
A rescisão de Paulo Assunção é uma má noticia. Perdemos um dos esteios deste TRI-campeonato, um "low-profile" que muito contribuiu para os êxitos mais recentes da equipa. Um jogador que fez esquecer Costinha e que Lucho e Licha, por exemplo, qualificaram como "o melhor jogador do campeonato".
Está instalada a discussão por essa blogosfera e foruns portistas. Por um lado, defende-se o jogador, apelidando de incauta, no mínimo, a SAD portista, que foi incapaz de lhe dar a mesmas condições salariais de outros jogadores do clube (porventura até menos utilizados...). Acusa-se o clube de um erro crasso ao mesmo tempo que se compreende que um jogador, prestes a fazer 28 anos, queira fazer o contrato da sua vida. Por outro lado, apelida-se o jogador de Judas, um traidor ao clube que lhe deu uma segunda oportunidade e fez dele o que ele é hoje, ainda para mais depois de declarações recentes do seu agente, que adivinhavam que tudo iria ser resolvido a bem da duas partes. Sinceramente, sem uma posição oficial por parte da SAD (que apenas publicou no site oficial uma declaração objectiva sobre a questão), acho que não vale a pena entrar, para já, em cenários extremos, quer de condenação do jogador quer da SAD do FCP. Esperemos para ver. Uma coisa é certa: perdemos Paulo Assunção, tal como um dia perdemos André, Emerson, Paulinho Santos, Doriva, Paredes, Costinha,... e sempre soubemos dar a volta por cima e substituir este grandes jogadores.
Uma boa parte da discussão sobre este caso prende-se também com a possibilidade, segundo alguns, de o jogador ter um compromisso já antigo com o quarto classificado. À luz da famosa "lei Webster", o jogador terá de iniciar a próxima época no estrangeiro, mas mesmo neste ponto as opiniões divergem.
Eu estou mais preocupado com a saída do Paulo Assunção do FCP do que com a ida do Paulo Assunção para o benfiquinha, clube cujas experiências passadas com jogadores do FCP foram um verdadeiro fracasso. Mas, pondo esta mera hipótese em cima da mesa (na qual eu não acredito), o que passaria pela cabeça de um jogador, na plena posse das suas capacidades mentais, ao fazer semelhante troca? Para não falar no facto de que não acredito que o quarto classificado estivesse em condições de dar ao jogador aquilo que o FC Porto se recusou a dar...
Foi este single que, em 1980, eu e a minha irmã oferecemos aos nosso pai por ocasião do seu aniversário. A canção é de 1978 e hoje tenho o prazer de a oferecer a todos vós, visitantes do Pobo do Norte. Obrigado por passarem por aqui.
Porto, Porto, És o Campeão! (zip)
Letra: Pedro Caminha e Vieira Mendes
Música: Manuel Reis
Ouvir:
[Actualização: o Estilhaço, do Bibó Porto, Carago, tomou a iniciativa e converteu o post num documento .pdf para todos guardarmos e divulgarmos. Um obrigadão do tamanho do TRI ao Estilhaço. O documento está aqui: CSI_Calabote]
Todos nós já ouvimos falar do caso Calabote. Conhecem-se alguns factos, emitem-se algumas opiniões e fazem-se juízos de valor, muitas vezes baseados em pressupostos falsos. Poucas pessoas sabem, com precisão, o que envolveu este caso que resistiu à passagem do tempo e ainda hoje é referido em várias discussões de futebol. É preciso não esquecer que tudo isto aconteceu há 49 anos, daí ser natural que muita informação se tenha perdido no tempo, muitos dados tenham sido alterados e outros mesmo omitidos, de acordo com algumas conveniências.
Este foi apenas um exemplo do que os benfiquistas querem a todo o custo negar. As evidências estão aqui, é só ter a coragem de as assumir. E no meio de tudo o que vão ter a oportunidade de ler, o árbitro era a questão menor. Não inocente, mas efectivamente menor. O Benfica tinha um ascendente sobre os clubes mais pequenos, controlando-os, fazendo o que bem entendesse, tanto a nível de treinadores como de jogadores. Este ascendente estendia-se aos jornalistas, sempre prontos a defender o seu clube de coração e a criar mitos (como ainda hoje se verifica). Há muitos blogues benfiquistas que se têm dedicado a, segundo eles, repôr a verdade (deles), atribuindo a Calabote o estatuto de história quase ficcionada. O que esses textos que abundam na net (e um célebre *.pdf que o Benfica colocou no seu site) não contam é a história “para além” de Calabote. A história que aqui poderão ler, na íntegra.
O título desta rubrica é CSI – Calabote Scene Investigation, aludindo ao nome de Inocêncio Calabote, um árbitro de futebol. Mas o âmbito deste trabalho vai muito para além deste homem. De facto, como já disse antes, a questão do árbitro que esteve no Benfica-CUF de 1959 é apenas um pormenor, como terão oportunidade de constatar. O conjunto de textos que a partir de hoje se publicam no Pobo do Norte resultam de uma leitura atenta de jornais da época. Quem não acreditar no que aqui se escreve, tem onde comprovar.
CSI – Calabote Scene Investigation (I) - Contextualização
Estamos na época de 1958/1959. Na 25ª jornada do Campeonato Nacional da 1ª Divisão, o Sporting vence o Benfica por 2-1, deixando o FC Porto à frente da classificação a uma jornada do fim. No entanto, Benfica e Belenenses ainda têm um jogo para disputar entre si. Eis a classificação:
1º FCP – 25 jogos – 39 pts. (78-22)
2º SLB – 24 jogos – 38 pts. (70-18)
3º Belensenses – 24 jogos – 35 pts. (62-25)
4º SCP – 25 jogos – 31 pts. (49-26)
A 19 de Março de 1959, Belenenses e Benfica repetem o jogo que tinha sido anulado por ordem da Federação devido a erros técnicos do árbitro em prejuízo do Belenenses. Na altura do jogo anulado (1 de Fevereiro de 1959), o SLB comandava o campeonato com mais 3 pontos que o Belenenses e mais 4 que o FCP. O Belenenses protestou o jogo. Sendo contrariado pelo Conselho Técnico da Federação, recorreu para o Conselho Juridiscional, que considerou procedente o protesto e anulou o jogo. Recorde-se que a grande rivalidade da época era entre o Benfica e o Belenenses.
Ironia do destino: O Belenenses, que, na altura do primeiro jogo, poderia aspirar seriamente ao título se tivesse ganho (o que não aconteceu, pois ficou 0-0), agora, na repetição, já sabe que nem com a vitória poderá lá chegar, nem sequer melhorar o 3º lugar que ocupa. Quanto ao Benfica, se ganhar este jogo em Belém, pode passar para primeiro lugar, com um ponto de vantagem sobre o FCP, a uma jornada do fim. No entanto, o resultado verificado é... 1-1! E FCP e SLB entram para a última jornada empatados em pontos, mas com o FCP a superiorizar-se no desempate por goal-average geral, com 4 golos de vantagem: mais 7 marcados que o SLB, mas mais 3 sofridos do que a equipa da Luz. Isto porque no confronto directo entre as duas equipas, a questão está igualada, pois nas Antas registou-se um 0-0 e na Luz 1-1... Conclusão: na última jornada o SLB tem de ganhar sempre por mais de 4 golos de diferença em relação aos números da possível vitória do FCP sobre o Torriense.
1º FCP – 25 jogos – 39 pts. (78-22)
2º SLB – 25 jogos – 39 pts. (71-19)
Note-se que o FC Porto foi considerado arredado do título, tendo estado a 5 pontos do Benfica (numa altura em que a vitória vale 2 pontos...). Mudou de treinador durante a competição, e com Bella Gutman chega à última jornada com uma série de 15 jogos consecutivos sem conhecer a derrota.
De Bela Guttman conhece-se a frase "Se a bola não é nossa, marca. Se é nossa, desmarca”, mas não será esta que ficará para a história. É ele que vai levar o FC Porto à vitória no campeonato, depois de ter chegado a meio da época (1958/1959). É húngaro e antes de vir para o FC Porto, treinou em Itália (AC Milan, entre outros) e no Brasil (São Paulo FC). Foi neste país que implementou o seu sistema revolucionário de 4-2-4 que foi adoptado pelo Brasil na primeira vitória num campeonato do mundo (1958, Suécia). Depois do FCP, seguir-se-á a selecção nacional e o Benfica, ao serviço do qual treinará Eusébio e companhia. Será dele, quando sai do Benfica, a tal frase que o imortalizará: "Sem mim, o Benfica nunca mais ganhará uma Taça dos Campeões Europeus". E nunca mais ganhou.
