junho 19, 2008

Seu Abramovich? Tô chegando!

Tô Chegando!

Publicado por guardabel em 09:44 PM | Comentários (12)

maio 12, 2008

A selecção dele(s)

Enquanto este Sr. não se for embora, eu não me cansarei de dizer quão burro ele é. Escolher 23 no contexto actual era uma brincadeira de crianças mas este génio da bola consegue fazer maravilhas e meter a argola em qualquer situação.

Mais uma vez, o homem ditou a sua lista e fechou a conversa: só fala sobre os seleccionados - e os subservientes jornalistas metem a viola ao saco e, lá terá que ser, tentam fazer uma pergunta que não ofenda. Diz um deles: "garante que Ronaldo vai render na selecção como rende no Manchester United?" Confesso que o "garante" é um exagero mas considerei a pergunta "normal". Scolari, com ar de quem estava ali a fazer um grande frete, dispara: o MU tem outros jogadores que permitem que Ronaldo jogue como joga... Sim, e tem um treinador inteligente que não aposta em avançados "nulos" (já lá iremos...) quando tem extremos de qualidade e pode jogar com o Ronaldo no lugar em que ele marca golos no MU, não é verdade?

Uma parte substancial dss escolhas deste brasileiro que aturamos há cerca de 5 anos foram dentro do que qualquer adepto (portista, calimero ou galináceo) com 2 dedos de testa esperaria:
- Quim entre os 3 GRs
- Carvalho, Pepe, Alves, Bosingwa, Miguel e Ferreira na defesa;
- Deco, Moutinho, Meireles e Veloso no meio campo;
- Almeida, Ronaldo, Nani, Quaresma e Simão na frente.

Pois é, são 16 - faltariam 7 para os 23 eleitos - e o que é que o burro fez?

GRs - elegeu o calimero que tem estado encostado em Espanha e a jovem promessa frangueira que tem brilhado em Alvalade; o Ricardo era de esperar, porque é um seu protegido; mas o Rui Patrício??!!! O homem pode ser muito promissor mas o mínimo que se pode dizer do início de carreira sénior na baliza do SCP é que tem estado entre o mau e o sofrível. O Eduardo merecia este prémio e, na improvável hipótese do 3º GR jogar, dava certamente mais garantias. Agora só falta colocar o Quim no banco para a patetice ser total. Faltam 5.

Defesas - a escolha do Jorge Ribeiro é defensável, porque é o único lateral esquerdo "de raiz", ainda que tenha passado a época no Boavista como médio esquerdo ou como suporte do ponta-de-lança. Para Scolari, o facto de estar a caminho do SLB acrescenta o "click" que faltava... E dado que o Paulo Ferreira tem sido uma adaptação nem sempre bem sucedida, está bem. Quanto ao Meira, lá vamos ter que aturar este canastrão que, como o Bruno Prata refere no Público de hoje, é tão polivalente que tem o condão de nem ser grande central nem grande médio defensivo. Mas,enfim, como estes dois só jogarão em casos extremos, paciência. Agora já só faltam 3.

Médios- existem várias explicações possíveis para a escolha do Petit, mas nenhuma me satisfaz:
Teoria 1 - o Scolari tem medo que os gajos que bateram no Bexiga lhe encham a marmita se formos eliminados no final da 1ª fase e, sendo o Petit é o jogador mais "gangster" que existe no futebol nacional, vai "liderar" a sua segurança pessoal;
Teoria 2 - o brasileiro estava hesitante em escolher o "Nulo" Gomes (já lá iremos...) e como ainda não contabilizava o Jorge Ribeiro no contingente do SLB, já que o "maestro" se reformou, foi o Pequenino que sobrou...
Teoria 3 - é o único gajo capaz de partir uma perna a um adversário mesmo sem o treinador mandar.
Melhor ainda: suponho que a justificação para abdicar do Maniche (o melhor português no Euro 2004 e seguramente um dos melhores no Mundial de 2006) é a falta de jogos de que padece desde que foi para Itália. Claro está, o Ricardo também tem visto os jogos do lado de fora e o Petit, mais do que suplente, tem sido cliente da enfermaria da Luz durante toda a época. No estado físico em que se encontra, ele que nunca foi um primor técnico, vai ser o pior dos 23. Acresce que, na sua imensa sabedoria, Scolari ainda pode fazer dele titular... Coragem: já só faltam 2.

Avançados: com o Quaresma, o Simão e o Nani, não havia necessidade de "encostar" o Ronaldo às laterais. Por esse motivo, daria para levar somente dois pontas-de-lança, uma vez que já é difícil arranjar um que tenha o mínimo de qualidade para não fazer má figura naquele ataque. Assim, o Hugo Almeida seria a minha escolha de "menos mau", tal como acontece com a maioria dos inquiridos nas múltiplas sondagens. Depois disso? Bem, depois disso, o nosso infeliz seleccionador foi arrancar o Postiga do seu exílio na Grécia (onde tem estado lesionado e poucas vezes fez algo de significativo) e, "surprise", mesmo tendo feito a época mais miserável de que há memória, elegeu o Nuno Gomes como o 23º da lista. Neste caso, a única desculpa possível reside na falta de alternativas: olhando para a lista dos melhores marcadores da Liga Bwin só se descobre um português no 9º lugar (Quaresma, 9 golos) e, entre os pontas-de-lança lusitanos, o 1º surge em 10º, chama-se João Paulo e alinha no último classificado do campeonato, pelo que os seus 8 golos em 17 jogos têm pelo menos a virtude de serem muito mais improváveis do que os 10 obtidos pelo nosso extremo. Apesar disso, eu preferia apostar, por exemplo, no relativamente jovem Edinho (que deixou o Setúbal a meio do campeonato e tinha 6 golos) do que no cada vez mais inconsequente Nuno Gomes, no desperdício de talento que é o Postiga ou no pobre goleador do Leiria. E nem pensar no Makukula, cujo afastamento do 11 benfiquista foi a única decisão acertada do Chalanix.

Voltarei ao assunto em próximos posts, onde prometo igualmente falar na glorificação do "maestro" da orquestra de baile e no reincidente Messias sueco.

Publicado por poncio em 11:15 PM | Comentários (83)

março 16, 2008

EURO 2008: os meus preferidos

Dentro de 2 meses, aproximadamente, será anunciada a equipa que Scolari levará ao Europeu. Com o título entregue (faltam 2 ou 3 vitórias, talvez nem seja preciso tanto), este tema ganha relevo. Torna-se ainda mais importante para os portistas porque as escolhas do brasileiro que desejamos ardentemente no banco das galinhas depenadas em 2008/2009 têm sido sempre uma valente porcaria.

O Mais Futebol, por exemplo, tem presentemente disponível um esquema de votação para eleger os 23 jogadores, distribuindo-os de um modo muito discutível (entre outras coisas, porque este tipo de votação não tem em conta a polivalência de alguns) e apresentando as seguintes alternativas:

3 "Guarda-redes"
Opções apresentadas: Ricardo, Quim, Ricardo Baptista, Eduardo, Hilário, Paulo Santos, Rui Patrício e Daniel Fernandes
Comentário: eu acho que o Quim é melhor do que o Ricardo, tal como o Baía sempre foi melhor do que os dois. Seja como for, numa competição destas, a experiência do GR é fundamental: o Quim e o Ricardo asseguram isso. Quanto ao 3º, aquele que verá sempre os jogos de fora, elegeria o Eduardo como prémio para as fantásticas exibições que fez esta época; o Rui Patrício tem potencial mas também tem feito muita asneira.
Escolhas: Quim, Ricardo e Eduardo.

2 "Laterais direitos"
Opções apresentadas: Bosingwa, Miguel, Nélson, Abel e Paulo Ferreira
Comentário: esta é uma das posições onde temos mais e mellhores opções (face às necessidades, claro!). O Bosingwa é o titular indiscutível e, actualmente, eu preferiria o Miguel ao Paulo Ferreira, apesar da suposta polivalência deste último. Desde há 2 ou 3 anos que vejo o Paulo Ferreira como um jogador acomodado, trisitonho e sem rasgo. O noctívago do Valência é mais agressivo e veloz. A indicação do Nélson como possibilidade é pura e simplesmente anedótica.
Escolhas: Bosingwa e Miguel.

4 "Centrais"
Opções apresentadas: Bruno Alves, Manuel da Costa, Pepe, Jorge Andrade, Meira, Tonel, Ricardo Carvalho e Ricardo Costa
Comentário: presumo que ninguém coloca em causa a dupla "titular", Pepe e Ricardo Carvalho, uma das melhores do mundo. O Jorge Andrade seria a minha terceira escolha, mas não sei se estará apto e, ainda que esteja, duvido muito da sua condição física. Os dois suplementes que prefiro são o nosso Bruno Alves, que tem feito uma boa época, é muito forte fisicamente e merece a distinção, e o Meira, que é bastante experiente, forte no jogo aéreo e pode jogar à frente da defesa em caso de necessidade.
Escolhas: Ricardo Carvalho, Pepe, Meira e Bruno Alves.

2 "Laterais esquerdos"
Opções apresentadas: Caneira, Antunes, Nuno Valente, Jorge Ribeiro e Miguelito
Comentário: esta posição é um dos "calcanhares de Aquiles" da nossa selecção (o caso do ponta-de-lança é igualmente problemático). No meio desta pobreza, a minha escolha prioritária seria, nem que fosse somente pelo facto de poder também jogar em qualquer outra posição na defesa, o Caneira. O Miguelito não é jogador para estas andanças, o Nuno Valente nem sei se ainda põe os pés em campo no intervalo das suas crónicas lesões e o Antunes está a curtir banco e bancada em doses substanciais desde que mudou para a Roma. Como o Jorge Ribeiro é um tipo que já fez um percurso razoável nas camadas jovens da selecção e tem um remate de pé esquerdo que faz estragos, por mim ganha a vaga sobrante.
Escolhas: Caneira e Jorge Ribeiro.

2 "Médios-defensivos"
Opções apresentadas: Frechaut, Petit, Miguel Veloso, Pelé e Manuel Fernandes
Comentário: não tenho dúvidas quanto à nossa melhor escolha, desde que o penteado esteja bem e o homem não abuse da merenda - Miguel Veloso. De reserva, porque nesta posição é normal amarelar com fartura, que fique o experiente quebra-canelas Petit, ainda que esteja a fazer uma época miserável, entre lesões e resultados do SLB. O Frechaut é um jogador banalíssimo, ainda não vi jogar o Pelé e acho que a posição do Manuel Fernandes não é esta.
Escolhas: Miguel Veloso e Petit.

3 "Médios"
Opções apresentadas: Deco, Carlos Martins, Hugo Viana, Raúl Meireles, Tiago, Pedro Mendes, Maniche e João Moutinho
Comentário: esta categoria é das mais "tudo ao monte" que se poderia conceber, dada a forma específica como a Mais Futebol tratou as outras posições. Seja como for, a minha lógica será eleger um médio ofensivo tipo "camisola 10", um "volante" ofensivo e um médio que defenda mas que não não se fique pelo passe para o lado. Obviamente, a 1ª escolha é o Deco - se estiver bem a equipa ganha uma dimensão extraordinária e, de qualquer modo, não temos mais ninguém (sim, o Carlos Martins é um projecto falhado). O 2º deveria ser o Maniche, porque é um gajo que eleva sempre o seu nível de jogo nos grandes palcos. O 3º é uma opção mais complicada porque me sobram 4 bons jogadores: Raúl Meireles, Tiago, Pedro Mendes e João Moutinho. O nosso Meireles tem uma dinâmica de jogo notável e chuta bem, mas "esconde-se" com assiduidade do jogo nas grandes ocasiões. O Tiago está encostado na Juventus e não agarrou nenhuma das poucas oportunidades que teve na selecção. O Pedro Mendes nunca foi escolhido pelo Scolari e perdeu a titularidade no seu clube. Gosto muito deste ex-atleta do Porto e da sua sóbria atitude em campo, mas, em nome da generosidade da entrega e da polivalência, prefiro o João Moutinho. Nota muito especial: o Mais Futebol elencou o Figo como opção para a posição de "Extremo" - eu discordo da necessidade de ressuscitar o dito da pré-reforma face à qualidade das opções e o próprio já negou estar disponível. Todavia, correndo o risco de irritar os meus colegas portistas, se o homem quisesse mesmo aceitar o papel (de suplente), eu elegeria o Rui Costa como 3º médio. Seria uma forma de homenagear o maestro pela magnífica época que tem feito, pela forma heróica como tem salvo o SLB de maiores humilhações e de lhe proporcionar uma saída em beleza. Claro está, a razão principal é simples: mesmo na pré-reforma, o Rui Costa é a única verdadeira alternativa ao Deco.
Escolhas: Deco, Maniche e João Moutinho (ou Rui Costa).

4 "Extremos"
Opções apresentadas: Cristiano Ronaldo, Quaresma, Simão, Nani, Boa Morte, Duda, Danny e Figo
Comentário: sobre o Figo já falei e também não o considero o "líder" que alegadamente falta na equipa de Scolari (para o papel de sombra tutelar prefiro o Rui Costa). De resto, o 4 melhores são tão óbvios que nem vale a pena pensar nos outros: Cristiano Ronaldo é de outro mundo; Quaresma, Simão e Nani pertencem a uma galáxia onde não cabem toscos como o Boa Morte e segundos planos como o Duda ou o Danny (este tipo joga a extremo?!).
Escolhas: Ronaldo, Quaresma, Simão e Nani.

