Segundo o site da Gestifute, o acordo com o Inter já foi atingido e Ricardo Quaresma viajará amanhã para Itália para efectuar os testes físicos habituais e assinar o contrato. No sentido inverso viajará, a título definitivo, o potencial substituto do Paulo Assunção, o jovem internacional sub-21 Pelé.
Por todas as alegrias que o Quaresma nos deu, pelas montanhas de trivelas, pelos dois fantásticos golos ao SLB (o do Dragão, em que trocou os olhos ao Nélson, e o da Luz, em que tirou o hiper-fantástico central David Luiz da frente com uma facilidade atroz) e por todas as assistências para golo, um muito obrigado. Quanto aos maus humores, aos excessos de individualismo e coisas afins, a malta já nem se lembra disso - afinal, rendeste golos, assistências, espectáculo e, por fim, dinheiro fresco; que mais poderias dar ao clube? Aceita os votos de boa sorte e felicidades deste adepto grato.
O jogo de ontem deixou-me mais chateado do que a derrota com os lagartos. Perder é mau, mas desperdiçar uma oportunidade de humilhar a hiper-super-mega-fixe equipa do SLB no seu próprio estádio é muito triste. E devo já dizer-vos que, ao contrário do que muitos já escreveram, eu não considero que o Jesualdo tenha estado mal.
Em 1º lugar, a equipa: fiquei surpreendido por ver o Rolando e o Fernando em campo e, sobretudo, por não ver o Benitez na esquerda. O argentino tem estado bem mas, felizmente, o Fucile também não esteve mal. Quanto ao Rolando, gostei muito da calma e da velocidade. O Fernando esteve apagado e muito encostado aos centrais, mas eu prefiro este brasileiro ao Guarin que, pelo que vejo, vai ser o Bolatti deste ano (com a agravante de que tem tido mais oportunidades).
O jogo
A história do jogo começa praticamente no penalty descarado do grego sobre o Lucho - dizer, como o comentador William disse, que "o argentino foi matreiro e se deixou cair" é querer torcer a realidade. Seja como for, o golo dali resultante alterou as características do jogo e, curiosamente, beneficiava a táctica do Jesualdo: meio campo muito povoado (Fernando, Meireles, Costa e Lucho no apoio aos 2 atacantes) e homens rápidos na frente (Rodriguez e Lisandro), pura lógica de contra-ataque. Ou seja, com a vantagem no marcador, o Porto tinha tudo para matar o jogo, porque se sabia que nem Di Maria, nem Reyes, nem Aimar estão lá para grandes esforços defensivos e o resto da malta não chegava para o excelente jogo que o Lucho fez (essencialmente até à expulsão do Katsouranis).
As gaivotas responderam como se esperava, aliás, tal como o árbitro. Depois do penalty foi um fartar de amarelos aos jogadores do Porto (aos 17, 21 e 27 minutos), sendo que nenhum deles era minimamente justificável. No primeiro, o Sapunaru abre os braços para impedir a progressão do Leo, que fez uma grande fita, protestou veementemente e conseguiu sair dali com o que queria. Convirá lembrar que, na 2ª parte, o Fucile sofreu uma falta igual (não assinalada) e quem levou o amarelo foi o Lisandro (por protestos que nem de longe nem de perto foram tão exagerados como os do Leo). No segundo, o Fernando nem toca no Aimar. Quanto ao terceiro, que em tempo real me pareceu justo, foi outra fraude: o Rodriguez encolhe-se todo para não atingir o Quim e a repetição da linha de fundo calou os comentadores da SportTV (estavam a dizer que era uma entrada violenta e escusada quando as imagens indiciam que nem terá existido contacto). Resumindo, com a arbitragem a "compensar" a audácia de ter assinalado um penalty indiscutível, as muitas quedas espalhafatosas do Reyes, do Aimar e sobretudo do Di Maria, achei que não iríamos sair dali com 11 jogadores. Sim, empurram-nos lá para trás e o Lisandro salvou um golo iminente em cima da linha de baliza. Ainda assim, o Porto iria dispor de duas oportunidades para fazer o 0-2: primeiro pelo Rodriguez e depois naquele fantástico lance entre o Lucho e o Licha que terminou com a bola no poste.