Voltemos à 26ª e última jornada do campeonato naciona de 58/59. O Benfica recebe a CUF (8º lugar e em risco de ir jogar o torneio de mudança de divisão) e o FC Porto vai ao terreno do Torriense (14º lugar e último, em riscos de descer). Portanto, ambos os adversários dos dois grandes têm muito a perder, jogando uma cartada decisiva para a manutenção na 1ª Divisão.
CSI – Calabote Scene Investigation (II) – A arbitragem
1. Penaltis
No jogo Benfica-CUF, Inocêncio Calabote assinala três penaltis a favor do Benfica. Todos os jornais são unânimes em considerar os penaltis como tendo realmente existido, à excepção do primeiro, que origina o 2-0.
O Mundo Desportivo (23/03/59) diz que "...foi à custa de uma grande penalidade inexistente que os lisboetas conseguiram marcar o segundo tento. Cavem foi de facto obstruído (...) e a falta só exigia livre indirecto." E acrescenta: "Talvez por isso o sr. Inocêncio Calabote tenha tido tanto cuidado na apreciação das faltas dos cufistas evidenciando o propósito de, a ter que se enganar, o fizesse em relação à equipa que nada sofresse com a derrota. Assim podem anotar-se-lhe frequentes erros de julgamento, benefícios do infractor e, para culminar, aquele exorbitante "penalty" que deu o segundo golo dos encarnados."
2. Minutos de compensação
Numa altura do nosso futebol em que apenas se pode fazer uma substituição, Calabote dá alguns minutos de compensação. Há jornais que falam em 3 outros em 4. O Presidente da Comissão Central de Árbitros falará, mais tarde, em 5 ou 6 minutos. Note-se que o jogo já começou oito minutos depois da hora marcada, o que leva a que os jogadores do FC Porto fiquem em campo cerca de um quarto de hora depois do seu jogo terminar ouvindo o relato pelos rádios dos adeptos que acompanharam a equipa a Torres Vedras. O entrar em campo propositadamente atrasado é, portanto, um hábito que vem de longe.
O Mundo Desportivo (23/03/59) considera “exagerado (...) o período de três minutos regulamentar para contrabalançar os momentos gastos em propositada demora pelos cufistas". Este jornal fala de três minutos e na crónica do jogo não há referência a qualquer tipo de anti-jogo ou jogo violento da CUF. No Jornal de Notícias, fala-se em 4 minutos de descontos numa “partida que foi jogada a grande velocidade e sem perdas de tempo”. Só A Bola, na voz de Alfredo Farinha, diz que a CUF “queimou muito tempo”. Alfredo Farinha, sim, esse mesmo...
Estes minutos de compensação estarão na base da irradiação do árbitro. No Jornal de Notícias (26/03/59) pode ler-se uma notícia com o título "BENFICA-CUF e o relatório do sr. Inocêncio". O texto é o seguinte: "A Comissão Central de Árbitros decidiu pedir esclarecimentos ao árbitro sr. Inocêncio Calabote sobre certos passos do relatório do jogo Benfica-CUF (...). Naquele seu documento, o sr. Inocêncio teria declarado que o jogo principiou às 15h, terminado a primeira parte às 15:45h. No que respeita à segunda parte, concedeu dois minutos como compensação de tempo perdido, registando o fim do encontro às 16:42.
Atendendo a que o jogo foi minuciosamente relatado pela rádio e seguido com extrema atenção por milhares e milhares de pessoas, estas declarações oficiais do sr. Inocêncio não deixam de reflectir com despudor (para se não ir mais longe...) a todos os títulos lamentável – já pela sujeição voluntária à desconfiança pública, já pelo desprestígio daí decorrente para a função.
E estamos certos de que a CCA, já com obra notabilizada em todos os aspectos da arbitragem (...) não deixará de corrigir esta ofensa à... evidência pública."
O Norte Desportivo (26/03/59) escreve o seguinte título: “Inocêncio Calabote em “maus lençóis”! E acrescenta que “No boletim do jogo SLB-CUF, o árbitro eborense faltou à verdade.” O texto acusa o árbitro de “falsear a verdade num boletim” e revela que “Antes de ser irradiado, esse indivíduo apressou-se em pedir a demissão...”. Mais adiante acrescenta: “Na verdade, o senhor Calabote deu-se ao luxo de redigir o mais falso de todos os boletins de todos os jogos de futebol”, pois, segundo o relatório do árbitro “O jogo principiou às 15h e a 1ª parte terminou às 15:45. A 2ª parte começou às 15:55 e terminou às 16:42 (dei 2 minutos de compensação)”. O Norte Desportivo qualifica este relatório como “...a mais sensacional mentira do ano, com a gravante de ter sido num documento oficial...”. Segundo os dados do jornal, “O jogo SLB-CUF começou às 15:07, isto, 7 minutos depois do das Covas” (nr: Covas era o nome do campo do Torriense, onde jogava o FCP). “O encontro Torriense-FCP terminou às 16:48”. “Se fosse assim, não se teria passado nas Covas o que milhares de pessoas viram, isto é, toda a gente aguardando o termo do embate entre o Benfica e a CUF.”
Nesta mesma edição de o Norte Desportivo, publica-se este curioso texto: “UM RELÓGIO PARA O SR. INOCÊNCIO CALABOTE
Um leitor escreveu-nos a fazer a sugestão que não podemos perfilhar. Pretendia que nas nossas colunas abríssemos uma subscrição para se adquirir um relógio que seria oferecido ao sr. Inocêncio Calabote, de Évora. Dizia o nosso correspondente: “Se o seu relógio se atrasa 5 em 45 minutos, o sr. Calabote corre o risco de chegar ao campo numa 2ª feira para arbitrar um desafio marcado para o domingo anterior” A sugestão tem graça – e não ofende!”
O Norte Desportivo de 9/04 publica o seguinte texto, com muita ironia à mistura:
“O árbitro Calabote respondeu e foi imediatamente suspenso!
Vai ser levantado um inquérito às declarações do juiz eborense que deve ser considerado como o inventor do "relógio-elástico".
Finalmente o sr. Inocêncio Calabote respondeu ao questionário que a Comissão Central de Árbitros lhe enviou, solicitando esclarecimentos sobre a cronometragem do jogo Benfica-CUF, no qual o referido indivíduo interveio como juiz da partida.
O sr. Calabote limitou-se a dar uma resposta ultra-sintéctica, afirmando que no seu relógio eram precisamente 15 horas quando deu o início ao jogo. Isto é, confirmou as declarações que redigiu no boletim. Em face da firme atitude do enérgico árbitro, a Comissão Central que – honra lhe seja feita – pugna pela manutenção do prestígio da causa que orienta, resolveu suspender preventivamente o sr. Inocêncio Calabote até à conclusão de um inquérito a que mandou proceder. A suspensão é admissível, porquanto o regulamento a tal permite.
Assim, para já, o sr. Calabote corre o risco de deixar de apitar, visto que será fácil ao inquiridor colher os elementos indispensáveis para comprometer irremediàvelmente o árbitro.
Não será exagero aifrmar-se que cerca de 500 mil pessoas, pelo menos, tomaram conhecimento da irregularidade da cronometragem no referido jogo. A Imprensa e a Rádio (as excepções confirmam a regra), em coro, apontaram a deficiência. Por conseguinte, não é de crer que um homem só, malèvolamente, fique a coberto de qualquer sanção disciplinar severa.
O sr. Inocêncio Calabote ao reafirmar o que escreveu no boletim fez admitir que inventou um relógio elástico, visto que só concedeu, segundo disse, dois minutos por tempo perdido quando, na verdade, esse prazo atingiu os 5 minutos.”
Sete meses mais tarde, o Mundo Desportivo (12/10/59), numa pequena caixa, num cantinho da página, refere que "O árbitro Inocêncio Calabote, da Comissão Distrital de Évora, foi irradiado após conclusão do respectivo processo disciplinar".
