Existe quem não veja por ser cego e quem não veja nada por se recusar a olhar: os Inuites e os Lucas deste mundo pertencem a esta última categoria. Mas estas visões toldadas pelo clubismo exacerbado são toleráveis. Porém, o "Já produzimos um Quaresma, produziremos muitos mais", o "Rolha" e, em especial, o "Poncio, seu ranhoso" já fazem parte de um nível de indigência, ignorância e imbecilidade que não tem cabimento nesta comunidade.
Este blog é um espaço aberto para todas as opiniões, desde que as pessoas mantenham um nível mínimo de civismo e respeito pela inteligência de terceiros e, nessa medida, gostamos de ver por aqui os vermelhos, os verdes, os de xadrez e todos aqueles que quiserem discutir e partilhar as suas visões sobre o futebol português. Aliás, o direito à asneira é universal... e nós somos democratas - e não temos saudades do antigamente, do tempo em que o Benfica ganhava campeonatos.
Vem isto a propósito do meu post sobre o jogo SCP-FCP de ontem e de me terem acusado de "racismo" e de não ter a noção da "importância nacional do Eusébio na história de um País". Pois bem, eu não me referi em contexto algum à cor da pele do dito senhor e confesso que não consigo entender "importância nacional do Eusébio na história", neste caso, do meu país. Porque a "história do meu país" não se resume ao futebol e, como é óbvio para alguém que tenha lido pelo menos um livro na vida ou tenha chegado ao fim do 1º Ciclo do Ensino Básico sem passagens administrativas, pelos exemplos que dei (Pessoa, o Camões e o Afonso Henriques) seria normal considerar a frase do jornalista da TVi uma alarvidade sem justificação alguma. O Eusébio foi um fantástico jogador de futebol, levou a selecção nacional "às costas" no Mundial de 1966 mas não deixa de ser somente um símbolo importante para o futebol português e, em especial, para os benfiquistas. Resta-me acrescentar que o dito Sr. é muito pobrezinho de espírito e não diz nada que se aproveite, o que faz todo o sentido tratando-se de um benfiquista do antigamente (os mais recentes nasceram numa era que já lhes deveria ter permitido limpar aquela gosma bafienta d'"o Benfica é uma nação").
Quanto ao jogo, para aqueles que têm dificuldades em ver e em ler português corrente, aproveito para simplificar:
1. apesar da alegria momentanea de tanta gente, 8 pontos é muita coisa; 11 são ainda mais!
2. o SCP não se encolheu deliberadamente - passou o jogo todo encolhido e na segunda parte foi completamente dominado;
3. o 2º golo é irregular e pronto, do mesmo modo que o SCP ganhou e "pronto";
4. não vibro com vitórias morais nem fico angustiado com derrotas em que fomos a melhor equipa em campo, tivemos montanhas de oportunidades de golo e, todavia, perdemos - a jogar assim é impossível perder muitas vezes num curto espaço de tempo;
5. o Bruno Alves merecia ter sido expulso e, sem prejuízo desta ilação, o Liedson também;
6. o tratamento televisivo dos lances duvidosos foi tendencioso e os canais estão na mão dos jornalistas vermelhos e verdes - ao fim da noite registei mais uma pérola da TVi: a propósito da lesão provocada pelo avançado sportinguista, e depois de terem zurzido no Bruno Alves, disseram que "o guarda redes portista foi vítima de si mesmo". No comments...
7. Resumindo: foi um "banho de bola" e, jogando assim, vamos certamente ser campeões e o pessoal que entra em festa por estar a menos de 9 e 12 pontos terá que viver o resto da temporada desta alegria fugaz e com o receio que o Guimarães lhes roube a oportunidade de nos envergonharem na Champions do próximo ano.
