O Pobo do Norte: o pobo mais forte completa hoje quatro anos de existência. É com muito orgulho e uma certa emoção que podemos afirmar que ultrapassámos em visitas o número de sócios do terceiro classificado. Não sei se dá direito a Guinness, mas, de qualquer modo, obrigado a todos por visitarem este blogue nortenho, pouco elitista e muito portista . Continuem a passar por cá.
Apanhei as declarações do presidente do terceiro classificado mais ou menos a meio e ouvi aquela parte em que ele diz "É o estrebuchar do morto". Fiquei escandalizado. Como é que é possível um presidente falar assim do seu próprio clube? Caramba, ganharam um título no futebol dos pequeninos, pouca coisa, numa época em que o enfardanço foi total nas várias modalidades, mas daí até considerar o clube uma espécie de animal moribundo é de mais. Depois, um amigo meu alertou-me para o facto de o senhor não estar a referir-se ao próprio clube, mas a outro presidente. Eu pensei logo no grande ex-presidente Vale e Azevedo (do qual ainda temos saudades), que nesta semana se viu acusado de mais um crime. Mas afinal era a propósito das declarações do Presidente Pinto da Costa. Bem, se o presidente do terceiro classificado teve de descer tão baixo para responder ao que o Pinto da Costa disse nos Dragões de Lisboa, quer dizer que a coisa doeu a sério. Aquela conversa sobre o árbitro Mr. King, entre outras referências ao clube "mais sério de Portugal" teve o efeito desejado. Por isso, missão cumprida. Quanto à metáfora do "morto", a avaliar pela nova namorada do nosso Presidente, parece-me que o homem ainda vai dando conta do recado.
O terceiro classificado vai apresentar os novos equipamentos pela Internet. A transmissão vai ser assegurada pelo Sapo Vídeos, o que não deixa de ser irónico, tendo em conta os sapos que o adepto benfiquista vai ter que engolir quando vir a cor do equipamento alternativo. A transmissão pela Internet tem outra vantagem (para além de poder servir para entrar para o Guinness, se lhes apetecer): ninguém pode expressar o seu descontentamento ao vivo e a cores, nem sequer atirar uns tomates ou uns ovos podres àquele equipamento horrível. Espertos, os gajos.
Para além da transmissão, parece que vai haver a eleição do “Maior Benfiquista”, que deverá enviar um vídeo em que demonstra que é o maior benfiquista de todos e desta forma habilitar-se a ganhar a nova camisola do equipamento principal (não a alternativa, que essa envergonha os adeptos). Não sei que tipo de vídeos irão ser feitos, mas aposto que alguns deles mostrarão o Barbas a comer a relva do antigo Estádio da Luz, o primo do Veiga a dar um sopapo na cara do outro no aeroporto, o Joe Berardo a pedir desculpas ao Rui Costa de joelhos, o Vieira de cuecas no balneário a festejar o título de futsal, a Leonor Pinhão, a Carolina Salgado e o João Malheiro a dançarem em cima de um balcão de uma discoteca qualquer, ou o Simão a lançar-se para a piscina de sua casa equipado com chuteiras o tudo. Haverá muito por onde escolher. Todos eles, momentos de profundo e inesgotável benfiquismo.
"Apito Dourado: Benfica também pedia árbitros
ESCUTAS TELEFÓNICAS MOSTRAM UMA LUZ AO FUNDO DO TÚNEL
Afinal, o processo Apito Dourado não apanhou apenas dirigentes de clubes do Norte a pedir árbitros para os seus jogos. Embora de forma indirecta, através de João Rodrigues, o Benfica também quis escolher os seus árbitros. Mas nenhum destes pedidos deu origem a qualquer processo, nem sequer no grande dossier relativo a uma eventual viciação da classificação dos árbitros, ainda em análise pela equipa de Maria José Morgado.
As intercepções telefónicas, que são imensas, dão conta de diversos tipo de pressão do Benfica, na época de 2003/04, no sentido de contar com árbitros do seu agrado. Aliás, até era convicção de alguns presidentes de clubes da 1.ª Liga, como era o caso de João Bartolomeu, que garantiu que foi Luís Filipe Vieira quem colocou Luís Guilherme na presidência da Comissão de Arbitragem da Liga, exercendo, por consequência, alguma influência sobre ele.
Por exemplo, João Bartolomeu, numa das suas conversas com Pinto de Sousa, diz ter a certeza que é o Luís Filipe que tem influência sobre as nomeações feitas por Luís Guilherme, com o então presidente do Conselho de Arbitragem da FPF a acrescentar: “O Pinto da Costa não tem influência no Luís Guilherme.”
A propósito da nomeação de um árbitro para um jogo da U. Leiria, Bartolomeu diz que fez uma investigação que apurou que Pimenta Machado se encontrou com Luís Filipe Vieira, presumivelmente no sentido de ter Duarte Gomes como árbitro. Sobre este, Bartolomeu diz que é “um ladrão”. “O Duarte Gomes faz tudo o que o Vítor Pereira manda e o Vítor Pereira é uma das pessoas que protege o Guimarães”, desabafa Bartolomeu."