A Bola, do mesmo dia, dá a mesma notícia num cantinho da primeira página e, em 7 de Novembro, publica uma entrevista ao do Dr. Coelho da Fonseca, Presidente da Comissão Central, que justifica a irradiação do árbitro: "O sr. Inocêncio Calabote foi demitido de árbitro por motivos ligados ao prolongamento do jogo Benfica-CUF (...) Como é do conhecimento público, esse jogo principiou cerca de dez minutos depois da hora marcada e teve um prolongamento de cinco ou seis minutos. Tanto o atraso como o prolongamento não constituem, em si mesmos, ínfima matéria de culpa. O erro do sr. Calabote consistiu em pretender convencer-nos, contra as evidêncidas dos factos, de que principiara o encontro às 15h precisas e de que o prolongara por dois minutos apenas. É aqui, nesta atitude escudada e incompreensível, que o antigo árbitro eborense deixa de merecer a confiança do público e da CCA".
Ao Norte Desportivo (15/10/59), o Dr. Coelho da Fonseca diz que Calabote “é (...) um caso de ordem moral. Inocêncio Calabote fez uma coisa em campo, aliás controlada por toda a gente, e escreveu, precisamente, o contrário no boletim de jogo. Isto somado a uns tantos casos já passados com o referido árbitro levou-nos à decisão tomada.”
Agora eu pergunto, por que razão se manteve Calabote fiel à sua versão, se lhe era tão fácil admitir que tinha começado o jogo mais tarde e prolongado o mesmo para além dos limites do razoável? A quem serviria esta teimosia do sr. Calabote? Por quem se sacrificou o sr. Calabote? A resposta está boa de ver...
CSI – Calabote Scene Investigation (III) – Os jogadores
1. Gama e António Manuel
No Estádio da Luz, o guarda-redes da CUF, de nome Gama, foi substituído quando a equipa perdia por 5-1. Os jornais dão conta de que terão sido os próprios jogadores da CUF a pedirem ao treinador que substituísse Gama. De facto, havia algo de errado com aquele guarda-redes.
No Mundo Desportivo (23/03/59) pode ler-se: “Gama, o guardião da turma que a determinada altura foi substituído aparentemente cansado do trabalho aturado que teve de suportar, respondeu-nos quando o interpelámos: "Faz pena, depois de tamanho esforço e tenacidade desenvolvidas verificar que o Benfica não conseguiu o número de golos suficiente para chegar a campeão! E a verdade é que ocasiões não lhe faltaram." Ora, um homem que tinha encaixado 5 golos e via o seu clube ter de disputar um torneio para conseguir a permanência, lamentava o facto de o Benfica não conseguido “o número de golos suficiente para chegar a campeão”. Que pensarão os adeptos benfiquistas donos da moral e da verdade sobre estas declarações?
Uns dias mais tarde, Gama, por se saber alvo de "malévolas insinuações" pediria para ser ouvido pela direcção do clube... O que é certo é que as suas declarações não ajudaram em nada e contribuíram, digo eu, para concluir sobre o ascendente psicológico (para não lhe chamar outra coisa...) que o Benfica tinha sobre os adversários.
José Maria, o guarda-redes substituto, diria: "Os benfiquistas obrigaram-me a trabalho intenso, e confesso que tive de realizar várias defesas em condições difíceis. Quanto ao resultado, considero-o expressivo em demasia, visto que nele interferiu o desacerto da arbitragem." Repare-se na diferença entre as declarações de um e de outro.
Ao Norte Desportivo, o treinador da CUF, Cândido Tavares, declara: “Não posso acreditar no que se diz a respeito de Gama e, embora não seja seu costume falhar tantas jogadas, creio na sua honestidade!” “Simplesmente ele esteve, no domingo, demasiado infeliz.” “Vendo isso, e ainda porque dois dos seus próprios companheiros me solicitaram que alterasse o desempenho posto, mandei-o sair do terreno. Estava muito nervoso, e manifestava sintomas de total desorientação. Todavia daí a aventarem-se torpes insinuações terá de percorrer-se larga distância.” Bem, algo vai mal quando são os próprios colegas a solicitarem a substituição do seu guarda-redes...
2. Torres Vedras
A equipa do FCP no jogo contra o Torreense era composta por Acúrsio; Virgílio, Miguel Arcanjo e Barbosa; Luis Roberto e Monteiro da Costa (cap.); Carlos Duarte, Hernâni, Noé, Teixeira e Perdigão. O presidente do clube era o Dr. Paulo Pombo.
Dias antes do jogo, Monteiro da Costa, capitão do FC Porto, declarava: "Calcule que nesta semana não pudemos realizar um treino de conjunto com todos os nossos jogadores. Faltaram-nos o Hernâni, o Arcanjo e o Barbosa, os três em Lisboa por causa da selecção militar. Eu compreendo os interesses da selecção, mas numa altura destas de campeonato, com um jogo decisivo para a tribuição do título, é, evidentemente, uma dificuldade que nos foi criada". O regime funcionava a favor do clube da capital.
A força psicológica dos jogadores do FC Porto via-se nestas declarações de Pinho: "Para nós o jogo de Torres Vedras inicia-se com 4 golos do Torriense. Ou, começando com 0-4, o FCP tem de ganhar o jogo. Ao ataque – será a palavra de ordem. E se conseguirmos superar aquela margem, seremos campeões."
O Mundo Desportivo refere, na análise ao jogo, a "Dupla tristeza (dos jogadores do Torriense) porque, na maioria, os jogadores além da fuga ao último lugar também desejariam que o campeão se chamasse Benfica..."
A crónica fala de um penalty sobre Carlos Duarte, aos 18 minutos da 2ª parte, cuja "nitidez da falta tornou bizarra a decisão do árbitro, mandando prosseguir o jogo e ignorando a grande penalidade que se impunha assinalar". O Jornal de Notícias também se refere a esse penalti.
Na apreciação ao árbitro Francisco Guiomar, o Mundo Desportivo diz que "...foi muito "caseiro" (aquele penalty negado aos portuenses é inaceitável), contemporizou com a rudeza em excesso por demasiado tempo e regra geral acompanhou o jogo de muito longe..."
Na crónica do jogo fala-se em duas grandes penalidades por marcar a favor do FC Porto e da justa expulsão de Manuel Carlos, do Torreeense, por jogo violento.
Noticia o Jornal de Notícias que, dizia-se em Torres Vedras, "e os jogadores locais sorriam quando em tal lhes falava, que havia um prémio de cinco mil escudos para cada um no caso de conseguirem empatar ou pelo menos sofrer poucos golos." Esse prémio existiu mesmo, como vamos ver mais adiante.
Faltavam 2 minutos para acabar o Torriense-FC Porto, com o resultado em 0-1. Na Luz, verificava-se 6-1.
Nesta altura, as equipas estavam empatadíssimas na atribuição do título. Se assim tudo permanecesse até ao final jorgar-se-ia uma finalíssima entre os dois clubes. O FC Porto marcou o 0-2 e logo a seguir o SLB fazia o 7-1. Tudo na mesma. Um jogador do Torriense de nome Saldanha queimava tempo, chutando a bola para longe antes do recomeço. Por que razão queimava ele tempo, a perder por 0-2 a um minuto do fim? O árbitro, que já o tinha advertido várias vezes durante o jogo pelo mesmo tipo de conduta (atenção que o Torriense também precisava deste jogo para uma eventual, mas difícil, permanência na 1ª Divisão), considerou anti-jogo grosseiro e expulsou-o. No último minuto do jogo, Teixeira faz o 0-3, decidindo o campeonato para o FC Porto. Na Luz, o jogo acabava com 7-1. O FC Porto era campeão nacional por 1 golo:
Ambas as equipas com 17 vitórias, 7 empates e 2 derrotas.
