "nova era" do futebol português!
PS - Uma vitória do Sporting na Taça de Portugal já dá direito a festejos benfiquistas no Marquês de Pombal, a recepção apoteótica no Estádio de Alvalade e a recepção nada promíscua pela Câmara Municipal. Como os tempos mudam!
R-o-u-b-a-d-os. Para quem não percebeu: fomos roubados, uma vez mais, contra o mesmo clube, o tal que denunciou "o sistema".
Num jogo tristonho, com duas equipas cansadas, o Porto entrou a dormir, ofereceu três possibilidades de golo ao Sporting e só teve uma chance de marcar, aliás, a única oportunidade de golo da 1ª parte que não surgiu de um erro alheio. Ficou ainda a dúvida sobre o golo anulado ao SCP, que terá sido, em todo o jogo, a única intervenção do árbitro favorável à nossa equipa.
O resto foi o que se esperava: no mesmo lance, Lisandro cai duas vezes na área contrária, a segunda das quais devido a um empurrão do Polga (penalty por marcar nº 1) e nada. A bola é afastada da área , João Moutinho tenta chegar lá, mas uma entrada precipitada do João Paulo resulta num lance hiper-aparatoso (como todos em que o baixinho do SCP sofre falta) e num exageradíssimo vermelho para o defesa portista. Mais adiante, Abel haveria de fazer uma falta sem bola quando já estava amarelado mas o Olegário fingiu que nada se passou. Fantástica coerência de critérios...
Mesmo contra 10, e ao contrário do que havia conseguido na 1ª parte, apesar do espaço que lhe era concedido, o Sporting foi incapaz de criar perigo. E o jogo lá foi para prolongamento.
A parte final do prolongamento foi uma verdadeira palhaçada: em 1º lugar, já nem dava para perceber qual era a equipa que jogava com 10 e, para dar mais uma ajuda à "verdade desportiva", o Olegário deixou passar em claro um carrinho do Polga, mesmo no limte da área do Sporting, jogada em que o Lisandro pica a bola e o central contrário varre o argentino. Se, como as imagens indicam, foi sobre a linha, então é penalty (o 2º que nos foi negado) e, muito provavelmente, mereceria expulsão. O árbitro transformou o lance num pontapé de baliza...
Logo a seguir surgiu o golo do SCP, um lance feliz do Tiui, cujo remate foi embater no braço do Pedro Emanuel (está caído e de costas voltadas para o brasileiro) e entrou batendo na barra da baliza. O 2ª golo surge já na fase de desespero portista e serviu para disfarçar ainda mais a palhaçada que foi mais esta vitória do Sporting (o Porto já tinha visto negado um penalty claro na final da Supertaça).
Quanto à nossa parte da culpa na derrota: não se percebe como é que uma equipa que tem vindo a descansar continuamente (inclusivé no jogo com o Nacional...) chega à final desta competição com tão poucas energias. Para falar verdade, os únicos que mostraram estar em condições pressionar foram o Fucile e o Meireles (que, à custa de andar a "tapa fogos", dei o estouro antes do final dos 90 minutos). O Lucho esteve amorfo, o Lisandro falhou a única oportunidade clara que lhe foi oferecida, o Pedro Emanual está a ficar incapaz de lidar com estes ritmos, o Quaresma fez mais uns "números" que em nada resultaram e o resto do pessoal cumpriu os serviços mínimos. O Jesualdo errou ao colocar o João Paulo a defesa esquerdo - o homem já lhe tinha mostrado a sua incapacidade para cumprir tal papel no 1º jogo contra o Shalke - era preciso mais?
Mas, na realidade, perdemos porque a pressão sobre os árbitros, a tal "nova era do futebol português", é tão grande que eles tremem só de marcar um lance a nosso favor. Verdade seja dita, pouco fizemos para vencer, mas se isto continua assim, vai ser praticamente impossível ganhar jogos em que exista equilíbrio. Quanto ao "melhor futebol do SCP", agradeço que revejam o jogo e analisem os lances de perigo: nenhum surgiu de uma jogada com princípio, meio e fim. Nem a jogar com 12 contra 10...
E no meio da histeria colectiva que se apoderou dos anti-portistas primários, lá vamos nós fazendo o nosso caminho. Mais uma vitória, desta vez com a equipa dos menos utilizados. Continuo a dizer que deveríamos ter jogado com os "reservas" contra o quarto classificado. Terminámos o campeonato com uma vitória, um campeonato que olhámos com curiosidade de lá de cima. Fomos nós e os outros todos juntos. No basquetebol ganhámos o primeiro jogo da final à Ovarense e no hóquei em patins vencemos o primeiro jogo das meias-finais contra a Juventude Viana. Somos assim. Ganhar está-nos no sangue. Entretanto, o Bosingwa, como se sabe, um produto da corrupção, junta-se à lista de jogadores vendidos ao longo das épocas e que nos ajudaram a ganhar títulos. Também eles fruto da corrupção, certamente.
O benfiquista Ricardo Costa falou e disse: o FC Porto tentou corromper dois árbitros e, por isso, deve perder seis pontos. Não interessa aqui se os ditos jogos nada revelaram de anormal. Não interessa se um deles até terminou empatado e no outro até foram mais os erros do árbitro a favor do adversário do que a nosso favor. O que interessa é que Jacinto Paixão papou umas brasileiras pagas pelo nosso Presidente (que se movimenta bem nesse âmbito, mas isso é lá com ele) e que Augusto Duarte recebeu, em casa de Pinto da Costa, um envelope com dinheiro. Este último caso, claro, carece de prova, mas basta a palavra insuspeita de Carolina Salgado para que o benfiquista Ricardo Costa fique convencido.
Ora, os nossos regulamentos dizem que quem tenta corromper e não consegue perde pontos. Foi isso que aconteceu para desespero de muitos bons chefes de família benfiquistas. É curioso verificar que são os nossos adversários que invadem blogues portistas e fóruns desportivos em fúria e completamente transtornados com uma decisão de que todos já tínhamos conhecimento e que eles temiam. Por vontade deles, abria-se uma excepção aos regulamentos e mandava-se o TriCampeão para a segunda. Lamentavelmente tal não é possível, porque uma das coisas que a democracia nos ensinou é que os regulamentos são feitos pelos homens livres e têm de ser respeitados por esses mesmos homens livres. Noutros tempos, talvez fosse fácil abrir excepções para favorecer o clube do regime. Hoje, não.
Por isso é com um sorriso nos lábios que observo esta sede inquisitória dos acólitos da Santa Madre Igreja Benfiquista enfurecidos por terem de levar com o FC Porto, mais uma vez, na mesma divisão e, mais uma vez, a conquistar um TETRA. Quanto ao resto, olhem, deixo-vos com as declarações de Rui Reininho ao Mais Futebol: «Estas tramóias de juízes não me interessam, eu só quero saber de golos, de ir ganhar à Luz e agora ir ganhar a Taça. Também já levei seis pontos na cabeça e sobrevivi».
É preciso começar por dizer que aquilo que a nossa equipa fez, no jogo com o Nacional, foi uma falta de respeito pelos sócios e adeptos do clube. 42 mil portistas dirigiram-se ao estádio para fazerem deste último jogo mais uma festa e despedirem-se da equipa condignamente no que ao estádio do Dragão diz respeito para esta época. O que os adeptos não esperavam é que a equipa resolvesse não comparecer ao jogo. Apenas as camisolas andaram por lá. A atitude, a concentração, a união, o espírito de grupo e de combatividade – tudo isso esteve em parte incerta. Até o talento faltou. E o resultado até foi o que menos importou.
Jesualdo Ferreira tem responsabilidades. Foi inadmissível que o treinador do FC Porto embarcasse com os jornalistas, durante a semana, na conversa das transferências. O treinador do FC Porto não tem de gracejar sobre transferências, muito menos comentar que o facto de se falar muito sobre possíveis saídas tem sempre a vantagem de fazer subir o “leilão” e enriquecer os cofres do clube. Todos já sabemos disso. Agora, o treinador do FC Porto não tem que o referir durante a semana. Os jogadores ouvem o mister falar assim e já não estão com a cabeça no jogo. Viu-se um Quaresma e jogar sozinho (mais uma vez…), viu-se um Bosingwa nitidamente em poupanças (onde está o Bosingwa de há 5 ou 6 jogos atrás?), viu-se um Bruno Alves a falhar passes incríveis, viu-se um Lucho estranhamente apático. Viu-se uma equipa esfrangalhada, em que todos pareciam querer jogar no miolo, e ninguém se entendia. Enfim, uma noite à Benfica. A única diferença é que o nosso treinador, na conferência de imprensa, consegue juntar palavras de modo a fazer frases com sentido.
A história do jogo foi também construída por um moço chamado Fábio Coentrão, de quem Portugal já se tinha esquecido, desde o momento em que passou de futura estrela gloriosa a exilado na Madeira. Ninguém mais ouviu falar nele até ao jogo de sábado. É curioso verificar que o FC Porto tem o dom de fazer de jogadores do quarto classificado estrelas por um dia (os famosos 15 minutos de Warhol...). Desde os tempos de César Brito, jogador mediano que marcou dois golos nas Antas até a este Coentrão, passando por Mostovoi, que um dia marcou um livre sem espinhas nas Antas, ou Laurent Robert, o homem que proporcionou a Baía o último frango em estilo da sua carreira. Mostovoi haveria de se fazer jogador no Celta de Vigo (clube amigo...), mas todos os outros se desvaneceram na poeira do tempo.
Pode ser que esta derrota tenha tido o condão de acordar a equipa para a realidade de ainda termos uma Taça de Portugal para ganhar. Mas foi pena. Frete por frete, deveriamos tê-lo feito em Guimarães.
Miguel Sousa Tavares escreveu, nesta semana, que o FCP de Jesualdo joga melhor do que qualquer uma das equipas que esteve nas meias-finais da Champions deste ano. Quem acompanha o nosso campeonato vê no FCP uma equipa demolidora e que, realmente, apresenta o melhor futebol. Obviamente que a opinião de MST é muito discutível, até porque não podemos comparar os níveis de exigência dos campeonatos inglês e espanhol com o português. Por outras palavras, tenho dúvidas se teríamos "pedalada" para nos batermos de igual para igual com qualquer um dos semi-finalistas da Champions...
Esta questão lembrou-me uma outra comparação. A da nossa equipa actual com as equipas do FCP de Mourinho, mais especificamente ao nível do meio-campo. Na era-Mourinho destacou-se um trio de médios que ficarão para sempre na nossa história: Costinha, Deco e Maniche. Neste momento, um outro trio deixa a sua marca: Paulo Assunção, Lucho Gonzalez e Raul Meireles. Estes nada ganharam a nível europeu, ao contrário dos outros, mas nem por isso deixam de formar um tridente indiscutível e determinante na dinâmica do FCP. Apesar de achar Paulo Assunção superior a Costinha e Lucho apenas ligeiramente inferior a Deco (Meireles está a léguas do melhor Maniche), eu dou a minha preferência ao tridente de José Mourinho. E os ilustres visitantes do Pobo do Norte? Qual é a vossa preferência? Para botar na barra lateral. Obrigado pela participação.
Mário Jardel abriu o coração e confirmou aquilo de que toda a gente falava há já alguns anos(alguns publicamente e por pura vingança como foi o caso do benfiquista José Veiga). Mais do que censurar o homem pela escolha que fez e que lhe arruinou a vida, cumpre-nos, sempre, lembrar aquilo que ele foi no nosso clube: um gigante, um ponta-de-lança como nunca passou pelo FC Porto, no período pós-Fernando Gomes. Fiz aqui, em Setembro de 2006, o elogio do Super Mário (com direito a comentário da sua irmã, Jordana), em que listava grandes momentos que proporcionou a todos os portistas. Agora que ele volta a ser notícia pelas razões erradas, Pobo do Norte traz a este espaço aquele que poderá ter sido "o Golo" de Jardel enquanto jogador azul-e-branco (eu sei que a escolha é difícil...). Pela execução bela do lance, pelo local onde foi obtido, pelo adversário, por tudo, este é um momento mágico:
Neste golo, é curioso o facto de, durante toda a jogada, Miguel Prates e António Fidalgo estarem preocupados com o perigo que Donizete constituía para o FC Porto. Estavam tão entretidos a falar do brasileiro do Benfica que foram apanhados completamente desprevenidos pelo golo. E atenção ao "nó cego" do Edmilson sobre o Valdo! Depois, Jardel fez o resto. Obrigado, Jardigol!
Creio que ficou à vista que a "verdade desportiva" foi colocada em causa em Guimarães, pelo que se impõe desde já uma mega-investigação para apurar em que condições foi possível o Porto vencer o Vitória por 5 golos. É preciso relembrar que os mesmos azuis e brancos já tinham vencido o Setúbal em sua casa, com alguns segundos-planos, quando uma derrota seria mais conveniente...
Agora mais a sério: se é que ainda existia alguma dúvida sobre as razões do título, dos 23 pontos da avanço e da qualidade do plantel do FCP, estas ficaram por certo dissipadas com a exibição deste fim de tarde. Foram 5, poderiam ser menos ou até poderiam ser mais (se o Adriano marcasse quando surgiu isolado), mas o que fica visível é que, sem deslumbrar, a equipa manteve-se coesa, os suplentes cumpriram os seus papéis:
- o Lino portou-se bem e até marcou o livre que seu origem ao primeiro golo;
- o Stepanov não teve "brancas" e não nos enterrou;
- o Bolatti andou perdido na 1ª parte mas lá fez alguma coisa na 2ª (pouco, para quem gerou tantas expectativas);
- o Mariano fez mais uma óptima exibição, feita de esforço, de vontade, mas também de qualidade;
- o Kaz fez de "Bolatti da 1ª parte" mas também não comprometeu (ainda que aquela lentidão de processos seja exasperante);
e ainda deu para o Farias e o Adriano darem o seu contributo para a goleada.
Gostei da exibição do Bruno Alves e, sobretudo, das poucas mas soberbas intervenções do Hélton. Apesar do desleixo, dos truques de circo e das desnecessárias declarações finais, o homem do jogo foi claramente o Quaresma.
Ficaremos à espera de novas tomadas de posição sobre o tema "verdade desportiva", nomeadamente, da parte dos gatinhos e das galinhas. Para nós, este jogo foi somente "another day in the office", ou melhor, " business as usual".
Nota 1: o pormenor mais delicioso do jogo foi ver o Mariano a comemorar o golo do Quaresma antes da bola entrar na baliza do Guimarães - isto é o que se chama "fé"!
Nota 2: a autoria do título deste post é do Guardabel.
Venho por este meio pedir aos adeptos do Benfica e do Sporting, sempre tão preocupados com a verdade desportiva, que façam o onze do FC Porto que consideram justo para jogar em Guimarães. Mas lembrem-se de que o TriCampeão tem de poupar jogadores para a final da Taça de Portugal. Sendo assim, digam lá quantos dos habituais titulares poderemos nós poupar de forma a que a verdade não seja desvirtuada. Podemos deixar 3 de fora? 4? 5? ou apenas 2? A partir de 2 já é "frete"? Ou é só a partir de 3? E se for só o Lisandro de fora? Quais é que podem jogar, afinal? Vá lá, vocês que até têm a sorte de contratar jogadores pouco tempo depois de eles terem falhado penaltis contra o vosso clube (falo do Benfica) ou de verem titularíssimos guarda-redes adversários ir para o banco no jogo com o vosso clube (falo do Sporting-Leixões), ajudem-nos a ir de encontro aos vossos interesses. Obrigado.
Foi ao som de "Chamem a polícia" que todos saímos ontem do Estádio do Dragão com um sorriso nos lábios. Não totalmente satisfeitos - como eu tinha escrito, ganhar por menos de 3 de diferença era quase uma derrota moral -, mas com o sentido de dever cumprido, com mais uma vitória e o alargar para 24 pontos a diferença sobre o adversário de ontem. E acima de tudo pelo apelo a Vieira que meta a PJ em campo da próxima vez.
O jogo começou com "Olés" dos SuperDragões e eu não gostei. Não por ficar incomodado com a eventual falta de respeito que isso possa significar pelo adversário - eles merecem isso e muito mais - mas porque esses "Olés" tiveram um efeito contraproducente: a equipa passou a maior parte dos primeiros 45 minutos a jogar a passo, como se de um jogo-treino contra os juniores se tratasse. E assim só chegámos ao intervalo a vencer por 1-0.
Ao intervalo entraram os 50 adeptos do quarto classificado que se vieram juntar aos 5 que tinham visto a primeira parte. Não sei se foi de propósito, mas pareceu: o FC Porto foi esmagador e deu baile na segunda parte. Não deixa de ser uma atitude bonita para com os adeptos bermelhos que chegaram ao intervalo: só chegaram agora, tomem lá futebol de categoria para justificar o investimento.
O Benfica, na segunda parte, meteu dó. Faltaram as pernas, o talento, o fio de jogo. Sobrou a altura das torres que entraram, mas só atrapalharam. Do lado do TRI-Campeão, Mariano Gonzalez entrou muito bem, e foi dele que surgiu o passe para o golaço de Lisandro, a fazer o 2-0. Mariano Gonzalez, AFINAL, arrisca-se a fazer parte do plantel da próxima época.
Foi um jogo sem grande história. Chalana encarregou-se de animar a malta na conferência de imprensa com momentos hilariantes, dos quais destaco dois. Primeiro, quando disse "Acho que não fomos humilhados". E depois, quando, a propósito da possibilidade de ainda chegar ao segundo lugar, atirou "Claro que sim. O futebol é cheio de surpresas". Obrigado, Chalana, por estes momentos de boa disposição.
Quem esteve um pouco abaixo deste nível humorístico foram as faixas dos SuperDragões, que revelaram uma certa crise de criatividade. Dizer "Chegaram os bobos da corte ao reino do Rei Dragão", com imagens de Vieira, Chalana e Rui Costa, é demasiado básico e é apostar nas evidências que estão à frente dos nossos olhos. O mesmo se pode dizer da faixa "Ó Orelhas, hoje ela não veio?", sem que se tivesse percebido muito bem se a referência era para a PJ, se para Carolina Salgado ou até Maria José Morgado. Já vi os SuperSragões terem um sentido de humor mais apurado e mordaz. Ontem, correu mal. Os Trabalhadores do Comércio é que salvaram a coisa.
Caros amigos, eu propunha que, amanhã, recebêssemos o autocarro do glorioso decadente com uma gigantesca manifestação de apoio a Luis Filipe Vieira. Ele merece continuar o seu projecto e nós devemos mostrar o reconhecimento devido. Depois de um dia atribulado, no centro de treinos do Seixal, penso que é hora de nos unirmos à volta da família benfiquista e mostrarmos gratidão pelo trabalho fantástico que este homem tem feito em prol do FC Porto. Vejam lá que ele até impediu que os seus próprios adeptos pudessem vir ao Dragão!
Amanhã defrontam-se as duas equipas que mais alegrias me têm proporcionado. Em trinta anos que levo a ver futebol, já assisti a tudo.