A história da segunda parte começa com a substituição do Tomás Costa (porquê?!) pelo Guarin - o Porto perdeu velocidade e discernimento. Eu estava à espera da substituição do Fernando, porque é muito novo e poderia facilmente cair numa jogada que lhe desse o segundo amarelo. O SLB entrou com cada uma das suas vedetas a tentarem fazer os respectivos números artísticos, ou seja, nada de novo. E quem teria uma soberana oportunidade de "matar" o jogo seria novamente o Lisandro, depois de uma boa jogada do colombiano. Quem não "mata morre", mas foi preciso uma asneirada entre o Bruno Alves e o Hélton para as gaivotas marcarem (foi aos 56 minutos). Entretanto, o Aimar já tinha dado o seu lugar ao Nuno Gomes. Com aquele ambiente e um árbitro acagaçado, o jogo poderia ter-se complicado para o FCP. Porém, o grego que atirou o Anderson para a enfermaria durante uns meses sem sequer levar um amarelo, deve ter pensado que tudo lhe era permitido e resolveu fazer uma daquelas suas entradas parvas sobre o Rodriguez - foi expulso por acumulação de amarelos (minuto 59).
E aqui começa a terceira parte do jogo: a jogar com 10 e tendo vários jogadores em perda física (Léo, Di Maria, Reyes, Yebda, etc.) o SLB encolheu-se no seu meio-campo já satisfeito com o mal menor que seria o empate. O Jesualdo fez a opção certa, tirando o Fernando e colocando em campo o Hulk, enquanto que o Quique das Flores fez entrar o Sidney para o lugar do avançado paraguaio. Isto era revelador dos diferentes estados de espírito das duas equipas. Mas, infelizmente, foi mais ou menos nesta altura que o Lucho deu o estouro e, sem alguém que desse uma orientação clara aos ataques do Porto, tudo se resumiu a jogadas individuais, nomeadamente do Hulk (que foi repreendido pelo treinador) e do Quaresma Wanna-Be Candeias. Conviria dizer ao moço que não é Quaresma quem quer e que se a táctica da equipa fosse cada um jogar sozinho nós não estaríamos em vias de vender o Mustang. Foi meia-hora disto: os nossos suplentes a quererem resolver o jogo para mostrar serviço, o resto da malta sem saber o que fazer à bola, as gaivotas a chutarem para a frente sem nexo, com os seus jogadores sempre no chão sempre que possível e, claro, depois de tantas paragens, uns meros 4 minutos de desconto, não fosse o Porto marcar mesmo e estragar a festa.
Resumindo: um desperdício que nos pode sair caro. O SLB de hoje não é uma equipa, é um bando de gaivotas vaidosas e sobre-valorizadas jogando ao sabor dos ventos. Se o Quique conseguir colocar aquelas flores a produzir algo para a equipa, estou certo de que os vermelhuscos vão estar na luta até ao fim - descontando a fragilidade defensiva que se conhece e o bruta-montes francês, o resto da malta vai forçosamente produzir mais. O que significa que o Porto deveria ter ganho este jogo. Resta-me então agradecer ao grego ter-nos dado um golo de avanço e 30 minutos em vantagem numérica. Lamentavelmente, com o Lucho esgotado, não soubemos fazer a nossa parte.
Assim a quente, sinto uma frustração enorme pela oportunidade que tivemos de golear o 4º classificado em sua própria casa. Estou mesmo revoltado. Depois de esfriar a cabeça, escreverei sobre o jogo. Pode ser que o poncio se adiante a mim, mas, pelo que conheço dele, também não lhe deve apetecer muito escrever o que quer que seja hoje...
PS - Então o Reyes? E o Di Maria? E o Aimar? Era, não era?
1. O sorteio da Liga dos Campeões colocou-nos num grupo difícil, daqueles que exigem às equipas o necessário estofo de campeões para seguirem em frente. Não é o grupo que todos queriam, mas também não é um grupo aterrorizador. O Arsenal está ligado a um dos traumas de Jesualdo Ferreira. Agora que não há nem Ricardo Costa nem Marek Cech, espero que o nosso treinador vá a Inglaterra jogar olhos nos olhos com a equipa de Wenger, que continua a ser uma grande equipa, mas não é nenhum papão. O Fenerbahce é melhor que o Besiktas, que nos calhou no ano passado. Li uma estatística que diz que, nos últimos 10 jogos em casa para a CL, ganharam 9 e empatarm 1, tendo passado por lá equipas como o Chelsea e o Inter (que perderam, já agora). A nossa maior estratégia passará por uma atitude mental fortíssima na Turquia. Quanto ao Dínamo de Kiev, se for aquela pálida equipa que defrontou o Sporting no ano passado, então digo que temos obrigação de fazer 6 pontos com eles. A ver vamos. O primeiro jogo será de extrema importância, e aí teremos de dar uma primeira estocada no Fenerbahce.
