Ganhamos. Sem brilhantismo, mas ganhamos. Já vi a Alemanha chegar a finais de grandes competições a jogar pior do que nós.
O Scolari, como não teve tempo para fazer experiências nos jogos amigáveis que disputámos nos últimos 18 meses, resolveu fazer uma revolução. Se desse para o torto, pelo menos ele tinha tentado mudar alguma coisa, terá pensado o brasileiro...
Ficaram: o Ricardo, o J. Andrade, o Costinha (apesar da pobreza da exibição anterior), o Maniche, o Figo, o Simão e o Pauleta (à falta de alternativas...).
Quase metade da equipa saltou do 11 para o banco:
- P. Ferreira (pagou caro o passe para o primeiro golo grego ou terá saido para compensar o facto de todos os outros jogadores do Porto jogarem a titulares... na Luz?);
- F. Couto, o capitão, que foi mais do que indiscutível em todos os jogos da "Era Scolari"; só agora é que o seleccionador descobriu que tinha um central melhor e mais rápido no banco?
- R. Jorge, porque é mais do que evidente que não está à altura das responsabilidades;
- R. Costa, porque a imprensa, mesmo a fervorosamente benfiquista, o elegeu, injustamente (digo eu), como culpado da desgraça com os gregos? Ou porque só depois da coisa correr mal é que o Scolari achou que podia encostá-lo e colocar o Deco no 11?
Entraram para o jogo do "tudo ou nada":
- Miguel, para perfazer a quota vermelha e dar uma feição menos nortenha à selecção...
- R. Carvalho... porque é o melhor central português da actualidade, está claro!
- N. Valente, porque não sendo uma maravilha, ataca e defende melhor do que o R. Jorge, para além de, em caso de necessidade, poder ser usado como central, graças à sua experiência nessa posição e, obviamente, à sua estatura.
- Deco: porque "é o nº 10 e finta com os 2 pés", para além de correr mais, lutar mais, rematar mais e empastelar menos do que o nosso "maestro" na pré-reforma.
Ficou de fora o C. Ronaldo, vá-se lá saber porque carga de água!...
O que aconteceu:
No início, como os russos não pressionam como os gregos, fomos nós que os pressionamos a eles. Marcamos um golo muito cedo (e que grande golo!), tivémos mais algumas jogadas de perigo, mas o impeto inicial foi-se perdendo, até que um atraso estúpido da defesa russa colocou a bola entre o Ovchinikov e o Pauleta, com o primeiro a meter (?!) a mão à dita fora da área e o árbitro a mostrar-lhe o vermelho sem hesitação. O Figo fez o favor de marcar o livre para fora (que não é Zidane quem quer...) e lá fomos contentes para intervalo.
Na segunda parte, com o mesmo 11, mas a jogar contra 10, poderíamos e deveríamos ter "acabado" com o jogo muito cedo. O Nuno Valente tentou, mas o guarda-redes suplente não deixou; o Figo também tentou algumas vezes (uma delas na melhor jogada do encontro: combinação Deco - N. Gomes - Figo - guarda-redes russo - poste - Deco - bola para fora!); o Deco tentou (de livre, com remates de meia distância, enfim, fez por isso e merecia); o Nuno Gomes tentou (e falhou escandalosamente, deixando-se antecipar); mas quem haveria de marcar o 2º, já pertinho dos 90? O "maestro"!!!!!!!!!!
No meio de tudo isto, resta dizer que o mais espantoso é que o nosso ponta de lança titular, que eu me lembre, não fez um remate de jeito. E, claro, como não marcamos cedo na segunda parte, os russos ainda se aproximaram com algum perigo e num dos lances até assistimos a um óptimo "salto para a piscina" à João Pinto, mas o juiz não foi na cantiga (nem mostrou o amarelo...).
Resta dizer que, para lá da troca do Pauleta pelo N. Gomes (que só é criticável pela demora), Scolari fez questão de tirar o Simão e meter o Rui Costa (porque não convinha substituir o Deco, que estava a ser um dos melhores em campo e, afinal, contra 10 até dá para estas maluquices) e depois do Figo ter dado mostras de estar completamene roto, lá colocou o miúdo do Man United que, está bom de ver, fez-se logo notar.
Por esta altura, já o Costinha e o Deco estavam também visivelmente estourados, dando ao Rui Costa a oportunidade de empastelar os nossos ataques conforme lhe aprouvesse. Felizmente para ele (e para nós), numa das poucas vezes que decidiu correr em direcção à baliza contrária, fez uma grande "abertura" e o C. Ronaldo devolveu-lhe a gentileza sob a forma de "passe para encostar", o que veio a acontecer. O homem lá fez um ar de injustiçado e o jogo acabou em apoteose.
As minhas conclusões:
1 - contra a Espanha é melhor que o Scolari não invente mais! Desta vez correu bem, para a próxima...
2 - apesar do que refiro no ponto 1, acho demasiado arriscado deixar um jogador fabuloso como o Vicente à guarda do Miguel...
3 - e que tal se deixasse o Pauleta descansar um bocadinho?
4 - e não é melhor meter o C. Ronaldo mais cedinho?
Publicado por poncio em junho 17, 2004 12:03 AM1- Vamos encontrar uma Espanha que se dá ao luxo de ter no banco jogadores como Luque ou Joaquin, que quando entrou fez o pobre Fyssas num 8.
2- Tanto o Miguel como o Paulo Ferreira terão dificuldades contra o Vicente, mas o P. Ferreira tem a vantagem de defender melhor.
3- Não me lembro de ter visto um remate sequer do Pauleta nos dois jogos já realizados...
4- Ronaldo já provou que deve ser titular no lugar do Simão.
Afixado por: guardabel em junho 17, 2004 10:35 AM