Fonte: http://www.record.pt/noticia.asp?id=749111&idCanal=11
Há que ver as coisas por outro lado. Quando Carolina se zangar com os benfiquistas que agora a elegem como a salvadora da pátria, há-de escrever novo livro denunciando os pagamentos que lhe fizeram (a ela e à amiga) para que escrevesse o que escreveu, há-de relatar pressões de Luis Filipe Vieira, José Veiga e seus capangas para inventar factos, há-de confessar que afinal não viu nada do que disse que viu. E então o Procurador-Geral da República há-de ler também esse livro com muita atenção e Maria José Morgado há-de abrir processos contra todos aqueles que ela acusa no novo livro e ilibar aqueles que agora acusa tendo por base as declarações de Carolina. Porque vale tudo.
Não percebo a euforia de um certo sector de adeptos adversários (nomeadamente, o galinhame). Ou melhor, até percebo, mas já lá vamos. A acusação de Pinto da Costa era prevista, pelo menos neste caso do jogo FC Porto-Estrela da Amadora. O processo já tinha sido arquivado no passado e Carolina José Morgado, perdão, Maria José Morgado, recuperou-o. É óbvio que não se recuperaria um caso destes para o voltar a arquivar, até porque há uma imagem de durona e justiceira a preservar (e um filme para vender nas bilheteiras).
Por isso, nada disto me espanta, e só consigo interpretar a euforia de alguns num contexto de sucessivas humilhações que o desporto lhes proporcionou este ano, sempre que defrontaram o FC Porto. Nesse cenário de constantes clisteres desportivos que foram coleccionando, é até compreensível que agora venham gritar a altos brados "Pinto da Costa acusado! Pinto da Costa acusado!". Devemos, porém, esclarecer essas mentes atrofiadas, que "acusado" não é sinónimo de "condenado". Pelo menos até que Luis Filipe Vieira ache que deve intervir na elaboração dos dicionários de língua portuguesa por achar que estão contra o Benfica.
A questão é saber se a promessa de meninas naqueles quartos de hotel levou o árbitro a decidir errada e conscientemente a favor do FC Porto, naquele jogo. Sabemos que assim não foi, sabemos que o árbitro teve alguns (poucos) erros que prejudicaram as duas equipas, fez uma arbitragem absolutamente normal e que não foi por aí que o jogo se decidiu.
A imprensa de hoje dá como certas as dispensas (ou, mais eufemisticamente, "colocação no mercado") de Alan, Ibson e Mareque. Concordo plenamente. Vejamos, caso a caso:
ALAN
Enganou-me bem. Era dos meus jogadores preferidos do campeonato quando actuava no Marítimo, ao ponto de eu ter afirmado, quando veio, "este vai pegar de estaca". Depois de uma estreia auspiciosa num jogo contra o Rio Ave, em que marcou um golo, pensei, creio que todos pensámos que estava ali um extremo direito de valor. Mas foi só fogo de vista. É certo que acaba por ser bicampeão, de contribuir com 2 ou 3 golos, mas não deixa a sua marca no FC Porto. Se calhar teve azar. Se calhar tem de aprender a cruzar. Se calhar tem de dominar a ansiedade. Mas não é jogador para o FC Porto europeu. De qualquer maneira, como adepto, tenho de lhe agradecer uma coisa: nunca deu entrevistas a queixar-se do que quer que fosse, nem deu a voz ao seu paizinho como outros fizeram. Obrigado, Alan.
IBSON
Veio do Brasil com grande reputação. Mostrou sempre grande dinâmica de jogo, mas por vezes a dinâmica era de tal forma elevada que o levava a querer fazer as coisas demasiado depressa e a prejudicar o jogo colectivo. E, como todos sabemos, a pressa é inimiga da perfeição. Ibson teve sempre este problema: a sofreguidão como muitas vezes actuou, querendo fazer tudo sozinho (por vezes em zonas proibidas). Mas Ibson tem outro problema: não sabe rematar à baliza, o que para um médio de ataque é uma limitação muito grave. Sinceramente, não me repugna a sua partida e considero Raul Meireles um jogador bem mais completo. Já pensava assim em Setembro de 2005, apesar de a tendência geral ser a favor de Ibson. Agora, surpreende-me este crescente protagonismo que os paizinhos-empresários começam a ter no nosso clube. Começou com o Diego, continuou com o Ibson e agora é Bruno Moraes, com críticas que eram impensáveis aqui há alguns anos entre os nossos jogadores. Será o preço pagar por contratar brasileiros jovens e promissores que chegam cá pensando que nada têm a provar? Por mim, podem ir pelo mesmo caminho que vieram, que temos prata da casa em quem apostar.
MAREQUE
Um lateral-esquerdo teria de sair e a mim parece-me que este será o elo mais fraco do grupo. Foi o último a chegar, esteve particularmente infeliz nos jogos em que actuou e nunca se conseguiu impor. A questão é como foi possível contratar-se este jogador, que era suplente no seu clube, quando já cá tínhamos o Cech e o Fucile (e ainda Ricardo Costa que chegou a ser utilizado naquele lugar)? Enfim, não haveria ninguém nos juniores capaz de fazer o que este argentino cá veio fazer?
"No campo sou um animal"
Zoro, A Bola, 01/06/2007