Moretto mantém o nível da época passada!
Despedimo-nos ontem da Holanda com uma vitoriazinha por 1-0 sobre o Heracles Almelo, da primeira divisão holandesa. O jogo foi em geral aborrecido. Valeu sobretudo pela confirmação de que Vieirinha é um nome a ter em conta. O grande dilema de Co Adriaanse neste momento será este:
- mantê-lo no plantel, arriscando-se a jogar pouco, uma vez que Quaresma deve ser indiscutível e Tarik é uma aposta pessoal do treinador?
- emprestá-lo a uma equipa onde possa jogar com regularidade?
Na minha opinião, quem é bom jogador impõe-se naturalmente - se o treinador lhe der oportunidades - e Vieirinha é um grande jogador. Tem de ficar no plantel.
O jogo de ontem também sevriu para confirmar a validade de Bruno Moraes para ponta-de-lança. Um jogador que passou o que ele passou dificilmente responde de forma tão efectiva como ele o fez. Boa movimentação sem bola, bom remate, boas tabelas com os médios vindos de trás - tudo isso fez Bruno Moraes. Espero que o treinador não o dispense.
A equipa não jogou bem, mas houve jogadores que o fizeram bem. Para além dos já citados, destaco Anderson, claro, um homem a quem é muito difícil tirar a bola sem ser em falta. A questão é: onde estão os nossos especialistas na marcação de livres directos? Este estágio trouxe a novidade de um Raul Meireles a assumir-se como marcador de livres, mas não chega.
Repito que a equipa não jogou bem. Se, por um lado, o adversário usou e abusou da falta, por vezes violenta (o árbitro também deu uma ajudinha ao não assinalar penalti sobre Vieirinha), também é claro que quisemos fazer tudo demasiado depressa, faltando clareza de espírito e discernimento para pensar o jogo, pausá-lo quando necessário, e fazer as melhores opções no passe. Falta alguém que dê ao nosso jogo essas características e todos nós sabemos quem é esse alguém: Lucho Gonzalez.
Por fim uma palavra para Raul Meireles, que está um jogador "todo-terreno", fazendo-me lembrar o grande Rui Filipe, também ele um jogador que deixava tudo em campo, defendia e atacava com igual qualidade.
Na sequência do post anterior e do jogo do terceiro classificado com o Sion há um ano, lembrei-me de revisitar esse episódio épico que os emigrantes protagonizaram ao salvarem o camião do seu clube. Sim, o camião do SLB foi salvo pelos emigrantes.
A história reza assim: o camião do Benfica estava retido na fronteira entre a França e a Suiça. A razão prendia-se com o facto de, durante o fim de-semana, ser proibida a circulação de pesados na Suiça. Pelo menos foi a justificação apresentada pelo jornalista cuja notícia vão ter já oportunidade de ler. Mas não foi só isso. Mais adiante, diz-se que ao camião "faltava uma série de procedimentos legais sem os quais não seria possível cruzar a fronteira."
Então eu pergunto: um clube profissionalizado como o SLB não deveria saber, na altura, que não se podia circular ao fim-de-semana? Um clube dirigido por alguém especialista no negócio dos camiões não deveria saber quais os procedimentos legais exigíveis a quem vai para o estrangeiro? Será o Benfica um clube tão "mais grande" que mete um camião à estrada sem dar cavaco a ninguém e à espera que todas as fronteiras se abram para ver passar "sua alteza"? Que clube é este, afinal, que não respeita os procedimentos legais dos transportes de pesados? Como ficam os profissionais do sector, com o seu nome manchado por causa da irresponsabilidade de um clube? :-)
Para "desbloquear" a situação, foi necessário pagar 5600 euros, sendo que os suiços não quiseram ser pagos via vale postal a partir de Lisboa. Foi então que dois emigrantes sacaram das suas economias e pagaram o dinheiro que permitiu ao camião ir vender uns kits para a Suiça. Foi há um ano. O camião foi salvo.
Há mais ou menos um ano, toda a família benfiquista andava excitadíssima com a perspectiva de repetir uma vitória no campeonato, mas desta vez a sério, já que o anterior tinha sido tão tristemente ganho que até envergonhava os próprios adoradores da vaca. Tudo isto com o alto patrocínio de A Bola, esse jornal paladino da isenção bermelha.