Já vi o FC Porto ganhar 16 campeonatos, 9 Taças de Portugal, 14 Supertaças, 2 Taças dos Campeões Europeus, 2 Taças Intercontinentais, 1 Supertaça Europeia, 1 Taça Uefa. Já vi o FC Porto ganhar em todos os escalões de formação de futebol, inclusivamente fazer o pleno com o futebol senior. Já vi o FC Porto golear fora o Werder Bremen por 5-0, golear fora o Benfica por 5-0 e em casa por 4-0, golear o Sporting e a Lázio em casa por 4-1. Já vi o FC Porto ganhar tudo o que havia para ganhar a nível interno nas modalidades ditas amadoras. Já vi o FC Porto construir e jogar no estádio mais bonito do mundo.
Já vi o Benfica ser goleado em Vigo por 7-0, em Alvalade por 7-1 e 5-3, em casa, com o FC Porto, por 5-0, nas Antas, por 4-0, em Setúbal, por 5-2. Já vi o Benfica não ser classificado para provas da Uefa durante dois anos consecutivos. Já vi um Presidente do Benfica ser julgado e condenado na justiça. Já vi um sem número de episódios rocambolescos que me deixaram à beira de um ataque de riso descontrolado.
Amanhã, espero que a tendência se mantenha, mas, ao contrário do que se diz, acho que este jogo será muito mais complicado para nós do que para eles. As recentes goleadas com a Académica e com o Sporting colocam a fasquia num patamar muito elevado, criando um grau de expectativas difícil de preencher. Ganhar simplesmente o jogo não vai ser suficiente. Tudo o que estiver aquém dos 3 golos de diferença será psicologicamente uma derrota para nós. O Benfica não terá grandes problemas neste jogo. Quem encaixa 3 e depois 5, se perder, por 1 ou 2 de diferença, sairá contente. A ver vamos.
Confesso que já não consigo ver os jogos do Porto na TV porque a "cultura anti-portista" e o fervor "vermelhusco" são tão intensos que me parece estar a ver jogos diferentes dos que os jornalistas e comentadores supostamente narram e analisam.
Esta noite, desde o início do jogo, o o inenarrável Jorge Batista, um grande admirador do botabaixismo do oleoso Rui Santos, tentou dar a ideia de que tudo o que acontecia em campo em detrimento do Setúbal tinha duas razões: os supostos erros do árbitro em favor do FCP e a "apatia" da equipa da casa. Aparentemente, escapou a este senhor o facto de estar, do outro lado, a equipa mais forte do campeonato, com o melhor plantel, com o melhor goleador, com o melhor jogador, etc., etc.
Começou com uma falta por trás do Assunção que o comentador fervorosamente desejou ter resultado num vermelho (Proença deu amarelo), passou por um suposto penalty do Fucile que nem o avançado do Setúbal reclamou e, pelo jogo fora, foi sempre sublinhando a surpresa da incapacidade do Setúbal e minimizando a exibição portista.
O que me ocorre dizer face a este reincidente desvalorizar de tudo que o FCP conquista (ou é culpa das arbitragens ou demérito dos nossos adversários) é que o nosso Presidente tem razão em acenar permanentemente com a bandeira do "contra tudo e contra todos". Apesar de eu entender que o Porto precisa de crescer como Clube, sobretudo para além das fronteiras da zona norte do país, e que os discursos regionalistas não contribuem para que isso aconteça, a verdade é que na imprensa e nos audiovisuais (instalados em Lisboa) reinam os benfiquistas e os sportinguistas, umas vezes por convicção, outras vezes para vender notícias que agradem à turba ignorante dos 6 ou 7 milhões de galinhas depenadas e viscondes falidos.
Pois bem, o Porto ganhou e vai jogar a final no Municipal de Oeiras (um local deprimente e indigno para um país que tem tantos estádios com qualidade e dimensão para um evento deste nível). Engulam essa, tal como ainda espero que engulam o facto do Porto terminar o campeonato com mais de 20 pontos de avanço sobre o 2º classificado que, se tudo correr bem, há-de ser o Guimarães.
Para a final tanto faz: gosto de ver os vermelhos vergados à sua real dimensão, mas, por outro lado, preferia que fosse o Porto a fazê-lo na final.
Não sei se hei-de estar mais feliz pelo facto de esta vitória significar a ida ao Estádio Municipal de Oeiras, se por ter contribuído para a azia dos comentadores da SIC, o Jorge Baptista e o outro, o gordo. Pela visão turva destes senhores, parece que o Vitória de Setúbal jogou sozinho, ou, no máximo, contra onze fantasmas de azul-e-branco que passaram pelo Bonfim de forma quase imperceptível.
A desilusão patente no tom de irritação com que eles comentavam cada perda de bola dos sadinos; a incompreensão pelo facto de, hoje, o Vitória não ter conseguido exibir-se ao nível a que nos tem habituado; o quase esquecimento a que os jogadores do FC Porto foram votados na análise ao jogo - tudo isto revelou, mais uma vez, o tipo de jornalismo rasteiro e tendencioso que existe em Portugal. E sempre em prejuízo do FC Porto.
O TRI-Campeão Nacional até entrou de forma algo apática no jogo, mas à medida que o nervosismo das bancadas sadinas ia aumentado (e que se estendeu aos jogadores e treinador do Vitória), o FC Porto foi impondo a sua natural superioridade. A vitória foi natural e merecida. Quando marcámos o terceiro, pedi que não gastassem ali todos os golos da semana, porque domingo precisamos de muitos. Os jogadores fizeram-me a vontade.
UPDATE!: Segue-se o vídeo dos momentos mais importantes do jogo de ontem (obrigado, Pentadragão!), entre os quais tenho de destacar o que acontece ao segundo 54, um lance de rara beleza estética. O Jorge Baptista não comentou este lance.
Do blogue Bicampeões do Mundo.

Um agradecimento do tamanho do TRI ao JRP, que enviou a imagem ao Pobo do Norte.
E após dois anos na penumbra, ouvimos a voz de Carlos Azenha. Finalmente, digo eu. E valeu a pena, uma vez que o treinador-adjunto do TRI-Campeão Nacional (que bem me sabe escrever isto...) pôs na ordem um certo sujeitinho histérico com ares de parolo endinheirado. Façam o favor de ouvir:
Ouvia ontem, na TSF, que, nos últimos 20 anos, o FC Porto conquistou 34 títulos de futebol sénior (os nossos rivais da segunda circular conquistaram 17 juntos) e, apesar disso, é sempre como se fosse a primeira vez que festejamos cada nova conquista. Ontem, esse sentimento manteve-se, num estádio repleto de 50 mil vozes azuis-e-brancas a clamar vitória, a gritar "Campeões", a cantar "Oh, Campeão, o teu passado é um livro de honra de vitórias sem igual", a exultar por cada golo que entrava na baliza adversária, a chamar cada um dos nomes dos bravos jogadores e equipa técnica de que temos a felicidade e o mérito de ter no nosso clube. Em suma, foi uma noite perfeita.
Para aqueles que nos querem retirar pontos, ainda que nada esteja provado judicialmente, nós respondemos com 6 golos. Um por cada ponto que nos querem retirar. Simbolicamente, esta foi mais uma das inúmeras vitórias no local onde a nossa equipa sempre provou ser melhor: no campo, no relvado, onde sempre respondemos com golos à mediocridade invejosa dos pobres de espírito. Para eles, estes 6 golos asseguram, pelo menos, um fim-de-semana de azia. Para nós, é, afinal, mais um campeonato, mas sempre como se fosse a primeira vez.
Não fui ao Dragão, mas vi o 6-0 do TRI no canal mais vermelhusco do país e com a mais jovem portista cá de casa ao colo. POOOOORTO!!!!!!!!!!
A acusação que recai sobre o FC Porto vem confirmar as minhas melhores suspeitas: não sabemos corromper. Segundo a acusação, houve tentativa, não houve resultados. Somos maus a corromper. Estamos para a corrupção, assim como o Benfica para o futebol: não ganhamos nada. E esta é uma falha que devia dar que pensar ao nosso Presidente.
É óbvio que, a confirmar-se a punição dos 6 pontos, será uma vergonha. Mas como já somos maltratados há 30 anos pelos invejosos do costume, o efeito não será o que eles pretendem. Agora, não nos acusem de termos ganho à custa de favores dos árbitros, porque, a acusação está lá: tentativa. Os peritos encontraram 6 erros no FC Porto-Estrela, quatro dos quais prejudiciais ao FC Porto. Já em Aveiro, um empate a zero não deixa dúvidas quanto à "qualidade" da corrupção.
Lamentamos desapontar milhões de anti-portistas, mas a segunda divisão terá de esperar. Talvez um dia, quando Luis Filipe Vieira, Leonor Pinhão e Carolina reunirem esforços para obrarem o segundo ou o terceiro livros. Talvez aí haja mais qualquer coisa para nos atirar para fora da 1ª Liga e assim abrir caminho aos que raramemnte ganham para ganharem qualquer coisa de mais visível do que um torneio, seja ele no Guadiana ou no Dubai.
PS - Espero que nos retirem os 6 pontos a tempo de sermos campeões no jogo com o glorioso decadente.
Em primeiro lugar quero dizer que, mesmo que não tivesse sido penalti, Lucílio Baptista faria muito bem em assinalá-lo. É que o FC Porto é credor de uma série de grandes penalidades que esta espécie de árbitro nos negou ao longo de vários anos. Quem não se lembra, por exemplo, dos famosos 4 de Alvalade?
Quanto ao lance em si, obviamente, foi penalti. Nem sequer há discussão. Ao contrário do que algumas almas penadas teimam em afirmar, o Hugo Alcântara nunca toca na bola. Quem lhe dá um ligeiro toque para a frente é o próprio Quaresma. O defesa azul entra a matar, derrubando o nosso jogador. É só ver com olhos de ver e não com olhos de quem quer, daqui a muitos anos, contar aos netinhos a história-do-campeonato-ganho-pelo-fcp-com-um-penalti-nos-descontos.
Chegámos a um ponto de saturação na discussão de lances de futebol em Portugal. Quando se tem a lata de afirmar que um lance daqueles não é falta, não vale a pena discutir futebol. Quando temos um imbecil de nome Rui Santos a vomitar alarvidades na SIC Notícias, com aquele ar de sumidade na matéria, com pose de doutorado, de quem pensa que está a pregar a moral e os bons costumes, deixa de haver vontade de discutir futebol.
Este senhor foi capaz de dizer que aquele lance do Benfica, em que o Léo chuta contra o braço do defesa pacense, a um metro de distância, foi falta. E teve a lata de dizer, na repetição em câmara lenta, que havia ali um ligeiro movimento com o braço que "feria o lance de ilegalidade". É óbvio que, em câmara lenta, qualquer movimento é descortinável, qualquer movimento parece suspeito, mas o senhor Rui Santos não percebe isso. Ele percebe demasiado de futebol para perceber isso.
A sua referência ao caso Apito Dourado foi também uma pérola. Merecedora de Oscar. Depois de fazer o julgamento sumário de Pinto da Costa, fazendo juízos de valor sobre matéria de investigação e condenando sem hesitações o nosso Presidente, disse ele, com ar paternalista, que as pessoas não tinham de temer pelo futuro do FC Porto. Que havia FC Porto para lá de Pinto da Costa. Que estivéssemos descansados. Mas alguém pediu aconselhamento a este imbecil? Quem é que ele julga que os portistas são? Saberá ele que, mais do que ninguém, nós não tememos o futuro? E saberá ele que não tem qualquer autoridade para nos dar conselhos?
Foi no jogo Beira-Mar-FC Porto que o nosso Presidente corrompeu um árbitro, entregando-lhe um envelope com 2500 euros para que ele nos beneficiasse no jogo e prejudicasse o Beira-Mar. Assim falou a ex-namorada de Pinto da Costa. Assim decidiu Maria José Morgado. A palavra da ex-namorada do nosso Presidente, seja ela escrita ou falada, levou ao tribunal aquele que a tornou uma celebridade e depois lhe retirou o estatuto de primeira dama, dando-lhe com os pés. Nesse jogo, o FC Porto, como se sabe, não ganhou e, como se não bastasse, nada de "anormal" se passou nas decisões do árbitro.
Ora, a menos que haja qualquer suporte em vídeo ou áudio do que contou a ex-namorada do nosso Presidente, creio que ele pode estar descansado. Pinto da Costa vai dizer a verdade em tribunal e a sua palavra terá o mesmo peso valor que a da sua ex-namorada. E não acredito que um juíz tenha algo contra quem está à vontade para dar uns traques ao lado da pessoa que ama.
Quanto a nós, adeptos portistas, também não podíamos estar mais descansados. Até é um alívio ver este caso chegar ao tribunal para se acabar de vez com o diz que disse, ou o "consta que..." ou "fontes próximas do processo asseguram que..." com que uma certa imprensa se tem alimentado avidamente.
O nosso percurso fala por si. As nossas vitórias nada devem a outros motivos que não a competência de termos os melhores jogadores. Essa é a verdade cristalina.
(nota: em nenhum momento do texto me referi a Carolina Salgado como "alternadeira", "rameira", "meretriz" ou outra palavra mais grosseira. Repararam?)
Num Estádio do Mar agitado, conseguimos dar a volta ao resultado e vencemos com toda a justiça. Jesualdo Ferreira pôs em campo todas as opções disponíveis para o ataque e conseguiu levar a equipa aos três pontos. Aqui assume particular destaque Tarik Sektioui, que, ao assistir Lisandro no primeiro golo e ao fazer ele mesmo o segundo, num toque de classe, foi decisivo na nossa vitória.
Outro dos destaques do jogo foi a forma como nos foi tirada uma mão cheia de foras-de-jogo inexistentes, em jogadas de golo iminente que nos poderiam ter posto a salvo do sofrimento que enfrentámos na segunda parte. Acabámos, ao que parece (apesar de a imagem não ser muito nítida), por beneficiar de um fora-de-jogo não assinalado para marcar o golo da vitória. Estes imbecis não perderam a oportunidade.
O TRI está mais perto, ainda que o calendário nos traga uma visita complicada ao terreno do segundo classificado, o Vitória de Guimarães. Mas nessa altura, Jesualdo já deve ter aberto o champanhe que está bem guardadinho no Dragão. O que me preocupa mais, neste momento, são mesmo as lesões de Bosingwa, ele que é uma das traves mestras do FC Porto de hoje.
Em relação ao nosso treinador, só 18% dos votantes na botação sobre a sua renovação consideram que a mesma foi um erro de Pinto da Costa, o que, afinal, contraria uma certa oposição feroz que se tem feito a Jesualdo em algumas fases da época. Ainda existe alguma reserva em relação ao seu trabalho, com certeza em grande parte motivada pela eliminação frente ao Shalke, como podemos verificar nos 41% da segunda opção. Mas também há muito portista satisfeito com o seu desempenho, como é o meu caso, que votei na terceira hipótese. Não vejo razões para o substituir (o que não quer dizer que não ache que há melhor do que ele) e penso que tem todas as condições para nos dar o segundo tetra da nossa história. A não ser que o Benfica coloque mais um Cunha Leal na Liga. Aí não temos hipóteses.
Renovação de Jesualdo - Resultados após 61 votos:
- Enorme erro de Pinto da Costa! - 18% (11)
- Bem, vamos ver no que isto vai dar... - 41% (25)
- A melhor opção, sem dúvida! - 41% (25)
Camacho bateu com a porta, Vieira tentou demovê-lo e o Guimarães está a 2 pontos. O Rui Costa bem se esforça por sair com dignidade, mas não existe Di Maria que disfarce a falta que fazem os livres, as quedas e os penalties do Simão Sabrosa. Ainda bem que só faltam 4 meses para chegar o Verão e mais a habitual montanha de ilusões para vender jornais... Nota curiosa: o Benfica já está mais perto do 9º classificado (Nacional da Madeira) do que do 1º!
Uma vez mais sublinho que o plantel do SCP é uma pobreza: se a meia dúzia de jogadores com nível que possuem não está disponível ou a jogar no topo das suas capacidades... são piores do que o Braga, o Belenenses, o Setúbal e, claro, o Vitória do Cajuda. Será que conseguem ir à Taça UEFA? O Belenenses tem um jogo a menos...
Para concluir: o Porto vai ser campeão antes do SLB nos visitar. Lamento: vencê-los para formalizar o título tinha outro sabor. Estes gajos lembram-me os piratas do Astérix, porque afundam o seu próprio navio antes que os irredutíveis gauleses o façam!
Precisei de 24 horas para engolir a eliminação do FCP: depois de 120 minutos de bola ao frio e de um demorado regresso a casa ainda me dediquei a ver na SportTV a 2ª parte do jogo e o prolongamento.. não quis rever os penalties.
Deste jogo em sessão dupla guardarei a tristeza da eliminação e um orgulho muito especial na forma como a nossa equipa combateu a adversidade. E não concordo com os que referem estar o Guardabel a insistir numa vitória moral. Tratou-se de uma vitória, ponto final. Amplamente merecida e sem discussão possível. Ter caído nas grandes penalidades só ilustra o quanto a sorte nada quis connosco.
Sobre o nosso treinador, só posso dizer que a entrada do Farias para o lugar do azarado marroquino tardou 10 a 15 minutos - de resto, fez tudo o que lhe competia fazer.
Sobre os melhores em campo, diria que foram os do costume: um enorme Lucho, um Paulo Assunção que encheu o campo e um Lisandro que vai certamente sair, este ano ou no próximo, para um qualquer Real Madrid, Barcelona, Manchester, Milan ou clube semelhante - é um jogador que junta raça, querer, poder físico, inteligência e técnica, ou seja, é já um jogador cuja enorme classe e talento não tem cabimento na Liga Portuguesa.
O árbitro fez uma exibição fraca, permitindo perdas de tempo e um sucessão de faltas sem amostragem de amarelos. Terá errado a nosso favor num único lance, que foi o da defesa do Hélton, muito provavelmente feita fora da área. Fora este exemplo, foi tudo contra - o penalty perdoado, os preciosismos no local das faltas (só na 2ª parte porque na 1ª era tudo à larga) e a mais do que exagerada expulsão do Fucile (que disputa com o Quaresma o lugar de pior jogador em campo).
Apesar disso, o Porto foi sempre superior, com 11 e depois com 10, durante mais de meia-hora. Uma equipa que em inferioridade numérica, fisicamente em perda e com uma arbitragem adversa consegue encostar o seu adversário às cordas no prolongamento demonstra mais do que qualidade e querer, demonstra carácter e classe.
Notas soltas:
1 - se mais alguma coisa faltasse para sublinhar a injustiça da nossa eliminação, bastaria olhar para os títulos dos jornais portugueses e alemães - o guarda-redes do Schalke é sempre referido como o herói do jogo, sobretudo pelo que fez antes dos penalties.
2 - o Cardozo foi para a rua por ter dado uma cotovelada igual à que tinha ensaiado no jogo com o Sporting. A diferença residiu, desta vez, no facto do árbitro não ser amigo; e na outra, no acaso de não ter acertado em cheio na cara do Tonel.
3 - tal como previa, o SLB lá nos envergonhou ao perder em casa, numa competição de nível secundário, com o 10º classificado da Liga Espanhola. Perderam por 1 mas poderiam ter sido muitos mais (o treinador contrário até se deu ao luxo de ir retirando os seus jogadores principais de campo para os poupar!). Sim, foi jogando a maior parte do jogo com 10... mas depois do milagre da eliminatória anterior, nem com 12 e jogando com uma equipa do campeonato de Malta lá vão.