1º FCP – 41 pts. – 81 golos marcados, 22 sofridos
2º SLB – 41 pts. – 78 golos marcados, 20 sofridos
Em declarações ao jornal A Bola, António Manuel, jogador do Torriense, dizia no final: "No meu último jogo ia dando uma vitória ao Benfica e não o consegui, o que lamento como benfiquista. O Porto talvez seja a equipa que pratica melhor futebol mas nós podíamos ter dado o campeonato ao Benfica. Paciência. Como homem do Benfica, sinto muito que assim não fosse." Note-se que o Torriense acabava de descer de divisão e a preocupação deste jogador foi a derrota do SLB no campeonato. Para o Mundo Desportivo, o jogador dizia "O Porto venceu mal. A arbitragem foi nitidamente favorável aos nortenhos." Claro que foi. E tu cheio de pena de descer de divisão.
Como final do campeonato, as competições oficiais iriam para durante 1 mês e meio, antes de se iniciar a Taça de Portugal (naqueles tempos a Taça jogava-se depois de o campeonato ter acabdo). Durante esse período, os clubes fizeram vários jogos particulares para não perderem a forma, tendo o Torriense feito dois jogos "de amizade" com o Benfica, um em
cada campo...
Virgílio, o Leão de Génova, jogador do FC Porto, com “os olhos humedecidos”, dizia ao Jornal de Notícias: "Pensava em ganhar, mas nunca julguei que custasse tanto. E já agora, um segredo: quando soube que o Benfica entrara em campo mais tarde 10 minutos para saber do nosso resultado, confesso que desanimei e julguei tudo perdido! Sabe o que nos valeu? Termos marcado muito tarde o segundo e terceiro golos! Lamento a maneira como os torreenses se portaram connosco. Mas tiveram o pago! Os jogadores e o público acenando-nos com lenços a 10 minutos do fim!... Lamentável!"
CSI – Calabote Scene Investigation (IV) – O treinador-adjunto do Benfica
Quem é Valdivielso?, perguntam vocês. Ora bem, este senhor era o treinador-adjunto do Benfica e surgiu, para surpresa e espanto de todos, no jogo Torriense-FC Porto, sentado no banco de suplentes do Torriense. Sim, leram bem. Não sei o que os adeptos benfiquistas que pugnam pela verdade desportiva pensam deste facto, nem sei se conseguem ter o discernimento para pensar nas implicações desta situação. Será que conseguem? Não vou fazer mais comentários, apenas deixar uma pergunta no ar: que tipo de ascendente tinha o Benfica, naquele tempo, sobre os clubes de menor dimensão, que lhe permitia ter atitudes destas? Passo a transcrever o que os vários jornais disseram sobre o caso. Note-se o tratamento dado à questão pelos jornais lisboetas.
O jornal A Bola, dá conta desta situação numa caixinha pequena na última página. O texto diz o seguinte: "Surpreendeu toda a gente a presença de Valdivielso, treinador-adjunto do Benfica, nos bancos dos técnicos do Torriense. Na verdade, o técnico benfiquista "viveu", longe da Luz, os "assaltos" finais deste emocionante campeonato.
Findo o jogo fomos encontrar Valdivielso, chorando na cabina do Torriense. Quisemos saber a razão da sua presença e acabámos por ser esclarecidos por Fernando Santos, orientador técnico da equipa de Torres Vedras, que nos afirmou: - Vldivielso não teve qualquer interferência na orientação da equipa, nem nós a aceitaríamos sequer. Veio a Torres como espectador e só por deferência esteve sentado junto a mim."
O Mundo Desportivo (23/03/59) apresenta um desmentido, através do qual Valdivielso diz que chegou à porta do campo e o fiscal negou-lhe a entrada porque o cartão não tinha validade. Os bilhetes estavam esgotados e dificilmente conseguiria lugar na geral. Foi saudar os treinadores do Torreense e contou-lhes o sucedido. Estes, "como cavalheiros", convidaram-no a sentar-se no banco, o que aceitou. Disse ainda que foi ver o jogo para observar um jogador do Torreense num jogo de responsabilidade com vista a futura contratação.
O Jornal de Notícias diz que Valdivielso orientou o Torriense no jogo com o FCP, tendo feito "uma longa prelecção antes de iniciado o encotro e deu novamente as suas instruções no intervalo do encontro".
O Norte Desportivo(26/03/59) publica uma imagem de Valdivielso no banco do Torriense. Com o título: “O treinador Valdivielso sujeitou-se a uma comédia imprópria dos desportistas”, o jornal denuncia “outras armas utilizadas e que transcendem a rotina para merecerem a classificação (lisonjeiro, acentue-se) de comédias...”. E adianta que “Antes do encontro, o treinador-adjunto dos encarnados esteve nos vestiários da equipa local e ali ministrou uma prelecção de ordem técnico-táctica. Depois acompanhou a equipa aé ao terreno e, com o mais espantoso à-vontade, sentou-se no chamado banco dos técnicos...”. E acrescenta: “Durante o jogo (...) deu instruções para o campo, fez gestos teatrais, refilou com o juiz-de-linha e até interferiu num ligeiro episódio com Hernâni”. E conclui: “Fernando Santos (nr: treinador do Torriense) é um indefectível benfiquista que reside há uma dezena de anos em Torres Vedras. Ambos prestaram um péssimo serviço à ética desportiva.”
O mesmo jornal, em 29/03, escreve: “Muitos leitores escreveram-nos e telefonaram-nos para aplaudir a censura que mereceu a atitude de Valdivielso (...) Alguns salientam a coragem que nos caracterizou. Coragem? Há exagero no emprego da palavra. Coragem teve-a o senhor Valdivielso ao desafiar, ostensivamente, o senso crítico de quem viu adoptar o comportamento que mihares de pessoas verificaram. Como estrangeiro, que presta serviço num clube português, o sr. Vladivielso devia ter estudado atentamente as consequências da sua atitude”.
E em 02/04, publica uma entrevista António Costa, defesa do Torriense, na qual ele diz: "Bem, ele não nos treinou. Esteve na cabina a conversar connosco e, depois, foi sentar-se no banco dos nossos técnicos. Mas não nos deu indicações algumas." "A verdade é esta: receberíamos, por intermédio dele, um prémio se vencêssemos ou perdêssemos com o Porto por margem escassa." "Cinco contos a cada jogador". "... quero esclarecer um ponto: Valdivielso não chorou na cabina, por termos perdido. Limitou-se a regressar a Lisboa com o dinheiro..."
O jornal Record resolve ignorar o assunto, mas vai mais longe. Pouco tempo depois, publica uma foto de Valdivielso sentado no banco do Casa Pia, num jogo particular desta equipa. Em tom de gozo, o jornal “alerta” para mais esta situação, como se fosse assunto para brincadeiras. A intenção é atingir aqueles que criticaram o comportamento do argentino. O Norte Desportivo foi um dele e não deixa o assunto cair no esquecimento. A 16/04, o jornal publica o seguinte artigo:
“VALDIVIELSO disfarça e um jornal aplaude
Causou a mais viva impressão a atitude de o Norte Desportivo ao censurar, sem evasivas, o prodecimento de José Valdivleilso, treinador-adjunto do Benfica, que por ocasião do jogo das Covas, disputado entre o Torriense e o FC Porto, se sentou no "banco dos técnicos" do clube de Torres Vedras e, com o mais espantoso descaramento, desatou a dar instruções aos jogadores do Torriense, manifestando o propósito declarado de ser hóstil ao FC Porto, numa partida cujo resultado interessava sobremaneira aos encarnados.
Um dos jornais que nada disse sobre a estranha como condenável atitude do treinador estrangeiro, que presta serviços num clube português, entendeu "colaborar" na sinistra manobra do sr. Valdivielso, publicando fotografias, decerto prèviamente estudadas, com o evidente intuito de diluir a gravidade da situação.
Trata-se do Record que não se sabe bem porquê decidiu, capciosamente, destruir a argumentação e as provas apresentadas pelo nosso jornal, conferindo a Valdivielso uma auréola de ingenuidade, admitindo como natural e defensável (!) o rosário de tristezas de que ele foi o principal intérprete.
Tendenciosamente, o Record procura estabelecer a confusão, comungando ostensivamente com o estilo do sr. Valdivielso. Este disfarça (desta vez surgiu sem óculos) enquanto um jornal aplaude.
Foi pena, realmente, que Record não tivesse iniciado a sua excelente campanha com a publicação da célebre fotografia do campo das Covas (nr. Campo do Torriense).