Eu compreendo a alegria que ia na alma de qualquer sportinguista no final do jogo. Também eu a senti quando o FC Porto ganhou ao Manchester United ou ao Chelsea no Dragão há alguns anos. Só que desta vez o FC Porto fez muito mais em Alvalade do que os ingleses no Dragão. Com efeito, ver a nossa equipa ser completamente dominada em quase todos os parâmetros do jogo - posse de bola, remates à baliza com perigo, bolas nos postes, e, acima de tudo, qualidade de jogo inegável - e no fim sair com uma vitória por 2-0 deixa qualquer sportinguista com vontade de acender umas velinhas a Nª Srª de Alvalade (se não existir, inventa-se porque a ocasião assim o merece).
A meio da primeira parte, mais ou menos depois do remate de Pedro Emanuel, na grande-área, à figura de Rui Patrício, desisti de acreditar que iríamos virar o resultado. Em vez disso, deliciei-me com o jogo produzido pelos nossos jogadores. A certa altura já não era o resultado que importava, mas sim a qualidade com que nos mostrávamos em campo, como que dizendo aos 38 mil espectadores que ali estavam: nós não somos deste campeonato, jogamos na Europa.
Sim, não marcámos qualquer golo, e o Sporting marcou dois em dois minutos. E daí? Alguém se atreverá a dizer que o Sporting foi melhor? Alguém poderá negar que o FC Porto jogou um futebol que mais ninguém joga neste campeonato? Quem for sério e honesto responderá não àquelas perguntas. É óbvio que, de sportinguistas calimeros e benfiquistas ressabiados, por muito bem falantes que se mostrem, não espero um assomo de honestidade. Até porque não preciso dele para nada. O que os meus olhos viram, eu sei.
Por falar em ver, estava curioso para ler o tratamento que a imprensa sulista ia dar a este jogo. E não posso dizer que tenha sido surpreendido. Tive acesso ao jornal A Bola, que fez uma completa adulteração do que se passou em Alvalade, talvez com o objectivo de convencer o adepto que não tem televisão e não ouviu o relato de que ouve muito Sporting e pouco FC Porto.
A situação mais vergonhosa começa com a pontuação dada aos jogadores. Os centrais do Sporting, que tantas vezes foram incapazes de suster a avalanche de jogadores do FC Porto e recorreram tantas vezes à falta, têm pontuação superior aos centrais do FC Porto. Mas, aqui, dou de barato o facto de valer a eficácia dos atacantes. Dar 4 pontos a Lucho González e 6 a Romagnoli é, para mim, um escândalo, que apenas pode ser justificado com o estado de embriaguez dos jornalistas (neste caso, ou Fernando Guerra ou António Simões ou Rogério Azevedo) ou a euforia do resultado. Para finalizar, dar a mesma pontuação a Liedson e a Lisandro Lopez é anedota. A média, para quem não viu o jogo, é indesmentível: 6.9 para o Sporting e 4.7 para o FC Porto. O Sporting banalizou o FC Porto.
Outra situação prende-se com o número de remates perigosos atribuídos à duas equipas. Gostava, sinceramente, de saber quais foram os 6 remates perigosos do Sporting à baliza do Helton. É que eu contei 4 - os dois golos, um livre de Ronny e a oportunidade do Liedson aos 91 minutos. Ou será que o jornalista considerou outros remates de fora da área sem perigo ou com algum perigo. Se assim for, impõe-se considerar muitos mais remates do FC Porto e não apenas aqueles 7, que corresponderam, na realidade, a oportunidades de golo iminente.
A cereja no topo do bolo desta análise jornalística verde-vómito vem pela mão de Fernando Guerra, no último parágrafo, em que palavras como "banalizado" e "humilhado" aplicadas ao FC Porto mostram que nem só de Xistras, Vieiras e Veigas se faz o anti-portismo primário.
PS - Vieira saiu da toca a disse "Alguns senhores perderam a vergonha toda". Estaria a referir-se a quem esfaqueou um adepto do Vitória de Guimarães?
No tempo das vítórias morais, seria lógico que dissesse que o Porto merecia ganhar o jogo de hoje - foi a melhor equipa em campo, a mais equilibrada, a que teve mais posse de bola (60%), mais ataques, mais remates e mais oportunidades de golo. Porém, as vitórias não produzem com exibições mas com golos - como tal, o Sporting venceu e está o caso encerrado.