3 "Avançados"
Opções apresentadas: Hugo Almeida, Postiga, Nuno Gomes, Djaló, Makukula, Vaz Té, João Tomás e Varela.
Comentário: como é que se escolhe quando as opções são tão fraquinhas? Optamos pelos "menos maus", não é? Na categoria de "poste" prefiro o Hugo Almeida, porque é forte, alto e tem mais massa cinzenta do que o Makukula. Na categoria de "peso pluma", tipo "eu-até-que-jogo-à-frente-mas-golos-é-coisa-que-não-percebo-muito", a minha "escolha" é o Nuno Gomes porque ainda tenho a secreta esperança de o ver repetir os chouriços do Europeu de 2000. Como terceiro pendura (tenho mesmo que escolher?) eu levaria o Postiga, essa esperança portista nunca confirmada.
Escolhas: Hugo Almeida, Nuno Gomes e Postiga.

Apesar deste ser um assunto sempre polémico, é curioso notar que existem poucas diferenças entre as minhas escolhas e os actuais resultados da votação do Mais Futebol. As únicas discordãncias são estas:
- os visitantes do Mais Futebol preferem o Rui Patrício ao Eduardo;
- escolheram o Raúl Meireles e eu escolhi o Moutinho (ou melhor, o Rui Costa);
- votaram no Makukula e eu voto no Postiga.

Publicado por poncio em 06:01 PM | Comentários (30)

fevereiro 12, 2008

5 anos de Scolari: o meu testemunho

Abdiquei de comentar mais uma fantástica exibição da selecção portuguesa (o jogo particular contra a Itália) porque já perdi demasiado tempo a falar do Sr. Scolari e do seu comportamento como treinador de futebol. Todavia, dado que os subservientes jornalistas portugueses insistem em bajular a criatura, e a criatura insiste em dizer barbaridades, não tenho alternativa. Além do mais, hoje festeja-se (ou lamenta-se) os seus 5 anos à frente da selecção portuguesa e lá tive que aturar a personagem em todos os telejornais. É preciso que alguém diga não à acéfala "mitificação" dos feitos do Sr. Scolari.

O Sr. Scolari tem dito coisas fabulosas e que só não têm consequências porque o presidente da FPF é um fraco e o pobo vermelhusco vê nele o herói anti-Porto que o orelhas não consegue ser.

Algumas das pérolas:

A propósito do jogo com a Itália
"temos ´óptimos jogadores mas não temos equipa"
Comentário PDN - afinal, de quem é a responsabilidade de formar a equipa? será minha? sou eu que usufruo do salário principesco de seleccionador nacional?

"alguns jogadores pensam que são o Pelé e Pelé só teve um"
Comentário PDN - a quem é que o homem se referia? ao Quaresma que, no meio daquela pobreza até foi o melhor em campo? Ao Cristiano, que joga fantasticamente no seu clube e, exceptuando os livres, não faz nada de comparável na selecção?

A propósito do jogo dos críticos que dizem que ele está acomodado às óptimas condições de que usufrui em Portugal
"façam uma estatística e vejam que só perdemos um jogo nas últimas qualificações"
Comentário PDN - reparem nos Grupos de Qualificação em que Portugal este envolvido e tirem as vossas conclusões:
Euro 2004 - apurados como país organizador...
Mundial 2006 - Eslováquia, Rússia, Estónia, Letónia, Liechtenstein e Luxemburgo... exceptuando a Rússia (se fosse a selecção do tempo da URSS), perder com qualquer equipa destas seria difícil!
Euro 2008: Polónia, Sérvia, Finlândia, Bélgica, Cazaquistão, Arménia e Azerbaijão... claro está, só perdemos com a Polónia... mas não conseguimos vencer nenhum dos jogos com a Sérvia, Finlândia e, inclusivé, o jogo em casa com os polacos.
Conclusão: afinal, de que se gaba o homem? Pensa que somos todos parvos?

Uma breve resenha histórica, só para dar aos mais distraidos uma forma de comparar as supostas diferenças entre o que o Sr. Scolari fez e o que os "fracos" que o antecederam não conseguiram alegadamente fazer:
- o Grupo de Apuramento para o Mundial de 2002 era formado por Irlanda do Norte, Holanda, Estónia, Chipre e Andorra (acabamos o Grupo em 1º lugar, com 7 vitórias e 3 empates, apesar da equipa holandesa ser, claramente, muito mais forte do que qualquer umas das que Scolari enfrentou em fases de qualificação);
- o Grupo de Apuramento para o Euro 2000 era formado por Roménia, Eslováquia, Hungria, Azerbeijão e Liechtenstein - o resultado? Apurados com 7 vitórias, 2 empates e uma derrota com a equipa que ficou em 1º lugar, a Roménia;
- o Grupo de Apuramento para o Mundial de 1998 era formado por Alemanha, Ucrânia, Arménia, Irlanda do Norte e Albânia (falhamos o apuramento face a uma Alemanha que era muito forte, com os nossas 5 vitórias e 4 empates... mas só perdemos um jogo!).
Ou seja, num período comparável ao do notável e espantoso Sr. Scolari, a diferença essencial é que os infelizes e limitados seleccionadores portugueses de então perderam 2 jogos e o absolutamente iluminado campeão mundial brasileiro perdeu somente um! Ena, que grande diferença!

A propósito dos "sucessos" no Euro 2004 e Mundial de 2006
"Portugal nunca tinha estado numa final do Euro"
Comentário PDN - sim, é verdade. Como é verdade que nunca tinha sido o país organizador. Do mesmo modo que nunca teve à sua disponibilidade tantos jogadores de classe mundial e experiência internacional como nos últimos 7 ou 8 anos. E também nunca tinha tido jogadores portugueses a competir nas maiores equipas do Mundo (Barcelona, Real Madrid, Man United, AC Milan, etc.) nem uma equipa portuguesa tinha vencido a Champions League (ou o seu equivalente) nos últimos 15 anos. Ficamos de que qualquer modo a saber que, na capital do nosso país e com estádio cheio de gente a apoiar as nossas cores, foi um sucesso perder com uma selecção como a Grécia.

Muito obrigado, Sr. Scolari.

Publicado por poncio em 10:20 PM | Comentários (29)

fevereiro 06, 2008

Pobreza scolariana

E lá perdemos com a Itália. Uma manta de retalhos, a nossa selecção foi presa demasiado fácil para uma Itália adulta e a jogar futebol como uma equipa.

Scolari pode achar que é uma vergonha perdermos tantas vezes com a Itália, mas para mim a maior vergonha é ele não saber o que fazer com os grandes jogadores que tem à sua disposição. E em vez de fazer o seu trabalho, perde o tempo a enviar recados pela comunicação social, tentando dar uma imagem de disciplinador.

Um dia Figo disse que não estava para ir à selecção perder prestígio. Eu confesso que me custa muito ver acontecer o mesmo aos jogadores do meu clube.

Publicado por guardabel em 11:00 PM | Comentários (21)

novembro 22, 2007

Obrigado, Scolari. Agora, adeus!

A melhor maneira de se conseguir ganhar uma grande competição internacional de selecções é começar por ser assíduo nas fases finais, e Portugal já o conseguiu. Com o apuramento de ontem, foi a 5ª qualificação consecutiva para uma fase final de um grande torneio. Agora, podemos começar a pensar em ganhá-lo, mas não com Scolari. É altura de dizer obrigado e adeus. O poncio já expôs as razões, por isso não vou ser repetitivo.

Ontem, voltámos a não ganhar a um dos adversários directos. Já agora, quem diria que a Finlândia, classificada em quadragésimo e não-sei-quê lugar no ranking da FIFA, iria disputar a qualificação com o oitavo classificado desse ranking? Não entro pelo caminho dos que acham que estivémos num grupo fácil. A Bélgica tem tradições, apesar de já não se reencontrar como selecção há muitos anos. A Sérvia é sempre temível porque nunca se sabe o que pode vir daquele futebol. A Polónia é melhor do que nós, porque simplesmente joga como uma equipa, que é o que nós não sabemos fazer.

O jogo da nossa selecção assenta demasiado em números de circo, e quando falta um jogador que organize o jogo no meio-campo e que tenha inteligência para achar espaços, como é o caso de Deco, a coisa piora. No vasto leque de atributos técnicos que os nossos jogadores possuem ganhámos, sem dúvida, à Finlândia e se a qualificação fosse decidida aos pontos como no pugilismo, as trivelas, os toques de calcanhar, os passes de letra, as coxinhas, etc, haveriam de contar para alguma coisa.

Voltando a ontem, Cristiano Ronaldo, que acha que a mentalidade dos portugueses não está ao nível de quem joga em Inglaterra e ganha milhões por mês, deve ter apreciado o silêncio com que foi brindado nas inúmeras vezes em que perdeu a bola. Quaresma melhorou um pouquínho a produção (baixa) que o vem caracterizando no FC Porto, mas esteve longe de ser aquele jogador de outros tempos. Nuno Gomes pode ter sido um erro de casting na opinião de alguns, mas o rapaz não beneficiou assim de tanto jogo "jogável" a que pudesse dar seguimento. Assim também é difícil.

Bosingwa deve ter conquistado o seu lugar na selecção e a dupla Pepe-Bruno Alves esteve bem, apesar da tremideira que atingiu toda a equipa na parte final. Os fantasmas dos golos nos últimos minutos andaram pelo Dragão e até o público deu a sua ajudinha com aquele "ais" e "uis" do costume, mas se virmos bem, a Finlândia é uma selecção limitada que apenas conhece o chuveirinho como forma de chegar ao golo.

Scolari abandonou a sala de imprensa furioso, mais uma vez, protestando contra um alvo que náo foi possível identificar. Parece que o mundo está contra o sargentão. Parece que fomos nós quem agrediu um jogador adversário e quem o suspendeu por 4 (e depois 3) jogos. Parece que fomos nós quem pôs a selecção a jogar mal. "O burro sou eu?", perguntou ele. Não, o burro chama-se Madaíl, que o manteve lá.

Publicado por guardabel em 09:06 AM | Comentários (29)

setembro 13, 2007

Aproveitem a oportunidade: rua com o bronco

Devo desde já esclarecer que o Sr. Scolari, "ex-campeão do mundo", como os seus apóstolos lusos insistem em relembrar, nunca foi um treinador do meu agrado. Para além da aura de justiceiro que os adeptos do SLB e do SCP lhe atribuiram (por hostilizar o FCP e afastar alguns dos seus jogadores da equipa nacional), da lógica de "capelinha" (seleccionar sempre os mesmos, independentemente do seu desempenho) e de alguns amuos supostamente disciplinadores (o caso do afastamento do Maniche é só o mais recente), o que entendo é que o homem é um treinador ao nível da mediania portuguesa (tipo Nandinho Santos, Inácio, Vítor Manuel e semelhantes).

Sim, claro, venceu o Mundial mais mal jogado dos últimos 30 anos... com a selecção do Brasil. Mas alguém se lembra do jogo de equipa desse conjunto? Eu lembro a insistência nos dois médios defensivos, a roubalheira frente à Bélgica e alguns rasgos de génio do Ronaldo e do Ronaldinho.

Quanto ao "muito que já deu ao futebol nacional", convirá relembrar algumas coisas que eu já tive a oportunidade de dizer em 2004 e em 2006: a selecção do Sr. Scolari começou por ser a equipa anti-Porto (Baía banido, por exemplo), das glórias em queda (Couto, Rui Costa e Figo em acentuada degenerescência competitiva) e do futebol improvisado. Uma equipa que não precisou de passar pela fase de qualificação do Euro 2004 (por ser o país organizador) mas que, casmurramente, a despeito dos dois gloriosos anos que o FCP teve por essa altura, não tinha lugar no onze inicial para o Deco, nem para o Maniche e, obviamente, também não tinha lugar nos mais de vinte convocados para aquele que foi eleito como o melhor guarda-redes europeu em 2003/2004.

O primeiro "grande contributo para o futebol português" foi colocar em campo, após a derrota inaugural, os jogadores que venceram a Liga dos Campeões, ou seja, fazer aquilo que toda a gente minimamente inteligente exigia há já muito tempo: colocar o Ricardo Carvalho no centro da defesa, o Nuno Valente à esquerda, e usar o triângulo do meio-campo portista. Aliás, fruto da forma articulada como este meio campo actuava, essa foi a única altura em que se notou alguma organização na equipa nacional do Sr. Scolari. Mas o mérito não era dele... era de um Sr. chamado José Mourinho. Mais: apesar deste "presente" que o teimoso brasileiro só aceitou depois de se ver em apuros, insistiu sempre nos "seus" como, por exemplo, um Pauleta que foi um nulidade absoluta ao longo do Euro 2004, com os resultados que se conhecem.