2. A notícia da renovação de Lucho Gonzalez é uma grande notícia com um "timing" nada inocente. No dia em que se avança para a venda de Quaresma por 26 milhões (+ Pelé), esta notícia sobre Lucho poderá amenizar um pouco as hostes, algo desiludidas pelo valor "baixo" por que o cigano é vendido. Não sei quanto valerá Pelé, nesta altura. Nunca o vi jogar praticamente. A única vez que o fiz foi para ver uma entrada sobre um checo e ser expulso com vermelho directo, o que não é, para mim, o melhor cartão de de visitas. Para ter feito tantos jogos no Inter da época passada, deverá valer alguma coisa como jogador. A ver vamos... Quanto a Quaresma, compreendo a recessão que atravessa o mercado europeu, mas os 30 milhoões, no mínimo, seriam o preço justo a pagar pelo jogador (nunca os 40 milhões que o nosso Presidente referiu, com muito bluff à mistura, digo eu...).
3. Suazo chegou para o quarto classificado (ou deverei dizer oitavo?). Espero um dia vir a saber de onde vem tanto dinheiro. Espero também que haja alguém na comunicação social que decida investigar ou tão somente fazer as perguntas básicas. De qualquer maneira, não podem jogar todos, mas têm a possibilidade de ficar, em teoria, com um banco mais forte. Por outro lado, não têm defesa-direito de raíz no plantel... As declarações do Suazo já as ouvimos antes a uma imensa lista de jogadores: o Benfica é grande, enorme, grandíssimo, estratosférico. Muda a cara, mas a cassete é a mesma. Os resultados os mesmos, também. Já agora, a avaliar pela "bela" montagem do Record, o Suazo tem um braço direito que mede cerca de 2 metros! Será para andar à chapada no balneário?
O Vitória Bufo junta-se ao seu amiguinho na Taça Uefa. E, ironia das ironias, pelos vistos foi-lhes mal anulado um golo que dava a passagem. Recorram ao TAS, telefonem ao Platini, chorem no ombro do Vieirinha dos Pneus. Amanhã, assistam ao sorteio no conforto do sofá.
O grande estratega da risca ao meio já tinha avisado: os senhores de preto iam perseguir o Sebordem até ao final do campeonato. E, para que esses avisos tivessem algum eco, nada melhor do que um penalty muito mal assinalado quando os lagartos já venciam por 3-0.
Aquela parte já foi alvo da análise do Guardabel; a parte que pretendo colocar em evidência é a brilhante declaração do Paulo Bento: "sobre a expulsão, dou o benefício da dúvida" - mas afinal, qual era "a dúvida"? A falta foi flagrante, sem bola e por detrás; não existia nenhum outro defensor em condições de intervir no lance: "benefício da dúvida"? O árbitro não tinha outra alternativa a não ser mostrar o cartão vermelho ao Polga.
Resumindo, o suposto prejuízo dos interesses desportivos do SCP resultou tão somente da intervenção incorrecta do seu defesa central - o resto é o folclore do costume no clube dos viscondes: coisas feitas para condicionar as arbitragens das jornadas seguintes e desculpar potenciais insucessos. É justo reconhecer que, com um orçamento mais curto do que o SLB, este aprendiz de treinador tem obtido melhores resultados do que os seus comparsas da 2ª Circular, mas conviria que os jornais estivessem mais atentos a estas declarações absolutamente despropositadas e não colocassem sempre a dúvida sobre a "verdade desportiva" quando as asneiras dos supostos prejudicados são tão grandes.