Nem o facto de termos sofrido o 2-0 num lance irregular serve de desculpa. O FCP perdeu porque não transformou em golos uma exibição de óptima qualidade. E o máximo exemplo deste paradoxo foi a actuação do Lucho Gonzalez, uma da melhores que já o vi fazer pelo Porto, mas que ficou manchada pelo desperdício de, pelo menos, duas claras oportunidades de golo.
O Sporting foi feliz na forma como chegou à vantagem de 2-0 antes dos 30 minutos, dado que esta resultou de somente 3 remates à baliza - a segunda parte dos verdes seria ainda mais pobre, fruto do controlo do Porto. Mas, ironia das ironias, o 3-0 esteve quase a acontecer nos últimos momentos do encontro. Nota-se que o plantel leonino é curtíssimo, a equipa está espremida e vive dos fogachos do Simon, da ratice do Liedson e da segurança do Polga. Moutinho e Veloso são duas sombras do que fizeram no final da última temporada e o resto é apenas gente esforçada.
O Porto entrou bem no jogo, teve uma ocasião clara para inaugurar o marcador e falhou. Na resposta, Helton sofreu um golo em que foi mal batido (apesar da rapidez do remate). Momentos depois o bom cruzamento do Pereirinha encontrou o cabeceamento de um Simon em posição irregular e a recarga vitoriosa do russo. A equipa ficou um pouco afectada pela desvantagem registada logo à meia hora, mas perto do intervalo já estava a dominar outra vez. Aliás, o Pedro Emanuel teve a hipótese de reduzir para 2-1 mas remate do seu pé esquerdo saiu fraco.
A nossa segunda parte foi uma demonstração de querer, de entrega e de classe. Os nossos adversários aguentaram-se como puderam: Farias entrou bem e quase marcou por duas vezes (Polga salvou a primeira, a barra devolveu a segunda), Quaresma esteve perto de fazer um grande golo, Lisandro foi sempre perigoso, Lucho falhou um golo daqueles que nem dá para acreditar e, de um modo mais ou menos clarividente, o Porto pressionou quase sempre e criou perigo.
No FCP, para além da fantástica exibição do Lucho, gostei da primeira parte do Bosingwa, do contributo do Farias e, como já é hábito, da actuação do Lisandro, sempre em movimento, sempre a pressionar o adversário e a tentar rematar.
Por outro lado, o Quaresma conseguiu ser, claramente, o pior em campo, agarrando-se à bola quando deveria centrar (sobretudo a partir do momento em que passamos a ter dois homens na área do SCP), ficando à espera de faltas que não foram marcadas (justificada ou injustificadamente), decorando o seu jogo com malabarismos inconsequentes e coroando a sua presença com mais um acto de indisciplina e má educação na altura em que, com mais de meia hora de atraso, o Jesualdo teve finalmente a coragem de o tirar de campo. Uma atitude lastimável e um desperdício de talento - mais 2 ou 3 jogos destes e eu inscrevo-me num curso de assobio...
Mal esteve também o Hélton (no lance do 1º golo), o Bosingwa da 2ª parte (quando resolveu inventar junto à nossa àrea), o Meireles (que passou ao lado do jogo) e o Cech, que não é homem para este tipo de encontros. Um nota suplementar para referir a péssima atitude do Bruno Alves, que poderia ter sido expulso por pisar a perna do jogador mais fiteiro do Sporting. Claro está, o Liedson também poderia ter ido tomar banho mais cedo em virtude de uma bárbara entrada sobre o Hélton. Queria ainda sublinhar que o Jesualdo demorou demasiado tempo a reagir: os três jogadores substituidos deveriam ter saído de jogo muito mais cedo - o eslovaco é um erro de casting recorrente sempre que o Jesualdo decide apresentar a versão mais cautelosa do seu Porto.