A provocação do sr. Valdivielso, ao sentar-se agora no banco do Casa Pia, representa um desafio à autoridade da Federação Portuguesa de Futebol. Indevidamente, embora os intuitos sejam claros, o treinador-adjunto do Benfica tomou lugar num banco de uma equipa estranha, com a agravante de se tratar de um jogo oficial.
Esperamos que a FPF se decida a zelar pela defesa da moral desportiva – punindo severamente um treinador que tão deploráveis exemplos dá aos jogadores que orienta.
A "mistificação-Valdivielso", lamentàvelmente estimulada por quem devia censurá-la, só representa um péssimo serviço prestado ao Desporto Nacional.”
José Valdivielso não seria punido e tornar-se-ia mesmo o treinador-principal do Benfica.
CSI – Calabote Scene Investigation (V) – Os jornalistas
1. Aurélio Márcio
O jornalismo afecto ao Benfica lamentava, com alguma subtileza, a perda do campeonato. Veja-se, a título de exemplo, o artigo de Aurélio Márcio, em A Bola:
"O Benfica seria campeão em França e Inglaterra
O FCP conquistou o título por um golo, que tanto pode ser o de Teixeira como o da CUF. Em França e Inglaterra, porém, o SLB seria campeão, pois o seu quociente (3,9) é superior em relação ao do FCP (3,6) (Nota: o quociente calculava-se dividindo o total de golos marcados pelo total de golos sofridos).
Fazemos votos para que numa próxima reforma do regulamento geral da FPF se recorra todos os meios de desempate, menos aos jogos extra, que não condizem com o espírito da competição."
O Norte Desportivo faz uma notícia bem corrosiva como resposta ao texto de Aurélio Márcio:
“O Benfica ficaria campeão em Inglaterra e em França, mas...
... em Portugal o campeão é o FCP.
Alguns colegas nossos do sul têm descoberto muitas coisas. São, realmente, uns verdadeiros sábios e, os seus devaneios, caprichosos, saem da vulgaridade. Agora descobriram que o SLB, se fosse na França e na Inglaterra, teria ficado campeão, pois seria utilizado o coeficiente de golos de golos. E foram tão”perfeitos” que até fizeram contas a demonstrarem que são excelentes aritméticos...
Mas a despeito dessas obrigações, ao simpático e popularíssimo Benfica o que interessava era ficar campeão de Portugal. Ora esse intuito é que não se corporizou, pois o campeão é o FCP.
Foi pena que os nossos ilustres colegas não informassem a multidão de quem ficaria campeão da Indochina, nas Filipinas ou na Patagónia.”
Excelente!
2. Alfredo Farinha
Talvez o mais nítido exemplo de jornalismo vermelho esteja na edição do jornal A Bola que fez a cobertura do jogo Benfica-CUF. Leia-se com atenção:
Título de primeira página: “JOGO EMPOLGANTE E DRAMÁTICO DE UM CAMPEÃO MALOGRADO”
Título no interior: "A EQUIPA CUFISTA QUEIMOU MUITO TEMPO!"
Excertos do texto, assinado por Alfredo Farinha:
"Estava escrito! Estava escrito que o Benfica perderia o campeonato! Eram estas, no final do empolgante e dramático jogo da Luz, as duas frases que britavam dos lábios de uma grande parte dos adeptos benfiquistas. Nem um grito de revolta, nem uma recriminação, nem um queixume. Apenas esta frase, dorida, magoada, empregnada de resignação e conformismo: "Estava escrito!".
Ela bastava, porém, para dizer tudo: para fazer justiça á grande e desafortunada exibição dos jogadores "encarnados"; para evocar as muitas oportunidades de golo perdidas por alguns dos seus avançados; para lastimar as atitudes de exacerbada hostilidade dos jogadores cufistas; para gritar o seu protesto contra a fatalidade de um campeonato perdido nos derradeiros instantes.
Mereceria o Benfica ter perdido este campeonato?
A pergunta talvez não tenha cabimento nas linhas desta crónica, que tem de cingir-se, apenas, aos acontecimentos do encontro da Luz. Calma e imparcialmente, porém, hemos de convir que na medida em que a questão do título estava dependente do número de golos que o Benfica marcasse na Luz, os seus jogadores e adeptos têm razão para se sentirem injustamente despojados do triunfo final. É que, independentemente das circunstâncias em que decorreram os últimos minutos deste histórico domingo de futebol; indepentemente mesmo do grande nível da exibição produzida pela equipa "encarnada", o Benfica poderia, deveria e merecia ter vencido a CUF por diferença superior a 6 golos"
(...)
"...a CUF não jogou, exclusivamente para si, mas também para uma outra equipa (a do FC Porto) que estava á margem da luta travada na Luz. Se assim foi – e por legítima temos a presunção – cremos existir aqui um problema de ética, digno de, em melhor oportunidade, ser devidamente apreciado e analizado"
(...)
Até que ponto é lícito a uma equipa defender, contra outra, de maneira ostensiva e contrária ás leis e espírito de jogo, os interesses de uma terceira? Não será esse procedimento tão incorrecto e antidesportivo como o inverso, isto é, o de facilitar, propositadamente, com o fim de prejudicar os interesses doutrem, a vitória do adversário? As perguntas aqui ficam, por ora sem resposta. Mas talvez valha a pena, em próxima oportunidade, tomá-las para tema de um artigo.”
Esta prosa quase nem merece descodificação. Está lá tudo, para quem tinha dúvidas. Lamentavelmente, o senhor Alfredo Farinha não se pronunciou em termos críticos, nos tempos seguintes, sobre a demora propositada em começar o jogo na Luz, ou sobre as declarações dos jogadores do Torriense, do próprio guarda-redes da CUF, ou sobre o caso do treinador-adjunto do Benfica, sentado no banco de suplentes do Torriense. Confirma-se, afinal, que, tal como hoje, a verdade desportiva só tinha uma cor: o vermelho.
Mais excertos, desta vez do texto sobre "O ambiente... fora do jogo"
"O Benfica entrou em campo com mais de 5 minutos de atraso. Alguém, perto de nós, alvitrou tratar-se de um estratagema, com o fim de manter o público e os jogadores ao corrente do que se passava em Torres Vedras.
Por essa ou outra razão, o certo é que, ainda o jogo não tinha começado e já um longo sussurro de sofrimento percorria as bancadas.
- O Porto já está a ganhar por 1-0!...
Mas não era verdade. Os portadores de aparelhos de rádio apressaram-se a desfazer o descoroaçante boato. E, desfeito o acabrunhamento do terrível pesadelo, as turbas tornaram a erguer-se, frenéticas, clamando:
- Benfica! Benfica! Benfica!
E foi como se a equipa encarnada tivesse marcado o seu primeiro golo antes de se dar o primeiro pontapé na bola...
(...)
E quem poderá contar os dramas íntimos de cada um? As lágrimas que não puderam chorar-se? Os gritos de dor que ficaram represados nos peitos?
Quem poderá apreciar, medir, descrever, a tristeza daquele lento, arrastado, quase lúgubre, debandar do Estádio da Luz?..."
Texto bastante riquíssimo do ponto de vista literário, sem dúvida. Mas estamos a falar de um jornalista. Imparcialidade? Não, isso era coisa estranha para os lados do jornalismo de Lisboa. Com este tipo de prosa, estou certo que se fabricou muito mito benfiquista. E, claro, omitiu-se muita matéria passível de censura.
Como curiosidade, o título de primeira página de A Bola sobre a vitória do FC Porto em Torres Vedras é um seco “OS PORTUENSES VENCERAM A SUA PRÓRIA ANSIEDADE” (da autoria de Aurélio Márcio).
CSI – Calabote Scene Investigation (VI) – Conclusões
TORRIENSE-FC PORTO:
- O treinador-adjunto do Benfica sentado no banco do Torriense, numa demonstração de domínio sobre os clubes mais fracos e subservientes ao Benfica.
- Os jogadores do Torriense a queimarem tempo, mesmo estando a perder e precisando do jogo para não descer de divisão.
- No final, um jogador do Torriense lamenta-se por... não ter conseguido dar o campeonato ao Benfica. Sintomático.
BENFICA-CUF:
- O jogo começa com muitos minutos de atraso.