É já na próxima quinta-feira que o Benfica não vai ficar a saber quais os seus adversários na fase de grupos da Liga dos Campeões. A expectativa é grande entre os adeptos do 4º classificado, que não temem não cair num grupo difícil. Entretanto, Pobo do Norte soube junto da UEFA que o sr. Luis Filipe Vieira foi convidado para ser o grande protagonista do sorteio da Liga dos Campeões, convite ao qual disse imediatamente sim. Amigo de longa data, Michel Platini exigiu às altas instâncias da UEFA que fosse Luis Filipe Vieira a tirar as bolinhas mágicas dos potes no sorteio desta quinta-feira. O amigo Miguel Seara teve a gentileza de nos enviar uma imagem do ensaio geral (parece que a parte de Vieira foi muito demorada porque ele insistiu até à última que pusessem no pote um papelinho a dizer "SL Benfica").
1. Entrámos neste campeonato com uma vitória, podíamos ter goleado, mas acabámos por sofrer muito. Contámos também com uma arbitragem estranha que, inclusivamente, levou A Bola a escrever isto sobre o árbitro: "Foi permissivo com alguns jogadores do Belém e esteve muito mal acompanhado pelos assistentes, em prejuízo do FC Porto.".
2. Se Lisandro tivesse chegado ao Dragão na presente época, o que de mal já não se teria dito dele? É assim a vida de um jogador de futebol. Desejo que Licha suba os seus índices de eficácia o que, traduzido de manuelmachadês quer dizer, que desate a marcar golos como tão bem sabe fazer.
3. Ao invés, Mariano Gonzalez parece outro. Nunca vai ser um Quaresma, mas tem atributos que faltam ao cigano. Desejo que mantenha este nível. E que falta fez na supertaça.
4. Hulk espetou uma bofetada de luva branca naqueles comentadorzecos das Tvs que decidiram implicar com ele desde o momento em que pisou solo português. E foi apenas a primeira. Preparem-se que vai haver mais.
5. Em Alvalade, o Trofense mostrou que não está familiarizado com a palavra "defender", nem com o conceito "marcar o jogador adversário". Muito fraco. Pior só o árbitro-assistente que assinalou aquele penalti. Agora vamos ter que levar com os calimeros do costume durante todo o campeonato. "Ah, e tal, se não fosse aquele penalti..." Estão a ver?
6. Em Vila do Conde, duas constatações: primeira, afinal Aimar ainda não chegou. Estou a falar, claro, daquele Aimar que A Bola seguiu diariamente e rotulou do maior craque jamais visto em Portugal e que só Rui Costa seria capaz de trazer para cá; segunda, Yebda lesionou Carlos Martins com uma cabeçada. E sumaríssimo? Cuidado com o "Fernando-Aguiar-francês". Espero que no próximo sábado, o Lucho saiba como fugir deste gajo.
Aproxima-se o início do campeonato, mas já se fala do jogo que vai opor o 4º classificado ao tricampeão nacional. Parece que o clube da gaivota se prepara para homenagear os seus atlestas olímpicos no jogo da 2ª jornada contra o FC Porto. Um desses atletas é o grande Nélson Èvora (sabiam que foi atleta do FC Porto?), brilhante campeão olímpico de Pequim. Nada mais adequado: prestar homenagem ao vencedor do TRIPLO salto no jogo contra o vencedor do TRIPLO campeonato. Pobo do Norte sabe de fonte segura que correm rumores que confirmam boatos que adiantam uns zuns-zuns de que Nélson Èvora se prepara para oferecer a medalha de ouro a Luis Filipe Vieira. A confirmar-se, ficará claro que nunca a expressão "entregar o ouro ao bandido" fez tanto sentido.
À medida que o FC Porto vai ganhando campeonatos e o Sporting supertaças e taças de Portugal, o futebol português arrisca-se a entrar numa monotonia capaz de levar ao desespero o quarto classificado e a respectiva imprensa que precisa de grandes feitos do seu clube de coração para conseguir vendas de jeito.
Sinceramente, este tipo de "monotonia" não me desagrada, exceptuando o facto de que as ditas vitórias lagartianas estarem, ultimamente, a serem obtidas à nossa custa. É claro que, quando festejarmos o TETRA, daqui a alguns meses, já toda a gente se esqueceu desta supertaça, mas quem lá esteve não. São esses quem mais sofre, aqueles que têm acompanhado a equipa nestas finais. Sofrem porque lhes é negado o direito de festejarem uma vitória numa final. Todos sabemos como é diferente festejar numa final e festejar ao longo de um campeonato, contextos completamente distintos. E os nossos adeptos já merecem festejar uma vitória numa final.