Depois do desmembramento da equipa do FCP, do auto-afastamento do Rui Costa e do "agora não me apetece porque eu apareço depois para jogar o Mundial 2006" do Luís Figo (mais um brilhante exemplo de como o brasileiro é "imune às pressões" e é um "disciplinador"...), a selecção do Sr. Scolari ficou entregue a um grupo de jogadores com lugar cativo e às habilidades da então emergente estrela mundial que dá pelo nome de Cristiano Ronaldo. "Fio de jogo"? "Organização ofensiva?" Nada! Avançamos pela qualificação graças a um grupo sobre o fraco (a 2ª equipa supostamente mais forte era uma Rússia em acentuada crise) e fizémos um Mundial na Alemanha sem brilho, não obstante a fantástica classificação. Para quem não se lembra, começamos por vencer Angola com dificuldade, batemos acagaçadamente o México (nota do autor: informação corrigida com o contributo de um leitor) e vencemos o Irão. Depois avançamos penosamente, com jogos muito sofridos e quase sem marcar golos, até sermos arrumados por uma selecção ainda mais cínica (a França) e humilhados no jogo de 3º e 4º lugar. Em suma, como se costuma dizer, neste Mundial "foi muito melhor o resultado do que a exibição".

Infelizmente, o Sr. Madaíl convenceu o brasileiro de que o SLB ia ser o seu fim como treinador e que mais valia continuar a ganhar 30 mil contos por mês na preguiça que é ser seleccionador nacional - e o homem foi ficando. A imprensa, obediente e submissa, rejubilou, tal como todos os anti-portistas deste país. Pelo meio, o Sr. Scolari tentou vender-se aos ingleses, mas o pessoal achou isso muito "normal" (como o soco de ontem...).

Finalmente chegados ao apuramento para o Euro 2008, com a necessidade evidente de renovar a selecção, Scolari insiste na tese do "clube Portugal", isto é, o Deco pode estar a meter nojo durante 90 minutos que jogará sempre, idem para o Meira, para o Ricardo, etc. etc. - são os "seus". Experimenta um ou outro "novo" jogador, sem grande lógica de continuidade e ao arrepio de qualquer aferição do nível de desempenho registado nos clubes (Nani, Antunes, R. Meireles, Moutinho e Quaresma foram sempre usados episodicamente e sem critério - entraram depois de muita insistência e, com assiduidade, sairam sem se perceber porquê).

Só que as coisas começaram logo mal na Finlândia, onde a brilhante teoria segundo a qual "vencendo em casa e empatando fora" seríamos apurados resultou numa exibição pálida, ainda assim bem melhor do que a registada na Arménia. Só que, por tacanhês, pelo Ronado estar ainda perro, por azar e azelhice do Ricardo, por causa de um golo em fora de jogo, mas sobretudo por falta de ambição e "tomates", não vencemos nem a Polónia nem a Sérvia. A selecção foi, nestes dois jogos, o espelho do que é o "legado" do Sr. Scolari ao desporto-rei português - futebol amorfo, dependência absoluta das individualidades, jogadores "instalados" no 11 e, esta não é culpa dele, com necessidade de um ponta-de-lança que marque golos, pelo menos, de vez em quando...

O murro? Pois, o murro. Acho que é uma agressão indesmentível, fruto do desvario (tenha ou não acertado no Sérvio), e deve ser punida, tal como o foram as do Sá Pinto, do Abel Xavier e a do João Pinto, entre outras. Mas o pior de tudo foi a maneira desavergonhada como este Sr. mentiu, negando ter agredido e atribuindo o seu acto à suposta defesa do Quaresma. O pedido de desculpa posterior, borrado com a insistência na tese de que tentou impedir uma agressão ao cigano, é só mais um exempo da falta de carácter deste Sr..

Resumindo: não reconheço outro "legado" ao Sr. Scolari que não o da falta de ambição e de competência para colocar uma equipa a jogar futebol colectivamente (nesse aspecto, até um treinador de 5ª categoria como era o Humberto Coelho fez melhor). Como tal, sem crucificar o Sr. por este episódio lamentável, porque toda a gente tem um momento mau, agradeço tão somente que aproveitem a oportunidade para o despachar (como brilhantemente fizeram com o Couceiro e com o Paulo Sousa). Obrigado.

Publicado por poncio em 11:43 PM | Comentários (28) | TrackBack

"Soco" em brasileiro? Ah, essa é fácil: "Scolari"!

O sargentão é fogo

Luis Felipe Scolari. Fixem este nome, porque ele passará à história como o primeiro seleccionador a defender a nossa honra com um soco a um jogador adversário. Depois de João Vieira Pinto na Coreia do Sul, este é o mais alto exemplo de patriotismo que poderíamos ter. E logo de um brasileiro irmão!

Bem, deixemo-nos de ironias. Espero que a UEFA mande este senhor com as urtigas nos próximos jogos. Até sugeria um castigo de... quatro jogos! Pode ser que sem ele no banco, a selecção consiga demonstrar um pouco mais de ambição e pensar mais além do que o simples empate. Precisamos de alguém que não prejudique a imagem da selecção. Precisamos de alguém que não nos tome por parvos ao responder "Porque a Sérvia foi melhor" quando o jornalista lhe pergunta por que razão jogámos pior na segunda parte.

Publicado por guardabel em 12:00 AM | Comentários (34) | TrackBack

setembro 08, 2007

Azar com os polacos

O Ricardo não teve responsabilidades no golo do empate da Polónia. É certo que é um remate de muito longe, mas é colocadíssimo e muito forte. Para além disso, há muitos jogadores no campo visual da bola. Ricardo tem, depois, o azar de ver o seu corpo meter a bola lá dentro.

Feita esta primeira defesa de alguém que eu já critiquei muito no passado, quero dizer que achei que jogámos o suficiente para ganharmos este jogo, mas pagámos o preço de não ter um ponta-de-lança a sério na frente. E o Nuno Gomes até nem esteve mal no que diz respeito às combinações com os médios, mas nunca impôs respeito à defesa polaca. E um ponta-de-lança forte, que semeie o pânico na defesa contrária, abre muito mais caminho às acções ofensivas dos médios. A única coisa que Nuno Gomes vai semeando são falhanços atrás de falhanços. E o pior é que nem Postiga nem Hugo Almeida me parecem ser esse ponta-de-lança de eleição de que pecisamos.

Foi um deleite ver a capacidade organizativa de Deco, um verdadeiro maestro na arte do passe. Ronaldo faz sempre mossa nas defesas adversárias, mas o 1-contra-1 está um pouco enferrujado. Maniche é um homem para grande momentos, com boa presença na área, mas falta-lhe alguma frescura física. Simão esteve muito abaixo do que se esperava e deveria ter saído mais cedo para a entrada de um Quaresma que, em quase tudo o que tocou, transformou em ouro, ou seja, perigo. Na defesa, a velocidade de Bosingwa é uma mais-valia e apenas errou no lance em que deixou fugir Smolarek ainda na primeira parte. Os restantes elementos estiveram bem.

Apesar de o empate não satisfazer as nossas pretensões, ainda acredito que vamos chegar ao primeiro lugar do grupo.

Publicado por guardabel em 11:12 PM | Comentários (22) | TrackBack

março 29, 2007

As vitórias de Scolari

O burro do Scolari fez tudo para empatar o jogo na Sérvia. Com uma vantagem caída do céu, deixou-se encostar lá atrás e o golo adversário aconteceu. No resto, foi medroso como qualquer treinador do fundo da tabela da Superliga - a diferença é que os outros treinadores medrosos não têm Ronaldos, Simões, Quaresmas e Nanis... Isto até pode funcionar muito bem nas fases de apuramento, mas o maior problema é que a equipa joga sempre assim. O jogo com a Bélgica foi uma excepção porque os gajos são fraquinhos e os nossos criativos resolveram o jogo.

Quanto às substituições:

Tirou o Miguel e colocou o Caneira, quando o P. Ferreira já tinha um amarelo e um jogador fresco no seu flanco. Porquê?!

Tirou o Moutinho, que esteve de facto muito discreto, para colocar o Meireles e segurar o meio campo defensivo. Aceitável.

Aos 81 minutos colocou em campo o Quaresma, o Ronaldo foi fazer de ponta-de-lança e o Nuno Gomes foi descansar. Só a 9 minutos do fim?!!!!

Duas notas adicionais:

Detesto esta forma de gerir os resultados - Portugal, ao contrário do que acontecia no passado, tem equipa para vencer qualquer jogo, em qualquer lugar.

Se o ponta-de-lança titular não esteve bem contra a Bélgica, se o Ronaldo serve como avançado centro e o Quaresma fez uma monumental exibição no último jogo, a entrada do Simão deveria causar a saída do Nuno Gomes.

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Nota da redação: vejo-me na obrigação de esclarecer alguns espíritos mais confusos acerca da minha opinião sobre o Sr. Scolari:

1º Não me importa se o homem é brasileiro - poderia ser do Uganda, do Ruanda, da Guatemala ou do Vietname e, contudo, ser bom treinador. Por exemplo, mesmo em Lisboa existe gente decente, entre os quais muitos portistas;

2º Até o Humberto Coelho, grande central vermelhusco e treinador falhado em todos os clubes por onde passou, conseguiu fazer boa figura num Europeu. Claro está, tinha o Figo e o Rui Costa no auge e um Nuno Gomes no seu melhor momento de sempre, para além de uma equipa cheia de fantásticos jogadores do Porto;

3º Não me venham com a treta do 2º lugar no Euro 2004; no único Euro disputado em Portugal (sim, não foi preciso passar a fase de apuramento), o homem fez aquilo que ameaçava fazer, meteu água no 1º jogo e só emendou porque já não tinha margem para falhar. Além disso, insistiu num ponta de lança que jogou quase todos os jogos e não marcou um único golo. A cereja em cima do bolo foi ter perdido a final contra uma equipa que, sempre a jogar no erro adversário, já não surpreendia ninguém;

4º O 4º lugar no Mundial de 2006 foi obtido jogando mal e porcamente. Ficamos num grupo manifestamente acessível e não fizemos um único jogo de encher o olho. Pior do que isso, não conseguimos vencer os ingleses contra 10 (só nos penalties) e quanto aos jogos com a França e a Holanda, nem vale a pena falar. O final também foi muito bonito, tendo em conta que fomos goleados pela Alemanha.

5º Sobre o meu portismo exacerbado e o anti-portismo do Scolari - para quem lê o que eu escrevo, é muito fácil perceber que sou um apreciador dos jovens leõezinhos (Moutinho, Nani e Veloso) e até do Simão. Não defendo uma selecção de jogadores do clube A ou B. Defendo uma selecção com os melhores e o Quaresma é, neste momento, indiscutivelmente, um deles. Por exemplo, não coloquei em causa a entrada do benfiquista na equipa, apesar da exibição do Quaresma. Aquilo que defendo é que estaríamos melhor servidos com o Ronaldo no meio, no lugar de qualquer dos pontas de lança de que dispomos (que são todos a puxar para o banal, independentemente de serem portistas, ex-portistas ou benfiquistas).

6º Volto a insistir: o homem é pouco ambicioso, tacanho e medroso. Só mesmo quem gosta de ficar em segundo ou vencer metendo nojo aos próprios adeptos pode apreciar tal criatura. Espero sinceramente que acabe por ser treinador do Benfica - nessa altura serão os que hoje o defendem só por ser anti-Porto quem tratará de o insultar e de o correr.

Publicado por poncio em 12:28 AM | Comentários (50) | TrackBack

março 26, 2007

O futuro é brilhante (não esquecer os óculos-de-sol)

Em primeiro lugar, quero dizer que hoje em dia é fácil ganhar à Bélgica. O tempo de Ceulemans, Scifo, Vercauteren e Van den Berg já lá vai e actualmente esta equipa belga não passa de um conjunto de jogadores da 2ª (talvez 3ª...) divisão europeia. Eles até correm, esforçam-se e tal, mas não vão lá. Aquele falhanço de baliza aberta é paradigmático.

Em segundo lugar, quero dizer que aquela segunda parte foi um vendaval de técnica, vontade e condição física. E quando estas condições acontecem no mesmo jogo é meio caminho andado para a vitória. Era bom que assim fosse em todos os jogos da selecção e que os nossos jogadores esquecessem o discurso ultrapassado e demasiado cauteloso do treinador que temos.

A certa altura da segunda parte dei por mim a contar os jogadores que estavam em campo e que tinham sido "produzidos" pelo Sporting. São muitos mesmo. E depois ainda entrou o Nani. E o Simão não jogou. E o Miguel Veloso cá para mim vai ser o sucessor do Petit. Por isso, obrigado Sporting. Quando não desatam aos berros por causa das arbitragens, até prestam um bom serviço à nação.

PS - Parece que ontem os benfiquistas estiveram muito ocupados a votar num certo programa da TV portuguesa (não, não foi n' A Bela e o Mestre).

Publicado por guardabel em 01:32 PM | Comentários (43) | TrackBack

março 21, 2007

Estes belgas são uns anjinhos

Não admira que os franceses lhes dediquem anedotas pouco edificantes. Então os belgas querem arrumar com o nosso melhor jogador e vêm para a comunicação social apregoar tal intenção como quem apregoa kits de novo sócio em saldo? Ainda por cima pensam que os jornalistas de lá são como os de cá cujo o patriotismo bacoco lhes tolda a mioleirinha e transforma a deontologia profissional numa questão secundária.

