março 30, 2007

Simão/Quaresma

O filho de uma colega minha de trabalho desesperou, na quarta-feira, pela entrada em campo de Quaresma, mas Scolari só lhe faria a vontade a 9 minutos do fim. O motivo do desespero do rapaz não tinha a ver com a possibilidade de o extremo portista contribuir para a vitória de Portugal, mas, segundo as suas palavras, citadas pela mãe, orgulhosamente benfiquista, "para ver se ele se lesiona para domingo".

Ora, aqui temos um exemplo de como num simples jogo de selecção se pode jogar muito mais do que aquilo que o imediato nos oferece. De um lado, todo um povo benfiquista desejando que uma trivela do Quaresma lhe provocasse uma entorsezita ou uma distensãozita que o fizesse encostar às boxes por várias semanas. Do outro lado, o pobo portista, à espera que um qualquer jogador sérvio acertasse em cheio no Simão, lhe removesse uma das pernas (qualquer uma servia) e a levasse para casa.

Nem uma coisa nem outra aconteceram, por isso vamos ter de os ver na Luz no domingo, talvez a decidirem o jogo, como tantas vezes já fizeram no passado. Por mim, não me importo que o Simão jogue, desde que o Bosingwa esteja 100% fisicamente. Dos laterais que temos, é o único que, pela sua velocidade e experiência, pode parar o Simão. Quanto ao Quaresma, penso que nenhum defesa do Benfica consegue, num dia normal, pará-lo. Nelson ainda andará à procura dele, despois do lance do golo da primeira volta. Leo não tem velocidade para o cigano, ainda que seja um jogador experiente e inteligente.

Publicado por guardabel em 11:12 AM | Comentários (19) | TrackBack

março 29, 2007

As vitórias de Scolari

O burro do Scolari fez tudo para empatar o jogo na Sérvia. Com uma vantagem caída do céu, deixou-se encostar lá atrás e o golo adversário aconteceu. No resto, foi medroso como qualquer treinador do fundo da tabela da Superliga - a diferença é que os outros treinadores medrosos não têm Ronaldos, Simões, Quaresmas e Nanis... Isto até pode funcionar muito bem nas fases de apuramento, mas o maior problema é que a equipa joga sempre assim. O jogo com a Bélgica foi uma excepção porque os gajos são fraquinhos e os nossos criativos resolveram o jogo.

Quanto às substituições:

Tirou o Miguel e colocou o Caneira, quando o P. Ferreira já tinha um amarelo e um jogador fresco no seu flanco. Porquê?!

Tirou o Moutinho, que esteve de facto muito discreto, para colocar o Meireles e segurar o meio campo defensivo. Aceitável.

Aos 81 minutos colocou em campo o Quaresma, o Ronaldo foi fazer de ponta-de-lança e o Nuno Gomes foi descansar. Só a 9 minutos do fim?!!!!

Duas notas adicionais:

Detesto esta forma de gerir os resultados - Portugal, ao contrário do que acontecia no passado, tem equipa para vencer qualquer jogo, em qualquer lugar.

Se o ponta-de-lança titular não esteve bem contra a Bélgica, se o Ronaldo serve como avançado centro e o Quaresma fez uma monumental exibição no último jogo, a entrada do Simão deveria causar a saída do Nuno Gomes.

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Nota da redação: vejo-me na obrigação de esclarecer alguns espíritos mais confusos acerca da minha opinião sobre o Sr. Scolari:

1º Não me importa se o homem é brasileiro - poderia ser do Uganda, do Ruanda, da Guatemala ou do Vietname e, contudo, ser bom treinador. Por exemplo, mesmo em Lisboa existe gente decente, entre os quais muitos portistas;

2º Até o Humberto Coelho, grande central vermelhusco e treinador falhado em todos os clubes por onde passou, conseguiu fazer boa figura num Europeu. Claro está, tinha o Figo e o Rui Costa no auge e um Nuno Gomes no seu melhor momento de sempre, para além de uma equipa cheia de fantásticos jogadores do Porto;

3º Não me venham com a treta do 2º lugar no Euro 2004; no único Euro disputado em Portugal (sim, não foi preciso passar a fase de apuramento), o homem fez aquilo que ameaçava fazer, meteu água no 1º jogo e só emendou porque já não tinha margem para falhar. Além disso, insistiu num ponta de lança que jogou quase todos os jogos e não marcou um único golo. A cereja em cima do bolo foi ter perdido a final contra uma equipa que, sempre a jogar no erro adversário, já não surpreendia ninguém;

4º O 4º lugar no Mundial de 2006 foi obtido jogando mal e porcamente. Ficamos num grupo manifestamente acessível e não fizemos um único jogo de encher o olho. Pior do que isso, não conseguimos vencer os ingleses contra 10 (só nos penalties) e quanto aos jogos com a França e a Holanda, nem vale a pena falar. O final também foi muito bonito, tendo em conta que fomos goleados pela Alemanha.

5º Sobre o meu portismo exacerbado e o anti-portismo do Scolari - para quem lê o que eu escrevo, é muito fácil perceber que sou um apreciador dos jovens leõezinhos (Moutinho, Nani e Veloso) e até do Simão. Não defendo uma selecção de jogadores do clube A ou B. Defendo uma selecção com os melhores e o Quaresma é, neste momento, indiscutivelmente, um deles. Por exemplo, não coloquei em causa a entrada do benfiquista na equipa, apesar da exibição do Quaresma. Aquilo que defendo é que estaríamos melhor servidos com o Ronaldo no meio, no lugar de qualquer dos pontas de lança de que dispomos (que são todos a puxar para o banal, independentemente de serem portistas, ex-portistas ou benfiquistas).

6º Volto a insistir: o homem é pouco ambicioso, tacanho e medroso. Só mesmo quem gosta de ficar em segundo ou vencer metendo nojo aos próprios adeptos pode apreciar tal criatura. Espero sinceramente que acabe por ser treinador do Benfica - nessa altura serão os que hoje o defendem só por ser anti-Porto quem tratará de o insultar e de o correr.

