Independentemente das exibições individuais, umas mais conseguidas do que outras, aquilo que mais me agradou nos dois jogos e meio que vi do FC Porto foi a subida gradual de dinâmica e rotinas de jogo, acompanhada de uma crescente evolução ao nível físico. Então, do jogo com o PAOK (de que vi apenas a segunda parte) para este último, com o Bochum, essa diferença foi notória.
A primeira coisa a observar neste FC Porto 2008/2009 é a variedade de soluções existentes no meio-campo, vertente em que tínhamos alguns problemas na época passada. Não só temos jogadores de qualidade, como jogadores capazes de desempenhar mais do que uma função no meio-campo. Tomás Costa e Guarín são exemplos disso mesmo. Depois, há Fernando, para mim, o futuro médio-defensivo da equipa. Se o vai ou deve ser já esta próxima época é uma questão a debater, até porque Guarín parece ser um candidato muito sério à posição, e ter Fernando "encostado" pode ser um desperdício de que não nos podemos dar ao luxo.
Na defesa, a inclusão de Sapunaru e Rolando trazem qualidade, mas exige-se ainda uma adaptação a um clube com a dimensão do FC Porto. Benitez é visto com alguma reserva pois não se mostrou muito profícuo em termos atacantes. Eu lembro que um defesa é para... defender, e nem todos podem ser "Bosingwas". Demos o necessário espaço a este argentino. Lino é que parece ter acordado e, com o livre directo ao Bochum, marcou pontos importantes para assumir a titularidade. O problema é que Lino não provou ainda ser um defesa seguro, e nesse aspecto, Fucile leva vantagem. Voltando ao centro da defesa, continuo a não acreditar em Stepanov. Parece-me um claro erro de casting. Numa altura em que Pedro Emanuel começa a aproximar-se do ocaso da sua carreira, esta pode ser a oportunidade de Rolando se afirmar.
No ataque, Lisandro e Rodriguez parecem-me titulares indiscutíveis, e Farías uma boa opção para jogar na área. Sektioui vem aí e, apesar de esquecido por muitos portistas, para mim, é um jogador com que temos de contar pela qualidade e capacidade de sacrifício. Com Quaresma de abalada, Candeias pode encontrar o seu espaço no plantel, e tendo em conta o que pouco que vi nele, acho-o com qualidade para fazer parte do grupo. Mariano Gonzalez também espreita um lugar no onze, mas continuo a dizer que falta algo a este argentino, que no mesmo lance mostra qualidade e logo a seguir deita tudo a perder. Um caso estranho. Entretanto, espera-se a tal surpresa de que falou Pinto da Costa. Será Miccoli?
O jogo de hoje foi, pelo menos para mim, a primeira oportunidade de ver em acção a equipa que estamos a preparar para 2008/2009. Foram 90 minutos jogados por muita gente, o que raramente permite que o encontro se desenvolva com na perspectiva do melhor resultado, mas deu para ficar com uma ideia do que nos espera. O adversário era bisonho, também fez muitas mudanças, mas acabou por ser feliz. De qualquer forma, o que constava do placard final não era por certo aquilo que preocupava o Jesualdo.
Antes de avançar, gostaria de chamar a atenção para o facto de, a nível interno, nem sequer ser preciso fazer grandes aquisições para fazer frente às exigências do SLB e do SCP. Afinal, para já, o Porto perdeu apenas 2 elementos do 11 inicial de 2007/2008 - Bosingwa e Assunção. E, se é verdade que a posição de médio defensivo é crucial para o equilíbrio da equipa, ficaria muito mais preocupado se saísse o Lucho ou o Lisandro. Quanto ao Quaresma, se for por "bom dinheiro" (mais de 25 milhões de euros) acho que o Porto o deve deixar sair. Afinal, deve ter sido para isso que o Rodriguez foi contratado.
Quero com isto dizer que, para vencer a Liga, bastaria o que tínhamos, com as limitações/perdas que todos conhecem. O Benfica perdeu o Rodriguez e, sobretudo, o Rui Costa - falta saber se o Aimar valerá o que pagaram por ele, porque os outros, exceptuando o Rubem Amorim, são gente que não acrescenta nada. O Sporting recuperou o Rochemback mas o brasileiro só é opção se o Veloso saltar fora do 11. O Caneira é uma contratação assim-assim (dá para tapar furos à esquerda ou ao centro), o novo GR deve ser para encostar e o Postiga vai continuar a ser aquilo que sempre foi - um desperdício de talento.
As minhas primeiras impressões, em função do jogo de hoje e das entradas/saídas:
A defesa
À direita, o Bosingwa deixará saudades, mas o Fucile não compromete e tenho fé no que poderá fazer o reforço romeno. Na esquerda, trocamos o frágil Cech por um Benitez que é uma incógnita a cheirar a Mareque - se se confirmar que o Lino não tem nível para o FCP teremos um problema sério. Na baliza está tudo pacífico: o Hélton nunca será um Vítor Baía mas é um GR de qualidade. O Nuno não dá barraca quando é chamado, nem arma confusão no balneário e o jovem que ocupa a terceira vaga dificilmente jogará. No centro, acredito que o Rolando será uma opção com futuro (imediato?), mas com o Pedro Emanuel a aproximar-se do fim e o Stepanov a demonstrar permanentemente que é um "enterra" só sobra como certeza o Bruno Alves. Seria boa ideia recrutar mais alguém para esta posição.
O meio-campo
A "fuga" do Assunção foi uma grande perda e, talvez, uma das grandes falhas da gestão do Porto nos últimos anos. Mas, por outro lado, abrirá a oportunidade para afirmação (?!) do Bolatti ou até do Fernando, um jogador por quem nutro alguma simpatia dada a sua forma empenhada mas discreta de actuar. Parece-me que a experiência de hoje, com o Guarin naquela posição, foi um flop total para a equipa e para o jogador, que só mostrou alguma coisa quando, na 2ª parte, começou a actuar em terrenos mais avançados.
Se nada acontecer no mercado de transferências, o Lucho tem lugar cativo, independentemente do sistema adoptado, mas parece-me que o Meireles, um dos meus preferidos, pode ter a vaga em causa. E o primeiro candidato chama-se Tomás Costa, um médio igualmente franzino mas com muita rotação e garra. Quem referiu que este gajo era lento deve estar equivocado. O que acontecerá ao resto da malta do meio campo já é mais difícil de antever: Guarin e Mariano serão suplentes no 4-3-3 mas Rodriguez será sempre opção no mesmo 4-3-3 (com Quaresma ou sem Quaresma) e uma certeza absoluta no 4-4-2. Quanto ao Tengarrinha, nunca vi jogar.
O ataque
Aqui só existe uma certeza embora seja uma benção continuar a contar com um jogador assim: o Lisandro é o melhor avançado do campeonato português e um dos melhores a actuar na Europa. Por outro lado, se o Quaresma ficar, as possibilidades do 4-4-2 falhar são maiores. Aliás, a aplicação do 4-4-2 prejudica ainda mais o outro extremo que temos, o Tarik - com este arranjo táctico e a opção "Cebola" o banco é o destino mais certo do marroquino. Por seu turno, Farias ganhará por certo um lugar no 11 inicial caso seja adoptado o sistema 4-4-2. Quanto aos restantes: não sei o que valem o Candeias nem o Rabiola e o Alan não é jogador para o Porto. Se ninguém sair, a surpresa prometida pelo PC terá que ser alguém para este sector.
Quanto aos que saíram, discordo do empréstimo do Hélder Barbosa e da reincidente cedência do Paulo Machado. Nenhum dos dois teve ainda o número de oportunidades que merece. Os outros serão certamente mais felizes noutro lugar (Kaz, Vieirinha, João Paulo, Bruno Gama, Postiga e Cech) ou terão a oportunidade de ganhar experiência competitiva e mostrar que poderão ser opções no futuro (Leandro Lima, Rui Pedro, Castro e Edson). O Bosingwa, claro, contribuiu, uma vez mais, para demonstrar algo que é uma verdade inegável: o Porto valoriza os seus activos melhor do que o SLB e o SCP. O Benfica não tem presentemente ninguém que valha dinheiro a sério (o Aimar tem quase 29 anos e acabou de chegar; pode ser que o Cardozo venha a render, mas para já ninguém lhe pega). Quanto ao Sporting, afinal, tanta gente queria o Moutinho e o Veloso... mas ninguém se chega à frente.
Ontem, toda a imprensa digital dava conta da satisfação dos advogados do Benfica e do Guimarães à saída da reunião no TAS. No entanto, nos textos que desenvolviam a notícia liam-se críticas à UEFA. Paulo Gonçalves, do Benfica, dizia mesmo "UEFA navega contra os seus próprios estatutos", numa demonstração de prepotência e arrogância tão típica do clube que representa, como se se achasse no direito de dar lições ao organismo que gere o futebol na Europa. Não foi preciso muita perspicácia para notar o ar amuado com que o mesmo Paulo Gonçalves fez declarações à TVI, à saída do TAS. A mesma TVI, que fez directos importantíssimos, mostrando-nos, em exclusivo nacional, as janelas do edifício, como se alguma novidade transpirasse para fora através de uma das frinchas. Curiosamente, do representante do FC Porto, nem uma palavra.
Perante aquele cenário, adivinhava-se algo que se veio a confirmar hoje. Os recursos foram rejeitados e o FC Porto continua, justamente, na Liga dos Campeões. Ainda assim, A Bola online diz que estamos "provisoriamente" na Liga dos Campeões, fazendo crer que a coisa ainda não está resolvida. José Manuel Delgado é um homem de fé, há que admitir. Esta barata tonta tem alimentado a sua sanha persecutória ao FC Porto, desdobrando-se em artigos sucessivos dedicados ao seu ódio de estimação. A desilusão deve ser grande, nesta altura. Não bastava terem chamado o 112 para irem a Espanha, agora isto. Não se faz.
(Actualização 1: UEFA ratifica FCP na Champions, diz A Bola)
(Actualização 2: afinal A Bola ainda tem esperança)
Rui Costa tem sido, no tempo que sucedeu à eliminação de Portugal no Euro, o verdadeiro "Dono d'A Bola". O jornal oficioso do quarto classificado tem construído uma campanha de promoção nunca antes vista a uma figura do desporto português. O próprio Rui Costa tem-se posto a jeito deste favorzinho e até já diz umas piadas nas conferências de imprensa. A vantagem que o Benfica tira desta situação é óbvia: o treinador passa quase despercebido, vê a sua imagem protegida e quando a equipa começar a perder o choque entre as expectativas iniciais e a dura realidade será mais atenuado. Quanto ao presidente, esse desaparece do mapa, o que é sempre positivo para qualquer benfiquista que tenha vergonha daquela figurinha deprimente.
N'A Bola de 2ª-feira, faz-se manchete com "Ataque final a Aimar", mas, como ante-título, revela-se que "Rui Costa toma hoje posse como administrador da SAD do Benfica". Num noticiário qualquer de uma das TVs mostra-se a conferência de imprensa do homem, mas a legenda já não diz "Director-Geral" ou "Desportivo", mas "Administrador da SAD". Nas páginas interiores de A Bola, o texto introdutório da notícia diz assim: "Maestro é hoje cooptado, acumulando cargo na SAD com o de director desportivo". Vou tentar fazer uma contabilização de quantas vezes uma e a outra designação são usadas para ver qual delas é da preferência dos jornalistas. O jornal acrescenta à notícia a opinião de Mourinho, que "acredita que ex-jogador vai entender-se bem com Quique." E quando Mourinho fala, a coisa pia mais fino...
Na mesma edição de A Bola, a notícia do arquivamento do "caso da fruta" é quase ficção, atirada para a última página. A diferença entre o destaque dado às notícias da acusação e da condenação pela justiça desportiva, há umas semanas atrás, e a este arquivamento é abissal. Apesar disso, vão-se escrevendo umas verdades: o juiz "entendeu não haver nexo de causalidade entre os factos, uma vez que as perícias não detectaram qualquer atropelo à verdade desportiva." Pois, já sabiamos disso. Aliás, toda a gente sabia disso, mesmo o mais empedernido e acéfalo benfiquista. Chega-se agora também à conclusão de que o depoimento de Carolina Salgado é falso, tendo o tribunal apurado que, por exemplo, a senhora não estava presente quando e onde disse que estava. Espero que alguém se lembre de traduzir esta notícia ao Platini.
N'A Bola de terça-feira, o destaque é dado a Carlos Martins, o por agora apelidado de "ex-prodígio leonino". Digo, "por agora" porque basta-lhe apontar um golo às três tabelas num jogo treino de pré-época contra uns amadores quaisquer para passar a "novo maestro". O próprio "Maestro-Administrador-da-SAD-Director-Geral-Homem-Forte-do-Futebol-Encarnado" diz, em frase atirada para a primeira página: "Pode ser o meu sucessor". A propósito do Tricampeão, há um títulozinho pequenino, no canto inferior direito, sobre o regresso ao trabalho: "Dragão de volta com demasiadas indefinições". Pelos vistos, começamos mal. Ainda bem, mais uma vez, digo eu.
Ninguém bate uma foto de Carlos Martins a segurar uma águia (ou será uma gaivota?*). Diz ele que se sente desejado na Luz e que volta "pela porta grande". Não sei em que é que entrar no quarto classificado, que vai assistir à Liga dos Campeões sentadinho no sofá é entrar "pela porta grande". Mas, se calhar, os dois, jogador e clube, estão bem um para o outro. Carlos Martins é a mais famosa e duradoura promessa adiada do futebol português. O Benfica é o clube que oferece as melhores reformas antecipadas do nosso futebol. Faz sentido.