4 - o Porto perdeu uma grande oportunidade de ficar com um jogador jovem e promissor quando não quis pagar pelo Vukcevic aquilo que o SCP aceitou investir. Foi um erro grave da SAD e está mais do que demonstrado que este montenegrino tem valor. Parabéns ao Sporting - com o Liedson em baixa, o Moutinho e o Veloso abaixo do que podem fazer e com um GR a meter água com regularidade, este é o homem que vai disfarçando a desgraça que é ter a equipa cheia de Tiuis, Farneruds, Pedro Silvas e Purovics.
No meio da histeria colectiva que se apoderou de todos nós, portistas (eu incluído), devido a esta frustrante e cruel eliminação é preciso lembrar que, ontem, ganhámos mais um jogo da Liga dos Campeões. Cumprimos, mais uma vez, a nossa vocação e o nosso destino que é ganhar ao mais alto nível, nós que somos, a par do Manchester United, a equipa com mais presenças na maior competição europeia de clubes. E para o ano, lá estaremos para continuar a orgulhar Portugal, apesar de uma grande parte deste país não nos merecer.
Ontem, fomos superiores ao adversário em todos os capítulos do jogo, tivemos momentos em que o asfixiámos, o empurrámos para a grande-área, e marcámos um golo soberbo, no finalzinho, dando justiça, ainda que pouca, ao que se passou em campo. E deixem-me dizer-lhes como foi bonita aquela explosão do Dragão após o golo de Lisandro Lopez. Foi um momento que vou recordar para sempre, apesar da eliminação. Uma explosão de 45 mil vozes a gritar golo a plenos pulmões
As críticas a Jesualdo Ferreira não fazem sentido neste jogo. Como muito bem alguns disseram nos comentários, a eliminatória decidiu-se na Alemanha, quando entrámos sobranceiros e convencidos de que "estava no papo". Aí, Jesualdo tem responsabilidade na forma como não preparou a equipa mentalmente para aquele jogo. Ontem, no Dragão, o nosso treinador fez tudo bem:
- Colocou em campo a equipa-tipo, correspondendo aos anseios de todos os adeptos.
- Aos 54 minutos, quando Bosingwa saiu por lesão, não colocou em campo um defesa (e tinha Cech no banco), mas optou por um jogador de características atacantes, Mariano Gonzalez.
- 4 minutos depois, quando era evidente que não era noite de Sekitoui, meteu Farías.
- No prolongamento, e a jogar com menos um, reequilibrou a defesa, retirando um médio exausto, Raul Meireles, e metendo Marek Cech (que, já agora, ia sendo o herói daquela história com aquele chapéu cheio de intenção).
Não sei, na verdade, o que é que o nosso treinador poderia ter feito mais. Fizemos tudo o que pudemos, e tivemos o azar sempre a correr ao nosso lado. Senão vejamos:
- O cabeceamento de Tarik, a dois metros da baliza, vai direitinho ao braço de Neuer. Um pouquinho mais ao lado, o alemão não teria reacção.
- Num remate de Quaresma de fora da área, Neuer defendeu para a frente, quando Lucho estava ao seu lado direito, pronto para a recarga. Um lance em tudo quase igual ao do golo dos alemães na primeira mão, com a diferença de, na Alemanha, a bola ter ido parar aos pés de Kuranyi.
- Bosingwa, o jogador que tinha criado todos os desequilíbrios na primeira parte lesionou-se no início da segunda, período em que se sabia que o Shalke costumava soçobrar.
- O árbitro, que fez uma arbitragem muito desequilibrada, decidiu que aquele lance não era penalti e decidiu que Fucile merecia ir para a rua. Em ambos os casos, na minha opinião, mal. Já agora, o lance do Helton, com a suposta defesa fora da grande-área, não é assim tão nítido e fácil de ajuizar, parecendo que o brasileiro está em cima da linha.
- O lance de Quaresma, isolado em frente a Neuer, pode ser visto neste cenário azarento que nos perseguiu, não pelo lance em si, mas pelo facto de ter sido Quaresma o protagonista. Qualquer outro jogador marcaria aquele golo. Quaresma, não, porque Quaresma tem de ajeitar, tem de simular, tem de hesitar, tem de... enfim, começo a ficar farto deste jogador. Não sei se o seu ciclo no FC Porto não terá chegado ao fim...
Outro dos nossos azares foi não termos jogado estes oitavos-de-final com o Nuremberga. Acho que conseguiríamos passar, mesmo sem golos às três tabelas. Considerar o Shalke 04 como uma equipa fraca é um erro que pode ter duas justificações. Uma é não perceber nada de futebol. A outra é dizê-lo de má fé, só para chatear. No segundo caso, dá-se o devido desconto às pobres criaturas, que só têm destas alegrias de tempos a tempos.
Empatar no Bessa poderia ter sido dramático se:
1. não estivéssemos com uma vantagem de 12 pontos sobre o segundo.
2. não tivéssemos jogado bem.
3. o segundo classificado tivesse ganho o seu jogo (vá lá, mesmo assim não teria sido dramático, mas deixar-me ia um pouquinho mal disposto para enfrentar mais uma semana de trabalho).
Quanto ao ponto 1, uma vantagem de 12 pontos permite fazer a gestão necessária do plantel para a competição que realmente preocupa, A Liga dos Campeões. Jesualdo deu descanso a meia equipa e colocou em campo alguns jogadores da chamada segunda linha, que até se portaram à altura.
E aqui entra o ponto 2. Mais uma vez, e tal como tinha acontecido em Alvalade, apesar do resultado negativo, pudemos sentir-nos satisfeitos com a entrega dos jogadores, a qualidade de jogo apresentada e as oportunidades criadas. Fomos perdulários, mais uma vez, mas deu gosto ver que a equipa se portou como uma equipa, sempre com a baliza em mente e sem preocupações de poupanças para o que quer que seja. Estou a gostar de ver a evolução de Mariano Gonzalez, ainda longe do que pode dar, mas animicamente muito acima do patamar que há uns meses evidenciava. O argentino já não tem receio em ter a bola nos pés e "vai para cima" dos adversários com confiança e sem medo.
Em relação ao ponto 3, eu tinha quase a certeza absoluta que o glorioso decadente não ganhava em Alvalade, apesar da ajuda que um árbitro amigo como Paraty fazia adivinhar (e que se confirmou). O Benfica é actualmente uma equipa cinzenta, cujo futebol é o melhor soporífero para quem sofre de insónias. Ultimamente, vai-lhes valendo o talento do director desportivo e os lançamentos laterais em vôo de Bynia. Mas o Sporting não se fica a rir. Os Basileias só aparecem de vez em quando e a realidade é bem mais complicada. Quem tem na equipa jogadores como Pedro Silva, Farnerud, Celsinho, Tiuí ou Purovic não merece ser levado a sério. E olhem que há mais lugares abaixo do 5º.
O segundo round está marcado para a meia-final da Taça de Portugal, com a curiosidade de saber se o árbitro desse jogo vai tolerar agressões do tipo que Cardozo e Katsouranis brindaram os adversários. O paraguaio quis dar mais razões (do que as que ele já tem) a Tonel para procurar um cirurgião plástico, tentando aproximar-lhe o queixo dos olhos e o grego tentou arrancar o fígado de Moutinho à patada. E logo o Moutinho, que faz muito bem o papel do "ai-meu-deus-que-vou-morrer". A nossa tarefa é, de longe, a mais complicada (tivemos azar no sorteio), mas acredito que estaremos no Estádio de Municipal de Oeiras.
Amanhã, é dia de campeões. Independentemente do que acontecer, acho que esta nossa equipa merece um lugar entre as 8 melhores da Europa.
A ida de Sektioui à CAN deu espaço a Farías para entrar no onze e o argentino mostrou que não é uma contratação falhada ao contrário do que muitos apregoavam. Se, por um lado, a entrada de El Tecla no onze revelou um goleador ainda com potencial para evoluir na nossa equipa, por outro lado, obrigou ao encosto de Lisandro à linha, correndo-se o risco de desperdiçar noutras funções aquele que para mim já é o jogador do ano 2007/2008. Entretanto, Sektioui voltou e sentou-se no banco. Na altura, era complicado tirar um Farías moralizado da equipa, mas também achei injusto penalizar um jogador só porque foi à competição africana de selecções mais importante. E depois, o marroquino é um jogador empolgante, que mexe com a equipa e mexe com as bancadas. Com Quaresma (quase) intocável no onze, Jesualdo tem um grande problema: que trio de ataque utilizar? Eu optaria, nesta altura, por fazer regressar a equipa ao estilo clássico: Quaresma-Lisandro-Sektioui. E os prezados leitores do Pobo do Norte? Podem deixar a vossa preferência na barra lateral e expressar o que vos vai na alma nos comentários. É mais uma botação do Pobo do Norte.
PS - Este é o post 1000 da era moderna do Pobo do Norte (sim, porque nós já somos muito antigos!) Obrigado por nos lerem.
1. Mariano Gonzalez marcou o primeiro golo ao serviço do FC Porto com um excelente remate pleno de força e colocação. Agora é só marcar na Taça frente ao Gil Vicente e depois no Bessa para ser considerado o mais recente fenómeno argentino do plantel. Nem ele é um tosco, nem um prodígio. Mas nós estamos habituados a reacções extremas. Veja-se o caso de Farías.
2. Bynia fez ontem o seu primeiro lançamento lateral dentro das regras desde que chegou a Portugal. O resultado foi o que se viu. Entretanto, parece que o camaronês ainda tem muito a aprender depois do lance impressionante que encostou o jogador do Arsenal, Eduardo da Silva.
3. A pior coisa que podia acontecer a Stojkovic, o guarda-redes sérvio do Sporting, foi o frango de Rui Patrício. É que ninguém tira da equipa um miúdo de 19 anos depois de um frango daqueles. E a grande prova de fogo vai ser em Alvalade, frente ao homem-que-nunca-mais-atinge-os-20-golos e ao homem-que-a-rematar-faz-lembrar-o-Eusébio.
4. Rui Santos foi agredido num parque de estacionamento. Disse que os homens vieram encapuzados e traziam barrotes. Disse ainda que conseguiu oferecer resistência com alguns pontapés, enquanto tentava entrar no carro. Depois, o comentador da SIC terminou, como só ele sabe, avisando: "Não deixarei que este seja mais um caso Bexiga". Pinto da Costa já afirmou hoje, em conferência de imprensa expressamente realizada para o efeito, que nada tem a ver com o caso uma vez que o FC Porto atravessa um período de boas relações com a SIC e, para além disso, citamos "se houvesse alguém em quem arrear, neste momento, esse alguém seria o Jorge Baptista". No entanto, não deixou de terminar a conferência perguntando aos jornalistas: "E ele ficou a falar?"
5 de Março é a data relevante para a época do FCP. Está mais do que visto que nenhum clube português consegue parar a nossa equipa num dia "normal". Apesar disso, esta semana voltamos a ter um treinador que perdeu 3-0 e se queixou da arbitragem - uma vez mais, para além do número de oportunidades, do domínio do jogo e da flagrante diferença de qualidade, estes Srs. recusam ver os erros que prejudicam o FCP, que se pode queixar igualmente de ter sido anulada uma jogada de perigo iminente devido a um fora-de-jogo inexistente. Afinal, os erros da arbitragem servem somente de desculpa para as derrotas ou para tentar reduzir o mérito de quem vence como temos vencido este ano.
Em suma, na Liga Portuguesa perdemos apenas 2 dos 20 jogos disputados até ao momento (e empatamos outros 2): alguém acredita que, independentemente do que venham a fazer os nossos adversários mais próximos (ou menos afastados?!), o Porto não consiga vencer 6 dos 10 que se disputarão até ao final? Resta dizer que, já na próxima jornada, vamos ao Bessa e o SLB joga em Alvalade...
Claro está, para o FCP uma época bem sucedida implica passar, pelo menos, esta eliminatória da Champions. Depois disso, as coisas tornar-se-ão muito mais complicadas. Porque, se eliminarmos o Schalke, esperar-nos-á (exceptuando o caso dos sevilhanos) uma das maiores potencias europeias:
- o Real Madrid (o 1-2 de Roma será certamente recuperável em Espanha);
- o Chelsea (o 0-0 na Grécia abre óptimas perspectivas);
- o Liverpool (mesmo jogando em casa, não me parece que o Inter consiga marcar 3 golos sem sofrer nenhum);
- o Barcelona (ganhou fora e deu um banho de bola aos Escoceses);
- o Manchester United (que tem o melhor plantel da Europa e, ainda por cima, foi feliz no modo como empatou em França);
- o Sevilha (a quem um golo caseiro basta, apesar de eu achar que esta é a eliminatória mais equilibrada);
- o Milan ou o Arsenal (os "velhinhos" italianos vivem para esta competição mas um golo marcado fora pode abrir as portas da eliminatória aos ingleses).
Este ano, fruto do sorteio e dos resultados da fase de Grupos, é mesmo uma honra estar entre os 8 sobreviventes. Eu acredito que, apesar das nossas fragilidades e das diferenças nos orçamentos, a actual equipa do Porto tem lugar nesta elite.
Gostei da entrevista do nosso Presidente. A sua presença na SIC não trouxe grandes novidades quanto às questões do Apito Dourado, até porque já não estamos no tempo em que se podia linchar um homem na praça pública sem julgamento. A novidade em si foi ouvirmos da sua própria boca tudo aquilo que temos vindo a ler, a comentar e a discutir na blogosfera azul-e-branca. Ficamos assim descansados ao constatarmos que Pinto da Costa não está a dormir. Quem gostaria de ter ouvido uma confissão ao vivo e em directo ou alguma novidade quanto à evolução do seu problema de flatulência ficou, mais uma vez, defraudado.
São jogos destes que nos fazem cair na real e pensar que 10 pontos de vantagem, no nosso campeonato, sobre uma equipa da 2ª divisão europeia não podem fazer com que entremos da forma como entrámos hoje em campo. Já tínhamos sido muito felizes ali, mas isso não nos dava o direito de entrar sobranceiros e adormecidos como o fizemos.
O Schalke 04, logo que se apanhou a ganhar, e principalmente na segunda parte, tratou de defender bem o resultado, aqui e ali com porradinha de qualidade à mistura, mas acima de tudo com uma condição física para a qual não tivemos resposta.
Individualmente, apetecia-me destacar, pela positiva, Helton, Paulo Assunção, Pedro Emanuel e Lisandro. Pela negativa, Fucile e Quaresma. É claro que o Miguel Sousa Tavares vai continuar a sua cruzada anti-Helton, dizendo que ele esteve mal no golo, e desta vez não se deve referir ao Quaresma, a não ser para dizer que foi um incompreendido dentro do campo.
No Dragão, acredito que ultrapassaremos estes alemães, mas a equipa tem jogar nos limites. E com Bosingwa, já agora. Cá os esperamos.
O resultado do jogo disputado no Arena AufSchalke é mau. O 1-0 que os alemães defenderam durante toda a 2ª parte permitir-lhes-á jogar no Dragão completamente fechados cá atrás e à espera de um golo salvador que resolva a eliminatória. Claro está, para quem só tenha visto os primeiros 20 minutos é quase um milagre o facto de não termos sofrido mais golos. Mas a realidade dos restantes 70 foi completamente diferente.
Durante 20 longos minutos fomos completamente atropelados pela avalanche de ataque do Schalke, com os nossos centrais à procura dos dois pontas de lança adversários e os médios alemães, especialmente o habilidoso nº 10 croata, a entrarem nos espaços que o nosso meio-campo "light" não tapava. Por outro lado, o Fucile, que está uma lástima em termos físicos, enfrentou sozinho, durante a 1ª meia-hora, a torrente atacante que Quaresma não ajudava a estancar. Sofremos um golo por esse lado e até poderiam ter sido mais, tal era a facilidade com que os alemães se impunham, à custa do seu poder físico e alguma dureza, sobre o nosso inexistente meio-campo.
Jesualdo fez então uma modificação que nos assegurou o equilíbrio defensivo e que, com um bocadinho mais de inspiração do Quaresma, do Lucho e/ou do Lisandro, poderia mesmo ter dado um golo decisivo - trocou as posições do João Paulo e do Fucile. Com o robusto português mais reservado na esquerda e com o Fucile menos pressionado na direita o Porto cresceu. E cresceu tanto que, à medida que o tempo avançava, o treinador do Schalke ia retirando de campo os seus homens da frente (primeiro o nº 10 e depois os 2 avançados), tendo adoptado uma postura de wait and see, confiando na segurança dos dois armários do meio campo (Ernst e e Jones) e do Kobiashvili, um defesa-esquerdo transformado em terceiro médio defensivo.
O Meireles foi aparecendo no jogo, o Lucho ia dando uns toques de classe mas quem enchia o campo era, quanto a mim, o Paulo Assunção, que nunca permitiu grandes aventuras no nosso meio campo durante toda a 2ª parte. Todavia, a nossa esmagadora percentagem de posse de bola na 2ª parte nunca se transformou em perigo efectivo, excepto em 2 ou 3 ocasiões. Aliás, o jogo foi parco em oportunidades de golo: 3 para os alemães (todas nos 20 minutos iniciais) e 1 para o Porto (um cruzamento de Quaresma que Lisandro não conseguiu emendar convenientemente).
Dados do jogo: o Porto fez 16 remates (7 foram à baliza) e o Schalke apenas 7 (2 foram defendidos pelo Hélton e um entrou mesmo). Acresce que o Porto fez apenas 14 faltas, enquanto que o seu adversário fez 24! Um pormenor: o médio Ernst deveria ter sido expulso quando, a 5 minutos do final, cortou um lance com a mão deliberadamente (e já tinha um amarelo, fruto de mais um entrada durinha sobre o Meireles).
Em suma: poderíamos e deveríamos ter feito melhor, o que, no presente caso e com um resultado negativo desde os 3 minutos de jogo, significa que era esencial marcar um golo. O Bosingwa fez muita falta porque as suas velozes subidas teriam mantido os alemães lá atrás e aberto espaço para os nossos médios. Tal como eu previa, mas por motivos diferentes, o lado esquerdo da nossa defesa foi o maior problema da equipa - não deixa de ser curioso que, existindo 2 laterais esquerdos no plantel, o treinador opte sistematicamente por adaptações.
Resta-nos a consolação de que este resultado é perfeitamente recuperável no Dragão - fiquei com a clara impressão que, apesar do impacto inicial do ataque alemão ter sido demolidor, a equipa do Schalke é, comparativamente, muito limitada ao nível técnico - os 2 centrais são altos e fortes mais pouco móveis; os 3 médios defensivos lutam, fazem faltas e correm mas não são grande coisa a construir jogo. Contudo, lá na frente mora um óptimo avançado, o Kuranyi, que é forte, rápido e eficaz.
Seja como for, continuo a acreditar que, mesmo com o 0-1, somos os favoritos desta eliminatória. No Dragão tudo será diferente.
O Porto venceu, como antecipadamente disse o nosso treinador, um dos mais difíceis jogos que teríamos até ao final do presente campeonato. O árbitro fez um trabalho fraquinho (poupando nos amarelos durante a 1ª parte e desatando a amarelar o pessoal de ambas as equipas na 2ª).