Há um ano, era Koeman quem liderava a equipa, mas era um jogador que concentrava todas as atenções: Karyaka, o homem que tinha vindo da Rússia, rotulado de número 10, craque e a cheirar a Rui Costa. Depois do primeiro jogo da época, contra o Sion, foi o delírio nas hostes. "Promessa em Russo" fazia a manchete do jornal no dia seguinte. Mas não só. Na análise individual da equipa, os títulos descansavam qualquer benfiquista mais céptico: "Kariaka já começou a dissipar dúvidas sobre o seu valor - RUSSO DE SANGUE LATINO". O jogador tinha mesmo direito a um texto em destaque (juntamente com Beto e Anderson), que convido todos os visitantes a ler.
A Bola intitulava o texto sobre o jogo da seguinte forma: "Este Benfica ainda não é uma equipa mas promete dar que falar - TALENTO PARA KOEMAN DOMAR". O jornalista escrevia, a dado passo, "De olhos postos na baliza e no golo, com criatividade, dinamismo e muita alegria. Assim prometem jogar as equipas de Ronald Koeman."
O Record também contribuía para a festa. Enfim, como é bom recordar a alegria vermelhusca na pré-época.
O verdadeiro adepto benfiquista vê-se na hora da verdade.

McCarthy já faz parte da história gloriosa do FC Porto. Com uma Liga dos Campeões, uma Taça Intercontinental, dois campeonatos nacionais, duas supertaças e um título de melhor marcador, este sul-africano que em 2003 fomos buscar ao Celta de Vigo (que é nosso amigo, convém não esquecer) ajudou a construir um FC Porto dominador, que, antes da sua chegada, vivia na ressaca do fantasma Jardel. Benni McCarthy marcou golos, muitos deles espectaculares, e ajudou a tornar forte este clube. Desde o primeiro golo, num jogo da taça contra o Académico de Viseu, até ao último, marcado já nesta pré-época num particular, foram muitos os grandes momentos de Benni. Destacaria dois deles. Aquela noite mágica contra o Manchester United, com o primeiro golo em remate à meia-volta após passe de Alenitchev e o segundo num remate de cabeça depois de cruzamento de Nuno Valente. O segundo momento, o golo na Luz que nos deu a vitória há dois anos, num remate de fora da área que deixou Moreira pregado ao solo. Os portistas sabem reconhecer os jogadores que, apesar de mal aconselhados por empresários histéricos, sempre deram o máximo pelo clube. Por isso, obrigado, Benni, e boa sorte em Inglaterra!
ACTUALIZAÇÃO (25/07):
Algumas frases de McCarthy na despedida:
"Não me digam que vou continuar a marcar golos a este tipo" (Em tom de bricandeira, sobre a hipótese de Ricardo ir para o West Ham)
"Nunca vou esquecer o F.C. Porto, porque foi sem dúvida a melhor fase da minha carreira. Posso garantir que vou ser um dragão para sempre."
"Já me sinto um portuense, um portista."
O terceiro classificado vai contar esta época com um conjunto de gajas boas a dançar, a animar as bancadas, e a incentivar a equipa. Estarão vestidas de laranja (o Koeman havia de gostar) e o patrocínio que constará nas camisolinhas bem justinhas aos corpos esbeltos é Trifene 200. Este medicamento é indicado para dores menstruais, de dentes e de cabeça, sendo que, no caso dos adeptos lampiónicos, serão estas últimas, as dores de cabeça, que terão uma ocorrência mais frequente nos jogos em casa. A qualquer momento, a meio da época, o patrocínio pode mudar para Rennie ou Kompensan.

Era de um tropeçãozito destes que estávamos a precisar, pois ficou evidente que há ainda muita coisa para melhorar. A equipa sentiu bem a diferença entre este adversário e os amadores com que tinha jogado anteriormente. Fê-lo em condições atmosféricas exigentes do ponto de vista físico. Para não falar de indiscutíveis titulares que ontem não jogaram, como é o caso de Quaresma e Lucho. Vamos aos (+) e aos (-):
MAIS:
Bosingwa - Marcou um golaço (de fazer inveja a qualquer "Maestro" em pré-reforma) e fez o corredor direito todo com uma impressionante boa condição física. No primeiro golo, teve azar, mas poderia ter sido mais decidido.