(*Não sei se perceberam esta da "gaivota", mas eu explico. Ontem, num noticiário qualquer de uma TV qualquer, deu uma reportagem sobre um milionário português radicado no Canadá que cumpriu o sonho de se tornar sócio do quarto classificado. Teve direito a entrar no relvado do cesto do pão e tudo. E teve também direito a fazer-me soltar umas boas gargalhadas. Ao passar pelo túnel de acesso ao relvado, o cicerone benfiquista de serviço pergunta-lhe que símbolo era aquele (era suposto ele dizer "a águia"), ao que o homem, todo orgulhoso responde "É a gaivota!". Já antes tinha brilhado, na conferência de imprensa (sim, ele teve direito a uma conferência de imprensa), quando lhe perguntaram se ainda chorava quando o Benfica perdia, como acontecia quando era criança. Ele respondeu: "Bem, agora, já não choro, porque senão não fazia outra coisa na vida." Divinal!)
A contratação de Cristian Rodriguez é uma grande contratação. Até posso vir a enganar-me, como já aconteceu no passado, mas prefiro falar antes e não vir com o discurso "ah, eu já desconfiava, mas nunca disse". Rodriguez foi um bom jogador que o quarto classificado contratou, o que, por si só, já é notícia. Mas o quarto classificado recusou investir dinheiro neste jogador e garanti-lo a título definitivo, e preferiu utilizá-lo (o dinheiro) na aquisição de Makukula. Agora, aguentem-se à bronca. Se querem incendiar algum meio de transporte para atenuar a vossa fúria escolham o carro do vosso presidentezinho da treta. Ele esbanjou, provavelmente, a melhor contratação dos últimos anos. Repito: aguentem-se à bronca. E, já agora, digam lá que Pinto da Costa está acabado.
A Bola não deu a notícia no próprio dia, preferindo, no dia seguinte, revelar que Rodriguez já tinha acordo com o FC Porto há cinco meses. Eu acho que ele já tinha acordo com o tricampeão nacional mesmo antes de vir rodar, para ganhar ritmo, para o quarto classificado. Haja pachorra para estes jornaleiros! (por falar em jornaleiros, um deles, de uma das TVs, que fez a reportagem sobre o incêndio no autocarro dos adeptos do hepta-campeão, conseguiu orientar a entrevista ao condutor do autocarro para o facto de ele ter estacionado mal o veículo, porque deveria ter ido para o parque de autocarros, e não foi! Enfim...)
Voltando a Rodriguez, ele foi criticado por toda a gente quando fez o primeiro jogo pelo quarto classificado. Eu lembro-me. A imprensa e os próprios adeptos vermelho-garrafão chamaram-lhe gordo e lento. Portistas e sportinguistas gozaram. Por uma vez, estávamos todos enganados. O uruguaio revelou-se ser um jogador rápido, agressivo e talentoso com a bola nos pés e solidário a defender. Em suma, um jogador à Porto. Era óbvio que estava deslocado. Era óbvio que lhe faltava um clube ganhador. E aí está ele, no único clube em Portugal que lhe pode dar condições de se orgulhar ser futebolista, daqueles que ganham títulos.
Esta contratação é também a resposta à saga demente e saloia de um clube que, tendo-se classificado em quarto lugar, quis um lugar na Champions através da secretaria. Curiosamente, esta resposta é dada em campo, através da contratação de um jogador que o quarto classificado não quis. E vai continuar a ser assim, em campo, com os melhores jogadores, o melhor treinador, a melhor organização. Por muito que doa aos gloriosos decadentes.
A nível interno, pode esta contratação significar o adeus a Quaresma, facto para o qual a maioria dos portistas, julgo, já estão preparados. Perderemos um jogador que deu muito ao clube, sim, mas cuja atitude já não se coaduna com os valores do FC Porto. Ganharemos um reforço para o regresso do 4-4-2 que tantas saudades deixou. Bem-vindo, Cebola!
O FC Porto está na Champions League da próxima época, no lugar que lhe pertence por mérito próprio. Ainda hoje o quarto classificado enviou para a UEFA uma missiva a queixar-se de João Leal. Pode agora o quarto classificado continuar a sua cruzada de "queixinhas" na UEFA. Pode o seu advogado, João Correia, continuar a dizer que a decisão anterior (de voltar tudo à 1ª instância) foi uma vitória do quarto classificado. Podem mandar o Chalana fazer greve de fome à porta da UEFA. Podem pedir a Carolina que escreva mais um livro. Estrebuchem, berrem, cubram-se de ridículo, que nós cá estamos para nos divertirmos. Uma coisa é certa: a Champions League livrou-se do quarto classificado do campeonato português.
A desorientação vermelhusca é evidente. Com blogues a anunciar "em primeira mão" a confirmação do afastamento do FC Proto da Liga dos Campeões, com jornais a opinar sobre a tarefa quase impossível que se colocava ao TriCampeão Nacional, é natural o desespero. Agora, é João Leal que mudou a opinião (a anterior estava certa, suponho), agora é a UEFA que deve ter lá alguém corrupto. Enfim...
Ao contrário do que essas galinhas sem cabeça dizem, que "hoje nada ficou decidido", hoje, na realidade, ficou decidido que a primeira decisão foi revogada, ou seja, foi anulada. Esta foi a decisão. A guerra continua dentro de momentos...
Não tenho por hábito fazer posts quase exclusivamente compostos por textos de outro sites, mas este justifica-se porque era precisamente o que aquilo que tinha em mente escrever. Cá vai:
Comunicado da F.C. Porto – Futebol, SAD
A F.C. Porto – Futebol, SAD emitiu esta sexta-feira um comunicado, no qual comenta as declarações de ontem do presidente do SLB e que foram difundidas na respectiva página oficial.
COMUNICADO
Face ao elenco de afirmações supostamente proferidas pelo sr. Luis Filipe Vieira e reproduzidas no site oficial do SLB, o F.C. Porto vem, por este meio, promover os seguintes comentários:
1- Na sequência do que tem sido repetidamente denunciado pelo Presidente do Futebol Clube do Porto, o SLB pretende obter na secretaria, e longe dos palcos do jogo, aquilo que não conseguiu em campo e que constituiu mais um fracasso rotundo na sua deprimente história recente. Depois de ter anunciado com espavento ter reunido a melhor equipa dos últimos dez anos e assumido candidatura firme a todas as vitórias, o sr. Luis Filipe Vieira assistiu à espiral negativa da sua super-equipa, que se fixou no quarto lugar final, a mais de duas dezenas de pontos do campeão, e com o acesso vedado à UEFA Champions League;
2 – Esta é a verdade desportiva da Liga 2007/08. O sr. Luis Filipe Vieira não será capaz de a alterar ou branquear. Ainda menos quem lhe escreve discursos, sopra declarações ou alinhava entrevistas;
3 – O conteúdo publicado na página oficial do SLB pretende exercer uma pressão inadmissível junto do Presidente da Federação Portuguesa de Futebol e junto do Conselho de Justiça da mesma entidade. Esta, de resto, é mais uma demonstração do poder subterrâneo, encafuado e ilegítimo que o SLB tão bem tem tentado utilizar, felizmente que, para quem gosta do futebol no relvado, sem êxitos desportivos dignos de registo;
4 – Ao F.C. Porto compete unicamente continuar a ser melhor, no caso do SLB, muito melhor, que os seus adversários e lamentar que esta pressão, perfeitamente dirigida, contribua em exclusivo para denegrir a imagem internacional do nosso futebol e para enfraquecer o seu impacto. Esta atitude, de resto, surge na linha de mediocridade que caracteriza a acção dos dirigentes daquele clube.
Porto, 06 de Junho de 2008
http://www.fcporto.pt/Info/Futebol/Noticias/infofut_futcomunicadosad_060608_35916.asp
Entre a convicção de que a guerra será ganha, agora que a questão se vai finalmente debater em termos jurídicos (e com gente séria envolvida), ficou a frase que mais me agradou:
"Continuaremos a ter os melhores jogadores, a melhor equipa, a melhor
organização, para continuarmos a ganhar."
Pinto da Costa, SIC, 04/06/08
Sinceramente, estou tranquilo. Se a UEFA nos der um pontapé no butt, o mundo não acabará. Haverá consequências a vários níveis, sim, mas daí ao cenário apocalíptico que alguns querem fazer passar (muitos deles adeptos de um certo clube que ficou recentemente dois anos seguidos fora das competições europeias) vai uma grande distância. Independentemente da decisão da UEFA, estou com muitas expectativas em relação à entrevista do nosso Presidente, amanhã, na SIC. Espero que seja claro e exaustivo em relação a todas as questões que têm rodeado o nosso clube recentemente. Entretanto, soube hoje de fonte bem credível que amanhã o sol continuará a brilhar na cidade do Porto.
PS - O fórum do Portal dos Dragões, o espaço de maior e de melhor partilha sobre os assuntos do FC Porto, foi desactivado. "Oportunamente serão facultadas informações adicionais", diz-se no portal. Temos pena.
Hélder Postiga foi provavelmente, depois de Domingos, o avançado vindo das camadas jovens em quem o mundo portista depositou maiores esperanças. Para quem o viu, como eu, num já longínquo FCP-SLB em juniores (6-0), fazer gato-sapato da defesa benfiquista, Hélder Postiga era uma promessa de futuro craque na equipa principal. Apesar de se ter imposto nas duas primeiras épocas, o que fica presentemente de Hélder Postiga é a ideia de uma espécie de Nuno Gomes, mais refinado tecnicamente, é certo, mas com a mesma vocação para… falhar.
Postiga vai para o Sporting e, sinceramente, acho que foi um bom negócio para o FC Porto. Só não digo que foi um GRANDE negócio porque não sabemos aquilo que poderá dar o Diogo Viana. Para já, uma coisa é certa: 2,5 milhões por 50% do passe de um jogador a quem já foram dadas todas a oportunidades (apesar de, nesta época, ele se ter queixado precisamente do contrário (!!!)) é muito bom. Ainda para mais quando se conhece o alto salário de que o jogador auferia no FC Porto (fala-se de uns pornográficos 120 mil…).
Não estou preocupado com o facto de o destino dele ser um dos nossos rivais. Sinceramente, até acho pouco provável que, com um Derlei em forma, Paulo Bento dê a titularidade a Postiga. E depois ainda há o Djaló, que é bem mais rápido e voluntarioso que o ex-portista. Se ele triunfar no Sporting, há que encarar isso com naturalidade. O futebol é um mundo de motivações e riscos. O Sporting arrisca e Postiga pode sentir-se mais motivado a correr em campo.Tudo pode acontecer.
Quanto ao FC Porto, e falando unicamente do ponto de vista desportivo, a saída de Postiga alivia um pouco o contingente de avançados-centro (ou pontas-de-lança, se quiserem) que lá temos, mas ainda é preciso definir mais algumas coisas. Quem poderá acompanhar Lisandro e Farias no FC Porto 2008/2009? Adriano, Rentería, Bruno Moraes, Edgar e Rui Pedro esperam decisões…

A rescisão de Paulo Assunção é uma má noticia. Perdemos um dos esteios deste TRI-campeonato, um "low-profile" que muito contribuiu para os êxitos mais recentes da equipa. Um jogador que fez esquecer Costinha e que Lucho e Licha, por exemplo, qualificaram como "o melhor jogador do campeonato".
Está instalada a discussão por essa blogosfera e foruns portistas. Por um lado, defende-se o jogador, apelidando de incauta, no mínimo, a SAD portista, que foi incapaz de lhe dar a mesmas condições salariais de outros jogadores do clube (porventura até menos utilizados...). Acusa-se o clube de um erro crasso ao mesmo tempo que se compreende que um jogador, prestes a fazer 28 anos, queira fazer o contrato da sua vida. Por outro lado, apelida-se o jogador de Judas, um traidor ao clube que lhe deu uma segunda oportunidade e fez dele o que ele é hoje, ainda para mais depois de declarações recentes do seu agente, que adivinhavam que tudo iria ser resolvido a bem da duas partes. Sinceramente, sem uma posição oficial por parte da SAD (que apenas publicou no site oficial uma declaração objectiva sobre a questão), acho que não vale a pena entrar, para já, em cenários extremos, quer de condenação do jogador quer da SAD do FCP. Esperemos para ver. Uma coisa é certa: perdemos Paulo Assunção, tal como um dia perdemos André, Emerson, Paulinho Santos, Doriva, Paredes, Costinha,... e sempre soubemos dar a volta por cima e substituir este grandes jogadores.
Uma boa parte da discussão sobre este caso prende-se também com a possibilidade, segundo alguns, de o jogador ter um compromisso já antigo com o quarto classificado. À luz da famosa "lei Webster", o jogador terá de iniciar a próxima época no estrangeiro, mas mesmo neste ponto as opiniões divergem.
Eu estou mais preocupado com a saída do Paulo Assunção do FCP do que com a ida do Paulo Assunção para o benfiquinha, clube cujas experiências passadas com jogadores do FCP foram um verdadeiro fracasso. Mas, pondo esta mera hipótese em cima da mesa (na qual eu não acredito), o que passaria pela cabeça de um jogador, na plena posse das suas capacidades mentais, ao fazer semelhante troca? Para não falar no facto de que não acredito que o quarto classificado estivesse em condições de dar ao jogador aquilo que o FC Porto se recusou a dar...
[Actualização: o Estilhaço, do Bibó Porto, Carago, tomou a iniciativa e converteu o post num documento .pdf para todos guardarmos e divulgarmos. Um obrigadão do tamanho do TRI ao Estilhaço. O documento está aqui: CSI_Calabote]
Todos nós já ouvimos falar do caso Calabote. Conhecem-se alguns factos, emitem-se algumas opiniões e fazem-se juízos de valor, muitas vezes baseados em pressupostos falsos. Poucas pessoas sabem, com precisão, o que envolveu este caso que resistiu à passagem do tempo e ainda hoje é referido em várias discussões de futebol. É preciso não esquecer que tudo isto aconteceu há 49 anos, daí ser natural que muita informação se tenha perdido no tempo, muitos dados tenham sido alterados e outros mesmo omitidos, de acordo com algumas conveniências.