Enfim, este fim de semana foi uma (dupla) oportunidade perdida: o Guimarães perdeu o jogo nos 20 minutos iniciais e o Porto permitiu que o SCP defendesse durante 1 hora 2 golos de vantagem que cairam do céu. Se isto não fosse um jogo e o factor sorte não fosse por vezes tão determinante, o título estaria definitivamente entregue e a luta pelo 2º lugar ainda mais renhida. Assim, voltamos ao insuficiente conforto dos 8 pontos (que são nove no caso de empate), para alegria da imprensa e dos comentadores da TVI.
Nota: o Eusébio fez 66 anos e, na intervenção em directo que a TVI fez no jantar de aniversário, o jornalista daquele canal iniciou uma pergunta ao ídolo benfiquista dizendo, com toda a pompa, que "A sua história confunde-se com a história de Portugal"... Nem Afonso Henriques, nem Camões, nem Pessoa - o cidadão tutelar da nação portuguesa é o africano Eusébio, que lutou contra os Mouros, escreveu Os Lusíadas enquanto descobria o caminho para a Índia e ainda teve tempo para compor todos os poemas d' A Mensagem. Calculo que a TVI também já tivesse feito a cobertura dos acontecimentos...
A propósito do jogo de domingo, em Alvalade, proponho-vos uma viagem ao passado. Na época de 1984/1985, o FC Porto de Artur Jorge jogava em Alvalade a hipótese de ser pela primeira vez campeão nacional na década de 80. Foi em finais de Abril de 1985, num jogo que acabou empatado a zero, e no qual a nossa equipa deu um passo importantíssimo para ser campeã. Na jornada seguinte, com um 5-1 ao Belenenses e os últimos 10 minutos de jogo com centenas de adeptos encostados às linhas laterais e de fundo do campo, o FC Porto sagrar-se-ia virtual campeão nacional.
O jogo de Alvalade foi decisivo porque era contra o mais directo perseguidor, o Sporting. Rezam as crónicas que o sector norte do estádio foi completamente ocupado pelos adeptos azuis-e-brancos, numa resposta sem precedentes (creio que ainda até hoje) à fé que se punha naquela equipa (embrionária da que viria a ser campeã europeia em 1987...).
Trago aqui cinco excertos de áudio, gravados por mim, na altura, a partir da transmissão da Rádio Porto - Quadrante Norte. Como adolescente, vivi aqueles momento com muita intensidade, pois tinha visto o meu clube campeão no final da década de 70, mas era ainda uma criança. Aqui, já sofria, com o rádio encostado ao ouvido e a cassete sempre pronta a gravar. As transmissões televisivas eram ficção.
1º excerto áudio - O repórter Sérgio Teixeira (?) refere-se ao ambiente após o jogo.
2º excerto áudio - Eurico, defesa-central do FC Porto
3º excerto áudio - Quim, médio do FC Porto, fala sobre um penalti cometido sobre si e não assinalado pelo árbitro Raul Nazaré.
4º excerto áudio - Gomes, avançado do FC Porto, chorando ao referir-se a José Maria Pedroto
5º excerto áudio - Pinto da Costa, o Presidente, acabando o seu discurso com um elogio final ao Benfica. Quem diria! Outros tempos...
Agora foi o Bruno Alves. Parece sina. Parece que todos os jogadores que têm como empresário o papá vieram parar ao FC Porto. Ouvi ontem o senhor Washington, na rádio, proclamar estranheza pelo facto de o clube ainda não ter avançado para a renovação ou melhoria do contrato de Bruno Alves. E ele fez questão de repetir por várias vezes a expressão "melhoria de contrato", deixando transparecer ainda que o jogador não estará a ganhar aquilo que o seu valor e peso na equipa, neste momento, merecem.
Não me admirava nada se assim fosse. A importância de Bruno Alves na equipa e no clube ainda é muito recente, por isso será natural que os valores ainda não tenham sido actualizados. E tendo em conta as renovações de Quaresma, Meireles, possivelmente de Fucile, e a aquisição da totalidade do passe de Lisandro, até posso compreender este género de reivindicação por parte do papá.
