novembro 26, 2004

A ascensão de José

Eu já tinha confidenciado com amigos, numa fase anterior do campeonato em que o nosso meio-campo (Costinha-Maniche-Diego) se mostrava frágil e com pouca vocação para a recuperação da bola, que precisávamos de mais um elemento que dotasse a equipa da maior poder de luta, mais garra no meio-campo. Dois nomes vinham à mente: Bosingwa e Raúl Meireles. Cheguei mesmo a defender a ida para o banco de Diego, numa fase em que o "chabalo" parecia um pouco perdido e atordoado com um estilo de futebol completamente diferente daquele a que estava a habituado - no Brasil sobra espaço para a arte e a técnica e joga-se ao ritmo do samba.

A exibição de Bosingwa (o José, como gostamos de lhe chamar) na Rússia veio confirmar aquilo que já tínhamos visto (também no jogo com o Boavista): ele é neste momento um jogador fundamental para o equilíbrio do nosso meio-campo. É o jogador que corre mais, que luta mais, que recupera mais. E nunca deixa de rematar de longa distância. Victor Fernandez já percebeu isso, embora tenha demorado algum tempo... O problema que se coloca agora tem a ver com o regresso de Diego à equipa e a forma como o treinador vai gerir a coisa. Penso que a melhor opção será avançar para um 4-4-2 -- Costinha-Maniche-Bosingwa-Diego -- de modo a libertar o brasileiro de acções defensivas. O meio-campo ganha em força e em fantasia, que foram precisamente as suas principais características dos últimos dois anos.

O problema é que, numa perspectiva de 4-4-2, incluindo o José, alguém vai saltar fora. Quem? Tendo como dado adquirido que McCarthy é neste momento indiscutível, restam Quaresma e Derlei. A situação é complicada. Se por um lado temos em Quaresma um jogador do tipo "pode-decidir-a-qualquer-momento", como aconteceu já esta época em várias ocasiões, por outro, Derlei é Derlei (ainda não é mesmo, mas para lá caminha) e a forma como se entrega ao jogo e a pressão que faz sobre os defesas deixa o cigano em desvantagem. Actualmente, Derlei parece estar numa fase algo trapalhona e individualista, de que o jogo na Rússia foi exemplo. Mas com Quaresma, perdemos a capacidade de pressionar logo a partir da grande-área adversária, que foi um dos principais atributos da equipa nos dois últimos anos.

Se a ideia for utilizar dois pontas-de-lança clássicos (à maneira do SLB, mas com nível, claro), aí Quaresma salta fora e pode constituir com Carlos Alberto uma excelente alternativa no banco. A sondagem que hoje chegou ao fim dá precisamente McCarthy-Derlei, com 35% dos votos, como a dupla preferencial para o ataque. Logo a seguir, a curta distância, a dupla McCarthy-Fabiano (27%), que será outra opção bem válida a ter em conta, se bem que aqui temos dois jogadores com perfil futebolístico muito semelhante na minha opinião. Em terceiro lugar, ficaram McCarthy-Hugo Almeida, com 15% das preferências. Hugo Almeida tem características únicas no conjunto dos avançados que temos e, para já, ganhou a corrida a Hélder Postiga.

Este texto teve como mote a ascensão do José e toma como pressuposto a sua continuação na equipa titular. Mas só Fernandez sabe o que vai fazer. Será que ele lê o Pobo do Norte?

PS - Já está aberta nova sondagem, desta vez sobre mais um episódio dessa comédia que nos tem feito rir ao longo dos anos chamada Sport Lisboa e Benfica (ou como também é conhecida, a instituição) Participem!

Publicado por guardabel em novembro 26, 2004 04:33 PM
Comentários

Amigo Guardabel, eu concordo em absoluto contigo: o José é a "cola" daquele meio-campo. Quanto à necessidade de fazer um dos da frente ir para o banco (McCarthy, Derlei ou Quaresma), eu voto no "cigano". É um jogador imaturo e que não defende. Pode tornar-se um fora-de-série se deixar de jogar para o umbigo e, para isso, uma lição de humildade vem mesmo a calhar. O problema da escolha vai ser mais complicado quando o Fabiano estiver em condições de jogar.

Afixado por: Poncio em novembro 27, 2004 08:18 PM