De resto, já digeri esta derrota de sábado, aliás, como digiro qualquer derrota do FC Porto (felizmente, raras). No dia seguinte, acordo com a chamada "neura", ainda a pensar como foi possível aquilo acontecer. A fúria instala-se quando observo as primeiras páginas dos jornais desportivos e leio alguns comentários dos jornaleiros anti-FCP (nós sabemos quem são). Dois dias depois, analiso racionalmente a derrota, leio o fórum portista e alguns blogues. Três dias depois, já passou à história e já estou a salivar pelo próximo jogo, que, neste caso, é contra o Belenenses.
Paralelamente, a novela Quaresma vai ocupando as mentes portistas durante todo este mês. Acredito que até ao final desta semana a coisa se resolva e que a saída do mustang seja confirmada. Seria catastrófico ficarmos com um jogador contrariado no plantel, por muitas alegrias que ele nos tenha dado.
Perder três taças seguidas para o Sporting não é normal numa equipa como a do FC Porto. Se nas duas anteriores tivemos a infelicidade dos árbitros contra nós, em lances capitais, agora não podemos dizer o mesmo (ainda que a complacência de Xistra para com a violência de Rochemback e Caneira seja digna de resgisto). Até acho que o lance do penalti a nosso favor deixa muitas dúvidas, pois parece-me que Caneira cabeceia para o braço.
Ao contrário dos jogos anteriores com o Sporting, não entrámos apáticos nem a medo. Fomos pressionantes e dividimos o jogo com o adversário. Este optou por fazer muitas faltas na zona do meio-campo, cortando desde aí a construção equilibrada do jogo portista. Para além disso, foi notória a intenção, por parte de Derlei e Djaló (principalmente o primeiro), desde o início, de fabricar livres à medida de Rochemback. Qualquer marcação em cima, qualquer contacto perfeitamente normal era aproveitado para cair em busca da falta.
O remate de Lucho ao poste foi a primeira e única ocasião de golo dos primeiros 44 minutos. Depois, veio ao de cima aquilo que já se evidenciou por diversas vezes: a incrível sorte que o Sporting tem tido nos jogos contra nós e a incapacidade de termos um médio-defensivo que faça esquecer Paulo Assunção. O golo do Sporting, marcado em tempo de compensação, é o resultado desses dois factores. Primeiro, Guarín tem uma deficiente abordagem a Romagnoli, sendo muito macio na forma como deixa o argentino ganhar o lance. Segundo, aquele passe, encontra a perna de Benitez, que, sem querer, a coloca nos pés de Djaló. Este e outro jogador do Sporting estão sozinhos perante um defesa do FCP, mas é preciso não esquecer que o passe de Romagnoli não ia para ali e a defesa portista acompanhava um jogador do Sporting que, não fosse o ressalto em Benitez, iria receber a bola.
Era claramente injusta a vitória do Sporting ao intervalo, mas ela passou a ser justa, na minha opinião, quando fazem o 2-0, fruto de erros que eu pensava já não serem possíveis no FCP. Sapunaru é o nome do "réu" e eu espero que tenha sido apenas um dia muito mau do romeno. É óbvio que a partir do momento em que oferecemos assim um golo e eles têm defesas que não têm a "gentileza" de o fazer a nós, o Sporting passa a justo vencedor.
Falar de Jesualdo é também necessário, porque a colocação de Farías no meio e de Lisandro na linha foi um tiro no pé. Falar a posteriori é fácil, mas este filme já foi visto anteriormente. Creio que Hulk reunirá, neste momento, melhores condições de ser primeira opção, em vez de Farías. O brasileiro entrou numa fase de descrença geral da nossa equipa (Lucho, por exemplo, "desapareceu" depois do penalti falhado) e foi ele (a par de Candeias), com algum individualismo à mistura (mas tinha de ser!), e manter-nos à tona da água. À sua conta lembro-me de pelo menos três remates perigosos para defesas de Rui Patrício (grande exibição).