- O árbitro, que era de Évora, marca 3 penaltis a favor do Benfica. O primeiro, curiosamente, falso como Judas.
- O guarda-redes da CUF é substituído depois do 5º golo do Benfica, a pedido dos seus colegas de campo. No final, lamenta que o Benfica não tenha conseguido os seus objectivos.
- O árbitro dá mais 4 minutos de descontos, mente no relatório e permanece fiel à sua versão. A soldo de quem?
Pela primeira vez no Pobo do Norte. Não perca, segunda-feira (26).
A derrota na final da Taça, e o modo como aconteceu, levantou tanta poeira que me parece agora relevante tentar esclarecer algumas dúvidas colocadas nos comentários ao meu post de domingo.
1º Independentemente do árbitro ter tido uma influência determinante no resultado final, o Sporting venceu porque os seus jogadores fizeram mais por isso do que os do Porto; nem que fosse só por este motivo, a Taça está entregue, parabéns e acabou-se.
2º As comemorações da vitória na Taça assumiram proporções nunca vistas, com políticos à mistura, benfiquistas extasiados e a imprensa em delírio - é bom ver tanta gente feliz. Por outro lado, se festejam a conquista da Taça de Portugal assim, que fariam se vencessem a Champions? Construiriam um mosteiro com o nome do Paulo Bento? Ninguém trabalhava na zona do vale do Tejo durante 15 dias (provavelmente não se notava a diferença...)?
3º A treta de que o FCP só vence com a ajuda dos árbitros e que todos os resultados obtidos se ficam a dever à corrupção é uma linha de argumentação que, mais do que insultuosa e desmentida por exemplos como o da final de domingo, começa a soar a cassete do PCP. Conviria que os Lucas deste mundo deixassem de beber tanto e começassem a ir ao oftalmologista, pelo menos uma vez por ano, porque o argumento está gasto. Existe uma justiça desportiva e uma justiça civil, que por mais anti-portista que sejam, temos que respeitar. Querer condenar por decreto da multidão de frustrados ou da obsessão de invejosos já é coisa de gente com maus fígados e problemas psiquiátricos - curem-se!
4º Como portista, e tendo presente que a nossa equipa tem (tinha) um orçamento para 2007/2008 que era o dobro do dos benfiquistas e sportinguistas, considero a conquista do campeonato uma obrigação cumprida com brilhantismo, mas entendo igualmente que, independentemente das condições em que fomos derrotados, a perda da Supertaça e da Taça de Portugal não são aceitáveis. A Taça da Liga (ainda) é uma competição menor, própria para testar reservistas, pelo que me é indiferente. Já quanto à Champions, passar a fase de grupos era o objectivo mínimo exigível, mas cair face a uma das piores equipas da fase de eliminatórias (ainda que com muito azar e alguma azelhice) foi um desperdício. Em resumo, por razões que detalharei num outro post, atribuiria a esta época, numa escala de 0 a 20, 13 valores.
5º O folclore em torno do Rui Costa já enjoa. O homem já foi santificado mais vezes pela imprensa e pelos jornais do que a Irmã Lúcia - não têm mais assunto? Produzam as novelas do costume, com os jogadores que querem ardentemente jogar no SLB, os milhões que 50 clubes europeus pretendem pagar pelo Luisão, os 200 golos que o matulão sul americano irá marcar no próximo campeonato, etc e tal - é isso é o que anima as hostes vermelhas e nos diverte. Esta coisa do Eriksson, do Quique Flores, do Laudrup e do Zico é um argumento muito fraquinho. Não percam tempo: contratem o Scolari, que é um anti-portista primário, para que seja demonstrado sem equívocos o (pouco) que vale este treinador brasileiro.
1. Começámos a perder esta final da Taça quando, por qualquer motivo que eu ainda gostava de ver explicado, não utilizámos o nosso defesa-extremo-direito. A ausência de Bosingwa foi decisiva no sentido em que, face ao cansaço do meio-campo, teríamos ali uma forma de pôr velocidade no nosso jogo, que foi o que nunca tivemos no Jamor. E depois não teriamos de suportar a invenção "João Paulo" a defesa-esquerdo. Como portista, exijo uma explicação oficial. Se se confirmar a teoria da "obediência" ao Chelsea e aos 20 milhões, considero um escândalo que nos subjuguemos a um clube estrangeiro desta forma e desde já culpo a SAD e o nosso presidente por este erro crasso de má gestão desportiva. Não tenho memória de ver um nosso jogador vendido antes da época terminar e proibido de jogar o resto dos jogos e ainda com contrato até 30 de Junho.
2. Perdemos também esta final porque a nossa primeira equipa, a tal equipa poupada nos últimos jogos do campeonato (excepto no jogo com o Nacional), surgiu em campo como que para fazer um frete, como se a época já estivesse ganha, os contratos com clubes estrangeiros assinados e o sol da Caraíbas à espera. Muito triste. E o pior é que já tinhamos tido contra o Nacional um exemplo desta postura, levando o treinador a fazer mais uma das suas famosas promessas, de que aquilo não se repetiria. Pois viu-se. Depois de uma entrada à "Gelsenkirchen", sem alma, sem união, sem velocidade, só um super Nuno evitou a vantagem do Sporting, que, na primeira parte, seria justa e natural. Quando equilibrámos o jogo, apenas conseguimos evitar que o Sporting conseguisse criar oportunidades, mas em termos de ataque, faltou-nos sempre aquele bocadinho assim...
3. Perdemos, finalmente, pelo árbitro, claro está. Não vou aqui dissecar lance por lance (o poncio já se referiu aos mais evidentes), apenas destaco a goleada que temos levado do Sporting, este ano, em termos de arbitragem. Tudo começou com uma supertaça falsa como Judas, em que o Sporting nada fez para ganhar, marcou um golo caído do céu e viu o árbitro ignorar uma jogada de vólei do Tonel dentro da grande-área. Depois, em Alvalade, com um banho de bola do FCP durante todo o jogo, mais uma vez, contaram com a ajuda, desta vez do fiscal-de-linha, não assinalando o fora-de-jogo que esteve na base do 2-0 e que tornou a tarefa impossível. Ontem, foi o que se viu. Palavras para quê? Viva a "nova era" do futebol português!
PS - Uma vitória do Sporting na Taça de Portugal já dá direito a festejos benfiquistas no Marquês de Pombal, a recepção apoteótica no Estádio de Alvalade e a recepção nada promíscua pela Câmara Municipal. Como os tempos mudam!
R-o-u-b-a-d-os. Para quem não percebeu: fomos roubados, uma vez mais, contra o mesmo clube, o tal que denunciou "o sistema".
Num jogo tristonho, com duas equipas cansadas, o Porto entrou a dormir, ofereceu três possibilidades de golo ao Sporting e só teve uma chance de marcar, aliás, a única oportunidade de golo da 1ª parte que não surgiu de um erro alheio. Ficou ainda a dúvida sobre o golo anulado ao SCP, que terá sido, em todo o jogo, a única intervenção do árbitro favorável à nossa equipa.
O resto foi o que se esperava: no mesmo lance, Lisandro cai duas vezes na área contrária, a segunda das quais devido a um empurrão do Polga (penalty por marcar nº 1) e nada. A bola é afastada da área , João Moutinho tenta chegar lá, mas uma entrada precipitada do João Paulo resulta num lance hiper-aparatoso (como todos em que o baixinho do SCP sofre falta) e num exageradíssimo vermelho para o defesa portista. Mais adiante, Abel haveria de fazer uma falta sem bola quando já estava amarelado mas o Olegário fingiu que nada se passou. Fantástica coerência de critérios...
Mesmo contra 10, e ao contrário do que havia conseguido na 1ª parte, apesar do espaço que lhe era concedido, o Sporting foi incapaz de criar perigo. E o jogo lá foi para prolongamento.
A parte final do prolongamento foi uma verdadeira palhaçada: em 1º lugar, já nem dava para perceber qual era a equipa que jogava com 10 e, para dar mais uma ajuda à "verdade desportiva", o Olegário deixou passar em claro um carrinho do Polga, mesmo no limte da área do Sporting, jogada em que o Lisandro pica a bola e o central contrário varre o argentino. Se, como as imagens indicam, foi sobre a linha, então é penalty (o 2º que nos foi negado) e, muito provavelmente, mereceria expulsão. O árbitro transformou o lance num pontapé de baliza...
