
Pobo do Norte deseja a todos os seus leitores (do norte ao sule) um FELIZ 2008. Particularmente a nós, portistas, que continuemos na senda de grandes vitórias. Aos nossos adversários, que ganhem tanto quanto ganharam em 2007.
(Ei, um torneiozinho do Guadiana já não é nada mau!)
Eu não sei quem é o Pedro Silva. Quer dizer, eu sei que é aquele jogador que tentou dar uma traulitada no Quaresma, no primeiro jogo da época, e saiu lesionado nesse lance. Para além disso, não sei quem é o Pedro Silva, a não ser que parece que faz parte do plantel do Sporting.
O rapaz disse, antes de ir de férias natalícias que "alguns jogadores do Porto já se sentem um pouco campeões". Ora, cumpre-me informar o senhor Pedro Silva que os jogadores do FC Porto não se sentem "um pouco campeões" pelo simples facto de que quase todos eles JÁ são BICAMPEÕES. Ao contrário do que se passa no seu clube, os jogadores do FC Porto deitam-se campeões, adormecem campeões, sonham campeões, acordam campeões e até vão ao quarto de banho, a meio da noite, dar a sua mijinha de campeões.
O jogador brasileiro acrescentou que "é dentro de campo" que o futebol se joga, insinuando que os jogadores do FC Porto falam, falam e... Ora bem, mais uma vez, venho por este meio esclarecer esta "inteligência" de que se há 9 pontos que separam o FC Porto do Sporting, nesta altura, isso não se deve com certeza às virtualidades discursivas dos jogadores do bicampeão nacional. O Pedro Silva deveria estar mais atento aos resumos da jornada porque tem-lhe escapado alguma coisita do que o FC Porto vai jogando em campo.
Pedro Silva foi mais além ao referir mesmo o nome do nosso José como um dos jogadores que teria demonstrado já aquela convicção de que se sente campeão. Eu ouvi essas palavras do Bosingwa e, sinceramente, não me apercebi de qualquer convicção nesse sentido. Aliás, os jogadores do FC Porto têm até mostrado muita paciência para com os jornalistas imbecis que a toda a hora lhes perguntam "se já se sentem campeões", "se a vantagem já é confortável", "se já podem descansar", etc... Quanto a falar do Bosingwa, não é muito bonito ver-se um Fiat Uno a fazer comentários sobre um BMW.
Não sei se o departamento médico do Sporting prescreveu algo ao Pedro Silva que lhe alterasse a visão das coisas no aeroporto. Uma coisa é certa, foi, sem dúvida, um momento de boa disposição aquele proporcionado por este brasileiro. Já agora, ó Pedro Silva, que tal arranjares um nome brasileiro decente, tipo Edmilson, Rovérsio ou Valdinei, pá?

Pobo do Norte deseja a todos os seus leitores (do norte ao sule) um FELIZ NATAL.
Não vi o jogo da Madeira, por isso, com o diria o professor Manuel Machado, não me posso pronunciar quanto aos aspectos tecnico-tácticos que resvalaram num quadro motivacional pouco elevado da agremiação do Dragão. Se alguém quiser fazer o favor de resumir o que se passou em campo, em português corrente, esteja à vontade, que nós agradecemos. Durante o jogo, estive presente num jantar, bem regado a vinho da Estremadura, o que não deixou de ser um mau agoiro.
Uma coisa é certa: perdemos pela primeira vez para o campeonato. Ao contrário do ano passado, em que entrámos em derrapagam após o Natal, esta derrota surge antes da paragem natalícia, o que pode ser bom, na medida em que alerta para o que aí vem e coloca as tropas em sentido.
E o que aí vem é uma segunda volta dificílima, durante a qual teremos de gerir um avanço confortável, manter os níveis de motivação em alta e lutar contra os lapsos de arbitragem, que contra nós nunca são erros, mas sim lapsos, tal como aconteceu na Madeira, quando Mariano Gonzalez foi derrubado dentro da área (no mínimo em cima da linha) e o senhor Pedro Henriques lembrou-se de marcar livre fora da mesma. A tarefa não vai ser fácil no próximo ano de 2008, mas confio na força mental dos nossos jogadores.
O Shalke 04 era uma das hipótese "menos más" para nos calhar nos oitavos-de-final. E calhou. Jogar com estes alemães é regressar ao estádio onde vencêmos a Liga dos Campeões com Mourinho, o que deverá trazer um factor de motivação acrescida para os nossos jogadores.