Queriam arrumar com o Cristiano Ronaldo, faziam o seguinte. Em primeiro lugar, calavam-se bem caladinhos, que o segredo é a alma do negócio. Depois, durante o jogo, assim como quem não quer a coisa, mandavam um deles, de preferência um dos melhores jogadores (para disfarçar) seguir o miúdo para onde quer que ele fosse, mas sem dar muito nas vistas. Deixavam passar um quarto-de-hora, mais coisa menos coisa, até experimentarem um encostozinho aqui, outro acolá, e, mais adiante, um primeiro teste à resistência das canelas do madeirense para ver se dava. Se à primeira não desse resultado, esperariam pela meia-hora de jogo, e numa entrada perfeitamente normal, varriam o homem, a bola, a relva, tudo. Com um bocadinho de sorte, o árbitro nada faria e o nosso Ronaldo ficava a ver o resto da qualificação engessado, no conforto do seu lar. Este belgas são mesmo anjinhos.

Publicado por guardabel em 03:56 PM | Comentários (52) | TrackBack

outubro 12, 2006

Portugal de Scolari: a minha selecção não é esta

Se era para jogar daquela maneira, mais valia terem mandado lá os putos que no dia anterior arrumaram com a Rússia. É que esses, por muito que Scolari lhes dissesse que tinham era que defender juntinhos lá atrás, esses iriam jogar para a frente e mandar o sargentão plantar cana de açúcar no quintal da Federação.

Temos um seleccionador casmurro, acomodado e medroso. Isto já se sabia. O que eu pensava era que tínhamos jogadores com personalidade para mandar às urtigas aquela postura defensiva que o treinador lhes pediu. Então eles passam o ano nos seus clubes com os olhos na baliza adversária e a jogar para ganhar e, numa semana, um brasileiro inculto e prepotente diz-lhes que o empate já é um bom resultado? E eles embarcam nessa?

Publicado por guardabel em 09:41 PM | Comentários (24)

julho 09, 2006

Apoteose em Oeiras

No campo de treinos do terceiro classificado do campeonato português, 10 mil dedicaram ao quarto classificado do campeonato do mundo a canção "campeões, campeões, nós somos campeões". Suponho que o jogo que a SIC está a transmitir neste momento lhes passe ao lado. Ao mesmo tempo, esses 10 mil patriotas gritaram "Fica! Fica! Fica! Fica!", o que é de péssimo gosto, tendo em conta o nome do clube que costuma lá treinar.

Publicado por guardabel em 09:25 PM | Comentários (29)

maio 23, 2006

Prémio "Sarrafeiro e mentiroso"

"Fui ao último mundial e nem levei um amarelo, nem fiz qualquer entrada dura."
Petit, 22/05/06

Publicado por guardabel em 05:09 PM | Comentários (33)

maio 16, 2006

Pedro Emanuel no Mundial

Esta foi a vontade expressa pelos visitantes de Pobo do Norte na botação que agora acaba, um dia depois de Scolari ter incluído na lista o nome de Ricardo Costa. Resultados finais, após 247 votos:

1. Pedro Emanuel - 161 (65%)
2. Ricardo Rocha - 26 (11%)
3. Tonel - 21 (9%)
4. Jose Castro - 15 (6%)
5. Nunes e Outro - 12 (5%)

A não inclusão do Ricardo Costa nas hipóteses deveu-se simplesmente ao facto de eu não achar que ele deva ir ao Mundial da Alemanha, apesar de ser jogador do FC Porto. De qualquer forma, a opção "Outro" dava a possibilidade de discordar com a lista apresentada.

Publicado por guardabel em 02:49 PM | Comentários (15)

Frase do dia

"Se o Luisão vai ao mundial pelo Brasil, porque é que o Ricardo Costa não pode ir por Portugal?"
Anónimo, 16/05/06

Publicado por guardabel em 12:23 PM | Comentários (14)

maio 15, 2006

Mauzinho

O jornalista João Bonzinho, na sua crónica semanal em A Bola, escreve sobre a provável não convocação de Quaresma para o mundial. E adianta "alegadas razões do seleccionador, que se vão ouvindo pelos bastidores deste nosso futebol", para a ausência do cigano do lote dos 23. Segundo este jornalista, Scolari não gostou de saber que Quaresma:

- "passa a maior parte do tempo de estágio a ouvir música (isolando-se)". O seleccionador terá mesmo presenciado este tipo de comportamento, (gravíssimo! - digo eu), quando o convocou para o particular com a Arábia Saudita.

- "é capaz de reagir publicamente mal a uma decisão do treinador". Esta é uma alusão à substituição em Alvalade, no jogo do título, em que supostamente Quaresma terá reagido mal.

- "que se dispõe (como se dispôs) a entrar em brincadeiras de mau gosto como a de cantar ofensas públicas ao Benfica na noite dos festejos do título do FC Porto. Consta que essa terá sido, para Scolari, apenas a gota de água."

O que me parece, deste artigo hipócrita de João Bonzinho - hipócrita porque começa por dizer que a "ausência do Mundial de um talento como o de Quaresma (...) arrepia" -, é que se está a tentar por todas as maneiras justificar com fait-divers a ausência de um jogador que nos poderia ser muito útil no mundial. É que facilmente poderiamos arranjar argumentos deste tipo para não convocar outros jogadores!

A questão da música é hilariante. Como se todos os jogadores tivessem a obrigação de andar sempre de mãos dadas em grupinho a jogar ao berlinde e disso dependesse o espírito de camaradagem que deve haver numa selecção. Coitados dos jogadores mais reservados e com personalidade mais introspectiva! Se é este o argumento para não querer pôr em perigo o espírito de grupo, então que dizer de um certo jogador que levantou um 31 de todo o tamanho no seu clube por causa da braçadeira de capitão? Que tipo de conflitos não será um jogador destes capaz de criar num balneário? Vocês sabem de quem é que estou a falar...

O argumento de reagir mal publicamente a uma decisão do treinador, nomeadamente uma substituição, é também ele ridídulo. Será que nenhum dos jogadores dados como convocados nunca reagiu mal a uma decisão do seu treinador? E será que isso será razão para não convocar um jogador? Que andou Figo a fazer nos últimos tempos do Real Madrid senão a dizer mal do seu treinador nos jornais? Não brinquem connosco! Há uma palavra para esse argumento: patético!

Creio que a gota de água, que foram os cânticos insultuosos ao Benfica, é um argumento que veio mesmo a calhar. Veio mesmo dar um jeitaço, não sr. Bonzinho? É curioso que esse argumento já não serve quando falamos dos jogadores do Benfica que, no ano passado, insultaram o Presidente do FC Porto, nos festejos desse "Lampeonato Trapaceiro 2004/2005". Nesse caso, já não são jogadores que se dispõem a entrar em brincadeiras de mau gosto. Devem ser antes excessos próprios da juventude irreverente. Já todos por lá passámos!


PS - O nosso leitor que assina nos comentários porto1969 (a quem agradecemos) teve a gentileza de nos enviar uma digitalização de uma página da Men's Health alemã, que traz uma reportagem em que o repórter alemao foi ao Rio de Janeiro visitar a escolinha do Flamengo e tirou uma foto ao quadro onde os miúdos aprendem o alfabeto. Adivinhem lá quem está na letra Q. (Pormenor).

Publicado por guardabel em 06:47 PM | Comentários (35)

maio 14, 2006

A diferença entre a Seleção de Portugal e o Clube do Sr. Scolari

Apesar dos três anos de asneira, arrogância e má-educação, confesso que não acreditava que o Sr. Scolari fosse capaz de deixar o Ricardo Quaresma fora do Mundial 2006. Depois disto, já nada me surpreende.

Como já referiu o PC, chegar à final de um Euro realizado em Portugal e perder face à Grécia não é um grande currículum para um seleccionador nacional. Scolari não precisou de passar por uma fase de apuramento, mas foi necessário perder o primeiro jogo para perceber que Ricardo Carvalho, Maniche e Deco deveriam fazer parte do 11 onze inicial. Deixou de lado aquele que foi considerado o melhor guarda-redes europeu em 2004 e insistiu sempre num Pauleta que, jogando quase todos os jogos a titular (falhou um por suspensão), não marcou nenhum golo e falhou muitos. Mas o melhor exemplo de egocêntrismo e desprezo pela opinião de terceiros foi colocar o Bruno Vale a titular num jogo de preparação.

Na fase de apuramento para este Mundial, permitiu que um Figo em claro declínio no Real Madrid voltasse a jogar como e quando quis. Manteve Ricardo e Quim como os guarda-redes da Selecção quando estes nem jogavam nas respectivas equipas. E aposta agora em jogadores sem ritmo e/ou que há já muito tempo não produzem exibições que justifiquem a Selecção: Quim, Costinha, Maniche, Nuno Valente, Hélder Postiga e, tudo indica, Hugo Viana. Como referiu o Luís Sobral no MaisFutebol, esta não é a Selecção de Portugal: isto é o clube do Sr. Scolari!

O homem chegou em 2003, escolheu um lote de jogadores e, a partir desse momento, limitou-se a reagir mal sempre que as suas opções eram postas em causa. Na cabeça do brasileiro, desde então, quase nada aconteceu em Portugal que justificasse a inclusão de novas caras e o afastamento de outras: não viu o valor evidente do Miguelito (mas deu uma oportunidade ou duas ao Rogério Matias...), nem a utilidade do João Tomás e passou ao lado das exibições de João Moutinho e Ricardo Quaresma. Aposto que, se o Rui Costa quisesse ir à Alemanha, também estaria nas escolhas de Scolari...

Segundo o Expresso, os "20 cromos garantidos" são:
GR - Ricardo e Quim
Defesas - R. Carvalho, Meira, Caneira, P. Ferreira, Miguel e N. Valente
Médios defensivos - Costinha, Maniche, Petit e Tiago
Médios de ataque/atacantes - Deco, Figo, Boa Morte, Simão e C. Ronaldo
Pontas-de-lança - Pauleta, N. Gomes e H. Postiga

Pelas previsões da maioria, os três lugares sobrantes serão distribuídos por
GR - Nuno Santos (ou Bruno Vale)
Defesa (central) - R. Costa (ou R. Rocha, ou Tonel ou até Nunes)
Médio/atacante - Hugo Viana (abdicando de Quaresma, Moutinho ou M. Fernandes)

Clubismos à parte, e sendo indiferente quem é o GR que só vai ver jogos a partir do banco (como 3ª opção), apostaria no Ricardo Rocha e, obviamente, no Quaresma.

Pressinto um desastre semelhante ao do Mundial Coreia/Japão: vamos certamente alinhar com toda a "brigada do reumático" sobrante - N. Valente, Costinha, Figo e Pauleta - um GR que é manifestamente fraco e com toda a fé depositada nos rasgos do Deco e, sobretudo, na habilidade do Ronaldo. De fora do 11 ficarão por certo jogadores que pouco acrescentarão de novo em caso de necessidade e, provavelmente, o Tiago, que fez uma época fabulosa.

Pelo que me diz respeito, desde 1986 que não estava tão descrente nas possibilidades da nossa Selecção. Se este brasileiro ficar na selecção depois do Mundial, vou naturalizar-me espanhol...

Publicado por poncio em 12:29 AM | Comentários (15)

maio 04, 2006

Um central para o mundial

As pessoas casmurras são muito previsíveis. É muito fácil perceber o que querem e a forma como pensam. Por isso é que Scolari raramente nos traz surpresas e as suas convocatórias e equipas são previsíveis (convocatória de Bruno Vale à parte). Mas no caso do central que vai substituir Jorge Andrade, confesso que me é difícil fazer prognósticos. Apesar de não existir nenhum jogador ao nível do central do Depor, há um conjunto de 4 ou 5 jogadores que poderiam ser convocados, sem que houvesse grandes diferenças de rendimento entre eles. Abri, por isso, uma botação para que o visitante do Pobo do Norte expresse a sua opinião e faça a sua escolha. Clubismos à parte, qual o central que gostaria de ver no mundial? Bamos lá clicare.

PS (1) - Decidi incluir o Pedro Emanuel na lista por duas razões: A FIFA negou a sua inclusão por Angola Acho que não fica atrás de nenhuma das outras hipóteses.

PS (2) - Quem decidir votar na hipótese "Outro", pode deixar a sua sugestão nos comentários. Obrigado.

Publicado por guardabel em 06:18 PM | Comentários (25)

dezembro 19, 2005

Scolari: estamos fartos de ti!

Scolari saiu do conforto da sua "reforma dourada" para, alegadamente, referir que Baía e João Pinto não fazem ou fizeram parte das suas opções por supostas razões "técnicas e de balneário". Além disso, não vai ver os jogos onde é possível observar os potencialmente seleccionáveis porque não quer gastar o dinheiro da FPF na avaliação de jogadores com quem trabalha na seleccção "há mais de dois anos" (ena!). Entretanto, já tinha cometido a proeza de colocar todos os jogadores dos sub-21 fora do Mundial da Alemanha.