Helton - Já não há dúvidas: este é o nosso guarda-redes titular e será o melhor da liga que começará em Agosto. Evitou dois golos certos e nos que entraram nada podia fazer.
Anderson - Alguém já disse nos comentários ao artigo anterior que tem de haver lugar para este jogador no onze. Concordo plenamente! Veloz, forte, imaginativo. Foi o jogador que mexeu com a equipa na segunda parte e fez esquecer Ibson.
MENOS:
Bruno Alves - Nem no banco, na minha opinião.
Jorginho - Não tem culpa que o treinador o tenha colocado a ponta-de-lança, mas também não fez muito por se destacar. Vamos ter o mesmo Jorginho do ano passado?
Ezequias - Não gostei, mas pode ser apenas uma primeira impressão.
Co Adriaanse - Ofereceu uma parte de avanço ao adversário, ao abdicar de um ponta-de-lança. Na segunda parte, corrigiu e a equipa venceu essa metade. Está a fazer experiências, o que é normal, mas não pode pôr em causa o prestígio da equipa.
Houve outros jogadores que me agradaram a espaços, mas que não se destacaram tanto como os três acima referidos. Estou a falar de Raul Meireles (por estar em todo o lado), Tarik (por alguns pormenores técnicos), Vieirinha (por ser difícil pará-lo sem recurso à falta) e Adriano (pelo golo).
TRINTAEDOIJAJERO!
Trinta e dois a zero é o score que levamos neste momento depois de três jogos particulares ou treinos, como quiserem, contra equipas amadoras. Há quem critique a opção de escolher adversários tão fracos para iniciar a preparação da época. Eu não. Acho que é nestes jogos que os jogadores aumentam os seus níveis de confiança e de entrosamento. Se pudermos ganhar e golear, tanto melhor. Hoje, contra o Groningen, da 1ª divisão holandesa (18:07, TVI), a coisa pia mais fino. Mas o treinador, jogados três jogos, já terá um quadro mais ou menos definido no que toca à condição actual dos jogadores. Por falar em condição dos jogadores, registo com muito agrado a total recuperação de Bruno Moraes, a quem, na minha opinião, deveria ser dada uma oportunidade no plantel. No extremo oposto, lamento a tendência quase masoquista de Sokota para ter uma lesão nova quase todos os dias. Acho que devíamos meter o departamento médico do Benfica em tribunal.
GRANDE MISTER
- O nosso treinador aplicou um correctivo aos jornalistas de A Bola, que, baseados num suposto atraso de Adriano e Pepe, logo noticiaram que vinha aí castigo por parte do treinador. Eis a resposta do mister Co:
"Não sabia que era de A Bola mas vi a sua camisola, que é vermelha, e o vermelho é símbolo de anti-Porto, de Lisboa, do Benfica... Estamos muito zangados, porque o que escreveu não é verdade. Temos um grupo fantático, com jogadores muito bons. E Adriano e Pepe estão com problemas porque algumas pessoas que leram o seu jornal telefonaram-lhes: "Castigo, porquê? O treinador é maluco." A culpa disto é sua, porque nada aconteceu, temos uma boa atmosfera. Você tentou destruir o trabalho do FC Porto. Por isso é que nunca mais, enquanto estiver no FC Porto, admitirei que me coloque questões. Você é bem-vindo, mas não vai ter respostas da minha parte" (Co Adriaanse, em A Bola, 21/07/06)
Concordo plenamente com esta atitude do nosso treinador (por muito que desagrade aos Serpas deste país), pois estes senhores - os jornalistas - têm o dever de noticiar factos. Tudo o que for para além disso não é da sua coimpetência. Se os jogadores, na opinião dos jornalistas, chegaram tarde, que noticiem que chegaram tarde e ponto final. Agora, começar a especular sobre hipotéticas consequências é que não. Para além disso, aquela referência ao bermelho demonstra que o nosso treinador está imbuído de um espírito grandioso e sublime na luta contra o Infiel.