O Shalke 04 não é uma equipa qualquer. Sem ter os chamados jogadores de renome, ou galácticos, como outros, tem, acima de tudo, uma equipa. O último onze apresentado na Liga dos Campeões, na vitória contra o Rosenborg (3-1), apresentou, na defesa, laterais rápidos e talentosos e centrais já acima dos 30 anos. No meio-campo, a equipa contou com Ernst, Bajramovic, Grossmuller e Ozil, jogadores desconhecidos do grande público. No ataque reside a grande arma desta equipa, com os "pesos-pesados" Asamoah e Kuranyi, ambos internacionais alemães. Mas atenção, no plantel ainda há os dinamarqueses Lovenkrands e Larsen, o turco Altintop e o médio Jermaine Jones, que só não jogou com o Rosenborg por estar castigado.
Neste momento, temos condições de passar este obstáculo. É claro que daqui até Fevereiro muita coisa pode acontecer em termos de plantel, dos dois lados, mas a única coisa que pedimos ao Pai Natal é que lesões graves não aconteçam aos jogadores principais do nosso plantel.
Queria escrever algumas linhas sobre os assassinatos em série verificados no Porto. Mas apenas o faço porque a questão agrada a quem pretende denegrir a imagem da cidade e parece tocar, ainda que ao de leve, o nome do FC Porto. E quando se toca no nome desta cidade e deste clube para dizer mal, eu fico doente.
Ora bem, nós, portistas, temos olhos de ver. E temos consciência. É indesmentível que alguns dos protagonistas desta onda de violência estão ou estiveram ligados ao nosso clube. Não vale a pena negar as evidências. E elas apontam para vários factos:
- O rapaz que foi detido anteontem fez parte dos SuperDragões.
- Quando o nosso Presidente se apresentou em Gondomar para prestar declarações, ele era um dos rapazolas com ar de poucos amigos que o acompanhavam.
- Algumas horas antes do seu assassinato, Aurélio Palha tinha estado a almoçar com um dos líderes dos SuperDragões.
- Fernando Madureira, pelo que se sabe, levou ao hospital um outro rapazola que tinha levado uns bananos nesse jantar.
- O próprio Aurélio Palha desenvolvia uma série de negócios com o nosso clube.
Como se pode verificar, não há como negar que o nome do nosso clube aparece ligado a estes senhores. Infelizmente, digo eu. Desde há já vários anos que temos vindo a criticar a forma como Pinto da Costa e alguns elementos da SAD criaram uma proximidade excessiva com os líderes da claque e se deixaram envolver em promiscuidades que sempre fizeram mal ao nome do FC Porto. Porque é isso que está em causa - o nome do FC Porto. Houve, desde Co Adriaanse, um esfriamento das relações, mas, na minha opinião, ainda não é o suficiente. Há que cortar com privilégios, há que manter distâncias, há que impôr deveres e não apenas outorgar direitos.
Sinceramente, e admito alguma insensibilidade nesta minha opinião, estou-me marimbando para este conjunto de seguranças que se querem matar uns aos outros. E até lhes faço um elogio: o terem tido o cuidado de não envolverem gente que nada tem a ver com as situações, aqueles que, por um acaso infeliz, estão no local errado à hora errada. Até agora, preocuparam-se em fazer a "limpeza" sem arrastar gente inocente para a lama.
Por isso é que eu continuo a dizer que a noite no Porto continua segura, ou, pelo menos, não está menos segura do que era. E nem vale a pena argumentarmos que, em matéria de segurança, em Lisboa é pior. [Claro que é pior, toda a gente sabe disso. Pelo menos eu sentir-me-ia muito mais inseguro se lá morasse e estivesse exposto, por exemplo, a assaltos em massa no Metro da linha da Amadora ou, por exemplo, a que me batessem propositadamente na traseira do carro para me fazerem parar e a seguir levarem-me o carro e sabe-se lá que mais.] Os assassinatos no Porto têm sido minuciosos, os alvos escolhidos a dedo, eu diria mesmo, com uma preocupação em não provocar danos colaterais. Houve alguém que tenha morrido que não tivesse a ver com a questão? Houve alguma evacuação de alguma discoteca? Houve alguma situação de pânico em massa? Parece que não. Por mim, se estes senhores tiverem de continuar a trocar uns balázios, que pelo menos continuem assim, de modo "limpinho".
É claro que tudo isto serve na perfeição todos aqueles que têm por hábito denegrir o nome da cidade e do clube. A cidade continua simplesmente a ser a melhor cidade do mundo, com uma beleza própria só inteligível para quem nela nasceu e vive. Tem problemas? Claro que tem, sempre teve, não os começou a ter com esta situação dos seguranças. O clube, esse, continua a responder com vitórias atrás de vitórias, provando em campo que é o melhor, que tem os melhores jogadores, que tem a melhor equipa. O resto são tangas de frustrados.