Logo a seguir surgiu o golo do SCP, um lance feliz do Tiui, cujo remate foi embater no braço do Pedro Emanuel (está caído e de costas voltadas para o brasileiro) e entrou batendo na barra da baliza. O 2ª golo surge já na fase de desespero portista e serviu para disfarçar ainda mais a palhaçada que foi mais esta vitória do Sporting (o Porto já tinha visto negado um penalty claro na final da Supertaça).
Quanto à nossa parte da culpa na derrota: não se percebe como é que uma equipa que tem vindo a descansar continuamente (inclusivé no jogo com o Nacional...) chega à final desta competição com tão poucas energias. Para falar verdade, os únicos que mostraram estar em condições pressionar foram o Fucile e o Meireles (que, à custa de andar a "tapa fogos", dei o estouro antes do final dos 90 minutos). O Lucho esteve amorfo, o Lisandro falhou a única oportunidade clara que lhe foi oferecida, o Pedro Emanual está a ficar incapaz de lidar com estes ritmos, o Quaresma fez mais uns "números" que em nada resultaram e o resto do pessoal cumpriu os serviços mínimos. O Jesualdo errou ao colocar o João Paulo a defesa esquerdo - o homem já lhe tinha mostrado a sua incapacidade para cumprir tal papel no 1º jogo contra o Shalke - era preciso mais?
Mas, na realidade, perdemos porque a pressão sobre os árbitros, a tal "nova era do futebol português", é tão grande que eles tremem só de marcar um lance a nosso favor. Verdade seja dita, pouco fizemos para vencer, mas se isto continua assim, vai ser praticamente impossível ganhar jogos em que exista equilíbrio. Quanto ao "melhor futebol do SCP", agradeço que revejam o jogo e analisem os lances de perigo: nenhum surgiu de uma jogada com princípio, meio e fim. Nem a jogar com 12 contra 10...
O desespero tem destas coisas: as pessoas cobrem-se de ridículo, perdem a noção da realidade e acreditam em algo que só existe nos seus mais infundados e delirantes sonhos.
Vem isto a propósito de mais uma investida benficóide, desta vez com o propósito de inibir o FCP de participar na Champions de 2008/2009. Ou seja, aquilo que perderam no campo querem ganhar, à custa do clube que mais odeiam e invejam, na secretaria. Se já não bastasse a vermelhitude da justiça desportiva a que temos direito, a euforia justiceira dos jornais e a esperança de que a justiça criminal venha ainda a punir o Porto e o PC, agora temos os tristes "mais grandes do mundo" empenhados numa cruzada que consiste em derrotar a verdade desportiva na secretaria da UEFA.
Esta gente inqualificável não quer "justiça desportiva": estes pobres de espírito querem vingar-se de 25 anos de humilhações desportivas que, diga-se em abono da verdade, decorrem da capacidade que o FCP tem vindo a manifestar mas têm também como causa a gestão populista, histérica e fanfarrona daqueles que têm ocupado a cadeira do poder no Benfica.
Conforme já tive a oportunidade de escrever nos comentários de um post anterior, não alimento ilusões quanto à correcção e compatibilidade legal da actuação dos dirigentes desportivos do FCP. Aliás, não alimento ilusões quanto a nenhum dirigente desportivo, exceptuando o agora aclamado "denunciador do sistema", o lunático Dias da Cunha, que é demasiado burro para perceber o mundo em que se foi meter. Quero com isto dizer que se quiserem efectivamente punir todos os comportamentos tidos como desleais e potencialmente falseadores da verdade desportiva, vão ter que castigar todos os clubes e todos os dirigentes, em especial, os dos clubes do topo da tabela. Esta sanha contra o FCP e os seus supostos desmandos pretende limpar todas as irregularidades de terceiros, todas as golpadas dos outros presidentes, todos os títtulos ganhos com jogos no Algarve contra clubes que eram controlados por gente do clube campeão, etc., etc., como se castigando o FCP por algo que quase todos fazem ou faziam apagasse, nomeadamente, décadas de impunidade do clube do regime precedente.
Já aqui tinha escrito que o SLB é o "clube mais português de Portugal", mas esqueci-me de uma característica fundamental que suporta esta tese: a inveja. Na realidade, esta tentativa de, por todos os meios, prejudicar o FCP, é apenas uma manifestação de incapacidade e inveja.
A melhor comparação que encontro para descrever a forma como estes queixinhas se referem aos alegados actos do PC que terão beneficiado o FCP é esta: lembra-me aqueles automobilistas sem noção do ridículo, que com o seu Fiat Uno Tunning que vão na auto-estrada a romper, não conseguindo passar dos 160, mas que resolvem queixar-se à Brigada de Trânsito porque passou por eles um BMW a 200 à hora.
Enquanto este Sr. não se for embora, eu não me cansarei de dizer quão burro ele é. Escolher 23 no contexto actual era uma brincadeira de crianças mas este génio da bola consegue fazer maravilhas e meter a argola em qualquer situação.
Mais uma vez, o homem ditou a sua lista e fechou a conversa: só fala sobre os seleccionados - e os subservientes jornalistas metem a viola ao saco e, lá terá que ser, tentam fazer uma pergunta que não ofenda. Diz um deles: "garante que Ronaldo vai render na selecção como rende no Manchester United?" Confesso que o "garante" é um exagero mas considerei a pergunta "normal". Scolari, com ar de quem estava ali a fazer um grande frete, dispara: o MU tem outros jogadores que permitem que Ronaldo jogue como joga... Sim, e tem um treinador inteligente que não aposta em avançados "nulos" (já lá iremos...) quando tem extremos de qualidade e pode jogar com o Ronaldo no lugar em que ele marca golos no MU, não é verdade?
Uma parte substancial dss escolhas deste brasileiro que aturamos há cerca de 5 anos foram dentro do que qualquer adepto (portista, calimero ou galináceo) com 2 dedos de testa esperaria:
- Quim entre os 3 GRs
- Carvalho, Pepe, Alves, Bosingwa, Miguel e Ferreira na defesa;
- Deco, Moutinho, Meireles e Veloso no meio campo;
- Almeida, Ronaldo, Nani, Quaresma e Simão na frente.
Pois é, são 16 - faltariam 7 para os 23 eleitos - e o que é que o burro fez?
GRs - elegeu o calimero que tem estado encostado em Espanha e a jovem promessa frangueira que tem brilhado em Alvalade; o Ricardo era de esperar, porque é um seu protegido; mas o Rui Patrício??!!! O homem pode ser muito promissor mas o mínimo que se pode dizer do início de carreira sénior na baliza do SCP é que tem estado entre o mau e o sofrível. O Eduardo merecia este prémio e, na improvável hipótese do 3º GR jogar, dava certamente mais garantias. Agora só falta colocar o Quim no banco para a patetice ser total. Faltam 5.
Defesas - a escolha do Jorge Ribeiro é defensável, porque é o único lateral esquerdo "de raiz", ainda que tenha passado a época no Boavista como médio esquerdo ou como suporte do ponta-de-lança. Para Scolari, o facto de estar a caminho do SLB acrescenta o "click" que faltava... E dado que o Paulo Ferreira tem sido uma adaptação nem sempre bem sucedida, está bem. Quanto ao Meira, lá vamos ter que aturar este canastrão que, como o Bruno Prata refere no Público de hoje, é tão polivalente que tem o condão de nem ser grande central nem grande médio defensivo. Mas,enfim, como estes dois só jogarão em casos extremos, paciência. Agora já só faltam 3.
Médios- existem várias explicações possíveis para a escolha do Petit, mas nenhuma me satisfaz:
Teoria 1 - o Scolari tem medo que os gajos que bateram no Bexiga lhe encham a marmita se formos eliminados no final da 1ª fase e, sendo o Petit é o jogador mais "gangster" que existe no futebol nacional, vai "liderar" a sua segurança pessoal;
Teoria 2 - o brasileiro estava hesitante em escolher o "Nulo" Gomes (já lá iremos...) e como ainda não contabilizava o Jorge Ribeiro no contingente do SLB, já que o "maestro" se reformou, foi o Pequenino que sobrou...