Publicado por poncio em 12:28 AM | Comentários (50) | TrackBack

março 26, 2007

O futuro é brilhante (não esquecer os óculos-de-sol)

Em primeiro lugar, quero dizer que hoje em dia é fácil ganhar à Bélgica. O tempo de Ceulemans, Scifo, Vercauteren e Van den Berg já lá vai e actualmente esta equipa belga não passa de um conjunto de jogadores da 2ª (talvez 3ª...) divisão europeia. Eles até correm, esforçam-se e tal, mas não vão lá. Aquele falhanço de baliza aberta é paradigmático.

Em segundo lugar, quero dizer que aquela segunda parte foi um vendaval de técnica, vontade e condição física. E quando estas condições acontecem no mesmo jogo é meio caminho andado para a vitória. Era bom que assim fosse em todos os jogos da selecção e que os nossos jogadores esquecessem o discurso ultrapassado e demasiado cauteloso do treinador que temos.

A certa altura da segunda parte dei por mim a contar os jogadores que estavam em campo e que tinham sido "produzidos" pelo Sporting. São muitos mesmo. E depois ainda entrou o Nani. E o Simão não jogou. E o Miguel Veloso cá para mim vai ser o sucessor do Petit. Por isso, obrigado Sporting. Quando não desatam aos berros por causa das arbitragens, até prestam um bom serviço à nação.

PS - Parece que ontem os benfiquistas estiveram muito ocupados a votar num certo programa da TV portuguesa (não, não foi n' A Bela e o Mestre).

Publicado por guardabel em 01:32 PM | Comentários (43) | TrackBack

março 21, 2007

Estes belgas são uns anjinhos

Não admira que os franceses lhes dediquem anedotas pouco edificantes. Então os belgas querem arrumar com o nosso melhor jogador e vêm para a comunicação social apregoar tal intenção como quem apregoa kits de novo sócio em saldo? Ainda por cima pensam que os jornalistas de lá são como os de cá cujo o patriotismo bacoco lhes tolda a mioleirinha e transforma a deontologia profissional numa questão secundária.

Queriam arrumar com o Cristiano Ronaldo, faziam o seguinte. Em primeiro lugar, calavam-se bem caladinhos, que o segredo é a alma do negócio. Depois, durante o jogo, assim como quem não quer a coisa, mandavam um deles, de preferência um dos melhores jogadores (para disfarçar) seguir o miúdo para onde quer que ele fosse, mas sem dar muito nas vistas. Deixavam passar um quarto-de-hora, mais coisa menos coisa, até experimentarem um encostozinho aqui, outro acolá, e, mais adiante, um primeiro teste à resistência das canelas do madeirense para ver se dava. Se à primeira não desse resultado, esperariam pela meia-hora de jogo, e numa entrada perfeitamente normal, varriam o homem, a bola, a relva, tudo. Com um bocadinho de sorte, o árbitro nada faria e o nosso Ronaldo ficava a ver o resto da qualificação engessado, no conforto do seu lar. Este belgas são mesmo anjinhos.

Publicado por guardabel em 03:56 PM | Comentários (52) | TrackBack

março 18, 2007

Euforias e decepções

O Porto perdeu novamente, algo que ameaça tornar-se banal nesta segunda metade do campeonato. Ontem à noite, com um estádio cheio e com a responsabilidade de assegurar a viagem à Luz com a vantagem de quatro pontos que (ainda) nos separa do Benfica, a equipa deu uma imagem de incapacidade flagrante em atacar e defender com qualidade. E nem foi preciso que o SCP fizesse uma exibição brilhante. Apesar de uma segunda parte menos sofrível, o resultado adequa-se ao que se passou dentro das quatros linhas.

Os jogadores do Porto, excepção feita ao Paulo Assunção e ao Hélton, estiveram mal: lentos, temerosos, sem garra e sem energia. Foi particularmente confrangedor ver uma equipa que lidera o campeonato defender com os jogadores acantonados junto da sua baliza. Na segunda metade da primeira parte, o Sporting jogou completamente à vontade nas imediações da nossa área porque ninguém pressionava no meio campo. E a falta de fulgor físico, notória no Lucho, no Meireles e nos dois laterais utilizados (o Bosingwa ficou de fora por opção?!...) não explica tudo.

Parte da explicação para o insucesso reside na mediana qualidade do nosso plantel: temos demasiados jogadores de nível satisfatório e poucos que façam verdadeiramente “a diferença”. Alguns exemplos: temos 2 defesas esquerdos e nenhum deles se destaca pela positiva, ao ponto de actuarmos muitas vezes com um inexperiente defesa direito nesse lugar; temos 4 pontas de lança (Postiga, Adriano, Moraes e Renteria) que são todos razoáveis para consumo nacional, mas insuficientemente dotados para grandes jogos europeus ou situações internas em que o brilhantismo de um rasgo possa decidir um jogo. Pior ainda: só temos dois extremos/atacantes com qualidade (e um deles nem é propriamente um extremo): para além do Quaresma e do Lisandro (e das saudades que temos do Anderson), o nosso meio campo atacante está entregue aos Alans do plantel, jogadores sem nível para um candidato ao título: Jorginho e Vieirinha (porque o Tarik já cá não está para fazer monte).

Em suma, ontem, no banco do Porto, estava o Baía, dois centrais (Ricardo Costa e João Paulo), um tipo que ninguém sabe se é médio, atacante ou sequer jogador de futebol (Jorginho) e três pontas de lança! Infelizmente, como o “problema” mais evidente estava no meio campo e nas insuficiências do Alan… O Quaresma voltou a ser o único capaz e criar perigo (embora as suas perdas de bola e a reincidência em não defender tenham criado inúmeros problemas para a nossa defesa) e uma equipa como o FCP não pode depender da inspiração de um só jogador.

Se o Lucho não estiver em boas condições físicas e Lisandro e o Anderson não puderem jogar na Luz, será muito difícil sair de lá com uma vitória. Se é verdade que o que vi frente ao PSG não me impressionou minimamente (o Benfica demonstrou grandes fragilidades frente a uma débil equipa do fundo da tabela francesa), a sucessão de maus resultados criará por certo condições de instabilidade e nervosismo nos jogadores menos experientes do plantel.

Não obstante, LFV faz bem em tentar controlar a histeria dos adeptos: aconteça o que acontecer na 2ª feira, o Porto estará na condição de líder quando a equipa jogar na Luz. Só mesmo os mais fanáticos benfiquistas e a imprensa vermelhusca pode acreditar que o campeonato está resolvido a favor do SLB. Aliás, até pode acontecer que o jogo com o Porto não decida nada, independentemente de quem vença. Nos 7 jogos que ficarão por jogar, o Porto terá de enfrentar o Boavista no Bessa e o Benfica jogará com o Sporting (na Luz) e com o Marítimo (no Funchal).