O que mais me incomodou nas palavras de Washington foi um certo tom de crispação com o clube, que teve na seguinte frase o seu ponto mais alto: "Pode ser que quando o FC Porto quiser renovar, o Bruno Alves já não esteja interessado". Não havia necessidade, digo eu. Até porque o Bruno Alves (ainda) não é um Jorge Costa. Ok, muito bem, já deu uma cabeçada no Nuno Gomes, sim senhor, já marcou um golito ou outro, sim senhor, mas ainda não partiu os dedos a um avançado do Milan, não levou na cara desse mesmo avançado do Milan, não marcou golos nuns 5-0 na Luz para uma Supertaça, não foi expulso do clube por uma "espécie de treinador", não regressou a casa para ser Campeão Europeu, enfim, ainda não é um mito. E tem um longo caminho a percorrer.
Não estou preocupado. Sei que o clube renovará com o jogador e que o motivará para ser cada vez mais o líder que eu acho que ele vai acabar por ser. Mas esta questão do papá irritou-me, ainda para mais quando já tivemos exemplos anteriores (Diego, Bruno Moraes, ...) desagradáveis e que a nossa imprensa adorou explorar até ao tutano.
Como já temos muitos pontos de avanço, o pessoal vermelhusco está cansado de ver notícias sobre o Pinto da Costa (o Apito Dourado, o renovado casamento, a reincidente alternadeira, etc.) e o SLB só contrata desconhecidos com nome de doença rara, os jornais estão sem assunto. E como toda a gente sabe, o povo encarnado, os tais 6 milhões, é quem alimenta os Records, as Bolas, os Cartaxanas e os Ruis Santos deste país - sem coisas boas para atribuir ao Benfica e sem pedras para atirar ao Porto os jornais desportivos e os comentadores correm o risco de cessar a actividade.
Temos agora a suprema questão filosófica do persistente "assobio" ao Quaresma: será uma manifestação de desprezo por ter nascido em berço lagarto? será enfado de o ver insistir na jogada individual? será amnésia, porque esquecem os fabulosos momentos que o Mustang nos ofereceu? será pura ingratidão perante aquele de quem se espera qualquer coisa quando o colectivo não resolve coisa nenhuma? Pois bem, eu acho que é um bocadinho de todas estas coisas, misturadas em doses diferentes nas múltiplas cabeças assobiantes.
Pela minha parte, não embarco na ideia feita de que ao Quaresma tudo é desculpável - nunca assobiei o homem mas já muitas vezes desejei saber assobiar, porque não são raras as vezes em que uma finta a mais e um cruzamento a menos estraga o movimento ofensivo da equipa. Por outro lado, também nunca mitifiquei o cigano mas considero-o, não obstante, um sobredotado que, contudo, ficará sempre uns degraus abaixo do patamar dos Decos, dos Figos, dos Rui Costas e a léguas dos Ronaldos porque nunca soube dosear a improvisação e o gesto individual com a mecanização e a ordem táctica necessária ao futebol moderno. Nunca percebeu que, por vezes, é preciso não insistir na finta quando o defesa já percebeu a nossa onda. E também raramente assimilou a necessidade de ser o primeiro a defender (o que implica não perder a bola em locais e situações perigosas).
Em suma, mesmo com as suas imperfeições, sinto-me feliz por termos um Quaresma na equipa. Para além das correrias do Bosingwa, é o único jogador do FCP capaz de nos divertir, capaz de nos fazer saltar da cadeira. E isso não tem preço; ou melhor, até tem - o preço de ficar caladinho quando ele nos esgota a paciência. Mas tem também a sua recompensa, feita de momentos como o melhor golo da época passada (nó no Nélson e bola em arco que o Quim ficou a ver entrar no poste mais longe) ou a simplicidade como tirou do caminho o hiper-mega-fantástico defesa central do SLB, aplicou a trivela e nos deu a vitória na Luz.
Os adeptos do FCP fazem mal em assobiar o Quaresma. E o Quaresma faz muito mal em não entender que o preço de ser diferente e de querer sempre transformar uma jogada banal num golpe de génio (insistentemente...) é aturar os menos pacientes, perceber que existe alguma justificação (raramente, é certo) para tanta insatisfação e seguir em frente. Afinal, o único profissional da bola é ele: os adeptos são quem ajuda a pagar o salário.