MANELELE RECAMBIADO
- Voltando ao departamento médico do terceiro classificado, parece que as coisas não funcionam bem para aqueles lados. O Manelele foi recambiado, o encaixe não aconteceu, o departamento médico não sabe da pubalgia e agora está ali um berbicacho complicado. Tenho pena do chabalo, que é um bom jogador e não merecia ser tratado desta forma. Pode ser que um dia encontres o céu vestido de azul-e-branco...
O FIM DOPING
- Em termos de doping, esta semana viveu-se um momento histórico, graças ao acórdão do Conselho de Justiça, pois parece que a luta contra o dito cujo tem os dias contados. A partir de agora, qualquer jogador que acuse uma substância proibida não será punido, a não ser que, e atenção que isto é muito importante, a não ser que se prove que ele ingeriu ou chutou para a veia qualquer coisa de livre e espontânea vontade e de forma consciente, o que é facílimo de provar... Pior sorte tiveram outros rapazes - por exemplo o Rui Lopes do Setúbal ou o Carlos Alonso do Santa Clara - que foram punidos com seis e nove meses de suspensão em situações iguais à que se passou com o jogador do terceiro classificado. O Conselho de Justiça não mudou de uns casos para os outros, o que mudou foi a maneira de tratar dos casos. Por que seria? É claro que o clube dos 6 milhões fez o seu papel, alegando que o mijo foi mal transportado, o que teria alterado a sua composição. Podiam também dizer que aquele mijo pertencia a outro jogador, que era preciso proteger caso se confirmasse a perspectiva de uma transferência. Será que colava?
Vamos apresentar-vos uma imagem. Só têm de colocar nos comentários aquilo que cada uma das três personalidades estará a dizer. Pode ser um exercício de saudável boa disposição. Observem bem os gestos, as posturas, as expressões faciais. Vamos lá puxar pela imaginação. A imagem é esta.
Actualização (23/07): tivemos uma participação por mail. Aqui.
A revista Sábado citou o Pobo do Norte. Foi na edição de 4 a 10 de Maio deste ano, mas só agora me apeteceu referir o facto. Já sabíamos que éramos (e somos) lidos por muita gente, dos mais variados quadrantes da sociedade, desde políticos com responsabilidades nos destinos do país até presidiários ex-presidentes de clubes da 2ª circular, mas a referência isolada numa revista de grande tiragem como é a Sábado é sempre algo especial e enche-nos de orgulho.
A cereja no topo do bolo é que fomos citados num artigo que põe frente-a-frente o seleccionador nacional e o nosso grande Presidente. O texto surge inserido na revista especial de aniversário da Sábado que acompanhou a edição normal. Podem ler todo o texto aqui.
Obrigado, Paixão, pela dedicação.
O terceiro classificado quer entrar no Guinness. Mas o Celta de Vigo já não o tinha colocado lá há uns anos?

O Campeão Nacional voltou ao trabalho. Respect!
No campo de treinos do terceiro classificado do campeonato português, 10 mil dedicaram ao quarto classificado do campeonato do mundo a canção "campeões, campeões, nós somos campeões". Suponho que o jogo que a SIC está a transmitir neste momento lhes passe ao lado. Ao mesmo tempo, esses 10 mil patriotas gritaram "Fica! Fica! Fica! Fica!", o que é de péssimo gosto, tendo em conta o nome do clube que costuma lá treinar.
Se antes do Mundial, o Dembo Cassama me tivesse dito que Portugal ia ficar em 4º lugar, eu tinha imediatamente erigido uma estátua ali na Ribeira ao mister Scolari e iniciado uma peregrinação ao santuário de Nª Srª Caravaggio.
Depois de ver a forma como o "nosso" mister orientou a equipa nos jogos "a doer", uma equipa que passou 360 minutos - desde o golo de Maniche à Holanda ao de Nuno Gomes de hoje - sem marcar um golo, apetece-me contratar o primo do Zé Beiga, ir ao aeroporto e espetar-lhe um banano no focinho. Sem esquecer, claro, a facto do melhor jogador do campeonato português não ter tido lugar neste mundial.