Teoria 3 - é o único gajo capaz de partir uma perna a um adversário mesmo sem o treinador mandar.
Melhor ainda: suponho que a justificação para abdicar do Maniche (o melhor português no Euro 2004 e seguramente um dos melhores no Mundial de 2006) é a falta de jogos de que padece desde que foi para Itália. Claro está, o Ricardo também tem visto os jogos do lado de fora e o Petit, mais do que suplente, tem sido cliente da enfermaria da Luz durante toda a época. No estado físico em que se encontra, ele que nunca foi um primor técnico, vai ser o pior dos 23. Acresce que, na sua imensa sabedoria, Scolari ainda pode fazer dele titular... Coragem: já só faltam 2.
Avançados: com o Quaresma, o Simão e o Nani, não havia necessidade de "encostar" o Ronaldo às laterais. Por esse motivo, daria para levar somente dois pontas-de-lança, uma vez que já é difícil arranjar um que tenha o mínimo de qualidade para não fazer má figura naquele ataque. Assim, o Hugo Almeida seria a minha escolha de "menos mau", tal como acontece com a maioria dos inquiridos nas múltiplas sondagens. Depois disso? Bem, depois disso, o nosso infeliz seleccionador foi arrancar o Postiga do seu exílio na Grécia (onde tem estado lesionado e poucas vezes fez algo de significativo) e, "surprise", mesmo tendo feito a época mais miserável de que há memória, elegeu o Nuno Gomes como o 23º da lista. Neste caso, a única desculpa possível reside na falta de alternativas: olhando para a lista dos melhores marcadores da Liga Bwin só se descobre um português no 9º lugar (Quaresma, 9 golos) e, entre os pontas-de-lança lusitanos, o 1º surge em 10º, chama-se João Paulo e alinha no último classificado do campeonato, pelo que os seus 8 golos em 17 jogos têm pelo menos a virtude de serem muito mais improváveis do que os 10 obtidos pelo nosso extremo. Apesar disso, eu preferia apostar, por exemplo, no relativamente jovem Edinho (que deixou o Setúbal a meio do campeonato e tinha 6 golos) do que no cada vez mais inconsequente Nuno Gomes, no desperdício de talento que é o Postiga ou no pobre goleador do Leiria. E nem pensar no Makukula, cujo afastamento do 11 benfiquista foi a única decisão acertada do Chalanix.
Voltarei ao assunto em próximos posts, onde prometo igualmente falar na glorificação do "maestro" da orquestra de baile e no reincidente Messias sueco.
E no meio da histeria colectiva que se apoderou dos anti-portistas primários, lá vamos nós fazendo o nosso caminho. Mais uma vitória, desta vez com a equipa dos menos utilizados. Continuo a dizer que deveríamos ter jogado com os "reservas" contra o quarto classificado. Terminámos o campeonato com uma vitória, um campeonato que olhámos com curiosidade de lá de cima. Fomos nós e os outros todos juntos. No basquetebol ganhámos o primeiro jogo da final à Ovarense e no hóquei em patins vencemos o primeiro jogo das meias-finais contra a Juventude Viana. Somos assim. Ganhar está-nos no sangue. Entretanto, o Bosingwa, como se sabe, um produto da corrupção, junta-se à lista de jogadores vendidos ao longo das épocas e que nos ajudaram a ganhar títulos. Também eles fruto da corrupção, certamente.
O benfiquista Ricardo Costa falou e disse: o FC Porto tentou corromper dois árbitros e, por isso, deve perder seis pontos. Não interessa aqui se os ditos jogos nada revelaram de anormal. Não interessa se um deles até terminou empatado e no outro até foram mais os erros do árbitro a favor do adversário do que a nosso favor. O que interessa é que Jacinto Paixão papou umas brasileiras pagas pelo nosso Presidente (que se movimenta bem nesse âmbito, mas isso é lá com ele) e que Augusto Duarte recebeu, em casa de Pinto da Costa, um envelope com dinheiro. Este último caso, claro, carece de prova, mas basta a palavra insuspeita de Carolina Salgado para que o benfiquista Ricardo Costa fique convencido.
Ora, os nossos regulamentos dizem que quem tenta corromper e não consegue perde pontos. Foi isso que aconteceu para desespero de muitos bons chefes de família benfiquistas. É curioso verificar que são os nossos adversários que invadem blogues portistas e fóruns desportivos em fúria e completamente transtornados com uma decisão de que todos já tínhamos conhecimento e que eles temiam. Por vontade deles, abria-se uma excepção aos regulamentos e mandava-se o TriCampeão para a segunda. Lamentavelmente tal não é possível, porque uma das coisas que a democracia nos ensinou é que os regulamentos são feitos pelos homens livres e têm de ser respeitados por esses mesmos homens livres. Noutros tempos, talvez fosse fácil abrir excepções para favorecer o clube do regime. Hoje, não.
Por isso é com um sorriso nos lábios que observo esta sede inquisitória dos acólitos da Santa Madre Igreja Benfiquista enfurecidos por terem de levar com o FC Porto, mais uma vez, na mesma divisão e, mais uma vez, a conquistar um TETRA. Quanto ao resto, olhem, deixo-vos com as declarações de Rui Reininho ao Mais Futebol: «Estas tramóias de juízes não me interessam, eu só quero saber de golos, de ir ganhar à Luz e agora ir ganhar a Taça. Também já levei seis pontos na cabeça e sobrevivi».
É preciso começar por dizer que aquilo que a nossa equipa fez, no jogo com o Nacional, foi uma falta de respeito pelos sócios e adeptos do clube. 42 mil portistas dirigiram-se ao estádio para fazerem deste último jogo mais uma festa e despedirem-se da equipa condignamente no que ao estádio do Dragão diz respeito para esta época. O que os adeptos não esperavam é que a equipa resolvesse não comparecer ao jogo. Apenas as camisolas andaram por lá. A atitude, a concentração, a união, o espírito de grupo e de combatividade – tudo isso esteve em parte incerta. Até o talento faltou. E o resultado até foi o que menos importou.
Jesualdo Ferreira tem responsabilidades. Foi inadmissível que o treinador do FC Porto embarcasse com os jornalistas, durante a semana, na conversa das transferências. O treinador do FC Porto não tem de gracejar sobre transferências, muito menos comentar que o facto de se falar muito sobre possíveis saídas tem sempre a vantagem de fazer subir o “leilão” e enriquecer os cofres do clube. Todos já sabemos disso. Agora, o treinador do FC Porto não tem que o referir durante a semana. Os jogadores ouvem o mister falar assim e já não estão com a cabeça no jogo. Viu-se um Quaresma e jogar sozinho (mais uma vez…), viu-se um Bosingwa nitidamente em poupanças (onde está o Bosingwa de há 5 ou 6 jogos atrás?), viu-se um Bruno Alves a falhar passes incríveis, viu-se um Lucho estranhamente apático. Viu-se uma equipa esfrangalhada, em que todos pareciam querer jogar no miolo, e ninguém se entendia. Enfim, uma noite à Benfica. A única diferença é que o nosso treinador, na conferência de imprensa, consegue juntar palavras de modo a fazer frases com sentido.
A história do jogo foi também construída por um moço chamado Fábio Coentrão, de quem Portugal já se tinha esquecido, desde o momento em que passou de futura estrela gloriosa a exilado na Madeira. Ninguém mais ouviu falar nele até ao jogo de sábado. É curioso verificar que o FC Porto tem o dom de fazer de jogadores do quarto classificado estrelas por um dia (os famosos 15 minutos de Warhol...). Desde os tempos de César Brito, jogador mediano que marcou dois golos nas Antas até a este Coentrão, passando por Mostovoi, que um dia marcou um livre sem espinhas nas Antas, ou Laurent Robert, o homem que proporcionou a Baía o último frango em estilo da sua carreira. Mostovoi haveria de se fazer jogador no Celta de Vigo (clube amigo...), mas todos os outros se desvaneceram na poeira do tempo.
Pode ser que esta derrota tenha tido o condão de acordar a equipa para a realidade de ainda termos uma Taça de Portugal para ganhar. Mas foi pena. Frete por frete, deveriamos tê-lo feito em Guimarães.
Agora é que estou apreensivo.