Numa noite fria e com as expectativas em baixo, lá fui ao Dragão ver este FCP-SCP. As minhas expectativas não eram baixas por causa do Sporting e da sua alegada "recuperação". Eram baixas porque, este ano, ainda não tive oportunidade de ver uma exibição convincente do meu clube. Vi partes de jogos assim-assim, vi meias partes brilhantes (como a 1ª na Luz) e vi coisas tenebrosas, de pura anarquia e/ou falta de empenho (como em Paris ou na 2ª parte do jogo com o Penafiel).
E até aos 20 minutos a coisa não prometia muito. O SCP estava acantonado lá atrás, com muito espaço para o Rui Jorge lançar os velozes Doula e Liedson, mas sem o mínimo perigo. O Porto controlava as coisas no seu meio campo mas perdia o controlo da bola mal cruzava a linha divisória.
Até que a coisa se precipitou: até ao intervalo, dois lances evidentes de possível golo (o remate do Diego e a perdida do Derlei em frente ao Ricardo) e alguma "pressão alta" que resultou, por exemplo, em contra-ataques que criaram situações de aperto e, em particular, uma situação de grande penalidade não assinalada. O SCP vivia então, e cada vez mais, das correrias do Doula (uma delas acabou com um perigoso cruzamento a que ninguém chegou).
O início da segunda parte foi mais do mesmo e, quando marcou, o FCP já merecia amplamente estar em vantagem. Claro está, o 1º golo resultou de mais uma daquelas anedóticas saídas do Ricardo, mas ainda assim soube muito bem. O resto resumiu-se à agonia do Sporting, que perdia bolas à entrada do seu meio campo de uma forma absolutamente evitável. E é ainda no meio desse desvario dos leões que surgiu o momento da noite, isto é, aquele que me deu mais gozo e que valeu por todo o jogo: o golo do Diego. Na verdade, o homem até estava a começar a desaparecer do jogo e era previsível que fosse o 1º a sair. Não foi e ainda bem para nós. O miúdo fez finalmente uma daquelas coisas que eu já o tinha visto fazer no Brasileirão.
Todo o resto é apenas consequência do desacerto do SCP e do facto do Carlos Martins ter entrado tarde demais - o SCP parecia outra equipa com aquele homem em campo. Foi dele o remate mais perigoso do Sporting em toda a partida (um livre marcado com muita força que o Baía defendeu bem) e foram dele as arrancadas mais decididas em direcção à área do Porto. O 3º golo é um castigo para o modo desorganizado como o SCP defendia naquele momento e também resultado do desespero. O Carlos Alberto ainda "tentou falhar o golo", adicionando mais uma finta ao lance, mas a coisa correu bem.
Para mim, a despeito do resultado, sem ter sido deslumbrante, esta foi a melhor e mais consistente exibição do FCP esta época e, já agora, a 1ª em que o Diego deixou uma marca da sua qualidade. Gostei da segurança do Pedro Emanuel e de ver o Derlei de volta à condição que fez dele um dos imprescindíveis (lutou muito e esteve bem a atacar, apesar do falhanço na cara do guarda-redes) e apreciei bastante o jogo do Costinha (que acabou de rastos). Para variar, o grego foi o pior da equipa e parecia que estava com os copos. Ontem, até o Areias esteve bem. Esperemos que não tenha sido um acidente.
De qualquer modo, depois da histeria dos Benfas por causa da vitória sobre o Setubal, esta foi a melhor resposta possível.
Publicado por poncio em novembro 9, 2004 11:34 PM