
É assim o Futebol Clube do Porto, um clube que sublima os seus jogadores, que lhes presta a devida homenagem no momento certo, que lhes agradece pelo quanto fizeram pelo clube.
Carlos Secretário despediu-se simbolicamente dos relvados neste fim-de-semana. Em ombros, saiu do terreno de jogo. Todos os colegas e ainda Mourinho elevaram-no em braços fazendo a justa homenagem a um homem que vestiu a camisola azul-e-branca ao mais alto nível durante 10 épocas.
Secretário nasceu em S. João da Madeira a 12 de Maio de 1970. Amanhã completa 34 anos. Ainda júnior trocou o Sporting pelo FC Porto em finais da década de 80. Era médio-direito e distinguia-se pela velocidade. Ao subir à categoria sénior foi emprestado sucessivamente a Penafiel, Famalicão e Braga, antes de se impor no plantel principal do FC Porto em 1993/1994. Vivia-se a era "pós-Jaime Magalhães" e Secretário era o seu sucessor natural.
Em três épocas venceu dois campeonatos e jogou a Liga dos Campeões. Num jogo desta competição, em Bremen, Secretário assinou uma das melhores exibições da sua carreira. Foi um jogo de sonho em que os Dragões cilindraram por 0-5 uma das equipas europeias mais fortes da altura. Secretário marcou um golo, assim como Rui Filipe, Kostadinov, Domingos e Timofte.
Entretanto a chegada de Edmilson ao clube fê-lo recuar na sua posição no terreno para defesa-direito. Foi com naturalidade que as exibições de Secretário despertaram a cobiça de clubes estrangeiros. Ainda por cima, fez um bom campeonato europeu. O que surpreendeu mais foi o facto de ser o Real Madrid o clube a vir buscá-lo. O Real Madrid, que buscava um substituto para o lateral-direito Chendo, contratava Secretário num dos mais espectaculares negócios de Manuel Barbosa.
Em Madrid, viveu dois anos para esquecer. Jogou 13 partidas na primeira época e na segunda não chegou a alinhar na equipa principal, tendo regressado ao FC Porto ainda a meio da temporada. O clube que o projectou recebia-o assim de braços abertos numa prova de carinho e gratidão.
No Porto voltou a ser campeão e a ganhar taças de portugal, mas teve um momento traumático, em Alvalade, quando assistiu Acosta para o segundo golo do Sporting no jogo do título. Até nisso foste GRANDE, Secretário, ao compreender a frustração sportinguista de quase 20 anos sem ganhar o campeonato! Mostraste aí um assinalável espírito de solidariedade pelos mais necessitados que sempre foi apanágio dos homens de coração grande!
Nestas duas últimas épocas, a sua presença no plantel foi valiosíssima pela transmissão aos mais novos da mística do balneário que caracteriza os jogadores mais antigos. Agora, despede-se saindo pela porta grande, a porta dos CAMPEÕES.
Obrigado, Carlos Secretário!
Publicado por guardabel em maio 11, 2004 07:05 PMSecretário foi, acima de tudo, um grande profissional!!
Afixado por: Carriço em maio 12, 2004 11:14 AM