Este foi apenas um exemplo do que os benfiquistas querem a todo o custo negar. As evidências estão aqui, é só ter a coragem de as assumir. E no meio de tudo o que vão ter a oportunidade de ler, o árbitro era a questão menor. Não inocente, mas efectivamente menor. O Benfica tinha um ascendente sobre os clubes mais pequenos, controlando-os, fazendo o que bem entendesse, tanto a nível de treinadores como de jogadores. Este ascendente estendia-se aos jornalistas, sempre prontos a defender o seu clube de coração e a criar mitos (como ainda hoje se verifica). Há muitos blogues benfiquistas que se têm dedicado a, segundo eles, repôr a verdade (deles), atribuindo a Calabote o estatuto de história quase ficcionada. O que esses textos que abundam na net (e um célebre *.pdf que o Benfica colocou no seu site) não contam é a história “para além” de Calabote. A história que aqui poderão ler, na íntegra.
O título desta rubrica é CSI – Calabote Scene Investigation, aludindo ao nome de Inocêncio Calabote, um árbitro de futebol. Mas o âmbito deste trabalho vai muito para além deste homem. De facto, como já disse antes, a questão do árbitro que esteve no Benfica-CUF de 1959 é apenas um pormenor, como terão oportunidade de constatar. O conjunto de textos que a partir de hoje se publicam no Pobo do Norte resultam de uma leitura atenta de jornais da época. Quem não acreditar no que aqui se escreve, tem onde comprovar.
CSI – Calabote Scene Investigation (I) - Contextualização
Estamos na época de 1958/1959. Na 25ª jornada do Campeonato Nacional da 1ª Divisão, o Sporting vence o Benfica por 2-1, deixando o FC Porto à frente da classificação a uma jornada do fim. No entanto, Benfica e Belenenses ainda têm um jogo para disputar entre si. Eis a classificação:
1º FCP – 25 jogos – 39 pts. (78-22)
2º SLB – 24 jogos – 38 pts. (70-18)
3º Belensenses – 24 jogos – 35 pts. (62-25)
4º SCP – 25 jogos – 31 pts. (49-26)
A 19 de Março de 1959, Belenenses e Benfica repetem o jogo que tinha sido anulado por ordem da Federação devido a erros técnicos do árbitro em prejuízo do Belenenses. Na altura do jogo anulado (1 de Fevereiro de 1959), o SLB comandava o campeonato com mais 3 pontos que o Belenenses e mais 4 que o FCP. O Belenenses protestou o jogo. Sendo contrariado pelo Conselho Técnico da Federação, recorreu para o Conselho Juridiscional, que considerou procedente o protesto e anulou o jogo. Recorde-se que a grande rivalidade da época era entre o Benfica e o Belenenses.
Ironia do destino: O Belenenses, que, na altura do primeiro jogo, poderia aspirar seriamente ao título se tivesse ganho (o que não aconteceu, pois ficou 0-0), agora, na repetição, já sabe que nem com a vitória poderá lá chegar, nem sequer melhorar o 3º lugar que ocupa. Quanto ao Benfica, se ganhar este jogo em Belém, pode passar para primeiro lugar, com um ponto de vantagem sobre o FCP, a uma jornada do fim. No entanto, o resultado verificado é... 1-1! E FCP e SLB entram para a última jornada empatados em pontos, mas com o FCP a superiorizar-se no desempate por goal-average geral, com 4 golos de vantagem: mais 7 marcados que o SLB, mas mais 3 sofridos do que a equipa da Luz. Isto porque no confronto directo entre as duas equipas, a questão está igualada, pois nas Antas registou-se um 0-0 e na Luz 1-1... Conclusão: na última jornada o SLB tem de ganhar sempre por mais de 4 golos de diferença em relação aos números da possível vitória do FCP sobre o Torriense.
1º FCP – 25 jogos – 39 pts. (78-22)
2º SLB – 25 jogos – 39 pts. (71-19)
Note-se que o FC Porto foi considerado arredado do título, tendo estado a 5 pontos do Benfica (numa altura em que a vitória vale 2 pontos...). Mudou de treinador durante a competição, e com Bella Gutman chega à última jornada com uma série de 15 jogos consecutivos sem conhecer a derrota.
De Bela Guttman conhece-se a frase "Se a bola não é nossa, marca. Se é nossa, desmarca”, mas não será esta que ficará para a história. É ele que vai levar o FC Porto à vitória no campeonato, depois de ter chegado a meio da época (1958/1959). É húngaro e antes de vir para o FC Porto, treinou em Itália (AC Milan, entre outros) e no Brasil (São Paulo FC). Foi neste país que implementou o seu sistema revolucionário de 4-2-4 que foi adoptado pelo Brasil na primeira vitória num campeonato do mundo (1958, Suécia). Depois do FCP, seguir-se-á a selecção nacional e o Benfica, ao serviço do qual treinará Eusébio e companhia. Será dele, quando sai do Benfica, a tal frase que o imortalizará: "Sem mim, o Benfica nunca mais ganhará uma Taça dos Campeões Europeus". E nunca mais ganhou.
Voltemos à 26ª e última jornada do campeonato naciona de 58/59. O Benfica recebe a CUF (8º lugar e em risco de ir jogar o torneio de mudança de divisão) e o FC Porto vai ao terreno do Torriense (14º lugar e último, em riscos de descer). Portanto, ambos os adversários dos dois grandes têm muito a perder, jogando uma cartada decisiva para a manutenção na 1ª Divisão.
CSI – Calabote Scene Investigation (II) – A arbitragem
1. Penaltis
No jogo Benfica-CUF, Inocêncio Calabote assinala três penaltis a favor do Benfica. Todos os jornais são unânimes em considerar os penaltis como tendo realmente existido, à excepção do primeiro, que origina o 2-0.
O Mundo Desportivo (23/03/59) diz que "...foi à custa de uma grande penalidade inexistente que os lisboetas conseguiram marcar o segundo tento. Cavem foi de facto obstruído (...) e a falta só exigia livre indirecto." E acrescenta: "Talvez por isso o sr. Inocêncio Calabote tenha tido tanto cuidado na apreciação das faltas dos cufistas evidenciando o propósito de, a ter que se enganar, o fizesse em relação à equipa que nada sofresse com a derrota. Assim podem anotar-se-lhe frequentes erros de julgamento, benefícios do infractor e, para culminar, aquele exorbitante "penalty" que deu o segundo golo dos encarnados."
2. Minutos de compensação
Numa altura do nosso futebol em que apenas se pode fazer uma substituição, Calabote dá alguns minutos de compensação. Há jornais que falam em 3 outros em 4. O Presidente da Comissão Central de Árbitros falará, mais tarde, em 5 ou 6 minutos. Note-se que o jogo já começou oito minutos depois da hora marcada, o que leva a que os jogadores do FC Porto fiquem em campo cerca de um quarto de hora depois do seu jogo terminar ouvindo o relato pelos rádios dos adeptos que acompanharam a equipa a Torres Vedras. O entrar em campo propositadamente atrasado é, portanto, um hábito que vem de longe.
O Mundo Desportivo (23/03/59) considera “exagerado (...) o período de três minutos regulamentar para contrabalançar os momentos gastos em propositada demora pelos cufistas". Este jornal fala de três minutos e na crónica do jogo não há referência a qualquer tipo de anti-jogo ou jogo violento da CUF. No Jornal de Notícias, fala-se em 4 minutos de descontos numa “partida que foi jogada a grande velocidade e sem perdas de tempo”. Só A Bola, na voz de Alfredo Farinha, diz que a CUF “queimou muito tempo”. Alfredo Farinha, sim, esse mesmo...
Estes minutos de compensação estarão na base da irradiação do árbitro. No Jornal de Notícias (26/03/59) pode ler-se uma notícia com o título "BENFICA-CUF e o relatório do sr. Inocêncio". O texto é o seguinte: "A Comissão Central de Árbitros decidiu pedir esclarecimentos ao árbitro sr. Inocêncio Calabote sobre certos passos do relatório do jogo Benfica-CUF (...). Naquele seu documento, o sr. Inocêncio teria declarado que o jogo principiou às 15h, terminado a primeira parte às 15:45h. No que respeita à segunda parte, concedeu dois minutos como compensação de tempo perdido, registando o fim do encontro às 16:42.
Atendendo a que o jogo foi minuciosamente relatado pela rádio e seguido com extrema atenção por milhares e milhares de pessoas, estas declarações oficiais do sr. Inocêncio não deixam de reflectir com despudor (para se não ir mais longe...) a todos os títulos lamentável – já pela sujeição voluntária à desconfiança pública, já pelo desprestígio daí decorrente para a função.
E estamos certos de que a CCA, já com obra notabilizada em todos os aspectos da arbitragem (...) não deixará de corrigir esta ofensa à... evidência pública."
O Norte Desportivo (26/03/59) escreve o seguinte título: “Inocêncio Calabote em “maus lençóis”! E acrescenta que “No boletim do jogo SLB-CUF, o árbitro eborense faltou à verdade.” O texto acusa o árbitro de “falsear a verdade num boletim” e revela que “Antes de ser irradiado, esse indivíduo apressou-se em pedir a demissão...”. Mais adiante acrescenta: “Na verdade, o senhor Calabote deu-se ao luxo de redigir o mais falso de todos os boletins de todos os jogos de futebol”, pois, segundo o relatório do árbitro “O jogo principiou às 15h e a 1ª parte terminou às 15:45. A 2ª parte começou às 15:55 e terminou às 16:42 (dei 2 minutos de compensação)”. O Norte Desportivo qualifica este relatório como “...a mais sensacional mentira do ano, com a gravante de ter sido num documento oficial...”. Segundo os dados do jornal, “O jogo SLB-CUF começou às 15:07, isto, 7 minutos depois do das Covas” (nr: Covas era o nome do campo do Torriense, onde jogava o FCP). “O encontro Torriense-FCP terminou às 16:48”. “Se fosse assim, não se teria passado nas Covas o que milhares de pessoas viram, isto é, toda a gente aguardando o termo do embate entre o Benfica e a CUF.”
Nesta mesma edição de o Norte Desportivo, publica-se este curioso texto: “UM RELÓGIO PARA O SR. INOCÊNCIO CALABOTE
Um leitor escreveu-nos a fazer a sugestão que não podemos perfilhar. Pretendia que nas nossas colunas abríssemos uma subscrição para se adquirir um relógio que seria oferecido ao sr. Inocêncio Calabote, de Évora. Dizia o nosso correspondente: “Se o seu relógio se atrasa 5 em 45 minutos, o sr. Calabote corre o risco de chegar ao campo numa 2ª feira para arbitrar um desafio marcado para o domingo anterior” A sugestão tem graça – e não ofende!”
O Norte Desportivo de 9/04 publica o seguinte texto, com muita ironia à mistura:
“O árbitro Calabote respondeu e foi imediatamente suspenso!
Vai ser levantado um inquérito às declarações do juiz eborense que deve ser considerado como o inventor do "relógio-elástico".
Finalmente o sr. Inocêncio Calabote respondeu ao questionário que a Comissão Central de Árbitros lhe enviou, solicitando esclarecimentos sobre a cronometragem do jogo Benfica-CUF, no qual o referido indivíduo interveio como juiz da partida.
O sr. Calabote limitou-se a dar uma resposta ultra-sintéctica, afirmando que no seu relógio eram precisamente 15 horas quando deu o início ao jogo. Isto é, confirmou as declarações que redigiu no boletim. Em face da firme atitude do enérgico árbitro, a Comissão Central que – honra lhe seja feita – pugna pela manutenção do prestígio da causa que orienta, resolveu suspender preventivamente o sr. Inocêncio Calabote até à conclusão de um inquérito a que mandou proceder. A suspensão é admissível, porquanto o regulamento a tal permite.
Assim, para já, o sr. Calabote corre o risco de deixar de apitar, visto que será fácil ao inquiridor colher os elementos indispensáveis para comprometer irremediàvelmente o árbitro.
Não será exagero aifrmar-se que cerca de 500 mil pessoas, pelo menos, tomaram conhecimento da irregularidade da cronometragem no referido jogo. A Imprensa e a Rádio (as excepções confirmam a regra), em coro, apontaram a deficiência. Por conseguinte, não é de crer que um homem só, malèvolamente, fique a coberto de qualquer sanção disciplinar severa.
O sr. Inocêncio Calabote ao reafirmar o que escreveu no boletim fez admitir que inventou um relógio elástico, visto que só concedeu, segundo disse, dois minutos por tempo perdido quando, na verdade, esse prazo atingiu os 5 minutos.”
Sete meses mais tarde, o Mundo Desportivo (12/10/59), numa pequena caixa, num cantinho da página, refere que "O árbitro Inocêncio Calabote, da Comissão Distrital de Évora, foi irradiado após conclusão do respectivo processo disciplinar".
A Bola, do mesmo dia, dá a mesma notícia num cantinho da primeira página e, em 7 de Novembro, publica uma entrevista ao do Dr. Coelho da Fonseca, Presidente da Comissão Central, que justifica a irradiação do árbitro: "O sr. Inocêncio Calabote foi demitido de árbitro por motivos ligados ao prolongamento do jogo Benfica-CUF (...) Como é do conhecimento público, esse jogo principiou cerca de dez minutos depois da hora marcada e teve um prolongamento de cinco ou seis minutos. Tanto o atraso como o prolongamento não constituem, em si mesmos, ínfima matéria de culpa. O erro do sr. Calabote consistiu em pretender convencer-nos, contra as evidêncidas dos factos, de que principiara o encontro às 15h precisas e de que o prolongara por dois minutos apenas. É aqui, nesta atitude escudada e incompreensível, que o antigo árbitro eborense deixa de merecer a confiança do público e da CCA".
Ao Norte Desportivo (15/10/59), o Dr. Coelho da Fonseca diz que Calabote “é (...) um caso de ordem moral. Inocêncio Calabote fez uma coisa em campo, aliás controlada por toda a gente, e escreveu, precisamente, o contrário no boletim de jogo. Isto somado a uns tantos casos já passados com o referido árbitro levou-nos à decisão tomada.”