Voltando à posição de médio-defensivo, acho que Guarín não reune condições para a desempenhar, pois, apesar de correr muito, parece que nunca está no sítio necessário para cortar os lances adversários. Por vezes a bola parece-lhe um corpor estranho e erra passes muito fáceis. Começo a perceber por que jogou tão pouco no St. Étienne. Fernando pode ser hipótese para aquele lugar, ou até Raul Meireles, com a entrada de Tomás Costa, um jogador de qualidade e com um pulmão inesgotável. Nas laterais, talvez fosse altura de entrar Fucile, um jogador rotinado com a equipa, a questão é saber para que lado. Crucificar Sapunaru já, retirando-o da equipa seria demasiado cruel. Tirar Benitez, que tem estado bem, na minha opinião, também soa a injustiça...
Tenho fé que já contra o Belenenses a equipa vai dar uma resposta positiva a começar a caminhada para o TETRA. É bom não esquecer que Sektioui ainda está de fora e que - nunca pensei dizer isto - temos de contar Mariano Gonzalez.
Alguns jornais já haviam noticiado a peculiar forma da RTP, da SIC e da TVi se referirem à judoca Telma Monteiro. É que todos os outros membros da comitiva olímpica eram referidos como o fulaninho XPTO, modalidade YX -bnnem sombra de menção escrita ao clube de origem. Mas a Telma não: a menina bonita do judo português era a "atleta do Benfica".
Confirmou-se agora que, na realidade, a Telma é mesmo atleta do Benfica: como tinha aspirações às medalhas e acabou num banal 9º lugar, resolveu atirar a culpa para os árbitros. Definitivamente, merece o sublinhado - "atleta do Benfica".
Os jogos "a sério" estão quase a começar e, em função do que vi este fim de semana, tanto o FCP como os seus rivais lisboetas estão a melhorar (no caso do clube da gaivota era difícil fazer pior).
O nosso Porto
Tem o 11 quase "fechado", sobrando apenas a incógnita Quaresma.
Na baliza estará o Hélton (e, quanto a mim, sem discussão).
Na defesa, os centrais serão os do ano precedente, Bruno Alves e Pedro Emanuel, embora me encha de satisfação saber que a primeira opção do banco é o Rolando e não o desastrado do Stepanov.
Nas laterais temos surpresas: na direita o romeno Sapunaru ganhou o lugar porque é discreto, sólido a defender e joga bem de cabeça; na esquerda, o argentino que não parecia grande coisa cresceu muito com os jogos amigáveis - este lugar é do Benitez. O Fucile vai ter que aguardar e o Lino passará mais um ano entre o banco e a bancada porque é um defesa que ataca melhor do que defende.
Sem surpresas, a única coisa que faltava saber era quem ocuparia o lugar do Assunção. O Jesualdo parece certo na sua aposta no Guarin - eu, devo confessar-vos, apesar do seu poder físico, da capacidade de aparecer no ataque e das semelhanças com o saudoso Emerson (um luso-brasileiro que veio do Belenenses para brilhar no nosso clube), considero que o colombiano ainda não mostrou merecer a distinção. O resto das vagas, claro, são do Meireles e do intocável Lucho Gonzalez. No que respeita à posição 6, descartando o Bolatti (a maior desilusão dos últimos 2 anos), eu apostaria na adaptação daquela espécie de Maniche com ar de refugiado da Etiópia - o Tomás Costa - ou no jovem Fernando.
O ataque é um sector que conta agora com mais e melhores soluções: o Lisandro é indiscutível e, pelo que já mostrou tanto no SLB (otários...) como nos jogos de preparação, o Rodriguez também. A outra vaga será do Quaresma ou, na eventual saída deste, do Mariano (que tem melhorado mas não me convence). Restam ainda soluções como o Farias (um homem a precisar de jogos) e o Hulk, que mostrou capacidade técnica, força e vontade de marcar a sua posição, ainda que a ansiedade esteja a transformar o seu jogo num monólogo. Nas alas teremos ainda o marroquino Tarik e o jovem Candeias (que não me parece ser melhor do que Hélder Barbosa, que foi mais uma vez emprestado...). Não sei quando volta o Rabiola mas duvido que seja homem para jogar mais do que uns minutos na Taça de Portugal ou na Taça da Liga.