Hoje, perdemos 3-1, num jogo do qual tirei as seguintes conclusões (ou, como diz o locutor da SIC, "Vamos adiantar um sublinhado sobre este jogo"):
1. As trajectórias da bola são fodidas. Principalmente quando saem do pé do avançado, vão em linha recta e entram mesmo no meio da baliza. Surpreendente. Também surpreendente era ver o Ricardo não dar barraca há tanto tempo. Ainda assim, Ricardo, sais deste Mundial com um contrato no estrangeiro. Nada mal.
2. O Nuno Gomes, afinal, foi ao Mundial. E foi o ponta-de-lança português com melhor rendimento, com uma média golos/tempo jogado superior à de Pauleta e astronomicamente superior à de Postiga. Scolari foi esperto ao tê-lo poupado para estes minutos finais. Os alemães ficaram completamente surpreendidos! Bem feito!
3. Por falar em Pauleta, ele esteve uns furos acima do normal, pois apareceu por uma vez em jogo com uma oportunidade flagrante. Mas como era dia de homenagear Oliver Khan, o nosso açoreano presenteou-o com um passezito, assim a modos como um aquecer de mãos para os remates seguintes de Ronaldo e de Deco.
4. O Petit deve ter carimbado o passaporte para o Manchester United com aquele sublime desvio. No final deste Mundial, fiquei com a sensação que Petit ficou um pouco àquem daquilo que pode e sabe fazer, nomeadamente na difícil tarefa de entrar aos calcanhares do adversário. Fez bem em guardar-se para o nosso campeonato.
No final do jogo, na SportTV, o Peseiro resumiu o que se passou hoje em Munique: "Portugal caiu exactamente da mesma forma que fez cair a Holanda e a Inglaterra - aplicando a mesma fórmula". Eu diria, a fórmula de sucesso deste Mundial: coesão defensiva, ataque pela certa ou, quando muito, contra-ataque. Posse de bola e espectáculo são "luxos" dispensáveis.
É verdade, a França fez muito pouco por merecer a vitória, mas a nossa selecção foi igualmente incapaz de criar perigo consistentemente e encostar os franceses às cordas. Ronaldo tentou, Figo também, Deco esteve algo distante do seu melhor e desta vez nem o Ricardo "herói das grandes penalidades" nos salvou.
Parabéns aos nossos pelo esforço, pelo empenho e por, pelo menos, o 4º lugar. Esperemos que o querer e as energias ainda permitam vencer a Alemanha e acabar em beleza.
Como puxar pela selecção (ainda?) não é um exclusivo de benfiquistas e anti-portistas, tenho estado sempre contigo. Não aprovo parte significativa das tuas escolhas, não aceito placidamente as tuas exclusões. E muito menos entro em histeria por termos chegado à meia-final de um campeonato do mundo. Porquê? Porque apesar de gostar de ver os portugueses a ganhar, apreciaria ainda mais se o fizéssemos de uma forma minimamente convincente.
Dir-me-ás (tu e a multidão de lusitanos que te adora só porque desprezas um dado clube do norte) que o "meio a zero" chega. E estás certo. Todavia, tento lembrar-me de um momento de brilhantismo da selecção brasileira que venceu no mundial Coreia/Japão e não me ocorre nada. Porém, lembro-me perfeitamente do triunfo da França e da arte do então jovem Zidane. Lembro-me da Argentina campea no México 86 e nos desempenhos de Maradona e Valdano. Lembro claramente a Itália que triunfou em Espanha, em 82, que se arrastou na fase de grupos mas que se impôs com muito sangue e esforço colectivo (a um fabuloso Brasil, de Zico, Eder e Sócrates), mas também com golos de Paolo de Rossi.
É por isso que aconteça o que acontecer hoje, terás sempre o meu reconhecimento. Mas, perdendo ou ganhando, não terás nunca a minha admiração se não criares as condições para soltar o génio do Ronaldo, do Deco e do Figo. Porque, de facto, as vitórias são o que fica para os livros, para as estatísticas. Mas o que perdura na memória dos vivos são os momentos mágicos.