Agora eu pergunto, por que razão se manteve Calabote fiel à sua versão, se lhe era tão fácil admitir que tinha começado o jogo mais tarde e prolongado o mesmo para além dos limites do razoável? A quem serviria esta teimosia do sr. Calabote? Por quem se sacrificou o sr. Calabote? A resposta está boa de ver...
CSI – Calabote Scene Investigation (III) – Os jogadores
1. Gama e António Manuel
No Estádio da Luz, o guarda-redes da CUF, de nome Gama, foi substituído quando a equipa perdia por 5-1. Os jornais dão conta de que terão sido os próprios jogadores da CUF a pedirem ao treinador que substituísse Gama. De facto, havia algo de errado com aquele guarda-redes.
No Mundo Desportivo (23/03/59) pode ler-se: “Gama, o guardião da turma que a determinada altura foi substituído aparentemente cansado do trabalho aturado que teve de suportar, respondeu-nos quando o interpelámos: "Faz pena, depois de tamanho esforço e tenacidade desenvolvidas verificar que o Benfica não conseguiu o número de golos suficiente para chegar a campeão! E a verdade é que ocasiões não lhe faltaram." Ora, um homem que tinha encaixado 5 golos e via o seu clube ter de disputar um torneio para conseguir a permanência, lamentava o facto de o Benfica não conseguido “o número de golos suficiente para chegar a campeão”. Que pensarão os adeptos benfiquistas donos da moral e da verdade sobre estas declarações?
Uns dias mais tarde, Gama, por se saber alvo de "malévolas insinuações" pediria para ser ouvido pela direcção do clube... O que é certo é que as suas declarações não ajudaram em nada e contribuíram, digo eu, para concluir sobre o ascendente psicológico (para não lhe chamar outra coisa...) que o Benfica tinha sobre os adversários.
José Maria, o guarda-redes substituto, diria: "Os benfiquistas obrigaram-me a trabalho intenso, e confesso que tive de realizar várias defesas em condições difíceis. Quanto ao resultado, considero-o expressivo em demasia, visto que nele interferiu o desacerto da arbitragem." Repare-se na diferença entre as declarações de um e de outro.
Ao Norte Desportivo, o treinador da CUF, Cândido Tavares, declara: “Não posso acreditar no que se diz a respeito de Gama e, embora não seja seu costume falhar tantas jogadas, creio na sua honestidade!” “Simplesmente ele esteve, no domingo, demasiado infeliz.” “Vendo isso, e ainda porque dois dos seus próprios companheiros me solicitaram que alterasse o desempenho posto, mandei-o sair do terreno. Estava muito nervoso, e manifestava sintomas de total desorientação. Todavia daí a aventarem-se torpes insinuações terá de percorrer-se larga distância.” Bem, algo vai mal quando são os próprios colegas a solicitarem a substituição do seu guarda-redes...
2. Torres Vedras
A equipa do FCP no jogo contra o Torreense era composta por Acúrsio; Virgílio, Miguel Arcanjo e Barbosa; Luis Roberto e Monteiro da Costa (cap.); Carlos Duarte, Hernâni, Noé, Teixeira e Perdigão. O presidente do clube era o Dr. Paulo Pombo.
Dias antes do jogo, Monteiro da Costa, capitão do FC Porto, declarava: "Calcule que nesta semana não pudemos realizar um treino de conjunto com todos os nossos jogadores. Faltaram-nos o Hernâni, o Arcanjo e o Barbosa, os três em Lisboa por causa da selecção militar. Eu compreendo os interesses da selecção, mas numa altura destas de campeonato, com um jogo decisivo para a tribuição do título, é, evidentemente, uma dificuldade que nos foi criada". O regime funcionava a favor do clube da capital.
A força psicológica dos jogadores do FC Porto via-se nestas declarações de Pinho: "Para nós o jogo de Torres Vedras inicia-se com 4 golos do Torriense. Ou, começando com 0-4, o FCP tem de ganhar o jogo. Ao ataque – será a palavra de ordem. E se conseguirmos superar aquela margem, seremos campeões."
O Mundo Desportivo refere, na análise ao jogo, a "Dupla tristeza (dos jogadores do Torriense) porque, na maioria, os jogadores além da fuga ao último lugar também desejariam que o campeão se chamasse Benfica..."
A crónica fala de um penalty sobre Carlos Duarte, aos 18 minutos da 2ª parte, cuja "nitidez da falta tornou bizarra a decisão do árbitro, mandando prosseguir o jogo e ignorando a grande penalidade que se impunha assinalar". O Jornal de Notícias também se refere a esse penalti.
Na apreciação ao árbitro Francisco Guiomar, o Mundo Desportivo diz que "...foi muito "caseiro" (aquele penalty negado aos portuenses é inaceitável), contemporizou com a rudeza em excesso por demasiado tempo e regra geral acompanhou o jogo de muito longe..."
Na crónica do jogo fala-se em duas grandes penalidades por marcar a favor do FC Porto e da justa expulsão de Manuel Carlos, do Torreeense, por jogo violento.
Noticia o Jornal de Notícias que, dizia-se em Torres Vedras, "e os jogadores locais sorriam quando em tal lhes falava, que havia um prémio de cinco mil escudos para cada um no caso de conseguirem empatar ou pelo menos sofrer poucos golos." Esse prémio existiu mesmo, como vamos ver mais adiante.
Faltavam 2 minutos para acabar o Torriense-FC Porto, com o resultado em 0-1. Na Luz, verificava-se 6-1.
Nesta altura, as equipas estavam empatadíssimas na atribuição do título. Se assim tudo permanecesse até ao final jorgar-se-ia uma finalíssima entre os dois clubes. O FC Porto marcou o 0-2 e logo a seguir o SLB fazia o 7-1. Tudo na mesma. Um jogador do Torriense de nome Saldanha queimava tempo, chutando a bola para longe antes do recomeço. Por que razão queimava ele tempo, a perder por 0-2 a um minuto do fim? O árbitro, que já o tinha advertido várias vezes durante o jogo pelo mesmo tipo de conduta (atenção que o Torriense também precisava deste jogo para uma eventual, mas difícil, permanência na 1ª Divisão), considerou anti-jogo grosseiro e expulsou-o. No último minuto do jogo, Teixeira faz o 0-3, decidindo o campeonato para o FC Porto. Na Luz, o jogo acabava com 7-1. O FC Porto era campeão nacional por 1 golo:
Ambas as equipas com 17 vitórias, 7 empates e 2 derrotas.
1º FCP – 41 pts. – 81 golos marcados, 22 sofridos
2º SLB – 41 pts. – 78 golos marcados, 20 sofridos
Em declarações ao jornal A Bola, António Manuel, jogador do Torriense, dizia no final: "No meu último jogo ia dando uma vitória ao Benfica e não o consegui, o que lamento como benfiquista. O Porto talvez seja a equipa que pratica melhor futebol mas nós podíamos ter dado o campeonato ao Benfica. Paciência. Como homem do Benfica, sinto muito que assim não fosse." Note-se que o Torriense acabava de descer de divisão e a preocupação deste jogador foi a derrota do SLB no campeonato. Para o Mundo Desportivo, o jogador dizia "O Porto venceu mal. A arbitragem foi nitidamente favorável aos nortenhos." Claro que foi. E tu cheio de pena de descer de divisão.
Como final do campeonato, as competições oficiais iriam para durante 1 mês e meio, antes de se iniciar a Taça de Portugal (naqueles tempos a Taça jogava-se depois de o campeonato ter acabdo). Durante esse período, os clubes fizeram vários jogos particulares para não perderem a forma, tendo o Torriense feito dois jogos "de amizade" com o Benfica, um em
cada campo...
Virgílio, o Leão de Génova, jogador do FC Porto, com “os olhos humedecidos”, dizia ao Jornal de Notícias: "Pensava em ganhar, mas nunca julguei que custasse tanto. E já agora, um segredo: quando soube que o Benfica entrara em campo mais tarde 10 minutos para saber do nosso resultado, confesso que desanimei e julguei tudo perdido! Sabe o que nos valeu? Termos marcado muito tarde o segundo e terceiro golos! Lamento a maneira como os torreenses se portaram connosco. Mas tiveram o pago! Os jogadores e o público acenando-nos com lenços a 10 minutos do fim!... Lamentável!"
CSI – Calabote Scene Investigation (IV) – O treinador-adjunto do Benfica
Quem é Valdivielso?, perguntam vocês. Ora bem, este senhor era o treinador-adjunto do Benfica e surgiu, para surpresa e espanto de todos, no jogo Torriense-FC Porto, sentado no banco de suplentes do Torriense. Sim, leram bem. Não sei o que os adeptos benfiquistas que pugnam pela verdade desportiva pensam deste facto, nem sei se conseguem ter o discernimento para pensar nas implicações desta situação. Será que conseguem? Não vou fazer mais comentários, apenas deixar uma pergunta no ar: que tipo de ascendente tinha o Benfica, naquele tempo, sobre os clubes de menor dimensão, que lhe permitia ter atitudes destas? Passo a transcrever o que os vários jornais disseram sobre o caso. Note-se o tratamento dado à questão pelos jornais lisboetas.
O jornal A Bola, dá conta desta situação numa caixinha pequena na última página. O texto diz o seguinte: "Surpreendeu toda a gente a presença de Valdivielso, treinador-adjunto do Benfica, nos bancos dos técnicos do Torriense. Na verdade, o técnico benfiquista "viveu", longe da Luz, os "assaltos" finais deste emocionante campeonato.
Findo o jogo fomos encontrar Valdivielso, chorando na cabina do Torriense. Quisemos saber a razão da sua presença e acabámos por ser esclarecidos por Fernando Santos, orientador técnico da equipa de Torres Vedras, que nos afirmou: - Vldivielso não teve qualquer interferência na orientação da equipa, nem nós a aceitaríamos sequer. Veio a Torres como espectador e só por deferência esteve sentado junto a mim."
O Mundo Desportivo (23/03/59) apresenta um desmentido, através do qual Valdivielso diz que chegou à porta do campo e o fiscal negou-lhe a entrada porque o cartão não tinha validade. Os bilhetes estavam esgotados e dificilmente conseguiria lugar na geral. Foi saudar os treinadores do Torreense e contou-lhes o sucedido. Estes, "como cavalheiros", convidaram-no a sentar-se no banco, o que aceitou. Disse ainda que foi ver o jogo para observar um jogador do Torreense num jogo de responsabilidade com vista a futura contratação.
O Jornal de Notícias diz que Valdivielso orientou o Torriense no jogo com o FCP, tendo feito "uma longa prelecção antes de iniciado o encotro e deu novamente as suas instruções no intervalo do encontro".
O Norte Desportivo(26/03/59) publica uma imagem de Valdivielso no banco do Torriense. Com o título: “O treinador Valdivielso sujeitou-se a uma comédia imprópria dos desportistas”, o jornal denuncia “outras armas utilizadas e que transcendem a rotina para merecerem a classificação (lisonjeiro, acentue-se) de comédias...”. E adianta que “Antes do encontro, o treinador-adjunto dos encarnados esteve nos vestiários da equipa local e ali ministrou uma prelecção de ordem técnico-táctica. Depois acompanhou a equipa aé ao terreno e, com o mais espantoso à-vontade, sentou-se no chamado banco dos técnicos...”. E acrescenta: “Durante o jogo (...) deu instruções para o campo, fez gestos teatrais, refilou com o juiz-de-linha e até interferiu num ligeiro episódio com Hernâni”. E conclui: “Fernando Santos (nr: treinador do Torriense) é um indefectível benfiquista que reside há uma dezena de anos em Torres Vedras. Ambos prestaram um péssimo serviço à ética desportiva.”
O mesmo jornal, em 29/03, escreve: “Muitos leitores escreveram-nos e telefonaram-nos para aplaudir a censura que mereceu a atitude de Valdivielso (...) Alguns salientam a coragem que nos caracterizou. Coragem? Há exagero no emprego da palavra. Coragem teve-a o senhor Valdivielso ao desafiar, ostensivamente, o senso crítico de quem viu adoptar o comportamento que mihares de pessoas verificaram. Como estrangeiro, que presta serviço num clube português, o sr. Vladivielso devia ter estudado atentamente as consequências da sua atitude”.
E em 02/04, publica uma entrevista António Costa, defesa do Torriense, na qual ele diz: "Bem, ele não nos treinou. Esteve na cabina a conversar connosco e, depois, foi sentar-se no banco dos nossos técnicos. Mas não nos deu indicações algumas." "A verdade é esta: receberíamos, por intermédio dele, um prémio se vencêssemos ou perdêssemos com o Porto por margem escassa." "Cinco contos a cada jogador". "... quero esclarecer um ponto: Valdivielso não chorou na cabina, por termos perdido. Limitou-se a regressar a Lisboa com o dinheiro..."
O jornal Record resolve ignorar o assunto, mas vai mais longe. Pouco tempo depois, publica uma foto de Valdivielso sentado no banco do Casa Pia, num jogo particular desta equipa. Em tom de gozo, o jornal “alerta” para mais esta situação, como se fosse assunto para brincadeiras. A intenção é atingir aqueles que criticaram o comportamento do argentino. O Norte Desportivo foi um dele e não deixa o assunto cair no esquecimento. A 16/04, o jornal publica o seguinte artigo:
“VALDIVIELSO disfarça e um jornal aplaude
Causou a mais viva impressão a atitude de o Norte Desportivo ao censurar, sem evasivas, o prodecimento de José Valdivleilso, treinador-adjunto do Benfica, que por ocasião do jogo das Covas, disputado entre o Torriense e o FC Porto, se sentou no "banco dos técnicos" do clube de Torres Vedras e, com o mais espantoso descaramento, desatou a dar instruções aos jogadores do Torriense, manifestando o propósito declarado de ser hóstil ao FC Porto, numa partida cujo resultado interessava sobremaneira aos encarnados.