Resumindo: este tipo é uma pessoa incompetente, egocêntrica e profundamente arrogante. Incompetente, porque coloca interesses menores do que a sua função (que é escolher os melhores e criar uma equipa) acima daquilo para que lhe pagam. Egocêntrico porque considera, desde o affair Romário, que é o melhor do mundo, dado que até resistiu a pressões do Presidente do Brasil, tendo vencido o Mundial da Coreia/Japão. Arrogante, porque entende que é possível atirar pseudo argumentos que depois se inibe de explicar: nas razões de índole "técnica" cabe quase tudo - era escusado referir algo de tão concreto como razões "de balneário!

Mais: Ricardo Quaresma é, presentemente, o melhor extremo com que a selecção pode contar (nas actuais condições, até o Cristiano Ronaldo perde para ele). Dado que para além do fenómeno que joga no Manchester United só temos um Figo com duas velocidades (lento e devagarinho...), um Simão em condições físicas muito deficientes e um Boa Morte que jamais demonstrou ser um jogador para os grandes momentos, não seleccionar o Quaresma é uma profunda estupidez. Por certo, as condições em que os jogadores chegarão a Maio/Junho de 2006 é que deverão ser o facto decisivo - mas, nesse caso, porque é que o iluminado do Scolari já "escolheu" a quase totalidade dos eleitos?

Mais: o treinador brasileiro terá, segundo o Hélder Postiga, sugerido que este deveria abandonar o FCP para poder jogar no Alemanha 2006. Não me aborrece a saída do Postiga - penso que até lhe pode fazer bem - mas este tipo de ingerência na vida interna de um clube com quem tem difíceis relações (a confirmar-se) é, no mínimo, mais uma provocação. Acresce que o Hugo Almeida faz parte dos excluídos por inerência de ser o ponta-de-lança da selecção de sub-21... Só asneiras!

Para os que defendem que nos apuramos directamente para o Mundial e que Scolari teve "o mérito de colocar a casa em ordem", seria bom relembrar alguns factos indesmentíveis:
1 - foi preciso a selecção dos "inquestionáveis" perder o 1º jogo do Euro 2004 para que o brasileiro fizesse as mudanças que todos reclamavam havia já muitos meses;
2 - apesar do Pauleta ter alinhado em todos os jogos do Euro em que era posssível utilizá-lo (ou seja, todos excepto o que falhou por suspensão), não ter marcado um único golo e ter jogado sofrivelmente, a obstinação de Scolari atirou sempre com as opções alternativas que tão boa conta deram de si para o banco de suplentes: falo de Postiga e, sobretudo, de Nuno Gomes;
3 - perdemos uma final face a uma equipa fraca, porque a nossa táctica foi rigorosamente a mesma, do princípio ao fim do Europeu, mesmo quando se impunha mudanças drásticas - as alternativas estratégicas ao esquema base foram pouco ou mal treinadas, daí que qualquer treinador adversário que faça o trabalhinho de casa corra sérios riscos de se feliz;
4 - o nosso grupo de apuramento era uma pobreza - a selecção limitou-se a cumprir a sua obrigação e, na maioria das vezes, sem brilho.

Nota humorística para terminar: há cerca de duas horas, ouvi o Medeiros Ferreira, político que representa o SLB no debate semanal da Antena 1 sobre futebol, dizer que o guarda-redes do Nacional é que é o culpado no lance que resultou em golo e que "o Benfica fez o suficiente para vencer por 2 ou 3". Quanto a este último comentário, devo dizer que o homem viu um jogo diferente daquele a que a maioria de nós teve a oportunidade de assistir na TV. No que respeita à alegada hesitação do suiço Diego, que, segundo ele, teve "uma paragem", estamos profundamente de acordo: a cara do jovem guarda-redes "parou" no cotovelo do Ilusão, o que, na realidade, configura uma vegonhosa agressão ao central do Benfica. Accionem já um sumaríssimo que arrume com este Nacionalista por dois ou três jogos.

Publicado por poncio em 09:19 PM | Comentários (24)

setembro 08, 2005

Sofrível

O jogo da nossa selecção ontem foi uma lástima. Contra 10 rapazes russos bem intencionados não fomos capazes de criar uma oportunidade clara de golo dentro da grande-área. O Figo arrastou-se pelo campo, o Cristiano Ronaldo não jogou o habitual, o Pauleta mal tocou na bola e o Postiga entrou para estorvar. O nosso seleccionador é dos piores treinadores a nível de leitura de jogo que eu já vi. Estamos no grupo mais fácil da história das qualificações para mundiais e conseguimos a "proeza" de empatar no Liechtenstein e jogar para o empate fora com Eslováquia, que, para mim, pertence à 3ª divisão europeia. Se tínhamos calhado num outro grupo qualquer íamos de vela. Ai, íamos, íamos.

Publicado por guardabel em 07:06 PM | Comentários (18)

setembro 04, 2005

Não há Ricardo, há Oberweis

Continuamos a nossa caminhada imparável, [ironic mode on] neste grupo dificílimo [ironic mode off], rumo ao campeonato mundial.

Ontem, o povo estava numa de aplaudir todos os contactos de Ricardo com a bola, situação que até começou a soar a provocação. Será que os cerca de 25 mil que foram ao Estádio do Algarve estavam à espera de ver um terceiro frango de Ricardo num curto período de tempo? Será que tentaram incutir-lhe confiança para fazer um dos seus números de circo? Não sei, mas a avaliar pelos aplausos que o nosso guarda-redes teve sempre que piscava o olho a uma garina na bancada ou dava um traque para aliviar a tensão, os luxemburgueses devem ter pensado que ele mantém o estado de graça desde o Europeu, quando defendeu um penalty sem luvas, marcou outro com chuteiras e tentou abraçar o Charisteas no lance do golo que nos tirou o título.

Quem não achou piada a tudo aquilo foi Oberweis, o guarda-redes luxemburguês, que teve de esperar quase o jogo todo por uma "gracinha" de Ricardo, sem sucesso. Então, aos 83 minutos, já que Ricardo não se decidia, decidiu ele mesmo oferecer um frango bem bonito. Este foi também um lance importante para todos os benfiquistas pois foi a primeira vez que um jogador do Benfica, neste caso o Simão, marcou um golo de bola corrida desde... espera aí... hummm... não me lembro. Se alguém puder dar uma ajudinha, a gerência agradece.

Publicado por guardabel em 03:03 PM | Comentários (5)

setembro 03, 2005

A baliza da selecção

Somos um caso especial em todo o mundo. Somo a única selecção cujo guarda-redes titular não é convocado pelo seu clube por atravessar um mau momento e cujo guarda-redes suplente é também suplente no seu clube. Que luxo!

Bem pode Vítor Baía continuar a ser o melhor guarda-redes nacional. Bem podem os Jorge Baptistas deste campeonato continuarem a fazer exibições do outro mundo. Tirem o cavalinho da chuva, pois jamais chegarão à baliza das selecção nacional.

Publicado por guardabel em 10:41 AM | Comentários (5)

junho 09, 2005

Apesar de Scolari, estamos no bom caminho

Com estes dois últimos jogos, a nossa selecção confirmou o seu favoritismo ao primeiro lugar do grupo e mais não fez do que a sua obrigação. Eu, que sou exigente, vou mais além e digo que a prestação da nossa selecção tem ficado aquém das expectativas. Nunca antes tivemos um grupo de qualificação tão acessível, nunca antes tivemos o respeito, quase reverência, dos nossos adversários, que já não olham para nós como mais uma selecção com bom toque de bola, mas como a vice-campeã europeia, que integra jogadores que foram campeões europeus de clube. Finalmente, nunca antes tivemos um treinador com a marca de campeão do mundo ao nosso serviço.

Por tudo isto, eu digo que a nossa prestação até deixa a desejar. Porquê? Porque não podemos empatar com um Liechtenstein, como empatámos, porque não podemos empatar na Eslováquia a acabar o jogo a defender esse pontito, como acabámos, porque não podemos ter um futebol pálido, como temos, demasiado dependente dos humores de um Ronaldo, de um Figo ou de um Deco.

Esta nossa selecção é um conjunto de excelentes jogadores, capazes de decidir o jogo a qualquer momento. Por isso mesmo são hoje ídolos da juventude mundial. O nosso problema é o treinador, que ainda não fez deste grupo de jogadores uma verdadeira equipa, continuando a insistir em opções verdadeiramente incríveis. A questão Ricardo já foi por demais debatida, e hoje tenho a certeza que a ausência daquele que é o melhor não se deve a critérios técnicos, mas a algo que um dia, espero, há-de vir à superfície. A questão que neste momento me "aflige" mais é a questão Pauleta. Por mais que o açoriano jogue mal, Scolari continua a insistir, e o futebol da selecção ressente-se disso. Pauleta está mais lento que nunca, recebe mal a bola e tabela ainda pior. Apesar da euforia instalada na nossa imprensa, o que é certo é que em 2 jogos contra equipas de segundo plano, cujas defesas são autênticos passadores (excepção ao bom guarda-redes da Estónia), marcámos apenas 3 golos, sendo que nenhum deles foi marcado pelo ponta-de-lança!

Continuo a dizer que tivemos a maior sorte do mundo em ter calhado neste grupo. Não sei o que aconteceria se tivéssemos tido o destino de calhar no grupo onde está a Grécia...

Publicado por guardabel em 02:50 PM | Comentários (2)

março 30, 2005

Vergonha

A vice-campeã europeia defendeu o empate com unhas e dentes perante um adversário sem qualquer expressão internacional. O seleccionador fez uma substituição para queimar tempo. Hugo Viana não tocou na bola, mas o seu desempenho não esteve longe do de Simão Sabrosa. Gabriel Alves está eufórico com este empate. Ricardo salvou-nos (já não era sem tempo). A selecção não jogou uma merda, mais uma vez. A culpa deve ser dos campeões da europa que lá jogam.

Publicado por guardabel em 07:55 PM | Comentários (6)

outubro 13, 2004

Deco! Deco! Deco!


Ganda golo!

Se há um ano me dissessem que um estádio que não o Dragão chamaria por Deco como hoje Alvalade chama, eu diria que era mentira!

Publicado por guardabel em 10:14 PM | Comentários (13)

setembro 09, 2004

Hélder Postiga: dois golos à Estónia

Postiga teve ontem o dobro da eficácia de Pauleta em metade do tempo. É só comparar:

Pauleta - 90 minutos em campo = 1 golo
Postiga - 45 minutos em campo = 2 golos

É claro que o açoriano começa a perder o fulgor de outros tempos. Ele nunca foi um portento de técnica, mas compensava esse défice com uma entrega e oportunismo exemplares, que, por sua vez, se alicerçavam numa grande condição física. O problema de Pauleta é que está mais lento, desmarca-se menos e começa a perder os duelos em velocidade com os defesas. Para além disso, está mais nervoso e menos confiante. Scolari gosta dele, nomeou-o capitão e vê-se que não vai abdicar dele facilmente. Pauleta, à imagem de Figo, Rui Costa e Couto, transformou-se numa "vaca sagrada" e é deste tipo de jogadores que Scolari gosta: têm "peso institucional" e, porque são titulares, não põem o treinador em causa.

Ontem, nem era preciso colocar Pauleta no banco. Aquilo que Scolari mudou aos 45 minutos - jogar com 2 pontas-de-lança e tirar um defesa - deveria tê-lo feito logo ao primeiro quarto de hora, quando se percebeu que a Estónia jogava praticamente dentro da sua grande-área e era inócua no ataque (apesar dos esforços de Ricardo em dar uma alegria aos rapazes de leste).

Postiga, tal como Hugo Almeida no dia anterior, marcou dois golos e mostrou que está preparado para assumir a titularidade do FC Porto. Penso que nunca o FC Porto teve tantas (boas) alternativas para ponta-de-lança/avançado-centro como neste ano.

Publicado por guardabel em 05:43 PM | Comentários (11)

setembro 08, 2004

Hugo Almeida: dois golos à Estónia

Hugo Almeida ajudou ontem os Sub-21 a conseguirem a vitória frente à Estónia com dois golos "à ponta-de-lança". Confirma-se assim a evolução de um jogador que pode ser muito útil ao FCP 2004/2005 no jogo aéreo, para o qual não tínhamos ninguém desde Jardel (Del Neri acreditava que Postiga podia ser este tipo de jogador). Jankaukas era alto, mas nunca demonstrou apetência, nem talento para o jogo aéreo. Hugo Almeida fez mais do que marcar dois golos: terá dado informações preciosas a Victor Fernandez sobre a sua forma de jogar. É que o treinador pouco tempo teve ainda para conhecer o avançado, bem como os restantes sub-21 portistas, nomeadamente Raul Meireles (que ontem jogou bem, mais uma vez) e Bosingwa.

Publicado por guardabel em 05:20 PM | Comentários (4)

agosto 04, 2004

O sistema consiste em perder um médio e escolher um central...

A época começou já de um modo cómico: assumidamente lesionados, Postiga e Tiago abandonam a selecção que vai jogar em Atenas e não poderão alinhar pelos seus clubes até ao fim da competição olímpíca, isto é, nem Chelsea nem Porto ganham nada com isto.

Aliás, o Porto perde mais um ponta de lança - Hugo Almeida - que era, dentro da lista de 4 reservistas, o único avançado. Faz sentido.