Os outros
O Sporting
Está quase igual ao ano precendente. Voltou o Rochemback e com ele voltaram os livres directos, o excesso de peso e as birras. Se não sair ninguém do meio-campo (Moutinho ou Veloso) mais tarde ou mais cedo o verniz vai estalar. A adição do Postiga é, a meu ver, mais uma oportunidade para um jogador talentoso mas indolente. E as suas exibições da pré-temporada têm confirmado isso: entre ele e o Tiui nem dá para distinguir. Em compensação, o Djaló parece estar com a corda toda.
Resumindo: com a adição do Rochemback terão ganho a oportunidade de marcar golos de livres directos e o Caneira é um faz-tudo útil para quem tem dois laterais medianos e um GR que não dá segurança a ninguém. Têm mais opções no meio campo e no ataque, mas é mais em quantidade do que em qualidade. E deixar o Vukcevic de lado é algo que só faz sentido naquela cabeça de risco ao meio.
O Benfica
A limpeza de balneário do espanhol vai certamente criar uma nova onda de entusiasmo, mas convirá dizer que o SLB investiu mais este ano do que nas últimas 3 ou 4 épocas juntas. De onde veio o pilim, dado que as vendas deste ano são quase nulas, ninguém sabe. E não é com kits que se vai buscar dinheiro para pagar Aimares e Reyes... Cheira-me a fuga para frente.
Seja como for, descontando a desgraçada defesa, que continua entregue à liderança desse embuste chamado Luisão, mesmo perdendo 2 dos 3 melhores jogadores da época 2007/2008 (o Rui Costa, o Rodriguez e o Cardozo), o benfas melhorou.
No meio campo, a posição 6 vai ser um problema: entre o armário francês e o imprudente Bynia, as escolhas não são muitas - na verdade, o melhor deles todos é o "central" grego. Bom mesmo foi livrarem-se do pagamento dos salários do Petit.
Mais para a frente, o Carlos Martins e o Ruben Amorim disputarão a vaga (no 4-4-1-1 jogarão os dois). O lugar de "10" organizador é do Aimar, quando o Quique perceber que é um desperdício ter um jogador daqueles perdido nas costas do ponta-de-lança.
No ataque, já deu para ver que o Balboa é um Taument mais jovem, que o Reyes vai preencher o lugar esquerdo (ou o lugar de "falso" avançado sempre que jogarem em 4-4-1-1) e que o lugar da frente é do Cardozo. Na hipótese de 4-3-3, não sei se espanhol apostará no Balboa ou no Di Maria.
Conclusões
Seja como for, a ideia com fiquei é que estão todos mais fortes do que em 2007/2008 e que o Guimarães estará mais fraco (e sem o "factor surpresa" a seu favor). Mas, com mais soluções e mais equipa, como de costume, estamos nós, a caminho de mais uma vitória.
Luís García está quase. Miccoli e Smolarek podem ressuscitar. Luís Garcia já esteve mais perto. Veloso quer pôr-se ao fresco. Carlos Martins gosta de sumir do jogo, desculpem, de assumir o jogo. Luís Garcia, será desta? Moutinho quer dar de frosques. Aimar continua a encher de água a boca dos benfiquistas (não se afoguem). Quique Flores dá exemplo de Valência (também ficou em quarto, parece-me bem). Já disse que Luís Garcia pode ser hoje? Ou não?
Entretanto, houve um clube vestido de azul-e-branco e campeão por três vezes nos últimos três anos que ganhou o Torneio Internacional de Braga de forma categórica, ainda fazendo experiências (como outros...), mas demonstrando já solidez e capacidade para vencer adversários medianos (que outros não conseguem vencer...).
Chegados a esta fase, e após ter visualizado a maior parte dos jogos de pré-época, deixo aqui algumas linhas sobre os reforços, correndo o risco de me contradizer em relação a análises prévias. Mas "isto é mesmo assim", as opiniões vão evoluindo, assim como os jogadores também o fazem, para o bem e para o mal. Então, é assim:
Sapunaru - Não é um Bosingwa (quem consegue ser?), mas tem a vantagem de ter mais massa encefálica do que o grande José. Pode ser o titular da equipa. Alto, forte no choque, parece-me um jogador que interpreta bem o dois-contar-um. Deve ganhar velocidade.