No final, o jornalista de serviço colocou a palavra "injustiça" e antecipou a suposta revolta do treinador brasileiro do Marítimo, como que dizendo que a vítoria do FCP não era merecida e teria sido supostamente ditada pela pressão sobre o árbitro.
Pois bem, o que aqueles Srs. se esqueceram de dizer foi que o árbitro se limitou a fazer o que era suposto fazer quando deu o 2º amarelo e mandou o jogador do Marítimo tomar banho mais cedo. Adicionalmente, convirá não esquecer que, quando a expulsão aconteceu, o Porto vencia por 1-0 e estava a dominar o jogo. Acresce ainda que o único penalty que ficou por marcar neste encontro até seria a favor do Porto - afinal, de que se queixa Lazaroni?
Estou a escrever estas linhas e a ouvir um José Mota furioso com a arbitragem de Augusto Duarte, que, como todos vimos, prejudicou o Paços de Ferreira. Mas o jogo começou uns dias antes, quando surgiu nos jornais desportivos a estranheza, por parte do Benfica, de um árbitro envolvido no Apito Dourado ter sido colocado neste jogo. A pressão começou bem cedo e teve hoje o efeito desejado pelo clube que jogou em casa. A SIC fez o resto, entrevistanto o árbitro momentos antes de o jogo começar, centrando toda a entrevista sobre o tema Apito Dourado. Quem nomeou o árbitro acabou por criar o ambiente mais favorável à equipa que se queixou, o Benfica.
Os erros do árbitro foram grosseiros e influenciaram o resultado. Poucos minutos depois do golo do Paços, Wesley isola-se e tem tudo para fazer o 0-2, mas a jogada é interrompida por pretenso fora-de-jogo. O primeiro penalti é falso como Judas, uma vez que Rodriguez chuta no pé do defesa do Paços. O alarido foi muito, o uruguaio esperneou o suficiente para que Augusto Duarte lhe desse o prémio. E deu. O segundo penalti não levanta dúvidas (o defesa agarrou Makukula até este cair), mas a jogada é precedida de falta escandalosa sobre um jogador do Paços, ainda no meio campo, que o árbitro não marcou. Perante estes casos, Luis Filipe Vieira pode fazer mais uma intervenção explosiva numa qualquer casa do Benfica de Cascalheiras-de-Cima.
O título deste artigo é a frase que se ouviu em "off", portanto, acidentalmente, dita pelo jornalista da SIC, já depois do final do jogo e de se ter despedido dos espectadores. Depreende-se que o final da frase seja "...bem" e que a satisfação seja pela vitória do glorioso decadente. De que outra coisa poderiam estar a falar?
Durante o jogo, já tinha dado para reparar nos diferentes estados de espírito desse projecto de comentador chamado Jorge Baptista antes e depois dos golos do Benfica. Antes, enquanto o Benfica perdia, mostrava-se muito apreensivo, num tom de voz mesmo crispado. Depois dos penaltis da reviravolta, cada intervenção do senhor era salpicada com uma piada, num tom de voz alegre. Não critico o facto de os senhores terem o seu clube do coração e serem benfiquistas. Critico o branqueamento que depois fazem dos casos do jogo, como se nada tivesse acontecido.
Este título pode também ser aplicado ao nosso desempenho na Sertã, onde afastámos o fantasma FAT (Fátima-Atlético-Torreense) de forma imperial, com grandes golos à mistura. Estamos nos quartos-de-final da Taça. Gostava que saísse um Sporting-FC Porto no sorteio.
Então a gaja disse que o Pinto da Costa mandou dar um enxerto no Bexiga e o caso é arquivado? Então não era ela uma testemunha crucial e credibilíssima em todo este processo? Já não percebo nada.
E não percebo mais uma coisa: então a gaja não disse que foi co-autora moral da sova ao rapaz de Gondomar? E isto não é uma confissão? E o caso foi arquivado? Ó Sô Bexiga, não vai fazer nada, agora que a gaja confessou? Continuo sem perceber. Ou talvez perceba.
Diz Paulo Bento sobre o jogo com o Belenenses: "Quem desperdiça 45 minutos de jogo, arrisca-se a perder um jogo. Ainda para mais quando estamos perante uma boa equipa. Mas, pelas oportunidades criadas, se calhar foi injusto".
Pois foi, Paulo Bento. Pelas oportunidades criadas pelo Sporting, o resultado foi injusto. Pena que não tenhas tido a mesma avaliação quando o FC Porto te sufocou em casa. Mas, tudo bem, 14 pontos dão para tudo, até para ter pena de vocês.
Que fim-de-semana, caros visitantes do Pobo do Norte! É por fins-de-semana como este que vale a pena ser portista.
No andebol, ganhámos ao Sporting (de Espinho) por 33-16, mantendo a segunda posição, a apenas 2 pontos do ABC e com mais 5 do que o Benfica.
E foi precisamente a este clube que fomos ganhar, em hóquei em patins, no seu reduto, por 4-2, cimentando a liderança e aumentando para 12 pontos a diferença entre as duas equipas. Ganhar na Luz é sempre um hábito saudável.
Em basquetebol, tivemos um fim-de-semana de emoções fortes, primeiro arrasando o CAB Madeira na meia-final da Taça da Liga (80-58) e depois vencendo o troféu, num jogo imprópio para cardíacos, contra a Ovarense, decidido no último segundo do prolongamento com um triplo magistral do norte-americano Fred Gentry. 67-64 foi o resultado final.
No futebol, ganhámos ao último classificado, contra todos os prognósticos do jornalista da SportTV que, no final do Sporting-FC Porto da semana passada, perguntava a todos os entrevistados se pensavam que o FC Porto iria começar um período negro, a exemplo do ano passado. Naquela altura perdemos com o E. Amadora, que era último, mas agora goleámos o Leiria, que também é último. Para o jornalista: continue a fazer perguntas relevantes.
Os deuses escreveram direito por linhas tortas, e se na semana passada nos foi marcado um golo em fora-de-jogo, neste jogo, também tivemos direito a marcar um. De resto, não há muito a dizer sobre este jogo, exceptuando que Farías está a calar muita gente e que Quaresma tem motivos para estar calado.
É claro que a cereja no topo do bolo foi o aumento da diferença em relação ao glorioso decadente para 10 pontos (parece que o hóquei e o futebol estão em competição interna). Se o campeonato não vive momentos de grande emoção, não é por culpa do FC Porto, que tudo está a fazer para relançar a luta pelo segundo lugar.
Este é um grande campeonato, digam o que disserem. A única equipa de classe europeia lidera com 10 pontos sobre o segundo e há apenas 9 pontos a separar o 2º e o 8º lugar, mostrando que há grande competitividade. Querem melhor?
Eu compreendo a alegria que ia na alma de qualquer sportinguista no final do jogo. Também eu a senti quando o FC Porto ganhou ao Manchester United ou ao Chelsea no Dragão há alguns anos. Só que desta vez o FC Porto fez muito mais em Alvalade do que os ingleses no Dragão. Com efeito, ver a nossa equipa ser completamente dominada em quase todos os parâmetros do jogo - posse de bola, remates à baliza com perigo, bolas nos postes, e, acima de tudo, qualidade de jogo inegável - e no fim sair com uma vitória por 2-0 deixa qualquer sportinguista com vontade de acender umas velinhas a Nª Srª de Alvalade (se não existir, inventa-se porque a ocasião assim o merece).
A meio da primeira parte, mais ou menos depois do remate de Pedro Emanuel, na grande-área, à figura de Rui Patrício, desisti de acreditar que iríamos virar o resultado. Em vez disso, deliciei-me com o jogo produzido pelos nossos jogadores. A certa altura já não era o resultado que importava, mas sim a qualidade com que nos mostrávamos em campo, como que dizendo aos 38 mil espectadores que ali estavam: nós não somos deste campeonato, jogamos na Europa.
Sim, não marcámos qualquer golo, e o Sporting marcou dois em dois minutos. E daí? Alguém se atreverá a dizer que o Sporting foi melhor? Alguém poderá negar que o FC Porto jogou um futebol que mais ninguém joga neste campeonato? Quem for sério e honesto responderá não àquelas perguntas. É óbvio que, de sportinguistas calimeros e benfiquistas ressabiados, por muito bem falantes que se mostrem, não espero um assomo de honestidade. Até porque não preciso dele para nada. O que os meus olhos viram, eu sei.
Por falar em ver, estava curioso para ler o tratamento que a imprensa sulista ia dar a este jogo. E não posso dizer que tenha sido surpreendido. Tive acesso ao jornal A Bola, que fez uma completa adulteração do que se passou em Alvalade, talvez com o objectivo de convencer o adepto que não tem televisão e não ouviu o relato de que ouve muito Sporting e pouco FC Porto.
A situação mais vergonhosa começa com a pontuação dada aos jogadores. Os centrais do Sporting, que tantas vezes foram incapazes de suster a avalanche de jogadores do FC Porto e recorreram tantas vezes à falta, têm pontuação superior aos centrais do FC Porto. Mas, aqui, dou de barato o facto de valer a eficácia dos atacantes. Dar 4 pontos a Lucho González e 6 a Romagnoli é, para mim, um escândalo, que apenas pode ser justificado com o estado de embriaguez dos jornalistas (neste caso, ou Fernando Guerra ou António Simões ou Rogério Azevedo) ou a euforia do resultado. Para finalizar, dar a mesma pontuação a Liedson e a Lisandro Lopez é anedota. A média, para quem não viu o jogo, é indesmentível: 6.9 para o Sporting e 4.7 para o FC Porto. O Sporting banalizou o FC Porto.
Outra situação prende-se com o número de remates perigosos atribuídos à duas equipas. Gostava, sinceramente, de saber quais foram os 6 remates perigosos do Sporting à baliza do Helton. É que eu contei 4 - os dois golos, um livre de Ronny e a oportunidade do Liedson aos 91 minutos. Ou será que o jornalista considerou outros remates de fora da área sem perigo ou com algum perigo. Se assim for, impõe-se considerar muitos mais remates do FC Porto e não apenas aqueles 7, que corresponderam, na realidade, a oportunidades de golo iminente.
A cereja no topo do bolo desta análise jornalística verde-vómito vem pela mão de Fernando Guerra, no último parágrafo, em que palavras como "banalizado" e "humilhado" aplicadas ao FC Porto mostram que nem só de Xistras, Vieiras e Veigas se faz o anti-portismo primário.
PS - Vieira saiu da toca a disse "Alguns senhores perderam a vergonha toda". Estaria a referir-se a quem esfaqueou um adepto do Vitória de Guimarães?
No tempo das vítórias morais, seria lógico que dissesse que o Porto merecia ganhar o jogo de hoje - foi a melhor equipa em campo, a mais equilibrada, a que teve mais posse de bola (60%), mais ataques, mais remates e mais oportunidades de golo. Porém, as vitórias não produzem com exibições mas com golos - como tal, o Sporting venceu e está o caso encerrado.
Nem o facto de termos sofrido o 2-0 num lance irregular serve de desculpa. O FCP perdeu porque não transformou em golos uma exibição de óptima qualidade. E o máximo exemplo deste paradoxo foi a actuação do Lucho Gonzalez, uma da melhores que já o vi fazer pelo Porto, mas que ficou manchada pelo desperdício de, pelo menos, duas claras oportunidades de golo.
O Sporting foi feliz na forma como chegou à vantagem de 2-0 antes dos 30 minutos, dado que esta resultou de somente 3 remates à baliza - a segunda parte dos verdes seria ainda mais pobre, fruto do controlo do Porto. Mas, ironia das ironias, o 3-0 esteve quase a acontecer nos últimos momentos do encontro. Nota-se que o plantel leonino é curtíssimo, a equipa está espremida e vive dos fogachos do Simon, da ratice do Liedson e da segurança do Polga. Moutinho e Veloso são duas sombras do que fizeram no final da última temporada e o resto é apenas gente esforçada.
O Porto entrou bem no jogo, teve uma ocasião clara para inaugurar o marcador e falhou. Na resposta, Helton sofreu um golo em que foi mal batido (apesar da rapidez do remate). Momentos depois o bom cruzamento do Pereirinha encontrou o cabeceamento de um Simon em posição irregular e a recarga vitoriosa do russo. A equipa ficou um pouco afectada pela desvantagem registada logo à meia hora, mas perto do intervalo já estava a dominar outra vez. Aliás, o Pedro Emanuel teve a hipótese de reduzir para 2-1 mas remate do seu pé esquerdo saiu fraco.
A nossa segunda parte foi uma demonstração de querer, de entrega e de classe. Os nossos adversários aguentaram-se como puderam: Farias entrou bem e quase marcou por duas vezes (Polga salvou a primeira, a barra devolveu a segunda), Quaresma esteve perto de fazer um grande golo, Lisandro foi sempre perigoso, Lucho falhou um golo daqueles que nem dá para acreditar e, de um modo mais ou menos clarividente, o Porto pressionou quase sempre e criou perigo.
No FCP, para além da fantástica exibição do Lucho, gostei da primeira parte do Bosingwa, do contributo do Farias e, como já é hábito, da actuação do Lisandro, sempre em movimento, sempre a pressionar o adversário e a tentar rematar.
Por outro lado, o Quaresma conseguiu ser, claramente, o pior em campo, agarrando-se à bola quando deveria centrar (sobretudo a partir do momento em que passamos a ter dois homens na área do SCP), ficando à espera de faltas que não foram marcadas (justificada ou injustificadamente), decorando o seu jogo com malabarismos inconsequentes e coroando a sua presença com mais um acto de indisciplina e má educação na altura em que, com mais de meia hora de atraso, o Jesualdo teve finalmente a coragem de o tirar de campo. Uma atitude lastimável e um desperdício de talento - mais 2 ou 3 jogos destes e eu inscrevo-me num curso de assobio...
Mal esteve também o Hélton (no lance do 1º golo), o Bosingwa da 2ª parte (quando resolveu inventar junto à nossa àrea), o Meireles (que passou ao lado do jogo) e o Cech, que não é homem para este tipo de encontros. Um nota suplementar para referir a péssima atitude do Bruno Alves, que poderia ter sido expulso por pisar a perna do jogador mais fiteiro do Sporting. Claro está, o Liedson também poderia ter ido tomar banho mais cedo em virtude de uma bárbara entrada sobre o Hélton. Queria ainda sublinhar que o Jesualdo demorou demasiado tempo a reagir: os três jogadores substituidos deveriam ter saído de jogo muito mais cedo - o eslovaco é um erro de casting recorrente sempre que o Jesualdo decide apresentar a versão mais cautelosa do seu Porto.
Enfim, este fim de semana foi uma (dupla) oportunidade perdida: o Guimarães perdeu o jogo nos 20 minutos iniciais e o Porto permitiu que o SCP defendesse durante 1 hora 2 golos de vantagem que cairam do céu. Se isto não fosse um jogo e o factor sorte não fosse por vezes tão determinante, o título estaria definitivamente entregue e a luta pelo 2º lugar ainda mais renhida. Assim, voltamos ao insuficiente conforto dos 8 pontos (que são nove no caso de empate), para alegria da imprensa e dos comentadores da TVI.
Nota: o Eusébio fez 66 anos e, na intervenção em directo que a TVI fez no jantar de aniversário, o jornalista daquele canal iniciou uma pergunta ao ídolo benfiquista dizendo, com toda a pompa, que "A sua história confunde-se com a história de Portugal"... Nem Afonso Henriques, nem Camões, nem Pessoa - o cidadão tutelar da nação portuguesa é o africano Eusébio, que lutou contra os Mouros, escreveu Os Lusíadas enquanto descobria o caminho para a Índia e ainda teve tempo para compor todos os poemas d' A Mensagem. Calculo que a TVI também já tivesse feito a cobertura dos acontecimentos...
A propósito do jogo de domingo, em Alvalade, proponho-vos uma viagem ao passado. Na época de 1984/1985, o FC Porto de Artur Jorge jogava em Alvalade a hipótese de ser pela primeira vez campeão nacional na década de 80. Foi em finais de Abril de 1985, num jogo que acabou empatado a zero, e no qual a nossa equipa deu um passo importantíssimo para ser campeã. Na jornada seguinte, com um 5-1 ao Belenenses e os últimos 10 minutos de jogo com centenas de adeptos encostados às linhas laterais e de fundo do campo, o FC Porto sagrar-se-ia virtual campeão nacional.
O jogo de Alvalade foi decisivo porque era contra o mais directo perseguidor, o Sporting. Rezam as crónicas que o sector norte do estádio foi completamente ocupado pelos adeptos azuis-e-brancos, numa resposta sem precedentes (creio que ainda até hoje) à fé que se punha naquela equipa (embrionária da que viria a ser campeã europeia em 1987...).
Trago aqui cinco excertos de áudio, gravados por mim, na altura, a partir da transmissão da Rádio Porto - Quadrante Norte. Como adolescente, vivi aqueles momento com muita intensidade, pois tinha visto o meu clube campeão no final da década de 70, mas era ainda uma criança. Aqui, já sofria, com o rádio encostado ao ouvido e a cassete sempre pronta a gravar. As transmissões televisivas eram ficção.
1º excerto áudio - O repórter Sérgio Teixeira (?) refere-se ao ambiente após o jogo.
2º excerto áudio - Eurico, defesa-central do FC Porto
3º excerto áudio - Quim, médio do FC Porto, fala sobre um penalti cometido sobre si e não assinalado pelo árbitro Raul Nazaré.
4º excerto áudio - Gomes, avançado do FC Porto, chorando ao referir-se a José Maria Pedroto
5º excerto áudio - Pinto da Costa, o Presidente, acabando o seu discurso com um elogio final ao Benfica. Quem diria! Outros tempos...
Agora foi o Bruno Alves. Parece sina. Parece que todos os jogadores que têm como empresário o papá vieram parar ao FC Porto. Ouvi ontem o senhor Washington, na rádio, proclamar estranheza pelo facto de o clube ainda não ter avançado para a renovação ou melhoria do contrato de Bruno Alves. E ele fez questão de repetir por várias vezes a expressão "melhoria de contrato", deixando transparecer ainda que o jogador não estará a ganhar aquilo que o seu valor e peso na equipa, neste momento, merecem.
Não me admirava nada se assim fosse. A importância de Bruno Alves na equipa e no clube ainda é muito recente, por isso será natural que os valores ainda não tenham sido actualizados. E tendo em conta as renovações de Quaresma, Meireles, possivelmente de Fucile, e a aquisição da totalidade do passe de Lisandro, até posso compreender este género de reivindicação por parte do papá.
O que mais me incomodou nas palavras de Washington foi um certo tom de crispação com o clube, que teve na seguinte frase o seu ponto mais alto: "Pode ser que quando o FC Porto quiser renovar, o Bruno Alves já não esteja interessado". Não havia necessidade, digo eu. Até porque o Bruno Alves (ainda) não é um Jorge Costa. Ok, muito bem, já deu uma cabeçada no Nuno Gomes, sim senhor, já marcou um golito ou outro, sim senhor, mas ainda não partiu os dedos a um avançado do Milan, não levou na cara desse mesmo avançado do Milan, não marcou golos nuns 5-0 na Luz para uma Supertaça, não foi expulso do clube por uma "espécie de treinador", não regressou a casa para ser Campeão Europeu, enfim, ainda não é um mito. E tem um longo caminho a percorrer.