Acordar num domingo ensolarado com dez pontos de avanço sobre o segundo classificado deixa qualquer portista bem disposto. Ainda para mais, quando, há precisamente duas jornadas, o mesmo acordar nos colocava somente com um pontinho distância sobre os gloriosos decadentes da Luz. A comunicação social vermelhusca do costume tratou de o lembrar a gritos histéricos (obrigado, Pentadragão). Só que depois o FC Porto ganhou ao Setúbal, ganhou aos gloriosos decadentes e ontem ganhou ao Guimarães. Entretanto, os gloriosos decadentes da Luz perderam com o FC Porto em casa e ontem provaram um pastelinho de Belém. Conclusão: de um a dez pontos de diferença foi um instantinho. E pelo meio uns foram borda fora da Liga dos Campeões, enquanto que outros se qualificavam para o grupo dos 16 melhores. É assim a vida: e qualidade e a competência acaba sempre por vir ao de cima. E até estes se renderam ao azul (mas só porque lá está um clube da capital).
Schalke, Olympiacos, Celtic, Lyon, Roma, Fenerbahçe e Arsenal. Um destes vai ser o nosso adversário nos oitavos-de-final da CL. O cenário é incomparavelmente menos pesado do que o dos primeiros classificados e, com um pouco de sorte no sorteio, temos grandes hipóteses de avançar na competição. Por grau de dificuldade, e partindo do pressuposto de que todos os adversários são difíceis, teríamos, na minha opinião:
Difícil: Schalke, Olympiacos, Celtic e Fenerbahçe.
Muito Difícil: Lyon e Roma.
Extremamente difícil: Arsenal.
O jogo contra o Besiktas confirmou-nos como a equipa mais regular do grupo. Os turcos são-nos nitidamenter inferiores, e ainda deram menos luta do que, por exemplo, o Benfica na Luz. A certa altura fiquei com a sensação de que iriamos disparar para a goleada, mas a entrada em campo da segunda linha prejudicou o nosso jogo de ataque. Bolatti nada acrescentou e Postiga manteve o cinzentismo que tem caracterizado as suas últimas prestações.
O primeiro golo deixou muitas dúvidas na altura, mas na repetição viu-se que o árbitro auxiliar esteve bem. Aquele era o tipo de golo que eu gostava de ver marcado ao Benfica. Ver os Petits e os Luisões a berrar aos ouvidos do árbitro enquanto o encharcavam de perdigotos seria um espectáculo digno de se ver. E a cara deles quando vissem a repetição do lance ainda seria mais engraçado.
PS - Este blogue foi nomeado para isto. Obrigado.
As análises às razões que levaram à vitória do FC Porto na Luz apontaram maioritariamente em duas direcções:
1. Houve um jogador que decidiu o jogo, que fez a diferença através de uma jogada individual. As manchetes dos jornais fizeram de Quaresma o principal, e em alguns casos, o único responsável pela vitória.
2. O FC Porto ganhou porque mostrou, no momento certo, a cultura de vitória que caracteriza o clube. Ganhou porque, depois de goleado em Liverpool, foi mais forte animicamente do que o adversário.
Se estas duas correntes de opinião têm o seu fundo de verdade, sim senhor, foram poucos aqueles que se atreveram a dizer o mais básico e lógico que se passou na Luz: o FC Porto tem melhor equipa que o Benfica, tanto em termos individuais como colectivos.
Vamos por sectores:
Na baliza, considero que as duas equipas estão igualadas. Cada um com as suas qualidade e defeitos, não considero os dois guarda-redes inferiores um ao outro.
Na lateral direita, nem é preciso comentar. Comparar Bosingwa a Luis Filipe ou a Nélson, ou a outro qualquer, é um insulto para o nosso José. Do lado esquerdo, considero que as coisas estão mais equilibradas, pois Léo é um excelente defesa-esquerdo, que ataca muito e bem, com a vantagem de ser lateral-esquerdo de raíz e não uma adaptação como acontece com Fucile. Acho que defensivamente o uruguaio melhorou muito desde que chegou ao FC Porto e é neste momento superior ao brasileiro nesse aspecto (a questão da idade também pesa...).