Muitos têm tentado passar a ideia que antes de ti estavamos na fase das vitórias morais. Nada mais falso. Se é verdade que com a tua orientação chegamos à final de um Europeu jogado em casa e, pelo menos, às meias finais de um Mundial, até um treinador mediocre como o Humberto Coelho nos colocou numa meia final (do Europeu de 2000, lembram-se?).
Resumindo: mérito existe, como é evidente, em quem consegue os resultados que têm sido obtidos. Por outro lado, é bom que não se esqueça, no balanço apressado que sob a histeria se têm feito, que muitas asneiras foram cometidas nos últimos 3 anos, e que desde o início da década de 90 Portugal tem trilhado um caminho muito diferente, essencialmente, por mérito do investimento na formação de jovens talentos (os exemplos abundam: João Pinto, Rui Costa, Paulo Sousa, Fernando Couto, Figo, etc.).
Por tudo isto, para o jogo de hoje, apenas te peço que me faças orgulhoso da nossa selecção. Quero ganhar, claro. Mas, muito honestamente, o que desejo mais é arrumar futebolisticamente uma geração de fantásticos futebolistas franceses, mas com golos marcados antes dos penalties. Nessas circunstâncias, seja como for, aconteça o que acontecer, obrigado.
Queria fazer uma correcção ao post anterior. Na verdade, depois de me ter lembrado do modo como o Benfica de "Trampattoni" jogava quando ganhou o campeonato há dois anos, é justo reconhecer que Portugal até joga benzinho.
Não me venham com merdas. Estamos nas meias-finais do campeonato do mundo, mas continuamos a não jogar uma merda. Se não gostei que tivessemos passado? Claro que gostei! Delirei! Apeteceu-me abraçar um benfiquista, vejam lá! No que eu não embarco é nesta tentativa de tapar o sol com a peneira do costume e negar as seguintes evidências:
1. Jogámos durante uma hora em superioridade numérica e não marcámos um golo. Pior: nunca demos a sensação de o conseguirmos fazer, pois na verdade não criamos uma daquelas oportunidades que se consideram flagrantes. Aliás, conseguimos a façanha de estar nas meias-finais marcando um golo em dois jogos, o equivalente a 210 minutos!
2. Foram os ingleses, nesses 60 minutos, a ter a oportunidade de golo mais flagrante por intermédio de Lennon, e antes da expulsão de Rooney, foram os ingleses a estar sempre mais perto do golo.
3. Revelámos uma gritante falta de ideias para ultrapassar o muro que a Inglaterra, habilmente, colocou à nossa frente. O nosso jogo foi sempre lento e previsível. Os adeptos estrangeiros falam de Pauleta como o ponta-de-lança mais fraco do mundial. Eu digo que Figo só joga porque é uma "vaca sagrada".
4. Tivemos mais uma vez a demonstração da inépcia táctica (para não lhe chamar outra coisa) do Scolari, quando:
a) "tirou" o Cristiano Ronaldo do jogo, colocando-o entre os centrais, após a entrada de Simão.
b) manteve o Figo em campo até aos 86 minutos quando dava pena o modo como se arrastava em campo.
c) preferiu um Postiga completamente inútil a um Nuno Gomes que, se estiver a 100% do ponto de vista físico (se não estiver, trata-se de um grave erro o tê-o seleccionado), é um jogador mais experiente e talhado para estes grandes momentos como o demonstrou no passado.
Fico muito feliz por termos um Ricardo no seu melhor momento de forma em muitos anos. Mas acho piada aos "inteligentes" que vêm agora cobrar daqueles que gozaram e criticaram o Ricardo há uns meses atrás, como se o Ricardo não tivesse atravessado um mau período, como se não tenha dado frangos a uma média assinalável por jogo, como se não tivesse ido para o banco (ou fora) no próprio clube, como se não tivesse revelado total instabilidade psicológica durante algum tempo, o que o levou, por exemplo, a fazer a figura triste que fez em directo num programa da Sportv. O Ricardo ultrapassou tudo isso e ainda bem. Quanto ao resto, não me venham com merdas.
Já que aqui chegamos, seria bonito ir mais além. Ok: a Argentina (o meu favorito?!) e a Espanha já cairam, mas esta é a última oportunidade de um grupo de talentosos jogadores que ainda subsiste no "Clube Scolari".