Não estou preocupado. Sei que o clube renovará com o jogador e que o motivará para ser cada vez mais o líder que eu acho que ele vai acabar por ser. Mas esta questão do papá irritou-me, ainda para mais quando já tivemos exemplos anteriores (Diego, Bruno Moraes, ...) desagradáveis e que a nossa imprensa adorou explorar até ao tutano.
Como já temos muitos pontos de avanço, o pessoal vermelhusco está cansado de ver notícias sobre o Pinto da Costa (o Apito Dourado, o renovado casamento, a reincidente alternadeira, etc.) e o SLB só contrata desconhecidos com nome de doença rara, os jornais estão sem assunto. E como toda a gente sabe, o povo encarnado, os tais 6 milhões, é quem alimenta os Records, as Bolas, os Cartaxanas e os Ruis Santos deste país - sem coisas boas para atribuir ao Benfica e sem pedras para atirar ao Porto os jornais desportivos e os comentadores correm o risco de cessar a actividade.
Temos agora a suprema questão filosófica do persistente "assobio" ao Quaresma: será uma manifestação de desprezo por ter nascido em berço lagarto? será enfado de o ver insistir na jogada individual? será amnésia, porque esquecem os fabulosos momentos que o Mustang nos ofereceu? será pura ingratidão perante aquele de quem se espera qualquer coisa quando o colectivo não resolve coisa nenhuma? Pois bem, eu acho que é um bocadinho de todas estas coisas, misturadas em doses diferentes nas múltiplas cabeças assobiantes.
Pela minha parte, não embarco na ideia feita de que ao Quaresma tudo é desculpável - nunca assobiei o homem mas já muitas vezes desejei saber assobiar, porque não são raras as vezes em que uma finta a mais e um cruzamento a menos estraga o movimento ofensivo da equipa. Por outro lado, também nunca mitifiquei o cigano mas considero-o, não obstante, um sobredotado que, contudo, ficará sempre uns degraus abaixo do patamar dos Decos, dos Figos, dos Rui Costas e a léguas dos Ronaldos porque nunca soube dosear a improvisação e o gesto individual com a mecanização e a ordem táctica necessária ao futebol moderno. Nunca percebeu que, por vezes, é preciso não insistir na finta quando o defesa já percebeu a nossa onda. E também raramente assimilou a necessidade de ser o primeiro a defender (o que implica não perder a bola em locais e situações perigosas).
Em suma, mesmo com as suas imperfeições, sinto-me feliz por termos um Quaresma na equipa. Para além das correrias do Bosingwa, é o único jogador do FCP capaz de nos divertir, capaz de nos fazer saltar da cadeira. E isso não tem preço; ou melhor, até tem - o preço de ficar caladinho quando ele nos esgota a paciência. Mas tem também a sua recompensa, feita de momentos como o melhor golo da época passada (nó no Nélson e bola em arco que o Quim ficou a ver entrar no poste mais longe) ou a simplicidade como tirou do caminho o hiper-mega-fantástico defesa central do SLB, aplicou a trivela e nos deu a vitória na Luz.
Os adeptos do FCP fazem mal em assobiar o Quaresma. E o Quaresma faz muito mal em não entender que o preço de ser diferente e de querer sempre transformar uma jogada banal num golpe de génio (insistentemente...) é aturar os menos pacientes, perceber que existe alguma justificação (raramente, é certo) para tanta insatisfação e seguir em frente. Afinal, o único profissional da bola é ele: os adeptos são quem ajuda a pagar o salário.
Concluindo, aconselharia o seguinte:
aos adeptos - que hesitassem um bocadinho antes de assobiar o homem logo na 1ª perda de bola, porque minutos depois podem estar aos saltos a comemorar mais um golo de levantar o estádio e é um embaraço muito grande ver gente crescida a fazer figuras tristes;
ao Quaresma - se a tua ideia é forçar a saída, escusas de arranjar desculpas de menino amuado; estou certo que o PC não te quer contrariado e, se surgir quem pague mais do que 20 milhões, terás por certo hipótese de seguir o teu caminho; seja como for, não esqueças que foi o FCP que te relançou na 1ª linha do futebol europeu - eu (e certamente muitos outros) não assobiamos, não te esqueceremos e estamos gratos por todos os momentos fantásticos que já nos ofereceste.
Dia perfeito I
O dia começa a desenhar-se perfeito com as imagens do bólide do FC Porto que vai disputar a SuperLeagueFormula. O carro é lindo ou não fosse ele da cor do nosso coração, o azulbranco. Dignos de registo são os quatro aviões que se enquadram no cenário na perfeição.
Dia perfeito II
O Benfica empata em casa com o Leixões, perdendo assim mais dois pontos na luta pelo... 2º lugar. Nem Adu, nem Mantorras, nem Di María, nem Rui Costa, nem Cardozo. E o Leixões manda duas aos postes. Segundo rezam as crónicas, o árbitro foi mauzinho para o segundo classificado, o que já não era sem tempo. A questão é que os grandes beneficiados são o Sporting, os Vitórias, o Braga e o Marítimo. Acho que deviam investigar.
Dia perfeito III
O bicampeão nacional arrasa o Braga com um concludente 4-0. A distância para o segundo classificado aumenta para 11 pontos, o que deixa 40.000 nas bancadas eufóricos. A exibição é boa e cheira a TRI no Dragão.
Dia perfeito IV
Lisandro Lopez bisa frente ao seu adversário mais próximo, Roland Linz. Para além disso, faz mais uma exibição portentosa de entrega, magia e talento. O homem do campeonato.
Dia perfeito V
Bosingwa responde mais uma vez ao coitado do Pedro Silva, mas desta vez não precisa de falar. Basta mais um jogo excelente, provando "dentro do campo" que é um dos melhores da Europa.
Dia perfeito VI
Ernesto Farías, el tecla. Com uma assistência e um golo, faz mais em 10 minutos do que Adriano em 80. O argentino é jogador. Dêem-lhe tempo.
Ele há coisas do catano. No dia em que pensei colocar aqui uma botação sobre qual dos nossos emprestados deveria entrar já em Janeiro no plantel, anuncia-se o regresso de Hélder Barbosa ao FC Porto. Aplaudo a decisão, mas mantenho a botação, até porque pode haver quem preferisse outro jogador. Obviamente, não há espaço para todos os jogadores que neste momento estão emprestados, pelo que optei por colocar aqueles que se têm destacado mais. Se o vosso preferido não estiver na lista, façam o favor de protestar nas palabrinhas. Agora, toca a botar, ali ao lado, na barra lateral. Obrigado pela participação.
"Está tudo em brasa" lá para os lados da 2ª Circular, porque depois da ilusão proporcionada pela 1ª derrota do FCP nesta Liga, os 2 clubes lisboetas cairam na realidade... com estrondo.
Seja como for, existem (pelo menos) 3 formas de olhar tudo isto. Aqui fica, democraticamente, por ordem alfabética:
O adepto do Benfica diz...
Dominamos o Setúbal durante quase 120 minutos e só as bocas do Veiga nos atrapalharam. Além disso, aquela cena do Luisão e do Grego foi uma grande jogada táctica do Camacho - foi ele que deu ordens para o Katsouranis insultar o Luisão, para depois poder retirar os dois de campo, dessimuladamente e, claro, meter o Mantorras (o outro gajo foi só para iludir os adversários). O Mantorras deveria jogar sempre de início porque é um símbolo da raça encarnada: é um jogador que finge falhar o remate para enganar o guarda-redes contrário.
O SCP perdeu porque não tem o melhor plantel dos últimos 20 anos (como nós, claro) e porque o Purovic é mais baratucho do que o Tacuara mas também falha muitos golos. Aquilo foi também a vitória da do departamento de formação do SLB, que treinou o Jorge Ribeiro há 20 anos atrás especificamente para este jogo.
O Porto ganhou porque o Taborda estava com os copos. O Pinto da Costa cortou a água no balneário da Naval e encheu os canos de espumante rasca do Elefante Branco. A Naval teve, pelo menos, 20 oportunidades de golo, incluindo um remate intencional do Mário Sérgio que acertou na barra. O Porto ganhou porque depois do golo do Meireles eles acenderam a função infra-vermelhos dos holofotes do Dragão e o pessoal da Figueira não conseguia jogar sob aquele calor todo.
O adepto do Porto diz...
No Porto, aquela fita do Ilusão e Kacetadanis nunca aconteceria: um estrangeiro que, por exemplo, mandasse umas bocas ao Jorge Costa ficava dois anos de cama e passaria a comer somente papas e líquidos.
A vitória do Boavista é normal porque o Sporting perde pontos e jogos cada vez com mais normalidade. E tranquilamente, claro. Os tipos do Bessa têm a sorte de respirar todos os dias o mesmo ar da cidade onde mora o campeão português e isso, obviamente, é melhor do que o doping.
Nós fizémos uma grande exibição, a Naval esteve sempre encostada lá atrás, o Quaresma fartou-se de dar nós cegos e o Mário Sérgio ficou tão traumatizado e confuso que quando quis centrar ia marcando um golo.
9 pontos de vantagem é pouco e, claro, a culpa é o Jesualdo, que como toda a gente sabe é benfiquista. O Porto está em dificuldades para acabar o campeonato com mais de 20 pontos de avanço e isso é inadmissível.
O adepto do Sporting diz
Iniciamos o jogo tranquilamente porque aquilo no norte anda tudo aos tiros e a malta é tudo gente fina e delicada, avessa a confusões popularuchas. Além disso, o Miguel (Veloso) tinha um penteado novo e estava com medo que a lama do Bessa lhe estragasse o visual.
Quando acordamos já estavamos a perder e o louro que estava na baliza insistiu em meter-se sempre à frente da bola, o que é uma coisa muito chata.
Só dependemos de nós para acabar o campeonato à frente do Benfica, já nos livramos do Paredes e mais jogo menos jogo o Paulo Bento também vai embora. A esperança é verde.
Todos temos direito a um Taborda por ano. O Benfica teve o seu "Taborda" em Coimbra, há umas jornadas atrás, nós tivemos o Taborda original ontem. De qualquer modo, há que reconhecer que a performance de Ricardo (Académica) foi muito mais artística do que a do guarda-redes da Naval. Taborda foi inocente, Ricardo foi mesmo burro.
Por falar em "artística", o golo de Mantorras é uma autêntica obra de arte sacra. Só mesmo com a ajuda dos deuses aquele chuto cheio de varizes pôde dar golo. Diz o angolano "Estou a voltar aos poucos". Por esta afirmação entenda-se "Só terei hipóteses de jogar quando houver molho entre dois colegas da equipa". Pedrito, pá, os adeptos do teu clube decadente gostavam era que tu voltasses logo de uma só vez, e inteiro, de preferência, com cartilagens e tudo.
Nós não jogámos "um Cardozo" (que é o mesmo que "um caracol") e acabámos por ter mérito e ser felizes na vitória ao mesmo tempo. Tivemos mérito porque o Helton fez uma excelente defesa naquele cabeceamento que ia dando golo. Para além disso, apesar da sorte da fífia do Taborda, soubemos, com inteligência, (Obrigado, Lisandro!) construir o golo. Tivemos sorte quando a barra evitou que o Mário Sérgio conseguisse o segundo chouriço da sua carreira (o primeiro foi ter sido contratado pelo Sporting).
Esta nossa equipa não está, infelizmente, formatada para ir à procura do segundo, do terceiro, do quarto golos e por aí fora, como se via com Mourinho. E nisso, parece ser a imagem do treinador. Por outro lado, revelamos uma consistência defensiva assinalável, pois só sofremos cinco golos na primeira volta, dos quais apenas um no Dragão. É obra.
Mas por mais que tente escrever sobre o jogo do Dragão, não me sai da cabeça o lance entre Luisão e Katsouranis. E após ter lido e ouvido imensos comentários ao lance ainda não percebi por que razão ninguém refere o prejuízo que dali adveio para o Setúbal. É que aqueles insultos e empurrões davam, no mínimo, direito a um cartão amarelo para cada um dos rufias, sendo que, no caso de Luisão, seria o segundo. Olhem só se isto acontecesse com o bicampeão nacional. E olhem só se nesta jornada tivessem sido expulsos dois jogadores do nosso adversário da próxima jornada. Que grande tema de debate daria.
Terminando em tom positivo, se ganharmos os próximos 11 jogos, poderemos sagrar-nos campeões na 27ª jornada, em casa, contra o actual segundo classificado. Só por causa disso, até gostava que o "glorioso decadente" também ganhasse todos os jogos até lá.
Camacho deu o exemplo do FC Porto para que os benfiquistas percebessem o que tinham de fazer se queriam ao menos qualificar-se para a Taça Uefa. Bergessio, de partida da Luz, disse aos jornalistas que no FC Porto se trabalha de outra forma com os jogadores estrangeiros, dando como bom exemplo a ascensão de Lisandro Lopez. Nuno Gomes, ao MaisFutebol, volta a falar de Lisandro e aponta o FC Porto como um exemplo a seguir. E depois nós é que falamos deles.

Pobo do Norte deseja a todos os seus leitores (do norte ao sule) um FELIZ 2008. Particularmente a nós, portistas, que continuemos na senda de grandes vitórias. Aos nossos adversários, que ganhem tanto quanto ganharam em 2007.
(Ei, um torneiozinho do Guadiana já não é nada mau!)
Não vi o jogo da Madeira, por isso, com o diria o professor Manuel Machado, não me posso pronunciar quanto aos aspectos tecnico-tácticos que resvalaram num quadro motivacional pouco elevado da agremiação do Dragão. Se alguém quiser fazer o favor de resumir o que se passou em campo, em português corrente, esteja à vontade, que nós agradecemos. Durante o jogo, estive presente num jantar, bem regado a vinho da Estremadura, o que não deixou de ser um mau agoiro.
Uma coisa é certa: perdemos pela primeira vez para o campeonato. Ao contrário do ano passado, em que entrámos em derrapagam após o Natal, esta derrota surge antes da paragem natalícia, o que pode ser bom, na medida em que alerta para o que aí vem e coloca as tropas em sentido.
E o que aí vem é uma segunda volta dificílima, durante a qual teremos de gerir um avanço confortável, manter os níveis de motivação em alta e lutar contra os lapsos de arbitragem, que contra nós nunca são erros, mas sim lapsos, tal como aconteceu na Madeira, quando Mariano Gonzalez foi derrubado dentro da área (no mínimo em cima da linha) e o senhor Pedro Henriques lembrou-se de marcar livre fora da mesma. A tarefa não vai ser fácil no próximo ano de 2008, mas confio na força mental dos nossos jogadores.
O Shalke 04 era uma das hipótese "menos más" para nos calhar nos oitavos-de-final. E calhou. Jogar com estes alemães é regressar ao estádio onde vencêmos a Liga dos Campeões com Mourinho, o que deverá trazer um factor de motivação acrescida para os nossos jogadores.
O Shalke 04 não é uma equipa qualquer. Sem ter os chamados jogadores de renome, ou galácticos, como outros, tem, acima de tudo, uma equipa. O último onze apresentado na Liga dos Campeões, na vitória contra o Rosenborg (3-1), apresentou, na defesa, laterais rápidos e talentosos e centrais já acima dos 30 anos. No meio-campo, a equipa contou com Ernst, Bajramovic, Grossmuller e Ozil, jogadores desconhecidos do grande público. No ataque reside a grande arma desta equipa, com os "pesos-pesados" Asamoah e Kuranyi, ambos internacionais alemães. Mas atenção, no plantel ainda há os dinamarqueses Lovenkrands e Larsen, o turco Altintop e o médio Jermaine Jones, que só não jogou com o Rosenborg por estar castigado.
Neste momento, temos condições de passar este obstáculo. É claro que daqui até Fevereiro muita coisa pode acontecer em termos de plantel, dos dois lados, mas a única coisa que pedimos ao Pai Natal é que lesões graves não aconteçam aos jogadores principais do nosso plantel.
Queria escrever algumas linhas sobre os assassinatos em série verificados no Porto. Mas apenas o faço porque a questão agrada a quem pretende denegrir a imagem da cidade e parece tocar, ainda que ao de leve, o nome do FC Porto. E quando se toca no nome desta cidade e deste clube para dizer mal, eu fico doente.
Ora bem, nós, portistas, temos olhos de ver. E temos consciência. É indesmentível que alguns dos protagonistas desta onda de violência estão ou estiveram ligados ao nosso clube. Não vale a pena negar as evidências. E elas apontam para vários factos:
- O rapaz que foi detido anteontem fez parte dos SuperDragões.
- Quando o nosso Presidente se apresentou em Gondomar para prestar declarações, ele era um dos rapazolas com ar de poucos amigos que o acompanhavam.
- Algumas horas antes do seu assassinato, Aurélio Palha tinha estado a almoçar com um dos líderes dos SuperDragões.
- Fernando Madureira, pelo que se sabe, levou ao hospital um outro rapazola que tinha levado uns bananos nesse jantar.
- O próprio Aurélio Palha desenvolvia uma série de negócios com o nosso clube.
Como se pode verificar, não há como negar que o nome do nosso clube aparece ligado a estes senhores. Infelizmente, digo eu. Desde há já vários anos que temos vindo a criticar a forma como Pinto da Costa e alguns elementos da SAD criaram uma proximidade excessiva com os líderes da claque e se deixaram envolver em promiscuidades que sempre fizeram mal ao nome do FC Porto. Porque é isso que está em causa - o nome do FC Porto. Houve, desde Co Adriaanse, um esfriamento das relações, mas, na minha opinião, ainda não é o suficiente. Há que cortar com privilégios, há que manter distâncias, há que impôr deveres e não apenas outorgar direitos.
Sinceramente, e admito alguma insensibilidade nesta minha opinião, estou-me marimbando para este conjunto de seguranças que se querem matar uns aos outros. E até lhes faço um elogio: o terem tido o cuidado de não envolverem gente que nada tem a ver com as situações, aqueles que, por um acaso infeliz, estão no local errado à hora errada. Até agora, preocuparam-se em fazer a "limpeza" sem arrastar gente inocente para a lama.
Por isso é que eu continuo a dizer que a noite no Porto continua segura, ou, pelo menos, não está menos segura do que era. E nem vale a pena argumentarmos que, em matéria de segurança, em Lisboa é pior. [Claro que é pior, toda a gente sabe disso. Pelo menos eu sentir-me-ia muito mais inseguro se lá morasse e estivesse exposto, por exemplo, a assaltos em massa no Metro da linha da Amadora ou, por exemplo, a que me batessem propositadamente na traseira do carro para me fazerem parar e a seguir levarem-me o carro e sabe-se lá que mais.] Os assassinatos no Porto têm sido minuciosos, os alvos escolhidos a dedo, eu diria mesmo, com uma preocupação em não provocar danos colaterais. Houve alguém que tenha morrido que não tivesse a ver com a questão? Houve alguma evacuação de alguma discoteca? Houve alguma situação de pânico em massa? Parece que não. Por mim, se estes senhores tiverem de continuar a trocar uns balázios, que pelo menos continuem assim, de modo "limpinho".
É claro que tudo isto serve na perfeição todos aqueles que têm por hábito denegrir o nome da cidade e do clube. A cidade continua simplesmente a ser a melhor cidade do mundo, com uma beleza própria só inteligível para quem nela nasceu e vive. Tem problemas? Claro que tem, sempre teve, não os começou a ter com esta situação dos seguranças. O clube, esse, continua a responder com vitórias atrás de vitórias, provando em campo que é o melhor, que tem os melhores jogadores, que tem a melhor equipa. O resto são tangas de frustrados.