No centro da defesa, Bruno Alves não tem concorrência. É melhor do que qualquer um dos defesas-centrais dos dois clubes. Luisão? Por favor, não brinquemos com coisas sérias. Desde o início, Luisão foi um produto inflaccionado e muito mal promovido por certa comunicação social, que o foi colocando sucessivamente na mira dos tubarões europeus, numa acção publicitária nunca vista. E entretanto, eram outros a serem vendidos (Ricardo Rocha e Pepe, por exemplo...). David Luiz é, sem dúvida, um jogador promissor, talentoso, que sabe sair a jogar, mas que tem de refrear os ânimos próprios da juventude. Ainda dá muita porradinha e usa os cotovelos em demasia. Pedro Emanuel é um líder, mas perde para o brasileiro na velocidade e no poder de elevação. Ganha-lhe em experiência e em controlo emocional. Por exemplo, Pedro Emanuel muito dificilmente daria o interior a Quresma no lance do golo, como fez David Luiz com o resultado que se viu.
No meio-campo, a diferença acentua-se. Alguém trocava o tridente Paulo Assunção-Lucho Gonzalez-Raul Meireles por Petit-Rui Costa-Katsouranis-Maxi Pereira? Eu não! É inquestionável a classe de Rui Costa, o modo como ele é capaz de fazer jogar a equipa, mesmo sem precisar de correr muito, mas não dura os noventa minutos. Para além disso, quando leva pela frente com uma marcação a sério (como raramente acontece no nosso campeonato) tem muitas dificuldades em desenvolver o seu jogo. Assunção bate facilmente Petit e Lucho é o homem que dá equilíbrio a toda a equipa, ligando todos os sectores. Entre Raul Meireles e Katsouranis, prefiro o português: é mais rápido, mais versátil, menos faltoso e remata melhor de longa distância, apesar de o grego ter mais presença de área. Maxi Pereira parece-me um jogador banal, que no FC Porto era capaz de dar uma razoável opção de banco.
No ataque, a diferença é abismal. Qualquer benfiquista vendia a sua avozinha para ter Quaresma e Lisandro. Qualquer portista fazia o mesmo para evitar Nuno Gomes. E Cardozo não é melhor que Lisandro. Rodriguez é um bom jogador que surpreendeu tudo e todos pela entrega, velocidade e capacidade de remate, mas no momento-chave falhou. Ninguém o viu contra o FC Porto. Já Tarik Sektioui parece ser um homem de grandes jogos e grandes momentos. Foi fantástica a forma como lançou o pânico na defesa benfiquista na primeira meia-hora, antes de se lesionar. Entre os dois, prefiro o marroquino.
Em conclusão, se na defesa considero haver equilíbrio entre as duas equipas (com ligeiro ascendente portista), no meio-campo e ataque a superioridade do FC Porto é notória, quer em termos individuais quer na soma desses elementos como equipa.
PS - Olhando para as manchetes de A Bola de ontem e hoje, confirma-se aquilo que Pedro Emanuel disse no final do jogo da Luz.
Há várias razões pelas quais temos de ganhar ao Besiktas. Em primeiro lugar, porque, para nós, ganhar é como respirar (prefiro esta comparação à do escovar os dentes). Em segundo lugar, porque implica mais dinheiro. Depois, permite-nos ficar em primeiro lugar no grupo, condição que apenas atingimos por uma vez, na época 96-97, à frente de Rosenborg, Milan e Göteborg (no ano em que fomos castigados, nos quartos-de-final, em Manchester, com aquele 4-0 de má memória...).
O primeiro lugar do grupo dar-nos-ia o privilégio (se é que se pode chamar assim) de evitar, nos oitavos-de-final, equipas que, por tradição e em teoria, nos são superiores. Os chamados tubarões. Assim, nesta altura, já estão decididos cinco líderes de grupo: Chelsea, Milan, Barcelona, Manchester United e Internazionale. Muito provavelmente, o Real Madrid também se juntará ao grupo dos primeiros (basta-lhe ganhar à Lazio em casa). A dúvida mais forte, neste momento, coloca-se no grupo H, entre Sevilha e Arsenal. Conclusão: é mesmo fundamental ganhar ao Besiktas.
Se ficarmos em primeiro, teremos equipas teoricamente mais acessíveis como potenciais adversários nos oitavos-de-final. Nesta altura, Celtic e Roma são os únicos segundos definitivos. Nenhuma delas assusta. As restantes saírão das seguintes duplas:
Shalke/Rosenborg
Olympiacos/Bremen
Rangers/Lyon
Fenerbahce/PSV
Arsenal/Sevilha
É bom de ver que o cúmulo do azar seria classificarmo-nos em primeiro e levar com o... Arsenal nos oitavos-de-final. Para que os londrinos ganhem o seu grupo, terão de vencer em casa o Steaua (nada complicado) e esperar que o Sevilha não ganhe em Praga ao Slavia (pouco provável).