Quanto ao Sporting, tenham paciência: ganharam um jogo importante e o momento é para comemorações, mas dizer que estão novamente na luta pelo título (como os jornais de hoje parecem querer apregoar) não passa de uma ilusão.

Publicado por poncio em 02:50 PM | Comentários (35) | TrackBack

Caminhada até Viena - 20 anos (IV)

Brondby-FCPorto – 2ª Mão

O FCP prepara-se para jogar a segunda mão dos quartos-de-final da Taça dos Campeões Europeus com o Brondby. No fim-de-semana anterior disse praticamente adeus ao título ao perder em Portimão por 1-0, enquanto o Benfica vencia em Guimarães por 2-1. Quatro pontos separam agora os dois primeiros, numa altura, lembre-se, que a vitória vale 2 pontos. Missão quase impossível. Daí que este jogo na Dinamarca assuma importância fundamental na tentativa de salvar a época.

Em relação à primeira mão, Artur Jorge faz quatro modificações no 11. Saem Zé Beto, Eduardo Luís, Laureta e Madjer, entrando Mlynarczyck (após 2 meses ausente por lesão) Lima Pereira, Inácio e Casagrande, respectivamente.

Aos 15 minutos, a lesão de Casagrande revelar-se-á decisiva para o desenrolar do jogo, uma vez que dará lugar à entrada de Juary, o marcador do golo do empate. Frasco e Quim ficam impedidos de jogar a primeira mão das meias-finais em virtude do 2º amarelo que levaram hoje. Casagrande também será baixa, uma vez que a sua lesão se revela bastante grave: rotura de ligamentos no tornozelo e fractura do perónio. Todos os jornais desportivos destacam a arbitragem demasiado caseira do árbitro.

Às 2 e 15 da madrugada, o avião aterra no Aeroporto de Pedras Rubras, onde algumas centenas de adeptos esperam a comitiva em clima de grande euforia. É a primeira vez que o clube atinge as meias-finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus. E nesta fase, há três hipóteses, qual delas a pior: Bayern de Munique, Real Madrid e Dínamo de Kiev.


Ficha do jogo:

Kobenhavns Idratspark, 18/03/87
Árbirtro: Lajos Nemeth (Hungria)

FCP: Zé Beto, João Pinto, Lima Pereira, Celso e Inácio; Frasco, André e Quim; Casagrande, Gomes e Futre.
Subs: Casagrande por Juary (14mins), Frasco por Eduardo Luís (74 mins)

Brondby: Schmeichel; Madsen, Olsen, Kent Nielsen e Ostergaard; Steefensen, Bjorne Jensen, Henrik Jensen e John Jensen; Claus Nielsen e Vilfort.
Subs: Bjorn Jensen por Bryan Laudrup e H. Jensen por Tommy Christiensen (aos 72 mins)

Amarelos: Frasco, Quim e Madsen.
Golos: Steffensen (36 mins) e Juary (69 mins)

Decrição do golo de Juary pelo Record: "Quim lançou Juary em profundidade, o brasileiro bateu Olsen em corrida, isolou-se, e bateu Schmeichel."
Descrição do golo por O Jogo: "O combativo médio portista (Frasco) levantou a cabeça e (nem sempre foi assim) não perdeu tempo. Juary estava perto, como que a pedir a bola. Ela chegou-lhe bem na hora. "Velocidade de ponta", o defensor contrário a ficar pelo caminho, e o brasileiro das Antas, já dentro da grande área, sobre o flanco direito, a concluir o sprint com um disparo colocadíssimo, a fazer entrar a bola, como uma flecha, pelo buraco da agulha. De nada valeu o mergulho tardio de Schmeichel. Acabava praticamente aí o jogo."
Descrição do golo por A Bola: "Excelente abertura de Frasco, solicitando Juary, o qual, após sprint pela direita, disparou rente à relva entre o corpo do guarda-redes e o poste esquerdo."

Relato do golo, na voz de Gomes Amaro (Rádio Porto):

Para os menos familiarizados com o futebolês do Gomes Amaro, o texto do relato: "Roubando bem a carteira o número sete Frasco, olha que bela fuga para Juary, invadiu a grande-área, olhou para o goleiro, fuzilou... é GOL! GOOOOOOOOLLL... do Porto! Juary! Juary, camisa 13, no barbante, no barbante de Schmeichel! Balança barbante, balança a rede balança, o marcador avança, o cronómetro-electrónico estava em cima dos 25, Juary, Juary perelepe, lançamento extraordinário desta vez de Frasco, entrou pelo miolo, chamou o goleirão, escolheu o canto, bateu por baixo, no barbante amarelo-e-azul, Juary... Juary pondo o empate no marcador, como é que fica Schmeichel? Vai lá, vai lá, vailá!"

Títulos dos jornais desportivos:

O Jogo – 19/03
Título de primeira página: "SALVÉ FC PORTO!"
Sub-título: Belo golo de Juary coloca campeões nas "meias"
Título do texto: Juary: "seta" envenenada

Record – 20/03
Título de primeira página: "Casagrande no hospital: Qualificação do FC Porto aliviou-me as dores".
Título do texto: Era um crime não aproveitar esta oportunidade de fazer história.
"Como jogaram os portistas: Mlynarczyck, André e Juary – a classe além da combatividade."

A Bola – 19/03
Títulos de primeira página: FC PORTO entre os quatro "maiores" da Europa; "Juary – Mais uma vez a "arma secreta" do campeão nacional"
Título do texto: "Golaço" de Juary conseguiu travar um verdadeiro vendaval escandinavo (... e serviu de prémio, não à perturbada exibição portista, mas à forma briosa como a equipa portuguesa se bateu)"
"Como jogou o FC Porto: Mlynarczyck, Juary e Futre – os principais obreiros da qualificação. (um golo consentido, que tudo complicou, e um golo feliz, que colocou os portistas nas meias-finais da prova)

Enviados-especiais:

Rui Martins, de O Jogo: "Qual crise? Em Copenhaga, p FC Porto foi igual a si próprio: soube ser humilde, não acusou o golo sofrido, reagiu com personalidade e revelou-se uma equipa de marca europeia."