Acordar num domingo ensolarado com dez pontos de avanço sobre o segundo classificado deixa qualquer portista bem disposto. Ainda para mais, quando, há precisamente duas jornadas, o mesmo acordar nos colocava somente com um pontinho distância sobre os gloriosos decadentes da Luz. A comunicação social vermelhusca do costume tratou de o lembrar a gritos histéricos (obrigado, Pentadragão). Só que depois o FC Porto ganhou ao Setúbal, ganhou aos gloriosos decadentes e ontem ganhou ao Guimarães. Entretanto, os gloriosos decadentes da Luz perderam com o FC Porto em casa e ontem provaram um pastelinho de Belém. Conclusão: de um a dez pontos de diferença foi um instantinho. E pelo meio uns foram borda fora da Liga dos Campeões, enquanto que outros se qualificavam para o grupo dos 16 melhores. É assim a vida: e qualidade e a competência acaba sempre por vir ao de cima. E até estes se renderam ao azul (mas só porque lá está um clube da capital).
Schalke, Olympiacos, Celtic, Lyon, Roma, Fenerbahçe e Arsenal. Um destes vai ser o nosso adversário nos oitavos-de-final da CL. O cenário é incomparavelmente menos pesado do que o dos primeiros classificados e, com um pouco de sorte no sorteio, temos grandes hipóteses de avançar na competição. Por grau de dificuldade, e partindo do pressuposto de que todos os adversários são difíceis, teríamos, na minha opinião:
Difícil: Schalke, Olympiacos, Celtic e Fenerbahçe.
Muito Difícil: Lyon e Roma.
Extremamente difícil: Arsenal.
O jogo contra o Besiktas confirmou-nos como a equipa mais regular do grupo. Os turcos são-nos nitidamenter inferiores, e ainda deram menos luta do que, por exemplo, o Benfica na Luz. A certa altura fiquei com a sensação de que iriamos disparar para a goleada, mas a entrada em campo da segunda linha prejudicou o nosso jogo de ataque. Bolatti nada acrescentou e Postiga manteve o cinzentismo que tem caracterizado as suas últimas prestações.
O primeiro golo deixou muitas dúvidas na altura, mas na repetição viu-se que o árbitro auxiliar esteve bem. Aquele era o tipo de golo que eu gostava de ver marcado ao Benfica. Ver os Petits e os Luisões a berrar aos ouvidos do árbitro enquanto o encharcavam de perdigotos seria um espectáculo digno de se ver. E a cara deles quando vissem a repetição do lance ainda seria mais engraçado.
PS - Este blogue foi nomeado para isto. Obrigado.
As análises às razões que levaram à vitória do FC Porto na Luz apontaram maioritariamente em duas direcções:
1. Houve um jogador que decidiu o jogo, que fez a diferença através de uma jogada individual. As manchetes dos jornais fizeram de Quaresma o principal, e em alguns casos, o único responsável pela vitória.
2. O FC Porto ganhou porque mostrou, no momento certo, a cultura de vitória que caracteriza o clube. Ganhou porque, depois de goleado em Liverpool, foi mais forte animicamente do que o adversário.
Se estas duas correntes de opinião têm o seu fundo de verdade, sim senhor, foram poucos aqueles que se atreveram a dizer o mais básico e lógico que se passou na Luz: o FC Porto tem melhor equipa que o Benfica, tanto em termos individuais como colectivos.
Vamos por sectores:
Na baliza, considero que as duas equipas estão igualadas. Cada um com as suas qualidade e defeitos, não considero os dois guarda-redes inferiores um ao outro.
Na lateral direita, nem é preciso comentar. Comparar Bosingwa a Luis Filipe ou a Nélson, ou a outro qualquer, é um insulto para o nosso José. Do lado esquerdo, considero que as coisas estão mais equilibradas, pois Léo é um excelente defesa-esquerdo, que ataca muito e bem, com a vantagem de ser lateral-esquerdo de raíz e não uma adaptação como acontece com Fucile. Acho que defensivamente o uruguaio melhorou muito desde que chegou ao FC Porto e é neste momento superior ao brasileiro nesse aspecto (a questão da idade também pesa...).
No centro da defesa, Bruno Alves não tem concorrência. É melhor do que qualquer um dos defesas-centrais dos dois clubes. Luisão? Por favor, não brinquemos com coisas sérias. Desde o início, Luisão foi um produto inflaccionado e muito mal promovido por certa comunicação social, que o foi colocando sucessivamente na mira dos tubarões europeus, numa acção publicitária nunca vista. E entretanto, eram outros a serem vendidos (Ricardo Rocha e Pepe, por exemplo...). David Luiz é, sem dúvida, um jogador promissor, talentoso, que sabe sair a jogar, mas que tem de refrear os ânimos próprios da juventude. Ainda dá muita porradinha e usa os cotovelos em demasia. Pedro Emanuel é um líder, mas perde para o brasileiro na velocidade e no poder de elevação. Ganha-lhe em experiência e em controlo emocional. Por exemplo, Pedro Emanuel muito dificilmente daria o interior a Quresma no lance do golo, como fez David Luiz com o resultado que se viu.
No meio-campo, a diferença acentua-se. Alguém trocava o tridente Paulo Assunção-Lucho Gonzalez-Raul Meireles por Petit-Rui Costa-Katsouranis-Maxi Pereira? Eu não! É inquestionável a classe de Rui Costa, o modo como ele é capaz de fazer jogar a equipa, mesmo sem precisar de correr muito, mas não dura os noventa minutos. Para além disso, quando leva pela frente com uma marcação a sério (como raramente acontece no nosso campeonato) tem muitas dificuldades em desenvolver o seu jogo. Assunção bate facilmente Petit e Lucho é o homem que dá equilíbrio a toda a equipa, ligando todos os sectores. Entre Raul Meireles e Katsouranis, prefiro o português: é mais rápido, mais versátil, menos faltoso e remata melhor de longa distância, apesar de o grego ter mais presença de área. Maxi Pereira parece-me um jogador banal, que no FC Porto era capaz de dar uma razoável opção de banco.
No ataque, a diferença é abismal. Qualquer benfiquista vendia a sua avozinha para ter Quaresma e Lisandro. Qualquer portista fazia o mesmo para evitar Nuno Gomes. E Cardozo não é melhor que Lisandro. Rodriguez é um bom jogador que surpreendeu tudo e todos pela entrega, velocidade e capacidade de remate, mas no momento-chave falhou. Ninguém o viu contra o FC Porto. Já Tarik Sektioui parece ser um homem de grandes jogos e grandes momentos. Foi fantástica a forma como lançou o pânico na defesa benfiquista na primeira meia-hora, antes de se lesionar. Entre os dois, prefiro o marroquino.
Em conclusão, se na defesa considero haver equilíbrio entre as duas equipas (com ligeiro ascendente portista), no meio-campo e ataque a superioridade do FC Porto é notória, quer em termos individuais quer na soma desses elementos como equipa.
PS - Olhando para as manchetes de A Bola de ontem e hoje, confirma-se aquilo que Pedro Emanuel disse no final do jogo da Luz.
Há várias razões pelas quais temos de ganhar ao Besiktas. Em primeiro lugar, porque, para nós, ganhar é como respirar (prefiro esta comparação à do escovar os dentes). Em segundo lugar, porque implica mais dinheiro. Depois, permite-nos ficar em primeiro lugar no grupo, condição que apenas atingimos por uma vez, na época 96-97, à frente de Rosenborg, Milan e Göteborg (no ano em que fomos castigados, nos quartos-de-final, em Manchester, com aquele 4-0 de má memória...).
O primeiro lugar do grupo dar-nos-ia o privilégio (se é que se pode chamar assim) de evitar, nos oitavos-de-final, equipas que, por tradição e em teoria, nos são superiores. Os chamados tubarões. Assim, nesta altura, já estão decididos cinco líderes de grupo: Chelsea, Milan, Barcelona, Manchester United e Internazionale. Muito provavelmente, o Real Madrid também se juntará ao grupo dos primeiros (basta-lhe ganhar à Lazio em casa). A dúvida mais forte, neste momento, coloca-se no grupo H, entre Sevilha e Arsenal. Conclusão: é mesmo fundamental ganhar ao Besiktas.
Se ficarmos em primeiro, teremos equipas teoricamente mais acessíveis como potenciais adversários nos oitavos-de-final. Nesta altura, Celtic e Roma são os únicos segundos definitivos. Nenhuma delas assusta. As restantes saírão das seguintes duplas:
Shalke/Rosenborg
Olympiacos/Bremen
Rangers/Lyon
Fenerbahce/PSV
Arsenal/Sevilha
É bom de ver que o cúmulo do azar seria classificarmo-nos em primeiro e levar com o... Arsenal nos oitavos-de-final. Para que os londrinos ganhem o seu grupo, terão de vencer em casa o Steaua (nada complicado) e esperar que o Sevilha não ganhe em Praga ao Slavia (pouco provável).
Isto não é para me gabar, mas eu previ que ganharíamos na Luz. Por mais que a imprensa fizesse a apologia de um "grande jogo" do Benfica contra o Milan (que, já agora, jogou a passo, consciente de que o empate chegava), por mais que se exacerbasse os possíveis efeitos da goleada em Liverpool, eu, e certamente a grande maioria dos portistas, temos a consciência do abismo de qualidade que existe entre o FC Porto e o Benfica.
E nem mesmo aqueles 5 minutos iniciais de algum atabalhoamento da nossa parte me fizeram pensar o contrário (já agora, no lance de Nuno Gomes, aos 53 segundos, a bola iria ao lado...). O resto da primeira parte mostrou a quem tiver olhos de ver por que razão estamos em primeiro lugar no campeonato. Fiquei com a sensação de que o Setúbal tinha dado mais luta no Dragão e questionei-me mesmo se não teríamos meia-dúzia de jogadores emprestados ao Benfica...
A nossa primeira parte resume-se a duas palavras: domínio e classe. O Benfica cheirou a bola e nós ficámos a dever-nos a nós próprios pelo menos mais um golo, naquela perdida de Lisandro na cara de Quim. O nosso jogo tinha ligação, o meio-campo acertava os passes e o tridente atacante fazia a cabeça em água à defesa adversária. O Benfica não ligava o seu jogo, não fazia dois passes seguidos. Resumindo: era inofensivo.
Mas tinha, do seu lado, o portuense Jorge Sousa (refiro "portuense" porque foi uma característica destacada por muitos benfiquistas durante a semana), que teve uma série de decisões infelizes sempre a prejudicar o FC Porto. A mais grave, um penalti de David Luiz sobre Lisandro, em que o brasileiro abalroa o argentino num cruzamento. Outras menos graves, mas potencialmente decisivas no desenrolar do jogo, como, por exemplo, a não mostragem do cartão amarelo ao mesmo David Luiz, quando "varreu" Lucho Gonzalez sem bola, ou a marcação de uma falta inacreditável a Fucile, mesmo no final da primeira parte, quando o uruguaio joga bola de cabeça sobre um Rodriguez que entretanto caíra sozinho, ou ainda, quando, na segunda parte, volta a marcar uma falta para livre perigoso por queda (simulação) de Di Maria.
A segunda parte trouxe um filme já visto anteriormente, com um FC Porto mais retraído, dando a iniciativa de jogo ao adversário. Só que, desta vez, esse domínio dado ao adversário pareceu-me, pelo menos até às substituições, mais consentido do que forçado pelo Benfica. Tivemos aí oportunidade para "matar" o jogo, com uma oportunidade de Quaresma, mas não o fizemos, e fomos obrigados a sofrer até ao final. Os benfiquistas, que por vezes mostram alguma dificuldade em ver futebol, queixam-se de que a falta de sorte é responsável por as bolas não entrarem. Talvez não fosse má ideia reparar que existe um guarda-redes do outro lado, neste caso, Helton, que fez duas defesas extraordinárias a remates de Nuno Gomes e Adu (no primeiro caso, depois de uma fífia stepanoviana de Bruno Alves...).
As nossas substituições, do ponto de vista atacante, não resultaram. Em primeiro ligar porque Mariano Gonzalez e Helder Postiga foram uma nulidade. Em segundo lugar, porque Lisandro foi encostado à lateral direita, perdendo protagonismo. Eu sei que é fácil falar a posterior, mas creio que Leandro Lima teria feito mais sentido no último quarto de hora, para segurar a bola e escondê-la dos adversários como ele tão bem sabe fazer. Mas Jesualdo Ferreira preferiu dar-lhe um lugar na bancada. Bolatti entrou bem e ajudou muito nas tarefas defensivas.
Uma palavra final para os nossos adeptos presentes no estádio, que se fizeram ouvir quase durante todo o jogo. Eles mereceram esta vitória. Agora, com 7 pontos de diferença (aquele empate na Amadora ainda me está atravessado...) temos todas as condições de disparar decisivamente para o título. Mesmo assim, continuo a pensar que precisamos de 1 ou 2 reforços de qualidade em Janeiro, mas isso são discussões para outra altura.
Perder, para um adepto do Porto, é sempre mau, seja com o Liverpool, com o Milan ou com o Real Madrid. Perder por 4-1, por mais discutível que seja o penalty e por maior infelicidade que possa ter existido no lance do 2-1, é inaceitável. Apesar disto, lideramos o nosso Grupo e, como é lógico, dependemos apenas dos nossos resultados para seguir em frente. Porém, não há espaço para vitórias morais, pelo menos para nós.
Por outro lado, o resto dos clubes portugueses já não têm hipóteses de seguir em frente, mas continua a discutir-se a justiça ou injustiça do último resultado, como se não subsistisse uma lógica de mérito quando já estão decorridas 5 jornadas na Fase de Grupos da Champions 2007/08. Seja como for, a desgraça (ou a inépcia) alheia não me contenta - neste caso, cada clube português deve fazer o melhor que pode - nenhum dos outros concorre directamente.
Não vi a primeira parte do jogo, mas não gostei do que vi na segunda. O FCP deixou-se encostar. Sei que o Kaz fez o cruzamento para o golo do Lisandro e reconheço que a entrada do Tarik deixou o flanco direito desguarnecido, mas não percebo como é que dois reservistas do plantel (o polaco e o Mariano) entraram no 11 titular de uma partida da Champions quando quase não têm oportunidades de jogar na Liga Portuguesa. Seria para dar descanso ao Meireles e ao marroquino por causa do jogo da Luz? Ainda nem sequer chegou o Natal e já estamos com preocupações destas? Se esse foi o motivo, discordo profundamente - até o empate em Anfield poderia ter garantido o apuramento (com a vitória dos turcos face ao Marselha, teremos que, no mínimo, obter um empate no nosso jogo final).
Quanto ao que vi, ficou evidente que o Stepanov ou não tem pedalada para este nível (o que significa que não serve para o Porto) ou ainda precisa de muitos jogos destes para lá chegar. Seja como for, se o Pedro Emanuel esteve bem contra o Setúbal, porque não manter o homem na equipa? Se o Porto estivesse muito agressivo, precisariamos de alguém para recuar rapidamente, mas da maneira encolhida como jogamos, a diferença de velocidade entre o sérvio e o nosso veterano central nem seria relevante.
Resumindo: contra o SLB, para além de repor a nossa melhor equipa (Meireles e Tarik no 11 inicial, bem como o Fucile no lado esquerdo), o que o Jesualdo deverá fazer é recolocar o Pedro Emanuel no eixo da defesa. O Stepanov precisa de tempo para engolir esta sequência de situações negativas: contra o Marselha deixou-se antecipar infantilmente, cometeu um penalty parvo no empate com o Estrela e hoje esteve (mal) em 3 dos 4 golos do Liverpool. É muita asneira junta.
Numa semana, recebem dois grandes da Europa.
Para começar, devo dizer que desde o jogo em que empatamos com o Nacional em moldes similares que eu não ficava tão irritado com um resultado do FCP. Por isso, resolvi deixar passar 24 horas antes de arriscar escrever qualquer coisa.
Hoje, depois da imprensa vermelhusca ter feito a festa aos "fantásticos 6-1" e aos "4 pontos de diferença que já foram 8", depois de ver o nosso Pobo portista a zurzir no Jesualdo, no Hélton e no Stepanov, chegou a altura de dar a minha opinião.
1º Considero aquele relaxe uma coisa já vista e preocupante - denota falta de ambição (dos jogadores e do treinador) e, já agora, de liderança e profissionalismo. Com um Jorge Costa em campo nunca o Stepanov faria uma borrada daquelas sem ficar com o pescoço quente e as orelhas a arder.
2º Parece que o Jesualdo está sempre preocupado com o desgaste dos habituais titulares. Todavia, o gajo que mais tem contribuído para as vitórias do Porto andou ali a correr como um louco, durante 90 minutos (sim, o Lisandro). Esta tanga da fadiga tem solução - ou se coloca em campo as 2ª linhas com maior assiduidade (e sem o colocar todos ao mesmo tempo, como contra o Fátima) ou se explica ao resto do pessoal que um profissional do FCP tem de ter atitude competitiva durante todos os jogos, do princípio ao fim.
3º Sobre a liderança do plantel: o comentário que o Bosingwa terá alegadamente feito ("Aquilo que o treinador diz é problema dele. Se ele diz isso é a opinião dele. Eu se calhar não tenho essa opinião") soa a má educação ou a coisa pior - insubordinação. Se os media não estiverem a inventar uma falsa polémica, o Jesualdo não tem alternativa - ou encosta o seu melhor defesa direito para lhe mostar quem manda ou se demite. Se permitir "bocas" destas estará provado aquilo que se vai dizendo: não é capaz de impor disciplina no plantel.
4º O Porto não perdeu por causa do Adriano, mas confesso ser difícil compreender porque é que o Postiga é opção contra o Marselha e fica no banco a ver o Adriano jogar contra o Estrela - afinal, quem é a 2ª opção para ponta-de-lança? É "à vez"? Onde anda esse "matador" experiente que o Porto comprou no Verão?
5º O Stepanov é o 2º melhor central de que dispomos, mas está muito longe de ser um Pepe. O problema não é a parvoíce do penalty de domingo: o dito Sr. actua com displicência e, por vezes, enterra-nos por estar a dormir, como foi o caso do jogo com o Marselha. Como o João Paulo não me convence e o Pedro Emanuel está na pré-reforma, ou se desencanta um ex-júnior com possibilidades de fazer carreira ou temos que ir às compras em Janeiro.
6º Eu gosto do Hélton e não é a bronca de ontem nem a célebre passarada com o Chelsea (Champions 2006/2007) que me levam a pensar que o homem não serve. Contudo, mais do que o Nuno (que até tem cumprido o seu papel com brilhantismo), gostaria de ver como alternativas o Bruno Vale ou outro dos jovens GRs que o Porto tem sob contrato.
7º A malta não pode esperar por mais um deslize para protestar e exigir mais à equipa. Por outro lado, também não podemos embarcar em estados depressivos - eu prefiro estar 4 pontos acima do 2º classificado do que estar a menos 4 pontos (do que estava há duas semanas) do 1º classificado. Traduzindo: a histeria geral em torno da aproximação do SLB pode ser positiva... se, independentemente do resultado com o Setúbal, não falharmos no jogo "emocionalmente decisivo" que será o disputado na Luz. Se ganharmos vantagem directa (potencial, claro, porque dependerá sempre do resultado da 2ª volta no Dragão) as galinhas voltam para a capoeira e teremos logo os Bagões e os Tadeus a malhar no Orelhas.