"Temos de fazer o mesmo que o FC Porto"
Camacho, 03/12/07
Isto não é para me gabar, mas eu previ que ganharíamos na Luz. Por mais que a imprensa fizesse a apologia de um "grande jogo" do Benfica contra o Milan (que, já agora, jogou a passo, consciente de que o empate chegava), por mais que se exacerbasse os possíveis efeitos da goleada em Liverpool, eu, e certamente a grande maioria dos portistas, temos a consciência do abismo de qualidade que existe entre o FC Porto e o Benfica.
E nem mesmo aqueles 5 minutos iniciais de algum atabalhoamento da nossa parte me fizeram pensar o contrário (já agora, no lance de Nuno Gomes, aos 53 segundos, a bola iria ao lado...). O resto da primeira parte mostrou a quem tiver olhos de ver por que razão estamos em primeiro lugar no campeonato. Fiquei com a sensação de que o Setúbal tinha dado mais luta no Dragão e questionei-me mesmo se não teríamos meia-dúzia de jogadores emprestados ao Benfica...
A nossa primeira parte resume-se a duas palavras: domínio e classe. O Benfica cheirou a bola e nós ficámos a dever-nos a nós próprios pelo menos mais um golo, naquela perdida de Lisandro na cara de Quim. O nosso jogo tinha ligação, o meio-campo acertava os passes e o tridente atacante fazia a cabeça em água à defesa adversária. O Benfica não ligava o seu jogo, não fazia dois passes seguidos. Resumindo: era inofensivo.
Mas tinha, do seu lado, o portuense Jorge Sousa (refiro "portuense" porque foi uma característica destacada por muitos benfiquistas durante a semana), que teve uma série de decisões infelizes sempre a prejudicar o FC Porto. A mais grave, um penalti de David Luiz sobre Lisandro, em que o brasileiro abalroa o argentino num cruzamento. Outras menos graves, mas potencialmente decisivas no desenrolar do jogo, como, por exemplo, a não mostragem do cartão amarelo ao mesmo David Luiz, quando "varreu" Lucho Gonzalez sem bola, ou a marcação de uma falta inacreditável a Fucile, mesmo no final da primeira parte, quando o uruguaio joga bola de cabeça sobre um Rodriguez que entretanto caíra sozinho, ou ainda, quando, na segunda parte, volta a marcar uma falta para livre perigoso por queda (simulação) de Di Maria.
A segunda parte trouxe um filme já visto anteriormente, com um FC Porto mais retraído, dando a iniciativa de jogo ao adversário. Só que, desta vez, esse domínio dado ao adversário pareceu-me, pelo menos até às substituições, mais consentido do que forçado pelo Benfica. Tivemos aí oportunidade para "matar" o jogo, com uma oportunidade de Quaresma, mas não o fizemos, e fomos obrigados a sofrer até ao final. Os benfiquistas, que por vezes mostram alguma dificuldade em ver futebol, queixam-se de que a falta de sorte é responsável por as bolas não entrarem. Talvez não fosse má ideia reparar que existe um guarda-redes do outro lado, neste caso, Helton, que fez duas defesas extraordinárias a remates de Nuno Gomes e Adu (no primeiro caso, depois de uma fífia stepanoviana de Bruno Alves...).
As nossas substituições, do ponto de vista atacante, não resultaram. Em primeiro ligar porque Mariano Gonzalez e Helder Postiga foram uma nulidade. Em segundo lugar, porque Lisandro foi encostado à lateral direita, perdendo protagonismo. Eu sei que é fácil falar a posterior, mas creio que Leandro Lima teria feito mais sentido no último quarto de hora, para segurar a bola e escondê-la dos adversários como ele tão bem sabe fazer. Mas Jesualdo Ferreira preferiu dar-lhe um lugar na bancada. Bolatti entrou bem e ajudou muito nas tarefas defensivas.
Uma palavra final para os nossos adeptos presentes no estádio, que se fizeram ouvir quase durante todo o jogo. Eles mereceram esta vitória. Agora, com 7 pontos de diferença (aquele empate na Amadora ainda me está atravessado...) temos todas as condições de disparar decisivamente para o título. Mesmo assim, continuo a pensar que precisamos de 1 ou 2 reforços de qualidade em Janeiro, mas isso são discussões para outra altura.