Gostaria de estar a escrever um post que dissese:
"É preciso ter calma, isto é só futebol. Hoje recomeça tudo de novo - o trânsito, o trabalho e a crise política. A alegria justifica-se, porque foi um momento memorável. Mas a vitória no Euro 2004 não nos transformou num país rico, com índices desenvolvimento elevados, nem criou condições de vida mais dignas para os mais desfavorecidos. Não acabou o compadrio, continuamos a ter os azelhas do costume (de todos os partidos) ao leme dos desígnios da nação e, para além disso, não consta que o Alberto João Jardim se tenha demitido..."
Mas o texto de hoje é diferente:
Doeu muito. Vi o jogo na casa de uns amigos: nenhuma das 10 pessoas presentes naquela sala conseguiu dizer uma palavra que seja no final do jogo. Estavam incrédulos, como eu, ainda à espera de mais um número do Ronaldo, de mais um rasgo do Figo, de uma jogada artística do Deco, de uma bomba do Maniche. Depois daquela apoteose, depois da euforia, era difícil acreditar que tinhamos "morrido na praia".
Não vale a pena arranjar culpados. Afinal, este é o melhor resultado de sempre da equipa de Portugal. Mas não chega, pois não? Não chega para consolar os milhões que viveram intensamente este torneio e a nossa caminhada; não chega para festejar, porque ser segundo e ficar contente é coisa de perdedores natos. Não chega para dar esperança, porque mesmo que o futuro da selecção esteja assegurado, oportunidades como esta não abundarão, ainda que venhamos a ter uma selecção ainda mais forte, com jogadores mais decisivos... e com pontas de lança que marquem golos!
Custa-me a acreditar que perdemos. Que fomos derrotados por um único remate à baliza, por um único canto, por uma jogada de "bola parada". A verdade cruel é que bastou um e de nada valeram os remates portugueses e o desespero das bancadas. Apesar de todos os elogios que agora dirigem à Grécia, a verdade é que aquilo é uma equipa de jogadores banais, que jogam do mesmo modo que Portugal jogava nos anos 80 (a diferença é que perdíamos quase sempre...).
Nos 23 jogadores do campeão da Europa existem, no máximo, 3 ou 4 verdadeiros jogadores de nível europeu - o guarda-redes (um veterano discreto, que esteve sempre bem), o defesa direito (que, para nossa felicidade, parece ainda melhor que o P. Ferreira!), um central chamado Dellas (que não é um portento nem tem a elegância do R. Carvalho, mas esteve impecável) e o médio que falhou a final (Karagounis). Que me perdoem os Gregos, mas o suposto melhor jogador do Euro 2004 é um tipo acima da média, mas está longe de ser um fora-de-série capaz de levar a selecção "às costas", capaz de encantar um estádio. Já alguém se deu ao trabalho de comparar o respectivo desempenho com do Maniche? Ou com o do Jankulowsky?
Mas que os Gregos jogaram certinhos, que o Fyssas até parecia melhor jogador que no Benfica e que o matulão do avançado que marcou o golo defende muito bem, lá isso é verdade. É também verdade que as marcações deles secaram o Deco, o Figo e o Ronaldo, e que, sem estes, o jogo português perdeu o tino. É também verdade que, na hora de carregar, quando o único português que os gregos menosprezaram tentava ser o herói que faltava, o nosso seleccionador desistiu do seu avançado de sempre para o substituir pelo preterido... O mínimo que tinha que fazer, a 20 minutos do fim, era ficar com os dois em campo e esperar que da atrapalhação na área grega resultasse alguma coisa. Mas o homem quis manter a ordem, evitar o pontapé lá para cima, e só com o N. Gomes e o C. Ronaldo era impossível bater os grandalhões da defesa deles pelo ar.
Ok, perdemos. Em nossa casa (não era bem a nossa casa...), no nosso país, perante uma nação empolgada. Foi muito duro. A única coisa positiva que fica é a ideia de que, se no futuro chegarmos a uma final destas, teremos que ser mais fortes, mais capazes, mais decisivos - a sensação com que fiquei no final foi a de que já ninguém dentro do campo acreditava que era possível levar o jogo para o prolongamento. Os jogadores, os mais empenhados e os menos empenhados, estavam descrentes, incrédulos, quase resignados.
Para trás fica um mês fabuloso, um mês em que fomos da tristeza costumeira a um inusitado entusiasmo, para acabar a festa de cabeça baixa, como se tivéssemos perdido tudo. Se, no ínicio, me dissessem que teríamos o 2º lugar, eu não ficaria tão triste. Aliás, ficaria satisfeito se fossemos derrotados pela única equipa que me pareceu sempre melhor do que nós - a República Checa. Caímos perante uma equipa do tipo "bate e foge", premiando o futebol dos covardes, elevando aos píncaros uma equipa que em jogo algum dominou e deu provas de qualidade. Isto não foi bom para nós; isto não é nada bom para esta modalidade.
Falhei na minha promessa ao Martin Safar: lamento amigo, a vossa história repetiu-se connosco. Fica para a próxima.
Publicado por poncio em julho 5, 2004 11:11 PMSe não foi na nossa casa, foi em casa de quem? Temo que a nossa (selecção) unica casa seja o velhinho estádio nacional.
Estranho comentário num optimo post...
Terá sido porque o apoio dos gregos que lá estavam suplantou o dos portugueses??? Em grande parte do jogo só se ouviam os adeptos gregos...
Afixado por: guardabel em julho 6, 2004 06:01 PMO que a Grécia fez no Euro foi do meu ponto de vista o mesmo que o Mourinho fez no Porto, ou seja, jogar em função do adversário.
Enquanto uns rezam e invocam bruxas ou sistemas, outros ocupam-se no estudo minucioso do próximo adversário para melhor o contornar.
No resto são os jogadores que fazem a diferença.
Saibamos honrar os vencedores.
Aduanev
Afixado por: Aduanev em julho 7, 2004 10:00 AMAcredita Guardabel, foi como no 1º jogo, no estádio do dragão.
Mas lá venderam bilhetes. Na final foram dados à malta da revista Lux. Esse não berram nem vão à bola.
Caro BeNNfica, não me interpretes mal: "não era bem a nossa casa" foi a maneira mais ou menos irónica e brincalhona que arranjei para descrever o facto da minoria grega fazer mais barulho do que a maioria lusitana.
Como é óbvio, quando joga a selecção, qualquer local do território nacional é "a nossa casa", até mesmo o estádio do SLB!
Afixado por: Poncio em julho 7, 2004 09:12 PMNão sei bem porquê!
Mas... a derrota do selecionador "Secalhar"
nem me aqueceu nem me arrefeceu.
Obrigado, Poncio. É que há dias que me apetece deixar de pagar impostos por ter a precepção que uns remam para um lado outros para outro.
PS: Eu tb adoro dar uma mija no W.C. da lagartada. ;)
Para quando uma visita ao http://marvermelho.blogspot.com tou certo que vais rir com um post.... "Anjos na Federação".
Desculpem s tou a ofender alguem, mas na final do euro eles mereceram ganhar, pois jogaram melhor.
Por outro lado nos tmb mereciamos prk esforxamonos mt!