Rolando - Não ainda não o vi dar barraca como outros jovens promissores contratados por 4ºs classificados a peso de ouro. Rolando está a ganhar confiança e, para já, revela saber sair a jogar sem recorrer ao pontapé "à Ramaldense". Será a primeira opção para entrar quando Pedro Emanuel não puder, já que Stepanov não serve.
Benitez - Tem mostrado um crescendo exibicional que me agrada. O seu último jogo, contra o Leixões, foi o melhor (apesar de os comentadores da SporTV terem o texto decorado para uma opinião diferente), revelando capacidade de marcação em cima (com recurso exagerado à falta, é certo, mas esse é um aspecto que saberá melhorar) e boa utilização do pé esquerdo ao nível do passe e do remate. Para já, prefiro-o a um Lino que simplesmente... não sabe defender.
Fernando - Continuo a achá-lo o candidato mais sério à substituição de Paulo Assunção. Ainda vai evoluir muito, mas já demonstra capacidade de preencher defensivamente os espaços (coisa que Bolatti, por exemplo, não sabe fazer) e sair com a bola bem jogável. A questão é que com tantas soluções ao nível do meio-campo, haverá espaço para fazer evoluir Fernando? Ou será melhor emprestá-lo mais um ano para que possa definitivamente impor-se para o ano, mais experiente?
Guarín - Fez um péssimo jogo contra o Leixões e deitou por terra tudo o que se tinha dito de bom deste colombiano. Não o vou julgar apenas por este jogo, mas já deu para perceber que parece o reforço menos enquadrado com o jogo europeu, no qual pensar e executar rápido são atributos essenciais.
Tomás Costa - Ora aqui temos, provavelmente, uma versão argentina do "Maniche" dos bons velhos tempos. Disponibilidade física, rapidez, entrega, capacidade de passe (longo, inclusive), bom remate de fora da área. Tomas Costa leva a dianteira sobre Guarín, neste momento, e se quisermos pensar num jogador "à Porto", podemos olhar para este argentino.
Rodriguez - É preciso dizer alguma coisa?
Hulk - Duas meias partes é muito pouco para se fazerem juízos definitivos, mas o que de positivo parece ressaltar deste jogador é a capacidade de drible com o pé esquerdo (não há muitos que façam o que ele fez ao GR do Cagliari), velocidade em explosão, remate potente. De negativo, até agora, um exagerado apego à bola, típico de quem tenta provar imediatamente que é grande e que mereceu o investimento nele feito. Calma, incrível Hulk, sabemos o que vales.
Tengarrinha - Vi pouco dele, mas pelo menos não se atrapalhou com a bola.
Candeias - Faz da rapidez a sua principal arma, mas tem que meter na cabeça que os adeptos do FC Porto não querem um Quaresma-wannabe, mas um Candeias que ponha em campo todas as suas qualidades. E parecem-me ser muitas.
Quaresma é provavelmente o primeiro jogador do FC Porto que me suscita opiniões completamente antagónicas. Por um lado, o grande jogador de futebol que é, um marcador de golos impossíveis, um assistente para golos mais que possíveis, um mágico ao nível de outros que passaram pelo clube. Por outro, o homem arrogante, pouco receptivo a críticas, pouco solidário, indisciplinado. Não sei se o próprio Quaresma já reparou, e isto é fácil de perceber percorrendo a blogosfera e os fóruns portistas, mas os portistas em geral estão neste momento mais preocupados com uma eventual saída de Lucho Gonzalez do que com a sua. Isto devia fazê-lo pensar um bocadinho, e chegar à conclusão que não é tão indispensável como se calhar pensa que é. A memória dos jogadores por vezes é curta, mas os portistas lembram-se bem de quem era Quaresma quando foi resgatado ao Barcelona. Quaresma fazia já parte da extensa lista de falhanços que o futebol português produziu por essa Europa fora e preparava-se para entrar no extenso rol dos esquecidos. O FC Porto tirou-o da penumbra e deu-lhe as condições para que o seu futebol voltasse a brilhar. Eu espero sinceramente que Quaresma encontre um clube que lhe permita fazer o que de bom ele fez no FC Porto, um clube que o acolheu, mimou e aturou. Duvido muito que encontre esse clube na Europa, principalmente ao mais alto nível, como é o caso do FC Porto. Deixo-vos com três momentos sublimes do Quaresma que todos gostamos (uma produção de DRubio992, no You Tube):