Aqui ficam os meus recados para os nossos jogadores:
Ricardo, por favor, fica entre os postes; não nos enterres; porta-te bem! Se quiseres e estiver muito calor, tira as luvas - pode ser que os bifes fiquem acagaçados e comecem a chutar para a linha lateral;
Miguel, estou com fé em ti! Corre, corre, corre, mas não te esqueças que o gajo que defende o lado contrário dos ingleses também corre muito. E não deixes o Cole brincar perto da área - os gajos são lixados nos livres. Se fores tão rápido como tens sido e o Ronaldo estiver num dia "sim", vou ter pena dos gajos. Não te esqueças: quando estiveres perto da área, esquece que tens mais 10 tipos na tua equipa: fecha os olhos e manda uma bilha.
Meira, tens estado bem e não meteste água (excepto num lance com o Irão). O matulão, se jogar, é teu. Usa o físico, porque o gajo é grande mas é magricela; aproveita: vais ser o único avançado do mundial face ao qual tu vais parecer um tipo ágil e com bons rins...
Ricardo Carvalho, eu sei que é complicado, mas para além do Rooney, tens que "deitar um olho" no Meira. Claro, tens razão, mesmo sendo rápido não consegues estar em dois locais ao mesmo tempo - mas podes tentar, não é?
Nuno Valente, estás cada vez mais lento e molengão, mas vais ser outra vez util quando estivermos a ganhar e o bifes começarem a atirar bolas para a nossa área; tens sorte porque o Beckham também já não está para grandes corridas e o Neville é tudo menos rápido.
Petit, refreia os ímpetos! Se tiveres que levar um amarelo, tenta ao menos acertar num dos que interessa "arrumar" (eu ajudo: por esta ordem, o Rooney, o Gerard e o Lampard; se o árbitro for condescendente, acerta uma no Cole, que também é tramado). Tem juízo e tenta marcar um golo com um daqueles remates "à padeiro" - pode ser hoje o teu dia de sorte e o Man United contrata-te logo.
Maniche, continua a fazer o que tens feito. Eu sei que o Scolari não diz coisas tão inteligentes como o Mourinho mas de certeza que se aproveita qualquer coisa - faz o que ele manda, mantém-te calmo e marca um golito. Se fizeres isso, nem me importo que acabes a carreira no SLB (depois dos 32 anos, ok?).
Figo, faz como o Zidane e não deixes que os bifes acabem já com a tua carreira na selecção. Agora que pareces um jovem a correr (ok, não é bem assim mas é para dar moral...), podes fazer de Deco, de Ronaldo ou até de Figo dos bons velhos tempos. Faz qualquer coisa de especial enquanto tiveres força: de certeza que vai sair bem.
Simão, ou sobes ao pedestal dos grandes jogadores desta selecção ou é melhor não saires do SLB, porque te irás dar mal num clube com maiores ambições (estou a falar de "reais e legítimas ambições", não de conversa da treta para benficóides saudosistas). Estou confiante que vais ter sucesso: marca um livre, entra na área e atira-te para o chão ou faz aquele ar de Calimero sempre que alguém te tocar. Tu és um ás nisso!
Ronaldo, sei que ainda te dói a patada daquele animal holandês, mas sei também que irás enfrentar um defesa direito em nítido declínio (aliás, o gajo nunca foi um sobredotado) e poderás fazer o que quiseres do pobre coitado. Aproveita, marca um golito de cabeça, porque o Pauleta está outra vez na sua fase "poste alto". E não te esqueças, aconteça o que acontecer, a malta não deixa que ninguém se chegue à Merche, nem o Boss AC, que vai ser proibido de fazer vídeos na banheira!
Pauleta, tu e o Nuno Valente são os gajos que mais me preocupam. Ou melhor, os gajos que menos preocupam os adversários. Espero que o teu guru te tenha explicado a regra do fora de jogo, que o Terry tropece e que, mesmo isolado, consigas não acertar no Robinson. Se estiveres a jogar tão bém como nos últimos tempos, sugiro que dês rapidamente uma cacetada num inglês (pede a lista de alvos ao Petit), finge que estás lesionado e pede ao Scolari para colocar o Nuno Gomes em campo; obrigado pá!