Concluindo, aconselharia o seguinte:
aos adeptos - que hesitassem um bocadinho antes de assobiar o homem logo na 1ª perda de bola, porque minutos depois podem estar aos saltos a comemorar mais um golo de levantar o estádio e é um embaraço muito grande ver gente crescida a fazer figuras tristes;
ao Quaresma - se a tua ideia é forçar a saída, escusas de arranjar desculpas de menino amuado; estou certo que o PC não te quer contrariado e, se surgir quem pague mais do que 20 milhões, terás por certo hipótese de seguir o teu caminho; seja como for, não esqueças que foi o FCP que te relançou na 1ª linha do futebol europeu - eu (e certamente muitos outros) não assobiamos, não te esqueceremos e estamos gratos por todos os momentos fantásticos que já nos ofereceste.
Dia perfeito I
O dia começa a desenhar-se perfeito com as imagens do bólide do FC Porto que vai disputar a SuperLeagueFormula. O carro é lindo ou não fosse ele da cor do nosso coração, o azulbranco. Dignos de registo são os quatro aviões que se enquadram no cenário na perfeição.
Dia perfeito II
O Benfica empata em casa com o Leixões, perdendo assim mais dois pontos na luta pelo... 2º lugar. Nem Adu, nem Mantorras, nem Di María, nem Rui Costa, nem Cardozo. E o Leixões manda duas aos postes. Segundo rezam as crónicas, o árbitro foi mauzinho para o segundo classificado, o que já não era sem tempo. A questão é que os grandes beneficiados são o Sporting, os Vitórias, o Braga e o Marítimo. Acho que deviam investigar.
Dia perfeito III
O bicampeão nacional arrasa o Braga com um concludente 4-0. A distância para o segundo classificado aumenta para 11 pontos, o que deixa 40.000 nas bancadas eufóricos. A exibição é boa e cheira a TRI no Dragão.
Dia perfeito IV
Lisandro Lopez bisa frente ao seu adversário mais próximo, Roland Linz. Para além disso, faz mais uma exibição portentosa de entrega, magia e talento. O homem do campeonato.
Dia perfeito V
Bosingwa responde mais uma vez ao coitado do Pedro Silva, mas desta vez não precisa de falar. Basta mais um jogo excelente, provando "dentro do campo" que é um dos melhores da Europa.
Dia perfeito VI
Ernesto Farías, el tecla. Com uma assistência e um golo, faz mais em 10 minutos do que Adriano em 80. O argentino é jogador. Dêem-lhe tempo.
Ele há coisas do catano. No dia em que pensei colocar aqui uma botação sobre qual dos nossos emprestados deveria entrar já em Janeiro no plantel, anuncia-se o regresso de Hélder Barbosa ao FC Porto. Aplaudo a decisão, mas mantenho a botação, até porque pode haver quem preferisse outro jogador. Obviamente, não há espaço para todos os jogadores que neste momento estão emprestados, pelo que optei por colocar aqueles que se têm destacado mais. Se o vosso preferido não estiver na lista, façam o favor de protestar nas palabrinhas. Agora, toca a botar, ali ao lado, na barra lateral. Obrigado pela participação.
Sobre o jogo do Porto
Uma coisa é admitir que Porto fez mais uma exibição fraquinha, na expectativa e aguardando que um golpe de sorte ou de génio resolvesse o encontro a seu favor. Outra é tentar dar a ideia de que passou por terríveis dificuldades porque "o Hélton fez a defesa da jornada e a Naval até mandou uma bola à barra".
Eu não gostei do jogo mas a verdade é que o Porto não precisou de fazer muito mais para o vencer e nunca foi propriamente pressionado. Vem isto a propósito do facto de alguns comentadores dizerem que a única diferença entre os 3 grandes é que o FCP venceu, o SLB empatou e o SCP perdeu, porque jogaram todos igualmente mal.