Um dos jornais que nada disse sobre a estranha como condenável atitude do treinador estrangeiro, que presta serviços num clube português, entendeu "colaborar" na sinistra manobra do sr. Valdivielso, publicando fotografias, decerto prèviamente estudadas, com o evidente intuito de diluir a gravidade da situação.
Trata-se do Record que não se sabe bem porquê decidiu, capciosamente, destruir a argumentação e as provas apresentadas pelo nosso jornal, conferindo a Valdivielso uma auréola de ingenuidade, admitindo como natural e defensável (!) o rosário de tristezas de que ele foi o principal intérprete.
Tendenciosamente, o Record procura estabelecer a confusão, comungando ostensivamente com o estilo do sr. Valdivielso. Este disfarça (desta vez surgiu sem óculos) enquanto um jornal aplaude.
Foi pena, realmente, que Record não tivesse iniciado a sua excelente campanha com a publicação da célebre fotografia do campo das Covas (nr. Campo do Torriense).
A provocação do sr. Valdivielso, ao sentar-se agora no banco do Casa Pia, representa um desafio à autoridade da Federação Portuguesa de Futebol. Indevidamente, embora os intuitos sejam claros, o treinador-adjunto do Benfica tomou lugar num banco de uma equipa estranha, com a agravante de se tratar de um jogo oficial.
Esperamos que a FPF se decida a zelar pela defesa da moral desportiva – punindo severamente um treinador que tão deploráveis exemplos dá aos jogadores que orienta.
A "mistificação-Valdivielso", lamentàvelmente estimulada por quem devia censurá-la, só representa um péssimo serviço prestado ao Desporto Nacional.”
José Valdivielso não seria punido e tornar-se-ia mesmo o treinador-principal do Benfica.
CSI – Calabote Scene Investigation (V) – Os jornalistas
1. Aurélio Márcio
O jornalismo afecto ao Benfica lamentava, com alguma subtileza, a perda do campeonato. Veja-se, a título de exemplo, o artigo de Aurélio Márcio, em A Bola:
"O Benfica seria campeão em França e Inglaterra
O FCP conquistou o título por um golo, que tanto pode ser o de Teixeira como o da CUF. Em França e Inglaterra, porém, o SLB seria campeão, pois o seu quociente (3,9) é superior em relação ao do FCP (3,6) (Nota: o quociente calculava-se dividindo o total de golos marcados pelo total de golos sofridos).
Fazemos votos para que numa próxima reforma do regulamento geral da FPF se recorra todos os meios de desempate, menos aos jogos extra, que não condizem com o espírito da competição."
O Norte Desportivo faz uma notícia bem corrosiva como resposta ao texto de Aurélio Márcio:
“O Benfica ficaria campeão em Inglaterra e em França, mas...
... em Portugal o campeão é o FCP.
Alguns colegas nossos do sul têm descoberto muitas coisas. São, realmente, uns verdadeiros sábios e, os seus devaneios, caprichosos, saem da vulgaridade. Agora descobriram que o SLB, se fosse na França e na Inglaterra, teria ficado campeão, pois seria utilizado o coeficiente de golos de golos. E foram tão”perfeitos” que até fizeram contas a demonstrarem que são excelentes aritméticos...
Mas a despeito dessas obrigações, ao simpático e popularíssimo Benfica o que interessava era ficar campeão de Portugal. Ora esse intuito é que não se corporizou, pois o campeão é o FCP.
Foi pena que os nossos ilustres colegas não informassem a multidão de quem ficaria campeão da Indochina, nas Filipinas ou na Patagónia.”
Excelente!
2. Alfredo Farinha
Talvez o mais nítido exemplo de jornalismo vermelho esteja na edição do jornal A Bola que fez a cobertura do jogo Benfica-CUF. Leia-se com atenção:
Título de primeira página: “JOGO EMPOLGANTE E DRAMÁTICO DE UM CAMPEÃO MALOGRADO”
Título no interior: "A EQUIPA CUFISTA QUEIMOU MUITO TEMPO!"
Excertos do texto, assinado por Alfredo Farinha:
"Estava escrito! Estava escrito que o Benfica perderia o campeonato! Eram estas, no final do empolgante e dramático jogo da Luz, as duas frases que britavam dos lábios de uma grande parte dos adeptos benfiquistas. Nem um grito de revolta, nem uma recriminação, nem um queixume. Apenas esta frase, dorida, magoada, empregnada de resignação e conformismo: "Estava escrito!".
Ela bastava, porém, para dizer tudo: para fazer justiça á grande e desafortunada exibição dos jogadores "encarnados"; para evocar as muitas oportunidades de golo perdidas por alguns dos seus avançados; para lastimar as atitudes de exacerbada hostilidade dos jogadores cufistas; para gritar o seu protesto contra a fatalidade de um campeonato perdido nos derradeiros instantes.
Mereceria o Benfica ter perdido este campeonato?
A pergunta talvez não tenha cabimento nas linhas desta crónica, que tem de cingir-se, apenas, aos acontecimentos do encontro da Luz. Calma e imparcialmente, porém, hemos de convir que na medida em que a questão do título estava dependente do número de golos que o Benfica marcasse na Luz, os seus jogadores e adeptos têm razão para se sentirem injustamente despojados do triunfo final. É que, independentemente das circunstâncias em que decorreram os últimos minutos deste histórico domingo de futebol; indepentemente mesmo do grande nível da exibição produzida pela equipa "encarnada", o Benfica poderia, deveria e merecia ter vencido a CUF por diferença superior a 6 golos"
(...)
"...a CUF não jogou, exclusivamente para si, mas também para uma outra equipa (a do FC Porto) que estava á margem da luta travada na Luz. Se assim foi – e por legítima temos a presunção – cremos existir aqui um problema de ética, digno de, em melhor oportunidade, ser devidamente apreciado e analizado"
(...)
Até que ponto é lícito a uma equipa defender, contra outra, de maneira ostensiva e contrária ás leis e espírito de jogo, os interesses de uma terceira? Não será esse procedimento tão incorrecto e antidesportivo como o inverso, isto é, o de facilitar, propositadamente, com o fim de prejudicar os interesses doutrem, a vitória do adversário? As perguntas aqui ficam, por ora sem resposta. Mas talvez valha a pena, em próxima oportunidade, tomá-las para tema de um artigo.”
Esta prosa quase nem merece descodificação. Está lá tudo, para quem tinha dúvidas. Lamentavelmente, o senhor Alfredo Farinha não se pronunciou em termos críticos, nos tempos seguintes, sobre a demora propositada em começar o jogo na Luz, ou sobre as declarações dos jogadores do Torriense, do próprio guarda-redes da CUF, ou sobre o caso do treinador-adjunto do Benfica, sentado no banco de suplentes do Torriense. Confirma-se, afinal, que, tal como hoje, a verdade desportiva só tinha uma cor: o vermelho.
Mais excertos, desta vez do texto sobre "O ambiente... fora do jogo"
"O Benfica entrou em campo com mais de 5 minutos de atraso. Alguém, perto de nós, alvitrou tratar-se de um estratagema, com o fim de manter o público e os jogadores ao corrente do que se passava em Torres Vedras.
Por essa ou outra razão, o certo é que, ainda o jogo não tinha começado e já um longo sussurro de sofrimento percorria as bancadas.
- O Porto já está a ganhar por 1-0!...
Mas não era verdade. Os portadores de aparelhos de rádio apressaram-se a desfazer o descoroaçante boato. E, desfeito o acabrunhamento do terrível pesadelo, as turbas tornaram a erguer-se, frenéticas, clamando:
- Benfica! Benfica! Benfica!
E foi como se a equipa encarnada tivesse marcado o seu primeiro golo antes de se dar o primeiro pontapé na bola...
(...)
E quem poderá contar os dramas íntimos de cada um? As lágrimas que não puderam chorar-se? Os gritos de dor que ficaram represados nos peitos?
Quem poderá apreciar, medir, descrever, a tristeza daquele lento, arrastado, quase lúgubre, debandar do Estádio da Luz?..."
Texto bastante riquíssimo do ponto de vista literário, sem dúvida. Mas estamos a falar de um jornalista. Imparcialidade? Não, isso era coisa estranha para os lados do jornalismo de Lisboa. Com este tipo de prosa, estou certo que se fabricou muito mito benfiquista. E, claro, omitiu-se muita matéria passível de censura.
Como curiosidade, o título de primeira página de A Bola sobre a vitória do FC Porto em Torres Vedras é um seco “OS PORTUENSES VENCERAM A SUA PRÓRIA ANSIEDADE” (da autoria de Aurélio Márcio).
CSI – Calabote Scene Investigation (VI) – Conclusões
TORRIENSE-FC PORTO:
- O treinador-adjunto do Benfica sentado no banco do Torriense, numa demonstração de domínio sobre os clubes mais fracos e subservientes ao Benfica.
- Os jogadores do Torriense a queimarem tempo, mesmo estando a perder e precisando do jogo para não descer de divisão.
- No final, um jogador do Torriense lamenta-se por... não ter conseguido dar o campeonato ao Benfica. Sintomático.
BENFICA-CUF:
- O jogo começa com muitos minutos de atraso.
- O árbitro, que era de Évora, marca 3 penaltis a favor do Benfica. O primeiro, curiosamente, falso como Judas.
- O guarda-redes da CUF é substituído depois do 5º golo do Benfica, a pedido dos seus colegas de campo. No final, lamenta que o Benfica não tenha conseguido os seus objectivos.
- O árbitro dá mais 4 minutos de descontos, mente no relatório e permanece fiel à sua versão. A soldo de quem?
Pela primeira vez no Pobo do Norte. Não perca, segunda-feira (26).
1. Começámos a perder esta final da Taça quando, por qualquer motivo que eu ainda gostava de ver explicado, não utilizámos o nosso defesa-extremo-direito. A ausência de Bosingwa foi decisiva no sentido em que, face ao cansaço do meio-campo, teríamos ali uma forma de pôr velocidade no nosso jogo, que foi o que nunca tivemos no Jamor. E depois não teriamos de suportar a invenção "João Paulo" a defesa-esquerdo. Como portista, exijo uma explicação oficial. Se se confirmar a teoria da "obediência" ao Chelsea e aos 20 milhões, considero um escândalo que nos subjuguemos a um clube estrangeiro desta forma e desde já culpo a SAD e o nosso presidente por este erro crasso de má gestão desportiva. Não tenho memória de ver um nosso jogador vendido antes da época terminar e proibido de jogar o resto dos jogos e ainda com contrato até 30 de Junho.
2. Perdemos também esta final porque a nossa primeira equipa, a tal equipa poupada nos últimos jogos do campeonato (excepto no jogo com o Nacional), surgiu em campo como que para fazer um frete, como se a época já estivesse ganha, os contratos com clubes estrangeiros assinados e o sol da Caraíbas à espera. Muito triste. E o pior é que já tinhamos tido contra o Nacional um exemplo desta postura, levando o treinador a fazer mais uma das suas famosas promessas, de que aquilo não se repetiria. Pois viu-se. Depois de uma entrada à "Gelsenkirchen", sem alma, sem união, sem velocidade, só um super Nuno evitou a vantagem do Sporting, que, na primeira parte, seria justa e natural. Quando equilibrámos o jogo, apenas conseguimos evitar que o Sporting conseguisse criar oportunidades, mas em termos de ataque, faltou-nos sempre aquele bocadinho assim...
3. Perdemos, finalmente, pelo árbitro, claro está. Não vou aqui dissecar lance por lance (o poncio já se referiu aos mais evidentes), apenas destaco a goleada que temos levado do Sporting, este ano, em termos de arbitragem. Tudo começou com uma supertaça falsa como Judas, em que o Sporting nada fez para ganhar, marcou um golo caído do céu e viu o árbitro ignorar uma jogada de vólei do Tonel dentro da grande-área. Depois, em Alvalade, com um banho de bola do FCP durante todo o jogo, mais uma vez, contaram com a ajuda, desta vez do fiscal-de-linha, não assinalando o fora-de-jogo que esteve na base do 2-0 e que tornou a tarefa impossível. Ontem, foi o que se viu. Palavras para quê? Viva a "nova era" do futebol português!
PS - Uma vitória do Sporting na Taça de Portugal já dá direito a festejos benfiquistas no Marquês de Pombal, a recepção apoteótica no Estádio de Alvalade e a recepção nada promíscua pela Câmara Municipal. Como os tempos mudam!
R-o-u-b-a-d-os. Para quem não percebeu: fomos roubados, uma vez mais, contra o mesmo clube, o tal que denunciou "o sistema".
Num jogo tristonho, com duas equipas cansadas, o Porto entrou a dormir, ofereceu três possibilidades de golo ao Sporting e só teve uma chance de marcar, aliás, a única oportunidade de golo da 1ª parte que não surgiu de um erro alheio. Ficou ainda a dúvida sobre o golo anulado ao SCP, que terá sido, em todo o jogo, a única intervenção do árbitro favorável à nossa equipa.
O resto foi o que se esperava: no mesmo lance, Lisandro cai duas vezes na área contrária, a segunda das quais devido a um empurrão do Polga (penalty por marcar nº 1) e nada. A bola é afastada da área , João Moutinho tenta chegar lá, mas uma entrada precipitada do João Paulo resulta num lance hiper-aparatoso (como todos em que o baixinho do SCP sofre falta) e num exageradíssimo vermelho para o defesa portista. Mais adiante, Abel haveria de fazer uma falta sem bola quando já estava amarelado mas o Olegário fingiu que nada se passou. Fantástica coerência de critérios...
Mesmo contra 10, e ao contrário do que havia conseguido na 1ª parte, apesar do espaço que lhe era concedido, o Sporting foi incapaz de criar perigo. E o jogo lá foi para prolongamento.