Esta receita é um espectáculo. E é infalível. Aconselhamos vivamente os nossos adversários a usá-la. Vão ver que funciona mesmo.
1. Entre em campo com a equipa titular, com atitude ganhadora e futebol atractivo.
2. Faça os golos que puder, por exemplo, dois.
3. Na segunda parte, a 20 minutos do fim, retire de campo um médio de ataque e coloque um médio defensivo. Dê sinais à equipa que deve começar a descansar.
4. Faça os seus jogadores acreditar que o jogo está ganho e que o melhor é poupar as pernas dando a iniciativa de jogo ao adversário.
5. Coloque em campo um ponta-de-lança chamado Adriano (alô, Rogério!) e afaste o melhor marcador do campeonato da zona de decisão.
6. Se fôr guarda-redes, cometa um erro de todo o tamanho, numa bola parada. Por exemplo, sair em falso atirando-se para cima do defesa da própria equipa. Sofra um golo nesse lance, vai ver que é fácil.
7. Se não está contente com o retraimento da equipa e acha que ela se devia retrair ainda mais, retire de campo outro médio de ataque, se possível um que tenha bastante mobilidade, e coloque um jogador que não jogue há bastante tempo.
8. Se fôr defesa-central, e tiver cometido erros graves nos últimos jogos, cometa mais um: agarre a camisola do avançado adversário e faça penalti. Vai ver que consegue deixar-se empatar.
9. Termine o jogo a pensar como foi possível ter conseguido o seu objectivo: deixar-se empatar nos últimos 10 minutos (por muitos Anselmos que merecessem ter sido expulsos)

E pronto, quase 24 horas depois, sinto-me em condições para escrever algumas linhas sobre a vitória de ontem. Em primeiro lugar, apetece-me dizer que, sem Stepanov em campo, aquele golão do Tarik não era possível porque foi o sérvio quem fez a "assistência magnífica" para o Marroquino pegar na bola e ir por ali fora. Isto faz-me lembrar o antigo internacional argentino, Enrique, que um dia disse, em tom de brincadeira, que o Maradona só tinha marcado aquele célebre golo à Inglaterra no Mundial do México, em que fintou meia equipa inglesa, porque lhe tinha feito o passe ainda no meio campo argentino.
O golo de ontem do marroquino, para além de ajudar à conquista dos 3 pontos, veio dividir os adeptos portistas em dois grupos: "os-que-sempre-apoiaram-Sektioui" e "os-que-sempre-disseram-mal-de-Sektioui". Agora, os primeiros atacam os segundos, acusando-os de não perceberem nada de bola, os segundos mantêm-se calados à espera de ver se isto é fogo de vista ou não. Mais valia que todos se calassem e encarassem isto como uma coisa natural: o futebol é mesmo uma caixinha de surpresas. E já deveríamos todos estar avisados para isso, basta lembrarmo-nos dos "fenómenos" Pena - um goleador no primeiro ano, um tosco no segundo - e Acosta - um tosco no primeiro ano, um goleador no segundo. Um exemplo ainda mais flagrante: nos tempos de Mourinho, contam-se pelos dedos de uma só mão os portistas que encararam a contratação de Maniche com bons olhos, e no entanto... Lembro-me, inclusivamente, de a contratação do Deco, ainda a meio de uma época de Fernando Santos ter sido criticada por muitos portistas. Pois é: nada é definitivo em futebol. Veja-se mais este paradoxo no nosso percurso na Liga dos Campeões: ganhámos os dois jogos em que jogámos pior, empatámos aqueles em que nos superiorizámos aos nossos adversários.
Já falei de Stepanov no início, em tom de brincadeira, mas agora devo fazê-lo muito a sério para dizer que este jovem sérvio deve rapidamente aprender a posicionar-se dentro da área, nos cruzamentos, pois foi batido quase da mesma forma nos dois golos do Marselha. Para além disso, por vezes, parece-me algo displicente na forma como passa a bola.
Gostava ainda de referir que este foi o melhor jogo oficial de Mariano Gonzalez. Para tal, bastou jogar poucos minutos, mal tocar na bola e não atrapalhar. Daqui a alguns meses, quando ele se impuser na equipa, espero que venham cá atirar-me à cara esta boca foleira.
(Texto escrito às 16:55, de 07/11/07)
Em Braga, a chamada "cidade dos arcebispos", sofremos o primeiro golo no campeonato. Em Fátima, fomos eliminados da Taça da Liga. Ontem, um Jesus armou os seus 11 discípulos de Belém para nos tirar os primeiros pontos deste campeonato. É caso para dizer que a fé não quer nada connosco, nem com o Papa.
Empatámos e empatámos muito bem. O Belenenses tem excelentes jogadores que fazem uma grande equipa, cujos atributos estiveram à vista de todos: técnica e organização. Nós, sem o defesa-extremo Bosingwa e sem o "patrão" Lucho Gonzalez, revelámos dificuldades. Não quero dizer que fizemos pouco para ganhar o jogo, nada disso, por momentos encostámos o Belenenses às cordas e estivemos na iminência de marcar. Mas o nosso jogo, principalmente sem Lucho, perde ordem e inteligência.
E ontem viu-se por que razão Jesualdo foi obrigado a tirar Leandro Lima do campo (contra uma grande assobiadela). O menino brasileiro estava a emperrar o jogo (fez-me lembrar o pior Diego que vimos no Dragão) e não se estava a dar nada bem com as marcações rígidas do meio-campo do Belenenses (já agora, aquele Gabriel Gomez parece-me um excelente jogador). E a prova disso é que a entrada de Sektioui devolveu-nos a velocidade e a agressividade. Poderíamos ter marcado o segundo, mas talvez os discípulos de Jesus não merecessem perder este jogo.
Pelos vistos, o nosso golo foi marcado depois de Postiga ter recebido a bola em fora-de-jogo. Digo "pelos vistos", porque no estádio ninguém se apercebeu de tal facto, nem mesmo os jogadores do Belenenses. Ora, parece-me lógico, uma vez que se trata de um lance perfeitamente capaz de passar em claro a um árbitro-auxiliar, aqui ou noutro estádio qualquer. Eu explico: há uma luta pela posse de bola entre o Paulo Assunção e um defesa do Belenenses, em que ambos fazem uma entrada em "carrinho", pelo que no momento do passe os árbitros estavam naturalmente a olhar o lance, que até foi algo violento de parte a parte. Postiga e a defesa belenense vêm a recuar no terreno, Postiga mais atrasado (é costume...). Quando Postiga recebe a bola já está com um defesa entre ele e a baliza, pelo que como o árbitro não estava a olhar para o Postiga no preciso momento do passe, não assinalou. Trata-se, talvez, da mais complicada situação de fora-de-jogo que existe porque os jogadores vêm a recuperar no terreno e a bola e jogada numa outra zona do campo.
Os incomodados com este lance, que se esquecem o quanto as suas equipas já foram mais beneficiadas este ano, devem lembrar-se que este caso não deu uma vitória ao FC Porto. Também só com dotes de adivinhação saberíamos se o Belenenses ganharia o jogo, se o fora-de-jogo tivesse sido assinalado. Portanto, procurem outro alvo para descarregar a vossa frustração.
1. Entrámos decididos a resolver o jogo rapidamente e conseguimos fazê-lo. Afinal, a exibição de Marselha não foi um oásis no deserto. O resto do jogo, como disse um amigo meu, "foi uma seca". "Sim, mas preferias estar à procura do primeiro golo já na segunda parte, sofrendo a bom sofrer?", perguntei eu.
2. Tarik Sektioui é um jogador refinado tecnicamente, já se sabia, por causa daquele vídeo. Agora, só tem de ser mais constante em todo o tempo que está em campo. De qualquer modo, esta é a melhor "contratação" desta época.
3. Lisandro foi, mais uma vez, o melhor. Já aqui tinha dito, no início da época, que Licha iria ter fazer a sua melhor época em Portugal. E no centro do ataque, como sempre disse que ele rendia mais. Bastava estar atento ao seu percurso na Argentina. Obrigado, Jesualdo por apostares nele.
4. Raul Meireles está numa forma extraordinária. Alguém ainda prefere Ibson?
5. Quaresma precisa urgentemente de fazer um número mágico. O problema é que, até isso acontecer, vão-se perder muitas jogadas de ataque colectivo que poderiam dar golo. Mas nós esperamos por ti, ó cigano, não te preocupes.
6. Mariano González joga sobre brasas. A bola queima. O público é impiedoso e os assobios ferem o craque argentino. Assobiar um jogador de azul-e-branco vestido, no Dragão, devia ser crime punido com um kit sócio do Benfica.
7. Falando dos nossos adversários, o Sporting esvazia o balão e não se vê qualidade naquele banco, capaz de virar o estado das coisas. Enquanto isso, enerva o discurso dos Paulos Bentos e dos Dias Ferreiras, considerando "normais" as derrotas com FC Porto, Roma e o empate com o Benfica. Com "tamanha" ambição, a lata que têm estes gajos em falar de arbitragens...
8. O rapaz de origem africana levanta-se do banco, as bancadas entram em polvorosa, o rapaz marca a 10 minutos do fim e resolve os problemas que 11, antes dele, não souberam resolver. Este filme é recorrente no clube de bairro de Lisboa. Primeiro com Mantorras, agora com Adu. Em seguida, o departamento médico do clube encarregar-se-á do resto.

Fazer melhor que o pai. Ora aqui está uma missão impossível para Ricardo Sousa, jogador que foi um dia uma grande esperança do FC Porto, vindo dos juniores, rotulado como um número 10 para encher o campo, mandar na equipa e marcar livres directos como o pai fazia. Nada disto aconteceu, aliás, nem tenho a certeza se Ricardo chegou a fazer parte de algum plantel do FC Porto. Hoje joga no Omonia Nicosia do Chipre, depois de já ter passado pelo Hannover da Alemanha e, em Portugal, pelo Boavista e Beira-Mar, pelo menos. Aos 28 anos, Ricardo Sousa está longe de estar acabado para o futebol, mas as perspectivas de poder vir a ser o que prometia parecem quase nulas. Muitas foram as razões apontadas para o seu falhanço no FC Porto. Houve quem dissesse que foi vítima das circunstâncias - lembro que quando apareceu estávamos em plena construção do pentacampeonato -, houve quem atribuísse o seu fracasso a uma personalidade pouco humilde.
Quanto a António Sousa, foi para mim um dos médios mais fascinantes da década de 80 do nosso futebol. Era um jogador que tinha tudo: capacidade defensiva, visão de jogo (fantásticos os seus lançamentos em profundidade naquele jeito muito próprio de chutar a bola) e mestria na marcação de livres directos. Marcou o nosso golo na final de Basileia e foi campeão europeu em 1987. Um símbolo do clube.
Depois do jogo de ontem, apetece pedir à nossa equipa que volte àquele jogo chato e desconexo que caracterizou os últimos jogos para o campeonato, e que ganhe. E já contra o Leixões, na segunda-feira. Jogar tão bem como o fizemos ontem durante grande parte do tempo e chegar ao fim com um empate é frustrante. Também espero que aqueles que ainda põem em causa o mérito da nossa liderança intramuros, tenham visto o jogo de ontem e tenham percebido porque estamos a léguas da concorrência.
PS - Bosingwa já é um dos três melhores laterais-direitos da Europa.
A propósito do anúncio de saída de Gilberto Madaíl, disse Miguel Sousa Tavares, hoje, na TVI, que achava bem porque as pessoas não devem ficar eternamente à frente das instituições. E acrescentou que Portugal estava cheio de exemplos de pessoas agarradas aos poder, que não sabem sair quando estão "por cima". E passou aos exemplos. O primeiro que encontrou foi o de Pinto da Costa, o segundo, Alberto João Jardim, e ficou-se por aí... (mais adiante haveria de referir também Pedro Santana Lopes, um dos seus "ódios de estimação"). Todos concordamos que Pinto da Costa está há muito tempo ao comando do FC Porto. Concordamos porque é um facto objectivo. No entanto, a polémica surge quando se opina sobre se já deveria ter ou não saído. Eu, por mim, vejo-o muito bem onde está. Nos últimos cinco anos, levou o clube a ganhar quatro campeonatos, duas taças europeias e uma intercontinental, vitórias que eu não trocaria por "sangue novo" na presidência do clube. O Miguel Sousa Tavares, pelos vistos, trocaria. Estará o próprio Miguel há demasiado tempo "agarrado" à cadeira no telejornal da TVI?

Bruno Alves afirma-se cada vez mais como um dos melhores centrais do futebol português. Depois de jogar pela equipa B até 2002, foi colocado pelo FC Porto a rodar em vários clubes, sempre com um grau de exigência crescente - Farense, Guimarães e AEK. Quando passou a fazer parte definitivamente do plantel, em 2004, Bruno Alves ainda era um jogador relativamente desconhecido do grande público (a ida para a Grécia tinha-o "afastado" dos olhos dos portugueses), ainda que um habitual nas selecções jovens. A sua impulsão e jogo de cabeça eram poderosos, mas pela relva demonstrava uma agressividade incontrolável que o levava a cometer alguns excessos, talvez fruto de alguma insegurança típica de quem precisa de se afirmar num grande clube com o FC Porto. Essa característica veio a ser amplamente demonstrada no célebre lance que o levou a confundir a cabeça de Nuno Gomes com uma bola. Nessa altura, houve quem lhe fizesse o "funeral" em termos profissionais, mas Bruno Alves surpreendeu tudo e todos (inclusivamente os portistas) evoluindo a todos os níveis como jogador de futebol. Afirmou-se na primeira equipa, primeiro ao lado de Pepe, com quem fez uma das melhores duplas da Europa, e agora como elemento imprescindível da "espinha dorsal" da equipa. Pelo meio, já ganhou dois campeonatos, e agora surge a titular da selecção nacional, tendo marcado um golo neste fim-de-semana.
Bruno Alves é filho de Washington, central brasileiro que fez (alguma) história no futebol português nas décadas de 70/80, ao serviço do Varzim, clube onde foi colega de equipa do nosso André. Nunca vi Washington jogar. Se alguém tem memória desse central - que foi também treinador de Bruno Alves nas escolas do Varzim - , faça o favor de comentar.
O FC Porto actual, que venceu os sete jogos até agora disputados, é uma equipa com grande atitude competitiva. É isso que nesta altura mais se destaca, uma vez que em termos de beleza de jogo pouco há a dizer. Aquilo que falta em termos de talento colectivo sobra em determinação e em garra.
Foi isso que eu vi hoje no jogo contra a Académica. Uma equipa a lutar do primeiro ao último minuto, a correr e a disputar cada lance como se fosse o último, a pressionar o adversário logo à saída do seu meio-campo. Por alguma razão temos a melhor defesa da competição, com apenas um golo sofrido. Bruno Alves e Stepanov já são a melhor dupla de centrais em Portugal. Na lateral esquerda, parece-me que Fucile está a defender muito bem, mas em termos ofensivos atravessa um mau momento.
Na vertente da construção de jogo de ataque as coisas não correm tão bem quanto esperava. A equipa parece atravessar uma fase de jogo directo, com pontapés longos para as faixas laterais. O meio-campo, muito trabalhador, mas pouco imaginativo, quase que se limita a funções defensivas, falhando muitos passes na construção do jogo de ataque. Paulo Assunção é um monstro a defender, Meireles é rápido sobre os adversários, e Lucho dá equilíbrio à equipa, mas os três juntos não têm o poder de explosão que, no ano passado, Anderson trazia à equipa. Ainda assim, as oportunidades vão surgindo, mas hoje estivemos particularmente perdulários.
Sektioui falhou o golo mais fácil da sua carreira. Se tivesse voltado imediatamente a entrar em campo em vez de ficar dentro da baliza a pensar como foi capaz de falhar aquilo, teria tido novamente oportuindade de marcar, pois a bola voltou a passar por ali, a cruzamento de Meireles. O falhanço de Lucho foi diferente, uma vez que contou com uma magnífica defesa de Pedro Roma, naquela que foi provavelmente a melhor jogada do FC Porto.
Agora segue-se uma paragem longa devido à selecção. Depois vêm aí quatro jogos para ganhar (Leixões e Belenenses em casa, Amadora fora e Setúbal em casa), antes de visitarmos o estádio do quarto classificado. É fundamental não perdermos pontos até lá.
Houve dois factores que impediram que o Besiktas chegasse ao intervalo a vencer: Hélton e a falta de pontaria dos avançados da equipa turca. O internacional brasileiro mostrou por que razão deve ser o titular, ao contrário do que diz Rui Moreira (Trio de Ataque), que prefere colocar Nuno no seu onze. Os jogadores turcos estiveram por duas vezes, uma de cabeça e outra com o pé, a dois metros da baliza, muito perto de marcar, mas foram estranhamente afectados pela síndrome NG (Nuno Gomes). Chegámos, pois, ao intervalo sem nada para mostrar em termos atacantes e com muito que recear para a segunda parte.
No entanto, a segunda metade trouxe um jogo diferente, e aí fomos nós a estar sempre mais perto do golo, apesar daquela oportunidade claríssima dos turcos (a única na 2ª parte) negada com classe por Helton. Lucho acertou finalmente nos passes e a equipa estendeu-se muito mais. Foi com alguma apreensão que vi a entrada de Marek Cech, mas o eslovaco até esteve bem, em cruzamentos perigosos que procuravam Adriano. A saída de Lisandro, dada a boa forma do argentino, foi difícil de aceitar, mas percebeu-se que Jesualdo queria um "meco" plantado na área para prender os centrais e permitir que outros jogadores entrassem para a confusão. Foi, de resto, assim que nasceu aquele golo caído do céu. Depois da excelente visão de Leandro Lima, que viu Lucho sozinho na direita, bastou que o argentino falhasse o cruzamento e que Quaresma desse nas "orelhas" da bola para que esta entrasse pelo único sítio em que poderia ter entrado.
A única má notícia do dia foi mesmo a a vitória do Marselha em Liverpool, que vem lançar a confusão no grupo.

Ainda estou a tentar perceber como é que ganhámos na Turquia. Por isso, só amanhã escreverei algumas palavras sobre o jogo. Se alguém quiser ir adiantando algumas explicações, faça o favor.
Interrompemos a emissão - espero que não se vão embora - para dar conta dos resultados finais da sondagem Vamos dar emprego ao Mourinho (ou simplesmente Um grande europeu para Mourinho). Segundo os leitores de Pobo do Norte, que nunca têm dúvidas e raramente se enganam, José Mourinho irá treinar o Inter de Milão. Mancini pode ir fazendo as malas. Em segundo lugar ficou o FC Porto e, na terceira posição, foi eleito o Barcelona. Resultados finais, após 220 cliques:
1. Inter de Milao - 74 (34%)
2. FC Porto - 57 (26%)
3. Barcelona - 35 (16%)
4. Real Madrid - 25 (11%)
5. Juventus - 20 (9%)
6. Bayern de Munique - 6 (3%)
7. Manchester United - 3 (1%)
- Diga lá, levantou a bandeirola porquê?