"Futre fez jus ao epíteto de "perigo público" com que o rotularam os jornalistas dinamarqueses, ora pela esquerda ora pela direita, criando espaços, fintando, inventando."

Santos Costa, do Record: "Logo no início o árbitro apostou em intimidar o FC Porto e o amarelo saltou logo no primeiro minuto, quando, com cara de poucos amigos, colocou a cartolina à frente dos olhos de Frasco".


Declarações dos intervenientes:

Artur Jorge: "Julgo que ninguém ficou com dúvidas quanto à nossa superioridade"; "FC Porto nas meias-finais não é uma vitória minha, mas uma vitória de todo o clube"; "Provámos que é necessário ser uma equipa experiente para eliminar adversários deste tipo. Experiência e rigor táctico são fundamentais nestas ocasiões e a nossa equipa provou-o".

Pinto da Costa: "A um passo da final..."; "Serve qualquer adversário. Que venha o diabo e que escolha"; "Aqueles que têm pretensão em destruir o nosso trabalho, terão ficado desiludidos com esta bela exibição do FC Porto. Precisamos agora do máximo apoio do público, porque temos uma grande oportunidade de estarmos presentes na final."

Juary: "Só quando vi a bola entrar, acreditei que era golo. Até me aperceber disso, fiquei parado. Depois explodi de alegria."; "Corremos que nem uns cabritos. Nesta altura de alegria não me quero esquecer dos meus compnaheiros que ficaram em Portugal, e que, de longe, certamente torceram por nós."

Caminhada até Viena - 20 anos
Capítulos anteriores:
Um
Dois
Três

Publicado por guardabel em 12:38 PM | Comentários (1) | TrackBack

março 12, 2007

Dez mil comentários

O portista condor fez o comentário número 10.000 deste blogue (no post anterior, às 08:43 PM) . Prestes a completar três anos nesta plataforma, Pobo do Norte: o Pobo Mais Forte orgulha-se de ter tanta gente a passar por aqui. Uns comentam, outros apenas lêem. A todos, o nosso OBRIGADO.

PS - O nosso objectivo é chegar aos 300.000 comentários e entrar no Guinness. E sem a ajuda de Kits.

Publicado por guardabel em 09:01 PM | Comentários (75) | TrackBack

março 11, 2007

Missão cumprida

Tem sempre um gosto especial quando o Porto vence um jogo transmitido pela TVi. O calor e o empenho colocados na repetição dos lances supostamente duvidosos não têm igual. Mas a melhor frase da noite foi quando um jogador do clube madeirense cabeceou ao lado e o "benfiquista isento" de serviço exclamou desiludido: "se a bola batesse na testa do XPTO, etc. etc....". Enfim, um mimo. O jogo foi fraquinho e o Porto foi feliz na forma como chegou ao 2-0. Seja como for, o Marítimo foi sempre uma equipa demasiado dependente dos truques do Marcinho, ainda que jogando frente a um meio campo muito macio, que estava muito na expectativa, talvez na óptica de evitar os cartões amarelos.

Resumindo, estamos preparados para enfrentar os representantes da 2ª Circular. Esperemos que o Bruno Alves recupere a tempo de jogar com o Sporting (nunca pensei preocupar-me com a ausência deste central!), porque jogar com o Ricardo Costa é dar meio golo de vantagem aos adversários. O azarado do Ibson também parece ter ficado lesionado com gravidade, logo agora que estava a melhorar!

Entretanto, o Sokota lá foi embora. Ainda bem. Todavia, não deixa de ser um péssimo negócio para Porto, que apostou num jogador que tinha sido vítima de mais do que uma lesão grave ao serviço do SLB e que nunca foi uma opção consistente ao longo dos cerca de 2 anos que esteve ao serviço do FCP. Foi, no essencial, uma linha na folha de salários e certamente não saiu de "mãos a abanar".

Nota positiva: todos os que falaram sobre o assunto "frango em Londres" defenderam o Helton. Mas o que mais me agradou ouvir foi o Baía. Mostrou que não é egoísta e que é um jogador que saberá gerir o ocaso da sua carreira com dignidade. Não actuou como uma ave de rapina, nem aproveitou para, gerindo o silêncio, reclamar uma oportunidade. Muitos dizem que só serve para abraçar os jogadores do Porto que marcam golos - eu diria que ele está lá para mostrar que uma equipa como o FCP é uma unidade solidária, nos bons e nos maus momentos.

Publicado por poncio em 09:49 PM | Comentários (17) | TrackBack

março 08, 2007

18º classificado do Championnat vence líder do campeonato da 2ª Circular

Esta informação serve apenas para chamar a atenção dos tristes que comemoraram a derrota do líder da SuperLiga frente ao 2º classificado da Premier League.

Publicado por poncio em 10:23 PM | Comentários (22)

março 06, 2007

Uma derrota é sempre uma derrota, seja contra quem for

Uma derrota é sempre uma derrota, seja contra quem for, mas, na verdade, dificilmente alguém poderia imaginar que a equipa quebrasse, daquela forma, por um dos seus elos mais fortes. O Hélton continuará a ser um grande guarda-redes – para além do Baía, na minha opinião, ninguém preencheu aquele lugar nos últimos 15 anos de FCP com tal qualidade. Mas este jogo vai marcá-lo para sempre. Porque foi por ali que começou a nossa eliminação.

Confesso que tinha uma esperança secreta de que iríamos além com um dos “números” do Quaresma ou com um remate feliz do Meireles. Que o Chelsea dos milhões, do Ballack e do Shevchenko, não me impressiona particularmente – prefiro a versão dos anos anteriores. Porém, a minha fé começou a recuar quando soube que o Jesualdo tinha retirado da equipa o previsível Adriano e colocado à esquerda o Ricardo Costa. Ainda tenho na memória a nossa anterior visita a Londres e o péssimo resultado dessa táctica tipo “2 centrais e meio”… Mas, na verdade, até nem correu mal. Ou melhor, o Ricardo Costa até esteve bem, dentro do “género”, subentenda-se. Seja como for, aquele acagaçamento tipicamente portuga deixou-me fulo – quanto a mim, começaríamos a perder (muito para além da desvantagem inerente ao 1-1 do Dragão).