A parte divertida da coisa é o facto de um médio - Tiago - ter sido substituido por um... defesa central do U. de Leiria! Terá sido porque a opção mais lógica seria ir buscar o único médio da lista de reservistas (Custódio) e o SCP começou a protestar? Não, claro, foi o sistema que eles tanto criticam...

O mais giro é que o FCP dá à selecção B. Vale, R. Meireles, J. Bosingwa, R. Costa, Bruno Alves, Postiga e, agora, também Hugo Almeida, isto é, 7 jogadores, mas o SCP, que dá apenas 4 (M. Sérgio, H. Viana, Danny e C. Martins), foi o único a protestar. Os Benfas, que só abdicam do Moreira, estão caladinhos, não vá o Romão chamar o J. Pereira...

Publicado por poncio em 12:36 AM | Comentários (6)

julho 05, 2004

O milagre grego, os heróis e os vilões

Gostaria de estar a escrever um post que dissese:

"É preciso ter calma, isto é só futebol. Hoje recomeça tudo de novo - o trânsito, o trabalho e a crise política. A alegria justifica-se, porque foi um momento memorável. Mas a vitória no Euro 2004 não nos transformou num país rico, com índices desenvolvimento elevados, nem criou condições de vida mais dignas para os mais desfavorecidos. Não acabou o compadrio, continuamos a ter os azelhas do costume (de todos os partidos) ao leme dos desígnios da nação e, para além disso, não consta que o Alberto João Jardim se tenha demitido..."

Mas o texto de hoje é diferente:

Doeu muito. Vi o jogo na casa de uns amigos: nenhuma das 10 pessoas presentes naquela sala conseguiu dizer uma palavra que seja no final do jogo. Estavam incrédulos, como eu, ainda à espera de mais um número do Ronaldo, de mais um rasgo do Figo, de uma jogada artística do Deco, de uma bomba do Maniche. Depois daquela apoteose, depois da euforia, era difícil acreditar que tinhamos "morrido na praia".

Não vale a pena arranjar culpados. Afinal, este é o melhor resultado de sempre da equipa de Portugal. Mas não chega, pois não? Não chega para consolar os milhões que viveram intensamente este torneio e a nossa caminhada; não chega para festejar, porque ser segundo e ficar contente é coisa de perdedores natos. Não chega para dar esperança, porque mesmo que o futuro da selecção esteja assegurado, oportunidades como esta não abundarão, ainda que venhamos a ter uma selecção ainda mais forte, com jogadores mais decisivos... e com pontas de lança que marquem golos!

Custa-me a acreditar que perdemos. Que fomos derrotados por um único remate à baliza, por um único canto, por uma jogada de "bola parada". A verdade cruel é que bastou um e de nada valeram os remates portugueses e o desespero das bancadas. Apesar de todos os elogios que agora dirigem à Grécia, a verdade é que aquilo é uma equipa de jogadores banais, que jogam do mesmo modo que Portugal jogava nos anos 80 (a diferença é que perdíamos quase sempre...).

Nos 23 jogadores do campeão da Europa existem, no máximo, 3 ou 4 verdadeiros jogadores de nível europeu - o guarda-redes (um veterano discreto, que esteve sempre bem), o defesa direito (que, para nossa felicidade, parece ainda melhor que o P. Ferreira!), um central chamado Dellas (que não é um portento nem tem a elegância do R. Carvalho, mas esteve impecável) e o médio que falhou a final (Karagounis). Que me perdoem os Gregos, mas o suposto melhor jogador do Euro 2004 é um tipo acima da média, mas está longe de ser um fora-de-série capaz de levar a selecção "às costas", capaz de encantar um estádio. Já alguém se deu ao trabalho de comparar o respectivo desempenho com do Maniche? Ou com o do Jankulowsky?

Mas que os Gregos jogaram certinhos, que o Fyssas até parecia melhor jogador que no Benfica e que o matulão do avançado que marcou o golo defende muito bem, lá isso é verdade. É também verdade que as marcações deles secaram o Deco, o Figo e o Ronaldo, e que, sem estes, o jogo português perdeu o tino. É também verdade que, na hora de carregar, quando o único português que os gregos menosprezaram tentava ser o herói que faltava, o nosso seleccionador desistiu do seu avançado de sempre para o substituir pelo preterido... O mínimo que tinha que fazer, a 20 minutos do fim, era ficar com os dois em campo e esperar que da atrapalhação na área grega resultasse alguma coisa. Mas o homem quis manter a ordem, evitar o pontapé lá para cima, e só com o N. Gomes e o C. Ronaldo era impossível bater os grandalhões da defesa deles pelo ar.

Ok, perdemos. Em nossa casa (não era bem a nossa casa...), no nosso país, perante uma nação empolgada. Foi muito duro. A única coisa positiva que fica é a ideia de que, se no futuro chegarmos a uma final destas, teremos que ser mais fortes, mais capazes, mais decisivos - a sensação com que fiquei no final foi a de que já ninguém dentro do campo acreditava que era possível levar o jogo para o prolongamento. Os jogadores, os mais empenhados e os menos empenhados, estavam descrentes, incrédulos, quase resignados.

Para trás fica um mês fabuloso, um mês em que fomos da tristeza costumeira a um inusitado entusiasmo, para acabar a festa de cabeça baixa, como se tivéssemos perdido tudo. Se, no ínicio, me dissessem que teríamos o 2º lugar, eu não ficaria tão triste. Aliás, ficaria satisfeito se fossemos derrotados pela única equipa que me pareceu sempre melhor do que nós - a República Checa. Caímos perante uma equipa do tipo "bate e foge", premiando o futebol dos covardes, elevando aos píncaros uma equipa que em jogo algum dominou e deu provas de qualidade. Isto não foi bom para nós; isto não é nada bom para esta modalidade.

Falhei na minha promessa ao Martin Safar: lamento amigo, a vossa história repetiu-se connosco. Fica para a próxima.

Publicado por poncio em 11:11 PM | Comentários (8)

julho 03, 2004

A equipa nacional, o FCP e os outros

O Euro 2004 ainda não acabou e o chorrilho de asneiras que a este propósito é publicado também não. Uns porque têm memória curta, outros porque se entusiasmaram com os súbitos afectos de Scolari por Portugal (se eu ganhasse o que ele ganha também amaria os que pagassem...) e outros porque têm que dar voz à sua cor clubística, apesar da suposta isenção jornalística. Mas vamos por partes.


1. O Scolari, o tempo perdido e a habilidade de ser brasileiro

O homem está a provar saber gerir um grupo com cabecilhas e clãs, para além de ter conseguido encantar Portugal. As vitórias ajudaram e a emoção, genuína ou exacerbada (ou ambas!), do modo de ser brasileiro em terras lusas fez o resto.

Porém, é bom lembrar que os indiscutíveis de hoje (R. Carvalho, Maniche, Deco, C. Ronaldo e N. Valente) nunca jogaram juntos nos jogos de preparação. Aliás, alguns deles, pouco ou nada jogaram na selecção, com os resultados que se conhece.

É escusado dizer que os do FCP são jogadores maduros, experientes e bem sucedidos, sendo que tal coisa deveria significar uma mais valia para a equipa de todos nós. O C. Ronaldo, sendo ainda imaturo, jogou uma época num dos mais bem sucedidos clubes do mundo.

Ter efectuado as alterações quando estava à beira do precipício foi, simultaneamente, um acto de inteligência (assumindo os erros) e um acto de incoerência - afinal, uma equipa com esquema e jogadores definidos para cada papel muito antes da fase final, e em que a discussão era em torno da escolha do P. Ferreira ou do Miguel, do Costinha ou do Petit e do Boa Morte ou do Simão, não poderia ser encostada só porque um jogo "correu mal". Não! O que aconteceu no primeiro jogo já tinha acontecido em muitos jogos, mas faltou coragem para afrontar o clã e admitir que aqueles tipos do "Puerto" tinham um leque jogadores que eram indispensáveis. Sim, leram bem - INDISPENSÁVEIS!


2. A equipa que temos e os que não querem ver (SLBs, saudosistas e afins)

A equipa que vai entrar em campo no domingo é a mesma que entrou de início para o jogo com a Holanda. Quando as coisas funcionam como um todo, não faz sentido mudar. Mas existem dois jogadores seriamente "prejudicados" por esta lógica de senso comum, ainda que em doses e modos diferentes:

- o P. Ferreira, que sendo o melhor defesa direito português, teve o azar de fazer um dos piores jogos da sua carreira contra a Grécia; além disso, ainda que com as limitações defensivas que se conhecem (deficiências de marcação e falta de jogo de cabeça), o Miguel agarrou a oportunidade e demonstrou, aqui e ali, que ataca melhor e não nos deixou ficar mal - numa competição deste género e com os condicionalismos enunciados, merece continuar no 11;

- o N. Gomes, que tendo sido o herói contra a Espanha (o homem está fadado para marcar em situações difíceis), viu uma parte significativa do Europeu no banco, enquanto o Scolari dava todas as hipóteses possíveis e imaginárias a um jogador de inegável qualidade (sem dúvida, o melhor ponta de lança português da actualidade) que tem estado muito mal em todos os jogos e ficado em campo mais tempo do que seria necessário. Pelas mesmas razões que "encostou" o P. Ferreira, Scolari deveria ter colocado o N. Gomes a titular contra a Holanda. Na final, tendo preferido sempre o Pauleta, mais vale deixá-lo iniciar a partida outra vez: mas que não perca tempo na substituição caso ele volte a fazer uma primeira parte cheia de falhanços, porque os gregos não nos vão dar tanto espaço como os holandeses.

E quanto ao F. Couto e R. Costa, estamos conversados: o 1º mostrou a diferença que existe entre ele e qualquer um dos titulares no modo incompetente como deu à Holanda o único livre directo junto à linha da grande área de todo o jogo; o 2º já provou que pode ser muito útil a sair do banco, quando as energias dos adversários começam a acabar - já marcou dois golos (o do jogo com os ingleses foi fabuloso) mas não defende, só ataca. Aquilo que fez dele um nº 10 dos melhores do mundo continua lá, mas tudo acontece agora a um ritmo mais lento, com uma frescura física que dá para 20 minutos a apertar, não mais. Mas como suplente ainda é um luxo. E parece jogar melhor quando se sente posto em causa...

Por fim, o Figo, esse "ainda" grande jogador. Com a vontade com que jogou o último encontro, ainda dá para disfarçar a perda de velocidade e o menor poder físico, sobretudo quando o desgraçado que lhe aparece pela frente se chama Cocu, Bouma ou Stam. Defendeu, não se agarrou à bola, atacou bem, enfim, como o Maniche foi retirado do campo antes do fim do jogo, acho que foi mesmo o melhor português.

Deu para ver que quis deixar uma marca nesta presença na fase final e sair como um herói. É justo e é muito bom para a selecção; foi pena aquela cena triste no jogo com a Inglaterra e o ar de vedeta mimada. Todavia, tudo isso é irrelevante porque o Figo trintão me fez sonhar com aquele rapaz que partia a loiça toda no Barcelona e levava a equipa às costas. Esse foi o melhor jogador português que tive a oportunidade de ver jogar, que me perdoem os fãs do Eusébio.


3. A final

Tenho uma leve suspeita de que o jogo irá ser uma chatice até que uma das equipas marque um golo, ou até aos 10 minutos finais, se a coisa continuar a zero.

Apesar de entender que seria muito mais provável perder com a República Checa do que com a Grécia, fiquei mesmo triste com a derrota de Neved & friends. Pelo que ela significou de arbitrário - o futebol tem muitos imponderáveis, mas algumas injustiças são mais aceitáveis do que outras - mas também pelo que representa a chegada à final de uma equipa de cínicos cuja única vitória justa foi a que obtiveram contra Portugal. Em todos os outros jogos, mesmo com as equipas adversárias abaixo das suas possibilidades (como no caso da França e da Espanha), os gregos remataram menos, tiveram menos oportunidades e jogaram sempre com 10 jogadores atrás da linha da bola, atrás da linha de meio campo. Mas só perderam uma vez...

A vitória de Portugal, neste contexto, seria, para além de tudo o que se sabe, uma vitória dos adeptos do futebol positivo, do arrojo, do espectáculo, enfim, o triunfo do verdadeiro espírito deste desporto fantástico. Troquei hoje uns emails com um amigo checo e prometi-lhe que os nossos fariam justiça pelos dele. Por favor, não me deixem ficar mal.

Publicado por poncio em 12:34 AM | Comentários (3)

julho 02, 2004

Scolari e a (suposta) derrota dos críticos


Foi por uma unha negra que
Maniche foi convocado para o
Euro

Ao contrário do que alguns querem fazer crer, a presença de Portugal na final do Euro 2004 não é uma derrota dos críticos de Scolari. Em primeiro lugar, na condição de português, ninguém deve sertir-se derrotado. Todos ganhamos pois todos queremos o melhor para a nossa equipa, e a nossa equipa é esta. Os que a criticam se calhar sofrem mais por ela, porque querem que seja melhor.