A parte final do prolongamento foi uma verdadeira palhaçada: em 1º lugar, já nem dava para perceber qual era a equipa que jogava com 10 e, para dar mais uma ajuda à "verdade desportiva", o Olegário deixou passar em claro um carrinho do Polga, mesmo no limte da área do Sporting, jogada em que o Lisandro pica a bola e o central contrário varre o argentino. Se, como as imagens indicam, foi sobre a linha, então é penalty (o 2º que nos foi negado) e, muito provavelmente, mereceria expulsão. O árbitro transformou o lance num pontapé de baliza...
Logo a seguir surgiu o golo do SCP, um lance feliz do Tiui, cujo remate foi embater no braço do Pedro Emanuel (está caído e de costas voltadas para o brasileiro) e entrou batendo na barra da baliza. O 2ª golo surge já na fase de desespero portista e serviu para disfarçar ainda mais a palhaçada que foi mais esta vitória do Sporting (o Porto já tinha visto negado um penalty claro na final da Supertaça).
Quanto à nossa parte da culpa na derrota: não se percebe como é que uma equipa que tem vindo a descansar continuamente (inclusivé no jogo com o Nacional...) chega à final desta competição com tão poucas energias. Para falar verdade, os únicos que mostraram estar em condições pressionar foram o Fucile e o Meireles (que, à custa de andar a "tapa fogos", dei o estouro antes do final dos 90 minutos). O Lucho esteve amorfo, o Lisandro falhou a única oportunidade clara que lhe foi oferecida, o Pedro Emanual está a ficar incapaz de lidar com estes ritmos, o Quaresma fez mais uns "números" que em nada resultaram e o resto do pessoal cumpriu os serviços mínimos. O Jesualdo errou ao colocar o João Paulo a defesa esquerdo - o homem já lhe tinha mostrado a sua incapacidade para cumprir tal papel no 1º jogo contra o Shalke - era preciso mais?
Mas, na realidade, perdemos porque a pressão sobre os árbitros, a tal "nova era do futebol português", é tão grande que eles tremem só de marcar um lance a nosso favor. Verdade seja dita, pouco fizemos para vencer, mas se isto continua assim, vai ser praticamente impossível ganhar jogos em que exista equilíbrio. Quanto ao "melhor futebol do SCP", agradeço que revejam o jogo e analisem os lances de perigo: nenhum surgiu de uma jogada com princípio, meio e fim. Nem a jogar com 12 contra 10...
E no meio da histeria colectiva que se apoderou dos anti-portistas primários, lá vamos nós fazendo o nosso caminho. Mais uma vitória, desta vez com a equipa dos menos utilizados. Continuo a dizer que deveríamos ter jogado com os "reservas" contra o quarto classificado. Terminámos o campeonato com uma vitória, um campeonato que olhámos com curiosidade de lá de cima. Fomos nós e os outros todos juntos. No basquetebol ganhámos o primeiro jogo da final à Ovarense e no hóquei em patins vencemos o primeiro jogo das meias-finais contra a Juventude Viana. Somos assim. Ganhar está-nos no sangue. Entretanto, o Bosingwa, como se sabe, um produto da corrupção, junta-se à lista de jogadores vendidos ao longo das épocas e que nos ajudaram a ganhar títulos. Também eles fruto da corrupção, certamente.
O benfiquista Ricardo Costa falou e disse: o FC Porto tentou corromper dois árbitros e, por isso, deve perder seis pontos. Não interessa aqui se os ditos jogos nada revelaram de anormal. Não interessa se um deles até terminou empatado e no outro até foram mais os erros do árbitro a favor do adversário do que a nosso favor. O que interessa é que Jacinto Paixão papou umas brasileiras pagas pelo nosso Presidente (que se movimenta bem nesse âmbito, mas isso é lá com ele) e que Augusto Duarte recebeu, em casa de Pinto da Costa, um envelope com dinheiro. Este último caso, claro, carece de prova, mas basta a palavra insuspeita de Carolina Salgado para que o benfiquista Ricardo Costa fique convencido.
Ora, os nossos regulamentos dizem que quem tenta corromper e não consegue perde pontos. Foi isso que aconteceu para desespero de muitos bons chefes de família benfiquistas. É curioso verificar que são os nossos adversários que invadem blogues portistas e fóruns desportivos em fúria e completamente transtornados com uma decisão de que todos já tínhamos conhecimento e que eles temiam. Por vontade deles, abria-se uma excepção aos regulamentos e mandava-se o TriCampeão para a segunda. Lamentavelmente tal não é possível, porque uma das coisas que a democracia nos ensinou é que os regulamentos são feitos pelos homens livres e têm de ser respeitados por esses mesmos homens livres. Noutros tempos, talvez fosse fácil abrir excepções para favorecer o clube do regime. Hoje, não.
Por isso é com um sorriso nos lábios que observo esta sede inquisitória dos acólitos da Santa Madre Igreja Benfiquista enfurecidos por terem de levar com o FC Porto, mais uma vez, na mesma divisão e, mais uma vez, a conquistar um TETRA. Quanto ao resto, olhem, deixo-vos com as declarações de Rui Reininho ao Mais Futebol: «Estas tramóias de juízes não me interessam, eu só quero saber de golos, de ir ganhar à Luz e agora ir ganhar a Taça. Também já levei seis pontos na cabeça e sobrevivi».
É preciso começar por dizer que aquilo que a nossa equipa fez, no jogo com o Nacional, foi uma falta de respeito pelos sócios e adeptos do clube. 42 mil portistas dirigiram-se ao estádio para fazerem deste último jogo mais uma festa e despedirem-se da equipa condignamente no que ao estádio do Dragão diz respeito para esta época. O que os adeptos não esperavam é que a equipa resolvesse não comparecer ao jogo. Apenas as camisolas andaram por lá. A atitude, a concentração, a união, o espírito de grupo e de combatividade – tudo isso esteve em parte incerta. Até o talento faltou. E o resultado até foi o que menos importou.
Jesualdo Ferreira tem responsabilidades. Foi inadmissível que o treinador do FC Porto embarcasse com os jornalistas, durante a semana, na conversa das transferências. O treinador do FC Porto não tem de gracejar sobre transferências, muito menos comentar que o facto de se falar muito sobre possíveis saídas tem sempre a vantagem de fazer subir o “leilão” e enriquecer os cofres do clube. Todos já sabemos disso. Agora, o treinador do FC Porto não tem que o referir durante a semana. Os jogadores ouvem o mister falar assim e já não estão com a cabeça no jogo. Viu-se um Quaresma e jogar sozinho (mais uma vez…), viu-se um Bosingwa nitidamente em poupanças (onde está o Bosingwa de há 5 ou 6 jogos atrás?), viu-se um Bruno Alves a falhar passes incríveis, viu-se um Lucho estranhamente apático. Viu-se uma equipa esfrangalhada, em que todos pareciam querer jogar no miolo, e ninguém se entendia. Enfim, uma noite à Benfica. A única diferença é que o nosso treinador, na conferência de imprensa, consegue juntar palavras de modo a fazer frases com sentido.
A história do jogo foi também construída por um moço chamado Fábio Coentrão, de quem Portugal já se tinha esquecido, desde o momento em que passou de futura estrela gloriosa a exilado na Madeira. Ninguém mais ouviu falar nele até ao jogo de sábado. É curioso verificar que o FC Porto tem o dom de fazer de jogadores do quarto classificado estrelas por um dia (os famosos 15 minutos de Warhol...). Desde os tempos de César Brito, jogador mediano que marcou dois golos nas Antas até a este Coentrão, passando por Mostovoi, que um dia marcou um livre sem espinhas nas Antas, ou Laurent Robert, o homem que proporcionou a Baía o último frango em estilo da sua carreira. Mostovoi haveria de se fazer jogador no Celta de Vigo (clube amigo...), mas todos os outros se desvaneceram na poeira do tempo.
Pode ser que esta derrota tenha tido o condão de acordar a equipa para a realidade de ainda termos uma Taça de Portugal para ganhar. Mas foi pena. Frete por frete, deveriamos tê-lo feito em Guimarães.
Miguel Sousa Tavares escreveu, nesta semana, que o FCP de Jesualdo joga melhor do que qualquer uma das equipas que esteve nas meias-finais da Champions deste ano. Quem acompanha o nosso campeonato vê no FCP uma equipa demolidora e que, realmente, apresenta o melhor futebol. Obviamente que a opinião de MST é muito discutível, até porque não podemos comparar os níveis de exigência dos campeonatos inglês e espanhol com o português. Por outras palavras, tenho dúvidas se teríamos "pedalada" para nos batermos de igual para igual com qualquer um dos semi-finalistas da Champions...
Esta questão lembrou-me uma outra comparação. A da nossa equipa actual com as equipas do FCP de Mourinho, mais especificamente ao nível do meio-campo. Na era-Mourinho destacou-se um trio de médios que ficarão para sempre na nossa história: Costinha, Deco e Maniche. Neste momento, um outro trio deixa a sua marca: Paulo Assunção, Lucho Gonzalez e Raul Meireles. Estes nada ganharam a nível europeu, ao contrário dos outros, mas nem por isso deixam de formar um tridente indiscutível e determinante na dinâmica do FCP. Apesar de achar Paulo Assunção superior a Costinha e Lucho apenas ligeiramente inferior a Deco (Meireles está a léguas do melhor Maniche), eu dou a minha preferência ao tridente de José Mourinho. E os ilustres visitantes do Pobo do Norte? Qual é a vossa preferência? Para botar na barra lateral. Obrigado pela participação.
Mário Jardel abriu o coração e confirmou aquilo de que toda a gente falava há já alguns anos(alguns publicamente e por pura vingança como foi o caso do benfiquista José Veiga). Mais do que censurar o homem pela escolha que fez e que lhe arruinou a vida, cumpre-nos, sempre, lembrar aquilo que ele foi no nosso clube: um gigante, um ponta-de-lança como nunca passou pelo FC Porto, no período pós-Fernando Gomes. Fiz aqui, em Setembro de 2006, o elogio do Super Mário (com direito a comentário da sua irmã, Jordana), em que listava grandes momentos que proporcionou a todos os portistas. Agora que ele volta a ser notícia pelas razões erradas, Pobo do Norte traz a este espaço aquele que poderá ter sido "o Golo" de Jardel enquanto jogador azul-e-branco (eu sei que a escolha é difícil...). Pela execução bela do lance, pelo local onde foi obtido, pelo adversário, por tudo, este é um momento mágico:
Neste golo, é curioso o facto de, durante toda a jogada, Miguel Prates e António Fidalgo estarem preocupados com o perigo que Donizete constituía para o FC Porto. Estavam tão entretidos a falar do brasileiro do Benfica que foram apanhados completamente desprevenidos pelo golo. E atenção ao "nó cego" do Edmilson sobre o Valdo! Depois, Jardel fez o resto. Obrigado, Jardigol!
Creio que ficou à vista que a "verdade desportiva" foi colocada em causa em Guimarães, pelo que se impõe desde já uma mega-investigação para apurar em que condições foi possível o Porto vencer o Vitória por 5 golos. É preciso relembrar que os mesmos azuis e brancos já tinham vencido o Setúbal em sua casa, com alguns segundos-planos, quando uma derrota seria mais conveniente...
Agora mais a sério: se é que ainda existia alguma dúvida sobre as razões do título, dos 23 pontos da avanço e da qualidade do plantel do FCP, estas ficaram por certo dissipadas com a exibição deste fim de tarde. Foram 5, poderiam ser menos ou até poderiam ser mais (se o Adriano marcasse quando surgiu isolado), mas o que fica visível é que, sem deslumbrar, a equipa manteve-se coesa, os suplentes cumpriram os seus papéis:
- o Lino portou-se bem e até marcou o livre que seu origem ao primeiro golo;
- o Stepanov não teve "brancas" e não nos enterrou;
- o Bolatti andou perdido na 1ª parte mas lá fez alguma coisa na 2ª (pouco, para quem gerou tantas expectativas);
- o Mariano fez mais uma óptima exibição, feita de esforço, de vontade, mas também de qualidade;
- o Kaz fez de "Bolatti da 1ª parte" mas também não comprometeu (ainda que aquela lentidão de processos seja exasperante);
e ainda deu para o Farias e o Adriano darem o seu contributo para a goleada.
Gostei da exibição do Bruno Alves e, sobretudo, das poucas mas soberbas intervenções do Hélton. Apesar do desleixo, dos truques de circo e das desnecessárias declarações finais, o homem do jogo foi claramente o Quaresma.
Ficaremos à espera de novas tomadas de posição sobre o tema "verdade desportiva", nomeadamente, da parte dos gatinhos e das galinhas. Para nós, este jogo foi somente "another day in the office", ou melhor, " business as usual".
Nota 1: o pormenor mais delicioso do jogo foi ver o Mariano a comemorar o golo do Quaresma antes da bola entrar na baliza do Guimarães - isto é o que se chama "fé"!
Nota 2: a autoria do título deste post é do Guardabel.
Venho por este meio pedir aos adeptos do Benfica e do Sporting, sempre tão preocupados com a verdade desportiva, que façam o onze do FC Porto que consideram justo para jogar em Guimarães. Mas lembrem-se de que o TriCampeão tem de poupar jogadores para a final da Taça de Portugal. Sendo assim, digam lá quantos dos habituais titulares poderemos nós poupar de forma a que a verdade não seja desvirtuada. Podemos deixar 3 de fora? 4? 5? ou apenas 2? A partir de 2 já é "frete"? Ou é só a partir de 3? E se for só o Lisandro de fora? Quais é que podem jogar, afinal? Vá lá, vocês que até têm a sorte de contratar jogadores pouco tempo depois de eles terem falhado penaltis contra o vosso clube (falo do Benfica) ou de verem titularíssimos guarda-redes adversários ir para o banco no jogo com o vosso clube (falo do Sporting-Leixões), ajudem-nos a ir de encontro aos vossos interesses. Obrigado.