Não obstante, arrumadinhos, com um Lucho mais adiantado do que é costume, o “castelo” do Porto não ruiu sob o poder físico dos jogadores do Mourinho. Razoavelmente rápidos sobre a bola. Assunção, Meireles, Fucile, Cech e Pepe conseguiam levantar a cabeça e entregar ao Lucho, ao Quaresma ou ao Lisandro, para que estes segurassem a bola e permitissem à equipa subir em bloco. A primeira parte, mesmo depois do golo que colocava o Chelsea em desvantagem, foi relativamente calma dentro da área dos dragões, sobretudo se tivermos em conta a qualidade e o poder de choque de um Drogba ou de um Ballack.

Em suma, exceptuando algumas compreensíveis atrapalhações e embaraços causados pelo jogo “directo” dos londrinos ou por sequência de ressaltos, o Porto tinha cumprido a sua missão: marcou um golo e, não conseguindo controlar o jogo, também não permitiu criar ocasiões de golo flagrantes. Mourinho via “a coisa a correr mal” e o milionário russo já não disfarçava a sua insatisfação.

Porém, o início da 2ª parte foi também o princípio do fim do Porto. Robben finta para dentro, Lucho não reage, Assunção chega tarde à dobra e um remate chegado ao poste, de modo algum violento, é insuficientemente travado pelo Hélton: os pequenos ressaltos do remate terão motivado a falha, mas aquela bola era defensável mesmo por um qualquer Moretto.

O Jesualdo encheu-se de brios e disse com os seus botões: se os deixamos encostar a malta lá atrás, mais tarde ou mais cedo apanhamos o 2ª: tirou o Meireles, que estava a desaparecer do jogo, e meteu o Ibson (que, quanto a mim, tem entrado quase sempre mal nos jogos em que lhe é dado tempo para se mostrar). Mais: sacou o Cech, que andava perdido entre a posição de meio defesa lateral e meio médio ala, e atirou com o Adriano para o meio dos centrais contrários – nas suas palavras do final do jogo: quis “discutir o resultado”. Tinha razão, mas não tinha meios para isso. O Ibson até veio acrescentar alguma dinâmica, mas o Adriano quase nada conseguiu fazer.

O Chelsea continuava a fazer o que tem feito esta temporada na maioria dos jogos com grau de dificuldade acima da média: troca a bola cá atrás, não permite muitas aventuras aos adversários e, de um momento para o outro, lá vai uma bola bombeada para a cabeça do Alemão, do Costa-marfinense ou de outro “poste” de ocasião. Verdade seja dita que o Porto, apesar dos lampejos do Ibson, caiu muito depois do golo do Chelsea. O Fucile já não conseguia ser mais rápido do que os seus adversários mais lentos, o Ricardo Costa começava a jogar “à Ricardo Costa”, o meio campo ofensivo estava de rastos e os espaços iam surgindo. Um pontapé tipo “aqui vai disto” do Cole e duas cabeçadas depois a bola caia redondinha ao alcance do remate à meia volta do gigante Alemão.

Depois disto, apesar da vontade, não havia pernas nem discernimento que pudessem contrariar a qualidade de passe dos adversários ou a maneira muito “Mourinha” de queimar minutos ganhando faltas e levando a bola para o canto. A única coisa que me deixou perplexo foi o tempo que o Jesualdo demorou a reagir (substituir o Lisandro?! manter os 4 defesas?!) com um novo avançado e/ou com o envio do Pepe lá para a frente. Mais caricato ainda: o meio campo continuava a querer “levar o jogo até à área contrária” pelo chão, mesmo quando já estávamos no período de descontos. Seja como for, o Porto da 2ª parte foi absolutamente inofensivo, antes e depois do golo que nos haveria de eliminar.

O que fica disto tudo é a sensação de que fizeram o mais difícil e foram vencidos por uma falha comprometedora do homem que ocupa a posição em que não se pode falhar. Fica também a ideia de que, com mais um ou dois jogadores de excepção, o Porto bateria este Chelsea. Não temos, para este nível de competição, alternativas decentes para um Quaresma ou um Lucho Anderson faria certamente a diferença, mas falta também um avançado centro de qualidade. Temos outros jogadores de qualidade, mas não fazem a diferença a este nível.

Não acredito em vitórias morais, nem alinho na ideia de que esta equipa pode crescer e “fazer estragos” no futuro. Infelizmente, parece cada vez mais evidente que o Pepe e o Quaresma não farão parte do plantel do Porto em 2007/2008 e o trabalho de construir uma estrutura ganhadora começará de novo. Sem esses dois, e sem um Lucho em boa forma física, nenhum Anderson consegue levar o Porto além da fase de eliminatórias da Champions.

Reparem nas equipas que tombaram e pensem na multiplicidade de soluções atacantes e solidez de um Inter, no poder colectivo de um Lyon ou na fantástica qualidade do meio campo de ataque de um Barcelona. O Inter de Ibrahimovic, Júlio Cruz, Crespo e Adriano; o Lyon de Juninho, Tiago, Malouda, Baros e Fred; o Barcelona de Xavi, Deco, Iniesta, Messi, Eto e Ronaldinho: todos ficaram pelo caminho. Isso não reduz o peso da nossa derrota, mas dá uma noção mais aproximada do que é preciso para, em eliminatórias renhidas, fazer verdadeiramente a diferença. A vitória final nesta Champions será por certo de uma das seguintes equipas: Chelsea, Man United, Valência ou Milan.

Para o ano há mais e ganhar ao Marítimo é ainda mais importante agora.

Publicado por poncio em 11:57 PM | Comentários (20) | TrackBack

Com orgulho

E quase que o meu post anterior se confirmava. Faltou um bocadinho... assim.

Bem, um pouco mais a sério, qualquer pessoa com os pés bem assentes no chão, encara como natural esta nossa eliminação. O Chelsea é melhor, já o sabíamos. Cabia-nos a nós contrariar essa espécie de verdade científica. E não conseguimos. A forma como não conseguimos é que nos deixa um amargo de boca, pois é difícil entender como sofremos um golo como aquele que sofremos aos 2 minutos da segunda parte. E aqui, surge-me outra preocupação: estaremos a assistir a uma "morettização" de Helton? Que se passou com o guarda-redes da selecção brasileira? Será ele, na realidade, um guarda-redes apenas razoável, que, num momento "a doer", acusou a responsabilidade?