- Vi um jogador do Benfica jogar a bola com o braço dentro da grande-área.
- Viu? Tem a certeza?
- Sim, foi mesmo à minha frente. Ele até estava de frente para mim.
- Eu não vi nada!
- Mas eu vi, por isso levantei a bandeirola.
- E que jogador foi esse que, na sua opinião, jogou a bola com o braço?
- Foi o grego do Benfica.
- O grego? Desculpe, mas atitudes xenófobas são inaceitáveis na minha equipa de arbitragem. Sendo assim, não há nenhum penalti para marcar. E eu, como árbitro conhecido por actuar "à inglesa", devo fazer jus a essa honra e mandar jogar.
O diálogo que acabaram de ler é parvo. Assumo-o sem problemas. Mas como entender o que se passou naqueles breves minutos que se seguiram à falta de Katsouranis sem recorrer a uma explicação surreal, fantástica, imaginativa, enfim, "parva"? Impossível.
A esta hora, no site oficial da Liga ainda não consta um pedido de desculpas do árbitro ao Sporting pelos dois penaltis não assinalados (rasteira de Katsouranis a Romagnoli e braço de Katsouranis na bola) e outro pedido de desculpas ao Benfica pelo penalti também não assinalado no final do jogo (rasteira de João Moutinho a Adu).
No entanto, desconfio que tal não vai ser necessário. A avaliar pelo modo como os dois presidentes brindam, parece que está tudo bem. Pedro Henriques pode estar descansado. O problema não foram os três penaltis não assinalados. O problema, segundo o presidente do quinto classificado são as arbitragens que os têm, aos dois, prejudicado a favor de "outra equipa". O mistério instala-se. De que equipa estará o presidente do quinto classificado a falar? Há quatro hipóteses: FC Porto, Marítimo, Guimarães e Sporting, ou seja, os quatro que estão à sua frente.
Quanto a mim, o Sporting está fora das opções logo à partida pois, pelos vistos, é um dos tristes prejudicados. Ainda se poderia pensar numa estratégia assente na ironia por parte de Vieira, mas não lhe reconheço esse tipo de agilidade mental.
O FC Porto não pode ser, pois invocar as arbitragens para justificar uma diferença de 7 e 8 pontos (respectivamente) em apenas seis jogos só pode vir de alguém que não está na plena posse das suas faculdades mentais. E daí...
Também não acredito que o "Khadafi dos pneus" se esteja a referir ao Guimarães, até porque o clube acabou de regressar à primeira liga e as boas relações entre os clubes, nomeadamente na transferência de craques (Marco Ferreira, por exemplo), impede qualquer conflito via imprensa.
Resta, por isso, o Marítimo, um clube cujo presidente é amigo do chefe do governo regional, ele próprio adepto confesso dos insulares. É sabido o clima de crispação entre Alberto João Jardim e o continente, mais concretamente, em relação aos poderes centralizados na "capital do Império", Lisboa. Para além disso, já ouvimos da boca de Jardim, no passado, palavras elogiosas para com o grande timoneiro portista, Pinto da Costa. Por tudo isto, e também porque o aeroporto do Funchal não admite a presença de grupos de capangas ao serviço de clubes do continente, é natural que a bicada certeira de Vieira tenha por alvo o Marítimo. E que grande bicada!
Conclusão: os três grandes não jogaram um caracol. Foram os três a penaltis. Só o FC Porto perdeu. Fosse eu o presidente e vinham todos a pé de Fátima. O Lino e o Mariano Gonzalez vinham de joelhos. O Leandro Lima e o Stepanov, vá, podiam apanhar um taxi..
O Estádio da Reboleira vai passar a chamar-se Estádio da Roubalheira. Aquele penalti que deu o 1-1 é a coisa mais estranha que vi no futebol. Mais estranha ainda foi a forma descontraída como Daúto Faquirá comentou o erro do árbitro assistente. "Errar é humano", disse ele. "São coisas que acontecem", acrescentou. Só faltou pedir desculpa por existir.
Agora, sábado há que fazer seis vitórias consecutivas. Que regressem os titulares!
Assim se fazem campeões. O FC Porto cumpriu a sua obrigação, ganhando em Paços de Ferreira. O Sporting empatou em casa com o Setúbal. O Benfica não foi além do nulo em Braga, onde, já agora, o FC Porto tinha ganho. O campeão nacional teve Quaresma - que não foi vendido - e nesse jogo resolveu a questão com dois livres directos. O Benfica não tem Simão - que foi vendido - e já não pode decidir a favor do quarto classificado. Quanto ao Sporting, quem joga com Farnerud e Gladstone a titulares não pode aspirar a muito mais do que lutar por um lugar na Champions. O FC Porto prefere manter a aposta nos jogadores da época passada, dando alguns minutos a alguns reforços para se irem ambientando. Lisandro é o jogador em melhor forma, a defesa está certinha, o meio-campo estável. O Benfica sofre, mais uma vez, a desilusão de não se verem confirmadas as maravilhas que alguns apregoam no início da época: "Zoro é um animal dentro de campo", "Cardozo não engana", "Freddy Adu, o prodígio", "Di María Mamma Mia", e "Camacho é o salvador da pátria". Uma coisa é certa, Fernando Santos ainda se está a rir.
Pobo do Norte adianta em primeira mão o castigo que a UEFA irá aplicar a Luiz Felipe Scolari: substituição imediata por José Mourinho na função de seleccionador de Portugal. Tão certo como o pedido de desculpas de Scolari ter sido autêntico.
Podemos falar em "bom mau começo", na estreia na Liga dos Campeões? Talvez.
Empatar em casa 1-1 com o cabeça-de-série do grupo, vice-campeão da Europa, e um dos candidatos à vitória final, com jogadores como Gerrard, Kujt, Torres, Babbel, Mascherano, Carragher, não é mau. É até um bom começo para nós, que nos temos habituado, nos últimos anos, a entrar com o pé esquerdo.
Empatar em casa 1-1 contra uma equipa que fez um remate na direcção da baliza em todo o jogo e marcou, e que ficou a jogar com 10 a meia-hora do final, é péssimo. E traz-nos aquele sabor estranho a derrota. De quem é a culpa? Estão preparados? Vamos lá.
Jesualdo deixou o mais creativo jogador do plantel na bancada, Leandro Lima, talvez, digo eu, porque tinha jogado com o umbigo contra o Marítimo. Por outro lado, não se pode acusar o treinador de não ter arriscado a jogar contra dez: meteu um ponta-de-lança (que não teve bolas jogáveis) e um médio-extremo (que não soube jogar a bola). O pior é que a equipa não mostrou nem criatividade nem estratégia para entrar no double-decker bus que os ingleses estacionaram à frente da baliza. Poderia ter tirado um defesa? Talvez, mas o Liverpool é fudamentalmente uma equipa perigosa no contra-ataque.
João Paulo esqueceu-se de Kujt no golo, mas Nuno tinha obrigação de sair após a cabeçada de Hyppia. A bola passou demasiado tempo no ar para que o nosso guarda-redes ficasse colado à linha de baliza.
Sektioui tem de ser sempre substituído? Como sócio pagante do clube, gostava que me dessem uma justificação. É por causa do Ramadão ou é uma questão de (ausência) estatuto na equipa? Se é por causa do Ramadão, creio que se aceita, mas não deixa de ser um erro estratégico contratar um jogador que sabemos não vai aguentar 90 minutos em campo durante uma época do ano. Se é por falta de estatuto na equipa, então estamos conversados quanto ao suposto carácter disciplinador de Jesualdo Ferreira, que prefere não tocar nos "intocáveis", mesmo que estejam a render "zero".
Neste jogo, acabámos por ser indirectamente prejudicados pelo quarto classificado (aquele com quem o Milan fez um treino ligeiro ontem), porque, desta vez, Benitez não cometeu os mesmos erros que o fizeram sair da Luz com uma derrota por 0-1, há dois anos. Desta vez, colocou o melhor jogador em campo (Gerrard) e a sua equipa jogou "a sério", como se fosse um verdadeiro jogo de campeões, como o foi.
Entre o Marítimo e o Liverpool temos dois dias e pouco de nervosismo e unhas roídas. Internamente vamos na frente, com 12 pontos ganhos a quatro adversários difíceis, mas parece-me que ainda falta qualquer coisa para nos batermos de igual para igual com Gerrard, Torres e companhia. A fé é sempre a última a morrer, mas vai ser muito difícil. Força, Porto!
Certa imprensa continua a dar-nos motivos para a utilizarmos apenas como alternativa ao papel higiénico. O Record trouxe para a primeira página de ontem o título "Um golo irregular em triunfo folgado". Um jornal honesto referir-se-ia apenas a um "triunfo folgado" e sem margem para discussão. Um jornal que quisesse ir pela linha do Record, mas ao contrário, diria "Um golo mal invalidade em triunfo folgado". Mas isto de apontar os erros contra o FC Porto no Record, já sabe, é como acertar no Euromilhões.
A Bola volta a fazer das suas à terça-feira, dia da crónica de Miguel Sousa Tavares. O cronista tem incluído nos seus textos algumas críticas a um ou outro aspecto que não lhe agrada no FC Porto. Isso é natural em qualquer portista que se preze, pois nunca nos acomodamos e temos sentido de auto-crítica. Para além dessas referências, MST comenta a actualidade futebolística em greal, não deixando de lançar a sua farpazita aos rivais. O que é curioso é que o título que A Bola chama para a primeira página tem sido sempre retirado da parte em que ele critica o FC Porto. Elucidativo.
Hoje, o órgão oficioso do actual quinto classificado e ex-terceiro classificado (ó Camacho, ainda não fizeste melhor que o Fernando Santos!) apresenta-nos "Rui Costa e sus muchachos", com o "número 10 em grande forma" e "novos craques a despontar". Até temos medo. Quase tanto medo quanto o que tivemos com "El primo Fernando e sus muchachos en el aeropuerto".
Falando do futebol dentro das quatro linhas, acho que toda a gente viu que a bola saiu antes de o Bruno "Toma lá uma cabeçada, ó Nuno Gomes" Alves cruzar para o golo do Lisandro. Até o árbitro viu, creio eu. Agora, concordo que era um crime anular aquela jogada de fino recorte técnico do nosso defesa-central. Esteve bem o Proença, portanto. Mal esteve Bruno Paixão, no Nacional-5ºclassificado, ao permitir que Diego Benaglio assistisse Cardozo para o golo. Aquilo não é futebol, não é nada. Aquilo é um favor. E, já agora, não sei se não haverá fora-de-jogo.
Outra coisa que me fez impressão foi a maneira como os defesas do Nacional fizeram todos os possíveis para não tirarem a bola ao Rui Costa. OK, o velhinho da Luz é ainda um grande jogador, sabe tudo sobre bola, mas, caramba, os defesas contrários parece que lhe pedem autorização para tentar importuná-lo. "Ó Sr. Rui Costa, dá licença que eu me aproxime de si para tentar tirar-lhe a bola?" Entretanto, o Rui Costa já lá vai. Não estou a defender qualquer estratégia "à Petit" ou "à Katsouranis", mas um pouquinho de menos respeito pelo maestro da banda do circo da Luz era capaz de ser bem-vindo.
No meio desta história toda, conseguimos os nove pontos que no ano passado não conseguimos contra estes mesmo três adversários. Continuamos a escovar os dentes. Mai' nada.
Ganhar em Braga foi um grande começo de campeonato. E era fundamental alcançar um bom resultado depois da injustiça do desfecho da supertaça. Ainda por cima, na véspera, na sexta à noite, havia quem dissesse numa das televisões que o Sporting já liderava o campeonato depois de bater a Académica por 4-1. Só não disseram que a Briosa já estava em 2º lugar e que todos os outros, que ainda não tinham jogado, já iam em terceiro.
A nossa equipa ganhou com dois golos de livre directo. A última vez que vi tal acontecer foi no Bessa, há uma porrada de anos, com Fernando Mendes a marcar por duas vezes a Ricardo, então guarda-redes do Boavista. Não sei se isto é um bom prenúncio, mas pode ser que este ano tenhamos mais sorte (e jeitinho...) nos livres-directos. Todo o destaque vai para Quaresma, que deve ter posto os adeptos do Atlético de Madrid a correrem para o YouTube e os dirigentes dos colchoneros a pensar na vida...
Mas a nossa vitória não se deveu apenas a dois livres certeiros. Essas entraram, claro, mas outras poderiam ter entrado. O que me satisfez neste jogo foi o equilíbrio que a equipa, na maior parte do tempo, revelou no meio-campo, graças è entrada desse jogador portentoso chamado Luis "Lucho" Gonzalez. Viu-se a diferença, mesmo sendo óbvio que fisicamente ainda está a alguma distância dos colegas, o que se revelou fatal, por exemplo, na forma como desistiu de acompanhar João a-marisa-ainda-não-acabou-comigo Pinto, no golo bracarense.
Bosingwa está a melhorar e a aproximar-se do melhor que sabe fazer, Paulo Assunção foi gigante na manobra a meio-campo (e só um super-Bolatti lhe poderá tirar o lugar), Bruno Alves limpou tudo o que ameaçou pelo ar e Pedro Emanuel teve um daqueles cortes que não estão ao alcance de qualquer jogador de 32 anos, quando Wender se preparava para marcar na cara de Helton.
Os reforços que entraram, Mariano Gonzalez e Leandrinho, mostraram que ainda não estão entrosados com os colegas. É preciso tempo. Postiga, um reforço inesperado, portou-se bem, trabalhou à ponta-de-lança, ia marcando, fez as suas faltinhas do costume, mas mostrou que podemos contar com ele.
O árbitro, João Ferreira (o tal que "pode ser", para Luis Filipe Vieira), foi levando a água ao seu moinho, mas sempre em prejuízo do FC Porto. Faltas sobre jogadores portistas não marcadas, faltas inexistentes contra o FC Porto, enfim, houve de tudo um pouco. Continuamos atentos.
É claro que o sábado não podia terminar melhor, quando me apercebi que Vieirinha, Paulo Machado e companhia tinham tratado da saúde ao clube da camisola cor-de-rosa. Ainda mais bonita foi a forma como tudo aconteceu. Cruel, mas, sem dúvida, deliciosa. Nuno Gomes parece que partiu a louça toda, só que não foi a jogar. Aos microfones, vimo-lo, qual porta-voz dos oprimidos, reclamar tranquilidade para o plantel. Eu compreendo-o. Qualquer jogador que ouve, semana após semana, o seu presidente anunciar que estão a chegar 2 ou 3 reforços, uns a voar, outros por terra, outros a nado, qualquer jogador fica intranquilo. Espero eu, como adepto portista, que a crise no terceiro classificado não apareça demasiado cedo, pois a perspectiva de ver Fernando Santos sair é assustadora!
Hoje jogaremos em Braga sem Lisandro Lopez devido a uma situação inacreditável que prejudica o FC Porto e o coloca em desvantagem competitiva desde logo com os outros candidatos ao título.
A Federação Portuguesa de Futebol demorou quase um mês a castigar o jogador, tendo, a 3 de Agosto, tomado a decisão e, pasme-se, apenas a 14 de Agosto notificado o clube. Entretanto, o jogador já tinha sido excluído de um particular na Holanda e poderia ter limpado o castigo num outro jogo particular já aqui em Portugal (não seria difícil fazê-lo a meio da semana) ou até no jogo da Supertaça.
O Conselho de Disciplina já esclareceu que o castigo só pode ser cumprido em jogos oficiais, mas, curiosamente, o Departamento Jurídico da mesma federação diz o contrário.
Convém lembrar os menos atentos que Lisandro Lopez é jogador do FC Porto, não vá lembrarem-se de culpar Pinto da Costa pelo sucedido e pedir a Maria José Morgado que junte este caso ao processo Apito Dourado.
PS - Quantos jogadores Sporting e Benfica não poderiam utilizar na primeira jornada se o árbitro Pedro Henriques tivesse aplicado as leis no âmbito disciplinar no jogo do Torneio do Guadiana?
Quando acabou o jogo da Supertaça, enviei uma sms a um amigo que dizia o seguinte: "Apesar dos postes e do árbitro, jogámos mal. Jesualdo mal nas substituições. Quaresma e Bosingwa péssimos."
Quaresma e Bosingwa
O envio da sms foi no calor do momento e talvez aquele "péssimos" tenha sido exagerado. Mas o desempenho destes dois jogadores foi tão insuficiente comparativamente ao que cada portista espera deles que me senti profundamente irritado. No caso de Quaresma, então, após uma pré-época deslumbrante, este jogo foi uma grande desilusão. Em relação a Bosingwa, notou-se que não está bem fisicamente, pois o "turbo" ainda precisa de afinações. Depois, chegou a ser desesperante vê-lo com rodriguinhos junto à nossa área.
As substituições de Jesualdo
Em primeiro lugar, foram tardias, porque o nosso treinador estava a contar com o prolongamento, tal como ele próprio disse na conferência de imprensa. Atenção, isto não quer dizer que a equipa estivesse a jogar para o prolongamento. A meio da segunda parte e da forma como o jogo estava a decorrer, um pouco aos repelões e sem jogadas de golo iminente, era normal pensar-se que aquilo ia ter mais 30 minutos. O erro de Jesualdo (para além da concepção inicial de uma equipa carente de elementos criativos no meio-campo) foi não ter acreditado que era possível evitar esse prolongamento. E aí foi pouco ambicioso (tal como tinha sido em Londres, contra o Arsenal, no ano passado). Mexeu tarde, optou em primeiro lugar por um jogador com pouca criatividade, e quando se viu a perder, aí teve de recorrer aos artistas. Já era tarde de mais. Típico de treinador português da "velha escola".
Os postes e o árbitro
O jogo foi mauzinho. O Sporting está contente, ganhou uma supertaça, são os melhores da europa (pois...), ok, mas vamos lá acalmar a passarinha. Quem tiver olhos de ver, chegará à conclusão que o FC Porto foi melhor no jogo de Leiria. Não muito, mas foi. Foi mais perigoso, enviou três bolas aos ferros (só duas valeriam) e viu-lhe ser negada uma grande penalidade do tamanho da nossa linda Torre dos Clérigos. O Sporting viveu basicamente de fogachos, aproveitando erros clamorosos do FC Porto no capítulo do passe e da marcação em bolas paradas e apenas por um atarantado Derlei criou perigo. O próprio Izmailov, agora promovido a herói, não se tinha visto no jogo até àquele remate portentoso e até estava a ser uma das piores exibições dos leões. É claro que o erro de Bruno Paixão, no penalti, já foi esquecido pela comunidade futebolística nacional. O Sporting, esse então, sempre tão pronto a entrar em histeria colectiva quando acha que é prejudicado, nada tem agora para dizer sobre a qualidade da arbitragem em Portugal. Mas não foi só o penalti. Foi, por exemplo, a entrada de rompante a distribuir amarelos a dois portistas nos primeiros 10 minutos. Não estou a negar a justiça dos cartões, mas se calhar dava jeito a arbitragem "pedagógica" e "à inglesa" de Pedro Henriques no jogo do Torneio do Guadiana. Foi também a dualidade de critérios em muitas faltas. E foi aquele lance que não me sai da memória, em que o árbitro interrompe o jogo para assistência a Derlei quando havia jogada de perigo do FC P