Foi ao som de "Chamem a polícia" que todos saímos ontem do Estádio do Dragão com um sorriso nos lábios. Não totalmente satisfeitos - como eu tinha escrito, ganhar por menos de 3 de diferença era quase uma derrota moral -, mas com o sentido de dever cumprido, com mais uma vitória e o alargar para 24 pontos a diferença sobre o adversário de ontem. E acima de tudo pelo apelo a Vieira que meta a PJ em campo da próxima vez.
O jogo começou com "Olés" dos SuperDragões e eu não gostei. Não por ficar incomodado com a eventual falta de respeito que isso possa significar pelo adversário - eles merecem isso e muito mais - mas porque esses "Olés" tiveram um efeito contraproducente: a equipa passou a maior parte dos primeiros 45 minutos a jogar a passo, como se de um jogo-treino contra os juniores se tratasse. E assim só chegámos ao intervalo a vencer por 1-0.
Ao intervalo entraram os 50 adeptos do quarto classificado que se vieram juntar aos 5 que tinham visto a primeira parte. Não sei se foi de propósito, mas pareceu: o FC Porto foi esmagador e deu baile na segunda parte. Não deixa de ser uma atitude bonita para com os adeptos bermelhos que chegaram ao intervalo: só chegaram agora, tomem lá futebol de categoria para justificar o investimento.
O Benfica, na segunda parte, meteu dó. Faltaram as pernas, o talento, o fio de jogo. Sobrou a altura das torres que entraram, mas só atrapalharam. Do lado do TRI-Campeão, Mariano Gonzalez entrou muito bem, e foi dele que surgiu o passe para o golaço de Lisandro, a fazer o 2-0. Mariano Gonzalez, AFINAL, arrisca-se a fazer parte do plantel da próxima época.
Foi um jogo sem grande história. Chalana encarregou-se de animar a malta na conferência de imprensa com momentos hilariantes, dos quais destaco dois. Primeiro, quando disse "Acho que não fomos humilhados". E depois, quando, a propósito da possibilidade de ainda chegar ao segundo lugar, atirou "Claro que sim. O futebol é cheio de surpresas". Obrigado, Chalana, por estes momentos de boa disposição.
Quem esteve um pouco abaixo deste nível humorístico foram as faixas dos SuperDragões, que revelaram uma certa crise de criatividade. Dizer "Chegaram os bobos da corte ao reino do Rei Dragão", com imagens de Vieira, Chalana e Rui Costa, é demasiado básico e é apostar nas evidências que estão à frente dos nossos olhos. O mesmo se pode dizer da faixa "Ó Orelhas, hoje ela não veio?", sem que se tivesse percebido muito bem se a referência era para a PJ, se para Carolina Salgado ou até Maria José Morgado. Já vi os SuperSragões terem um sentido de humor mais apurado e mordaz. Ontem, correu mal. Os Trabalhadores do Comércio é que salvaram a coisa.
Caros amigos, eu propunha que, amanhã, recebêssemos o autocarro do glorioso decadente com uma gigantesca manifestação de apoio a Luis Filipe Vieira. Ele merece continuar o seu projecto e nós devemos mostrar o reconhecimento devido. Depois de um dia atribulado, no centro de treinos do Seixal, penso que é hora de nos unirmos à volta da família benfiquista e mostrarmos gratidão pelo trabalho fantástico que este homem tem feito em prol do FC Porto. Vejam lá que ele até impediu que os seus próprios adeptos pudessem vir ao Dragão!
Amanhã defrontam-se as duas equipas que mais alegrias me têm proporcionado. Em trinta anos que levo a ver futebol, já assisti a tudo.
Já vi o FC Porto ganhar 16 campeonatos, 9 Taças de Portugal, 14 Supertaças, 2 Taças dos Campeões Europeus, 2 Taças Intercontinentais, 1 Supertaça Europeia, 1 Taça Uefa. Já vi o FC Porto ganhar em todos os escalões de formação de futebol, inclusivamente fazer o pleno com o futebol senior. Já vi o FC Porto golear fora o Werder Bremen por 5-0, golear fora o Benfica por 5-0 e em casa por 4-0, golear o Sporting e a Lázio em casa por 4-1. Já vi o FC Porto ganhar tudo o que havia para ganhar a nível interno nas modalidades ditas amadoras. Já vi o FC Porto construir e jogar no estádio mais bonito do mundo.
Já vi o Benfica ser goleado em Vigo por 7-0, em Alvalade por 7-1 e 5-3, em casa, com o FC Porto, por 5-0, nas Antas, por 4-0, em Setúbal, por 5-2. Já vi o Benfica não ser classificado para provas da Uefa durante dois anos consecutivos. Já vi um Presidente do Benfica ser julgado e condenado na justiça. Já vi um sem número de episódios rocambolescos que me deixaram à beira de um ataque de riso descontrolado.
Amanhã, espero que a tendência se mantenha, mas, ao contrário do que se diz, acho que este jogo será muito mais complicado para nós do que para eles. As recentes goleadas com a Académica e com o Sporting colocam a fasquia num patamar muito elevado, criando um grau de expectativas difícil de preencher. Ganhar simplesmente o jogo não vai ser suficiente. Tudo o que estiver aquém dos 3 golos de diferença será psicologicamente uma derrota para nós. O Benfica não terá grandes problemas neste jogo. Quem encaixa 3 e depois 5, se perder, por 1 ou 2 de diferença, sairá contente. A ver vamos.
Confesso que já não consigo ver os jogos do Porto na TV porque a "cultura anti-portista" e o fervor "vermelhusco" são tão intensos que me parece estar a ver jogos diferentes dos que os jornalistas e comentadores supostamente narram e analisam.
Esta noite, desde o início do jogo, o o inenarrável Jorge Batista, um grande admirador do botabaixismo do oleoso Rui Santos, tentou dar a ideia de que tudo o que acontecia em campo em detrimento do Setúbal tinha duas razões: os supostos erros do árbitro em favor do FCP e a "apatia" da equipa da casa. Aparentemente, escapou a este senhor o facto de estar, do outro lado, a equipa mais forte do campeonato, com o melhor plantel, com o melhor goleador, com o melhor jogador, etc., etc.
Começou com uma falta por trás do Assunção que o comentador fervorosamente desejou ter resultado num vermelho (Proença deu amarelo), passou por um suposto penalty do Fucile que nem o avançado do Setúbal reclamou e, pelo jogo fora, foi sempre sublinhando a surpresa da incapacidade do Setúbal e minimizando a exibição portista.
O que me ocorre dizer face a este reincidente desvalorizar de tudo que o FCP conquista (ou é culpa das arbitragens ou demérito dos nossos adversários) é que o nosso Presidente tem razão em acenar permanentemente com a bandeira do "contra tudo e contra todos". Apesar de eu entender que o Porto precisa de crescer como Clube, sobretudo para além das fronteiras da zona norte do país, e que os discursos regionalistas não contribuem para que isso aconteça, a verdade é que na imprensa e nos audiovisuais (instalados em Lisboa) reinam os benfiquistas e os sportinguistas, umas vezes por convicção, outras vezes para vender notícias que agradem à turba ignorante dos 6 ou 7 milhões de galinhas depenadas e viscondes falidos.
Pois bem, o Porto ganhou e vai jogar a final no Municipal de Oeiras (um local deprimente e indigno para um país que tem tantos estádios com qualidade e dimensão para um evento deste nível). Engulam essa, tal como ainda espero que engulam o facto do Porto terminar o campeonato com mais de 20 pontos de avanço sobre o 2º classificado que, se tudo correr bem, há-de ser o Guimarães.
Para a final tanto faz: gosto de ver os vermelhos vergados à sua real dimensão, mas, por outro lado, preferia que fosse o Porto a fazê-lo na final.
Não sei se hei-de estar mais feliz pelo facto de esta vitória significar a ida ao Estádio Municipal de Oeiras, se por ter contribuído para a azia dos comentadores da SIC, o Jorge Baptista e o outro, o gordo. Pela visão turva destes senhores, parece que o Vitória de Setúbal jogou sozinho, ou, no máximo, contra onze fantasmas de azul-e-branco que passaram pelo Bonfim de forma quase imperceptível.
A desilusão patente no tom de irritação com que eles comentavam cada perda de bola dos sadinos; a incompreensão pelo facto de, hoje, o Vitória não ter conseguido exibir-se ao nível a que nos tem habituado; o quase esquecimento a que os jogadores do FC Porto foram votados na análise ao jogo - tudo isto revelou, mais uma vez, o tipo de jornalismo rasteiro e tendencioso que existe em Portugal. E sempre em prejuízo do FC Porto.
O TRI-Campeão Nacional até entrou de forma algo apática no jogo, mas à medida que o nervosismo das bancadas sadinas ia aumentado (e que se estendeu aos jogadores e treinador do Vitória), o FC Porto foi impondo a sua natural superioridade. A vitória foi natural e merecida. Quando marcámos o terceiro, pedi que não gastassem ali todos os golos da semana, porque domingo precisamos de muitos. Os jogadores fizeram-me a vontade.
UPDATE!: Segue-se o vídeo dos momentos mais importantes do jogo de ontem (obrigado, Pentadragão!), entre os quais tenho de destacar o que acontece ao segundo 54, um lance de rara beleza estética. O Jorge Baptista não comentou este lance.
Do blogue Bicampeões do Mundo.

Um agradecimento do tamanho do TRI ao JRP, que enviou a imagem ao Pobo do Norte.
E após dois anos na penumbra, ouvimos a voz de Carlos Azenha. Finalmente, digo eu. E valeu a pena, uma vez que o treinador-adjunto do TRI-Campeão Nacional (que bem me sabe escrever isto...) pôs na ordem um certo sujeitinho histérico com ares de parolo endinheirado. Façam o favor de ouvir:
Ouvia ontem, na TSF, que, nos últimos 20 anos, o FC Porto conquistou 34 títulos de futebol sénior (os nossos rivais da segunda circular conquistaram 17 juntos) e, apesar disso, é sempre como se fosse a primeira vez que festejamos cada nova conquista. Ontem, esse sentimento manteve-se, num estádio repleto de 50 mil vozes azuis-e-brancas a clamar vitória, a gritar "Campeões", a cantar "Oh, Campeão, o teu passado é um livro de honra de vitórias sem igual", a exultar por cada golo que entrava na baliza adversária, a chamar cada um dos nomes dos bravos jogadores e equipa técnica de que temos a felicidade e o mérito de ter no nosso clube. Em suma, foi uma noite perfeita.
Para aqueles que nos querem retirar pontos, ainda que nada esteja provado judicialmente, nós respondemos com 6 golos. Um por cada ponto que nos querem retirar. Simbolicamente, esta foi mais uma das inúmeras vitórias no local onde a nossa equipa sempre provou ser melhor: no campo, no relvado, onde sempre respondemos com golos à mediocridade invejosa dos pobres de espírito. Para eles, estes 6 golos asseguram, pelo menos, um fim-de-semana de azia. Para nós, é, afinal, mais um campeonato, mas sempre como se fosse a primeira vez.
Não fui ao Dragão, mas vi o 6-0 do TRI no canal mais vermelhusco do país e com a mais jovem portista cá de casa ao colo. POOOOORTO!!!!!!!!!!
A acusação que recai sobre o FC Porto vem confirmar as minhas melhores suspeitas: não sabemos corromper. Segundo a acusação, houve tentativa, não houve resultados. Somos maus a corromper. Estamos para a corrupção, assim como o Benfica para o futebol: não ganhamos nada. E esta é uma falha que devia dar que pensar ao nosso Presidente.
É óbvio que, a confirmar-se a punição dos 6 pontos, será uma vergonha. Mas como já somos maltratados há 30 anos pelos invejosos do costume, o efeito não será o que eles pretendem. Agora, não nos acusem de termos ganho à custa de favores dos árbitros, porque, a acusação está lá: tentativa. Os peritos encontraram 6 erros no FC Porto-Estrela, quatro dos quais prejudiciais ao FC Porto. Já em Aveiro, um empate a zero não deixa dúvidas quanto à "qualidade" da corrupção.
Lamentamos desapontar milhões de anti-portistas, mas a segunda divisão terá de esperar. Talvez um dia, quando Luis Filipe Vieira, Leonor Pinhão e Carolina reunirem esforços para obrarem o segundo ou o terceiro livros. Talvez aí haja mais qualquer coisa para nos atirar para fora da 1ª Liga e assim abrir caminho aos que raramemnte ganham para ganharem qualquer coisa de mais visível do que um torneio, seja ele no Guadiana ou no Dubai.
PS - Espero que nos retirem os 6 pontos a tempo de sermos campeões no jogo com o glorioso decadente.
Em primeiro lugar quero dizer que, mesmo que não tivesse sido penalti, Lucílio Baptista faria muito bem em assinalá-lo. É que o FC Porto é credor de uma série de grandes penalidades que esta espécie de árbitro nos negou ao longo de vários anos. Quem não se lembra, por exemplo, dos famosos 4 de Alvalade?
Quanto ao lance em si, obviamente, foi penalti. Nem sequer há discussão. Ao contrário do que algumas almas penadas teimam em afirmar, o Hugo Alcântara nunca toca na bola. Quem lhe dá um ligeiro toque para a frente é o próprio Quaresma. O defesa azul entra a matar, derrubando o nosso jogador. É só ver com olhos de ver e não com olhos de quem quer, daqui a muitos anos, contar aos netinhos a história-do-campeonato-ganho-pelo-fcp-com-um-penalti-nos-descontos.
Chegámos a um ponto de saturação na discussão de lances de futebol em Portugal. Quando se tem a lata de afirmar que um lance daqueles não é falta, não vale a pena discutir futebol. Quando temos um imbecil de nome Rui Santos a vomitar alarvidades na SIC Notícias, com aquele ar de sumidade na matéria, com pose de doutorado, de quem pensa que está a pregar a moral e os bons costumes, deixa de haver vontade de discutir futebol.