A chegada de Portugal à final só foi possível porque Scolari emendou a mão ainda a tempo, fazendo as modificações que os críticos, os chamados "detractores" exigiam, e que basicamente se prendiam com a saída de Fernando Couto, Rui Jorge e Rui Costa daquela que nos jogos de preparação tinha sido a equipa titular. Só por uma grave falta de lucidez se poderia negar a evidência de que estes três jogadores não têm "andamento" para uma exigente competição como esta. Scolari não é burro e sabia disto mesmo, mas preferiu por-se a salvo de uma qualquer rebelião do núcleo duro/pré-reforma da selecção (Figo-Couto-Rui Costa), o que, a verificar-se numa fase ainda pré-Euro, viria a "azeitar" demasiado com o esquema para o seu lado.

A saída da equipa dos jogadores acima referidos implicou logicamente (como diria Figo) a entrada dos jogadores que, em dois anos, fizeram parte da espinha dorsal de uma equipa que SÓ ganhou 2 campeonatos, uma Taça Uefa e uma Liga dos Campeões. Ao reconhecer a necessidade imperiosa desta mudança, e ao implementá-la, primeiro na segunda parte do jogo inaugural, depois já a título permanente, Scolari deu razão aos que são apelidados de "seus detractores", mas que, pelos vistos, percebem muito desta coisa esquisita que é o futebol.

Se o passado recente impunha a presença daqueles jogadores na equipa - e aos dos FC Porto acrescento Cristiano Ronaldo -, a prática veio confirmar que tínhamos razão. A selecção passou a jogar em bloco, mais ligada, mais solidária, recuperou mais bolas, foi mais rápida no ataque. Qualquer semelhança entre os jogos tristes e cinzentos da fase de preparação e os jogos do Euro (exceptuando o jogo inaugural) é pura coincidência.

Publicado por guardabel em 03:07 PM | Comentários (4)

junho 23, 2004

Equipa para comer os bifes

Ricardo na baliza.

Na defesa, Paulo Ferreira à direita, Nuno Valente à esquerda, Ricardo Carvalho no meio.

No meio-campo, Costinha na marcação e Maniche a distribuir jogo.

No ataque, Deco a marcar!

Até os comemos!

Publicado por guardabel em 05:41 PM | Comentários (3)

junho 19, 2004

Estás com má cara, Figo!

De que te queixas, Figo? Quem é que teve faltas de respeito para contigo? Quem é que não te respeita? Por que é que és tão tolerante com a imprensa espanhola? Por que te atiras à imprensa portuguesa, que te promove até à exaustão? Por que é que não se pode ter opinião ou criticar? É proibido falar de futebol? É preciso andar no futebol para se ser autorizado a ter uma opinião? Tens medo de perder o teu prestígio?

PS - Este Figo é um gajo chato. Só diz lugares-comuns, é extremamente limitado no seu discurso e está sempre com cara de frete. Até parece que lhe estamos a fazer um favor em ouvi-lo!

Publicado por guardabel em 11:59 AM | Comentários (5)

junho 17, 2004

Rússia-2 Portugal-0

Como podem verificar através da imagem, a Rússia bateu Portugal por KO técnico ontem na qualidade das suas apoiantes. Estas duas beldades foram entrevistadas pela jornalista da RTP e, apesar de não se perceber patavina do que diziam, ficou claro que são duas mocinhas com bastante potencial. A jornalista andava à procura de adeptos russos para entrevistar, mas quase todos eles não falavam inglês, até que surgem estas moçoilas que, depois de passarem pela jornalista, voltaram para trás. O diálogo que se seguiu foi qualquer coisa de surreal pois a jornalista falou inglês e elas responderam em russo, levando à conclusão que não sabiam falar a língua de Shakespeare. Ficou por saber se as meninas vieram expressamente da Rússia para apoiar a sua seleccção ou se desenvolvem alguma actividade laboral no nosso país... Mesmo assim valeu a pena!

PS- Reparem nas caras dos portugueses lá atrás... Malandros!

Publicado por guardabel em 11:10 AM | Comentários (1)

O rescaldo, ou melhor, a ressaca

Ganhamos. Sem brilhantismo, mas ganhamos. Já vi a Alemanha chegar a finais de grandes competições a jogar pior do que nós.

O Scolari, como não teve tempo para fazer experiências nos jogos amigáveis que disputámos nos últimos 18 meses, resolveu fazer uma revolução. Se desse para o torto, pelo menos ele tinha tentado mudar alguma coisa, terá pensado o brasileiro...

Ficaram: o Ricardo, o J. Andrade, o Costinha (apesar da pobreza da exibição anterior), o Maniche, o Figo, o Simão e o Pauleta (à falta de alternativas...).

Quase metade da equipa saltou do 11 para o banco:

- P. Ferreira (pagou caro o passe para o primeiro golo grego ou terá saido para compensar o facto de todos os outros jogadores do Porto jogarem a titulares... na Luz?);

- F. Couto, o capitão, que foi mais do que indiscutível em todos os jogos da "Era Scolari"; só agora é que o seleccionador descobriu que tinha um central melhor e mais rápido no banco?

- R. Jorge, porque é mais do que evidente que não está à altura das responsabilidades;

- R. Costa, porque a imprensa, mesmo a fervorosamente benfiquista, o elegeu, injustamente (digo eu), como culpado da desgraça com os gregos? Ou porque só depois da coisa correr mal é que o Scolari achou que podia encostá-lo e colocar o Deco no 11?

Entraram para o jogo do "tudo ou nada":

- Miguel, para perfazer a quota vermelha e dar uma feição menos nortenha à selecção...

- R. Carvalho... porque é o melhor central português da actualidade, está claro!

- N. Valente, porque não sendo uma maravilha, ataca e defende melhor do que o R. Jorge, para além de, em caso de necessidade, poder ser usado como central, graças à sua experiência nessa posição e, obviamente, à sua estatura.

- Deco: porque "é o nº 10 e finta com os 2 pés", para além de correr mais, lutar mais, rematar mais e empastelar menos do que o nosso "maestro" na pré-reforma.

Ficou de fora o C. Ronaldo, vá-se lá saber porque carga de água!...

O que aconteceu:

No início, como os russos não pressionam como os gregos, fomos nós que os pressionamos a eles. Marcamos um golo muito cedo (e que grande golo!), tivémos mais algumas jogadas de perigo, mas o impeto inicial foi-se perdendo, até que um atraso estúpido da defesa russa colocou a bola entre o Ovchinikov e o Pauleta, com o primeiro a meter (?!) a mão à dita fora da área e o árbitro a mostrar-lhe o vermelho sem hesitação. O Figo fez o favor de marcar o livre para fora (que não é Zidane quem quer...) e lá fomos contentes para intervalo.

Na segunda parte, com o mesmo 11, mas a jogar contra 10, poderíamos e deveríamos ter "acabado" com o jogo muito cedo. O Nuno Valente tentou, mas o guarda-redes suplente não deixou; o Figo também tentou algumas vezes (uma delas na melhor jogada do encontro: combinação Deco - N. Gomes - Figo - guarda-redes russo - poste - Deco - bola para fora!); o Deco tentou (de livre, com remates de meia distância, enfim, fez por isso e merecia); o Nuno Gomes tentou (e falhou escandalosamente, deixando-se antecipar); mas quem haveria de marcar o 2º, já pertinho dos 90? O "maestro"!!!!!!!!!!

No meio de tudo isto, resta dizer que o mais espantoso é que o nosso ponta de lança titular, que eu me lembre, não fez um remate de jeito. E, claro, como não marcamos cedo na segunda parte, os russos ainda se aproximaram com algum perigo e num dos lances até assistimos a um óptimo "salto para a piscina" à João Pinto, mas o juiz não foi na cantiga (nem mostrou o amarelo...).

Resta dizer que, para lá da troca do Pauleta pelo N. Gomes (que só é criticável pela demora), Scolari fez questão de tirar o Simão e meter o Rui Costa (porque não convinha substituir o Deco, que estava a ser um dos melhores em campo e, afinal, contra 10 até dá para estas maluquices) e depois do Figo ter dado mostras de estar completamene roto, lá colocou o miúdo do Man United que, está bom de ver, fez-se logo notar.

Por esta altura, já o Costinha e o Deco estavam também visivelmente estourados, dando ao Rui Costa a oportunidade de empastelar os nossos ataques conforme lhe aprouvesse. Felizmente para ele (e para nós), numa das poucas vezes que decidiu correr em direcção à baliza contrária, fez uma grande "abertura" e o C. Ronaldo devolveu-lhe a gentileza sob a forma de "passe para encostar", o que veio a acontecer. O homem lá fez um ar de injustiçado e o jogo acabou em apoteose.

As minhas conclusões:

1 - contra a Espanha é melhor que o Scolari não invente mais! Desta vez correu bem, para a próxima...

2 - apesar do que refiro no ponto 1, acho demasiado arriscado deixar um jogador fabuloso como o Vicente à guarda do Miguel...

3 - e que tal se deixasse o Pauleta descansar um bocadinho?

4 - e não é melhor meter o C. Ronaldo mais cedinho?

Publicado por poncio em 12:03 AM | Comentários (2)

junho 15, 2004

O grupinho

Este grupinho está a minar a nossa selecção. Se Scolari os tivesse no sítio, arrumava com eles!

Publicado por guardabel em 07:06 PM | Comentários (5)

junho 14, 2004

Nova aposta: o 11 para jogar com a Rússia

Antes de avançar com o meu exercício de adivinhação, gostaria de sossegar alguns espíritos transviados de cor vermelha que, dado o ambiente tolerante deste blog, ainda vão fazendo comentários.

Na realidade, creio que é preciso esclarecer algumas dúvidas:

1 - Sim, o P. Ferreira esteve mal, em termos globais, e eu atribui-lhe a piada mais cínica de todas ao dizer que ele fez um passe "à Secretário" (para um defesa direito que se preze só poderia existir um insulto maior: ser comparado ao mítico Rojas...);

2 - o R. Jorge este mal, tal como tem estado sempre, mesmo no Sporting; é um jogador de performance banal e não faz nada muito mal nem muito bem; melhor dizendo, não faz; no SCP ainda disfarça, mas num Europeu destoa que se farta;

3 - Para provar que não sou dogmático, posso dizer que, por mim, o Costinha encostava já no próximo jogo: ponham lá o Petit, por favor, que o "ministro" já nem uns golos de cabeça marca!

4 - O Deco jogou muito melhor que o R. Costa e é preciso ser muito benficóide para não ver isto; não fez maravilhas, mas jogou para a frente, não empastelou o jogo e fez 5 ou 6 faltas, ou seja, ainda tentou lutar; enquanto isso, o R. Costa não chegou perto de nenhum grego com bola!

5 - Só para finalizar: o Simão é a melhor coisa que o SLB tem, mas o C. Ronaldo tem a coragem de ir "para cima do defesa" e uma capacidade física inigualável; para mim, o jovem do Man United foi o melhor português em campo contra a Grécia e vai jogar no onze inicial do próximo embate se o Scolari for um tipo razoável. É preciso aproveitar a moral do miúdo!

E agora, o onze que o Scolari vai escolher para 4ª feira:

Ricardo, P. Ferreira, F. Couto, J. Andrade e R. Jorge; Costinha, Maniche, Figo e Deco; C. Ronaldo e Pauleta.

O meu onze, depois da tragédia de sábado, seria:

Ricardo, P. Ferreira, R. Carvalho, J. Andrade e N. Valente; Petit, Maniche, Figo e Deco; C. Ronaldo e Pauleta.

Com um bocadinho de audácia e se os russos forem simpáticos com a nossa defesa, o Scolari ainda vai brilhar.

Nota: se a coisa estiver a correr mal e o Figo voltar a passar meia hora a ver jogar, o Miguel é o homem certo para o lugar - a extremo direito é que ele brilha, porque mesmo sem muita técnica, corre muito e tem coragem para chutar à baliza.

Nota II: se o problema for na área, por favor, não esperem pelos últimos 10 minutos para colocar o N. Gomes em campo - o tipo está fadado para este tipo de competições e ainda nos vai dar muitas alegrias.

Publicado por poncio em 10:50 PM | Comentários (3)

junho 13, 2004

E agora? Calma, muita calma...

Não foi preciso ser grande adivinho para acertar na equipa que iniciou o jogo com a Grécia: poucos minutos depois do meu post, o Sr. Scolari confirmava a evidência - Maniche fazia parte do 11.

Também não difícil adivinhar que o seleccionador não teve a coragem (audácia?) necessária para encostar os jogadores do 11 que claramente já não são o que eram ou que pura e simplesmente foram "ultrapassados" por novos talentos. É o caso de Fernando Couto (uma nulidade absoluta) e de Rui Costa (que, dentro do género a que nos habituou ultimamente, até nem esteve tão mal assim). Figo também já não é o que era, mas ainda não tem concorrente à altura.

Quanto ao resto:

- Ricardo não esteve mal nem bem; as que foram à baliza entraram, mas também não foi por aí que as coisas correram pelo pior.

- P. Ferreira só na segunda parte deu um ar da sua graça; na primeira, para lá do excelente "passe à Secretário" para Karagonis, esteve nervoso e pouco agressivo a atacar.