Sobre a disciplina no SLB
O grande industrial dos pneus considera que não existe nenhum problema de liderança no Benfica e que os reincidentes pagarão pelos seus actos. Enquanto isso, o seu ex-amigo e parceiro de ódio ao PC não perde uma oportunidade para meter a faca no líder da decadente nação benficóide.
A verdade é que aquilo está uma desgraça: os laterais são umas nódoas, o grego (ex)goleador não atura a burrice táctica do Camacho e as bocas do Ilusão, o Cardozo está a revelar-se um "Purovic de luxo", o Di Maria vale 10% de um Simão Sabrosa, o Petit quase nem corre, acabou-se o gás ao Maestro e, azar dos azares, o Cebola, que é o único que parece jogar alguma coisa com assiduidade, lesionou-se. O melhor plantel dos últimos 20 anos corre sérios riscos de acabar num honroso 3º ou 4º posto - cumprirá o objectivo de ficar acima do 6º lugar.
Sobre o Sporting
A única coisa que me ocorre dizer é que estes tipos não contam para o nosso totobola, ou seja, são irrelevantes. Concordo que o Boavista não mereceu vencer por dois golos (eventualmente, nem sequer merecia ganhar), mas os 12 pontos de atraso em relação ao FCP não decorrem de uma sucessão de azares.
"Está tudo em brasa" lá para os lados da 2ª Circular, porque depois da ilusão proporcionada pela 1ª derrota do FCP nesta Liga, os 2 clubes lisboetas cairam na realidade... com estrondo.
Seja como for, existem (pelo menos) 3 formas de olhar tudo isto. Aqui fica, democraticamente, por ordem alfabética:
O adepto do Benfica diz...
Dominamos o Setúbal durante quase 120 minutos e só as bocas do Veiga nos atrapalharam. Além disso, aquela cena do Luisão e do Grego foi uma grande jogada táctica do Camacho - foi ele que deu ordens para o Katsouranis insultar o Luisão, para depois poder retirar os dois de campo, dessimuladamente e, claro, meter o Mantorras (o outro gajo foi só para iludir os adversários). O Mantorras deveria jogar sempre de início porque é um símbolo da raça encarnada: é um jogador que finge falhar o remate para enganar o guarda-redes contrário.
O SCP perdeu porque não tem o melhor plantel dos últimos 20 anos (como nós, claro) e porque o Purovic é mais baratucho do que o Tacuara mas também falha muitos golos. Aquilo foi também a vitória da do departamento de formação do SLB, que treinou o Jorge Ribeiro há 20 anos atrás especificamente para este jogo.
O Porto ganhou porque o Taborda estava com os copos. O Pinto da Costa cortou a água no balneário da Naval e encheu os canos de espumante rasca do Elefante Branco. A Naval teve, pelo menos, 20 oportunidades de golo, incluindo um remate intencional do Mário Sérgio que acertou na barra. O Porto ganhou porque depois do golo do Meireles eles acenderam a função infra-vermelhos dos holofotes do Dragão e o pessoal da Figueira não conseguia jogar sob aquele calor todo.
O adepto do Porto diz...
No Porto, aquela fita do Ilusão e Kacetadanis nunca aconteceria: um estrangeiro que, por exemplo, mandasse umas bocas ao Jorge Costa ficava dois anos de cama e passaria a comer somente papas e líquidos.
A vitória do Boavista é normal porque o Sporting perde pontos e jogos cada vez com mais normalidade. E tranquilamente, claro. Os tipos do Bessa têm a sorte de respirar todos os dias o mesmo ar da cidade onde mora o campeão português e isso, obviamente, é melhor do que o doping.
Nós fizémos uma grande exibição, a Naval esteve sempre encostada lá atrás, o Quaresma fartou-se de dar nós cegos e o Mário Sérgio ficou tão traumatizado e confuso que quando quis centrar ia marcando um golo.
9 pontos de vantagem é pouco e, claro, a culpa é o Jesualdo, que como toda a gente sabe é benfiquista. O Porto está em dificuldades para acabar o campeonato com mais de 20 pontos de avanço e isso é inadmissível.
