A introdução de João Malheiro no livro Memorial Benfica - 100 Glórias é uma anedota. Não pelo conteúdo em si, uma vez que cada um pode dizer o que lhe vier a cabecinha, por muito tonta que esta seja, mas pelo estilo do autor. Um estilo para o qual eu não encontro adjectivos, mas que casa perfeitamente com aquelas famosas conferências de imprensa do ex-Director para a Comunicação Social da instituição. Isto leva-me a questionar se o livro terá também como destinatários os benfiquistas que por qualquer motivo apenas tiveram oportunidade de receber uma instrução escolar básica, os benfiquistas do Portugal profundo que se juntam na camioneta de "Alguidares-de-Baixo" para ir ver o seu "glorioso". Ou se será apenas destinado aos doutores da palavra. Não sei. Já ouvi dizer que o Benfica era o clube mais democrático de Portugal, mas lendo esta introdução chego à conclusão de que isso já foi chão que deu uvas. Tal como os campeonatos. Sem glórias.
Eis a prosa, retirada deste blogue:
"Foi a maior fábrica de sonhos do século XX, o Benfica. Só mesmo o Benfica. O Benfica a relativizar o conceito de craque. Vulgarizar até. Para bancadas vestidas de gente, gente ululante, gente regalada, com cio de bola, num olhar de gente continuadamente infantil à locomotiva vermelha, transporte seguro e pundunoroso de outra gente, gente que soprou talento, gente de exibições sobrenaturais, gente que rubricou momentos ferozmente bons, gente que soprou talento, gente com suplemento de garra, gente da gente, só da gente. Gente muita houve para quem o dia nasceu contente. Gente que tanta vez enganou a fome com a bola. Gente apaixonada pelas belas aguarelas. Gente do Benfica. E aquela gente, demasiado divina em campo? A crispar os sentidos, a obsidiar a inglória. Num tributo aos novos e aos velhos, aos plebeus e aos aristocratas, aos iletrados e aos eruditos. A todos, a todos os missionários da crença vermelha.
Foram Eusébio ou Coluna. Como antes Francisco Ferreira ou Rogério. Antes ainda, Vitor Silva ou Espírito Santo. Mais tarde, Humberto Coelho ou Chalana. Agora, Simão Sabrosa ou Nuno Gomes. Foram as chuteiras mágicas. O carisma magnético. As conquistas avassaladoras. Os artistas da bola, os poetas do jogo, os heróis do povo.
Cem jogadores para cem anos de história. Sem renitência e sem temor. Também sem esforço mas talvez com pecado, pequeno que seja, mas sempre pecado. Não há, não pode haver, duas escolhas iguais. Esta é a minha, alicerçada em muitas horas de leitura das escrituras garridas, no saldo das tertúlias berrantes, na observação directa das façanhas rubras. Não é, longe disso, um trabalho magno mas é, imodestamente, um trabalho que não há, não havia. Nesta como noutras (poucas) ocasiões, não resisto a reputar a obra como um acto de megalografia. Em virtude, tão-somente, do jaez dos biografados. E se o adjectivo é a prosa a tomar partido, no entendimento do mestre e amigo Baptista-Bastos, fica a advertência para a prosa adjectivada que se segue. Afinal, no desfile de gente imorredoura, de gente enorme, na concepção de benfiquismo, de portugalidade. Com uma dedicatória sentida ao Centenário. Ao povo vermelho. Ao Benfica."
Publicado por guardabel em janeiro 20, 2005 07:05 PMVindo desse papagaio bem falante, não seria de esperar outra coisa...
Afixado por: Pentadragão em janeiro 20, 2005 10:06 PMAh ah ah ah ah ah :)
Afixado por: Xerxes em janeiro 20, 2005 10:31 PMEste gajo é mas é parvo - aquele texto é o maior chorrilho de lugares comuns e escrita "à poeta de aldeia" que eu já li. Vejam só este pedaço: "num olhar de gente continuadamente infantil à locomotiva vermelha, transporte seguro e pundunoroso de outra gente" - o que é que o tipo pretende dizer afinal? Isto são Os Lusíadas à moda do SLB - palavras ocas para narrar feitos passados. Coitado do Camões!
Afixado por: poncio em janeiro 20, 2005 10:54 PMEu gosto particularmente da parte "gente ululante, gente regalada, com cio de bola," Será uma indirecta à Leonor Pinhão? :-)
Afixado por: guardabel em janeiro 20, 2005 11:03 PMCom cio, a Leonor? Se fosse ciática...
Afixado por: Xerxes em janeiro 21, 2005 12:52 AMdor de corno isso sim... ou será que preferiam uma escrita com sutoáque do nuorte á papador do canal por onde a merda passa (vulgo tripas)?
Afixado por: Diabo em janeiro 21, 2005 01:41 AMIsto foi feito à medida dos "cegos da Luz", vulgo adeptos benfiquistas.
Só eles conseguem engolir tudo o que os dirigentes fazem para encher os bolsos de dinheiro, basta para isso prometer, ou elogiar a "instituição" que logo ficam eufóricos e desembolsam o que for preciso.
Tem sido o paraíso dos vendedores da "Banha da Cobra" e pelos vistos continua a ser, cada vez em maior quantidade.
Nota: Cego, não é aquele que não vê, esse é invisual, cego é aquele que não quer vêr!
Não resisto...
Ah Ah Ah Ah Ah AH AH AH...
Diria até: "não resisto a reputar a obra como um acto de megalografia, não quereria antes dizer megalomania... afinal, no desfile de gente moura, de gente cega, na "dele" concepção de benfiquismo, de papagaisse, hum, hum. Com uma dedicatória sentida, ui, ao centenário (que será em 2008). Ao polvo vermelho, avante camarada, avante."
Espectacular...
O gajo escreve como fala... é autêntica anedota.
Mas ó guarda-abel como é que conseguiste abrir e ler a inttrodução duma obra que dá pelo nome Memorial Benfica?
Ainda bem que falas nisso porque eu esqueci-me de indicar o blogue de onde tirei o texto (vou tentar encontrá-lo).
Abrir o livro do Benfica e ler o texto não é nada do outro mundo. Ainda por cima para alguém como eu, interessado na história do nosso país, nos seus tempos ancestrais. Acho que é um documento muito rico do Estado Novo, por exemplo :-)
O que me "ofende" na tua observação é tu admitires a mínima hipótese de que eu poderia ter tido a pachorra de passar todo o texto para o computador! :-)
Afixado por: guardabel em janeiro 21, 2005 06:28 PMEste "Malheiro" é um tratado, só tem comparação com o nosso animal de estimação, o " diabinho de merda".
Sem comentários!