Fizemos uma primeira parte muito boa, chegando a calar Stamford Bridge. Em vários momentos apenas se ouvia a voz dos adeptos do FC Porto. O Chelsea fazia o seu jogo, um jogo feio, como é normal ver-se nesta equipa, que vive muito de ressaltos, bolas para a confusão. Uma versão chique do "tudo ao monte e fé em Deus". Conseguimos sempre contrariar este futebol de repelões e marcámos naquela que foi a melhor jogada de todo o encontro.

Só que a partir do golo, nunca mais fizemos um remate à baliza. As estatísticas da UEFA comprovam-no. Em 90 minutos, rematámos 2 vezes (as duas foram à baliza, uma deu em golo), enquanto que o Chelsea fê-lo por 12 vezes (apenas três foram à baliza e duas entraram). Os números da equipa de Mourinho não são grande coisa, serão mesmo pobrezinhos para o nível da Champions League, o que até abona a favor da nossa defesa (guarda-redes à parte), que hoje fez um excelente jogo (se exceptuarmos a paragem cerebral colectiva no segundo golo). Só que os nossos números são paupérrimos. E uma equipa que faz 2 remates em 90 minutos não pode aspirar a passar a eliminatória.

Já fizemos há muito o diagnóstico das debilidades do nosso plantel, por isso não vale a pena gastar mais "teclas" com isso. Também já sabemos da falta que nos faz aquele que o grego do Benfica arrumou. Não vale a pena estar a bater mais no ceguinho. Só queria referir a diferença abissal que se verifica entre a nossa equipa e a equipa deles ao nível físico. O problema não é nosso. É um problema português, que afecta todo o nosso futebol e que já se verifica há muito tempo. E parece que ninguém se preocupa com isto. Como é que é possível haver uma diferença tão evidente do ponto de vista físico entre nós e eles? Como é possível que os Figos e os Cristianos Ronaldos saiam daqui uns "lingrinhas", cheguem ao estrangeiro e evoluam tanto ao nível físico?

Saímos naturalmente da Liga dos Campeões. Não saímos humilhados, nem goleados, como desejariam alguns espíritos acéfalos que costumam visitar este espaço. E para o ano lá estaremos mais uma vez, porque é lá o nosso lugar natural, ao contrário de alguns clubes para quem a presença na Champions League soa sempre a oportunidade rara.

Publicado por guardabel em 11:17 PM | Comentários (6) | TrackBack

Às 21:35

Quando, logo, por volta das 21:35, mais coisa menos coisa, o delegado ao jogo mostrar a placa com os quatro minutos de descontos, o Chelsea estará com um pé nos quartos-de-final, pois já marcou dois golos e nós apenas um. A partir desse momento, ficará para sempre a dúvida se Ricardo Quaresma quis mesmo marcar o golo que nos dará o empate ou se quis simplesmente cruzar para um dos cinco jogadores portistas que estão na grande-área. Essa será uma questão acessória, que ocupará grande parte das discussões até ao final da semana. Agora, o que interessa é que a bola estará lá dentro, Cech, estendido dentro da baliza, olhará o céu, Ricardo Carvalho porá as mãos na cabeça, Mourinho olhará o horizonte com uma expressão de serenidade aparente. Será sempre um milionário, mas a sua tarefa no clube inglês estará concluída daqui a alguns meses. Este golo magistral colocará o FC Porto na próxima eliminatória. O momento será indescritível. A visão do amontoado de jogadores celebrando o golpe do mágico apenas terá paralelo na imagem de um Jesualdo Ferreira a correr como um louco até ao sector onde se encontram os adeptos portistas, para aí se ajoelhar e erguer os braços ao céu. O Chelsea ainda tentará um último ataque, e depois outro, e ainda outro. Mas a história já foi escrita há muito.

Publicado por guardabel em 10:48 AM | Comentários (15) | TrackBack

março 05, 2007

Deixem conduzir o Mantorras

Nem na estrada o homem tem sossego. Já lhe conhecíamos a aversão a aeroportos, principalmente com passaportes rasurados. Já sabíamos que as hipóteses de jogar assiduamente no seu clube são remotas. Só faltava não o deixarem conduzir.

Mantorras foi detido esta manhã por conduzir com carta de condução angolana. Há dias, Luisão foi apanhado com um grau de alcoolemia superior ao autorizado por lei. Há um ano, foi Simão quem espatifou o carro quando ia para o treino. Parece haver tradição de complicações ao volante de jogadores do segundo classificado. Não sei se eles se acharão inimputáveis por jogarem no clube que arrasa todos os recordes mundiais. Se acharão que estão acima da lei. De qualquer maneira, fica a sugestão: aulas de código da estrada ao plantel. Seria o primeiro clube a nível mundial a ter esta iniciativa e, com certeza, seria mais um motivo de orgulho para toda a chamada família benfiquista. E, quem sabe, não se abriria nova categoria no Guinness: "Clube com mais jogadores a assistirem a aulas de código da estrada".

Publicado por guardabel em 05:33 PM | Comentários (16)

FCP-Braga: vitória importantíssima

Como eu tinha previsto, esta vitória sobre o quarto classificado foi muito difícil. O Braga provou que, mesmo com ausências de peso, tem uma excelente equipa, com várias opções credíveis. Dificultou-nos muito a vida e chegou a dominar o jogo durante alguns períodos. O facto de ter sofrido um golo muito cedo (e que golo!) veio também alterar a disposição das equipas e, naturalmente, o Braga, como quarto classificado que ainda há uma semana ganhou em Itália, tinha de arriscar e comportar-se como uma equipa ambiciosa que é. Nós acabámos por ter mais oportunidades de golo, mas houve momentos em que só um Helton magistral e um Bruno Alves imponente evitaram o empate.

A nível individual, para além dos jogadores já referidos, gostei da prestação de Paulo Assunção, de Lisandro e de... Adriano. O primeiro já tinha impressionado contra o Chelsea, o segundo continua a demonstrar ser um exemplo de classe e abnegação em campo, e o terceiro... só para me calar... e ainda bem... mostrou por que merece tirar o lugar a Postiga. Adriano está muito confiante e a forma como "comeu" o defesa bracarense no golo é típica de um grande jogador de área, que é o que Adriano é.