O adepto do Sporting diz
Iniciamos o jogo tranquilamente porque aquilo no norte anda tudo aos tiros e a malta é tudo gente fina e delicada, avessa a confusões popularuchas. Além disso, o Miguel (Veloso) tinha um penteado novo e estava com medo que a lama do Bessa lhe estragasse o visual.
Quando acordamos já estavamos a perder e o louro que estava na baliza insistiu em meter-se sempre à frente da bola, o que é uma coisa muito chata.
Só dependemos de nós para acabar o campeonato à frente do Benfica, já nos livramos do Paredes e mais jogo menos jogo o Paulo Bento também vai embora. A esperança é verde.
Todos temos direito a um Taborda por ano. O Benfica teve o seu "Taborda" em Coimbra, há umas jornadas atrás, nós tivemos o Taborda original ontem. De qualquer modo, há que reconhecer que a performance de Ricardo (Académica) foi muito mais artística do que a do guarda-redes da Naval. Taborda foi inocente, Ricardo foi mesmo burro.
Por falar em "artística", o golo de Mantorras é uma autêntica obra de arte sacra. Só mesmo com a ajuda dos deuses aquele chuto cheio de varizes pôde dar golo. Diz o angolano "Estou a voltar aos poucos". Por esta afirmação entenda-se "Só terei hipóteses de jogar quando houver molho entre dois colegas da equipa". Pedrito, pá, os adeptos do teu clube decadente gostavam era que tu voltasses logo de uma só vez, e inteiro, de preferência, com cartilagens e tudo.
Nós não jogámos "um Cardozo" (que é o mesmo que "um caracol") e acabámos por ter mérito e ser felizes na vitória ao mesmo tempo. Tivemos mérito porque o Helton fez uma excelente defesa naquele cabeceamento que ia dando golo. Para além disso, apesar da sorte da fífia do Taborda, soubemos, com inteligência, (Obrigado, Lisandro!) construir o golo. Tivemos sorte quando a barra evitou que o Mário Sérgio conseguisse o segundo chouriço da sua carreira (o primeiro foi ter sido contratado pelo Sporting).
Esta nossa equipa não está, infelizmente, formatada para ir à procura do segundo, do terceiro, do quarto golos e por aí fora, como se via com Mourinho. E nisso, parece ser a imagem do treinador. Por outro lado, revelamos uma consistência defensiva assinalável, pois só sofremos cinco golos na primeira volta, dos quais apenas um no Dragão. É obra.
Mas por mais que tente escrever sobre o jogo do Dragão, não me sai da cabeça o lance entre Luisão e Katsouranis. E após ter lido e ouvido imensos comentários ao lance ainda não percebi por que razão ninguém refere o prejuízo que dali adveio para o Setúbal. É que aqueles insultos e empurrões davam, no mínimo, direito a um cartão amarelo para cada um dos rufias, sendo que, no caso de Luisão, seria o segundo. Olhem só se isto acontecesse com o bicampeão nacional. E olhem só se nesta jornada tivessem sido expulsos dois jogadores do nosso adversário da próxima jornada. Que grande tema de debate daria.
Terminando em tom positivo, se ganharmos os próximos 11 jogos, poderemos sagrar-nos campeões na 27ª jornada, em casa, contra o actual segundo classificado. Só por causa disso, até gostava que o "glorioso decadente" também ganhasse todos os jogos até lá.
Que significado terá o gesto de Katsouranis em grego?
A - Chupa!
B - Vai-te f*der!
C - Só estava UM a marcá-lo!
D - Já tenho um kit júnior e tu não!
Aceitam-se mais sugestões.
Camacho deu o exemplo do FC Porto para que os benfiquistas percebessem o que tinham de fazer se queriam ao menos qualificar-se para a Taça Uefa. Bergessio, de partida da Luz, disse aos jornalistas que no FC Porto se trabalha de outra forma com os jogadores estrangeiros, dando como bom exemplo a ascensão de Lisandro Lopez. Nuno Gomes, ao MaisFutebol, volta a falar de Lisandro e aponta o FC Porto como um exemplo a seguir. E depois nós é que falamos deles.