Este senhor foi capaz de dizer que aquele lance do Benfica, em que o Léo chuta contra o braço do defesa pacense, a um metro de distância, foi falta. E teve a lata de dizer, na repetição em câmara lenta, que havia ali um ligeiro movimento com o braço que "feria o lance de ilegalidade". É óbvio que, em câmara lenta, qualquer movimento é descortinável, qualquer movimento parece suspeito, mas o senhor Rui Santos não percebe isso. Ele percebe demasiado de futebol para perceber isso.
A sua referência ao caso Apito Dourado foi também uma pérola. Merecedora de Oscar. Depois de fazer o julgamento sumário de Pinto da Costa, fazendo juízos de valor sobre matéria de investigação e condenando sem hesitações o nosso Presidente, disse ele, com ar paternalista, que as pessoas não tinham de temer pelo futuro do FC Porto. Que havia FC Porto para lá de Pinto da Costa. Que estivéssemos descansados. Mas alguém pediu aconselhamento a este imbecil? Quem é que ele julga que os portistas são? Saberá ele que, mais do que ninguém, nós não tememos o futuro? E saberá ele que não tem qualquer autoridade para nos dar conselhos?
Foi no jogo Beira-Mar-FC Porto que o nosso Presidente corrompeu um árbitro, entregando-lhe um envelope com 2500 euros para que ele nos beneficiasse no jogo e prejudicasse o Beira-Mar. Assim falou a ex-namorada de Pinto da Costa. Assim decidiu Maria José Morgado. A palavra da ex-namorada do nosso Presidente, seja ela escrita ou falada, levou ao tribunal aquele que a tornou uma celebridade e depois lhe retirou o estatuto de primeira dama, dando-lhe com os pés. Nesse jogo, o FC Porto, como se sabe, não ganhou e, como se não bastasse, nada de "anormal" se passou nas decisões do árbitro.
Ora, a menos que haja qualquer suporte em vídeo ou áudio do que contou a ex-namorada do nosso Presidente, creio que ele pode estar descansado. Pinto da Costa vai dizer a verdade em tribunal e a sua palavra terá o mesmo peso valor que a da sua ex-namorada. E não acredito que um juíz tenha algo contra quem está à vontade para dar uns traques ao lado da pessoa que ama.
Quanto a nós, adeptos portistas, também não podíamos estar mais descansados. Até é um alívio ver este caso chegar ao tribunal para se acabar de vez com o diz que disse, ou o "consta que..." ou "fontes próximas do processo asseguram que..." com que uma certa imprensa se tem alimentado avidamente.
O nosso percurso fala por si. As nossas vitórias nada devem a outros motivos que não a competência de termos os melhores jogadores. Essa é a verdade cristalina.
(nota: em nenhum momento do texto me referi a Carolina Salgado como "alternadeira", "rameira", "meretriz" ou outra palavra mais grosseira. Repararam?)
Num Estádio do Mar agitado, conseguimos dar a volta ao resultado e vencemos com toda a justiça. Jesualdo Ferreira pôs em campo todas as opções disponíveis para o ataque e conseguiu levar a equipa aos três pontos. Aqui assume particular destaque Tarik Sektioui, que, ao assistir Lisandro no primeiro golo e ao fazer ele mesmo o segundo, num toque de classe, foi decisivo na nossa vitória.
Outro dos destaques do jogo foi a forma como nos foi tirada uma mão cheia de foras-de-jogo inexistentes, em jogadas de golo iminente que nos poderiam ter posto a salvo do sofrimento que enfrentámos na segunda parte. Acabámos, ao que parece (apesar de a imagem não ser muito nítida), por beneficiar de um fora-de-jogo não assinalado para marcar o golo da vitória. Estes imbecis não perderam a oportunidade.
O TRI está mais perto, ainda que o calendário nos traga uma visita complicada ao terreno do segundo classificado, o Vitória de Guimarães. Mas nessa altura, Jesualdo já deve ter aberto o champanhe que está bem guardadinho no Dragão. O que me preocupa mais, neste momento, são mesmo as lesões de Bosingwa, ele que é uma das traves mestras do FC Porto de hoje.
Em relação ao nosso treinador, só 18% dos votantes na botação sobre a sua renovação consideram que a mesma foi um erro de Pinto da Costa, o que, afinal, contraria uma certa oposição feroz que se tem feito a Jesualdo em algumas fases da época. Ainda existe alguma reserva em relação ao seu trabalho, com certeza em grande parte motivada pela eliminação frente ao Shalke, como podemos verificar nos 41% da segunda opção. Mas também há muito portista satisfeito com o seu desempenho, como é o meu caso, que votei na terceira hipótese. Não vejo razões para o substituir (o que não quer dizer que não ache que há melhor do que ele) e penso que tem todas as condições para nos dar o segundo tetra da nossa história. A não ser que o Benfica coloque mais um Cunha Leal na Liga. Aí não temos hipóteses.
Renovação de Jesualdo - Resultados após 61 votos:
- Enorme erro de Pinto da Costa! - 18% (11)
- Bem, vamos ver no que isto vai dar... - 41% (25)
- A melhor opção, sem dúvida! - 41% (25)
Camacho bateu com a porta, Vieira tentou demovê-lo e o Guimarães está a 2 pontos. O Rui Costa bem se esforça por sair com dignidade, mas não existe Di Maria que disfarce a falta que fazem os livres, as quedas e os penalties do Simão Sabrosa. Ainda bem que só faltam 4 meses para chegar o Verão e mais a habitual montanha de ilusões para vender jornais... Nota curiosa: o Benfica já está mais perto do 9º classificado (Nacional da Madeira) do que do 1º!
Uma vez mais sublinho que o plantel do SCP é uma pobreza: se a meia dúzia de jogadores com nível que possuem não está disponível ou a jogar no topo das suas capacidades... são piores do que o Braga, o Belenenses, o Setúbal e, claro, o Vitória do Cajuda. Será que conseguem ir à Taça UEFA? O Belenenses tem um jogo a menos...
Para concluir: o Porto vai ser campeão antes do SLB nos visitar. Lamento: vencê-los para formalizar o título tinha outro sabor. Estes gajos lembram-me os piratas do Astérix, porque afundam o seu próprio navio antes que os irredutíveis gauleses o façam!
Precisei de 24 horas para engolir a eliminação do FCP: depois de 120 minutos de bola ao frio e de um demorado regresso a casa ainda me dediquei a ver na SportTV a 2ª parte do jogo e o prolongamento.. não quis rever os penalties.
Deste jogo em sessão dupla guardarei a tristeza da eliminação e um orgulho muito especial na forma como a nossa equipa combateu a adversidade. E não concordo com os que referem estar o Guardabel a insistir numa vitória moral. Tratou-se de uma vitória, ponto final. Amplamente merecida e sem discussão possível. Ter caído nas grandes penalidades só ilustra o quanto a sorte nada quis connosco.
Sobre o nosso treinador, só posso dizer que a entrada do Farias para o lugar do azarado marroquino tardou 10 a 15 minutos - de resto, fez tudo o que lhe competia fazer.
Sobre os melhores em campo, diria que foram os do costume: um enorme Lucho, um Paulo Assunção que encheu o campo e um Lisandro que vai certamente sair, este ano ou no próximo, para um qualquer Real Madrid, Barcelona, Manchester, Milan ou clube semelhante - é um jogador que junta raça, querer, poder físico, inteligência e técnica, ou seja, é já um jogador cuja enorme classe e talento não tem cabimento na Liga Portuguesa.
O árbitro fez uma exibição fraca, permitindo perdas de tempo e um sucessão de faltas sem amostragem de amarelos. Terá errado a nosso favor num único lance, que foi o da defesa do Hélton, muito provavelmente feita fora da área. Fora este exemplo, foi tudo contra - o penalty perdoado, os preciosismos no local das faltas (só na 2ª parte porque na 1ª era tudo à larga) e a mais do que exagerada expulsão do Fucile (que disputa com o Quaresma o lugar de pior jogador em campo).
Apesar disso, o Porto foi sempre superior, com 11 e depois com 10, durante mais de meia-hora. Uma equipa que em inferioridade numérica, fisicamente em perda e com uma arbitragem adversa consegue encostar o seu adversário às cordas no prolongamento demonstra mais do que qualidade e querer, demonstra carácter e classe.
Notas soltas:
1 - se mais alguma coisa faltasse para sublinhar a injustiça da nossa eliminação, bastaria olhar para os títulos dos jornais portugueses e alemães - o guarda-redes do Schalke é sempre referido como o herói do jogo, sobretudo pelo que fez antes dos penalties.
2 - o Cardozo foi para a rua por ter dado uma cotovelada igual à que tinha ensaiado no jogo com o Sporting. A diferença residiu, desta vez, no facto do árbitro não ser amigo; e na outra, no acaso de não ter acertado em cheio na cara do Tonel.
3 - tal como previa, o SLB lá nos envergonhou ao perder em casa, numa competição de nível secundário, com o 10º classificado da Liga Espanhola. Perderam por 1 mas poderiam ter sido muitos mais (o treinador contrário até se deu ao luxo de ir retirando os seus jogadores principais de campo para os poupar!). Sim, foi jogando a maior parte do jogo com 10... mas depois do milagre da eliminatória anterior, nem com 12 e jogando com uma equipa do campeonato de Malta lá vão.
4 - o Porto perdeu uma grande oportunidade de ficar com um jogador jovem e promissor quando não quis pagar pelo Vukcevic aquilo que o SCP aceitou investir. Foi um erro grave da SAD e está mais do que demonstrado que este montenegrino tem valor. Parabéns ao Sporting - com o Liedson em baixa, o Moutinho e o Veloso abaixo do que podem fazer e com um GR a meter água com regularidade, este é o homem que vai disfarçando a desgraça que é ter a equipa cheia de Tiuis, Farneruds, Pedro Silvas e Purovics.
No meio da histeria colectiva que se apoderou de todos nós, portistas (eu incluído), devido a esta frustrante e cruel eliminação é preciso lembrar que, ontem, ganhámos mais um jogo da Liga dos Campeões. Cumprimos, mais uma vez, a nossa vocação e o nosso destino que é ganhar ao mais alto nível, nós que somos, a par do Manchester United, a equipa com mais presenças na maior competição europeia de clubes. E para o ano, lá estaremos para continuar a orgulhar Portugal, apesar de uma grande parte deste país não nos merecer.
Ontem, fomos superiores ao adversário em todos os capítulos do jogo, tivemos momentos em que o asfixiámos, o empurrámos para a grande-área, e marcámos um golo soberbo, no finalzinho, dando justiça, ainda que pouca, ao que se passou em campo. E deixem-me dizer-lhes como foi bonita aquela explosão do Dragão após o golo de Lisandro Lopez. Foi um momento que vou recordar para sempre, apesar da eliminação. Uma explosão de 45 mil vozes a gritar golo a plenos pulmões
As críticas a Jesualdo Ferreira não fazem sentido neste jogo. Como muito bem alguns disseram nos comentários, a eliminatória decidiu-se na Alemanha, quando entrámos sobranceiros e convencidos de que "estava no papo". Aí, Jesualdo tem responsabilidade na forma como não preparou a equipa mentalmente para aquele jogo. Ontem, no Dragão, o nosso treinador fez tudo bem:
- Colocou em campo a equipa-tipo, correspondendo aos anseios de todos os adeptos.
- Aos 54 minutos, quando Bosingwa saiu por lesão, não colocou em campo um defesa (e tinha Cech no banco), mas optou por um jogador de características atacantes, Mariano Gonzalez.
- 4 minutos depois, quando era evidente que não era noite de Sekitoui, meteu Farías.
- No prolongamento, e a jogar com menos um, reequilibrou a defesa, retirando um médio exausto, Raul Meireles, e metendo Marek Cech (que, já agora, ia sendo o herói daquela história com aquele chapéu cheio de intenção).
Não sei, na verdade, o que é que o nosso treinador poderia ter feito mais. Fizemos tudo o que pudemos, e tivemos o azar sempre a correr ao nosso lado. Senão vejamos:
- O cabeceamento de Tarik, a dois metros da baliza, vai direitinho ao braço de Neuer. Um pouquinho mais ao lado, o alemão não teria reacção.
- Num remate de Quaresma de fora da área, Neuer defendeu para a frente, quando Lucho estava ao seu lado direito, pronto para a recarga. Um lance em tudo quase igual ao do golo dos alemães na primeira mão, com a diferença de, na Alemanha, a bola ter ido parar aos pés de Kuranyi.
- Bosingwa, o jogador que tinha criado todos os desequilíbrios na primeira parte lesionou-se no início da segunda, período em que se sabia que o Shalke costumava soçobrar.
- O árbitro, que fez uma arbitragem muito desequilibrada, decidiu que aquele lance não era penalti e decidiu que Fucile merecia ir para a rua. Em ambos os casos, na minha opinião, mal. Já agora, o lance do Helton, com a suposta defesa fora da grande-área, não é assim tão nítido e fácil de ajuizar, parecendo que o brasileiro está em cima da linha.
- O lance de Quaresma, isolado em frente a Neuer, pode ser visto neste cenário azarento que nos perseguiu, não pelo lance em si, mas pelo facto de ter sido Quaresma o protagonista. Qualquer outro jogador marcaria aquele golo. Quaresma, não, porque Quaresma tem de ajeitar, tem de simular, tem de hesitar, tem de... enfim, começo a ficar farto deste jogador. Não sei se o seu ciclo no FC Porto não terá chegado ao fim...
Outro dos nossos azares foi não termos jogado estes oitavos-de-final com o Nuremberga. Acho que conseguiríamos passar, mesmo sem golos às três tabelas. Considerar o Shalke 04 como uma equipa fraca é um erro que pode ter duas justificações. Uma é não perceber nada de futebol. A outra é dizê-lo de má fé, só para chatear. No segundo caso, dá-se o devido desconto às pobres criaturas, que só têm destas alegrias de tempos a tempos.