No plano negativo, não gostei de Lucho, nem de Quaresma. O primeiro não aguentou um encosto, sem cair. Perdeu disputas de bola ombro-a-ombro. Foi lento e apático. E falhou um penalti, o primeiro desde que está a jogar no nosso clube. E nem o facto de ter assistido Adriano para o primeiro golo serve de atenuante a exibição tão pobrezinha. Quanto ao segundo, teve um final de tarde desinspirado. Espero que se esteja a guardar para Stamford Bridge.

Na equipa do Braga, apenas confirmei aquilo que já sabia sobre Zé Carlos. É um grande jogador. Só é pena que a sua idade (está a poucos dias de fazer 32 anos) seja impeditiva para mais altos vôos. No plano negativo está o nome de Diego, o tal que se chegou a falar para o Campeão Nacional. Tem um estilo que faz lembrar a ex-glória brasileira Raí, mas fica-se por aí. No Dragão, foi uma verdadeira desilusão.

Publicado por guardabel em 05:13 PM | Comentários (4) | TrackBack

Caminhada até Viena - 20 anos (III)

O Record de 6 de Março de 1987 não traz para a capa a vitória do FCP sobre o Brondby. Nem sequer uma caixinha com o resultado. E nem o facto de ainda ser um trissemanário e o jogo se ter disputado há 2 dias serve de desculpa. A capa é ocupada pelos seguintes temas: regresso de Bento à competição (depois de uma longa ausência motivada pela lesão no México); Álvaro, GR do Lusitânia diz que vai ser um gozo jogar no Sporting; e Jorge Plácido confirma que falou com Fernando Martins (para uma possível ida para o Benfica).

O Jogo, único desportivo diário, diz na capa: "Golo de Madjer estragou a festa ao Brondby". No interior: "O arrojo chegou tarde". Apesar do 1-0 ser curto, Artur Jorge não está insatisfeito: "Razoável... e não sofremos golos".

A Bola intitula na capa de 7 de Março: "Duros de roer os homens vindos do frio". No artigo interior, escreve-se: "Vendaval de técnica só abre uma brecha na muralha alta e loira". O destaque é dado ao seguinte parágrafo:

"A arte de Madjer garantiu ao FCP uma magra mas preciosa vitória ante uma equipa de "Manniches", muito forte fisicamente, mas longe da classe e categoria dos seus irmãos da selecção que deslumbrou no Europeu de França e Mundial do México."

Convém relembrar que Manniche é um jogador dinamarquês que, em 1987, joga no Benfica. Aliás, a referência ao Benfica, sabe-se lá porquê, está sempre presente. Veja-se como começa o texto de Aurélio Márcio, sobre o jogo:

"Não terá sido a noite europeia que a grandiosidade das Antas merecia, que a multidão, presente no estádio estava à espera e que, bem vistas as coisas, nós também esperávamos, de tal modo que até tínhamos um título bem giro, por sugestão às grandes noites que o Benfica proporcionou, já lá vão muitos anos, tantos que até já nem nos lembra quando foi a última vez..."

Na análise aos jogadores, faz-se o título: "De Madjer algum perigo – André a movimentação constante". O destaque é: "João Pinto acabou em grande estilo, descendo pelo seu corredor, e foi ele quem esteve no golo solitário, que talvez não chegue para o triunfo na eliminatória". Obrigadinho pelo optimismo.

No rescaldo do jogo, Artur Jorge diz: "Eu não menti a respeito do valor do Brondby". Quanto ao nosso Presidente, Pinto da Costa lembra que "foi com resultados de 1-0 em casa que chegámos há 3 anos à final de Basileia (Taça das Taças)".

Skovdahl não está muito optimista ("Será difícil vencer este Porto de muita classe"), ao contrário da imprensa dinamarquesa, que dá vivas à ... derrota do Brondby, considerando que o facto de ter sido apenas por 1-0 foi em si uma autêntica vitória.

Schmeichel declara: "Estou contente com o resultado, mas estou descontente comigo próprio, confesso que não sei perder e aquele golo fica-me atravessado na garganta. Foi triste, foi estúpido. Não quero desculpar-me. Houve uma falha de marcação da nossa defesa, mas eu podia safar. Madjer enganou-me, não esperava que ele chutasse assim." Ele não sabia, mas o Madjer era assim.

Caminhada até Viena - 20 anos
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Um
Dois

Publicado por guardabel em 01:49 PM | Comentários (1) | TrackBack

março 02, 2007

Incompetência ou má fé?

O Portal dos Dragões abriu a polémica, num excelente trabalho do seu administrador, e o Pobo do Norte não podia deixar de fazer referência a mais uma afronta ao nosso clube. Para verem o que se passou, basta entrar no portal e depois clicar em "Traduções maliciosas com vista a denegrir o FC Porto". Incompetência ou má fé? Cada um fará a interpretação que quiser. Para mim, trata-se de mais um caso de incompetência profissional (quem não se lembra do caso Co Adriaanse-Raul Meireles e o famoso "he was sleeping"/"he was slipping"?) aliada à predisposição para falar mal o FC Porto.

PS - Um agradecimento ao Costinha pelo comentário no texto anterior.

Publicado por guardabel em 11:17 PM | Comentários (12) | TrackBack

Caminhada até Viena - 20 anos (II)

Para o Brondby, trata-se de uma estreia a este nível, tendo na presente edição eliminado o Honved e o Dínamo de Berlim. O campeonato dinamarquês está parado, mas a equipa fez uma digressão por Inglaterra, pelo que não está sem ritmo de jogo.

Trata-se de uma equipa muito jovem, com jogadores sem experiência internacional. O guarda-redes é um deles. É neste momento o segundo redes da Dinamarca, atrás de Rasmussen, e todos lhe auguram um grande futuro. O seu nome: Peter Schmeichel. Na defesa pontificam jogadores como Ole Madsen, Lars Olsen e Kent Nielsen, este o patrão do sector mais recuado. Os médios John Jensen e Henrik Jensen dominam o meio-campo. Henrik é a estrela da companhia, e dele se diz estar muito perto do Valência. Na frente, Claus Nielsen é o avançado mais perigoso, mas Kim Vilfort não lhe fica atrás. Com 18 anos, um tal de Brian Laudrup promete seguir as pisadas do seu irmão mais velho (que joga na Juventus).