- J. Andrade consegui a proeza de estar quase tão mal como o seu parceiro do centro da defesa; perdeu os lances de cabeça quase todos com os gigantes adversários e ajudou a isolar o defesa direito grego que sofreu a falta do penalty.

- F. Couto: os anos não perdoam e a treta da "experiência" é mesmo isso - treta; não empurrou a equipa para a frente como um capitão de equipa deve fazer (a falta que uma personagem como o J. Costa fez nesse jogo!), nem foi ao encontro da bola, atacando os lances; ficou sempre à espera que o J. Andrade lá fosse e o resultado está à vista de todos.

- R. Jorge: este sr. é a parte mais fraca da defesa e só por ausência de alternativas com "pedigree" continua a jogar no 11 de Portugal; o Nuno Valente, com todas as suas limitações, teria ganho muitos mais lances de cabeça aos grandalhões da Grécia; no ataque, foi a miséria do costume, mesmo depois da entrada do C. Ronaldo. É bom rapaz, educado e tudo, mas é um jogador absolutamente banal e, como se costuma dizer, "esteve igual a si mesmo".

- o Costinha anda a jogar a um nível sofrível desde o célebre jogo de Manchester (onde, apesar do golo redentor, jogou muito mal); passes à queima(parece ter medo de ter a bola nos pés), faltas feias por coisa nenhuma e um nervosismo evidente são as suas imagens de marca; a jogar assim até eu prefiro o trauliteiro do Petit! O jogo de cabeça, que é um dos seus pontos fortes, não serviu para nada num jogo em que os gregos se fartaram de chutar para o ar.

- Maniche: fez por merecer a oportunidade, correu muito e tentou rematar de longe; as coisas não lhe correram bem, mas se o Scolari for justo, ganhou o seu lugar na equipa; notou-se que melhorou com a entrada do Deco (e mesmo depois de ter saído o Costinha) - só o seleccionador é que não vê as vantagens da selecção jogar com o "esqueleto" do FCP, mas isso são outras guerras...

- Figo: começou menos mal que o resto do pessoal e foi tentando fazer alguma coisas; a velocidade já não dá para deixar os adversários para trás, mas a qualidade está lá; na primeira meia hora da segunda parte deve ter estado noutro planeta, porque ninguém o viu jogar; voltou a tempo de fazer o assalto dos 15 minutos finais, mas já era tarde; se outro jogador estivesse aquele tempo todo a pastar em campo teria sido substituído...

- o R. Costa jogou "melhor" do que tem feito na maioria das vezes que alinha pela selecção (porque no AC Milão só joga os minutos que o Káká permite...) e não percebo porque é que a imprensa o elege como alvo de todas as críticas, dizendo aquilo que já era evidente: o homem está a dar as últimas como jogador de futebol (os saudosistas lembram-se sempre do último título do Benfica, mas isso foi há 10 anos!!!) e cada vez tem mais semelhanças com o Zahovic: não corre, não joga para a equipa e, mesmo assim, ao fim de 20 minutos tem o aspecto de quem correu a maratona.

- Simão: não fez nada até aos 43 minutos da primeira parte, mas no finalzinho lembrou-se de arrancar umas faltas; a ideia que fica é que poderá ser muito útil num jogo com espaço para correr; porém, a sua evidente falta de carácter vencedor faz dele um peso morto na selecção: se estamos bem ele está bem, se estamos por baixo o homem desaparece do jogo. Atenuante: teve o azar de ter pela frente um defesa direito com muita qualidade.

- Pauleta: nada! nem remates, nem lances de cabeça a assistir os colegas, nem uma escapada veloz - nada!!!!!!!!!!! Mas, tal como no caso do Figo, apesar do Nuno Gomes dar mais luta aos defesas, não temos ninguém melhor, nem sequer alternativo.

Os suplentes estiveram todos melhor que os substítuidos:

Deco: a comparação com o Rui Costa é injusta - não se pode comparar um jogador no ponto mais alto da sua carreira (sim, porque esta época, apesar de menos deslumbrante, foi sempre decisivo nos jogos importantes) com um outro no ocaso do seu percurso profissional; o Deco "assumiu o jogo", empurrou a equipa para a frente, rematou e fez pela vida - não foi por causa dele que a nossa euipa perdeu. Este é o nosso nº 10!

- C. Ronaldo: o miúdo não me inspirava confiança para este tipo de competição(ao ponto de preferir o Simão), mas ele provou que não tem medo de nada e foi quem mais dificuldades criou aos defesas gregos (mesmo com o R. Jorge a atrapalhar...); marcou um merecido golo (e só por azar não fez outro minutos antes) mas "borrou a pintura" ao derrubar involutariamente o grego na nossa área (uma vez mais: onde estava o R. Jorge? e o F. Couto?); gostei da atitude e mesmo com algum exagero de individualismo, acho que terá ganho o lugar ao jogador do Benfica.

- quanto ao N. Gomes, fez o que é costume: lutou, correu, tentou rematar e atrapalhou-se com a companhia do Pauleta; verdade seja dita, fez mais nos poucos minutos em campo do que o açoriano no jogo todo; quanto a mim, deveria ter entrado imediatamente depois do 2-0.

Publicado por poncio em 11:30 PM | Comentários (6)

junho 11, 2004

A minha selecção e a deles

Falta um dia para que o Euro 2004 tenha início. Falta também muito pouco para avaliar se o benefício da dúvida atribuído a Scolari se justifica. A realidade dos jogos disputados até agora diz-nos que não temos equipa, que se perdeu tempo com Rogérios Matias e outras escolhas mais do que discutíveis.

O seleccionar diz que agora é que é, que só pode fazer um trabalho de fundo com todos juntos, durante o período que antecede a grande competição. Concordo, mas o resto precisava de ser tão mau? Valha-nos o facto de termos tido uma campanha de qualificação exemplar para o Mundial da Coreia e a fase final ter resultado naquela desgraça.

Os jornalistas dizem que o 11 está feito e única dúvida reside na extrema esquerda: Simão ou Ronaldo. Dúvida? Apesar de todo o meu portismo, não me custa afirmar que, neste momento, o jogador do Benfica oferece mais garantias do que o adolescente do Man. United.

Sem esta dúvida, a aposta dos jornalista para o jogo com a Grécia é:
Ricardo; P. Ferreira, F. Couto, J. Andrade e R. Jorge; Costinha e Petit; Figo, R. Costa e Simão; Pauleta.

Dúvidas à parte, eu aposto que o brasileiro vai escolher os seguintes:
Ricardo; P. Ferreira, F. Couto, J. Andrade e R. Jorge; Costinha e Maniche; Figo, R. Costa e Simão; Pauleta.

Para que conste, e limitado aos 23 que o homem escolheu (o "meu" guarda-redes seria o V. Baía), o meu onze favorito é:
Ricardo; P. Ferreira, R. Carvalho, J. Andrade e N. Valente; Costinha; Figo, Maniche, Deco e Simão; Pauleta.

Amanhã se verá quem tinha razão.

Publicado por poncio em 04:11 PM | Comentários (4)

junho 08, 2004

Scolari, Tiago e outras slbêzices

Para primeiro tópico, gostaria de falar dos nossos, dos azuis, dos que ganham campeonatos. Porém, no país em que a notícia relativa ao contrato do Ricardo Rocha tem mais destaque do que a realização da final da Champions (com uma equipa portuguesa, coisa banal...), enfim, lá teremos que referir a lampionada.

Parte 1 - O Tiago fez o erro a sua vida ao não assinar pelo FCP
No essencial, foi só mais um que descobriu o nível humano e ético do amigo Veiga, esse grande benfiquista de conversão recente. Quanto ao resto, é o costume no SLB: ainda nem começou a nova época e a coisa já está preta.

Parte 2 - O Scolari até que queria ser Mister no SLB, mas alguém soltou a língua cedo demais...
Pois é: agora que a coisa estava alinhavada, com a vidinha arrumada para continuar a dar largas ao seu anti-portismo militante, lixaram-lhe o esquema. Não se faz - o homem estava quase lá.
Giro mesmo foi ele ter reagido tão colericamente e nem se lembrar onde era o próximo jogo da selecção. Este gajo está cá há quanto tempo? Ainda não aprendeu o nome da tal cidade do Norte? Nem que seja pelo desprezo que manifesta, o Sr. Scollari deveria saber: é no P-U-E-R-T-U!!!!!!!!!!!!!

Parte 3 - O Rui Costa vai ser "o maestro" até atingir a 3ª idade
A imprensa lusa delira com estas coisas: o tótó do treinador italiano elogiou o Rui Costa, dizendo que ele estava para a selecção Portuguesa como o Totti para a Italiana... e babaram-se todos. Ainda ninguém explicou ao italiano que o Rui Costa tem sido suplente no AC Milan, não joga a um ritmo aceitável mais do que 40 minutos e que em Portugal existe um rapaz de origem brasileira que defende e ataca melhor, sendo a maior figura da equipa que ganhou a Champions League.
Depois de aceitarem que se ponha a hipótese do Miguel ser titular (no lugar do Paulo Ferreira...), do Petit jogar e o Maniche ficar a ver, do Ricardo Carvalho aquecer o banco pelo avozinho Couto e do molenga do Rui Jorge ficar com o lugar do Nuno Valente, só falta mesmo o Deco ser relegado para 2º plano!

Publicado por poncio em 11:34 PM | Comentários (3)

maio 23, 2004

Feios não deviam ter lugar na Selecção

É óbvio que este gajo não devia ir ao Euro. É muito feio e põe em causa o bom nome de Portugal. Só Scolari não vê isso.

Publicado por guardabel em 12:52 AM | Comentários (5)

abril 28, 2004

Portugal-Suécia: o jogo do costume

Foi o jogo do costume. Ricardo deu o frango do costume. Rui Costa arrastou-se como de costume. Pauleta marcou o golo do costume. Cristiano Ronaldo fez as fintas do costume. Figo falhou o penalty do costume. O Gabriel Alves disse as bacoradas do costume.

Publicado por guardabel em 11:51 PM | Comentários (0)

Figo, já te calavas, não?

E já agora jogavas à bola que é para isso que estás na selecção.

As declarações de Figo vêm demonstrar que aquele balneário deve estar tão unido como um prato de spaghetti bem confeccionado. Figo foi o jogador que, quando a selecção esteve num impasse quanto à escolha de seleccionador logo após o Mundial da Coreia, disse que não estava para vestir a camisola da quinas para perder prestígio. Ao dizer isto apenas deu razão àqueles que o passaram a tratar carinhosamente por pesetero quando trocou Barcelona por Madrid. Figo tem muito tempo de antena. Tal como Rui Costa. Na selecção, estes dois jogadores devem sentir-se na sua quinta, onde podem dizer o que querem, criticar este e aquele.

Figo gostaria por certo de jogar a meia-final da Liga dos Campeões desta época. Mas, paciência, o destino foi cruel e ele não vai por lá os pezinhos. Se a jogasse, gostaria por certo de estar totalmente concentrado nesse objectivo e ter toda a disponibilidade física do mundo para o efeito. Talvez nesse cenário não se importasse de deixar de jogar um jogo particular da selecção.

Pobo do Norte regista o súbito interesse nacional pelos jogadores do FC Porto na selecção. De repente todo um país se levanta contra a ausência dos bicampeões nacionais neste jogo. Agradecemos a consideração. Só lamentamos que mais uma vez a clubite cega de alguns não perceba (ou queira perceber) o que significa para o país uma vitória na Liga dos Campeões. Mas esses são por certo aqueles que no ano passado acharam que vencer a Taça Uefa foi uma coisita banal.

Publicado por guardabel em 05:59 PM | Comentários (3)

Scolari poupa jogadores do derby

O seleccionador de Portugal disse que, se puder, evita dar muitos minutos de jogo aos jogadores do Sporting e do Benfica. Estas declarações surgem a propósito do jogo Sporting-Benfica do próximo fim-de-semana. Costinha, do FC Porto, agradece o facto de ter jogado os 90 minutos do jogo contra a Itália, em vésperas de compromissos importantes para o seu clube.

Publicado por guardabel em 05:26 PM | Comentários (0)

abril 22, 2004

Scolari sobe na popularidade

Scolari acaba de subir meio ponto na consideração de Pobo do Norte ao não convocar os jogadores do FC Porto para o jogo da selecção nacional frente à Suécia. Depois de ter afirmado, sem novidade, que estava ao serviço da selecção e não de um clube em particular, no que foi logo aproveitado pela imprensa lisboeta para aumentar as vendas, Scolari fez o que qualquer pessoa de bem senso faria.

A popularidade do seleccionador está agora em 6,5 (numa escala de 20 valores) no universo desta vasta equipa que leva até si Pobo do Norte: o pobo mais forte.

Publicado por guardabel em 03:59 PM | Comentários (2)

abril 01, 2004

Isto tá ficando sério, Sargentão...

Pois é Scolari, a coisa tá preta. Olha, que tal estas quatro dicas?

1. Vítor Baía é melhor que Ricardo.

2. Ricardo Carvalho é melhor que Fernando Couto.

3. Rui Cota, desculpe, Costa só joga 30 minutos por jogo.

4. Maniche é a força que falta àquele meio-campo.

Fique bem, Sargentão.

Publicado por guardabel em 01:10 AM | Comentários (2)