Em 28 de Fevereiro, A Bola entrevista as "vedetas" do Brondby e faz o título: "Vamos eliminar o FC Porto... apesar das dificuldades / A nossa equipa não tem experiência, mas é muito boa".

Declarações dos jogadores:

- Henrik Jensen: "Penso que Gomes era um goleador temível anos atrás, agora não. Casagrande é melhor, mais novo, mais forte, mais difícil de travar."
- John Jensen: "Sei que o FCP é uma equipa muito boa em casa e que tem três jogadores muito bons no meio-campo e um esquerdino extraordinário... Futre!"
- Kent Nielsen: "Gomes é muito perigoso; tem o "faro" do golo. Pode não se ver durante 80 minutos, mas aparece a marcar um golo decisivo".

Em 3 de Março, o Record publica as últimas declarações de Artur Jorge antes do jogo: "Precisamos que o público nos apoie". O nosso treinador leva 18 jogadores para estágio: Zé Beto, Amaral, João Pinto, Celso, Eduardo Luís, Festas, Laureta, Bandeirinha, André, Gomes, Futre, Madjer, Casagrande, Juary, Eloi, Frasco, Jaime Magalhães e Sousa.

Ficha do jogo:

Estádio das Antas, 04/03/87
75.000 (segundo o Record) Grande assitência (segundo A Bola)
Árbirtro: Gerard Biguet (França)

FCP: Zé Beto, João Pinto, E. Luis, Celso e Laureta; Frasco, André e Sousa; Madjer, Gomes e Futre.
Subs: Sousa por Casagrande (45mins), Frasco por J. Magalhães (67 mins)
Suplentes não utilizados: Amaral, Festas e Quim.

Brondy: Schmeichel; Madsen, Olsen, Kent Nielsen e Ostergaard; Steefensen, B. Jensen e H. Jensen; C. Nielsen e Vilfort.
Subs: C. Nielsen por Hansen (61mins) e H. Jensen por Laudrup (80mins)

Amarelos: Frasco, Vilfort, B. Jensen e Laureta.

Golo: Madjer, aos 70 minutos.
Decrição do golo pelo Record: "Jaime Magalhães entregou o esférico a João Pinto e o defesa-direito das Antas, rapidamente, endossou-o ao argelino, o qual atirou rasteiro para o fundo das redes."
Descrição do golo por A Bola: "Iniciativa de João Pinto que leva a bola quase à entrada da grande-área, metendo-a bem à frente de Madjer. O internacional argelino, desviado para a meia-direita, dominou-a e com o pé direito bateu Schmeichel, quando ele saiu da baliza."

Relato do golo, na voz de Gomes Amaro (Rádio Porto):

Para os menos familiarizados com o futebolês do Gomes Amaro, o texto do relato: "...tenta chegar no pedaço João Pinto, ele tentou soltar no comando, é para o Madjer, chutou, é goooooooolll........ do Porto! Madjer, camisa meia-dúzia, no barbante do Brondby! Madjer, camisa seis, depois de um trabalho espectacular de João Pinto, o garotinho invadindo pelo miolo, serviu para o meia-dúzia, invadiu descampado pela direita, chamou Schmeichel, tocou rasteirinho por baixo do corpo do grandalhão... Balançando... Balançando o torcedor azul-e-branco e o barbante amarelo-e-ouro da equipe do Brondby... Como é que fica Schmeichel? Vai lá, vai lá, vai lá!"


Caminhada até Viena - 20 anos
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Um

Publicado por guardabel em 06:10 PM | Comentários (4) | TrackBack

FC Porto-Braga: este sim, é complicado

Não costumo fazer antevisão de jogos, mas decidi aceitar o convite do Avenida Central (blogue bracarense), e então cá vai:

É incontornável referir, em primeiro lugar, o facto de Jorge Costa e Aloísio regressarem ao Dragão. Um grande e longo aplauso de pé é o que estes homens merecem de todo um estádio cheio. Nós temos memória e aquilo que estes dois campeões fizeram pelo clube do seu coração não pode deixar de ser retribuído. Que ganhem todos os jogos do campeonato. Excluindo o de sábado, claro.

Não é esta a melhor altura para jogar com o Braga. Atravessam um bom momento, depois da vitória histórica em Parma (quantos clubes portugueses têm no currículo vitórias em Itália?) e da subida ao quarto lugar do campeonato isolados. E nem a ainda fresca polémica entre o Bicho e o avançado Zé Carlos (para mim, um avançado merecedor de um grande) me parece prejudicar o modo da equipa jogar.

Creio ser uma equipa com muitas opções, ainda que não tenha visto jogar elementos como Andrade, Rodriguez e Chmiest. Alguns jogadores do núcleo duro da equipa que veio ganhar ao Dragão há dois anos continuam lá (com a excepção de João Tomás e Nunes, pelo menos...), o que constitui sempre uma mais-valia: Paulo Santos, Luis Filipe, Paulo Jorge, Jorge Luiz, Vandinho, Wender, Madrid e Cesinha jogam juntos há muito tempo, ainda que alguns deles já não estejam propriamente na flor da idade. A presença de Bruno Gama e de Diego nas últimas equipas do Braga parece querer evidenciar uma tentativa de equilíbrio entre a veterania e a juventude. E o Jorge Costa pode dar-se ao luxo de ir por este caminho porque tem realmente muitas caras para colocar no tabuleiro.

Acredito que o FC Porto ganhará o jogo. As últimas duas goleadas e o empate com o Chelsea injectaram uma grande dose de confiança na equipa (que, de resto, estava a precisar) e Quaresma, o melhor jogador do campeonato, está disponível, o que dá sempre jeito. O cigano é cada vez mais um jogador imprevisível, um daqueles jogadores que transfigura tudo à sua volta. Para além do terror que começa a inspirar nos adversários. E a equipa vai atrás dele.

Publicado por guardabel em 01:18 PM | Comentários (1) | TrackBack

março 01, 2007

Bento

Um gajo cresce com estes nomes e depois, quando eles se vão, fica sempre um aperto no coração. Sem clubites.

Publicado por guardabel em 09:10 PM | Comentários (16)